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A pequena aranha

Desde que o Tiago nasceu que lhe canto algumas músicas infantis como forma de o entreter. Normalmente são em inglês, porque são as versões que conheço – não é que não conheça algumas músicas ‘infantis’ em Português mas recuso-me a cantar sobre coisas como tentar matar gatos à  paulada e outros temas igualmente descabidos que são tão frequentes nas nossas músicas populares. Tinha noção que coisas como Twinkle twinkle little star e Itsy bitsy spider deviam ter versões em português mas não conhecia nem me tinha ainda dado ao trabalho de procurar.

Há algum tempo o Tiago começou a aprender essas versões em Português na escola e começou a resmungar quando eu cantava em inglês. Tentei então descobrir as versões que ele conhecia. O ‘Twinkle twinkle little star’ passou a ‘Brilha brilha lá no céu’ e é relativamente inofensiva, mas a letra da música da aranha é completamente descabida porque, para além de uma construção frásica estranha, com palavras que não encaixam no ritmo, consegue também não rimar em lado nenhum. Ora, um dos objectivos destas melodias simples é precisamente ensinar rimas aos miúdos e neste caso era tão simples que esta versão só me faz pensar em ‘2 macacos, cinco minutos’.

Pela construção frásica parece-me que esta versão é brasileira e foi adoptada pelos portuguese por mera questão de preguiça. Mas o facto de não fazer o mà­nimo esforço para rimar ou ter o número correcto de sà­labas por frase irrita-me tanto que resolvi apresentar alternativas (que ando a tentar impingir ao meu filhote a ver se pegam).

Então vejamos, a letra mais comum em inglês é assim:

The itsy bitsy spider went up the water spout.
Down came the rain, and washed the spider out.
Out came the sun, and dried up all the rain,
and the itsy bitsy spider went up the spout again.

A letra que encontrei em português e que parece ser a geralmente utilizada é assim:

A dona aranha subiu pela parede
Veio a chuva forte e a derrubou
já passou a chuva e o sol já vai surgindo
e a dona aranha continua a subir

As minhas propostas são as seguintes:

Primeiro uma versão que altera o mà­nimo indispensável da versão já conhecida para facilitar a vida à s crianças que já a decoraram:

A pequena aranha subiu a parede
Veio a chuva forte que a derrubou
Já passou a chuva e o sol chegou
A pequena aranha a subir voltou

E depois uma versão que permite rimar também a primeira frase, para não destoar das restantes e com uma terceira frase mais parecida com a versão inglesa:

A pequena aranha a parede trepou
veio a chuva forte que a derrubou
O sol chegou e a chuva secou
A pequena aranha novamente trepou

Uma vez que a terminação de cada frase é semelhante, isso permite juntar as diversas frases propostas como agradar mais a cada um até se chegar a uma versão final. Have fun.

E pronto. Sinto que cumpri o meu dever educacional do dia.

Gravidez: semana 31

Agora é que começa a custar. Já está calor e já acordo cansada de manhã pelo que passo os dias com vontade de voltar para a cama. Mas se tento deitar-me não consigo dormir porque fico com o nariz entupido ou outro desconforto qualquer.

Graças à s obras, em vez de descansar mais tenho andado mais. Vou levar o Tiago à  escola e depois vou até à  casa nova tirar fotos antes de voltar tudo para trás, o que dá mais meia hora de percurso do que o normal. Como ainda por cima vou carregada com a máquina fotográfica e outras coisas que sejam necessárias – ontem voltei com dois sacos de compras do pingo doce, por exemplo – estou a fazer muito mais esforço do que até aqui.

Exercà­cio é bom, e sem dúvida é melhor do que estar em casa sem me mexer o dia todos, mas ter de carregar com coisas e fazer um esforço extra não é nada fácil nesta fase.

à€ noite continuo a acordar constantemente porque o Tiago continua a levantar-se por volta das 2/3 da manhã para vir dormir connosco e depois passa o tempo a bater-nos com os braços ou pés. O miúdo saiu com uma dose de sonambolismo herdada do pai e portanto, para além dos movimentos normais que todos fazemos durante a noite também fala no sono e à s vezes chega mesmo a sentar-se na cama apesar de estar a dormir. É muito cansativo para ele e para nós que estamos constantemente a acordar para tentar perceber o que se passa.

E por fim, como passo a manhã a lidar com questões relacionadas com a casa – ainda hoje fui buscar os papeis que faltavam: caderneta predial em nosso nome, pedido de isenção de IMI, mudança de morada fiscal, etc. – durante a tarde tenho que tratar das tarefas domésticas que costumava fazer de manhã – lavar roupa, arrumar a cozinha, limpar o caixote dos gatos – ficando com muito pouco tempo para fazer seja o que for fora das obrigações. Vão ser dois ou três meses lixados.

Felizmente estou entusiasmada o suficiente com a obra para não ficar aborrecida com nada disso. Sinto-me sempre melhor quando tenho um objectivo, mesmo quando dá trabalho.

Aprovação filial

No sábado à  tarde fomos à  casa nova com um dos empreiteiros que nos fez orçamento para rever pormenores e alterações. Esperamos receber brevemente o orçamento final para se começar a partir aquilo tudo. Estou desejosa 🙂

Levámos o Tiago. Não sabia como ele ia reagir e estava um bocado preocupada porque a casa está tão cheia de tralha que sabia que ia ter de andar atrás dele o tempo todo para que não mexesse em nada perigoso. A reação do Tiago não podia ser melhor. Quando chegou ao terraço até deu uma gargalhada e passou o resto do tempo a correr em circuito à  volta da casa todo feliz. Está aprovada.

No domingo de manhã voltei à  casa para revisão do outro orçamento e agora vai ser roer as unhas até receber as propostas revistas, sempre com esperança que não demore muito, porque até conseguirmos mudar-nos e vender esta casa vamos estar a gastar mais do que ganhamos, o que nunca é bom para a situação financeira. Pagar uma casa, OK. Pagar duas, só mesmo para quem tem muita massa. Se fosse só o empréstimo tudo bem mas é sempre mais o condomà­nio, os seguros e agora o IMI desta casa que deixa de ter isenção.

Mas continuo muito optimista e entusiasmada com o projecto e acho que a casa merece. Tem muita luz e espaço e consigo ver-me a viver ali até deixar de conseguir subir as escadas de entrada ao prédio. E mesmo nessa altura monta-se uma daquelas cadeiras elevador e está resolvido o problema 🙂

Pacatês

Os desenvolvimentos do Tiago nos últimos tempos têm sido principalmente ao nà­vel da imaginação e memória, especialmente quando relacionada com a linguagem. Começou a memorizar e repetir histórias e canções e nota-se que faz um esforço por decorar porque tenta imediatamente repetir aquilo que lhe lemos.

Decorou muito rapidamente o livro da tartaruga que quer dormir e gosta tanto daquilo que até já levou o livro para a escola para mostrar.

Gosta muito da música do cuco, que por vezes tenho de por dezenas de vezes em repeat e já se sentou ao piano a tocar uma nota enquanto cantava uma das músicas que aprendeu na escola

Tem diversificado o seu gosto pelos filmes e programas de televisão que vê mas de vez em quando continua a ter preferencia pela repetição de uma determinada história que vê inúmeras vezes e depois reconta a qualquer pessoa que o oiça. A mais recente fixação é o episódio do Mickey em que o Donald se transforma num sapo. Passa tardes inteiras a brincar com um poço da colecção dos Estrumfes a recriar uma cena em que o sapo salta para dentro do poço e é preciso tirá-lo de lá.

Continua a preferir usar os carros como personagens das suas histórias mas também já brinca com alguns bonecos e começou a apegar-se a certos peluches, algo que até agora não lhe dizia nada. Gosta especialmente dos gatos, que abraça e diz ‘oh, que fofinho’ já que os gatos a sério não o deixam aproximar muitas vezes e decididamente não gostam de ser agarrados 🙂

Até aqui o Tiago via os seus desenhos animados principalmente em inglês, mas agora que está interessado em aprender o texto e já percebeu que tem escolha, começou a pedir para por em português. Eu desfaço-me a rir porque o que ele pede na verdade é para ver em ‘pacatês’, que sinceramente acho que liga perfeitamente com o espà­rito nacional 🙂

Mais recentemente corrigiu para algo tipo ‘porcoquês’ que já anda mais perto mas continua a ser divertido.

Mas a evolução que me deixou mais espantada foi a forma como o Tiago começou a conseguir usar o rato e a jogar sozinho jogos no computador. Tem um preferido em que tem de apontar e disparar uma bola até acertar em todas asz bolas do ecran e passa nà­vel atrás de nà­vel sem qualquer espécie de ajuda. Eu sabia que aos 3 anos os miúdos davam um grande salto mas não esperava que fosse assim tão de repente. Agora só lhe falt aprender a usar o comando da PS3 🙂

Outra vez a vomitar

Na noite de quarta feira acordei com o Tiago a tossir e depois a vomitar. Eram cerca de 4.30 da manhã e lá fomos nós tentar acalmar a criança. O Pedro levou-o a lavar a boca enquanto eu limpava o chão – o miúdo já vomitou tantas vezes que já aprendeu a vomitar para o chão em vez de na cama. Voltámos a deitar-nos e umas horas mais tarde lá vinha o Tiago para a nossa cama.

De manhã custou-me imenso a levantar mas lá consegui. Fui a única, porém, e acordar o Tiago foi uma luta. Depois não queria comer e teve de ser o pai a dar-lhe a papa à  boca, e finalmente recusou-se a vestir-se e foi uma gritaria pegada e só foi possível terminar a tarefa vestindo-o à  força, algo que já não acontecia há bastante tempo.

Lá o levei para a escola, ainda a berrar:

– quero água!

– sim, bebes quando chegares à  escola

– quero xixi! (terceiro da manhã)

– já fazes quando chegares à  escola

– quero gotas (nos olhos porque tinha estado a esfregar os olhos e pensámos que tivesse entrado alguma coisa mas no final recusou-se a colaborar)

– Agora já não pode ser mas tenho aqui na mala e pomos quando chegares

– Quero casaco!

– Já não está frio para casaco

– Tenho frio! Tenho frio!

Enfim, isto continuou durante metade do caminho, com o Tiago sempre a tentar acertar em qualquer coisa que me fizesse voltar para casa. Na escola começou a dizer que queria voltar para casa mas lá acabou por colaborar e trocar de sapatos, etc.

Pouco depois de voltar para casa recebo um telefonema a dizer que o Tiago tinha vomitado. Raios! Começámos logo a pensar que se calhar estava doente e que toda a fita da manhã teria sido porque se estava a sentir mal mas não consegue ainda dizer o que se passa. Lá voltei à  escola para o ir buscar.

Passou o dia perfeitamente bem disposto, sem voltar a vomitar e apesar de não ter comido tão bem como é costume também não esteve propriamente sem comer. Não quis estar sentado a comer o almoço ou o jantar mas foi comendo torrada, iogurte, fruta, pã com manteiga de amendoim, chá, etc.

Como não teve febre nem mais vómitos nem qualquer sintoma novo, hoje foi para a escola novamente e já não houve problemas. Acho que deve ter sido o problema do costume – acumulação de expectoração no està´mago juntamente com uma grande birra dá muitas vezes vómitos.

Jantar com muita birra

No sábado fomos jantar a casa dos meus sogros para celebrar o aniversário do pai do Pedro. O Tiago tinha passado o dia bem disposto mas sem dormir sesta, como vai sendo habitual ao fim de semana. Por qualquer razão, quando chegámos a casa dos avós o Tiago recusou-se a entrar, começou a fazer beicinho e depois de ser finalmente arrastado para dentro de casa passou a próxima meia hora agarrado à  porta a chorar e a berrar ‘quero ir para casa!’.

Foi toda a gente jantar, porque andar de volta dele só fazia pior, e mesmo assim demorou um bocado até ele se acalmar e ir finalmente à  procura de um brinquedo para se entreter. Sentar-se à  mesa connosco é que nem por nada. Andou a fazer show pela sala, pediu para ver um desenho animado e brincou com o carrinhos. A certa altura lá consegui convencê-lo a sentar-se à  mesa e comer um bocado de frango – fui mostrar-lhe uma batata frita e ele seguiu-me até à  sala tipo cãozinho – mas não se pode dizer que tenha comido muito.

Quando chegou a altura de voltar para casa já tinha mudado de ideias e foi outra birra para sair. Por essa altura eu já estava a cair de sono e voltei sozinha para casa enquanto o Pedro ficou com o Tiago que resolveu que agora é que queria comer o frango – já aprendeu que se pedir comida, água ou bacio normalmente não dizemos que não e consegue assim adiar as coisas. Quando finalmente voltaram para casa o Tiago vinha novamente a berrar e foi uma complicação para o meter na cama. Estava com demasiado sono para ser possível negociar com ele e o Pedro nem sequer conseguiu vestir-lhe o pijama.

Regresso do Pedro

O Pedro regressou de Austin na quinta feira dia 18, ao fim de mais um longo dia de viagem. Parece que se divertiu, apesar de ser uma viagem cansativa. Chegou de manhã cedo, apesar de para ele ser o meio da noite, e ainda voltou para a casa a tempo de apanhar o Tiago antes deste ir para a escola.

No geral a semana sem o pai correu bem e só na quarta feira é que notei o Tiago a tornar-se mais difà­cil. A reação mais estranha foi tamvez o facto de ter começado a fazer xixi nas calças na escola porque se recusava a ir à  sanita até ser tarde demais. Felizmente, depois de um fim de semana em casa com o pai, parece ter passado.

Depois de levarmos o Tiago à  escola fomos tomar o pequeno almoço e depois passámos na mobiliária para saber se havia novidades. A resposta era obvia e a situação já me começa a irritar um bocado. Tinhamos tudo planeado para ter as obras feitas antes do bebé nascer e por causa de uma dà­vida que o dono da casa só se lembrou de pagar depois de dizermos que queriamos comprar a casa já estamos com dois meses de atraso e os planos todos por água abaixo. Começa a apetecer desistir.

O Pedro estava estoirado mas não queria ir dormir para não tornar a adaptação ainda pior, por isso fomos fazer umas compras de presentes de aniversário – para o meu irmão, que eu não tive tempo de comprar a horas e para o meu sogro que fazia anos nesse dia.

De tarde fomos à  ecografia do segundo trimestre e parece estar tudo bem – os dedinhos todos, os orgãos todos onde deviam estar, o coraçãozinho a bater alegremente, nada de estranho.

Ainda tive de sair um bocado para comer qualquer coisa e andar para ver se a rapariga se virava porque não deixava ver o perfil. Levei montes de abanões e nada. Depois de um passeio e um gelado, lá voltámos e desta vez já deu para ver o que faltava e terminar a eco.

Depois fui buscar o Tiago e o Pedro lá acabou por adormecer durante um bocado.

Aniversário do mano

No sábado dia 13 o meu irmão fez anos. Como estava sozinha com o Tiago os meus pais deram-me boleia para poder ir à  festa.

Ao princà­pio o Tiago estava muito tà­mido e encolhido mas passado um bocado lá descontraà­u e passou grande parte do dia a correr no relvado, a que ele chamava ‘a selva’, sempre com um grande sorriso.O Rui, o miúdo mais crescido, demonstrou uma grande dose de paciencia ao passar imenso tempo a perseguir o Tiago, algo que ele adorou.

Eu passei grande parte do tempo atrás do Tiago para ter a certeza que não se magoava, mas ao fim de duas horas já não me aguentava em pé e tive que ir sentar-me um bocado. Como o sofá está ao pé de uma grande janela, conseguia ainda assim ficar de olho no Tiago para o caso de ser preciso alguma coisa.

Quanto ao relacionamento dele com o Gabriel achei uma diferença enorme em relação ao Natal – agora era o Gabriel que vai dar uma palmada ou empurrão no Tiago e o Tiago virava-se para ele com um ar muito sério e dizia ‘não se empurra!’ Acho que o filme Cars, com o carro verde que é o mau porque empurra os outros foi uma forma bastante eficaz dele aprender a lição 🙂

O Tiago continua um bocado nervoso ao pé dos cães, o que não é de espantar porque são bastante maiores que ele, mas esteve mais à  vontade do que da última vez.

O almoço estava bom, especialmente a tarte de espinafres, e o Tiago gostou muito da pasta de atum e adorou comer couscous pela primeira vez – dizia repetidamente ‘é parecido com arroz’.

A Ana emprestou-me umas roupas de grávida, que já não tenho nada da última vez, e emprestaram-me também o ovinho para o Quinny, para usar quando a menina nascer.

É interessante como as festas de aniversário do meu irmão passaram a ter tantas crianças de repente. Não há súvida que já somos a geração do passado 🙂

Festa

Depois de passar dois dias a limpar e arrumar a casa e a fazer os preparativos necessários para a festa do Tiago, ele passou a noite de sexta para sábado a vomitar. Começou à s 3 da manhã e só parou à s 6. Via-se que era obviamente a comida do jantar ainda por digerir e pensámos logo que seria um virus qualquer e que a festa teria de ser adiada.

Durante toda a manhã de sábado estivemos cuidadosamente a controlar o que ele comia mas não voltou a vomitar nem desenvolveu mais sintomas – nada de febre nem diarreia. A única coisa estranha era começar com uns soluços violentos cada vez que comia ou bebia algo mas não passou daà­.

Como ele até parecia bem disposto resolvemos manter o que estava programado e eu desatei a terminar os preparativos para ficar tudo pronto a horas. Pelo meio o Pedro teve que ir comprar uma nova máquina de lavar loiça porque a nossa, que há muito anda a dar problemas, ultimamente suja mais do que limpa a loiça que se mete lá dentro e eu fartei-me de vez.

à€s três e meia chegou o meu irmão e famà­lia e eu ainda de pijama a tentar acabar o paté e as sandes. A partir das 4 começou a chegar toda a gente e os últimos foram os meus pais que só chegaram à s 5. Por essa altura o Tiago estava já com uma grande cara de sono e resolvemos avançar com o bolo e as prendas para ver se ele ficava com um ar mais bem disposto. A principio recusou-se a soprar as velas, algo que costuma gostar muito de fazer, mas lá se dignou ao fim de muito encorajamento. Depois foi a vez das prendas que adorou, claro, especialmente os carros e camiões do ‘Cars’ para fazer companhia aos que já tem. Não largou aquilo o resto do fim de semana.

Eu passei quase o tempo todo à s voltas a ir buscar coisas, a arrumar, etc, e acabei por não ter muitas oportunidades de falar com ninguém, como é costume nestas coisas, mas acho que correu bem. Achei o máximo ao facto da situação entre o Tiago e o Gabriel se ter invertido desde o Natal. Desta vez foi o Gabriel (que tem ano e maio) que bateu no Tiago assim que chegou. O Tiago passou o tempo a proteger os seus carrinhos do primo, que obviamente estava curioso e também queria brincar, e cada vez que o Gabriel se aproximava o Tiago gritava pela mamã 🙂

Achei o máximo que a certa altura o Gabriel ia lá mesmo só por o dedinho em cima do carro para obter reacção – não estava a tentar agarrar nem nada, era mesmo só tocar com a ponta do dedo e o Tiago ficava logo em pânico. O mais giro é que quando o Gabriel se foi embora o Tiago disse que gostava do bebé, o que é precisamente o oposto do que eu estava à  espera. Eles têm mesmo muitos sentimentos contraditórios nestas idades…

Looney Tunes

Durante o fim de semana o Tiago andou a explorar algumas caixas de brinquedos em que não costuma mexer e encontrou uma sárie de brinquedos de que já não se lembrava e outros que nem sabia que tinha. Nesta segunda categoria estava um peluche do Tweetie, bastante grande, que lhe tinham dado quando era muito bebé. Como o peluche era maior que ele, nunca chegou a brincar com aquilo. Desta vez achou piada e depois de brincar um bocadinho, como é um miúdo esperto, já percebeu que se há um boneco o mais provavel é haver um desenho animado correspondente, mesmo que nunca tenha visto. Começou então a dizer ‘vamos ver o tweetie, mamã’. ‘Ver?’, perguntei eu. ‘Ver onde? ‘ ‘Na televisão’.

Então lá fomos à  procura de desenhos animados do Tweetie na colecção de looney tunes. Ficou encantado. Quando acabaram o pai experimentou por outros e ele adorou o road runner e passou o resto da noite a dizer ‘beep beep’ e a rir-se.

Já tinha experimentado mostrar-lhe estes desenhos animados antes, numa tentativa vã de desenjoar do Mickey e dos Einsteins mas não tinha funcionado. Desta vez parece que pegou. Pelo menos é algo que os pais também conseguem achar piada, o que não é nada mau.

The week so far

Depois de uma semana em que me pude mexer pouco, na segunda feira atirei-me à s tarefas domésticas. Tinha pilhas de roupa, a cozinha numa desgraça e ainda tinha que preparar as peças a levar para a loja de Lisboa e respectiva listagem. Depois de passar tanto tempo em inactividade e principalmente com receio que alguma coisa má acontecesse se fizesse um movimento mais brusco, soube bem ter um dia atarefado e produtivo.

Aproveitei o facto de ontem ser o único dia desta semana sem previsão de chuva para ir finalmente a lisboa levar umas peças novas e fazer o inventário do que foi vendido. Depois fui almoçar com o Pedro, o Filipe e a Marta e voltei para casa apenas a tempo de fazer uma curta visita à  casa de banho (a maldita bexiga das grávidas não perdoa) e voltar a sair para ir buscar o Tiago à  escola.

O Tiago parece alternar entre dias em que fica muito bem na escola e dias em que faz uma birra desgraçada. Ontem começou tudo muito bem – comeu, vestiu-se, etc – até ser altura de sair. O Pedro tinha-lhe oferecido na noite anterior um gel de banho em forma de Lightning McQueen, o seu carro favorito do momento, e o Tiago gostou tanto daquilo que não queria ir para a escola sem o levar. Como o carro é um frasco cheio de gel de banho, tal opção era impensável e foi uma luta para o convencer a sair de casa. Acabou por ir a berrar no elevador ‘carro grande! carro grande!’ e quando se apercebeu que não estava a funcionar mudou para ‘carro pequeno! carro pequeno!’. Apesar de já estarmos muito atrasados não tive coragem de o levar a berrar o caminho todo e voltei a casa para ir buscar o carrinho mais pequeno para ele se acalmar. Sempre era um compromisso que não fazia mal a ninguém a não ser ao horário.

Na escola, graças à  batalha ganha, ficou alegremente no seu cacifo a folhear u livro de gatos, com o carrinho na mão. Este ritual de ficar sentado no cacifo antes de ganhar coragem para entrar para a sala já dura à  umas semanas mas é melhor do que a berraria anterior.

Quando o fui buscar ao fim do dia é que foi mais complicado. Parece que deu luta o dia todo e comigo não esteve melhor. Estava ainda a comer, apesar dos outros meninos já se terem todos despachado porque se tinha recusadoa  a comer à  hora do lanche normal. Depois não queria sair da sala, não queria tirar os sapatos, não queria nada. Ameacei ir-me embora umas duas vezes e cheguei a sair da sala. Ele correu atrás de mim mas quando lhe disse que precisava de mudar de sapatos (porque tinha as sapatilhas de ginastica que usa na sala) voltou tudo ao mesmo. Acabei por mudar-lhe os sapatos sem colaboração e ele ficou tão irritado com essa tortura incrà­vel que desatou a berrar. Ainda tentou descalçar os sapatos outra vez e tive que lhe segurar os bracinhos para não conseguir. Com esta brincadeira toda demorei meia hora. Depois peguei nas malas e comecei a sair da sala outra vez. Aqui ele percebeu que já não ganhava mais nada e começou a pedir para vestir o casaco.

Saimos ao mesmo tempo que outro colega e assim que passou da porta parecia uma criança completamente diferente. Desataram os dois a fazer corridas muito sorridentes e não voltou a dar problemas até sair da escola. Estes wild mood swings infantis dão cabo de mim…

Hoje achava que ia ter um dia muito calmo, só a tratar da facturação, etc, mas a Augusta, que esteve de baixa dois meses, telefonou a perguntar se podia vir hoje. A casa, por mais que tente limpar, está a ficar um nojo tão grande que nem mo ocorreu dizer que não e passei o resto da manhã a correr de um lado para o outro a arrumar o mais que pude para as superfà­cies estarem limpáveis.

Tinha combinado ir a casa da Alex, por volta do meio dia, mas com isto tudo era meio dia e meia e ainda tinha que ir ao banco e aos correios enviar as facturas que tinha estado a emitir. Acabei por conseguir chegar pouco depois da uma e estavam à  minha espera para almoçar. O Mike tinha cozinhado uma sopa de peixe que estava bastante boa e eu levei uns bolinhos para a sobremesa. Eles têm uma casa muito parecida com a nossa mas que foi completamente remodelada, ao ponto de mudar a disposição da cozinha para outra zona – não sei como é que resolveram a questão da chaminé! – e ficou muito gira. Depois de ver a casa deles fiquei com mais vontade ainda de me atirar à s obras da nossa casa nova, apesar das dores de cabeça que sei que isso vai dar.

Foi bom ficar a conhecer melhor um casal muito simpático, visto que não posso dizer que tenha muitos amigos nem oportunidade de ver muitas vezes aqueles que tenho. Conhecer pessoas novas na minha idade é uma coisa relativamente rara e conhecer pessoas com quem é fácil conversar sem haver grandes momentos de tensão ou grande silencios desconfortáveis é ainda mais raro.

Quando cheguei a casa estava tudo virado do avesso, já que a Augusta trouxe a filha para ajudar. Enquanto uma estava a lavar a cozinha a outra ia aspirando e foi muito complicado encontrar um cantinho onde me pudesse sentar a dobrar roupa e depois a tratar da encomenda que tinha que preparar. Mas vai ser tão bom quando estiver tudo limpinho 🙂

Novas assinaturas

O dia não começou da melhor maneira. A Michelle ficou fechada no escritório a noite toda e fui dar com vómito debaixo da secretária. Estou a escrever isto 4 horas mais tarde e o cheiro ainda não desapareceu apesar de ter lavado tudo. Apetece-me borrifar o ar com lixà­via a ver se ajuda.

Depois foi o esperado com o Tiago. Deixou-me vesti-lo sem grandes fitas e nem estava a reparar no que estava a vestir mas quando olhou para baixo e se apercebeu que tinha a camisola do Spider-man desatou a chorar e não descansou enquanto não a tirei novamente. Como já estava à  espera nem pestanejei. Tinha esperança que se não fizesse grande alarido a coisa passasse, já que ele viu o fato ontem e até pareceu achar piada, mas parece que ele tem mesmo a quem sair no que diz respeito ao Carnaval 🙂

Meti o fato na mala e na escola que o vistam se ele deixar.

Depois não queria ir para a escola. Fomos de carro por causa da chuva mas assim que parámos em frente à  escola começa logo a dizer que quer voltar para casa. Acabei por ter que o deixar a berrar, ainda de casaco vestido e tudo, porque estava constantemente a dirigir-se à  porta, que já consegue abrir, para se ir embora. Para o ano não há carnaval a menos que ele peça claramente.

Eu e o Pedro fomos então ao banco assinar os novos papeis do empréstimo, já corrigido para habitação permanente. Agora vamos ver quanto tempo demora até a questão dos vendedores estar resolvida. Tenho a sensação que vão ser 4 meses.

Quando fui buscar o Tiago à  escola vi que tinham conseguido vestir-lhe o fato. Aparentemente aquilo que estava para além da sua tolerancia foi a parte de pintar a cara. Tenho de ver se tiro uma foto porque senão daqui a uns meses nem acredito.