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Um post deprimente sobre o Natal

A época do Natal tem um efeito curioso em mim. Quando se aproxima sinto ainda um pouco daquele entusiasmo que tinha em criança. Gosto das luzes, de montar a árvore, gosto de embrulhar as prendas. Gosto particularmente de escolher o que vou dar aos meus filhos. No entanto a realidade da coisa fica sempre um bocadinho aquém das expectativas. Não é culpa de ninguém. Acho que é apenas o facto de eu não conseguir ignorar o lado negativo da coisa por mais que tente. Não está na minha personalidade.

É difà­cil encontrar prendas que as pessoas gostem e não tenham já. Acho que essa coisa das prendas só faz mesmo sentido para as crianças, que não têm dinheiro próprio, porque os adultos quando querem algo compram eles mesmos, não ficam à  espera do Natal. Torna o esforço um bocado inútil e resulta em muitos sorrisos amarelos e agradecimentos forçados. É um esforço de boa vontade mas que na prática resulta apenas em muito “regifting”. Por essa razão sou grande defensora das listas de natal mas pouca gente colabora. É sempre “ah, deixa estar, não te incomodes” e depois acabam por receber uma coisa que não gostam, que implicaram mesmo assim horas e horas de indecisão nas lojas.

Quanto à  noite de natal propriamente dia, é geralmente uma grande complicação porque toda a gente tem duas famà­lias e não dá para juntar todos num só dia. Ou seja, há sempre pelo menos dois natais. Este ano foram três.

Nem me posso queixar muito porque não sou eu que conduzo, nem cozinho, nem tenho que limpar a tralha toda no fim. Até gostava de fazer a festa cá em casa mas a geração anterior ainda está à  frente da coisa por enquanto e fazem um trabalho muito melhor do que eu alguma vez poderia fazer, já que nem sequer tenho mesa de jantar.

Gosto de estar com a famà­lia mas muita gente ao mesmo tempo causa-me desconforto. Só consigo prestar atenção a uma pessoa de cada vez e tenho mais tendência a ficar num cantinho a observar a cena do que a participar activamente. Acho que vem do facto de ser naturalmente introvertida mas receio que isso seja visto como arrogância, aborrecimento ou altivez. Não é. É apenas uma incapacidade de lidar com demasiado està­mulo.

Ao fim de uma semana de almoços, prendas, conversa e ruà­do constante (não só nas festas mas também em casa, com as crianças no expoente máximo do entusiasmo e volume), sinto-me mentalmente exausta. E depois vem o ano novo e só me apetece gritar.

Sei que parece um exagero enorme, uma parvoà­ce, mas eu não sou um ser social por natureza. Gosto de conversar com pessoas, desde que sejam uma ou duas de cada vez, mas também passo bem semanas inteiras sem falar com ninguém e não sinto falta. Mas pronto, faz parte. Aquilo que me aguenta durante este perà­odo é saber que não é sobre mim. Divirto-me a ver a alegria dos miúdos e isso faz-me feliz.

Feminismo

Sempre acreditei em igualdade de direitos. Acho que as pessoas são iguais e merecem os mesmos direitos independentemente de sexo, idade, raça, religião, preferência sexual ou seja lá o que for. As diferenças de tratamento deveriam ser baseadas no comportamento da pessoa e não nas suas caracterà­sticas à  priori.

Uma das coisas que me faz mais confusão na nossa sociedade actual é acharmos que alguém tem mais valor só porque tem mais dinheiro, uma posição mais alta numa empresa ou porque é uma celebridade. Uma pessoa é uma pessoa e deviamos todos ter os mesmos direitos, oportunidades, a mesma justiça, o mesmo respeito.

É uma visão idealista, claro, mas cada pessoa tem a oportunidade de escolher, ao longo da sua vida, se vai ser meramente egoà­sta e focar-se inteiramente em “o que é que eu ganho com isto” ou tentar, através de pequenos actos, tornar a sociedade mais perto deste ideal de igualdade.

Tenho imensa pena que o feminismo, um movimento cujo objectivo principal era criar igualdade de direitos e salários para homens ou mulheres, tenha hoje em dia um significado tão negativo devido a pequenos grupos que usam a bandeira do feminismo como desculpa para tratar todos os homens como o inimigo.

O verdadeiro feminismo não quer tirar direitos aos homens para os dar à s mulheres. Quer que as mulheres tenham as mesmas oportunidades de acesso ao trabalho e à  educação, que sejam pagas da mesma forma pelo mesmo trabalho. Não é difà­cil ver que as mulheres em cargos altos, tanto em empresas como na polà­tica, comtinuam a ser uma minoria e quando há uma mulher num cargo importante há sempre alguém a fazer a piada de que subiu “na horizontal”. Continua a menosprezar-se a inteligência e capacidade de trabalho das mulheres de uma forma geral mas não se fala de como foram parar aos cargos as centenas de gestores e administradores masculinos incompetentes que temos por aà­.

As mulheres também podem ser umas và­boras? Sem dúvida. Todos temos as mesmas qualidades e defeitos. É precisamente isso que estive a dizer até aqui, mas a questão é que não somos necessariamente penalizados da mesma forma. Há crà­ticas e regras diferentes para homens e mulheres, ricos e pobres, brancos e negros. Há preconceitos tão enraizados que vão demorar gerações a ser eliminidados, se é que isso alguma vez acontecerá.

Lembro-me de ter lido um artigo sobre um apresentador de televisão que resolveu usar o mesmo fato durante um ano inteiro e ninguém reparou. A sua intenção era chamar a atenção para a forma como as apresentadoras, mulheres, eram criticadas pelo seu aspecto enquanto que ninguém ligava ou criticava a roupa dos homens. Mas eu vejo outra coisa nisso: a roupa masculina aceite para a televisão ou algum evento formal é sempre a mesma. Os fatos são, no fundo, todos iguais. As mulheres são mais criticadas porque também têm liberdade para mais variedade  enquanto os homens estão presos a uma limitação muito grande no que diz respeito ao vestuário permitido. Há desigualdade de ambos os lados.

Isto leva-me a um artigo que saiu recentemente sobre a vida universitária em Inglaterra. O artigo refere que está a tornar-se tão comum os rapazes serem acusados de assédio ao abordar raparigas que preferem abdicar de contacto com o sexo oposto e socializar apenas com outros rapazes. Isso faz com que fiquem ainda mais inaptoa a lidar com o sexo oposto porque mantêm uma infantilidade emocional muito grande por falta de experiência. O texto Sugere que os programas que foram criados nas universidades para tentar proteger as raparigas de violação, algo que é um problema real e grave, está a tirar confiança aos rapazes que ficam com demasiado medo de ser acusados injustamente para sequer tentar falar com as raparigas.

Isto é outro daqueles casos de pau de dois bicos. Ao tentar resolver um problema por vezes vai-se longe demais ou toma-se o caminho errado e acaba por se criar outro. Em Inglaterra, nos Estados Unidos, e possivelmente em muitos outros paà­ses, a universidade é quando os adolescentes saem de casa dos pais e vão viver sozinhos, ou na própria escola ou perto dela. É uma época de liberdade e excessos que em alguns caso acaba de forma desastrosa. Toda a gente sabe que os casos de violações de raparigas que foram drogadas ou que beberam demais, que são atacadas por grupos de rapazes para quem aquilo é só uma brincadeira, doa a quem doer, são reais e frequentes. É um problema que é necessário resolver. Sabendo que a tendência é para culpar a và­tima, é natural que as instituições tentem criar programas de sensibilização e informação. No entanto, não se pode desatar a tratar todos os rapazes como violadores e fazer as raparigas sentir-se và­timas indefesas. Aulas obrigatórias de consentimento   podem fazer sentido como informação para rapazes que não sabem como lidar com o sexo oposto mas também é capaz de ser um bocado excessivo. Da mesma forma, andar a dizer à s raparigas que devem fazer queixa cada vez que um pobre rapaz tropeça nelas por acidente também é demais e destroi a credibilidade dos casos reais. Tem de haver senso comum e cada caso tem de ser avaliado realisticamente. Porque, sejamos honestos, há sempre pessoas a abusar do sistema de ambos os lados e isso é mau para todos.

Nunca fui muito a favor daquilo que os americanos têm vindo a instituir que é a mania de os rapazes terem de pedir autorização a cada passo que dão. Acho que qualquer homem sabe que, se uma mulher está inconsciente ou incapaz de se expressar, que não está em condições de ter relações sexuais. De resto, se alguém diz ‘não’ ou ‘pára’ também me parece extraordinariamente claro. Para pessoas normais, isto é suficiente. Para os outros, a justiça precisava de funcionar melhor e “não reparei”, “ela não disse nada” ou “não lutou o suficiente” não deviam servir como defesas legais.

Por outro lado, se os homens se sentissem mais livres para expressar emoções, seria muito mais fácil navegar este mundo. Mas isso é outra daquelas desigualdades que o feminismo tenta combater. O mundo e as relações não são simples mas à s vezes é preciso correr riscos e arriscar rejeição para se chegar a algo de bom. Aquilo que o artigo expõe, que os rapazes se retraem porque não sabem como falar com as raparigas e, assim sendo, já não se conseguem “consolar com miúdas” é um resultado da visão masculina do mundo em que as mulheres são vistas como entretenimento descartável. Quando as coisas mudam, os rapazes deixam de saber como interagir porque provavelmente não têm ninguêm que os ensine a falar com as mulheres a um nà­vel de igualdade.

Enfim, é um processo que pelo caminho vai deixando muitas và­timas de ambos os lados mas temos de nos lembrar que homens e mulheres não são inimigos. Precisamos uns dos outros e as fases de mudança são sempre confusas mas espero que o resultado seja um mundo mais igual e justo para todos. Mas por favor não desatem a bater no feminismo só porque há grupos de palermas que levam as coisas longe demais.

Aceitem o vosso corpo

Há certas coisas que são tabu e não percebo bem porquê.

As pessoas gostam de se gabar que beberam tanto que até vomitaram, gostam de piadas de casa de banho e num grupo de amigos pode-se falar de diarreias e mijar-se pelas pernas abaixo e as pessoas riem-se e partilham as suas histórias sem ofensa. As mães e pais falam dos cocós e xixis dos seus meninos e não há qualquer controvérsia. As mulheres partilham entre si algo sobre a última ecografia mamária e está tudo bem. Então porque é que certos assuntos são proibidos?

Reparei que, por exemplo, parece que não se pode falar de menstruação. Apesar de ser algo perfeitamente normal, até entre as mulheres é um assunto que faz torcer o nariz.

Todas as mulheres em idade fértil precisam de saber quando foi a data em que começou a sua última menstruação. É uma das perguntas standard quando se vai ao ginecologista. E devemos controlar os nossos ciclos para saber se está tudo regular. Eu descobri recentemente que tenho um mioma porque comecei a ter um sangramento anormal e fui fazer exames. É preciso prestar atenção a estas coisas porque o nosso corpo dá-nos sinais sobre a nossa saúde.

Manter um registo do ciclo menstrual é algo que se deve incentivar as raparigas adolescentes a fazer, até porque os primeiros ciclos podem ser mais irregulares e é uma chatice andar pela escola com as calças todas sujas porque se esqueceram de  levar pensos.

Para pessoas que estejam a tentar engravidar ou que corram o risco de engravidar sem querer, saber a altura da ovulação e da próxima menstruação é uma informação fundamental. Até eu que já não corro o risco de engravidar preciso de ter esses dados.

Então porque é que o perà­odo é uma coisa tão imencionável? É mais nojento que diarreia? Eu acho que não. Sangue todos temos. É claro que não gostamos de o ver do lado de fora, mas no caso das mulheres é um funcionamento normal do organismo. Não é motivo para vergonhas e nojo. Pelo menos não mais do que as restantes funções biológicas.

Há pouco tempo encontrei uma app fantástica para controlar o ciclo menstrual. Para que saibam, chama-se Clue, é grátis e permite apontar uma série de informações como a data das últimas menstruações, se tomámos ou não a pà­lula, dias de dores, temperatura, se o fluxo menstrual é muito ou pouco e o tipo de corrimento vaginal durante o resto do mês. Com os dados que vamos introduzindo, a app ajuda a prever a data dos próximos ciclos, o que dá imenso jeito para várias ocasiões, como por exemplo se estivermos a tentar marcar férias sem surpresas. É giro, muito simples de usar e não tem uma pinga de cor de rosa em lado nenhum, como é comum nas apps para “senhoras”. Digo isto como utilizadora. Ninguém me pagou para publicitar o produto. Acho simplesmente que usar uma coisa destas é importante e se não gostarem deste e preferirem borboletas e arco à­ris há muitos outros.

Partilhei o link do app há uns tempos no facebook. Suponho que possa ter sido confundido com spam mas fiquei surpreendida porque, enquanto qualquer baboseira sem interesse tem sempre pelo menos dois ou três likes, este passou completamente em branco. Lá está, não se fala destas coisas.

amamentarO outro assunto que parece chocar grande parte da população é a amamentação em público. Tanto homens como mulheres ficam chocadà­ssimos quando vêem uma mulher a amamentar. Parece que voltámos à  época vitoriana em que as mulheres tinham de ficar fechadas em casa durante a gravidez para não chocar a população com a prova de terem tido relações sexuais.

Fala-se tanto de sexo e até a gravidez parece ser bem aceite hoje em dia. Pessoas que não nos conhecem de lado nenhum de repente desatam a fazer festinhas na barriga das grávidas (fazendo com que as grávidas tenham de conter o desejo de lhes dar um pontapé nas canelas porque pelos vistos não aprenderam que o contacto fà­sico deve ser autorizado pela pessoa) e não resistem a tocar nos bebés e crianças (também já tive de me controlar para não ser desagradável à s dezenas de pessoas que ficam ali a massajar os caracóis do cabelo da minha filha como se fosse uma daquelas bolas anti-stress. Têm de aprender que as crianças também são pessoas e merecem respeit0).

Mas a questão não é essa. Aparentemente é tudo bom e fofinho até o bebé ficar com fome. De repente parece que o acto de alimentar a criança da forma mais natural possível, com a parte do nosso corpo que é criada para o efeito, é a coisa mais nojenta do mundo.

Compreendo que na nossa sociedade não se anda por aà­ de mamas de fora, mas isto não é exibicionismo nem um acto sexual em público. É o caso de termos um bebé que tem fome e por acaso não estarmos em casa. Acham que as mães gostam de se sentir expostas e de levar com os olhares e comentários pelo mero acto de alimentar o seu filho? A criança tem de comer e não há nada de errado com isso. Se há quem saque do biberão porque é que as mães que optam por amamentar são penalizadas por sacar da mama? Estão a fazer mal a quem exactamente?

Suponho que os mesmos púdicos e púdicas que querem apedrejar estas mães carinhosas também fiquem prestes a desmaiar quando vêem alguém a beijar-se em público ou de mãos dadas. Lá está, mentalidade vitoriana.

Digo isto em particular à s mulheres, que acabam por ser as crà­ticas mais ferrenhas: parem de ter vergonha do vosso corpo. Estão a ser levadas pela mentalidade patriarcal que quer manter as mulheres “no seu lugar” e nem dão por isso. As mulheres deviam apoiar-se em vez de se criticarem. O corpo é bonito e capaz de coisas fabulosas. Não há nojo nenhum nisso.

– Tecnologia não é o demónioTecnologia não é o demónio

– Vi recentemente mais um daqueles artigos que saem de tempos a tempos sobre os “perigos” da tecnologia para as crianças. Metem-me nojo.

Tanta conversa de treta. Dantes era só a televisão mas agora há muito mais coisas para meter medo aos pais. E isso vende revistas.

É claro que se deve controlar o que os filhos fazem e durante quanto tempo o fazem. Se metem a criança em frente à  tv um dia inteiro porque não têm paciência para a aturar devem seriamente repensar a técnica parental. No entanto a tv, as tablets, os jogos de computador, playstation, etc, não fazem, só por si, mal nenhum à s crianças. Muito pelo contrário. Estimulam a imaginação, dão-lhe a conhecer mundos interessantes, estimulam a inteligência e melhoram a coordenação olho-mão.

Não é o meio mas sim o conteúdo que deve ser controlado pelos pais. Procurem programas de tv didáticos em vez de os deixar ver qualquer porcaria só porque é o que está a dar. Deixem-nos jogar angry birds mas instalem também um app de fazer contas que dá pontuação como qualquer jogo. Há imensas opções.

É preciso também perceber que no que diz respeito a este assunto não se podem estabelecer regras e tabelas como se as crianças fossem todas iguais. Cada um tem de lidar com a personalidade e tendências dos seus filhos e adaptar as regras e o acesso ao comportamento que vê. Eu nunca tive problemas com o meu filho. Há crianças com mais tendência para comportamentos viciantes que quando encontram algo que gostam não querem mais nada. Se uma criança é capaz de passar horas a fio com a tablet na mão a ver videos no youtube, dia após dia, é capaz de ser boa ideia tentar introduzir jogos familiares ou ler-lhe um livro, tentar perceber se há alguma actividade no mundo real que o entusiasme e que sirva de intervalo.

Mas prestem atenção antes de entrar em pânico e desatar a proibir tudo porque por vezes eles estão só a absorver uma informação nova que lhes interessou e passado um dia ou dois largam aquilo e vão antes fazer desenhos sobre o novo assunto que descobriram ou construir esse novo mundo em lego ou plasticina. Dêem-lhes algum tempo para explorar o vasto mundo que a tecnologia lhes permite aceder. Não se descartem do papel de pais mas não culpem a tecnologia dos males do mundo. O importante é encontrar o equilà­brio adequado para cada criança em vez de aplicar regras absurdas.

Se não os deixam brincar com a tecnologia mas não brincam com eles ou lhes dão alternativas interessantes não podem esperar que as crianças percam o interesse em algo que é tão fascinante até para os adultos.Vi recentemente mais um daqueles artigos que saem de tempos a tempos sobre os “perigos” da tecnologia para as crianças. Metem-me nojo.

Tanta conversa de treta. Dantes era só a televisão mas agora há muito mais coisas para meter medo aos pais. E isso vende revistas.

É claro que se deve controlar o que os filhos fazem e durante quanto tempo o fazem. Se metem a criança em frente à  tv um dia inteiro porque não têm paciência para a aturar devem seriamente repensar a técnica parental. No entanto a tv, as tablets, os jogos de computador, playstation, etc, não fazem, só por si, mal nenhum à s crianças. Muito pelo contrário. Estimulam a imaginação, dão-lhe a conhecer mundos interessantes, estimulam a inteligência e melhoram a coordenação olho-mão.

Não é o meio mas sim o conteúdo que deve ser controlado pelos pais. Procurem programas de tv didáticos em vez de os deixar ver qualquer porcaria só porque é o que está a dar. Deixem-nos jogar angry birds mas instalem também um app de fazer contas que dá pontuação como qualquer jogo. Há imensas opções.

É preciso também perceber que no que diz respeito a este assunto não se podem estabelecer regras e tabelas como se as crianças fossem todas iguais. Cada um tem de lidar com a personalidade e tendências dos seus filhos e adaptar as regras e o acesso ao comportamento que vê. Eu nunca tive problemas com o meu filho. Há crianças com mais tendência para comportamentos viciantes que quando encontram algo que gostam não querem mais nada. Se uma criança é capaz de passar horas a fio com a tablet na mão a ver videos no youtube, dia após dia, é capaz de ser boa ideia tentar introduzir jogos familiares ou ler-lhe um livro, tentar perceber se há alguma actividade no mundo real que o entusiasme e que sirva de intervalo.

Mas prestem atenção antes de entrar em pânico e desatar a proibir tudo porque por vezes eles estão só a absorver uma informação nova que lhes interessou e passado um dia ou dois largam aquilo e vão antes fazer desenhos sobre o novo assunto que descobriram ou construir esse novo mundo em lego ou plasticina. Dêem-lhes algum tempo para explorar o vasto mundo que a tecnologia lhes permite aceder. Não se descartem do papel de pais mas não culpem a tecnologia dos males do mundo. O importante é encontrar o equilà­brio adequado para cada criança em vez de aplicar regras absurdas.

Se não os deixam brincar com a tecnologia mas não brincam com eles ou lhes dão alternativas interessantes não podem esperar que as crianças percam o interesse em algo que é tão fascinante até para os adultos.

Viva a internet – Hurray for the internet

Ontem tentei ir à s compras.

Preciso urgentemente de umas galochas e de um casaco impermeável que chegue até aos joelhos porque ando muito a pé e estou farta de ficar encharcada pela chuva. As botas da Fly deixam entrar água pelas costuras, encharcando as meias, cada vez que piso uma poça, e o meu impermeável actual é praticamente pela cintura. Mesmo com guarda chuva, é uma desgraça. O bocado de calças que fica de fora, desde os joelhos até ao casaco, fica tão encharcado e é quase preciso uma espátula para descolar aquilo das pernas. E quando isso acontece a caminho das aulas onde vou ter de passar 2 horas nesse estado não é muito agradável.

É claro que as únicas galochas que encontrei custavam 120 euros. Lamento muito mas para umas botas que vou usar umas 10 vezes por ano recuso-me a gastar mais do que o que gasto em prata para o curso.

É nestas alturas que agradeço de joelhos ao senhor que criou a internet. Galochas na Amazon são à s dezenas e muitas delas por menos de 20 ou 30 libras.

Quanto ao impermeável, tinha metido na cabeça que queria uma gabardina com capuz. Não quero um casaco todo almofadado e super quente, só uma coisa que dê para me proteger da chuva. A única que encontrei foi na H&M, na secção de homem, mas como tinha um corte direito parecia que tinha um saco vestido.

Ainda não arranjei alternativa mas suponho que é só uma questão de tempo. Entretanto, lá vou ficando com as calças encharcadas até ao joelho. Que remédio.

Foto de Kristina Paukshtite do Pexels

Dó Ré Mi versão Portuguesa

Há uns tempos a Joana apareceu cá em casa a cantar uma versão em português da música Dó Ré Mi do filme The Sound Of Music que tinha aprendido na escola.
Na altura ela ainda não tinha aprendido a letra toda e por isso fiz uma pesquisa na internet para tentar encontrar essa versão. Foi inútil. Encontrei umas versões brasileiras completamente diferentes mas nada que se assemelhasse ao que ela aprendeu.
Recentemente ela lá aprendeu o resto por isso resolvi deixar aqui essa versão para o caso de ser útil a outros pais que esbarrem na mesma dificuldade. Apesar de tudo é uma excelente música para eles aprenderem as notas musicais.

Dó Ré Mi (versão Portuguesa)
Dó, de quem merece pena
Ré, a popa de um navio
Mi, miar, miar não sei
Fá, faz muito frio aqui
Sol, sabem bem quem é
Lá, não está aqui ao pé
Si é sim em espanhol
E agora volta ao Dó

Dó Ré Mi (original)
do- a deer, a female deer
re- a drop of golden sun
mi- a name I call myself
fa- a long long way to run
so- a needle pulling thread
la- a note to follow so
te- a drink with jam and bread
that’ll bring us back to do

– Tortura gástricaTortura gástrica

– Estar doente é horrà­vel, especialmente quando mete náuseas.

Ontem à  noite, depois de 4 horas de tortura, comecei a vomitar e acho que ainda não parei. Não aguento nada no està´mago, nem sequer água. Qual cházinho qual carapuça. Ao fim de uma hora vem tudo fora. Estou com uma sede inacreditável, e até alguma fome, mas se sinto sequer cheiro a comida fico enjoada outra vez.

Só espero que isto seja uma coisa passageira e que os miúdos não apanhem. Considerando que já passei o fim de semana passado com uma constipação lixada, os viruzitos podiam pelo menos ter-me dado uma semana para recuperar.Estar doente é horrà­vel, especialmente quando mete náuseas.

Ontem à  noite, depois de 4 horas de tortura, comecei a vomitar e acho que ainda não parei. Não aguento nada no està´mago, nem sequer água. Qual cházinho qual carapuça. Ao fim de uma hora vem tudo fora. Estou com uma sede inacreditável, e até alguma fome, mas se sinto sequer cheiro a comida fico enjoada outra vez.

Só espero que isto seja uma coisa passageira e que os miúdos não apanhem. Considerando que já passei o fim de semana passado com uma constipação lixada, os viruzitos podiam pelo menos ter-me dado uma semana para recuperar.

O Minecraft enjoa-me – Minecraft makes me sick

É verdade. Há muito tempo que não me sentia tão enjoada como quando resolvi jogar Minecraft. E para quem gosta do jogo e possa achar que isto é um ataque, devo esclarecer que é um enjoo bastante literal, daqueles de ter de ir tomar motilium e deitar-me um bocadinho para não vomitar.

Na verdade, a culpa não foi inteiramente do jogo porque acho que apanhei um bicharoco gástrico qualquer, mas os movimentos agressivos do jogo certamente não ajudaram.

Infelizmente parece que sou uma daquelas pessoas que não aguenta jogos tipo FPS (first person shooter), em que a imagem está constantemente a mexer. Já não é a primeira vez que isto me acontece. Há uns largos anos tive de desistir de um jogo chamado Faust pelas mesmas razões. Para os tristes como eu, o cérebro acha que estamos em movimento, o corpo sabe que não e despoleta um efeito de auto-defesa, como se estivéssemos a ser envenenados ou algo do estilo, o que provoca uma náusea extrema.

Eu gosto muito de jogos, especialmente deste tipo, em que posso calmamente fazer o que me apetece sem grande stress, mas nada compensa jogar 30 minutos para depois passar duas horas de “matem-me já que não aguento mais isto”. O que é uma pena porque o jogo até parece giro, apesar da ansiedade extrema que me causam os monstros noturnos, mesmo no modo criativo em que não fazem mal nenhum. Parece que tenho uma afinidade demasiado exagerada com os meus personagens virtuais e uma pessoa virar-se de repente e dar de caras com uma aranha gigante, mesmo feita de cubos, é um choque grande demais para mim.

Quanto ao Minecraft propriamente dito, demorei algum tempo a perceber o que raio é aquilo. Não há instruções para nada e uma pessoa começa sem saber o que fazer. Depois de ler sobre o assunto lá percebi que aquilo é basicamente uma espécie de legos virtuais. Apanhamos peças – madeira, pedra, areia, etc – e depois construà­mos aquilo que quisermos. Acaba por ser parecido à  parte de construir casas no Sims, só que com gráficos mais básicos.

Para quem nunca jogou e tem vontade de experimentar, para além do cuidado com as náuseas, só tenho a sugerir que comecem pelo modo criativo em vez do de sobrevivência. Não há nada pior do que morrer no jogo antes de ter tido sequer tempo para perceber o que fazer a seguir. E a primeira coisa a fazer deve ser construir uma casa onde nos podemos fechar durante a noite para fugir aos zombies, esqueletos e aranhas que andam por ali. Felizmente no modo criativo não se morre, o que dá montes de jeito. Mas a casa convém à  mesma, especialmente se forem medricas como eu, que nem zombies virtuais aos cubos quero ver perto de mim.

Se não querem mesmo lidar com esses stresses, acho que por aquilo no nà­vel ‘calmo’ reduz bastante a quantidade de monstros.

Depois há montes de videos no youtube que ensinam a fazer as coisas básicas – precisamos de uma mesa (craft table) para construir coisas, uma fornalha para fazer vidro para as janelas, etc. A coisa vai evoluindo e à s tantas há poções e portais para outras dimensões. Duvido que chegue lá, a não ser daqui a muitos anos em pequenas sessões de 10 minutos, o que não dá para muito. Mas pronto, entretanto vou vendo os videos e ajudando o Tiago a jogar. Posso tentar novamente, numa altura em que não esteja doente, senão Tenho é que arranjar outro jogo para me divertir que não me faça sentir como se estivesse a morrer. – It’s true. It’s been a long time since I’ve felt so nauseated as when I decided to play Minecraft. And for those who like the game and may think this is some kind of attack, let me make it clear that I mean literal nausea, the kind that makes me reach for some pills and forces me to lie down for a bit so I won’t throw up.

Truth be told, the game wasn’t entirely to blame because I seem to have caught some sort of stomach bug, but the game’a aggressive spinning certainly didn’t help.

Unfortunately, I seem to be one of those people who cannot handle FPS (first person shooter) games, where the image is constantly in motion. It’s not the first time it had happened. Quite a few years back I had to give up playing a game called Faust for the same reason. For those unfortunates like myself, the brain thinks we’re moving but the body knows we’re not so it sets off some kind of self-defence mechanism, as if we were being poisoned or something, which causes extreme nausea.

I love playing games, especially this kind of game where I can do whatever I please at my own pace, with no stress, but nothing makes up for 30 minute game time when you have to spend the next two hours thinking “shoot me know, I can’t take it any more”. Which is a shame because the game looks like fun, despite the extreme anxiety the nocturnal monsters cause, even in creative mode where they can’t really hurt your character. I develop too much empathy for my virtual characters so when I turn around and find a giant spider, even one made out of stupid cubes, it’s too much of a chock for me.

As for Minecraft itself, it took me a while to figure out what the hell it was all about. There are no instructions and you start off with no goals and nothing to do. After reading about it, I finally figured out that it’s basically virtual Legos. You pick up materials by breaking stuff – wood, sand, stone and so on – and the you build whatever you want. There are some similarities to the house building portion of Sims but with simpler graphics.

For those who have never played but would like to try, apart from watching out for that nasty nausea, I can only suggest that you start off in the creative mode instead of survival. There’s nothing worse than getting killed in the game before you have time to figure out what you’re doing. And the first thing to do should be to build a house where you can lock yourself in at night to escape all the zombies, skeletons and spiders lurking around. Fortunately, in the creative mode you won’t die, which is quite handy. But the house is useful anyway, especially if you’re as big a chicken as I am. I don’t want virtual block zombies anywhere near me, thank you very much.

If you don’t what to handle that kind of stress at all, I think that playing in the quiet level reduces a great deal how many monsters you find and ho they act.

There are also a bunch of videos on YouTube that teach you how to make all the stuff you need. The basics are a crafting table that you use to make other stuff, a furnace to make glass for the windows and so on. It keeps evolving until you get to a point where you can make potions and travel through portals to other dimensions. I doubt I’ll get there any time soon since I will probably need to restrict game-play to 10 minute sessions and that won’t get me far. But that’s fine. I’ll watch the videos and help my son to play. I’ll try again some other time when I’m not sick. if it still doesn’t work I guess I’ll have to find another fun game to entertain me that won’t make me feel like I’m dying.

– It’s been a tough week…Tem sido uma semana complicada…

lice

Fortunately, thanks to sprays and electric combs, the whole thing appears to be under control. I’ve been obsessively washing everything that will fit in the machine, changing sheets and towels daily, but the idea of having little bugs running around everywhere makes me indescribably sick. Homeschooling seems like a perfectly aacceptable option at times like these 😛

 

 lice

Felizmente, graças a sprays e pentes eléctricos, a coisa parece estar sob controlo. Ando em modo obsessivo de lavar tudo o que cabe na máquina, a mudar lençóis e toalhas diariamente, e a ter uma trabalheira incrà­vel, mas o nojo que me mete a ideia de ter bicharocos por todo o lado é indescrità­vel. Homeschooling parece-me uma solução perfeitamente aceitável nestas alturas 😛

 

 

Colecção vintage – Vintage collection

Tenho andado a trabalhar numa colecção de bijutaria com aspecto vintage.

Utilizando ilustrações antigas pintadas à  mão e transformadas em pendentes de resina, com alguns elementos de peças de relógio para um toque levemente steampunk, metais oxidados, pérolas, cristais e até recuperando verdadeiras contas de vidro antigas, criei uma série de peças que, combinando perfeitamente com vestuário moderno, têm mesmo assim um toque de antigo.

Estas peças estão finalmente disponà­veis na loja.

– I’ve been working on a jewellery colletion with a vintage look.

By handpainting old illustrations and turning them into resin pendants with a few watch parts thrown in, for a touch of a steampunk feel, oxidized metal, pearls, crystals and even actual rehabilitated antique beads, I’ve created a series of items that, even though they fit perfectly with a modern outfit, also have an antique touch.

These pieces are available in the shop.

Passadeira perigosa

Hoje enviei um email para a Câmara Municipal de Almada a alertar para o problema de funcionamento de um semáforo numa das zonas de grande transito da cidade. O semáforo nunca fica verde para os peões, limitando-se a gerir o trânsito do cruzamento, e a passadeira é utilizada diariamente por crianças do primeiro ciclo ao ir e vir da escola, alguns deles sem acompanhamento de um adulto.

Pode parecer um problemazito de nada mas a verdade é que como mãe custa-me imenso ver crianças de 7 e 8 anos a tentar atravessar sozinhas uma estrada com imenso trânsito em que o sinal nunca muda. É preciso esperar que fique vermelho para os carros de um lado, ir até meio e depois esperar que alguém do outro lado seja decente o suficiente para parar.

Quando alguém pára para deixar passar os peões há sempre uma besta lá atrás logo a buzinar, como se atropelar uma criancinha ou deixá-la para todo o sempre no meio da estrada fosse a opção correcta. O civismo é sempre o primeiro comportamento humano a cair quando se está atrás do volante.

Não tenho grande esperança que a situação seja resolvida mas achei que era o mà­nimo que podia fazer. Como cidadãos cabe-nos também o papel de chamar a atenção para as pequenas correcções que podem ser feitas na nossa comunidade em vez de passarmos os dias apenas a queixar-nos que ninguém faz nada.

Update: Telefonaram-me a informar que o semáforo está a funcionar mas tem é um sistema muito estranho que faz com que os peões tenham de esperar mais de um minuto para poderem atravessar.

Basicamente, ao carregar no botão, a indicação de que há um peão a querer atravessar fica em lista de espera. Só quando termina a sequência de semáforos actual é que o sinal muda para os peões. Ou seja, aquilo tem uma lista de mudanças – agora os desta rua, agora os que vão virar à  esquerda, agora os que vão virar à  direita, etc. – que continua até ao fim antes de entrar o semáforo dos peões – que Sà“ é activado quando alguém carrega no botão. De facto assim ninguém tem paciência para esperar.

Fazia muito mais sentido ficar verde para os peões quando o trânsito da avenida principal é interrompido, com um laranja a piscar para quem vira. Assim mais vale não estar lá nada.