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Visita à  Pediatra

Na segunda levei o Tiago à  pediatra para ver se o ouvido já estava bom. Tinha passado uma semana desde o inà­cio do antibiótico mas o Tiago continuava a queixar-se do ouvido.

Por não ter conseguido carregar no botão para abrir a porta do metro o Tiago foi o caminho todo a berrar. Uma daquelas birras com muito barulho e sem uma única lágrima que são tão tà­picas dos terrible twos. Só quando saà­mos da carruagem e me recusei a pegar-lhe ao colo até se calar é que se acalmou finalmente.

Esperámos imenso tempo pela consulta mas a sala de espera tinha bastantes brinquedos e o Tiago esteve entretido.

O ouvido ainda estava vermelho o que implicou mais uns dias de antibiótico e umas gotinhas directamente no ouvido a ver se ajuda. De resto está tudo OK e o Tiago já pesa mais meio quilo do que na última consulta, estando agora com 11,5kg.

O que me continua a espantar é a forma como ele fica calmo nestas consultas. foi possível despi-lo, pesá-lo e ver-lhe os ouvidos sem ele chorar ou espernear.

Depois da consulta fomos ao parque infantil que existe nas traseiras da clà­nica para o Tiago brincar um bocado e depois voltámos para casa, desta vez sem crise. Finalmente o Tiago começou a dar a mão quando vamos na rua o que torna tudo muito mais simples.

Incompatibilidades

As famà­lias existem para nos lixar a vida. É uma daquelas verdades incontornáveis.

Desde que saà­ de casa dos meus pais senti que a nossa relação melhorou mas agora com o Tiago começo a ter novamente dificuldade em lidar com os meus pais.

Quando o Tiago era pequenino a minha mãe visitava-o frequentemente e chegou a ficar cá em casa a fazer babysitting enquanto eu tinha que ir tratar de algumas coisas. Mas à  medida que o Tiago cresceu e deixou de ser o bonequinho de colo, as visitas começaram a ser mais espaçadas até chegar a passar-se um mês ou mais sem qualquer contacto. Recentemente, como o Tiago desatava a berrar cada vez que via a minha mãe, acho que ela começou a tentar visitá-lo e levá-lo a passear mais frequentemente para ver se ele pelo menos se lembra quem ela é.

No domingo de manhã a minha mãe ligou a dizer que ia à  praia e a perguntar se podia levar o Tiago (na verdade ela pergunta se eu quero que ela leve o Tiago, sugerindo subtilmente que me está a fazer um favor e não algo que ela quer, mas ok). Eu disse que sim, claro, podia levá-lo a passear. Ela virou-se então para o meu pai para lhe perguntar o que ele achava de levarem o Tiago e oiço o meu pai responder, no seu usual tom de voz levemente irritado ‘Tu já decidiste, para que é me estás a perguntar?’

Para mim este tipo de situação é muito comum mas não inspira grande confiança. Quer dizer que não foi nada planeado e como tal é melhor eu informar-me melhor, só que quando comecei a fazer perguntas caiu a chamada. Voltei a ligar para perguntar se planeavam almoçar na costa ou se iam só de manhã e a minha mãe garantiu-me que iam só um bocadinho e depois voltavam. OK, então.

Aà­ apercebi-me que já tinham saà­do de casa e que a minha mãe estava a voltar para ir buscar antes a chave do outro carro que tem a cadeirinha pelo Tiago, o que confirma que o telefonema foi um after-thought e não um plano. Isto deixa-me sempre um bocadinho nervosa porque levar uma criança pequena a passear não é bem o mesmo que sair com os amigos para ir ao café. É preciso preparar um saco com fraldas, muda de roupa, água, fruta ou bolachas para o caso de haver um atraso insperado, e no caso da praia ainda é preciso barrar o miúdo com protector solar, levar chapéu e óculos escuros. Enfim, não é algo que fique feito em cinco minutos. Mas a minha mãe nunca pensa nestas coisas. Reage por impulso, sempre em cima da hora e o resto do mundo é que tem de se ajustar aos seus mood swings.

Não me passou pela cabeça dizer que não podia levar o Tiago a passear porque acho importante que o Tiago se relacione com os avós mas gostava que quisessem estar com ele porque querem mesmo estar com ele e não que fosse algo que só lhes ocorre quando já estão a entrar para o carro. A ideia que me deu foi que a minha mãe achava que eu ia dizer que não e que portanto não precisava de pensar muito nisso. Mas nesse caso porquê ligar? Há coisas que nunca vou conseguir compreender.

Aliás, à s vezes manda o meu pai ligar porque acha que se for ela eu digo que não mas se for o meu pai já digo que sim. Não sei onde foi buscar essa ideia, mas ok. A última vez que fez uma destas foi a semana passada – o meu pai liga a dizer que estão a sair para à‰vora e se quero ir com o Tiago. O que raio é que lhes passa pela cabeça? Sim, vou mesmo meter-me no carro com o miúdo durante horas assim sem mais nem menos. Enfim.

Preparei o Tiago o mais depressa que pude e a minha mãe veio buscá-lo. Esperava que regressassem à  hora de almoço mas à  uma da tarde liga a minha mãe a dizer que estão no fórum, porque resolveram ir ter com o meu irmão, e se devia dar sopa ao Tiago porque já estava na hora dele almoçar. O que raio é que eu podia dizer? Ela já tinha alterado o plano, resolvendo ir para outro lado em vez de trazer o miúdo a casa. A única coisa que me preocupou nesse momento foi o facto do Tiago ter de comer portanto disse que sim, claro, vê lá se ele come sopa. Sei que é muito complicado convencer o Tiago a comer por isso esperei que o viessem trazer pouco depois para ele almoçar o resto em casa.

Passaram-se duas horas. Voltei a ligar. Estava a mudar a fralda e vinha já.

Apareceram à s 3 e meia da tarde. O Tiago vinha sem calças – apesar do vento e de ter uma muda de roupa no saco – cheio de fome e sem ter dormido a sesta. Expressei o meu descontentamento mas é o mesmo que falar com uma parede.

Acho que nunca serei capaz de comunicar com a minha mãe porque as nossas personalidades são demasiado diferentes. Para ela está sempre tudo bem, corre sempre tudo bem, não é preciso planear ou prever nada. Eu gosto de saber o que me espera, dentro dos possà­veis para poder aproveitar bem o pouco tempo que tenho e ter a certeza que não escapa nada importante. Acho que ela já ganhou o direito de fazer o que lhe apetece mas gostava que fosse capaz de respeitar a forma como eu faço as coisas, especialmente no que diz respeito ao Tiago.

Nós sempre tentámos manter uma rotina estável na vida do Tiago e acho que isso tem sido benéfico porque há muito que ele dorme toda a noite, evitando assim que passe os dias rabujento. A sesta é igualmente importante para que ele esteja acordado o suficiente à  hora do jantar. Quando há um dia em que não consegue dormir a sesta na escola passa o resto do dia insuportável e quando nos sentamos para jantar e ele tem muito sono já não come nada. Mas a minha mãe parece achar que ele já está crescido e não precisa de sesta para nada. Acha que tudo isto é paranoia da minha personalidade controladora (que não é inteiramente incorrecto – sou de facto control-freak mas faço as coisas por um motivo lógico).

A questão aqui é que o Tiago é meu filho e como tal eu tenho o direito, enquanto ele está a crescer, de decidir como tomar conta dele e gostava que ela conseguisse respeitar isso em vez de agir como lhe apetece à  espera que ninguém repare que está a ignorar completamente tudo aquilo que foi acordado e aquilo que sabe que eu considero importante.

Para além disso parece que é incapaz de se lembrar que eu podia ter outros planos. Fui obrigada a ficar em casa o dia inteiro à  espera dela, tive que dar o almoço ao Tiago à s 4 da tarde, ele ainda foi dormir a seguir e só acordou quase à  hora de jantar o que nos impediu de sair de casa um bocadinho que fosse. É o problema das pessoas egocêntricas. O mundo gira à  volta delas e o resto que se lixe.

Sei que nada disto é assim tão importante e a razão pela qual estas coisas me irritam é impossível de explicar coerentemente. Vem de anos e anos de atrasos, imprevistos, esquecimentos e promessas quebradas, pequenas coisas que somadas deram origem a uma desconfiança constante que infelizmente parece continuar a ser justificada.

Finalmente sol

Depois de uma semana em casa com o Tiago, que estava doente mas felizmente andou muito bem disposto, o maior inconveniente foi o tempo. A semana esteve toda cinzenta e não deu para levar o Tiago a passear.

Finalmente, na sexta feira o tempo melhorou e fomos passear os dois. Resolvi arriscar e deixar o carrinho em casa e correu tudo bem. Fomos de metro e depois a pé até ao jardim para o Tiago andar de escorrega. Pediu colo uma ou duas vezes pelo caminho mas a maior parte do tempo até foi a andar.

Quando chegámos ao parque infantil, o escorrega estava cheio de areia. Eu comecei a tirar a areia do escorrega para o Tiago e outra menina pequenina que lá estava poderem descer e a resmungar sobre o imbecil que fez aquilo. Os restantes miúdos mais crescidos que andavam por ali aparentemente sentiram-se responsáveis pela confusão e desapareceram rapidamente. É natural que os miúdos queiram brincar e nem sempre se apercebam que estão a impedir os outros de usar os equipamentos públicos mas também nunca é cedo demais para começar a perceber essas coisas.

A parte mais complicada foi quando o Tiago resolveu ir para o escorrega dos mais crescidos. Aquilo é um perigo e não o pude deixar subir porque tem aberturas laterais nas plataformas que estão a cerca de dois metros de altura e o escorrega é a pique. Acabou por trepar uma espécie de gaiola de ferro e depois não conseguia descer e tive que o ajudar, tendo que enfiar os braços pelo meio dos arames e esticar-me toda para o conseguir por no chão sem ele cair.

Mas pronto, acho que de vez em quando ele precisa de experimentar umas coisas diferentes, nem que seja para se aperceber que há coisas perigosas e perder um bocado a teimosia de ir para ali. No entanto à s vezes ainda fico espantada com o que ele já consegue fazer e entre duas visitas a diferença em termos de capacidades  é enorme.

26 meses

No último mês as preferencias do Tiago tornaram-se bastante mais definidas.

No que toca a comida deixou mesmo de comer peixe mas gosta de almondegas, bifinho de vaca do lombo e carne de porco assada, apesar de nem sempre lhe apetecer. Deixou de comer sopa em casa mas na escola continua a comer e tem comido melhor desde que começámos a fazer um esforço para jantar à  mesa todos juntos, apesar de nem sempre funcionar.

Também deixou de comer fruta em papa passando a preferir maçãs, peras e bananas à  dentada. Não costumava gostar de bananas mas já começou a comer.

Uma alteração recente muito óbvia é que começou a brincar com outros meninos, mesmo mais velhos, sem se sentir intimidado. Vejo isso quando o levo ao escorrega e aparecem outras crianças. Tem alguma hesitação inicial e depois lá vai ele, com um grande sorriso, aceitando até algum contacto fà­sico com os outros, algo que até aqui era impensável. Na escola também notaram o mesmo portanto não é só quando está comigo.

Nos brinquedos, anda com uma preferencia obvia por comboios. Também gosta de carros mas os comboios é que são o delirio do momento. Já encaixa sozinho as peças da pista de carros, que têm encaixe tipo puzzle, mas é para fazer andar o comboio 🙂

Começou também a ver o Thomas the Tank Engine, que eu sempre achei que fosse uma seca mas ele gosta e passa o tempo a fazer sons de comboio.

Quanto à  televisão, continua fascinado com o Mickey e também gosta dos Little Einsteins. No entanto é bom ver que não fica horas agarrado à  TV. Mesmo que esteja ligada a manhã inteira ele só fica a ver o que lhe interessa e depois vai para o quarto brincar até ouvir o som de outro desenho animado que goste. É muito bom saber que já tem sentido crà­tico e não fica ali a aturar qualquer porcaria.

Como tem estado em casa esta semana, tenho tido mais tempo para o observar e é interessante notar que já brinca com mais intensão e que se concentra mais tempo em cada actividade antes de passar à  seguinte. Continua a gostar muito de desenhar com lápis de cor, de pintar, carimbar e brincar com plasticina e é sempre ele que decide quando é que lhe apetece cada uma dessas coisas.

Em termos de comunicação continua a ser principalmente não-verbal ou através de grunhidos, mas a mà­mica é muito expressiva e não deixa grandes dúvidas sobre o que quer.

No entanto, temos notado que já começa a dizer palavras novas e a imitar as palavras que nós dizemos assim como o que ouve na televisão. Já disse peixe, até logo e pera, não completamente articulados mas sem deixar dúvidas sobre o que estava a dizer.

Hoje fui buscar os carros que o Pedro tinha guardado de quando era miúdo e estive a dar-lhes uma boa escovadela com água e sabão para tirar o pó acumulado ao longo de anos. O mais giro é que o carro que o Tiago preferiu logo foi um de lata, daqueles mesmo antigos. Também temos uns robots de lata, daqueles que andam quando se dá corda, e ele gosta de brincar com aquilo por isso pode ter feito a ligação.

Ainda vou ter de escolher porque ele não precisa de 30 carros mas queria ver quais é que ele escolhia antes de guardar os outros.

A otite parece ter passado sem grandes problemas. Nunca mais voltou a ter febre e tem andado completamente normal e bem disposto. Só é azar que o tempo ande tão cinzento porque nem dá para o levar ao parque e acaba fechado em casa a semana toda.

A primeira otite

Ontem, quando fui buscar o Tiago à  escola, dei com ele muito choroso. Aparentemente esteve assim o dia todo e desconfiavam de dor no ouvido esquerdo.

De facto ele parecia mesmo doente e até fiquei espantada por não me dizerem nada mais cedo mas não estava inteiramente convencida que fosse o ouvido porque já tinham sugerido isso antes e não era nada. O Tiago tem o hábito de mexer nas orelhas quando tem sono e quando não quer que lhe mexam farta-se de gritar, o que nem sempre implica dor. Mas obviamente que fiquei preocupada e achei que ele devia ser visto o mais depressa possível.

Telefonei para a clà­nica da pediatra e perguntei se era possível uma consulta de urgencia mas disseram-me que estava tudo cheio e só com autorização da médica. Fiacaram com o meu contacto e esperei que ela ligasse. Entretanto levei o Tiago para casa, sentei-o no sofá a ver o Mickey para se distrair um bocado e fui vendo a temperatura e tentando examinar a zona do ouvido para ver se se queixava. Não se queixou e comecei a achar que não devia ser o ouvido afinal. No entanto, por volta das cinco e meia a temperatura começou a subir.

à€s seis ele já se estava a queixar muito outra vez e como a pediatra não ligava optei por lhe dar um benuron. Pouco depois ele deitou-se no sofá e acabou por adormecer. Dormiu duas horas e nada de telefonema.

A pediatra acabou por ligar já depois das oito da noite, quando já tinha saido do consultório. Eu por esta altura já achava que ele estava só com uma gripe mas fiquei de marcar consulta se por acaso ele voltasse a queixar-se dos ouvidos.

à€ hora de jantar o Pedro voltou a fazer o teste de por-lhe o dedo no ouvido e, se no lado direito ele não reagia, no lado esquerdo queixava-se de facto. Resolveu ligar aos meus sogros que vieram imediatamente ver o ouvido do Tiago e comprovaram que de facto está todo vermelho. Receitaram antibiótico que o Pedro foi comprar à  farmácia de serviço (como sempre) e ainda tomou a primeira dose ontem à  noite.

Durante a noite fomos vendo se voltava a ter febre mas não passou dos 37. Só já de manhã, depois de comer e tomar o antibiótico é que a temperatura voltou a subir. Dei-lhe o Brufen e ele em estado bastante bem disposto toda a manhã.

No meio disto tudo o mais chato é que fomos arranjar uma pediatra para os avós não terem de ser os maus que andam sempre a ver os ouvidos e a garganta e acabaram por ter de o fazer à  mesma. Já percebi que ligar para a clà­nica não adianta e da próxima vez tenho que ir logo para lá e acampar na sala de espera até o miúdo ser visto. É que uma coisa é ser uma mãe histérica que está sempre caà­da no médico sem razão, mas deixar o miúdo em sofrimento um dia ou dois quando isso é desnecessário também não é correcto. Là  porque é o primeiro dia de sintomas não quer dizer que não valha a pena tirar a dúvida.

Enfim, lá fica o Tiago em casa mais uma semana. Aposto que vai chegar montes de trabalho só para dificultar as coisas…

– Doces em FimoDoces em Fimo

Cake earringsDesde miúda que gosto de casas de bonecas com todos aqueles fantásticos pormenores em miniatura. A comida, e especialmente os doces, sempre foram das minhas miniaturas favoritas e como tal sempre quis experimentar fazer algumas.

Depois de passar uns dias a brincar com a plasticina do Tiago resolvi finalmente agarrar no caderno onde tenho vindo a acumular esboços de ideias e comecei a moldar algumas peças em Fimo. Já tinha todos os materiais necessários e ferramentas mas pouco tinha experimentado até aqui a não ser para fazer algumas contas e anéis relativamente simples. Este tipo de miniaturas realistas dão muito mais trabalho mas também são um gozo de fazer.

O resultado está no Flickr e algumas peças também já estão na loja.

Agora ando ocupada com outros projectos mas assim que puder ainda tenho mais umas ideias para acrescentar à  lista.Cake earringsDesde miúda que gosto de casas de bonecas com todos aqueles fantásticos pormenores em miniatura. A comida, e especialmente os doces, sempre foram das minhas miniaturas favoritas e como tal sempre quis experimentar fazer algumas.

Depois de passar uns dias a brincar com a plasticina do Tiago resolvi finalmente agarrar no caderno onde tenho vindo a acumular esboços de ideias e comecei a moldar algumas peças em Fimo. Já tinha todos os materiais necessários e ferramentas mas pouco tinha experimentado até aqui a não ser para fazer algumas contas e anéis relativamente simples. Este tipo de miniaturas realistas dão muito mais trabalho mas também são um gozo de fazer.

O resultado está no Flickr e algumas peças também já estão na loja.

Agora ando ocupada com outros projectos mas assim que puder ainda tenho mais umas ideias para acrescentar à  lista.

Mais uma reunião de condomà­nio

No espaço de um mês esta já é a quarta reunião de condomà­nio do prédio. A primeira foi porque os inquilinos não estavam satisfeitos com o trabalho da empresa que geria o condomà­nio e resolveram votar acabar com o contrato e quem é que os iria substituir. A segunda foi para os mandar embora. A terceira foi para eleger oficialmente o substituto e decidir o que era preciso fazer este ano e a quarta foi ontem.

Como o Pedro foi à s 3 primeiras para ter a certeza que o problema da chaminé ficava como prioridade ontem fui eu. Agora que as reuniões são só vizinhos a discutir uns com os outros, tornaram-se brutalmente longas e muito pouco eficientes. Acaba por se votar a mesma coisa duas e três vezes e ninguém se entende.

Ontem ficou decidido que se vai avançar com a obra das chaminés, partindo os andares todos um a um para trocar os actuais tubos de plástico por tubos novos. Vai ser coisa para durar o resto do ano, se ficar pronto este ano e entretanto continuamos em risco de um dia destes morrer intoxicados. Mas pronto, se se fizer já não á mau.

Entretanto as vizinhas de baixo continuam a moer-me o juizo com a história da infiltração. Uma diz que tem a parede amarela mas que parece seco e a outra tem fungos e uma mancha amarela no sí­tio do tubo de esgoto do prédio mas continua a insistir que vem de cima porque não quer voltar a partir a sua casa de banho. Pelo meio recusa-se a admitir que quem lhe fez a obra era nabo porque devia ter partido ali para confirmar se havia ruptura e também se recusa a admitir que me mentiram descaradamente dizendo que não havia canos naquele sí­tio. Ainda por cima receberam quase 500 euros do meu seguro, que era para estucar e pintar a parede, e em vez disso meteram uma placa de pladur que deve custar uns 50 e usaram o resto para pagar a remodelação que decidiram fazer porque lhes apeteceu.

Ontem aproveitei para esclarecer a questão o mais que pude mas estas pessoas vivem na sua cabeça e estão completamente em negação. Por mais lógicos e racionais que sejam os argumentos a reação é sempre meter os dedos nos ouvidos e gritar ‘lalala não fui eu’ (metaforicamente falando, claro).

Pelo menos deixei claro que enquanto não me provarem que o problema vem mesmo da minha casa não parto nada e agora façam o que entenderem.

Com tudo isto cheguei a casa bastante depois da meia noite, muito irritada e sem tempo para me sentar um bocadinho a acalmar.

Odeio ter vizinhos.

– Food miniature earrings

– Ever since I was a little girl I’ve loved doll houses. And the part that fascinated me the most was the miniature food. A few years ago I finally bought a proper doll house kit that I built and decorated. Some of the first things I bought were a miniature pie, bread and a plate of cakes.

When I was in college I tried to make some miniature food but I didn’t have the patience or skill to do it properly. Over the years I’ve seen some amazing work in polymer clay and have learned a few things myself so I decided to give it another try. I had some projects in my sketch book for some time so I opened it up and started sculpting.

This time I had the full range of colours and all the necessary tools, down to the pasta maker, so it went a lot more smoothly and the end result was so satisfying that I kept making more pieces.

Instead of dollhouse pieces I turned these items into earrings because that way it becomes something you can actually wear instead of something you just look at once in a while.

I still have quite a few sketches left so this is only the beginning.

Mesa de cabeceira

Os dias em que a Augusta vem limpar a casa são sempre um bocado estranhos. Primeiro porque passo grande parte do tempo a arrumar a casa porque acho que ela não tem nada que andar a apanhar brinquedos do chão para conseguir aspirar. Limpar é o trabalho dela mas ter a casa arrumada o suficiente é o meu. E depois porque ao fim do dia algumas coisas estão em sí­tios ligeiramente diferentes do sí­tio onde estavam de manhã.

Isso faz-me olhar para a minha casa de fora, como se fosse de outra pessoa. Perde um pouco aquela familiaridade que me faz olhar para certas coisas sem as ver porque estou tão habituada a que estejam ali.

Acabo por ver certas zonas como se fosse outra pessoa e ponho-me a pensar o que é que coisas como a minha mesa de cabeceira, por exemplo, dizem de mim. A mesa de cabeceira é uma zona muito pessoal da casa. É o sí­tio onde deixamos os objectos que nos dão conforto, que não nos importamos de ver antes de adormecer. Neste dia reparei que tinha na mesa de cabeceira um frasco de vitaminas – vazio porque senão estaria fechado na gaveta para o Tiago não se por com ideias – e uma série de livros: um livro de Sudoku quase terminado, um da Ruth Rendell chamado A sleeping life, o Frankenstein da Mary Shelley que ando para ler há meses mas nunca mais começo e dois do Neil Gaiman – o Graveyard Book que estou desejosa de começar e a BD dos Eternals que o Pedro comprou e eu resolvi experimentar a ver se gosto. Não é de facto muito variado ou interessante mas são tudo items que estão ali por uma razão muito especà­fica e que dizem algo sobre mim.

Quando vamos a casa de alguém examinamos as fotografias, quadros, livros, etc e isso ajuda-nos a esboçar um perfil da pessoa. Mas não conseguimos fazer isso na nossa própria casa. Quanto muito escolhemos certas peças para destacar na esperança que passem a imagem que queremos mas nunca podemos ter a certeza se isso funciona. As pessoas que nos visitam podem só reparar que a mesa onde colocámos aquela jarra está riscada ou que está um gato a dormir na almofada que colocámos na cadeira. É mesmo assim.

Pessoalmente nunca me dei ao trabalho de decorar para os outros, até porque raramente temos visitas. A nossa casa é colorida porque gosto de cor e tenta ser prática, com muita arrumação para os quilos de livros e DVDs que acumulamos. Nunca está inteiramente arrumada (e menos ainda desde que o Tiago começou a espalhar brinquedos por todo o lado) mas é uma casa habitada, não é uma foto de revista.

Temos montes de instrumentos que não tocamos tanto quanto gostarà­amos, uma passadeira onde ninguém faz exercí­cio há 6 meses a ocupar espaço na sala e 5 ou 6 computadores debaixo da secretária.

O que é que isso quer dizer? Que temos mais entusiasmo do que persistencia e mais boa vontade do que tempo. Fora isso não sei.

Livro

Fui convidada por uma editora Americana a participar num livro de artesanato. Não há qualquer espécie de garantia que algum dos meus projectos acabem no livro mas tem sido muito giro fazê-los e estou bastante entusiasmada com a ideia.

Para quem está habituada a lidar com a forma de fazer as coisas à  Portuga, em que o nosso trabalho é todo para ontem mas depois os clientes podem passar semanas a aprovar uma coisa, e em que os prazos e especificações nunca são bem definidos, este projecto está a ser uma maravilha porque está tudo bem estruturado, datas definidas para cada passo e grande clareza de detalhes no que é pedido.

Como estou à  espera de feedback do trabalho de webdesign do momento, tenho tido tempo para me dedicar aos projectos para o livro e parece estar a correr bem.

Jantar de irmãos

No sábado fomos jantar a casa do meu irmão. Foi um jantar de irmãos e sobrinhos – porque estavam lá também a irmã da Ana, o marido e a filha Raquel que tem aproximadamente a idade do Tiago.

Foi giro porque nós andámos doentes durante tanto tempo que não os via desde o aniversário do meu irmão. O Gabriel está muito giro, super simpático e sorridente.

A Raquel também está muito crescida desde as última fotos que vi e tem uns olhos lindissimos. Esteve a ver-me arranjar um colar da Ana e ia dizendo ‘meu!’ mas de uma forma nada agressiva – estava mais a ver se eu concordava com ela e a deixava brincar. Acabei por deixá-la por o colar e andou toda vaidosa pela sala 🙂

Isto de ter uma menina tem de facto algumas diferenças. Acho que se me conseguissem garantir que tinha uma rapariga a seguir começava já a tentar amanhã 🙂

O Tiago não jantou grande coisa mas já tinha comido sopa em casa por isso deixei-o petiscar o que queria. Tem vindo a desenvolver as suas preferencias alimentares e parece gostar muito de coisas que eu nunca seria capaz de prever, como azeitonas e cogumelos. Por outro lado não achou piada nenhuma a pizza das várias vezes que já tentámos (porque em teoria é daquelas coisas que os miúdos costumam gostar e ele adora pão). Só come a codea. O resto nem toca. Mas gosta de almondegas e passou a gostar mais de arroz do que massa. Também começou a comer fruta à  dentada, deixando definitivamente a fruta passada.

É claro que os doces continuam a ser os preferidos e veio logo para o colo quando a Ana me deu uma fatia de tarte de amendoa.

O mais interessante foi o ataque de ciúmes do Tiago quando me viu pegar no Gabriel. Veio choramingar e pedir colo apesar de estar ao colo do pai. Isto de partilhar a mãezinha com outro bebé não pode ser nada.

Com a Raquel teve uns momentos um bocado desagradáveis em que estavam a competir por um brinquedo ou porque ele queria fechar a porta e ela queria passar. Tive de ralhar com ele algumas vezes, sem grandes resultados práticos até acabar por ter que o levar embora para outro sí­tio porque ele não parava de abrir e fechar a porta, à s vezes com os dedinhos muito perto de serem entalados. Esta idade é de facto muito cansativa, apesar de todas as coisas boas que tem.

Voltámos para casa por volta das 11, altura em que os miúdos estavam já todos a ficar com muito sono.

Rufia

Ontem à  noite ficámos muito felizes porque o Tiago fez xixi na sanita cá em casa. Na escola já usou o bacio diversas vezes mas cá em casa recusa-se, mas achou piada ao redutor da sanita e lá foi ele. Hoje de manhã já não queria outra vez por isso vamos ver se não foi só pela novidade.

Quando o fui buscar à  escola estava a ser repreendido. Parece que começou a bater nos bebés mais pequenos. Quando se aproximam ele começa a empurrá-los e a dar palmadas. Não gostei nada disso. Ainda por cima ontem veio a avaliação da professora de dança que diz que ele se isola e recusa a fazer actividades com os outros. Sei que ele ainda é novo mas acho que há aqui um traço de personalidade que vai ser difà­cil de contornar.

Por outro lado também já o vi a brincar com um dos colegas muito divertido, por isso não sei se é uma fase ou algo que mereça preocupação. Com os pais que tem é natural que exista ali uma tendencia para o anti-social e o loner mas custa-me ver isso tão cedo. Do que me lembro da infancia até era bastante sociável e só na adolescencia me tornei mais cà­nica e desconfiada. Se o Tiago começa logo assim não sei bem o que vai ser daqui a uns anos.

A educadora diz que gosta de meninos que se saibam defender, porque ao principio ele não reagia quando lhe andavam a morder. Mas isto é diferente: é procurar o mais fraco para descarregar. Não gosto de bullies e não gostava nada de ser responsável por criar mais um. Por outro lado tenho que admitir que prefiro que ele bata do que leve, mas ao menos que bata nos da idade dele.