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Maldito carnaval

Para começar tenho que dizer mais uma vez que detesto o carnaval. Durante a infancia, quando podia achar alguma piada ao assunto acabava todos os anos vestida com um fato de espanhola que já tinha sido da minha mãe quando o que queria mesmo era ser princesa, como é obvio.

Durante toda a adolescencia, quando já não via razões para achar piada ao assunto, a coisa piorou ainda mais e o carnaval passou a ser o tormento de conseguir ir de casa para a escola e fazer o caminho inverso sem levar com um ovo ou pior.

Assim que saà­ da escola e passei a ter um ar de quem já não tem idade para ser alvo a não ser ao passar distraidamente por baixo de alguma janela, nunca mais pensei no assunto até ter um filho que agora vai para a creche e volta para casa com notinhas a dizer ‘na sexta feira tenho que ir mascarado’. É o meu pior pesadelo a voltar e agora sou mesmo obrigada a colaborar, quer queira quer não queira.

Fui então hoje comprar o primeiro fato de carnaval do Tiago. Depois de entrar e sair de diversas lojas várias vezes sem me conseguir render e chocada com o valor absurdo de alguns fatos, especialmente considerando o material reles de que são feitos, lá acabei por comprar um do spiderman e umas orelhas do rato mickey para ter opções.

Depois passei hora e meia a fazer bainhas e a acertar o elástico da cintura (porque só encontrei um fato para cinco anos) enquanto pensava ‘nem acredito que estou a perder o meu tempo com isto’. Agora está a lavar na máquina – vamos ver se aguenta uma lavagem ou se sai da máquina sem desenhos.

O problema com tudo isto é que o Tiago detesta a ideia de se ‘mascarar’ tanto quanto eu e vai provavelmente recusar-se a por o fato. Escolhi aquele porque ele gosta do boneco e pode ser que até aceite, mas sinceramente estou a planear vesti-lo normalmente, levar o fato para a escola e deixar a educadora ter o trabalho de o convencer se estiver para isso. Good bloody luck.

Um bocado farta do inverno

Há muito tempo que prefiro o inverno ao verão. O frio dá energia enquanto que o calor tira qualquer vontade de fazer seja o que for. Infelizmente, nos últimos dois anos, os invernos têm sido penosos porque o Tiago está sempre doente. Nuna é nada muito grave mas não deixa de ser cansativo ter o miúdo de nariz a correr desde Outubro até Abril, com febre semana sim semana não, tosse constante e muitos dias sem poder ir à  escola.

A semana que passou foi exemplo disso mesmo. Na quarta feira começou com uma febre baixinha que foi subindo até chegar aos 40 na sexta à  noite. Sábado começou o antibiótico, que ainda está a tomar, e só fiquei convencida que estava mesmo sem febre na terça.

Ontem voltou à  escola com a birra habitual do menino que agora prefere mesmo é ficar em casa porque já não se lembra que até se diverte na escola. Assim que lhe disse que ia para a escola, só queria colinho e acabei por me esquecer de lhe dar o antibiótico e tive de voltar à  escola quando eles já estavam a almoçar. Felizmente consegui que ele não me visse e a educadora lá goi dar o xarope enquanto eu esperava.

Na escola fez uma grande choradeira e não queria largar o pai mas acabou por ficar e ao fim do dia já era o contrário: não queria voltar para casa. Em vez de mudar os sapatos e vestir o casaco, voltou para a sala e foi-se sentar no tapete para ouvir mais uma história. Eu lá esperei e finalmente acabou por colaborar sem mais fitas.

A semana foi então dedicada quase exclusivamente a babysitting. Fizemos bolos de plasticina que no fim vão ao forno de brincar, vimos muita televisão naquelas fases em que a febre subia e o Tiago não conseguia fazer mais nada – ainda tentava ir brincar mas acabava deitado no chão a abanar um carrinho para a frente e para trás, a sentir-se mal demais para se sentar sequer – brincámos com carros, lápis de cor, autocolantes, lemos livros e assustámos o boneco do Mickey inúmeras vezes com a pantera de peluche.

Devo dizer que brincar com o Tiago se tornou bastante mais simples nos últimos tempos, apesar de não poder sair do uarto sem ele vir imediatamente atrás de mim a convencer-me a voltar para trás. Coisas como ir à  casa de banho ou ir rapidamente ver o email são geralmente com companhia e perguntas tipo ‘o que estás a fazer?’.

A um mês do seu terceiro aniversário, o Tiago já diz muitas frases. nota-se alguma confusão quanto aos tempos verbais mas de resto faz-se entender muito bem. Geralmente tem tendencia para imitar aquilo que nos ouve dizer em vez de traduzir para a primeira pessoa, ou seja, ainda diz ‘faz tu’ quando quer dizer ‘faço eu’ e farto-me de rir quando se põe a queixar ‘doi alguma coisa!’ que é a pergunta que lhe faço quando está doente, mas depois responde o que doi quando pergunto.

Nos últimos dias tem dormido a noite inteira, excepto a passada noite em que voltou a acordar à s 4 da manhã e foi para a nossa cama. O pai anda a fazer exercí­cio todas as noites por isso estava demasiado pedrado para conseguir levar o Tiago de volta para a cama e ele não aceita que seja eu – a noite é do papá e manda-me muitas vezes sair do quarto quando é hora de dormir.

O Tiago já começou a ter paciencia e atenção suficiente para ver um filme de animação inteiro e seguir a história e nos últimos dias tem andado a ver os 101 dálmatas repetidamente. A repetição é uma caracterà­stica tà­pica das crianças e depois passa essa fase e ganha nova obcessão. Eu continuo a ser um bocado assim com algumas coisas, por isso compreendo perfeitamente – enquanto uma coisa nos diverte, porquê mudar?

A sopa

Há algum tempo que o Tiago declarou guerra à  sopa. De vez em quando come sem problemas mas a maior parte do tempo já nem tentamos dar porque fica toda no prato ou ele arranja maneira de entornar.

Ontem, por qualquer razão que não compreendi bem, pediu sopa e comeu sem problemas. Hoje já não queria mas consegui transformar a sopa numa coisa mais divertida e por isso está agora no segundo prato.

O truque foi muito simples: a sopa estava demasiado quente por isso deixei o Tiago por um cubo de gelo no prato e ele ficou fascinado a vê-lo derreter e já achou piada a comer a sopa depois, ou mais precisamente ‘comer a água’. De tal forma que quando acabou veio pedir mais sopa.

De facto basta um bocadinho de imaginação para dar a volta aos miúdos nesta idade…

Mais um fim de semana com o Tiago doente

No sábado o Tiago voltou de casa dos avós com febre. No domingo confirmou-se que tinha uma infecção na garganta e começou  a tomar antibiótico. Ficou em casa segunda e terça, em teoria por estar doente, para não ir infectar meis ninguém na escola, mas na prática já sem febre e com muita energia.

Por um lado o Tiago já brinca sozinho muito tempo, o que sempre vai dando para fazer o que é preciso, que hoje em dia implica todas as tarefas domésticas porque a Augusta foi operada e não vem há 3 semanas. Por outro lado, o facto de se recusar a dormir a sesta quando eu estou exausta (devido à  gravidez e ao facto do Tiago continuar a acordar todas as noites) e uma dor de cabeça persistente tornaram estes dois dias muito cansativos.

A terça feira foi mais fácil do que a segunda porque não me sentia tão cansada. Consegui passar mais tempo a brincar com o Tiago com mais dedicação e se não fosse a sua nova fixação com os desenhos animados da Hello Kitty, que tem uma música repetitiva e irritante que me dá vontade de furar os tà­mpanos só para não ter que a continuar a ouvir, não me podia queixar muito destes dois dias. É claro que a culpa é toda minha já que fui eu que arranjei os DVDs mas não esperava que ele ficasse tão viciado naquilo.

Ontem o Tiago voltou à  escola, mas depois de 4 dias a fazer o que queria, voltar ao horário foi complicado e estava completamente zonzo de manhã. Acho que nunca o tinha visto com tanto sono de manhã. Na terça deu luta para se deitar e acabou por ficar acordado até à s 11 da noite, o que explica o sono da manhã seguinte. Mas segundo a educadora até esteve bem disposto na escola.

Hoje já foi mais fácil. Ontem insistimos para ele ir dormir mais cedo e hoje acordei-o um pouco mais tarde e conseguimos chegar à  escola com uns miseros 10 minutos de atraso e um Tiago muito mais bem disposto.

Agora resta saber se a infecção passou completamente com o antibiótico ou se ainda volta.

Tiago, 34 meses

A dois meses dos 3 anos de idade, o Tiago mostra cada vez mais imaginação nas suas brincadeiras. Os carros e bonecos falam e relacionam-se e eu divirto-me imenso a observar, e sou muitas vezes chamada a participar.

Uma das brincadeiras envolve um autocarro e um boneco do Batman, que são muito amigos e brincam à  apanhada. O peluche do Mickey qye a tia Bela lhe deu no Natal tornou-se um dos seus grandes amigos. Tenho de ser eu a falar pelo Mickey e a mexe-lo, para dar um toque extra de realismo e como tal estou constantemente de serviço. ‘Agarra no Mickey, mamã’ é das frases que oiço mais hoje em dia.

O fogão que demos ao Tiago também tem lugar nas brincadeiras, principalmente porque acende luzes e faz o som de água a ferver. Ele gosta de ligar os sons dos brinquedos todos ao mesmo tempo, algo que por vezes me dá uma vontade enorme de fugir a gritar. Fora isso o fogão é raramente usado. O forno tem mais função como garagem do que como forno, mas também é cedo para este tipo de brincadeiras mais realistas.

Felizmente a fase mais terrà­vel de não se querer vestir de manhã parece ter passado e ultimamente as coisas têm corrido melhor.Com um misto de brincadeira, tipo ‘esconder o pé nas calças’, vai-se conseguindo colaboração no meio da teimosia. O contar até três também continua a ser eficaz quando a coisa não avança mas acho que não vai funcionar por muito mais tempo. Já noto uma resistencia maior.

O Tiago continua a demorar uma eternidade para comer e não sei muito bem como resolver isso. Não quero fazer muita pressão à  volta da questão da comida mas por vezes torna-se doloroso estar à  espera dele.

As noites continuam a ser o pior, com o Tiago a acordar diversas vezes e a acabar na nossa cama. Umas noites insistimos para ele voltar para o quarto mas outras estamos demasiado exaustos. Já aprendi a aceitar que é mesmo assim e quando não consigo dormir vou eu para o sofá da sala e deixo-o na minha cama. Na casa nova tenho de arranjar uma cama extra senão não me safo.

A linguagem continua a avançar lindamente e o Tiago já se faz entender muito bem e aprende palavras novas todos os dias e depois gosta de as usar. Está a começar a repetir também as expressões em inglês que nos ouve usar e é capaz de ser a altura ideal para introduzir uma segunda lingua, agora que ele já está mais à  vontade com a primeira. Ele já vê desenhos animados em inglês à  muito tempo mas responde em português pelo que não é claro quanto é que compreende.

Esta é também a idade para começarmos a ter muito cuidado com o que dizemos porque ele repete tudo e aprende rapidamente as expressões que ouve como provou um dia destes com o ‘ena pá, tanta luz!’ quando acendi a luz da casa de banho de manhã.

Em termos de comportamento, continua a ser muito teimosso e reage mal quando recebe uma ordem directa. Para conseguir que ele faça alguma coisa tenho mais sorte com um tom de voz doce do que com gritos, algo que para mim é muito difà­cil. Acabo por alternar entre os dois, o que o deixa bastante confuso mas acaba por funcionar à s vezes. É a técnica do ‘não estou zangada mas não me provoques’.

Como é esperto e já percebeu que passar o tempo a dizer ‘não’ não funciona, agora adoptou a técnica de se ir esconder debaixo da mesa, como se fosse brincadeira, quando quer atrasar – seja para vestir o casaco quando estamos a sair ou para ir lavar os dentes à  noite. Como o objectivo é ter atenção, a única coisa que funciona é deixá-lo em paz até desistir e depois insistir um bocadinho com ele. É mais rápido do que ralhar e ir atrás dele.

Reserva e vacina

Ontem de manhã fui à  imobiliária passar um cheque gordo para fazer a reserva do apartamento que queremos comprar. Depois de confusões com os orçamentos e muitas contas achámos que valia a pena tentar.

Agora estou à  espera de um telefonema que venha confirmar ou destruir as nossas expectativas. Estou com pouca esperança que a dona da casa aceite a nossa oferta e aposto que vai ser uma dança tipo ‘ah se fosse mais 5000 talvez’. Não sei se estou interessada em ir por aà­ porque, como está, já vai ser apertado durante uns tempos.

Espero que até ao final da semana a coisa se resolva, seja para que lado for.

Hoje de manhã levámos o Tiago à  tortura da vacina da gripe. É mais por minha causa, visto que estando grávida aparentemente fico logo em grupo de risco, o que para mim é muito estranho. Sou saudável e não tenho problemas respiratórios e de repente estou em risco? Que raio de doença mais estranha.

O Tiago chorou um bocadinho mas não fez a birra monstruosa que eu temia que fizesse. No geral até se portou bastante bem e passados dois minutos já estava alegremente a brincar na casinha que têm no posto de saúde. Depois não queria vir embora mas também não foi muito difà­cil convencê-lo. Será que os terrible twos estão a abrandar?

Hoje vou à  escola falar com a educadora do Tiago para saber como as coisas estão a evoluir. O miúdo é teimoso mas nunca mais tive os mesmos problemas a vesti-lo de manhã e anda bastante mais cooperante, pelo menos em casa. Se puder transformar as tarefas num jogo, como esconder os pezinhos nas calças, por exemplo, faz tudo com um sorriso nos lábios. Ordens directas continua a não gostar muito de ouvir, mas se for mesmo a sério e eu contar até 3 obedece. Está muito mais aberto a negociações, algo que só vem com a maturidade e a idade, e isso é optimo. Já começou a aceitar fazer certas coisas que não quer se lhe der argumentos racionais – coisas muito simples, claro, mas é um grande avanço.

Parece-me que estamos a chegar a um ponto de equilibrio finalmente e fico muito feliz por ver que a persistencia e consistencia funcionam.

Natal

Felizmente no dia 24 já me sentia um bocadinho melhor, apesar de continuar doente. Fomos para casa dos meus tios mais cedo do que é habitual para poder ver o meu irmão e famà­lia antes deles irem para Borba e trocarmos as nossas prendas.

O Tiago voltou a ter o comportamento habitual com o Gabriel e todos os meninos mais pequenos, que é empurrá-los assim que se aproximam demasiado. Não me parece que seja um empurrar por maldade. É mais um gesto de protecção para ele próprio porque na escola já foi mordido e empurrado e aprendeu finalmente a defender-se. O problema é que agora não deixa que ninguém se aproxime sem ter esse instinto de os afastar imediatamente. Não quer com isso dizer que não se note um certo gozo no facto de conseguir efectivamente afastar ou fazer cair os outros. O Tiaguinho gosta obviamente de se sentir grande e forte e não há forma melhor do que empurrar os mais pequenos. E os miúdos mais pequenos têm sempre uma atracção pelos mais crescidos mas não compreendem essa coisa do espaço pessoal. Como estão com pouco mais de um ano e ainda não se equilibram bem em pé, também é mais fácil irem parar ao chão.

Passadas umas horas, depois do Gabriel se ir embora, foi a vez do Tiago ser o mais pequeno. O Daniel, que estava muito feliz a exibir os seus dotes de artes marciais, a certa altura encostou o Tiago à  parede agarrando-lhe pelo pescoço. O Pedro estava lá e explicou que não se podia fazer aquilo e o Daniel, que é mais crescido, compreendeu e parou. O Tiago estava feliz da vida porque os meninos mais crescidos estavam a brincar com ele e não se importou nada, apesar das brincadeiras serem sempre do estilo fecharem-se todos num quarto menos o Tiago que não podia entrar. Enfim, são todos iguais.

Mas como digo, o Tiago não se preocupou minimamente com a segregação e fartou-se de correr e brincar à s escondidas e à  apanhada, principalmente com a Francisca que esteve sempre com muita paciencia. Cada vez que paravam lá vinha o Tiago ‘anda, Francisca!’ e iam os dois outra vez correr pela casa. A certa altura deixei de me preocupar e deixei-os em paz. Como não ouvi ninguém chorar parecia estar tudo bem.

Estive sempre um bocado enjoada e não comi grande coisa. O Tiago aguentou-se até à s prendas mas depois começou a ficar demasiado cansado e as últimas já nem abriu. Acho que com ele o gozo é maior se tiver uma prenda de vez em quando e tempo para brincar com ela do que cinco ou seis de seguida.

Levei-o para o carro ao colo, já com a cabecinha encostada no meu ombro e adormeceu assim que o carro começou a andar.

No dia 25 acordámos tarde e fomos almoçar a casa dos meus sogros. Foi um ambiente mais calmo e com menos gente e até o número de prendas foi bastante menor este ano, o que facilita o transporte para casa.

Demos ao Tiago uma cozinha porque eu acho que não pode ser só carros e esse preconceito de que as cozinhas são só para meninas tem de acabar. É claro que também teve carros e helicópteros e toda a espécie de veà­culos mas assim é mais equilibrado 🙂

No domingo a Carla e a Elsa vieram visitar-nos e trocar as nossas prendas. O Tiago, com duas meninas para quem se exibir, começou a tentar levantar a mesa da sala e a dizer ‘Tiago, forte!’. Foi hilariante 😀

Cookies

Ontem de tarde estive a fazer biscoitos. Achei que era uma coisa gira para fazer com o Tiago, por isso preparei a massa e quando ele voltou da escola esteve a ajudar a cortar os biscoitos, escolhendo ele as formas que mais gostava. Tirando um ou outro momento de bater com a forma na massa repetidamente, tornando necessário voltar a estender a mesma, ele foi muito paciente e cooperante. Depois dos biscoitos arrefecerem dei-lhe um para ele provar e acho que ficou aprovado. Não tenho é paciencia para decorar aquilo como chocolate derretido, este ano. Acho que vão ficar mesmo assim.

Esta tarde ainda tenho de fazer um cheesecake para levar amanhã para Palmela. Este ano as sobremesas ficaram a cargo das visitas.

8 semanas

O Pedro tem estado de férias, apesar de passar mais tempo a trabalhar e a receber telefonemas do trabalho do que propriamente a descansar. Mesmo assim tem dado imenso jeito porque eu passo os dias enjoada e a morrer de sono e sem a ajuda dele a entreter o Tiago não sei como me tinha aguentado. Estou constantemente a adormecer no sofá e continuo escrava do meu està´mago. Acho que era capaz de dormir 3 dias de seguida se pudesse.

Pelo meio perdemos uns dias a fazer compras de Natal e já está quase tudo. Lembro-me sempre de mais uma ou duas pessoas que faltam, geralmente pessoas que não vão efectivamente passar o natal connosco, mas está quase no fim.

Há uns dias não conseguimos resistir a dar ao Tiago uma das suas prendas antes de tempo.  Ele continua completamente obcecado com carros e qualquer coisa serve de garagem, onde estaciona sempre em marcha-atrás, por isso comprámos-lhe as garagens da Imaginarium. Gostou tanto que nem queria dormir nessa noite porque só queria brincar com as suas garagens e durante dois dias não ligou a mais brinquedo nenhum. No natal vou ter de racionar as coisas novas por ordem de preferência para ele ter brinquedos que lhe interessem durante uns tempos.

Festa de Natal do Tiago

Fomos ontem à  festa de Natal da escola do Tiago. Tal como no ano passado, as crianças tinham ensaiado um pequeno número mas praticamente só as meninas é que cooperavam com a dança. Estavam todos muito giros, vestidos de gotas de água ou diversos animais marinhos.

O Tiago, que é dos miúdos menos cooperantes, teve como único papel estar sentado a um canto, com uma prenda na mão, que desembrulhou antes de tempo. Passou o tempo todo com um ar muito chateado e no final só se queria sentar na ponta do palco. Quando chegou a hora do ir buscar ao palco ficou ainda mais irritado e fartou-se de chorar e atirou-se para o chão. Ninguém percebeu bem porquê.

Felizmente passou-lhe depressa e no caminho para casa veio todo contente de mão dada com o avà´ Artur a brincar à s escondidas. Não me parece que o rapaz tenha futuro em palco…

Fim de semana

No sábado de manhã estivemos a desmontar a passadeira para nos livrarmos dela de vez, já que ocupa uma parcela significativa do espaço da nossa sala. Os meus sogros quiseram ficar com ela, porque costumam ir correr mas durante o inverno torna-se um bocado desagradável e assim ficam com uma alternativa caseira. Transportar aquilo foi um pesadelo, porque é super pesada, e no dia seguinte o Pedro estava todo partido.

à€ noite tivemos a companhia do meu irmão e famà­lia para jantar. O Gabriel já anda, todo feliz, e passou o tempo atrás do Tiago. O Tiago, por outro lado, andou o tempo todo a agarrar nos brinquedos que não queria mesmo ver nas mãos do Gabriel, e foi preciso andar de olho nele para ver se não magoava o mais pequenino. Estas coisas causam-me sempre um stress enorme porque sei que o Tiago pode ser um bruto se não quer que alguém se aproxime demasiado. Felizmente não aconteceu nada de grave e ao fim de um bocado parecia que já se estavam a entender melhor. à€ sobremesa o Tiago até ofereceu um bocado do seu gelado ao Gabriel para ele provar e mais tarde estiveram os dois alegremente a dançar.

Na segunda o Tiago ficou em casa porque estava com umas manchas estranhas e era preciso ter a certeza que não era nada de contagioso antes de o poder levar à  escola. Parece que afinal são umas quantas coisas não relacionadas, mas nada de grave. A maior parte das manchas é o acne infantil de que o Tiago sofre desde que nasceu e que é mais feio do que preocupante. Depois tem uma pequena infecção numa das pestanas – provavelmente coçou o olho com as mãos sujas ou algo do estilo – e é uma questão de por uma pomada uns dias e esperar que passe. A minha mãe veio vê-lo de manhã e trouxe uma daquelas folhas de autocolantes decorativos para a parede, com uma árvore de natal e respectivos adornos. Colei a árvore na porta do quarto dele e estivemos a decorá-la. A minha mãe fartou-se de insistir com o Tiago para por as decorações em cima da árvore, mas ele achou mais piada colocar à  volta. Acho que não percebeu bem a ideia da coisa mas também não acho que se deva insistir com as crianças para cumprirem  o guião – é melhor deixá-las explorar como lhes apetece enquanto ainda podem.

O Tiago começou a puxar a minha mãe a dizer ‘anda, avó’ e percebia-se que queria ir passear. Ela levou-o durante um bocado, o que foi óptimo porque eu tinha uma encomenda para preparar. Quando o veio trazer esqueceu-se do ursinho e foi preciso ir lá buscá-lo ao fim do dia.

O pior foi quando percebi que o Tiago estava com sono e queria o ursinho para dormir. Tentei servir de substituto e ele adormeceu ao meu colo. Teria dormido mais tempo mas foi acordado pelo telefone, hora e meia depois, e ficou de muito mau humor.

à€ noite, quando fomos buscar o urso a casa dos meus pais, o meu pai deu-lhe uma mota em miniatura que o Tiago ainda não largou. Já tinha muitos carros mas nada de motas e parece ter achado piada.

O meu pai já está melhor e, apesar de o fazer contra ordens médicas, já anda a apoiar o pé no chão para se conseguir mexer. Enfim, espero que não abuse….

susto

Ainda estou com o coraçãozinho a bater.

Estava a preparar-mepara atravessar a estrada em  frente à  escola do Tiago, prestando atenção ao transito para ter a certeza que não vinha nenhum carro, quando o carro que estava estacionado à  minha esquerda começou a recuar e quase atropelou o Tiago, que ia à  minha frente no carrinho. Consegui puxá-lo de volta para o passeio mesmo a tempo mas fiquei completamente estupefacta.

Não estava à  espera porque o carro não tinha luzes acesas nem ouvi o som do motor a arrancar nam nada. Como aquilo é uma descida, o tipo estava a deixar descair o carro para depois arrancar em frente e por isso nem se acenderam as luzes de marcha atrás. Como o carrinho de bebé é baixinho, o homem nem deve ter dado por nada.

Faz-me um bocado de confusão porque aqueles carros são todos de pessoas que vão ali deixar os filhos na escola e como tal tinham obrigação de ter mais cuidado, mas também sei que eu própria devia ter prestado mais atenção ao facto de estar alguém dentro do carro em vez de achar que era seguro só porque estava parado.

Eu ando sempre com tanto cuidados, tendo a certeza que os condutores me vêem antes de atravessar, mesmo em passadeiras, e agora pelos vistos tenho de começar a ter igual cuidado com os carros estacionados porque nunca se sabe.

O Tiago não deu por nada, felizmente. Foi mesmo uma coisa de segundos. Eu é que fiquei ligeiramente verde e com muita dificuldade em acalmar-me.

Também acho que devia haver uma passadeira em frente à  escola porque é sempre impossível atravessar ali, com a quantidade de carros parados por todo o lado. à€s vezes é quase impossível conseguir arranjar espaço suficiente para passar entre dois carros.

Enfim. Ainda não foi desta e isso tem de chegar.