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O caso da canalização

Quero deixar isto registado para saber quando foi porque me parece que esta história ainda não acabou.

Depois de fazermos a obra para isolar melhor a banheira e termos pago a pintura dos dois andares de baixo, a vizinha veio novamente queixar-se. Pela sua descrição tinha água a pingar quando na verdade tinha apenas bolor na parede junto ao tecto, sem mancha de água. De qualquer forma achei que devia voltar a chamar o homem que fez a nossa obra para confirmar que o isolamento estava estanque. Depois de um mês de espera ele lá apareceu, partiu um bocado do muro que suporta a banheira, para se poder espreitar ao longo da parede (buraco esse que vamos manter aberto, com uma grelha para o caso de ser preciso ir lá mexer outra vez). Encharcou a parede e rebordo da banheira e não passa água nenhuma para baixo. A conclusão seguinte foi que seria necessário tirar a banheira e partir tudo para ver se há algum cano com fugas, algo que levaria pelo menos duas semanas. Pedi uma estimativa mas depois dele se ir embora comecei a pensar melhor no assunto. Resolvi ir novamente a casa da vizinha ver se aquilo tinha piorado e se via de facto alguma água antes de decidir começar a partir a minha casa toda à  procura de um problema inexistente.

No sábado lá fui. Aquilo que vi foi o mesmo bolor, sem qualquer alteração, que me parece causado pela água que ainda estava na parede. Como eles nem tiraram o estuque molhado limitando-se a colocar uma placa de pladur por cima a tapar a parede, se a parede ainda não estava seca é natural que a humidade tenha passado para fora causando aqueles fungos.

Para além disso vi uma coisa muito curiosa: a senhora tem uma mancha amarela, redonda, a meio da parede, no sí­tio onde passa o esgoto. Na altura em que tudo isto aconteceu eu não sabia que o esgoto era ali. Quando comprámos a casa já tinham feito obras e mudaram a banheira para o sí­tio da sanita e vice-versa, pelo que eu não tinha noção da zona onde passavam os canos originais. Quando fui a casa da vizinha ver os estragos, eles já tinham arrancado tudo portanto também não estranhei quando o homem disse que lá em cima não passavam canos pelo que a água só podia vir de cima. Entretanto, como já vi a disposição da casa de banho original é que me apercebi que há canos ali sim senhor e o problema se calhar nem era nosso coisa nenhuma.

A vizinha de baixo tem obviamente uma ruptura no esgoto que pelos vistos ninguém detectou, apesar de terem remodelado a casa de banho toda. Está a ficar com a parede cheia de humidade e irá voltar a causar problemas ao andar de baixo e no meio disto tudo vão passar o tempo a tentar culpar-me a mim do problema.

Liguei ao canalizador a dizer que não vamos nada tirar a banheira e depois se vê. Vou seguir o conselho do meu pai e não faço mais obras sem um papel a dizer que se a responsabilidade não for do meu andar alguém paga – ou a vizinha de baixo ou o condomà­nio.

Tenho eu andado para aqui toda preocupada com causar danos na casa dos vizinhos e no fundo ando a fazer de parva e a servir de desculpa para tudo.

Neste momento já só penso em mudar-me.

Versátil

O mês passado comprei um vestido da Pepe Jeans (modelo emmeline) porque gostei do padrão do tecido, todo aos quadradinhos coloridos. Achei que ficava lindamente como saia (lá porque o designer diz que é um vestido não quer dizer que eu tenha de obedecer) e combina perfeitamente com as sandálias D&G que comprei há dois anos.

Para além da versatilidade de ter uma peça que funciona como duas (saia ou vestido) esta foi uma compra muito versátil porque também serviu de inspiração para o site que ando a fazer.

É claro que a maquete inicial vai para o lixo, como é costume, mas pelo menos deu-me gozo a fazer.

Ultimamente tenho trabalhado para outra empresa, apenas como designer, sem ter de lidar directamente com o cliente final (continuo a ter os clientes da Nitro de sempre mas a parte de lidar com novos clientes, ir à s reuniões, etc nunca foi a minha parte favorita do trabalho).

O mais interessante em relação a este método é que, para além de me poder concentrar mais naquilo que gosto de fazer, que são as maquetes e o html, descobri que não me irrito tanto quando é preciso fazer alterações ou várias versões da mesma coisa porque os clientes não se conseguem decidir. Só o facto de não ter de ser eu a apresentar e defender o trabalho permite-me fazer todas as alterações que forem necessárias sem deixar que isso me estrague o dia.

É bom saber que há sempre formas de retirar algum do stress do dia a dia para poder divertir-me novamente com o meu trabalho e conseguir encontrar inspiração em sí­tios menos óbvios. Já não fazia isso há muito tempo.

Protocolo de conduta para lojas chinesas

Há imensas lojas chinesas na zona onde vivo mas não sou frequentadora habitual. No entanto, um dia destes precisava de verniz, e como sei que vendem materiais de pintura resolvi entrar numa para ver se tinha sorte. Fui vendo as prateleiras devagar, acabei por ir à  secção de brinquedos ver se tinham uma coisa para o Tiago que já procurámos em diversas lojas, e por fim fui à  secção de pintura. Aparentemente demorei demasiado tempo numa zona recatada da loja porque apareceu o dono a perguntar se precisava de ajuda. Disse-lhe o que procurava, ele disse que não havia e eu saà­. Pela forma como fui seguida até sair da loja pareceu-me que fiquei marcada como potencial shoplifter.

Hoje resolvi ir a outra destas lojas comprar umas daquelas imitações de crocs para o Tiago para ver se ele pára de roubar os meus. Quando saà­ da loja lembrei-me de ter visto na outra um conjunto de notas e moedas de euro de brincar que é capaz de dar jeito daqui a uns tempos para ensinar o Tiago a identificar o dinheiro. Resolvi voltar então à  loja, que ficava de caminho. Entrei, fui directa à  prateleira e depois para a caixa. Aparentemente causei um grande pânico. Pelos vistos este comportamento é ainda mais suspeito do que vaguear pela loja.

Ignorei o ar obviamente alerta dos donos, pousei a mala e o meu saco no balcão e tirei a carteira para pagar. A dona da loja deve ter tido tempo suficiente para se certificar que não havia nada dentro da minha mala pelo que mudou rapidamente a atenção para o saco. Perguntou se podia juntar o que eu tinha acabado de comprar ao saco que já trazia. Disse-lhe que sim e ela passou um longo bocado a olhar lá para dentro a certificar-se que eu não tinha roubado nada.

Parece que fiquei definitivamente marcada como um perigo naquela loja pelo que não tenciono lá voltar (não que tencionasse faze-lo de qualquer forma). Mas não deixa de me fazer um bocado de impressão este tipo de atitude. Acho que se fosse tentar roubar alguma coisa provavelmente escolheria outro tipo de loja. Não me parece que fosse enriquecer à  custa de dois ou três produtos de 1 euro que conseguisse enfiar na mala se estivesse inclinada para o fazer.

No entanto isto fez-me pensar que existe um protocolo de conduta para estas lojas que deve ser seguido à  risca. Primeiro deve-se entrar pela porta principal, mesmo que a loja tenha duas portas. Deve-se dizer bom dia, andar devagar, pedir ajuda muitas vezes para dar aos donos da loja uma desculpa para nos vigiarem de perto e nunca sair sem comprar nada. Sem seguir este padrão estamos condenados a uma vida de crime, pelo menos na mente dos donos da loja.

Tutorials

De manhã fiz a minha primeira filmagem para o que será um conjunto de tutorials de bijutaria que pretendo por no site. Ainda não vi aquilo com atenção para ver se se aproveita alguma coisa ou se é preciso refazer. Vai dar muito trabalhinho. Só espero que valha a pena e se perceba alguma coisa.

Tenho tido imensas pessoas que vivem longe e não podem vir aos workshops a perguntar como se fazem determinadas peçaspor isso achei que era boa ideia fazer aulas em video para essas pessoas poderem fazer download. Alguns serão pagos mas outros serão grátis.

Também quero fazer tutorials fotográficos mas é mais complicado ir tirando fotos a mim mesma a trabalhar do que filmar tudo. É capaz de ser mais fácil filmar e depois fazer screen shots.

Escorrega

Fui buscar o Tiago à  escola. Voltou a fazer xixi no bacio mas desta vez metade foi fora e depois andou a pisar aquilo tudo (tipo estou na praia, estou na praia). Depois fomos ao parque infantil para o Tiago andar de escorrega. Fiquei espantada com a evolução desde a última vez. O Tiago já não precisa de qualquer espécie de ajuda a subir a escada e já percebeu que se sobe pela escada e se desce pelo escorrega, algo que anteriormente lhe escapava. Desta vez aproveitei para filmar porque ele já não precisa que eu esteja sempre lá a segurá-lo.

É claro que, apesar do parque estar deserto, assim que chegámos apareceu logo um miúdo mais velho (devia ter uns 7 ou 8 anos), daqueles que deve passar por ali as tardes sozinho, a tentar desesperadamente chamar a atenção passando o tempo todo a meter-se com o Tiago, a gritar-lhe ‘bu!’ a plenos pulmões, a saltar-lhe à  frente.. O Tiago, depois de uma obvia desconfiança inicial, apercebeu-se que era brincadeira e até se estava a divertir com o companheiro. Só que o miúdo fazia sempre a mesma coisa, com gritos cada vez mais altos e o Tiago deixou de achar piada. Eu intervi, dizendo que já chegava de gritaria e o miúdo lá mudou ligeiramente de estratégia, passando para o ‘cucu’ e uma voz mais suave.

Só que como já não estava a chamar a atenção com os gritos começou com habilidades, descendo o escorrega deitado, head-first, saltando por cima ou rastejando por baixo das barreiras entre outros malabarismos que o Tiago começou imediatamente a tentar imitar. Eu estava a manter a minha distancia e a tentar não ser demasiado mãe-galinha mas aquilo começou seriamente a enervar-me.

O Tiago entretanto ficou com sede e foi à  procura de água na minha mala. Como não tinha aproveitei para o convencer a ir embora. Ele concordou e começou a sair do parque mas ainda fez uma paragem nos cavalinhos de baloiço antes de conseguir efectivamente sair de lá.

Parei no café mais próximo para comprar uma garrafa de água que ele bebeu avidamente e depois fui deixá-lo a casa dos avós que já voltaram de viagem e devem estar cheios de saudades.

Bacio!

Hoje quando cheguei à  creche, estava o Tiago a ser vestido. A educadora virou-se para mim e disse-me para espreitar o bacio. O Tiago tinha finalmente acertado dentro do bacio e fez um xixi e um cocó pequenino de uma só vez.

É então um dia histórico para o meu filhote e não resisti a fotografar a sua grande obra. Apesar deste exagero maternal, compreendo que tal imagem seja mais do que muitos gostariam de saber e por isso vou refrear o meu orgulho e manter tal imagem privada, só para mostrar ao paizinho quando chegar a casa.

As educadoras do Tiago devem achar-me cada vez mais maluca 🙂

20 anos

Faz hoje 20 anos que comecei a namorar com o Pedro. Tinhamos 15 anos e andávamos na mesma turma do secundário desde o 9º ano.

Durante algum tempo ele era apenas um rapaz pequenino que tinha  a mania de roubar coisas da minha mesa. No 10º ano, quando as minhas amigas foram para outras áreas, comecei a passar mais tempo com o Pedro e outro colega por serem as pessoas menos arrogantes da turma (já nesta época os adolescentes me metiam um bocado de nojo). Aos poucos fui reparando que ele até era giro e depois de muita dança lá resolvi forçar a questão enviando-lhe uma carta (tudo muito vitoriano, como podem ver). Ele respondeu com uma cassete e vinte anos depois aqui estamos.

O mais estranho numa relação tão longa é a contradição que existe entre conseguirmos completar as frases um do outro e ao mesmo tempo continuarmos a não conseguir perceber  o que raio vai naquela cabeça à s vezes. Há questões que parece que nunca se resolvem por mais tempo que passe e outras que perdem completamente a importancia.

Acima de tudo é bom ter alguém com quem partilhar os bons e maus momentos, alguém que efectivamente compreende o como e o porquê de certos sentimentos e situações quando o resto do mundo parece frio e distante.

Acho que escolhi muito bem e o Tiago tem a sorte de ter um pai carinhoso e sensà­vel.

Plasticina

ImpressionsO Tiago descobriu recentemente o gozo de brincar com plasticina. Depois da inevitável tentativa inicial de por aquilo na boca, percebeu que a piada é mesmo amassar, espetar os dedos, misturar as cores e fazer impressões com objectos.

Todas as tardes, quando chega a casa, aponta para a prateleira da plasticina e lá vamos nós brincar. Começou por carimbar a plasticina com diversos objectos mas ontem já estava a empilhar bolas de várias cores, tipo boneco de neve. Tenho fotografado as diversas ‘obras’ para a posteridade.

O Tiago parece gostar imenso deste tipo de actividades e eu tento encorajá-lo dentro do possível. Ontem até fui buscar a pasta maker e ele esteve todo divertido a dar à  manivela para fazer placas e tiras de plasticina. Foi preciso estar com uma atenção brutal para ele não magoar nenhum dedo mas foi divertido.

Ele está na fase de achar imensa piada à  ligação causa-efeito, tipo acender e apagar luzes ou a lanterna, abrir e fechar portas, ligar a tv, entornar um copo com água, e gosta de sentir que está a controlar uma situação por isso adorou esta brincadeira. O pior é sempre arrumar porque o Tiago só pára de brincar de duas maneiras: ou se irrita com qualquer coisa, atira tudo ao chão e faz birra ou não quer parar e faz birra porque está na hora de ir jantar ou algo do estilo. Ou seja, geralmente acaba mal.

Ontem o pai já estava em casa e conseguiu distraà­-lo tempo suficiente para eu conseguir arrumar tudo. Hoje há mais.

Será desta?

Estou finalmente melhor. Depois de 4 antibióticos e injecções de penicilina a infecção parece ter desaparecido e já nã me doi a garganta. Espero ficar bem de vez porque estou completamente farta disto.

Uma coisa que não tem ajudado nada é o facto do Tiago ter passado a acordar sistematicamente à s 5 da manhã. Ao principio acho que tinha pesadelos e era preciso ir acalmá-lo mas agora é mesmo só por hábito.

Na quarta à  noite pareceu-me que estava a reclamar um bocado demais e quando fui lá ele estava todo molhado. A fralda deve ter ficado mal colocada e foi preciso mudar a roupa e lençois (sempre divertido a meio da noite).

Esta noite chamou por mim mas parecia bem disposto por isso não fui ao quarto dele para ver se começa a perder o hábito. O problema é que quando acordo a meio da noite tenho que ir à  casa de banho e foi preciso esperar uma meia hora para ter a certeza que ele já estava a dormir antes de me atrever a levantar. E depois comecei com tosse e foi outra meia hora até ir tomar um anti-histaminico e conseguir voltar a adormecer.

Já não tinha saudades nenhumas de acordar todas as noites.

Falso alarme

Na sexta feira estive a lutar contra o tempo, cansaço e doença para conseguir terminar uma pulseira e enviar a encomenda ainda de manhã, terminar mais uma maquete e começar a página interna (apesar de saber que nunca devia por-me a fazer páginas internas sem ter aprovação da home mas eu não aprendo) a tempo de ir buscar o Tiago à  escola.

Por volta das 3 da tarde já não aguentava mais e fui-me estender um bocado. Como sempre, quando tento descansar, pouco depois tocou o telefone. Era da escola do Tiago a dizer que ele tinha acordado muito rameloso (sinal de conjuntivite) e que também andava a mexer muito no ouvido e se eu queria que ele fosse visto pelo Pediatra. Eu estava um bocado aparvalhada porque estava mesmo quase a adormecer quando tocou o telefone e acabei por dizer que não valia a pena ele ser visto porque tinha ido à  consulta na quarta feira. Enfim, no que diz respeito à  escola mais vale dizer logo que sim porque senão já sei que ele acaba sempre por ter de faltar um dia ou dois sem ser preciso (que foi o que acabou por acontecer).

O Tiago passou o fim de semana óptimo, bem disposto, a comer bem, sem febre e sem qualquer sinal de doença para além do que já tinha antes – a constipação do costume. Só que ontem à  noite parecia quente e quando fui ver a temperatura deu 37,5. Quando olhei para ele de frente reparei que estava com o pesçoco inchado do lado esquerdo e pensei logo que a maldita amigdalite estava de volta.

Resolvi então deixá-lo ficar em casa hoje e tentar marcar consulta para tirar as dúvidas. Afinla não tem nada mais do que já tinha. Nada de bactérias e o ganglio inchado é apenas uma resposta ao virus e não tem sinal de infecção.

E pronto, também não se perdeu nada. Passei mais uma manhã a brincar com o Tiago, que começou a gostar de amassar plasticina e desfaze-la aos bocadinhos. Fomos de metro até à  clà­nica, algo que ele também gosta, portanto também não tive grandes problemas de deslocação e assim pelo menos já sei que pode voltar para a escola amanhã sem problemas.

É claro que a pediatra ficou convencida que eu sou uma histérica mas isso não importa 🙂

Eu, por outro lado, continuo na mesma. Já estou a levar injecções de penicilina porque o antibiótico sozinho parece estar a ajudar mas não o suficiente (tinham-me dito que as injecções doiam imenso mas felizmente não dei por nada). Estou a ficar completamente farta disto.

A amigdalite eterna

Já vou no quarto antibiótico diferente este mês e ainda não consegui curar a amigdalite. A minha mãe tinha sugerido ir fazer análises para ver a que é que a bactéria é resistente mas quando viu o estado da minha garganta na terça feira optou por passar mais um antibiótico e depois logo se vê a questão da análise.

É que, se ao principio eu tinha um ou dois pontinhos brancos, nos ultimos dias estes parecem ter-se instalado de vez e trouxeram a famà­lia e amigos, convencidos que aqui não há nada que lhes faça mal. Aquilo que eram uns pontinhos é agora um grande blob branco visivel do espaço.

Para além da dor de garganta também comecei com tonturas e tive febre. Pelo meio tenho uma maquete para acabar, que nem vai mal mas que está a demorar mais do que devia porque estou com algumas dificuldades de concentração.

Pelo meio tenho de continuar com as tarefas do costume e estou cheia de medo de pegar isto ao Tiago outra vez.

Nova pediatra

Hoje fomos com o Tiago à  primeira consulta de uma nova pediatra. O Tiago andava a ser seguido pelos avós nos últimos seis meses mas concluimos todos que será melhor o Tiago ser seguido por um pediatra independente porque também não é justo para os meus sogros serem vistos como ‘os maus’ quando é preciso ver a garganta ou auscultar o Tiago.

Foi-nos recomendada uma pediatra que resolvemos então experimentar. O pediatra que seguiu o Tiago durante o primeiro ano de vida pode ser muito bom mas pareceu-nos sempre que não tinha muita paciencia para as dúvidas dos pais. Medicamente isso pode ser irrelevante mas eu acho que acalmar os pais também faz parte do papel do pediatra porque é fácil ficarmos demasiado preocupados com coisas que não têm importancia e precisamos de alguém que nos diga que está tudo bem.

Fizemos uma lista de todos os pontos que queriamos discutir, para não esquecer nada, fomos buscar o Tiago antes da sesta e seguimos de metro para a consulta.

A pediatra pareceu-nos exactamente aquilo que nos tinham dito – simpática, paciente, respondeu a todas as questões e até conseguiu examinar o Tiago sem ele fazer uma birra tão má como é costume.

Descrevemos o que mais nos preocupa de momento que é o facto do Tiago deixar de comer quando adoece, o que é a cada duas semanas, e perder peso muito depressa. Ela disse-nos que achava que o Tiago estava bem mas qe vai ser sempre um miúdo magro porque é muito alto e que por isso se nota um desiquilibrio maior entre altura e peso quando adoece mas que a questão de não comer quando adoece é mesmo assim e que desde que vá bebendo leite, iogurtes, fruta, etc, mesmo que não queira a sopa ou a carne durante as fases de doença não faz mal porque, tal como temos observado, quando ele fica melhor passa uns dias a comer por dois. Como o Tiago tem andado a comer melhor nos últimos dois dias, desde que curou a amigdalite, prova-se que de facto é mesmo assim que funciona.

Disse também que não vale a pena dar-lhe vitaminas ou estimulantes de apetite, que está provado que isso não funciona. Por mim tudo bem porque o Tiago não gosta nada de tomar aquilo e não gosto de o obrigar (aliás, nunca mais tentámos dar-lhe sequer).

No que diz respeito à  linguagem também achou que não é ainda motivo de preocupação. Disse-nos que aos dois anos as crianças fazem cerca de 24 sons diferentes mas que isso inclui não só as palavras reconhecà­veis como mamã e papá mas também os sons de animais e todos os outros sons que ele utilize para nomear objectos. Não diz cão mas diz ‘uf uf’ quando vê um cão e isso conta como linguagem nesta fase. Ficámos também mais descansados em relação a esta questão.

Por fim examinou-o e viu a garganta que parece efectivamente curada (ao contrário da minha).