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Final de dia com duas crianças

Resolvi registar aqui aquilo que é um fim de dia tà­pico com os dois miúdos porque eles crescem depressa e uma pessoa acaba por se esquecer de alguns pormenores.

Tudo começa com ir buscar o Tiago á escola. Penduro a Joana ao peito, no marsupio, para não ter de navegar as ruas com o carrinho de bebé, e vou a pé até à  escola. Ultimamente o Tiago tem-se portado muito bem e vem a pé o caminho todo de mão dada sem problemas. Já aprendeu mais ou menos que tem de ver se vêm carros antes de atravessar a rua e tornou-se tudo muito mais simples por causa disso.

Pelo caminho o Tiago pede geralmente um gelado ou qualquer outra coisa. Umas vezes lembro-me de levar dinheiro outras digo que não pode ser sempre. Hoje perguntou se podia tirar uma pera quando passámos na mercearia. Expliquei que era preciso pagar e não tinha dinheiro mas podiamos ir a casa buscar a carteira e voltar. Quando chegámos a casa ele já não queria voltar a sair, como é costume, por isso não insisti.

O Tiago pede então para eu ir brincar com ele. Digo que tem de lavar as mãos primeiro e ele já vai sem fita. Depois vou buscar um copo de água, porque o caminho até á escola e regresso ainda é longo, deito a Joana na cama do Tiago para não ficar sozinha e, com sorte consigo beber um bocadinho de água até o Tiago pedir qualquer coisa que me obriga a levantar outra vez – ou precisa de ir à  casa de banho, ou tem fome ou quer ajuda a encontrar um brinquedo. Hoje queria os doces que vieram na mochila da escola porque um dos meninos fez anos. Disse que podia escolher duas ou três gomas e os restantes doces ficavam para amanhã. Neste aspecto tenho um miúdo impecável porque nunca faz birra por estas coisas. Aceita e geralmente não volta a pedir mais. Quando pede mais doces digo-lhe que se tem fome vou fazer o jantar e ficamos por aà­.

Fui então por água ao lume para fazer o esparguete do jantar e depois passei no computador e vi que tinha um email de um cliente com um problema qualquer de password do email que não estava a funcionar. Ia começar a ver se percebia qual era o problema quando a Joana começou a chorar. Fui buscá-la para lhe dar de mamar mas quando o leite começa a correr à s vezes sai mesmo em jacto e ela engasga-se. Depois fica furiosa porque tem fome e teve de parar de mamar e começa a berrar. Eu entretanto tenho de arranjar maneira de parar o leite que desata a espirrar por todo o lado . Sinto-me como um sistema de rega automático nestas situações…

No meio disto tudo toca o telefone (geralmente é a minha mãe que tem uma pontaria fenomenal para acertar nas alturas mais confusas) e percebo que a água já está a ferver. Atendo o telefone enquanto tento abrir um pacote de esparguete antes que a água evapore toda. A Joana continua a berrar na sala e o Tiago vem pedir para ver o Wall-E.

Lá consigo despachar o telefonema, por o espaguete a fazer e o tempo a contar e vou dar de mamar à  Joana. O Tiago continua à  espera do filme por isso vou-lhe pedindo os diversos comandos que preciso para ligar as coisas (temos um comando universal mas alguns dos botões deixaram de funcionar e acabo por ter que usar uma série deles à  mesma). Quando toca o tempo do esparguete a Joana já acabou de mamar mas agora estou a mudar-lhe a fralda, por isso quando finalmente consigo voltar à  cozinha já a água evaporou toda e o esparguete agarrou ao fundo e está a começar a queimar. Também ficou todo agarrado porque não tive oportunidade de o ir mexer durante a cozedura.

Ponho a bolonhesa no micro-ondas e a Joana começa outra vez a chorar porque não quer ficar sozinha. Finalmente consigo por a comida nos pratos e chamar o Tiago para a mesa. Ele queixa-se que não consegue ver a TV (sim, já sei que é mau hábito mas eu sempre comi em frente à  TV por isso não me vou armar em hipócrita e recusar isso ao miúdo) porque temos a casa cheia de caixas que bloqueiam o campo de visão e lá vou eu arrastar o movel para o meio da sala.

Com sorte, por esta altura consigo comer mas antes de chegar ao fim  a Joana farta-se de estar no baloiço e quer colo.

E assim continua infinitamente até o Pedro chegar, altura em que, com sorte, conseguimos dividir um miúdo para cada um e acalmar um bocadinho a coisa.

Febre

Ontem ao jantar o Tiago começou a dizer que precisava de descansar. Como ele está sempre cheio de energia e é um tormento conseguir convencê-lo a ir para a cama, um comentário destes significa que ele está a ficar doente. Nem precisavamos de grande confirmação mas o Pedro foi buscar o termómetro e lá estava: 38.2.

O Tiago tomou banho e a meio começou a pedir a mamã. Estava mesmo a sentir-se mal porque nunca faz isso  – à  noite geralmente só quer o pai mas a mamã continua a ser importante quando doi alguma coisa 🙂

Fui com ele para o quarto dar-lhe colinho e beijinhos, vestir-lhe o pijama e contar uma história e depois ele pediu o pai para terminar a rotina da noite.

Esta manhã o Tiago acordou pouco antes das 7 da manhã e veio para o nosso quarto. Estava com 38.6 mas por causa do sono não queria tomar o xarope e foi complicado conseguir convencê-lo. Pouco tempo depois já se estava a levantar para ir comer e brincar. Parece que fora a febre não se queixa de mais nada.

Eu é que estou de rastos porque ontem estive a tentar convencer a Joana a dormir até à  uma da manhã, depois acordei à s 5 para ela comer e acabei por ter que me levantar à s 7 para passar o dia a tratar dos dois. Oh well. Um dia destes mudamos finalmente de casa e pode ser que eu consiga arranjar umas horas para descansar.

Sobrevivi à s férias

Pois é, foram duas semanas de gestão de tempo, paciência e energia muito criativas. Incluiram brincar aos cavaleiros e piratas, ser a Minnie para o Mickey do Tiago e tratar do doi-doi do gatinho, falar pelo Mickey de peluche a quem o Tiago gosta de mostrar tudo o que inventa, fazer compras no supermercado que estranhamente apareceu na minha cozinha, cozinhar com plasticina, pintar com aguarelas (sempre a preto), fazer pistas de carros e comboios, ler livros, fazer de gatinho e levar o Tiago a andar de triciclo, tudo geralmente com um bebé ao colo, e ainda arranjar uns momentos para prepara comida, dar banho, lavar roupa e loiça, limpar o caixote dos gatos, lavar o chão e preparar e enviar a ocasional encomenda.

Cheguei à  conclusão que o ser humano tem recursos muito mais vastos do que imagina. Quando achamos que estamos exaustos e não aguentamos mais, mas não temos alternativa, é que nos apercebemos que afinal ainda conseguimos brincar à s escondidas enquanto o esparguete coze e que a dor de costas causada pelo bebé de 4 quilos, que continua a crescer a uma velocidade maior do que o nosso corpo se consegue adaptar, afinal pode esperar mais um bocadinho porque não vamos ter tempo para nos deitar e descansar antes da meia noite. Encontra-se energia extra não sei bem como.

No final fiquei espantada com a falta de birras que esperava do Tiago. Parece que o rapaz está finalmente a crescer e a aprender paciencia. Desde que continuasse a falar com ele e prestar-lhe atenção, ele deixava-me ocasionalmente fazer algumas das tarefas que eu precisava. Geralmente queria ajudar, o que faz sempre com que se demore o dobro do tempo a terminar qualquer coisa, mas que se lixe – pelo menos vai aprendendo.

Pelo meio tive também a ajuda preciosa dos avós que, pelo menos um dia por semana levaram o Tiago a dar um passeio por um par de horas.

Hoje foi finalmente dia do Tiago voltar à  escola- Quer dizer que pela primeira vez em duas semanas consegui tomar duche antes das duas da tarde. Por outro lado este post foi quase todo escrito só com uma mão enquanto a Joana está a mamar. As mães precisam de ser criativas.

O amigo do Tiago

O Tiago teve esta tarde a visita de um amigo para brincar. É um colega da escola de quem o Tiago gosta e eu dou-me bem com a mãe dele por isso resolvemos combinar juntar os dois para ver como corria. Acho que não podia ter sido melhor.

A sessão de brincadeira começou com muita gritaria e correrias pela casa, seguido de corridas de carros, brincadeiras no piano, puzzle e ao fim de duas horas e meia, um bocadinho de tv porque já estavam a ficar cansados.

O Tiago, apesar da sua tendência para querer controlar as brincadeiras e não gostar nada de ver outros meninos brincar com as coisas dele gostou muito de mostrar os seus brinquedos e deixou o amigo escolher e brincar com os seus carros sem problemas. A certa altura queriam os dois o mesmo carrinho mas a coisa resolveu-se depressa e sem grandes confusões. Ao fim de duas horas o Tiago fartou-se dos carrinhos e decidiu fazer o puzzle do Noddy. Queriam os dois a caneta que vem com o puzzle e que apita mas eu guardei-a e fomos todos fazer o puzzle sem problemas.

O mais interessante é que o amigo do Tiago é Polaco e como tal ainda não fala muito bem português mas eles parecem entender-se lindamente mesmo sem grande comunicação verbal – ou melhor, cada um fala na sua lingua e isso não parece ser um grande impedimento.

Quando chegou a hora do Edi ir para casa é que foi mais complicado. O Edi foi a chorar ao colo da mãe porque não queria ir embora de forma alguma e o Tiago ficou a fazer beicinho durante um bocado e depois também desatou a chorar e a dizer que estava triste porque queria brincar com o amigo. Demorou um bocado a consolá-lo e a certa altura tinha o Tiago e a Joana a berrar ao mesmo tempo. Enfim. Pelo menos quer dizer que se divertiu e podemos repetir a dose um dia destes.

O primeiro beijinho

Ontem à  noite tivemos finalmente o primeiro contacto entre o Tiago e a Joana.

Durante todo o dia, enquanto o Tiago está na escola, a minha atenção tem sido para a Joana, quase em exclusivo. Mesmo quando estou ao computador ela geralmente está ao colo e tem sido necessário ser substituida pelo Pedro para poder fazer coisas como ir tomar banho. Já me habituei e a maior parte do tempo o único problema é que fico cheia de dores nos ombros.

Quando o Tiago chega da escola tenho tentado tirar um bocadinho para brincar com ele como sempre, mas fazendo-o ver que de vez em quando é necessário prestar atenção à  irmã que fica com fome ou precisa de mudar uma fralda.

Durante todo este tempo o Tiago tem-se recusado a tocar na irmã mas foi aos poucos ganhando alguma curiosidade e habituando-se à  sua presença. Noto que de vez em quando vai para junto do berço fazer barulho e atirar brinquedos ao chão para ver como reagimos mas não tem sido agressivo.

Ontem à  noite a Joana começou a resmungar e o Tiago perguntou o que se passava. Perguntámos se ele queria fazer uma festinha na mana e ele respondeu que não, como sempre, mas passados uns instantes pediu ao pai para tirar a Joana do berço para lhe dar um beijinho, e assim fez. Depois, como viu que ficámos felizes com a meiguice, disse que gostava de dar beijinhos e eu também tive direito a um. Isto, vindo do Tiago, é tão raro que me parece um óptimo sinal.

Puzzles

O Tiago entrou recentemente na fase de fazer puzzles. Isso para mim é óptimo porque adoro puzzles, e quando imaginava ter uma criança a visão consistia muitas vezes em estarmos sentados à  mesa a fazer um puzzle ou outras actividades do estilo.

Tudo começou graças a um episódio do ursinho Oso que ensina um menino a fazer um puzzle, separando as peças que têm um lado direito das outras. O Tiago começou a dizer que queria fazer um puzzle e lá fui eu buscar o puzzle do Noddy que lhe tinham dado no Natal. Ficou todo orgulhoso e quando o pai chegou foi logo mostrar-lhe.

Entretanto os avós já lhe deram mais dois puzzles e a facilidade com que ele faz aquilo aumentou brutalmente em poucas semanas.

Outro tipo de puzzles que ele está a aprender a resolver são os de jogos de computador. Tem andado a jogar um com o pai que consiste num robot a ter de resolver um problema para passar ao ecran seguinte – semelhante aos jogos do Myst, Monkey Island ou Sam and Max que eu adorava jogar há uns anos quando ainda conseguia arranjar tempo para essas coisas.

A verdade é que ele já consegue fazer muito daquilo sozinho, precisando de ajuda só naquelas partes em que é necessário acertar nos tempos.

Aquilo que se ouve muito são mãezinhas indignadas com o tempo que as crianças passam a ver televisão ou a jogar no computador mas isso a mim continua a parecer um bocado ignorância porque, desde que os pais cumpram a sua função de monitorizar aquilo a que as crianças acedem para ter a certeza que tem algum valor pedagógico, até agora só tenho encontrado vantagens nos programas de TV e jogos que o Tiago gosta. Acho que tem aprendido bastante sem ter a sensação que lhe estamos a tentar impingir algo ou a forçar algo, o que num menino bastante teimoso e que gosta de ser do contra é uma enorme vantagem.

Tiago musical

Recentemente o Tiago começou a cantar. Aprendeu algumas músicas na escola mas para além disso começou a interessar-se por aprender as melodias os brinquedos musicais que tem e adora cantar algumas das peças clássicas que ouve nos episódios dos Little Einstens.

De facto graças a essa série tenho um miúdo de 3 anos capaz de reconhecer e cantarolar o voo do moscardo, o Fur Elise do Beethoven, que põe a tocar repetidamente num os seus brinquedos musicais ou a pedir para lhe por a tocar o CD com “a música da primavera” do Vivaldi.

O que acho mais giro é que, apesar de sair do tom ocasionalmente, como seria de esperar de um miúdo que começou agora a cantar, reconheço rapidamente a música que ele está a cantarolar.

Primeira visita à  pediatra

Na segunda de manhã o Tiago voltou a ficar em casa para ir, juntamente com a Joana, à  pediatra. Tinhamos adiado a sua consulta de rotina dos 3 anos precisamente porque não valia a pena ir lá de propósito uns meses antes quando agora vamos ter visitas mensais durante uns tempos.

Tivemos de esperar meia hora, o que tornou o Tiago muito impaciente e a perguntar se podiamos ir embora mas depois portou-se muito bem na consulta  – despiu-se sozinho, respirou fundo e abriu a boca quando lhe foi pedido.

Falámos na tosse persistente do Tiago e a pediatra recomendou então que fizéssemos análises e RX para ver se será alergia ou outro problema. No entanto, depois de discutir o assunto, resolvemos esperar um pouco antes de picar o Tiago e passar a apontar no calendário os perà­odos de tosse para verificar se é de facto tão frequente como achamos ou se passa mais tempo do que parece entre crises.

Depois foi a vez da Joana ter a sua primeira consulta. Já engordou meio quilo em relação ao peso que tinha à  nascença, estando agora com 3.590kg e cresceu dois centà­metros e meio, medindo 52,5 cm.

Eu achava que tinha roupa suficiente para a Joana para os primeiros tempos mas como ela nasceu grande a roupa de 0/1 meses não lhe serve e muitas das peças nem chegou a estrear, especialmente porque as peças mais pequenas eram todas sem mangas e de calção e nas primeiras semanas os recém nascidos precisam de andar um pouco mais vestidos que isso.

Joana, 2 semanas

Aquilo que aprendi ao fim de duas semanas é que recuperar de uma cesariana com laqueação é muito mais doloroso do que de uma cesariana normal. Não ando a tomar nada para as dores mas continuo a sentir puxar aqui e ali quando me mexo e já por algumas vezes fiz um movimento um bocadinho menos controlado, para me levantar, por exemplo, acompanhado de uma dor horrorosa e pouco depois comecei novamente a perder sangue. Em princà­pio não é nada de grave e é mesmo assim mas está a custar um bocadinho mais o que da última vez.

A Joana já se começou a queixar de dores de barriga ocasionais mas até agora tem sido principalmente durante o dia ou ao princà­pio da noite (tipo até à  1 da manhã) e depois passa o resto da noite mais ou menos calma. Tenho feito massagem e o Pedro tem passado pelo menos uma horinha a passear com ela ao colo (por qualquer razão os bebés sabem sempre quando nos sentamos e preferem que estejamos de pé a passeá-los pela casa. São muito vocais neste ponto.)

Continua a tendência para sujar fraldas acabadinhas de colocar o que quer dizer que na primeira semana e meia em casa a Joana já sujou mais de 100 fraldas e 150 toalhitas. A continuar assim vamos à  falência num instante.

Na segunda feira da semana passada fomos ao centro de saúde fazer o teste do pezinho e pesámos a Joana que tinha perdido pouco peso e estava com quase 3 kg. Na quinta voltámos porque era suposto eu ir tirar os pontos mas a sutura é toda especial, intra-dermica, com uma linha absorvà­vel e tapada com uma espécie de cola a que chamam pele plástica pelo que não havia pontos para tirar. Aproveitámos para pesar a Joana novamente e já tinha recuperado 80 gramas.

No fim de semana foi altura das visitas da famà­lia. No sábado vieram os tios, irmã e pais do Pedro e no domingo os meus tios, avó e pais. O sábado correu melhor que o domingo porque esteve sempre alguém a brincar com o Tiago que assim não se sentiu posto de lado a favor do bebé. No domingo não correu tão bem. Ele andou a chamar a atenção das pessoas uma a uma. A minha tia tinha uma prenda para ele e esteve a falar com ele e depois a minha mãe também andou a brincar com ele um bocado mas a certa altura instalou-se toda a gente para o lanche. O Pedro esteve a entretê-lo mais um bocado mas o Tiago queria atrair o avà´ para a brincadeira e o meu pai não lhe ligou nenhuma por isso começou a birra. Acabou a fazer xixi para o chão e a atirar com coisas. Por essa altura as visitas resolveram sair 🙂

Pouco depois o Tiago foi deitar-se na cama e adormeceu, algo muito raro com ele. Na manhã seguinte percebemos porquê: estava com febre. Já devia estar a sentir-se mal no domingo o que contribuiu para o comportamento aberrante. De tarde a febre já tinha descido e não foi preciso dar-lhe mais medicação mas voltou a adormecer a meio da tarde por isso decidimos deixá-lo em casa na terça também para ter a certeza que não piorava.

As birras do fim de semana

Este fim de semana o Tiago atingiu um novo nà­vel de agressividade nas suas birras. Teimoso sempre foi e tem uma resistencia muito baixa à  frustração que resulta diversas vezes em atitudes como atirar com os brinquedos que não se portam como ele quer.

Nós vamos tentando o discurso racional sobre como a culpa não é o brinquedo alternado com o ralhar porque ‘não se atira com as coisas porque pode magoar’ e em casos extremos é posto de castigo, ou seja, deixado no seu quarto durante um bocado – a duração depende da gritaria e gravidade do comportamento – seguido de uma conversa calma sobre o que se passou. Ele geralmente pede desculpa e diz que não faz mais mas por vezes pouco tempo depois está outra vez a testar os limites e é preciso dar-lhe tempo outra vez para se aperceber que não é sendo irritante que consegue o que quer.

Este fim de semana, porém, as coisas chegaram a um ponto em que nunca tinham chegado antes. De manhã fez a sua dança do costume com o pequeno almoço – primeiro diz que quer uma coisa mas afinal quer outra, choraminga, etc. Ao almoço o pai perguntou se ele queria batatas ou esparguete. A sua resposta foi ‘esparguete comi ontem’ e por isso o pai fez batatas. Quando o almoço estava pronto afinal queria esparguete. Empurrou o prato e recusou-se a comer.

Ao fim de um bocado fui dar com ele a espetar o garfo em plasticina e sem qualquer interesse na comida, por isso tirei-lhe o prato. Passados uns minutos o Tiago agarrou num banco (daqueles de plástico do IKEA para crianças) e atirou-o com toda a força. Os pés saltaram e um deles passou por mim mesmo a razar e o Tiago lá estava com um ar extremamente satisfeito. Fartei-me de gritar com ele e ficou no quarto de castigo, onde aproveitou para desfazer a cama e atirar o colchão para o chão.

Ficámos numa situação complicada porque os meus sogros tinham ficado de vir buscar o Tiago depois do almoço e ele nem comeu nem merecia ir passear. Era uma luta entre disciplina e egoà­smo. O egoà­smo ganhou, claro. Que se lixe, vai lá passear que pelo menos assim temos uma tarde calma. Se calhar somos péssimos pais mas é tão raro termos um bocadinho ao fim de semana sozinhos que não eramos capazes de abdicar dele só para sermos mais teimosos que o nosso filho de 3 anos.

O Pedro conseguiu que o Tiago se vestisse e enquanto esperavamos pelos meus sogros eu consegui convencer o Tiago a comer a carne usando o truque do ‘já que não comes, como eu’, sempre muito eficaz nestas idades.

Pelos vistos voltou a fazer birra na praia, com os avós – acho que resolveu comer areia, recusou-se a vestir ou limpar a areia do corpo ao sair da praia e ainda teve a lata de exigir um gelado como se fosse um direito irrevogável (obviamente os avós não lhe deram o gelado devido ao mau comportamento).

à€ noite tivemos mais uma cena. O Tiago pediu sumo, depois do jantar. Eu levei-lhe o sumo num copo. Ele disse que não queria o copo, queria um dos pacotes pequeninos. Eu disse que o sumo era o mesmo mas que ele não tinha que beber se não queria e pousei o copo na mesa. Ele continuou sentado a ver os desenhos animados sem dizer mais nada mas a certa altura, já uns bons minutos depois, agarrou no copo e atirou-o com toda a força para o chão. O copo era de plástico e mesmo assim ficou feito em bocados. O sumo ficou espalhado por todo o chõ da sala e foi preciso lavar três vezes até deixar de se agarrar à  sola dos sapatos.

O Tiago voltou para o seu quarto mas não ficou. Esteve no hall, encostado à  porta da sala a dizer que queria água repetidamente até eu não aguentar mais. Fui ter com ele, ele pediu desculpa e disse que não voltava a atirar o copo. Fui com ele par a casa de banho lavar os dentes e ele começou a ser teimoso outra vez. Mais uma sessão de gritos seguidos de explicações racionais – a única técnica até agora que funciona para acabar com as crises porque ele fica um bocado confuso e não sabe bem como reagir – e consegui vestir-lhe o pijama e mete-lo na cama e adormeceu pouco tempo depois.

Fiquei um bocado preocupada com a agressividade destas birras e espero sinceramente que seja uma coisa passageira. Se as coisas estão assim agora, nem quero imaginar como será a reacção ao nascimento da irmã e à  mudança de casa. O facto da educadora ir de férias em breve também não vai ajudar…

Feriado com o Tiago

Ontem foi feriado em Almada o que quer dizer que fiquei com o Tiago em casa. A vantagem é que consegui ficar na cama quase até à s 10. A desvantagem é que o Tiago raramente dorme sestas quando está em casa, quer atenção contante e companhia para as brincadeiras e torna-se impossível fazer seja o que for a menos que ele esteja a comer e ver TV. Descansar é que ainda não foi possível.

Entre fazer gatos em plasticina, falar pelo Mickey Mouse e outras brincadeias, consegui limpar a cozinha, arrumar a sala e lavar roupa. Sempre com muitas interrupções, claro, e o Tiago é que carrega nos botões das máquinas de lavar 🙂

Uma das brincadeiras favoritas do momento é assustar. O que tem piada é que ele anuncia primeiro quem é que vai assustar, grita e depois desfaz-se a rir com a nossa reacção, mesmo que encenada e repetida vezes sem conta. Assustar os gatos, porém, como é a sério, dá-lhe muito mais gozo.

Há cerca de um mês eu e o Pedro fomos promovidos a mãe e pai em vez de mamã e papá. Não sei o que deu origem a essa alteração mas tem-se mantido consistente desde então. Quanto à  mana, o Tiago já fala do assunto, dizendo que vai ter uma Joana para brincar – acho que a noção é mais um boneco novo do que uma irmã, mas suponho que é mesmo assim.

A alteração maior dos últimos tempos é a nivel da expressão de afecto. Eu sempre lhe dei muitos abraços e beijinhos e achava que ele até estava a entrar naquela fase em que eles começam a não querer essas coisas mas sucedeu precisamente o oposto. Agora é o Tiago que vem para o meu colo, seja de livre vontade seja quando pergunto se ele quer, dá-me um grande abraço e um beijinho na cara, com um grande sorrido, quando anteriormente apenas virava a cara para ser ele o beijado. A mãe, claro, fica toda derretida 🙂

Isso é um dos maiores problemas a nà­vel da disciplina. Há muito tempo que não me irrito a sério com ele e consigo normalmente manobrar a atitude negative até ele ceder, só que por vezes, quando o Tiago começa a dizer ‘não vou nada’, ‘não faço’ ou semelhante, de braços cruzados e um ar super arrogante, à s vezes até batendo o pé, tenho uma grande dificuldade em manter um ar sério e acabo por me desfazer a rir, terminando assim qualquer espécie de autoridade que tenha sobre a situação. Achar os miúdos fofinhos quando se estão a portar mal é uma crueldade da natureza 🙂

Festa da creche

Na quarta feira fomos assistir à  segunda festa de fim de ano da creche do Tiago. Ao contrário do ano passado, em que o Tiago se recusava a colaborar, desta vez esteve lá a dançar com bastante entusiasmo – fiquei extremamente surpreendida, na verdade.

Fizemos o nosso papel e fimámos e tirámos fotos e o Tiago pareceu divertir-se. Depois foi um bocadinho para casa dos avós, que tinha acabado de voltar de viagem e não o viam há quase duas semanas. A avó tentou mostrar-lhe as prendas que tinha trazido da viagem e ele embirrou com tudo e insistiu que não gostava de nada. O educado geralmente é dizer que se gosta muito mesmo quando não é bem assim mas o meu filho faz precisamente o contrário – diz que não gosta de nada mesmo quando não é verdade.

Mas pronto, eu sempre tive uma grande dificuldade em fazer um ar muito entusiasmado quando não gosto de algo e costumo optar pela verdade, apesar de saber que não é bem o protocolo aceite, mas tenho uma impossibilidade quase fà­sica em mentir – falta de hábito, suponho. A única vantagem é que quando digo que gosto as pessoas podem ter a certeza que é verdade.

Agora vamos ver se o Tiago passa a fase de teimosia ou se vai continuar a ser mal educado como a mãe 🙂