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Maquilhagem básica em 5 minutos

Tenho constantemente pessoas a perguntar como é que tenho paciência para por maquilhagem todos os dias.

Isso fez-me perceber que as pessoas acham que a maquilhagem demora imenso tempo. E enquanto têm cuidado a escolher a roupa, os sapatos, a pentear-se, etc, a maquilhagem parece consumir demasiado do precioso tempo que têm disponà­vel de manhã.

A verdade é que uma maquilhagem básica não demora mais do que 5 minutos. Alguns passos, como o eyeliner, requerem prática, é verdade, mas nada de excepcional.

Para mostrar o que quero dizer, fiz um video. Demoro mais alguns segundos porque perco tempo a mostrar os produtos que estou a usar em vez de estar apenas a aplicar a maquilhagem, mas mesmo assim o video tem apenas 5.17 segundos no total, o que quer dizer que num dia normal ainda teria tempo para aplicar uma segunda cor de sombra nos olhos ou rimel, se estivesse para aà­ virada.

Como podem ver pelo video, poupo imenso tempo através de alguns truques básicos como misturar o creme hidratante juntamente com a base, algo que também tem o propósito de evitar uma camada de base demasiado grossa e opaca, dando à  cara um aspecto mais natural.

Também se poupa tempo aplicando o máximo de produtos possà­veis com os dedos em vez de estar sempre a mudar de esponja para pincel.

Para quem não sente necessidade de esculpir a cara, a fase do pó de contouring pode ser dispensada, o que torna o processo ainda mais rápido. No meu caso gosto de contornar a linha do queixo para disfarçar a tendência para duplo queixo, agora que os 40 anos estão a começar a pesar, e para afinar a ponta do nariz de batata. É menos doloroso que cirurgia 🙂

O pó de contouring pode ser aplicado com muito mais precisão mas acho que isso deve ser feito apenas em alturas em que vamos ser fotografadas. Para o dia a dia prefiro esbater mais o efeito. A sombra está lá à  mesma mas as linhas definidas dão um ar demasiado falso ao vivo.

Os produtos a usar variam de pessoa para pessoa. Convém sempre escolher algo de acordo com o nosso tipo e tom de pele. Eu tenho uma pele mista, que fica oleosa na zona do nariz, por isso gosto de usar um hidratante com acabamento mate. A minha base e corrector são no tom mais claro possível porque sou muito pálida. É uma questão de experimentar os produtos até se encontrar o certo.

Para referência, aqui está a lista de produtos que uso normalmente:

– Hidratante Mat Fluid,  Kiko

– 3D Lifting Foundation, Kiko

– Double Wear Stay-in-place Concealer, Estée Lauder

– Studio Fix Foundation Pressed Powder, MAC ou Pó compacto da Chanel

– Sombra para os olhos em tons de creme ou rosa. Gosto de embalagens individuais. Os duos são práticos para andar na mala mas uma das cores (geralmente a mais clara) acaba sempre antes da outra. Uso sombras da Chanel, Sephora e Kiko. Qualquer uma é de boa qualidade, apesar da grande diferenças de preços.

– Countouring and blush palete, Sleek (bastava o pó escuro mas não encontrei separado)

– Baton neutro. O ideal é um ou dois tons mais escuros do que a cor dos lábios. Se for claro de mais fica estranho. Parece que temos os lábios congelados. O do video é da Kiko, da linha hidratante, que não seca os lábios. Os da Chanel também são muito bons mas mais caros.

Os pincéis que uso normalmente são 3: um largo com o topo plano da Sephora para aplicar o pó de contouring nas zonas grandes e outro um pouco mais fino com a ponta em bico para as zonas mais pequenas. O que uso é o 165 da Mac que já não se fabrica mas há parecidos. Uso tanto para o contouring como para o blush. Geralmente uso um lado para uma coisa e o outro lado para a outra.

O terceiro pincel que uso não está no video. É um pincel da Sephora chamado “smudge brush” com os pelos muito curtinhos que serve para esbater a sombra. Uso quando aplico uma sombra mais escura na dobra da pálpebra.

Basicamente olho para a maquilhagem da mesma forma como olho para o vestuário ou acessórios. São ferramentas que nos permitem ter o melhor aspecto que conseguimos, para nos sentirmos confiantes a enfrentar o mundo exterior. A maquilhagem permite-me sair à  rua sem ter pessoas constantemente a dizer que tenho um ar cansado ou a perguntar se me sinto doente. Torna-se irritante ao fim de algum tempo e pode afectar a nossa auto-estima. para evitar isso, perder 5 minutos por dia não me parece um sacrifà­cio muito grande.

Gargantilha com cravação de garras – Silver collar necklace with claw settings

O projecto de gargantilha tinha dois objectivos. Por um lado, aprender a formar da gargantilha em si, com particular atenção à curva do pescoço, e por outro aprender a cravação de garras. Enquanto a cravação de virola se utiliza para cabochons e outras pedras com uma base direita, a cravação com garras utiliza-se para pedras com pavilhão (bico com diversas facetas na base da pedra. É o que dá o brilho à pedra).

Formar a base

Comecei com fio de prata de 2 mm que foi laminado até ficar um fio rectangular de 2,30 x 1,70 mm. Esse fio foi moldado à volta de um busto de ferro até formar a curva do pescoço. Os dois detalhes importantes deste processo são os seguintes:

1. O fio fica de pé, ou seja, assenta sobre a face mais fina. A face mais larga é a que contorna o pescoço. Isso torna a gargantilha mais confortável de usar.

2. para além da curva à volta do pescoço, deve também formar-se uma curva para baixo, de forma a ajustar a gargantilha à curvatura natural dos ombros. ou seja, quando assente sobre a mesa, a base não fica completamente plana. Assenta apenas à frente e atrás e levanta no meio.

Assim que se consegue a forma correcta no fio de base, é altura de adicionar os elementos decorativos. Há quem tenha criado folhas e flores de chapa, cachos de contas e outras soluções possàveis. Eu optei por espirais em fio com pedras de topázio e citrino. Queria algo decorativo mas não tão pesado que fosse preciso uma ocasião especial para poder usar a peça.

Acrescentar elementos decorativos

Criei as espirais em fio de 1,5 mm e martelei as pontas para espalmar ligeiramente as curvas. Por um lado as diferenças na espessura do arame dão mais interesse à peça e por outro o metal fica mais duro e as curvas não se deformam tão facilmente. Funciona como “fixador” da forma que damos ao metal.

Montagem temporária sobre plasticina

A gargantilha foi toda montada no busto de ferro sobre plasticina até ficar satisfeita com a disposição dos diversos elementos. Apesar de ter feito o projecto em papel inicialmente é sempre necessário fazer pequenos ajustes ao desenho quando se passa para o tridimensional.

Soldar elementos

Depois foi uma questão de começar a soldar as várias partes. Devido à quantidade de metal foi necessário usar uma chama grande e rodear a zona a soldar de carvões para reter o calor na área que interessava. Descobri que era muito fácil sobreaquecer as pontas das espirais mas felizmente não cheguei a derreter nenhuma. Para tal, foi preciso usar muito corrector nas pontas e tapar algumas espirais com bocados de carvão para evitar que o calor incidisse nelas directamente.

Com a base soldada a gargantilha até podia ficar só assim. No entanto eu gosto sempre de dar cor às peças, através do uso das pedras. Foi altura de aprender a fazer as cravações.

Utilizando novamente o fio de 2 mm, laminei até obter uma tira rectangular com uma altura um pouco menor do que o pavilhão da pedra. Neste caso o pavilhão media 4 mm e o fio ficou com 2,20 de altura por 0,6 mm de espessura. Criar as base da cravação foi um processo complicado porque, ao contrário das virolas em que basta enrolar o fio à volta da pedra e temos a medida certa, nas cravações de garra a base deve ser ligeiramente mais pequena do que a largura da pedra, de forma a que não se veja quando olhamos de cima, ou seja, o diâmetro da pedra deve ser semelhante ao diâmetro exterior da base. O paquàmetro é essencial neste processo para percebermos se estamos a tirar demais ou de menos relativamente ao tamanho da pedra. É um processo que exige bastante rigor.

Cravações redondas e em gota

Fiz dois formatos de cravação – redonda e em gota – e em casa fiz ainda mais um, em quadrado, para um anel. Já que estava em modo de aprender a técnica, queria experimentar o máximo de variações possàveis para tirar dúvidas.

As garras foram feitas com fio de 0,8 mm. Para as prender à base tentei duas técnicas:

1. soldar uma cruz, sobrepor a base da cravação, dobrar as quatro pontas para cima e soldar

2. Criar um U invertido que encaixa sobre a base e soldar as garras duas a duas.

Gostei mais da segunda versão. Pareceu-me mais fácil de controlar a orientação das garras e permite segurar o fio com uma pinça apoiada (terceira mão) durante a soldadura.

Soldei as cravações concluàdas à estrutura. Mais uma vez, a diferença de tamanho entre a cravação e a base torna este processo complicado. É necessário concentrar o calor e evitar apontar a chama directamente para as garras, que são o ponto mais fraco e com mais tendência para derreter. O calor deve ser sempre focado no metal maior, que demora mais tempo a aquecer.

Antes de colocar as pedras na cravação ainda passei por mais um passo: as garras têm de ser enfraquecidas por dentro para dobrarem facilmente sobre a pedra sem a partir. Para tal ajustei a altura das garras, de forma a sobrar apenas um milímetro acima do pavilhão da pedra, que é o necessário para a prender à cravação sem tapar demasiado a coroa (zona superior da pedra).

Depois usei a serra e a lima triangular para retirar algum metal no interior das garras, desde a base até ao milímetro do topo. Só então encaixei as pedras no lugar e dobrei as garras sobre a pedra com a ajuda de um alicate, mas sem exercer demasiada pressão. Mesmo com pedras resistentes é muito fácil lascar um cantinho se não tivermos cuidado. Até os cravadores experientes necessitam de ter uma ou duas pedras a mais para estes casos.

Uma das garras não estava a querer dobrar o que até foi bom porque aprendi um truque para resolver estas situações: inserindo a serra entre a pedra e a garra podemos gastar mais um pouco o metal, dando-nos a forma que precisamos para a garra descer o que falta.

Parece algo arriscado serrar junto à pedra. A primeira reacção é medo de riscar a pedra. Se for uma turquesa ou outra pedra mole, isso é sem dúvida um factor, mas quando falamos de diamantes, topázios e pedras da famàlia do quartzo, como a ametista ou o citrino, essa questão não se põe. A pedra tem uma dureza suficiente para não ser afectada pela serra ou pela lima. A lixa, por outro lado, tira brilho à pedra, pelo que as pontas das garras devem ser sempre arredondadas com a lima.

Com as pedras cravadas faltava ainda criar pequenos terminais para as gotas, de forma a tapar os furos e o fio que as suspende. Fiz um terminal em fio, tal como sempre tinha feito para os trabalhos em wire-wrapping, mas desta vez corri solda por entre os fios para que ficasse um objecto sólido. A vantagem é que assim não se corre o risco da ponta do cone se prender na roupa ou cabelo e desenrolar ou deformar. Tem uma construção mais sólida.

No final fiz o polimento habitual. Usei feltro para grande parte da superfàcie, seguido de uma escovinha rotativa para as reentrâncias, pompom para dar brilho e terminando com linha de algodão nos furinhos onde não entrava mais nada.

English:

The collar necklace project had two goals. To form a collar in a way that fit comfortably around the curves of the neck and shoulders, and to learn how to make a claw setting for a stone.

While the bezel setting is used mainly for cabochons and other stones with a flat back, a claw setting is mainly used for faceted stones with a pointy back (called the pavilion). The open back and less metal around the stone allows it to shine.

I made the base wire of the collar out of 2mm round wire that I ran through the rolling mill to flatten it into rectangular wire measuring 2,30×1,70mm.

I shaped this wire around an iron bust until it followed the contour of the neck. The main details in this process are:

1. The wire is shaped standing up, meaning standing on the thinner edge of the wire. The larger edge is in contact with the side of the neck, making it more comfortable to wear.

2. Aside from shaping the collar around the neck, it must also be shaped downward in order to adjust it to the natural curve of the shoulders. When placed on a table, only the back and the front of the collar should come in contact with the table. The sides must be lifted.

When the base wire if properly formed, it’s time to add any decorative elements. Some colleagues made leaves, flowers, grapes and other elements. I chose wire swirls and yellow and blue topaz stones. I wanted to make a decorative piece but nothing too heavy. I didn’t want it to be so fancy that I’d need a special occasion to wear it.

I made the swirls out of 1,5mm wire and hammered the ends to flare out the curves a bit. The variation in wire thickness adds interest and the hammering also allows the curve to “set”, making it harder to pull out of shape.

All the elements were assembled on top of the iron bust, using plasticine to attach everything temporarily until the layout was how I wanted it. Even though I had made an sketch, some changes are always required when going from two to three dimensions.

Once the layout was done and all the parts were shaped and filled in order to fit together, I began soldering one or two elements at a time. Since it’s a large piece, a large flame was required and I had to make charcoal walls around the areas I wanted to solder, to concentrate the heat as much as possible. When you crank up the heat it’s easy for wire ends, such as my swirls, to overheat and melt but fortunately I was able to prevent that by keeping the flame moving, using white correction fluid on the wire tips and even covering some parts with charcoal to prevent direct heat.

Once the swirls were soldered in place I could have stopped there but I always like adding color to my jewellery through the use of gemstones. It was time to get started on the claw settings.

I used 2mm wire once again. Ran in through the rolling mill until it was flattened to a thickness of 0,6mm (22g). The height of this strip was just a bit shorter than the height of the pavilion. In this case, the pavilion measured 4 mm and the silver strip measured 2,20mm in height, which was enough.

Making the seat for a faceted stone is not as easy as making a bezel. To make a bezel, all it takes is to wrap the bezel wire around the stone , mark where it overlaps, and cut. For a seat you still need to follow the shape of the stone but the size needs to be a little smaller than the stone so that no metal can be seen when you look from above. Basically the diameter of the stone should be the same size as the outside diameter of the seat. That is easy enough for round stones but for other shapes it can get a little trick to get the measurements just right. Digital callipers are a great help when comparing the size of the stone and the seat.

I made two different setting shapes – round and pear cut – and also made a square one at home, for a ring. While I was in learning mode I wanted to try different variations for the same technique in case I had any doubts. I have to say that for square stones, 8 claws are better than 4.

The claws were made from 0,8mm wire (20g). I used two different techniques to attach them to the base:

1. Solder a wire cross. Solder the stone seat on top of the cross, making sure it’s centred. Fold the claws up, along the outer walls of the seat and solder them.

2. Make an inverted U shape that fits snuggly over the seat and solder the claws two at a time.

I liked the second version better. It was easier to control the placement of the claws. I held the U in place with third-hand tweezers while soldering.

I soldered the settings to the collar. Heat control is very important to prevent the claws from melting. I covered as much as I could with correction fluid and pointed the flame away from the settings as much as possible until the rest of the metal was up to the right temperature. Easier said than done on a large piece.

Before setting the stones I prepared the claws. A notch has to be cut on the inside of each claw so they will bend easily over the stone without putting too much stress on it, to prevent chipping the edges. The claws were also cut to size, leaving only 1mm above the girdle. It’s enough to grab the stone without covering too much of the crown.

I used a jeweller’s saw an triangular needle file to remove some of the metal from the inside of the claws, leaving the top 1mm intact. I placed the stones inside the settings and folded each claw over the stone with the help of pliers, without putting too much pressure on it. Even sturdy stones can chip if we’re not careful. A pusher can also be used to bend the claws but I didn’t have one at the time.

One of the claws wouldn’t bend properly, which was a good thing because it allowed me to learn a new technique. I inserted the saw between the claw and the stone and removed the extra metal that was still in the way. After this step the claw folded perfectly into place.

This trick should only be used on hard stones that can’t be damaged by the saw like diamond, topaz, quartz… On these stones a saw or file is safe. Sandpaper, on the other hand, should be kept away because it will scratch. This is why the tips of the claws should be rounded with a file and not sandpaper (at least unless you’re extremely experienced).

I was also going to hang some gemstones drops so I made soldered wire cones to cover the wire going through the drops.

I finished the collar by polishing the metal. I used felt with green polishing compound for most of the wire and then a soft hair wheel for the detail and finally a cotton puff wheel with rouge for shine.

In some really tight areas I hand polished by running cotton string covered in polishing compound back and forth along the tiny holes that I couldn’t reach with anything else.

Organização de Lego

Este ano, graças ao filme, o Tiago voltou a interessar-se pelo Lego, por isso resolvi encher-me de coragem e acabar de uma vez por todas a organização das peças.

No inà­cio procurei ideias de organização, li artigos, etc, mas não vi nada que não fosse ou demasiado limitado ou demasiado megalómano. Achei que tinha de decidir a organização à  nossa medida e deixar-me de tretas.

Há cerca de um ano já tinha tentado organizar as peças mas sem grande sucesso. O máximo que consegui fazer foi separar certas coisas como rodas, peças de telhado, portas e janelas, etc, em saquinhos para não se misturarem com o resto da confusão.

Desta vez comprei umas caixas de gavetinhas, semelhantes à s que uso para guardas as minhas contas, para as peças pequenas e umas gavetas maiores para as peças que temos em maior quantidade.

caixas_lego

Encontrei uma lista de peças online (incompleta mas por pouco) e atirei-me ao trabalho. Imprimi e recortei as imagens das peças que temos e colei-as na frente das gavetas para se saber o que está lá dentro. Comecei a separar as peças pelas gavetinhas, juntando algumas com a mesma função – garras, dobradiças – e sem me preocupar com as cores, já que para mim a função da peça é mais importante do que se é a cor que vem nas instruções. Com a arrumação feita, tornou-se muito mais simples construir algo de que não temos o kit mas em que podemos usar peças de outros kits.

No fim de semana fomos ao Lego Fan Event que decorreu no Campo Pequeno, em Lisboa. Já tà­nhamos visitado o mesmo evento no ano passado e algumas das construções eram as mesmas, mas há sempre construções novas impressionantes. Este ano, a catedral da Colónia com 5 metros de altura e mais de um milhão de peças era o elemento central da exposição, mas havia muitas outras construções que nos deixaram deliciados.

O Tiago este ano esteve muito mais interessado em tudo e ficou fascinado com as possibilidades. Curiosamente, aquilo de que gostou mais foi da construção de um cemitério, que tentou reproduzir quando chegou a casa. Nós sempre dissemos que o nosso filho era gótico.

O meu filho tem, há vários anos, imensos kits de Lego. Os manuais de instruções ocupam dois dossiers dos grandes e estão agrupados dois a dois em cada capinha. É um peso considerável em papel. Infelizmente são é praticamente todos de carros e naves, coisas que não me dizem grande coisa, apesar de ser geralmente eu quem o ajuda a montar o Lego.

O que eu gosto mesmo é de construir casas. Gosto de casas de bonecas e fazer uma em Lego, com todos os detalhes, dar-me-ia um enorme gozo, mas como não temos nenhum kit de casas, nunca me atrevi a tentar porque há sempre uma série de peças especiais que nunca encontro.

Agora, porém, com as peças todas organizadas, tornou-se finalmente possível tentar. O site da Lego tem instruções online para download e já consegui construir o primeiro andar de um prédio de cidade (do kit Pet Shop). Tive de mudar as cores e improvisar algumas peças mas ficou bastante decente. Resta saber se tenho as peças necessárias para o andar de cima, mas sinto-me optimista.

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Uma das coisas que aproveitámos para comprar no Lego Fan Event foram uns sacos de peças em segunda mão, todas da mesma cor, que dão imenso jeito para este tipo de construções. Devia ter trazido também mais brancas, pretas e cinzentas mas pronto, na altura uma pessoa não pensa nas coisas que vão dar mais jeito.

Entretanto, como ando um bocadinho obcecada com isto, o Pedro ontem foi-me comprar um kit de casinha para cortar na dose de frustração. Tenho um marido tão querido 🙂

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O Tiago é que ficou a olhar para mim de lago, quando eu desembrulhei a prenda. Depois comentou “então tu tens isso e eu não tenho direito a nada?” Que ofensa, dar brinquedos à  mãe!

Ficam de seguida os link para os diversos sites que encontrei com instruções e listas de peças, para os interessados.

Instruções no site da LEGO – procurar por nome do kit ou código

Brick instructions – Instruções por ano (desde 1965) ou categoria

Loja da Lego para comprar peças perdidas, estragadas ou em falta

Lista de peças de Lego em PDF para impressão

Dia da mãe

A propósito do dia da mãe tive de escrever um texto para a escola da Joana.

Era sobre o que é ser mãe e algumas caracterà­sticas da minha filha. Ao princà­pio custou-me um bocado porque estava mesmo a ver o tipo de texto lamechas que seria esperado e não é mesmo nada o meu estilo mas, quando comecei a escrever, entrei em modo de blogpost e a coisa saiu naturalmente. Nunca poderia ser o texto cor de rosa que algumas mães conseguem debitar sem pestanejar, porque isso não sou eu. A maternidade é difà­cil e nunca consigo ignorar esse lado da questão, mas acho que consegui encontrar o equilà­brio.

O mais difà­cil foi escrever algo sobre a maternidade exclusivamente baseado na Joana. As minhas memórias mais và­vidas são sobre o Tiago, já que a primeira vez que nos dão uma criatura indefesa para os braços tem um impacto tremendo.

Aqui fica então o resultado:

A maternidade muda uma pessoa para sempre. Significa por os nossos filhos à  frente das nossas necessidades e desejos mas também nos permite ver o mundo de novo como se fosse a primeira vez, através dos seus olhos e curiosidade. Mesmo quando os nossos filhos crescerem, vão continuar a ser os nossos bebés e vamos continuar a preocupar-nos com eles. É como se existisse um interruptor invisà­vel que se ligou no dia em que eles nasceram e que nunca mais será possível desligar.

É um grande desafio encontrar aquele equilà­brio entre tentar protegê-los e deixá-los explorar o mundo sozinhos. Sem dúvida que irei falhar muitas vezes mas será sempre com as melhores intenções. Ninguém é perfeito e cada um faz o melhor que consegue.

A Joana tem desde sempre uma personalidade forte. É teimosa porque sabe muito bem o que quer e não descansa enquanto não o obtém. Do ponto de vista de uma mãe isso é um grande desafio que implica muitas confrontações, mas sei que a persistência é algo que lhe vai dar vantagens no futuro.

Por outro lado, é uma criança muito meiga e comunicativa e por cada birra há sempre dois ou três momentos em que me faz rir com as suas histórias e explicações sobre a sua visão do mundo. O seu gosto pela brincadeira e mimos é sem dúvida contagioso.

Aquilo que mais aprendi com os meus filhos foi a ter paciência, e a perceber quando vale mais a pena entrar na brincadeira do que criar conflito porque há uma tarefa a cumprir e estamos com pressa. Nem sempre funciona, nem sempre é fácil, mas não há dúvida que muito mudou na minha atitude do dia a dia.

Acima de tudo estou curiosa para ver o que vem a seguir, agora que os meus filhos deixaram de ser bebés e se tornaram pequenos humanos com preferências, capacidade de expressar opiniões e argumentar. Tornam a vida muito mais interessante.
————–

Este ano ambos os meus filhos me ofereceram colares feitos por eles e o Tiago deu-me também um cartão que fez na aula de inglês com um dos seus divertidos desenhos. O colar do Tiago era feito com capsulas de café espalmadas (um dos materiais preferidos das escolas nos últimos tempos)e faz uma barulheira tremenda, mas a Joana insistiu que usasse ambos durante o fim de semana, por isso lá teve que ser 🙂

Para terminar aqui fica o cartão de dia da mãe que fiz para a minha mãezinha.

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Organização do atelier

Trabalho numa sala de 2×4 metros. Quando nos mudámos, aproveitei o comprimento da sala para fazer uma bancada a todo o comprimento. Mais recentemente, com as necessidades especà­ficas da joalharia, as secretárias que usava deixaram de ser suficientes. Com falta de fundos para investir numa banca de ourives a sério, improvisei, transformando uma cómoda sólida que tinha a altura certa. A estilheira está presa ao topo e a segunda gaveta, que cabe acima do colo, serve para recolher a limalha. As restantes gavetas são arrumação para as ferramentas.

Com esta alteração, porém, fiquei com um problema. A cadeira estava constantemente a deslizar entre as duas pontas da sala consoante eu precisava da bancada ou do computador, e a zona com melhor luz, mesmo por baixo da janela, não estava a ser utilizada.

Resolvi então mudar a organização da sala de forma a criar uma zona de trabalho em u, muito mais prática.

à€ entrada, em vez da mesa do computador, optei por colocar a estante com a casa de bonecas. Para quem só vê de fora acaba por ficar algo com um aspecto mais interessante em vez do caos habitual da mesa de trabalho.

Logo a seguir ficou a secretária do computador, que quero longe da janela para evitar reflexos. Depois tenho uma mesa com a tenda de luz para fotografar as minhas peças. Era essencial ter essa zona sempre montada e funcional para poder adicionar peças ao site mais regularmente.

Por baixo da janela ficou a secretária maior, com 1,80 m, que serve para qualquer trabalho necessário – bijutaria, cartões, apoio para a máquina de costura, o que for preciso. à€ direita desta, na parede oposta à  tenda de fotos, fica então a minha cómoda adaptada a banca de ourives, que como não tem uma grande superficie, funciona em conjunto com a secretária quando é preciso espalhar materiais (algo que acontece frequentemente).

Ao lado ficou um estante baixa que serve de suporte ao motor de suspensão, máquina de ultra-sons e forno do Fimo.

O restante espaço é ocupado com estantes que contêm livros e caixas de diversos materiais organizadas por tema. Essa parte ainda precisa de alguma reorganização para ser verdadeiramente funcional, mas pelo menos já não tenho de andar a empurrar estantes de um lado para o outro.

Páscoa

Há uma história do Neil Gaiman sobre ser criança e querer uma árvore de Natal, vivendo numa famà­lia que não é cristã, e convencer a mãe através da explicação que as árvores de natal são anteriores ao cristianismo, uma relà­quia dos ritos pagãos que celebravam o solstà­cio de inverno. Ele diz que não percebe porque é que era melhor ser um elemento pagão do que cristão mas que o argumento funcionou. A minha visão da páscoa é semelhante. Como festa religiosa não me diz nada mas como mera celebração do regresso da primavera faz algum sentido e não me importo tanto de participar.

Fomos então a Palmela no Domingo, almoçar a casa dos meus tios e levámos os filhotes para fazerem uma caça ao cesto dos ovos de chocolate. O Tiago sentiu-se roubado porque achava que ia andar a trepar árvores e a correr pelo meio da horta à  procura de um ovinho de cada vez e afinal estava tudo num cesto atrás de um arbusto. Não deu luta suficiente. Fui então esconder o cesto mais duas vezes para ele se continuar a divertir.

A Joana encontrou o cesto dela com ajuda e chegou-lhe. Esteve muito tà­mida o tempo todo mas divertiu-se.


 

Cartões masculinos

A propósito do dia do pai, andei a pensar no tema dos cartões masculinos.

Se fizerem uma pesquisa rápida vão ver que na generalidade os cartões do dia do pai são muito repetitivos e pouco originais. Ou consistem num boneco fofinho com uma mensagem ou caem invariavelmente no cliché da gravata ou do bigode. Mas o que fazer quando os pais não usam gravata nem têm bigode? Porque não fazer cartões para pais mais descontraà­dos ou radicais, baseados nos seus interesses e personalidade?

Os cartões, por norma, são femininos, fofinhos ou humorà­sticos. Usa-se muito bonecos, flores e laços como elementos decorativos, algo que destoa claramente da noção geral do que é o masculino. No entanto, também não queria cometer o erro de ficar limitada a azul escuro, castanho e vermelho, cores que imediatamente relacionamos com o tema. O desafio foi fazer cartões masculinos mas coloridos.

Se fizerem uma pesquisa rápida vão ver que na generalidade os cartões do dia do pai são muito repetitivos e pouco originais. Ou consistem num boneco fofinho com uma mensagem ou caem invariavelmente no cliché da gravata ou do bigode. Mas o que fazer quando os pais não usam gravata nem têm bigode? Porque não fazer cartões para pais mais descontraà­dos ou radicais, baseados nos seus interesses e personalidade?

É uma questão que já me ocorreu em diversas ocasiões anteriores, sempre que tive de fazer cartões para homens. Nos cartões acima nota-se ainda uma certa relutância em experimentar com uma palete mais arrojada, compensando a falta de cor pelo uso de textura ou da imagem.

A utilização de imagens vintage é uma boa opção para criar cartões masculinos mas coloridos e ajuda também em termos de uma temática mais diversificada. Os cartões abaixo são um exemplo disso.

Temos assim a hipotese de fazer um cartão para um pai motoqueiro, escritor, fotógrafo, etc, dependendo da imagem utilizada.

As imagens foram impressas a preto e depois pintadas com marcadores copic e tinta de carimbo (aplicada com feltro para dar um aspecto mais esbatido). Podemos assim introduzir uma palete de cor mais diversificada, com cores vivas. O fundo é geralmente de um tom neutro, para dar mais destaque à  imagem, mas com textura ou um padrão interessante. Continuei a utilizar-se elementos decorativos extra, como os brilhantes ou a fita, mas colocados de forma subtil.

O cartão do automóvel está disponà­vel na loja, onde se podem ver imagens da ilustração interior.

Pendente triangular – Triangular pendant

Terminei mais uma peça nas aulas de joalharia. Desta vez foi um pendente, cujo objectivo era aprender a fazer tubos metálicos, chamados canevões. O design da peça era à minha escolha, desde que incluàsse o canevão como um dos elementos.

Escolhi fazer um pendente triangular com pequenas flores e placas onduladas. As flores são igualmente triangulares, para acompanhar o tema. Apesar dos elementos estarem dispostos de forma assimétrica, tentei criar um equilàbrio e preenchimento coerente do interior do triângulo. Os canevões são usados em duas situações: como pontos decorativos entre as placas onduladas e também como forma de sustentação do pendente.

Optei por fazer parte das flores em cobre para dar alguma cor à prata. Podia ter feito em ouro, que acrescentaria algum valor à peça, mas gosto mais da cor do cobre. É uma questão de preferência pessoal.

Para fazer a moldura do pendente, usei o primeiro lingote que fiz na aula. Foi laminado até ficar uma placa com 370×1 mm. Formei o triângulo, de acordo com o desenho, mas optando por manter os cantos arredondados.

Depois de serrar todas as peças, comecei por montar as flores.

Em vez de soldar um fio à base de cada triângulo, que podia partir facilmente, optei por formar uma pequena bola na ponta do fio e furar os triângulos para o pé atravessar a placa de cobre, tornando a construção mais resistente. A bolinha de prata no meio da flor também acrescenta algum interesse e variação.

Uma das flores foi feita através da soldadura de pequenas bolas de cobre a um fio de prata, àsemelhança de uns brincos que eu tinha feito antes do Natal. A diferença é que desta vez não martelei as bolinhas de cobre antes de soldar.

Depois de soldar todas as peças, foi a vez de fazer os canevões. É um processo relativamente simples mas requer uma ferramenta que não tenho ainda: uma embutideira para formar cilindros. Para formar um canevão utiliza-se uma chapa relativamente fina – 3,5mm – e corta-se um bico numa das pontas. Coloca-se a chapa na embutideira e por cima um objecto cilàndrico que encaixe no furo escolhido da embutideira (geralmente um embutidor deitado), martela-se o embutidor de forma a afundar a chapa até esta adquirir a forma arredondada da embutideira. Assim que o cilindro está meio formado, dobram-se as pontas da chapa, no lado do bico, e depois utiliza-se a fieira para fechar o resto do cilindro, puxando o bico com um alicate.

Depois do cilindro estar fechado podia continuar a puxar-se por furos mais finos na fieira, para reduzir o tamanho do canevão. Isso irá também aumentar a espessura das paredes, ao comprimir o metal.

Para fazer um canevão do tamanho certo logo desde o início deve-se utilizar a matemática: medida do diâmetro (interior ou exterior, àsua escolha) menos a grossura do metal (que só é importante para chapas grossas, senão pode-se saltar este passo) x3,14 (Pi) dá-nos a largura a cortar.

Também era possível continuar a passar para furos mais pequenos na embutideira e continuar a martelar a chapa até esta fechar completamente, mas este método tem um risco maior de deixar marcas na chapa. Utilizando a fieira é um método mais simples e limpo. De notar que o canevão meio formado deve ser recozido (aquecido) e coberto de cera antes de ser colocado na fieira. A cera funciona como lubrificação, tornando o trabalho mais simples e poupando a ferramenta.

Os canevões pequenos foram soldados no sítio e o grande foi forçado sobre uma adrasta de pulseiras, para adquirir curvatura. Utilizei apenas as mãos, segurando nas pontas do canevão e fazendo pressão sobre a adrasta. Utilizar um martelo ou outra ferramenta não é aconselhado porque cria mossas no canevão.

Para soldar o canevão de sustentação do pendente coloquei os elementos sobre a plasticina até estarem na posição correcta e depois cobri de gesso toda a peça excepto a zona que queria soldar. O gesso dá muito jeito quando queremos ter a certeza que os elementos não mexem durante a soldadura mas também absorve grande parte do calor o que torna a soldadura mais complicada e demorada. O truque é aquecer todo o gesso e não só o metal antes de focar o calor na zona a soldar. É das técnicas mais complicadas que aprendi até agora, apesar de ser algo que é suposto facilitar a soldadura.

O canevão serviu também para fazer os terminais do fio, aos quais foram soldados pequenas argolas para encaixar no fecho. O fecho é uma variante dos fechos em S. O aspecto final é em 8 e uma das pontas foi soldada para maior segurança.

Também criei um espigão para colocar uma pequena pérola num dos canevões decorativos. O espigão consiste num fio onde formei uma bola na ponta. A bolinha tem de ficar justa ao canevão e é soldada lá dentro. Depois é só uma questão de cortar o espigão à altura certa e colar a pérola após o polimento.

O interior da peça foi texturada com uma cabeça diamantada e o exterior foi polido com feltro e pom-pom de algodão. No final tirei a medida ao fio de cabedal, inseri-o no pendente e colei os terminais e a pérola. A cola utilizada foi Araldite cristal, que é basicamente resina de secagem rápida.

English:

I finished another piece from my jewellery course. This time it was a pendant. The goal was to learn how to make tubes and then use them in a design.

I chose to make a triangular pendant with small flowers and waves. The flowers also have a triangular shape to follow the theme. Even though the composition is asymmetrical, I tried to balance the elements in the design.
The tubes are used in two situations: As decorative “dots” between the wavy lines and also as a bail for the leather cord to slide through.

I chose to make part of the flowers in copper to add some color, since I wouldn’t use a gemstone. I could have used gold, which would add monetary value to the pendant but I happen to like the tone of copper. It was a personal preference.

To make the frame I used the ingot I had made in class. I flattened it in the rolling mill until I had a sheet measuring 370×1 mm.
I formed the triangle but chose to keep rounded corners.

After sawing out all the parts I began to shape and assemble the flowers. Instead of soldering wire to the base of each flower, which would make them fragile, I balled up the end of the wires, drilled a hole into the copper triangles and inserted the stems, with the ball on top, as the center of the flowers.

One of the flowers was different. I made it by soldering small copper balls around the silver stem, like small unopened buds.

After soldering all the pieces together I made the tubes. It’s a fairly easy process if you have the right tools. I still don’t have a swage block to shape the inicial half cylinders, so I can only do it in class.

To make a tube I started with a fairly thin strip – 3,5mm thick – and cut a triangular tip on one end. I placed this strip into the largest hole on the swage block with a doming punch on top of it and hammered it down until it conformed to the curve of the swage block. I kept moving to smaller and smaller grooves until the strip formed a half cylinder.

At this point I annealed and covered the metal with wax (for lubrication) before proceeding to pull it through a large hole on the drawplate with pliers, and then through smaller holes until the cylinder was closed.

From then on, if you keep moving through smaller holes you reduce the size of the tube and also compress the metal, so the thickness of the tube walls will increase.
To make a cylinder the size you want without increasing the thickness of the walls you should use math – diameter (inner or outer, your choice) minus thickness of the metal (only necessary for thick plates, otherwise you can skip this step) x3,14 (Pi) gives you the length to cut.

If you don’t have a drawplate with large enough holes, you can just shape the cylinder by hammering the metal around a mandrel, like a doming punch, until it’s closed. This has a greater risk of marring the metal but it can be done.

The tubes were soldered to close and the large one was curved over a bracelet mandrel to form a subtle curve. I used just my hands to curve it because I didn’t want to risk leaving tool marks or deforming it.

To solder the bail tube to the pendant I first filled the top of the triangle flat to give it a larger contact area and then placed the elements over plasticine to make sure everything was precisely where it should be. I covered everything in plaster except for the area I wanted to solder. Stabilising in plaster is the best way to prevent elements from moving out of place when you solder. The downside is that it sucks up a lot of heat so it takes longer to get the solder to flow. The trick is to heat the plaster before the metal. Once it starts to look burnt you can focus the heat on the metal.

The tube was also used for the leather cord end caps. I soldered a small jump ring at the end of each tube to connect them to the clasp. The clasp has an S shape that is very secure. One of the ends is soldered shut and only the other end is open.

In one of the decorative tubes, between the wavy lines, I soldered a prong do I could add a small pearl. To center the prong in the tube I balled up the end until it was a tight fit inside the tube and then soldered it. The prong was cut to size and the pearl was glued in place after polishing.

The inside areas were textured with a diamond burr. The outside was polished with felt and greed polishing compound and then buffed with a cotton puff and red rouge.

I inserted the leather cord into the pendant before gluing on the end caps. I used Araldite crystal glue, which is basically a fast drying form of epoxy resin.

Fim das sestas

Todas as fases de desenvolvimento das crianças têm o seu desafio e, apesar das fases de começar a andar ou largar as fraldas sejam as que recebem mais atenção, a fase de deixar de dormir sestas também requer alguns ajustes. O interessante é que, como ocorre numa altura em que as crianças já se expressam de forma coerente, esse ajuste passa pelo diálogo e compromisso com a própria criança.

Há cerca de um mês, a Joana chegou a casa e disse “não quero dormir mais sesta na escola”. Pareceu-me cedo para alguém que adormece no meio do chão ao domingo à  tarde porque já não consegue dar mais um passo, mas resolvi deixá-la experimentar. Não gosto de ser prepotente e acredito que até certo ponto eles sabem quando estão preparados para uma nova fase.

Passada uma semana percebi que a coisa não estava a correr bem. As birras que praticamente tinham parado voltaram em força e a Joana andava tão cansada que à  sexta feira, apesar de lhe dar o jantar assim que ela chegava da escola, adormecia à  mesa antes de ter tempo de comer.

Falei com a educadora e ficou combinado que se iria tentar convencê-la a dormir sesta pelo menos umas duas vezes por semana. Percebi, porém, que a Joana estava a encarar a sesta como um castigo e seria preciso uma grande guerra para voltar atrás. Os amigos estão todos a fazer 4 anos e muitos deixaram de dormir sesta naturalmente. A Joana ainda precisa de dormir aquelas horas extra mas normalmente isso só se sente por volta das quatro da tarde e não à  uma, que é o horário da escola. Assim sendo, ao ver os amigos a ir para o recreio brincar quando ela ela forçada a ir para uma sala escura dormir, sentia-se segregada. Como ela insistia diariamente que “amanhã não quero dormir”, percebi que esse tempo tinha acabado de vez e a solução teria de ser outra.

O compromisso passou por deitá-la por volta das sete e meia da noite em vez de à s nove, que era o horário comum. Não é fácil porque o jantar, o banho e a necessidade de ajudar o irmão com o trabalho de casa consome bastante tempo, mas estamos a fazer um esforço. É claro que ela é perita em arranjar formas de adiar a hora da cama, mas no geral nem tem protestado muito.

O esquema parece ter funcionado e nos últimos dias, em vez de uma grande berraria durante todo o percurso até casa, ela tem vindo bem disposta. Acredito que o facto de ter finalmente deixado de chover também tenha contribuà­do para a boa disposição mas como não voltou a adormecer antes de ir para a cama parece ter-se adaptado bem ao novo horário.

Tiago, sete anos

Custa a acreditar que o meu filhote já tem sete anos. Apesar das festas estarem marcadas para o fim de semana – uma com a famà­lia e outra com os amigos da escola – achei que era importante tornar o dia especial, apesar de ser um dia normal de escola. Nesse sentido passei cinco horas na cozinha a fazer um bolo especial, segundo uma foto que ele tinha visto no Pinterest. Para a Joana não se sentir excluà­da, fiz uns cupcakes com sapatos de ballet, baseados num bolo que ela tinha gostado.

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Eu gosto imenso de bolos bonitos, mas sinceramente custa-me passar tanto tempo na cozinha. Não é algo que me seja natural. No entanto, pelos nossos filhos o esforço vale a pena. Para repelir o tédio estive a ver stand-up do Eddie Izzard enquanto decorava o bolo e os cupcakes e até acabou por ser divertido. Como a Mirela andava a a limpar a casa, até deu jeito estar quietinha num cantinho sem atrapalhar.

Tinha um plano muito bem estruturado para que as poucas horas que eles tinham em casa até à  hora da cama incluà­ssem tanto a parte de celebração como das tarefas que têm de ser cumpridas. Jantar, bolo, prendas, banho, cama. Parece simples. Na realidade foi mais conversa com os avós, atender telefonemas, etc, e a coisa foi atrasando. Faz parte. A Joana fez umas birras de sono, o Tiago ficou um bocado frustrado porque ainda tinha trabalhos de casa para acabar depois da festa, mas no geral correu tudo bem.

As prendas este ano foram algo estranhas porque o Tiago já está naquela fase em que tem os brinquedos todos que quer e começa a ser crescido demais para muitos deles. Agora quer coisas a sério e não imitações em plástico. Quando lhe perguntava que prendas queria nunca me respondia. Acabei por ter de ser criativa.

Recebeu uma caixa de ferramentas igual à  minha, com alicates e tudo, e parece ter ficado interessado quando lhe disse que o podia começar a ensinar a fazer algumas jóias simples. Teve também um pequeno kit de Lego com os personagens do filme, um livro, um conjunto de material de escritório (portefólio para guardar os desenhos, corrector, clips coloridos, patafix, etc) e um globo de plasma que andava a namorar cada vez que à­amos ao Fórum Almada.

Mas a prenda que mais o cativou foi o estojo de quà­mica que a avó lhe deu. Achando que aqueles kits de ciências que se vendem tinham pouca coisa, ela arranjou montes de tubos de ensaio, pinças e frasquinhos com diversos produtos quà­micos e ainda escreveu as instruções para várias experiências num pequeno caderno. O Tiago adorou e ontem à  noite estivemos a fazer algumas delas e temos um ovo em vinagre à  espera que derreta a casca 🙂

Dá trabalho transformar um comum dia da semana num dia de aniversário especial mas acho que nestas idades vale a pena tentar.

Viagens no tempo

Há uns meses li o livro The Time Machine e mais recentemente, por mera coincidência vi dois filmes sobre viagem no tempo com uma premissa muito semelhante mas ambientes completamente opostos.
O primeiro já tem uns anos e chama-se “The Butterfly Effect” . O segundo é mais recente e chama-se “About Time”.

Ambos têm como personagem principal um rapaz que, ao crescer, descobre que consegue viajar no tempo, mais precisamente ao passado, e alterar eventos. Em ambos os casos esta é uma caracterà­stica que é passada de pai para filho.

20140224-213556.jpgAs semelhanças param aqui e os filmes não podiam ser mais opostos em todos os sentidos. O Butterfly Effect é deprimente, obscuro e tudo o que se imagina que alguma vez poderia correr mal na vida de uma pessoa acontece. Por mais que o personagem regresse a momentos chave no passado para corrigir um evento, as consequências são sempre horrà­veis. É o exagero extremo para demonstrar um ponto de vista. Compreendo e admito que até é um bom filme mas fiquei deprimida durante dias depois de o ver.

20140224-213613.jpgO filme About Time, pelo contrário, é uma comédia romântica, escrita pelo Richard Curtis (que também escreveu o Love Actually). É mais ou menos o mesmo estilo. É divertido, com algum drama à  mistura, mas mais lamechas do que bruto.

Neste filme as consequências são geralmente positivas e por vezes hilariantes, com alguns percalços pelo caminho, facilmente solucionáveis.

O personagem precisa de fazer escolhas difà­ceis por vezes, porque não pode estar em dois sí­tios ao mesmo tempo e logo, não pode afectar a vida de toda a gente, mas acaba por safar grande parte das situações, e o filme termina com a moral da história, que é sobre viver cada momento como se fosse a segunda vez, ou seja, prestando atenção aos pormenores e apreciando-os.

Este foi certamente o filme de que gostei mais porque sinceramente, já ando deprimida o suficiente sem ajuda.

Achei interessante o facto de ambos os filmes abordarem parte da natureza humana mas se focarem em extremos opostos. Para a maioria das pessoas o mundo não é nem tão negro nem tão cor de rosa. E ainda bem.