Estou sempre a dizer que não gosto de fazer exercício. É verdade. No entanto sei que é algo importante.
Infelizmente, como faço contrariada, qualquer coisinha é desculpa suficiente para parar. Foi o que aconteceu durante o Natal. As minhas caminhadas e corridinhas pararam, primeiro porque os miúdos estavam de férias, depois porque passei um mês com constipações e sinusites e finalmente porque está frio e chuva e não apetece andar na rua.
Para contrariar isso resolvi tentar integrar o exercício fàsico nas actividades mundanas do dia a dia. Não é complicado. Em vez de me sentar no sofá a ver televisão, deito-me no chão e vou fazendo abdominais. Ao por a loiça na máquina faço agachamentos em vez de me dobrar para a frente. Só é preciso um bocadinho de imaginação e iniciativa.
E sim, visto de fora é um bocado ridàculo, mas tem a vantagem de ser dois em um – faço algo prático ou divertido e ao mesmo tempo desenferrujo o corpo. Não é o suficiente para ficar com o corpo que tinha aos 20 anos mas não tenho aquela sensação parva de estar a perder tempo e é melhor que não fazer nada enquanto espero pelo fim da chuva.
Toda a gente sabe que os governos, sejam eles quais forem, gastam dinheiro de forma irresponsável. Para além do que metem ao bolso, num paàs onde a corrupção é um modo de vida, há os salários altàssimos, os carros de luxo, os 30 administrativos que são bons demais para atender o telefone, a quantidade de funcionários públicos que não fazem nada e ainda são mal educados quando têm de atender o público, os negócios obscuros com empresas privadas, as reformas para gajos que tiveram o tacho 4 anos e estão longe da idade da reforma, a venda das poucas empresas públicas que efectivamente dão lucro, enfim, a lista é infinita.
O problema parece-me ser que estas pessoas tratam o dinheiro dos impostos como notas de monopólio. Pior que isso, acho que a atitude geral é tão simples como, o dinheiro não é meu, vamos lá ver quanto é que consigo estoirar antes de ser apanhado. E no nosso paàs, um paàs onde um gajo está preso e mesmo assim os tansos querem continuar a votar nele, ninguém é apanhado. Passam todos por uns coitadinhos que não faziam ideia do que estavam a fazer e ninguém é responsabilizado por nada.
Uma empresa que fosse gerida desta forma ia à falência em menos de um ano. Os polàticos tentam convencer-nos que o Estado devia ser gerido como uma empresa, que devia de alguma forma dar lucro mas depois são uns nabos como gestores. É uma ideia absurda, de qualquer forma. Nós pagamos impostos para que o Estado construa estradas, hospitais, escolas, infraestruturas necessárias ao bem comum. Para que haja polàcia e bombeiros, para que exista um mànimo de lei que nos permita andar na rua sem medo de sermos constantemente atacados. O Estado existe, como infraestrutura, para haver alguém responsável por fazer cumprir as regras básicas e estabelecer que todos os cidadão têm os mesmos direitos. Fora isso deviam ficar quietinhos. Ninguém espera que o Estado dê lucro mas sim que o dinheiro seja aplicado nas áreas acima descritas, de forma a beneficiar a população. Mais nada.
Mas para além dos negócios sujos e da ganância tàpica dos humanos, parece-me que a despesa absurda também passa por pequenas coisas que não estão sequer no radar de ninguém. Passa pela redução da burocracia e da despesa ao nàvel mais simples. É um bocado como um autoclismo que vai pingando. É só uma gotinha mas ao fim de uns meses perderam-se litros de água sem se dar por isso.
Um exemplo disso com que deparo diariamente é a quantidade de cartas das finanças que recebo para o homem que nos vendeu a casa. Mudou-se há mais de 3 anos e, como deve um balúrdio à s finanças, não deu nova morada. Eu já liguei para lá a dizer que o homem não vive aqui mas, em vez de colocarem no sistema que a morada estava errada e pararem com a correspondência, responderam-me que até terem nova morada iriam continuar a enviar a correspondência para a minha casa. Ou seja, recebo dezenas de cartas que tenho de devolver e o Estado está a gastar dinheiro em papel, tinta e custos de envio desnecessários.
As cartas da foto são só as mais recentes, que ainda não me dei ao trabalho de devolver. Com um volume destes mensal, imaginem a quantidade ao fim de 3 anos.
Eu sei que isto é tão insignificante que não tem qualquer impacto, mas já pensaram na quantidade de situações idênticas que devem existir em todo o sistema do Estado? Pequenas coisinhas a que ninguém liga e a despesa final que isso deve dar? Tudo porque estão a brincar com dinheiro que não é deles e não querem saber o suficiente para fazer o seu trabalho de forma responsável. Se ninguém se interessa a este nàvel tão básico, como é que podemos acreditar que alguma coisa vai mudar mais acima, com os senhores doutores que se acham demasiado importantes para perder tempo a preocupar-se com o povo?
As minhas aulas de joalharia continuam a correr bem. É pena que sejam só quatro horas por semana porque demoro imenso tempo a terminar uma peça, mas gosto muito de lá estar. O ambiente é óptimo e faz-me bem interagir com outros humanos ocasionalmente, especialmente com pessoas que partilham os mesmos interesses. Estar no atelier é completamente diferente de andar na escola porque ninguém está lá por obrigação. Há sempre alturas mais frustrantes, em que as coisas correm mal ou em que é preciso fazer uma tarefa mais monótona ou complicada, mas o nàvel de queixume geral é surpreendentemente baixo. Grande parte disso deve-se ao professor que é extremamente positivo e faz um esforço enorme por manter toda a gente motivada.
Terminei finalmente a segunda peça do curso. Foi uma pregadeira, com tema lançado pelo professor: monumentos portugueses. Escolhi o Convento de Cristo em Tomar. Inicialmente pensei basear-me numa escada em caracol mas posteriormente optei por uma janela. Não a famosa janela Manuelina mas uma outra, redonda, que se situa por cima dessa. O aspecto da janela faz-me lembrar o obturador de uma máquina fotográfica e tem o mesmo desenho em espiral da escada que eu tinha escolhido inicialmente.
Janela que inspirou o design da peça
Para não criar algo terrivelmente óbvio, acabei por usar a distorção da perspectiva causada pela foto para criar uma peça oval em vez de redonda, com a abertura da janela, onde iria assentar uma pedra, descentrada.
estudos para o projecto
Estabelecido o desenho da peça, foi necessário cortar as várias chapas que iriam ser soldadas, sobrepostas.
desenho das chapas a cortar
As chapas foram depois embutidas para ficarem com uma curvatura e montadas temporariamente numa base de plasticina até se obter o encaixe perfeito entre todas as peças.
Como é praticamente impossível soldar uma peça desta complexidade aos bocadinhos, esta montagem temporária foi coberta com gesso para manter todas as placas no sítio. A peça foi retirada da plasticina, ficando presa ao gesso. Esta montagem permitiu fazer os primeiros apontamentos de solda.
Quando as peças estavam todas soldadas numa ponta, foi possível retirar o gesso e proceder ao resto da soldadura.
Quando estava tudo finalmente montado e soldado, foi a vez de fazer a bata. A bata é uma tira metálica que serve para dar altura à peça. É particularmente importante em peças como pendentes ou pregadeiras, para que estas ganhem algum destaque em vez de ficarem planas junto ao corpo.
As batas não têm de ser muito grossas mas como a peça era grande, ficou com cerca de um milàmetro de espessura. Depois de laminar a chapa com a altura e espessura correctas, cortei secções do tamanho de cada uma das placas do topo para manter a saliência dos cantos. Soldar a bata foi complicado porque esta não tinha apoio. Estabilizar uma peça com um centàmetro de largura sobre uma superfàcie curva, tendo a certeza que fica alinhada com o limite da chapa de base e não cai durante o processo é um verdadeiro quebra-cabeças. Assentei a peça numa base de gravilha (areia térmica) para dar estabilidade e prendi a bata à peça com fio de ferro mas, como a base era redonda, o fio tinha tendência para escorregar.
Foi um processo longo e algo frustrante porque ocasionalmente a bata mexia na pior altura possàvel e era difàcil voltar a prendê-la na posição correcta, já para não falar na complicação que foi preencher todas as juntas de solda sem ficar nenhum furinho. Como a curvatura das diversas peças era diferente, foi complicado ajustar perfeitamente a curvatura da bata, o que criava pequenos espaços aqui e ali. A solda não serve para preencher espaços pelo que foi preciso alguma ginástica para completar o processo com um acabamento perfeito. O outro problema técnico é que a peça tinha muito metal, o que quer dizer que é difàcil de aquecer uniformemente. Isso implica que a solda nem sempre corria na direcção desejada e era muito fácil derreter soldaduras anteriores. Usei e abusei do corrector e mesmo assim foi necessário acrescentar solda nalguns pontos onde a solda anterior teimava em fugir. Foi de facto um puzzle complicado de montar.
Quando estava tudo finalmente montado, foi necessário fazer um acabamento prévio. Limei e lixei as arestas e arredondei a peça para a junção da bata com a chapa ser menos evidente e a peça ter um aspecto mais coerente por inteiro. Este tipo de acabamento só se costuma fazer no fim mas como precisava de soldar mais elementos em cima desta forma base, precisei de o fazer agora.
A fase seguinte consistiu em enrolar dois fios de prata de 0,7 mm para criar as cordas, elemento tàpico da arquitectura Manuelina. Já tinha feito cordas de dois fios enrolados, mas sempre com fio comprado já na espessura certa e recozido. Neste caso tive the passar o fio na fieira para o por com a espessura indicada e recozer o fio com o maçarico. Recozer fio uniformemente com maçarico é complicado. O resultado é muitas vezes irregular, o que faz com que o fio não enrole todo da mesma forma. Para resolver esse problema, tive a ajuda do professor Paulo que foi aquecendo os fios com o maçarico, enquanto eu enrolava. Acredito que dê para fazer isto só com uma pessoa mas é muito mais complicado e uma pequena distracção pode derreter o fio todo.
Depois de cortar as secções de “corda” à medida, fiz um apontamento de solda sobre a bata e depois moldei a corda à forma das chapas antes de soldar a outra ponta. Mais uma vez, manter as pequenas cordas no sàtio certo não foi fácil, mas menos complicado do que soldar a bata. A parte mais complicada foi conseguir aquecer toda a peça sem derreter as cordas. A solução foi soldar as cordas dando calor por baixo da peça já que a chapa metálica, que é uma área muito maior, precisava de aquecer mais do que a corda que era composta por fios fininhos.
Com a base terminada, foi a vez de criar as peças da pregadeira. A pregadeira é composta por 3 elementos:
1. O click, que neste modelo é uma chapa comprida enrolada em caracol. É a peça que permite abrir e fechar a pregadeira.
Para fazer o click usei uma tira de chapa a 0,5 mm de espessura com 4×17 mm. A 2 mm de uma ponta dobrei a chapa em L. O lado mais curto foi soldado à parte de trás da pregadeira e a ponta mais comprida (com cerca de 15 mm) é que se enrola em caracol, depois de soldar. Não se dá nenhuma serragem na dobra para não fragilizar o componente.
2. O pé é o nome que se dá ao espigão. É afiado numa ponta e na outra tem uma forma achatada, de cantos redondos. Esta forma pode ser feita de duas maneiras: ou se solda uma pequena chapa por baixo da ponta do fio ou se derrete uma bola na ponta do fio que depois é martelada até a espalmar. Em ambos os casos é preciso arredondar a zona de baixo e é depois feito um furo no meio desta zona mais larga por onde vai passar um rebite. Este furo só se faz depois de soldar o gonzo na peça. O comprimento inicial do pé deve ser ligeiramente maior do que a distância do gonzo ao click. No final lima-se a ponta até formar um bico para espetar na roupa. O pé é o último componente da peça a ser montado.
3. O gonzo: Base em U com um furo onde se prende o pé através de um rebite. Funciona como uma dobradiça.
Dobrei ao meio uma chapa de 0,5 mm com 16×5 mm, deixando espaço entre as duas metades para encaixar a zona espalmada do pé (espigão). Forma-se assim um U com a chapa. Esse U vai ser soldado deitado, com a dobra virada para o click. Antes de soldar é necessário recortar uma curva e bico no topo da forma, como se pode ver na foto, e furar a chapa para passar o rebite. Quanto o gonzo está furado, insere-se o pé, verifica-se se roda bem e marca-se o sàtio do furo. Só nesta fase é que se faz o furo no pé para ter a certeza que fica alinhado com o furo do gonzo.
O rebite era um pequeno fio com 1 mm de espessura, que era também o tamanho dos furos. Devem ficar 1 ou 2 mm de fora de cada lado, quando se insere no gonzo. Para prender o rebite basta apertar com um alicate de ambos os lados.
Com os componentes da pregadeira feitos, virei-me para a cravação da pedra. A pedra escolhida foi um cabochon de goldstone azul. É uma pedra sintética, feita através da suspensão de minerais em vidro num ambiente com pouco oxigénio, mas tem um brilho fantástico.
Fiz uma cravação em virola, com uma chapa de 0,3 mm com altura suficiente para cobrir apenas cerca de um milímetro acima do início de curvatura da pedra. Por dentro soldei um anel feito com fio de 0,8 mm para servir de base à pedra. já tinha feito cravação de virola assente sobre uma chapa mas nunca tinha usado fio como base. Poupa-se imenso metal e a parte de baixo da pedra fica muito mais exposta, com menos trabalho. Acho que vou passar a usar esta técnica de futuro para pedras resistentes. Pedras muito moles ou quebradiças podem necessitar de mais apoio atrás.
Foi necessário cortar o centro da peça e, com uma fresa de diamante, gastar o metal na zona do furo até a virola encaixar perfeitamente. Depois soldei a virola à base e na mesma altura soldei o click e o gonzo nas traseiras.
Antes do polimento escureci a peça com patina, neste caso sulfureto de potássio (também conhecido como fígado de enxofre). Ao polir, a prata recuperou muito do seu brilho mas a patina dá destaque ao entrançado das cordas e um tom mais cinzento a toda a peça, que combinam melhor com a pedra escura.
O polimento demorou cerca de 5 horas. É sempre uma das partes mais demoradas, mesmo em peças simples. Depois de polir foi altura de cravar a pedra e fixar o pé. Como não era possível martelar a cavilha para formar o rebite, o fio que prende o pé ao gonzo foi apertado com um alicate para esmagar as pontas, formando uma cabeça de prego de cada lado.
Como é costume nestas coisas, quando achava que estava tudo pronto, o pé partiu. Não sei se o metal estava demasiado duro e o rebite demasiado apertado ou se foi uma falha do metal. Só sei que tive de gastar o rebite para soltar o pé, soldar, voltar a polir e colocar novo rebite. Pelo menos aprendi a reparar uma pregadeira partida 🙂
Apesar de ter sido feita por mim, esta peça é propriedade do atelier de joalharia, que forneceu todos os materiais utilizados. O objectivo é expor esta e outras peças dos restantes alunos com o tema dos monumentos portugueses, em eventos como a Portojóia. É uma forma de mostrar o trabalho desenvolvido pelos alunos do atelier. Há quem faça um duplicado para si, mas sinceramente eu estou mais interessada em aprender as técnicas do que ficar com todas as peças que produzo. E não há dúvida que uma peça desta complexidade técnica ensina muito.
English:
My jewellery classes are going well. It’s a shame that they’re only 4 hours a week because it takes so long to finish each piece at this pace, but I enjoy being there. here’s a great atmosphere and it’s good for me to interact with other adult humans once in a while, especially with people who share the same interests. Being at the jewellery studio is so different than being in a regular school because no one feels they’re forced to be there. Sometimes it’s frustrating, when things go wrong with the work or you need to do more repetitive tasks, but the overall complaint level is surprisingly low. Our teacher is greatly responsible for this positive atmosphere because he’s a very good humoured person who makes a great effort to keep people motivated.
I finally finished the second piece in the course. This time it’s a pin, or brooch, with a theme selected by the teacher: Portuguese Monuments. I chose the Convent of Christ in Tomar. It was built over a long period of time so it has elements from several different styles, from Romanesque, Gothic, Manueline (Portugal’s late gothic style, known for it’s stone knotwork) and into the Renaissance period.
At first I was going to base the design on a spiral staircase but opted for a window instead. Not the famous Manueline window, which for me would have been way too obvious and make the piece a little too busy, but a smaller, round window above it, that reminded me of a camera shutter mechanism and also followed the spiral pattern similar to the staircase I had chosen initially.
I didn’t want to make it too obvious so I used the photograph’s perspective distortion to make an oval rather than round piece, with the window’s opening, where the stone would sit, placed off center.
Once the design was set, I used a jeweller’s saw to cut all the parts out of 0,5 mm sterling silver sheet. The plan was to solder the edge of each one on top of the previous, like steps. I drew numbers on all the parts with a needle, so I wouldn’t mess up the order they should be assembled in. An obvious step but one that we sometimes forget by trying to rush ahead.
All the spiral parts were domed in a dapping cube (by hammering the dapping punch over the metal until it conforms to the curve) and then I assembled the shape over plasticine until I was happy with the overlap. This is a great technique to secure all the bits in place when you have an intricate design like this one.
It’s really difficult to solder a piece of this complexity bit by bit and make everything line up correctly, so I poured plaster over all the pieces assembled in the plasticine. This keeps everything in place.
Once the plaster dried, I removed it from the plasticine, and the metal remained attached to the plaster, allowing me to solder while keeping all the metal parts in place. I soldered all the tips together. I could solder everything at once, but if I did that there was no room for error, and being a newbie still, it was safer to solder the tips and then make sure everything else was still in place before running the solder over all the joints.
Once the parts were all attached to each other I removed the plaster. I broke off the larger pieces and then placed the rest in a container full of water to help remove the rest. The plaster show go in the trash. Don’t poor it down the drain because it can clog up your pipes.
After soldering all the “steps” in the spiral, it was time to make the walls. The walls add height to a piece and make it solid and finished instead of a flimsy piece of sheet metal. It’s particularly important for brooches and pendants because it makes them stand up from the body or clothing.
Walls don’t need to be very thick, but this was a large piece so I settled on 1 mm thickness. I made 2 mm square wire in the rolling mill and the squashed it until it was 1 mm thick. I could have made it all one piece but I wanted the corners in each plate to stand out so I cut portions as I went, curved and filed them to fit the plate.
Soldering the walls wasn’t easy. I had to stabilise a thin strip over the very edge of a curved shape and it kept slipping out of place.
It was a long and frustrating process. I used a pumice pan to support the piece and tied the wall with iron binding wire but it would still move around. The best option was to hold the wall with third hand tweezers but even then it would slip out of place at the worst possible time, making it really hard to get back into place. It took forever!
It was also difficult to make the walls conform perfectly to the curve: each part of the spiral had a slightly different curvature and I had to make sure there were no gaps. It turns out I wasn’t using enough solder, but even still, it was quite a headache getting everything to fit properly. Solder should never be used to plug gaps anyway because it will move the next time you heat the piece and the gap will should up again.
The other problem I faced was the fact that this was my first large piece and it took forever to heat up enough for the solder to flow. I covered previous joints with white correction fluid but the solder would still move on occasion or it wouldn’t run in the direction I wanted it to.
When I managed to solder everything into place I had to do a bit of cleanup by filing the edges where the curved sheet metal connects with the wall, to round up the shape and make it all fit together. This was done now because I still had to solder other elements on top of the shape.
The next step was twisting two 0,7 mm wires together to make “rope”, a typical element of Manueline architecture. I had done this sort of thing before but I’d used industrially made wire that was already annealed. This time I had to use a drawplate to get my wire to the desired thickness and it’s not easy to uniformly anneal wire with a torch. Some bits will usually get softer than others, which makes it hard to twist the wires evenly.
To solve this issue, my teacher heated the metal with a torch as I was twisting the wire, whenever we felt that a section wasn’t cooperating. It can be done by a single person but you have to play close attention to the process and where you point the torch so as not to risk melting the wire or burning something.
I cut all the “rope” sections, soldered one end to the brooch and then molded it along the curved edge before soldering the other end. Once again, keeping the twisted wires in place wasn’t easy but much simpler than the walls. The hardest part was heating the whole piece without melting the twisted wires. To prevent such a disaster I heated from underneath.
The body of the brooch was completed so I focused on the construction of the pin mechanism. The pin is made up of three components:
1. The catch – in this case it’s made from a long strip curled into a spiral. It’s what keeps the brooch closed.
To make the catch I used a 4×17 mm strip of 0,5 sterling silver. At 2mm from one end I bent it to form an L shape. The shorter end was soldered onto the back of the brooch and the longer end (15 mm long) was then curled into a spiral.
2. The pin stem – a long wire with one sharp end and a flat end with a hole in the middle (top of the picture above). The flat end is attached to the joint by a rivet and the sharp end goes through the clothing to keep it in place.
I made the pin out of 1 mm wire. It can be made out of thicker wire but the thicker it is, the more likely it can damage the clothes.
The flat end can be achieved by hammering and then drilling a hole though it or you can solder a small square of silver sheet and round the corners. I chose to hammer the wire. This flat area will need to be drilled but only after the joint has been soldered into place.
The length of the pin depends on how far apart the catch and the joint are placed. I made it longer than I needed to make sure there would be enough to go through the catch. Only after everything was in place did I cut it to size and file the sharp end.
3. The joint – a U-shaped hinge that connects to the pin stem.
I bent a 16×5 mm strip of 0,5 mm sterling silver sheet in half, leaving enough room in the middle so the pin stem could slot into it. The U shape is soldered on its side, with the closed portion facing the catch. I cut one side of the U shape according to the design in the photo (front and back). Drilled a hole in the middle of the round area and soldered it onto the brooch, opposite the catch. Then I inserted the pin stem, checked the shape and marked where I should drill the hole so it would line up with the one on the joint. Only then did I drill the hole in the pin stem.
I attached the pin with a rivet. The rivet was made out of a small portion of 1 mm wire (the same size as the hole). There should be 1 or 2 mm of wire sticking out of each end when inserted. To close it I simply squeezed it with pliers.
This part is done only at the very end, after all the soldering and polishing is done.
Finally I worked on the stone setting. I used a round blue goldstone cabochon. I made a bezel out of 0,3 mm sterling silver sheet, only tall enough to reach about 1 mm beyond the part of the stone that starts to curve inward.
I soldered a jump ring inside the bezel, at the base, to support the stone. This uses less metal than a backplate and allows light to shine through. If the stone isn’t too fragile it’s a good option.
In order to accommodate the bezel, I had to cut out a hole in the brooch. I used a diamond burr to open the orifice until the bezel fit perfectly. I soldered the bezel into the brooch first and then added the catch and joint to the back.
Before polishing, I used Liver of Sulfur to oxidize the piece. When I polished, the silver regained it’s shine but the recessed areas remained dark, adding depth to the design. I think it also matches the dark stone as well.
Polishing took about 5 hours, mostly because I’m not that experienced at it yet. It is always time consuming, though, even for more experienced people.
After polishing I set the stone and finally added the pin stem, which broke. I don’t know if it was too hardened or too tight, but it didn’t make it. When something goes wrong it’s usually at the very end. Fortunately, it was an easy fix. I filed the rivet head on one side so I could remove it, made a new pin stem, polished it and attached it with a new rivet. At least I learned how to fix a broken pin.
Even though I made this piece, it belongs to the jewellery studio and was made with materials supplied by my teacher. Every two years the students make an exhibit piece that remains in the studio for show. Each collection has a theme and will be shown in several venues over the next couple of years in representation of the school. Some students make a duplicate for themselves but i’m more interested in learning the techniques than keeping everything I make, so I didn’t. I did learn a lot, though.
Está um tempo horroroso. Chuva, uma ventania insuportável e só apetece ficar no quentinho. Em vez disso tenho estado ocupada com reparações domésticas.
Uma das decisões mais absurdas do empreiteiro que fez as obras da nossa casa foi por rodapés de madeira na marquise onde dormem os gatos. Começou tudo a apodrecer logo no primeiro inverno, como seria de esperar. Eu podia por-me para aqui a dizer mal do homem, que claramente tomou decisões imbecis pelo simples facto de achar que assim ficava mais bonito, em vez de se preocupar com questões práticas, mas a verdade é que a culpa é minha por ter deixado o homem avançar com tamanha absurdidade sabendo perfeitamente que não ia correr bem.
A parte de verdadeira incompetência que me irrita foi algo que só descobri quando finalmente arranquei os rodapés: a antiga saàda de escoamento de água, de quando o terraço era aberto, não foi tapada. Ou seja, quando chove, entrava água por ali que era imediatamente absorvida pela madeira dos rodapés.
3 anos depois, fartei-me de limpar o bolor e optei por arrancar aquilo tudo e colocar eu rodapés em cerâmica. Tenho estado a fazer isso esta semana, apesar da chuva e humidade não ajudar. Neste momento falta apenas colocar dois azulejos inteiros e cortar 4 para os cantos. Comprei uma roda diamantada para a dremel mas tenho muitas dúvidas que consiga cortar os 4 com aquilo, só que na altura parecia absurdo comprar uma serra de azulejo só por isto. Se não funcionar levo os azulejos ao sítio onde os comprei e peço para cortar.
Como estava em modo de reparações, aproveitei também para alisar o estuque de um furo da parede que já tinha sido tapado há que tempos mas nunca pintado. Basicamente lixar o estuque faz uma poeirada desgraçada e custa-me sujar a casa toda. Como esta semana a mulher a dias não veio e vou ter que limpar tudo de qualquer forma, achei que era de aproveitar para fazer o lixo todo de uma vez.
Depois de um intervalo para almoçar e ver mais um episódio do Breaking Bad (que felizmente não foi tão deprimente como o anterior), vou agora ganhar coragem para começar a pintar as paredes. Oh boy…
Vi o White House Down hoje. É basicamente o Die Hard na Casa Branca. Tem um hacker divertido, o personagem principal até se chama John e anda de wife-beater branca. As semelhanças são inúmeras.
Mas sabem que mais? Eu adoro o Die Hard e, apesar de parecer que alguém foi roubar todos os elementos que tinham piada nesse filme para fazer uma versão em que o presidente americano é um grande herói, não me chateia assim tanto.
O filme pode não ser original mas cumpre o objectivo. É entretenimento puro. Sim, é um bocado ridàcula a forma como os maus matam toda a gente menos o herói e como só têm de recarregar as metralhadoras quando dá jeito. Faz parte. Apesar disso tudo é um bom filme de acção com algum humor, bons actores e interessante o suficiente para não me por a dormir. Há formas piores de passar hora e meia.
E pronto, o Channing Tatum podia tirar a camisa uma ou duas vezes, mas não se pode ter tudo.
Um dos elementos mais básicos na bijutaria são as argolas. Podemos comprar argolas feitas mas também podemos fazer as nossas, já que isso nos permite maior flexibilidade nos tamanhos e grossura de arame disponàveis e também nos dá a certeza de não se acabar o material a meio do projecto, uma vez que podemos sempre fazer mais.
Podemos fazer argolas com o alicate de pontas redondas, mas se precisarmos de muitas de uma vez e quisermos ter a certeza que ficam todas com o mesmo tamanho, o ideal é usar uma adrasta para enrolar o arame. As espirais que se formam com este método, são depois serradas para formar argolas individuais.
Não é preciso investir numa ferramenta cara. Em muitos casos, algo como uma agulha de tricot com o diâmetro certo serve perfeitamente. No entanto, se fazer argolas for uma tarefa muito frequente, como no caso de pessoas que se especializam em peças de cota de malha, uma ferramenta especàfica para enrolar espirais de arame, como o coil bead maker (à€ esquerda na foto), reduz bastante o esforço necessário. Enquanto que para enrolar as argolas numa simples agulha de tricot precisamos de exercer alguma força para impedir que a espiral alargue, esta ferramenta tem uma alavanca que, ao rodar, estica enrola o arame sem ser necessária tanta força fàsica.
Para além de serem óptimos moldes para fazer espirais, as agulhas de tricot também servem para o seu propósito original – tricotar – só que com arame.
Utilizando arame fino – 0,2 ou 0,3mm – podemos elaborar peças usando os mesmos pontos do tricot tradicional, tendo apenas o cuidado de formar cada laçada com o tamanho certo. Podemos também juntar fio de crochet ou lã juntamente com o arame para dar cor e textura, e adicionar contas ou misturar arames de cores diferentes.
A par do tricot, também é possível fazer crochet com arame. As agulhas podem ser finas ou grossas mas tanto as de tricot como as de crochet devem ser de metal. As de plástico ou madeira são muito moles e ficam facilmente estragadas quando usadas com arame.
Para fazer anéis precisamos de um objecto cilàndrico com a grossura do dedo para formar a base do anel. Este objecto pode ser qualquer coisa, desde a pega de um utensàlio de cozinha a um marcador grosso. Porém, quem prefere utilizar a ferramenta apropriada para o efeito, pode adquirir uma adrasta de anéis, que se vê no topo da foto ao lado. É um cone metálico que permite formar anéis mais grossos ou finos, variando a zona onde se molda o metal.
Também existem adrastas com outras formas – quadradas, ovais, triangulares, etc. – e adrastas para pulseiras, com um diâmetro maior.
O objecto do meio serve para medir anéis já formados. Não serve para formar aneis porque a zona dos números é plana e causaria deformação no anel. É uma ferramenta útil para descobrir que medida de anel uma pessoa usa através da medição de um anel que já tenha, mas não é necessária para o artesão comum. A aneleira é outra ferramenta de medida para anéis com o objectivo inverso: consiste num conjunto de anéis de tamanhos graduados e serve para medir o próprio dedo para determinar o tamanho do anel a executar.
A forja é uma técnica de trabalho de metal que consiste em martelar o metal em cima de uma superfàcie ràgida, como o aço. Há quem use apenas uma chapa de aço com cerca de 1 a 2 cm de altura mas o tradicional é a bigorna. Ao lado vemos uma versão pequena de uma bigorna, ideal para trabalhar argolas e outras pequenas peças de bijutaria. O metal, ao ser martelado torna-se mais duro e por isso tem mais tendência a manter a forma que lhe demos.A ferramenta mais abaixo na foto chama-se um paquàmetro e serve para medir a espessura da chapa metálica, tamanho das contas, espessura do arame, etc. Recomendo a versão moderna digital que é extremamente precisa.
Ao usar um martelo de metal vamos achatar o arame, uma técnica que permite dar mais interesse à s peças pelas diferenças na espessura ao longo do arame. Alguns martelos têm um lado direito e ou lado curvo, como uma bola, que permite dar textura ao metel. Se quisermos fortalecer um componente sem o deformar devemos utilizar um martelo de nylon (à esquerda na imagem) ou de cabedal (mais tradicional).
Na foto do lado vemos dois exemplos de serras de joalheiro ajustáveis, que utilizam umas serras muito finais ideais para cortar arame e placas metálicas sem criar um espaço muito grande entre as duas pontas a serrar. Esta serra é ideal para cortar espirais de argolas, sendo mais rápida e eficiente do que o alicate de corte a criar um grande número de argolas de uma vez. A serra deve ser lubrificada com óleo ou cera para não agarrar ao metal (porque poderia partir) nem aquecer demasiado
à€ direita das serras vemos 3 limas, utilizadas para retirar os bicos das pontas do arame e marcas dos alicates. Tal como a lixa, as existem limas com um grão mais grosso que permitem retirar mais metal de uma só vez ou mais finas para os acabamentos. Os arames coloridos ou banhados a prata ou ouro não podem ser limados porque a cor é apenas uma camada superficial que é arrancada com este processo.
O tambor rotativo (tumbler) ilustrado na foto ao lado, foi criado para polimento de pedras mas também é muito utilizado em bijutaria para endurecer o metal dos componentes que requerem alguma resistência, como por exemplo os anzóis de brincos, e também para limpar e polir as peças terminadas.
O funcionamento desta ferramenta consiste em colocar dentro do tambor a peça que queremos limpar ou endurecer, juntamente com pequenos pedaços de aço de diversos formatos que, com a rotação do tambor chegam a todos os recantos da peça, permitindo um acabamento mais perfeito. Se não quisermos endurecer o metal mas apenas limpá-lo, as bolinhas de aço podem ser substituàdas por arroz cru e seco. Estes fragmentos vão friccionando a peça através da rotação do tambor e procedem assim à limpeza ou endurecimento.
O processo pode ser feito a seco (no caso do arroz) ou adicionando água e sabão ou outro pó de limpeza quando se utilizam as bolinhas de aço.
É preciso cuidado no que diz respeito ao tipo de peças que se podem colocar no tambor rotativo. Pérolas, turquesa e outras pedras moles, ficam danificadas com este processo e não podem ser limpas aqui. O mesmo acontece com contas de vidro que tenham uma camada colorida superficial ou no interior já que essa camada será arrancada juntamente com a sujidade da peça. Os arames com banho de prata ou ouro são geralmente seguros desde que a camada não seja demasiado fina. Este método é particularmente eficaz para limpeza de correntes e outros objectos com recantos onde é difàcil chegar manualmente.
Por fim temos as ferramentas necessárias para soldar, que podem ser vistas na foto do lado.
Aqui começamos já a entrar no domànio da joalharia mas a soldadura pode ser necessária em alguns casos, mesmo em bijutaria.
Antes de começar, convém obter bastante informação sobre o assunto ou até mesmo ter umas aulas. É importante compreender as normas de segurança uma vez que estamos a trabalhar com fogo e metal que chega a atingir os 800 graus, o que pode causar graves queimaduras. Para além disso, a soldadura requer alguma experiência porque o ponto de fusão da solda e da chapa ou fio é um intervalo muito pequeno que ocorre em poucos segundos. É boa ideia fazer algumas experiências com pequenos restos de metal antes de tentar soldar uma peça que já deu horas ou dias de trabalho.
Necessitamos primeiro de um maçarico. O da imagem é pequeno e semelhante aos utilizados para culinária. Para não pegar fogo à mesa, é também necessária uma base que dissipe o calor, como por exemplo um azulejo ou tijolo refractário. A soldadura requer obviamente solda, que pode ser em pasta, em fita ou em chapa e um fluxo de soldar, ou seja, um làquido que ajuda a solda a fluir e que em português se chama “tincal“. Existe tincal làquido (frasco amarelo), em pó (frasco branco) ou sólido. O tincal também serve para proteger o metal da oxidação, especialmente na zona da soldadura, uma vez que a solda só corre se o metal estiver bem limpo. É aplicado com pincel ou por imersão da peça. Quando ferver tem tendência a desalojar os palhões de solda pelo que, em trabalhos delicados, prefiro usar a solda em pasta (a seringa da imagem).
Quando mexemos nos quàmicos convém usar luvas para proteger a pele das mãos e também é conveniente usar uma máscara e trabalhar num ambiente ventilado devido aos gases de combustão que são produzidos pelo maçarico.
Na imagem vemos também um tijolo de carvão que se usa como base para soldar. Ao contrário do material refractário que dissipa o calor, o carvão concentra-o, aquecendo a peça mais rapidamente. Também é útil para soldar pequenas peças em que a chama directa faria derreter o metal rapidamente. Apontando a chama para o carvão, criando assim um calor indirecto, permite soldar fios muito finos e outras peças delicadas.
Como a maioria das mulheres, gosto de me sentir feminina. Gosto de roupa bonita, maquilhagem, de ter um aspecto cuidado. Pelo que vejo da minha filha de 3 anos, acho que algumas mulheres já nascem assim. No entanto, devo dizer que me preocupa e enfurece a forma como a sociedade teima em tentar manter as mulheres frágeis, vulneráveis e facilmente objectificáveis. Assusta-me ainda mais o facto de muitas mulheres abraçarem despreocupadamente os supostos ideais de beleza que levam a este triste fim sem questionar a origem ou objectivos dos mesmos.
Na minha humilde opinião, há muito que a moda disfarçadamente conspira para manter a mulher fraca e sem capacidade de defesa, transformando-a num mero objecto decorativo e colocando em segundo plano a sua inteligência. Desde os espartilhos, felizmente em desuso, que obstruàam a respiração plena, até aos saltos altos, ainda em uso, que impossibilitam a corrida e assim limitam a fuga em caso de perigo, passando pelas longas unhas decoradas que apenas permitem manusear objectos com a ponta dos dedos, impedindo a mão de se fechar em punho, o vestuário da mulher parece maliciosamente pensado para a tornar uma presa fácil.
E ainda não falei do mais óbvio que é a absurda noção de que uma mulher tem de passar fome para ter o corpo ideal. Ideal esse que é o cúmulo da fraqueza fàsica, ou seja, magro e sem músculo. O músculo “em excesso” é daquelas preocupações parvas de que oiço inúmeras vezes as mulheres queixarem-se quando se fala de exercício fàsico. Fica aqui uma informação importante: se não tomarem esteróides não ficam com corpo de homem. Vão lá para o ginásio descansadas.
No meio de tantas conquistas, como o direito ao voto, à educação e ao trabalho, porque é que as mulheres permitem que a sua aparência fàsica ainda seja controlada desta forma? Faz-me lembrar os Eloi do H. G. Wells, uma raça que era mantida feliz e parvinha porque basicamente eram o gado dos outros. As mulheres, ao permitirem que a sociedade continue a ditar padrões de beleza irrealistas, desconfortáveis e cruéis está a deixar-se levar em manada para o matadouro sem dar por isso. Afinal de contas, os homens tanto podem ser protectores como agressores e nunca se sabe qual destes tipos vamos encontrar ao virar da esquina. Mais vale um bom par de ténis e aulas de auto-defesa do que saltos altos e pilates. Just saying.
Não costumo falar de questões polàticas. Normalmente tento não pensar muito nisso porque a estupidez é tanta e a minha capacidade de mudar seja o que for é tão inexistente que passava os dias com uma raiva difàcil de conter. No entanto, de vez em quando há algo tão absurdo e que me causa tanta revolta que tenho de desabafar.
Cada vez que acho que o nosso paàs está a avançar um bocadinho, aparece uma destas.
Então é assim: o estado gastou tempo e dinheiro a estudar um assunto que considerava importante. Foi diagnosticada uma injustiça social que necessitava de ser corrigida, foram ouvidos especialistas e formulada uma alteração à lei. Essa lei foi votada e aprovada. Toda a gente está feliz, celebra-se mais um avanço dos direitos humanos em Portugal.
Ah, espera. O PSD, o nosso actual governo, cujo maior problema desde o inàcio tem sido a luta contra a despesa interna, resolveu que este assunto devia ir a referendo. Ou seja, depois de ouvir a opinião de pessoas que percebem do assunto e chegar a uma conclusão que foi votada e aprovada, resolveram ignorar isso tudo e ir antes pedir a opinião aos Manéis e à s Marias que não sabem do que se está a falar e a quem o assunto nem sequer diz respeito.
O PSD obrigou então toda a gente do partido a votar a favor do referendo, mesmo contra a sua opinião e consciência, levando pelo menos uma pessoa a demitir-se. Mesmo não tendo votos a favor de mais ninguém e perceberem que toda a gente achava o referendo uma estupidez, avançam à mesma. Porquê? Porque é uma distracção. Enquanto se fala disto eles metem mais uns cobres ao bolso e ninguém dá por nada. Dá-lhes jeito.
E é preciso não esquecer que fazer um referendo custa dinheiro, mais dinheiro que o estado não tem. Mas independentemente do custo, é irresponsável e absurdo fazer um referendo sobre uma questão de direitos humanos. Abre um péssimo precedente.
Então e se amanhã um partido que se diz conservador resolve, por exemplo, que dantes é que era bom e as mulheres deviam ficar em casa em vez de terem o direito de trabalhar, vamos lá a referendo. Acham que isso ia acabar bem? Com o machismo que ainda prevalece na nossa sociedade? Ou imaginem que decidem que a escravatura até era uma coisa que dava jeito. Há malucos para tudo. A função do estado deve ser defender os direitos dos cidadãos, em particular das minorias, mesmo contra os preconceitos da mentalidade dominante. Dar a voz ao povo é muito bonito em teoria mas a verdade é que se não lhes toca pessoalmente, o cidadão comum não tem cultura ou informação suficiente para tomar uma decisão lógica e racional sem ser baseada em preconceito.
E vamos lá falar então do assunto da co-adopção propriamente dito, uma vez que me parece que há uma grande confusão à volta disto.
A adopção de crianças por casais do mesmo sexo não é permitida por lei no nosso paàs. É errado mas havemos de lá chegar. Esta lei não se refere a isso.
Esta lei da co-adopção refere-se a casos muito especàficos em que um indivàduo já tem um filho, seja biológicos seja adoptado, e vive com outra pessoa do mesmo sexo que para todos os efeitos práticos já se comporta como pai ou mãe desta criança no dia a dia mas sem ter os mesmos direitos.
Como exemplo, vamos dizer que uma senhora chamada Vera teve um filho chamado Francisco. O Francisco não tem pai. Não interessa porquê mas é um dos factores que a lei considera necessários para permitir a co-adopção. A mãe Vera casa-se com uma senhora chamada Helena. Ambas tomam conta do Francisco, levam-no à escola, fazem-lhe o jantar, etc. Se por azar a mãe Vera morre, o Francisco, que não tem pai, é retirado aos cuidados da Helena pelos serviços sociais porque a Helena, que na prática era a segunda mãe do Francisco, não tem quaisquer direitos efectivos sobre a criança. Ou seja, vão retirar uma criança de um ambiente familiar estável, onde vivia com uma pessoa que gostava dele e o tratava bem para ser enfiado num centro de acolhimento para órfãos. Vão causar sofrimento desnecessário a uma criança por causa de uma mentalidade mesquinha. Alguém acha isto correcto?
É só isto. É uma questão de defender os direitos destas crianças. Querem-lhes tirar isso porquê?
Porque é que há pessoas que consideram uma ofensa pessoal quando não se atende o telemóvel? Lá porque hoje em dia toda a gente tem um telefone que pode andar connosco para todo o lado não quer dizer que seja obrigatório tê-lo cirurgicamente implantado.
Será que não lhes ocorre que as pessoas à s vezes estão ocupadas? Podem estar numa reunião ou a fazer uma tarefa qualquer que requeira concentração e não querem ser interrompidas. Podem estar no banho. Podem estar a meio de um filme. Podem estar na outra ponta da casa rodeadas por crianças aos gritos. Não quer dizer que estejam a evitar atender a chamada. Não quer dizer que estejam à beira da morte. Estão a viver a sua vida. Como é que isso pode ser considerado uma ofensa?
Que tal ligar mais tarde ou enviar uma mensagem? A menos que o assunto seja grave, não vejo de onde é que vem estar pressa toda, esta insistência de que todos temos de estar permanentemente disponàveis quando dá jeito aos outros. É que quanto mais se ouvem frases como “ah, finalmente! Já te liguei não sei quantas vezes.” ao atender o telefone, menos vontade se tem de o fazer. Não digam que não foram avisados.
Estou outra vez a fazer alterações ao site. Não fiquei satisfeita com a forma como estava a introduzir os produtos no blog, por isso estou a experimentar um plugin de loja online para o WP. Fica tudo junto na mesma mas de forma mais organizada, separada e, melhor que tudo, com cesto de compras como na loja antiga, desta vez com a opção de pagamento por paypal a funcionar correctamente.
Por enquanto não posso introduzir os produtos porque vamos também mudar o alojamento para outra conta. Isto implica que o site vai ficar inacessàvel durante uns dias e não quis arriscar a perder todo o trabalho de introduzir uma nova base de dados a poucos dias dessa mudança.
Assim que estiver tudo resolvido a nàvel técnico, vou andar ocupada a mudar todos os produtos para aqui. Por enquanto só tem um de teste, para quem quiser ver como o sistema funciona. Basicamente basta aceder ao item Loja no menu principal. No topo podem ver também uma pesquisa de produtos e um link para o cesto de compras.
A tradução do shopping cart para português vinha já com a instalação e tem alguns termos que detesto, como “salvar” em ver de “grava” ou “guardar”, mas só depois da migração para o novo servidor é que vou poder resolver essas questões.
Depois do jantar em casa dos meus sogros, regressámos a casa muito antes da meia noite. A Joana insistia que queria ficar acordada, mas por volta das onze e meia pediu para ir para a cama.
Depois da história e da música de boa noite, disse-lhe que quando acordasse era um novo dia, um novo mês e um novo ano. Resposta:
“Pois, e eu vou ter um bolo das Princesas.”
“Não filha, não é isso.”
“Então? É um bolo da Kitty?”
Tàpico. Um ano novo não interessa para nada a não ser que seja ela a fazer mais um ano 🙂
Bom ano para todos.
Devo dizer que já odeio as festas de Natal. Compreendo que os professores gostem de mostrar que conseguem domar as feras, mas acho que devia ser algo opcional, de acordo com a personalidade das crianças. Cá em casa temos uma extrovertida que adora estas coisas, e um introvertido para quem isto é o maior pesadelo imaginável.
Na passada quarta feira foi a festa da escola da Joana. Fizeram uma produção da Cinderela, em que a Joana era uma das irmãs más. A demonstração do seu papel passava por cruzar os braços e bater com o pé no chão, algo que ela faz admiravelmente.
Acho piada que tenha escolhido esta personagem. Mostra muito sobre a minha filha, que se define actualmente pelo facto de ser “a irmã”. Tem tanto orgulho em ser a mana que até no teatro mantém o papel.
A Joana esteve feliz e contente no palco. Colaborou, fez caretas e palhaçadas e vê-se que se divertiu. No final da festa é que todo aquele entusiasmo e o mar de gente que a rodeou não teve um efeito tão positivo e ela começou a berrar. Sentou-se no cacifo e amuou, recusando-se a colaborar. O pai levou-a a dar uma voltinha pelo corredor e ela lá acalmou, mas quando voltou foi imediatamente rodeada por pessoas e voltou ao mesmo. É uma coisa que não compreendo – porque é que as avós são incapazes de deixar os miúdos em paz quando começam com estas coisas? Até parece que há um prémio para a pessoa que conseguir fazer a miúda parar de berrar. Se os deixarem em paz aquilo passa num instante mas quanto mais se insiste pior fica.
Ontem foi a vez do Tiago, mas como passou o domingo a vomitar, achei que ele iria usar isso como desculpa para não ir. Ficou em casa, claro, mas já passou bem o dia, comeu normalmente e, fora uma dor de cabeça, não voltou a queixar-se de nada.
Quando lhe perguntei sobre a festa insistiu que queria ir. Achei muito estranho, porque sei bem o filho que tenho, mas dei o beneficio da dúvida.
A minha mãe veio cá para casa fazer babysitting durante a tarde para eu poder ir à minha aula de joalharia. Quando saà da aula liguei e afinal o Tiago queria ir mas já não queria participar. Certo. Mais de acordo com a personalidade dele. Enfim, por esta altura era tarde demais para mudar de planos por isso lá fomos. Esta festa foi bastante mais longa com diversas mini peças de teatro, música, demonstração da educação fàsica, etc.
Quando o Tiago regressou vinha todo irritado porque o tinham feito subir para o palco uma ou duas vezes, apesar de não ter ido lá fazer grande coisa. E pronto, aqui está o Tiago que eu conheço. Acho que é preciso assumir que ele odeia estas coisas e pronto. Só não percebo porque é que ele insiste em ir quando já sabe que não vai gostar.
A Joana passou o tempo a tentar dormir no colo do pai por isso aproveitámos para sair nessa altura enquanto a festa continuou com os meninos mais crescidos.