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Joana, 2 semanas

Aquilo que aprendi ao fim de duas semanas é que recuperar de uma cesariana com laqueação é muito mais doloroso do que de uma cesariana normal. Não ando a tomar nada para as dores mas continuo a sentir puxar aqui e ali quando me mexo e já por algumas vezes fiz um movimento um bocadinho menos controlado, para me levantar, por exemplo, acompanhado de uma dor horrorosa e pouco depois comecei novamente a perder sangue. Em princà­pio não é nada de grave e é mesmo assim mas está a custar um bocadinho mais o que da última vez.

A Joana já se começou a queixar de dores de barriga ocasionais mas até agora tem sido principalmente durante o dia ou ao princà­pio da noite (tipo até à  1 da manhã) e depois passa o resto da noite mais ou menos calma. Tenho feito massagem e o Pedro tem passado pelo menos uma horinha a passear com ela ao colo (por qualquer razão os bebés sabem sempre quando nos sentamos e preferem que estejamos de pé a passeá-los pela casa. São muito vocais neste ponto.)

Continua a tendência para sujar fraldas acabadinhas de colocar o que quer dizer que na primeira semana e meia em casa a Joana já sujou mais de 100 fraldas e 150 toalhitas. A continuar assim vamos à  falência num instante.

Na segunda feira da semana passada fomos ao centro de saúde fazer o teste do pezinho e pesámos a Joana que tinha perdido pouco peso e estava com quase 3 kg. Na quinta voltámos porque era suposto eu ir tirar os pontos mas a sutura é toda especial, intra-dermica, com uma linha absorvà­vel e tapada com uma espécie de cola a que chamam pele plástica pelo que não havia pontos para tirar. Aproveitámos para pesar a Joana novamente e já tinha recuperado 80 gramas.

No fim de semana foi altura das visitas da famà­lia. No sábado vieram os tios, irmã e pais do Pedro e no domingo os meus tios, avó e pais. O sábado correu melhor que o domingo porque esteve sempre alguém a brincar com o Tiago que assim não se sentiu posto de lado a favor do bebé. No domingo não correu tão bem. Ele andou a chamar a atenção das pessoas uma a uma. A minha tia tinha uma prenda para ele e esteve a falar com ele e depois a minha mãe também andou a brincar com ele um bocado mas a certa altura instalou-se toda a gente para o lanche. O Pedro esteve a entretê-lo mais um bocado mas o Tiago queria atrair o avà´ para a brincadeira e o meu pai não lhe ligou nenhuma por isso começou a birra. Acabou a fazer xixi para o chão e a atirar com coisas. Por essa altura as visitas resolveram sair 🙂

Pouco depois o Tiago foi deitar-se na cama e adormeceu, algo muito raro com ele. Na manhã seguinte percebemos porquê: estava com febre. Já devia estar a sentir-se mal no domingo o que contribuiu para o comportamento aberrante. De tarde a febre já tinha descido e não foi preciso dar-lhe mais medicação mas voltou a adormecer a meio da tarde por isso decidimos deixá-lo em casa na terça também para ter a certeza que não piorava.

Metro homicida

Na segunda de manhã saà­ com a Joana para ir ao consultório do Dr. Saraiva mostrar a cicatriz e confirmar que estava tudo bem.

Resolvi levar a Joana, para a mostrar à  enfermeira Tina e porque tinha receio que ela ficasse com fome se eu demorasse muito. Arrependi-me rapidamente. Esperei que chegasse o metro, comecei a entrar na carruagem e as portas começaram a fechar-se em cima de mim e por pouco não esmagaram a Joana. Usei o braço para me defender mas ainda levei um bruto apertão e tive um momento em que fiquei convencida que iam continuar a fechar-se.

Sinceramente não compreendo como é possível deixarem acontecer uma coisa destas. Não é como se eu tivesse chegado à  plataforma no último segundo e tivesse tentado entrar já depois do apito. Estava à  espera para entrar e aquilo simplesmente começou a fechar. Será que não olham para a plataforma antes de fechar o raio das portas?

Fiquei com muito pouca vontade de entrar no metro outra vez se têm incompetentes destes ao volante.

Fiquei num stress tal que fui o resto do caminho ate à  clà­nica a fazer um esforço enorme para não desatar a chorar. As hormonas são lixadas mas o que me custou mais foi resistir à  vontade de ir desancar o anormal responsável por quase matar um recém nascido de uma forma bastante estúpida.

Já nasceu a Joana

Só uma notinha breve para dizer que a Joana nasceu à s 11.44 da manhã de dia 14 de Julho, com 3,150Kg e 50 cm de comprimento. É muito perfeitinha e antes de desinchar fazia-me lembrar uma mulher asiática de meia idade, mas agora já está um bebé muito mais giro 🙂

A cesariana correu bem, apesar de ter sido necessário recorrer a forceps novamente. Eu voltei a ter náuseas e vómitos por causa da anestesia que me dá grandes quebras de tensão, mas já sabia e tinha avisado o anestesista.

A estadia no hospital foi o tormento esperado que consistiu em 4 dias sem dormir numa cama demasiado alta e desconfortavel, cheia de dores durante os primeiros dois dias a ter de tratar de um recém nascido sozinha durante grande parte do tempo. O que vale é que a experiência conta muito e já estava preparada. Não me irritei tanto nem fiquei ansiosa. Limitei-me a deixar passar o tempo e concentrar-me no importante – tenho uma filhota perfeitinha e nunca mais tenho de passar por isto!

A Joana tem-se portado lindamente, dormindo 4 a 5 horas durante a noite e chorando só quando tem mesmo razão para tal e ocasionalmente porque quer colinho. O Tiago teve imensas cólicas e passava o tempo a berrar sem conseguirmos fazer nada, por isso foi uma mudança bem-vinda. Não quer dizer que as cólicas não venham aà­ à  mesma, mas pelo  menos nos primeiros dias foi muito mais descansado.

Outra diferença é que a Joana nasceu logo a saber mamar e come muito bem – outro stress evitado.

Voltei para casa ontem, dia 18, à  hora de almoço e esta noite já dormi na minha caminha. Senti-me logo melhor esta manhã, apesar de ter acordado pelo menos duas vezes durante a noite para dar de mamar, como é obvio. Mas a diferença em relação ao hospital é tão grande que de repente senti que tinha tido uma noite perfeita.

Bom, já estou aqui há muito tempo e tenho que ir ver se não há nenhum gato no berço.

Só falta um dia…

Amanhã completam-se as 39 semanas de gravidez e está previsto o nascimento da Joana, por cesariana. Devia ir passar já a noite ao hospital, mas felizmente o Dr. Saraiva não concorda com essa medida e disse que bastava aparecer amanhã cedo.

Os últimos dias têm sido passados em preparativos finais – lavar lençois para o berço, ir buscar a alcofa que estava emprestada, lavar a casa de banho (A Augusta continua de férias, já vai em mês e meio) e ter a certeza que não me esqueço de nada demasiado importante.

O Tiago anda a ser levado à  escola pela minha mãe e depois são os meus sogros que o vão buscar ao fim do dia. Uns dias corre melhor que outros, tal como quando sou eu, por isso não me parece que a mudança de rotina esteja a ser um grande drama.

Ontem foi complicado porque quando são os avós a ir buscar o Tiago normalmente quer dizer que o levam a passear ou para casa deles brincar um bocado. Como veio directamente para casa fez uma birra enorme, com lágrimas a escorrer pela cara abaixo porque não queria vir para a mãe. Felizmente acabou por passar e estivemos a brincar o resto da tarde, apesar do sono monstruoso que eu tinha.

amostras chãoHoje fui à  casa uma última vez porque o empreiteiro tinha lá deixado as amostras de chão para nós escolhermos. Não é uma decisão fácil. Estou inclinada para uma de faia mas com os veios da madeira mais realistas mas também há uma de carvalho que não desgosto, só que em comparação parece ter uma cor muito mortiça. É complicado quando não é uma questão de adorar logo uma opção ou odiar completamente todas as outras. Acho muito difà­cil a partir de um quadradinho imaginar como fica o chão de uma divisão inteira.

Quando dei a volta para fotografar as novidades reparei que já tinham colocado as portas para o terraço, o que foi uma surpresa agradável. A porta da marquise para o resto do terraço, que tinha previsto inicialmente ser de abrir e afinal ficou de correr, é bastante larga e mesmo abrindo só metade acaba por dar um espaço de passagem muito amplo por isso não fiquei decepcionada.

summer fruitA caminho de casa fui comprar fruta. Como preciso de desinfectar a fruta antes de a comer por causa da questão da toxoplasmose, meti tudo junto numa grande taça. Achei que ficava tão bonito que não resisti a tirar uma foto 🙂

Cada vez que compro fruta no Jumbo arrependo-me mas a frutaria aqui ao pé de casa tem sempre coisas deliciosas. Tive então frutinha para o lanche. O resto fica para o Pedro e o Tiago já que não estou em casa o resto da semana.

Na verdade, estou mais nervosa com o internamento do que com o parto. A cesariana anterior foi um bocado desagradável para o final porque perdi muito sangue, tive uma quebra de tensão que provocou vómitos e acabei por passar montes de tempo ligada ao monitor antes de poder pegar no Tiago. Para além disso passei um dia ou dois cheia de comichão como reacção à  anestesia. Tentar amamentar então, só mesmo no dia seguinte ao parto e mesmo assim o Tiago não queria nada comigo. Só quando viemos para casa é que começou a mamar convenientemente.

Desta vez tenho mais experiencia e espero que seja mais fácil mas não estou com grande esperança. Para evitar problemas vou levar a minha bomba de leite. Assim pelo menos a criança não passa fome nem precisa de complementos até aprender a mamar.

E pronto. Fiz o que pude, o que dava para fazer com o tempo e energia disponà­veis. Agora é esperar por amanhã e tentar não enlouquecer com os 4 dias no hospital sobre-aquecido. Se tudo correr bem para a semana digo qualquer coisa.

Entretanto o Pedro deve ir dando sinal no site dele.

38 semanas

Na terça feira fomos a mais uma consulta. Começámos com o CTG e a Joana passou a primeira meia hora a dormir. Tive de comer um chocolate para a acordar (ai, que sacrifà­cio!) e ao fim de um bocado lá se começou a mexer e a reagir como é suposto.

Na consulta o Dr. Saraiva marcou a cesariana e o internamento e ficou tudo combinado para o próximo dia 14. Era suposto ir lá dormir dia 13 mas ficou combinado que não haveria problema se aparecer dia 14 à s 8.30 desde que não coma nem beba nada durante as 7 horas anteriores.

Com a ecografia foi calculado que a Joana está quase com 3 kg, continua na posição correcta e agora é só uma questão de respirar fundo e aguentar mais uma semana.

Na verdade tem sido complicado passar estas últimas semanas e se tivesse que esperar mais três não sei em que estado estaria no fim. Ando a acordar a meio da noite e não consigo adormecer outra vez e revivo muitas vezes o primeiro parto e o funeral com muito mais detalhe do que seria saudável. Ando ansiosa durante o dia sem conseguir perceber exactamente porquê e a única forma de passar o tempo sem ficar maluqueinha é manter-me o mais ocupada possível, o que quer dizer que passo os dias ao computador a trabalhar em vez de descansar com os pezinhos elevados para não ficarem tão inchados.

O Tiago também anda obviamente em stress e tem reacções exageradas, como desatar a chorar por pequenas coisas.

Ontem foi um problema ir buscá-lo à  escola. Quando me viu foi-se esconder num canto e não queria sair. Acabei por ter que lhe pegar ao colo, algo não muito aconselhável nesta fase, e mesmo assim ainda passei por um quarto de hora de birra em que chorou, tirou os sapatos, deitou-se no chão e fez tudo o que podia para não sair da sala. Quando o consegui finalmente convencer a calçar-se e sair queria ir ao Parque. Aparentemente o escorrega não chegava. Levei-o ao relvado, que é uma volta muito maior,  mas quando lá chegou também não podia ser porque ali não tinha escorrega. Enfim, a teimosia continuou até conseguir finalmente enfiá-lo no metro e voltar para casa depois de ter que ir com ele a um café beber água – a que tinha na mala não servia, aparentemente – e mexer na água das fontes todas.

Hoje fui ao hospital para ir buscar a autorização para poder fazer laqueação de trompas ao mesmo tempo que a cesariana – já que vão abrir resolve-se tudo de uma vez. Acho interessante a contradição aparente entre o ponto 1 e o ponto 2:

1 – Que a laqueação tubária pretendida não é garantida como método de evitar a gravidez

2 – Que da laqueação tubária pode resultar impedimento total e irreversà­vel para uma eventual gravidez posteriormente desejada.

Quanto ao ponto 1, o objectivo da coisa é precisamente evitar uma gravidez, mas claro que não há métodos infaliveis e se calhar ser um daqueles raros casos em que o método não é 100% eficaz eles têm de se proteger. É claro que fico logo a pensar se tenho que continuar a usar outro método à  mesma…

Quanto ao ponto 2, é preciso ser-se uma pessoa muito indecisa para se submeter a uma coisa destas e depois mudar de ideias mais tarde e decidir que afinal sempre quer ter mais filhos, especialmente com a quantidade de opções anti-concepcionais não cirurgicas que existem.

Eu sinceramente, com todo o stress que sinto, não quero voltar a passar por isto nunca mais por isso espero que seja eficaz, até porque nos raros casos de pessoas que engravidam após laqueação, as gravidezes tendem a ser ectópicas, o que é uma grande chatice.

Consulta e noite no hospital

Na terça feira, a um dia das 37 semanas, fomos a mais uma consulta. Desta vez começámos com o CTG, que demora uma eternidade. O problema não é tanto o tempo mas o facto de para se conseguir apanhar os batimentos cardà­acos eu ter de ficar a segurar no foco, geralmente com a mão numa posição muito pouco natural, durante quase uma hora. No final já nem sentia os dedos de tão dormentes que ficaram.

Na consulta foi feita mais uma rápida ecografia para verificar que continua tudo ok e um exame para ver como está o colo do útero.

Tal como esperávamos, o Dr Saraiva também vai sair do HGO e dia 30 era mesmo o último dia do seu contrato. Disse-nos porém que ainda iria fazer duas urgencias, a dia 7 e dia 14 e que podiamos agendar a cesariana para um desses dias. Ficou decidido então para dia 14, para dar mais duas semanas à  Joaninha para engordar e eu vou tentar conter a ansiedade o melhor que puder. Dia 14 calha precisamente nas 39 semanas, uma data de que eu nunca mais queria ouvir falar, mas também não vale a pena estar a ser supersticiosa por causa de algo que muito dificilmente se voltaria a repetir.

No dia seguinte, porém, quando fui buscar o Tiago à  escola aconteceram duas coisas que não gosatei nada. A primeira foi ser parada na rua por um tipo que nunca viu antes cuja única pergunta que me fez foi se o Tiago andava no infantário X. Fui tão apanhada de surpresa que nem cheguei a ter tempo de ter a minha reacção natural de protecção. Em vez de dizer ‘o que é que isso lhe interessa’ ou algo do estilo, tive a minha primeira reacção a tudo que é dizer a verdade – começo a perceber como isso à s vezes pode ser mau – disse ‘não’ fiquei a olhar para o homem com um ar suspeito à  espera de mais qualquer coisa tmas a única resposta que deu foi ‘ah, era só para perguntar’ o que finalmente levantou o meu radar. Só que por essa altura o Tiago já ia a correr sozinho pela rua fora e não tive hipotese a não ser ir atrás dele. Entretanto não voltei a cruzar-me com a mesma pessoa mas passei a andar um pouco mais alerta, apesar de achar que até é capaz de ter sido algo relativamente inocente como o tipo ter um filho ou irmão que ande na creche que ele mencionou. Enfim.

Quando cheguei a casa tive mais uma surpresa desagradável. Tinha uma mancha enorme nas calças e nem tinha dado por nada. Isto da gravidez tem a desagradável tendencia para uma certa incontinencia urinária no final, por causa da pressão da bexiga, e ainda pensei que pudesse ser isso mas na verdade não acreditei que fosse porque costuma ser só quando espirro, é só um bocadinho e isto era uma quantidade de là­quido equivalente à  palma de uma mão e não tinha qualquer cheiro. Resolvi esperar para ver e não aconteceu mais nada o resto do dia.

Ontem, fui novamente buscar o Tiago à  escola e quando o levantei para ele beber água da fonte achei que tinha sentido novamente perda de là­quido e decididamente não vinha da bexiga. Quando cheguei a casa tive a confirmação. Era menos do que no dia anterior mas estava lá. Depois de telefonemas para o Pedro e para a Enfermeira Tina, ficou decidido que o melhor era ir ao hospital para ter a certeza que estava tudo bem.

Eu estive sempre com a sensação que não era nada porque foi só um bocadinho, a Joana estava a mexer-se bem e dava para ouvir com o foco que a pulsação continuava a acelerar com os movimentos. Mas não vale a pena correr riscos, por isso deixámos o Tiago com os meus sogros e fomos ao Hospital. Entrei depressa para fazer o CTG que estava normal – mais uma vez a ter que segurar o foco o tempo todo – e depois voltei para a sala de espera até à  consulta. Essa foi a pior parte porque chega um ponto em que só queremos que nos digam qualquer coisa e ter de ficar ali 2 horas sem nada para fazer, sem comer nada desde as 4 da tarde e com menos 1 cêntimo do que custava uma garrafa de água na máquina, parecia uma tortura maior do que foi na realidade 🙂

Acho que devemos ter apanhado a hora de jantar dos médicos e terá sido isso que causou o atraso porque até nem estava muita gente à  espera. E o facto de me lembrar o que me levou ali da última vez também não ajudou, especialmente depois de ver uma senhora a chorar mais ou menos no sí­tio onde me sentei da outra vez. Há reacções que não conseguimos controlar. Mas pronto, desta vez estava tudo bem e o Pedro estava comigo, o que ajudou.

Eram quase 11 da noite, os meus sogros precisavam de dormir e o Tiago também. Liguei à  minha mãe para lhe pedir que trocasse com o Pedro mas precisamente nessa altura chamaram-me. A médica fez um exame ginecológico, pediu-me para tossir para ver se saia algum là­quido e concluiu que era apenas o rolhão mucoso que se deve ter soltado devido ao exame de quarta feira. Mesmo assim a médica foi fazer uma ecografia para confirmar que a quantidade de là­quido estava normal porque podia já tê-lo perdido todo sem dar por isso (era impossível em dois dias mas foi mesmo só para ter a certeza que verificavam tudo).

E pronto voltámos para casa, fomos buscar o Tiago, jantar e ver mais um episódio do Nip Tuck porque estava demasiado acordada para ir logo para a cama.

Hoje de manhã é que foi complicado acordar o Tiago que dormiu menos duas horas do que o costume e isso já costuma ser menos duas do que devia. Eu também fiquei um bocado cansada e acabei de voltar para a cama depois do pequeno almoço e dormi até ao meio dia. Há umas semanas atrás seria incapaz de tal coisa mas agora parece que não consigo manter os olhos abertos.

Quando acordei fui tratar de pagar as contas do mês e ainda tenho que organizar os papeis da contabilidade da Nitro para o segundo trimestre. Vamos ver se consigo concentrar-me o suficiente ou se tem de ficar para outro dia.

As birras do fim de semana

Este fim de semana o Tiago atingiu um novo nà­vel de agressividade nas suas birras. Teimoso sempre foi e tem uma resistencia muito baixa à  frustração que resulta diversas vezes em atitudes como atirar com os brinquedos que não se portam como ele quer.

Nós vamos tentando o discurso racional sobre como a culpa não é o brinquedo alternado com o ralhar porque ‘não se atira com as coisas porque pode magoar’ e em casos extremos é posto de castigo, ou seja, deixado no seu quarto durante um bocado – a duração depende da gritaria e gravidade do comportamento – seguido de uma conversa calma sobre o que se passou. Ele geralmente pede desculpa e diz que não faz mais mas por vezes pouco tempo depois está outra vez a testar os limites e é preciso dar-lhe tempo outra vez para se aperceber que não é sendo irritante que consegue o que quer.

Este fim de semana, porém, as coisas chegaram a um ponto em que nunca tinham chegado antes. De manhã fez a sua dança do costume com o pequeno almoço – primeiro diz que quer uma coisa mas afinal quer outra, choraminga, etc. Ao almoço o pai perguntou se ele queria batatas ou esparguete. A sua resposta foi ‘esparguete comi ontem’ e por isso o pai fez batatas. Quando o almoço estava pronto afinal queria esparguete. Empurrou o prato e recusou-se a comer.

Ao fim de um bocado fui dar com ele a espetar o garfo em plasticina e sem qualquer interesse na comida, por isso tirei-lhe o prato. Passados uns minutos o Tiago agarrou num banco (daqueles de plástico do IKEA para crianças) e atirou-o com toda a força. Os pés saltaram e um deles passou por mim mesmo a razar e o Tiago lá estava com um ar extremamente satisfeito. Fartei-me de gritar com ele e ficou no quarto de castigo, onde aproveitou para desfazer a cama e atirar o colchão para o chão.

Ficámos numa situação complicada porque os meus sogros tinham ficado de vir buscar o Tiago depois do almoço e ele nem comeu nem merecia ir passear. Era uma luta entre disciplina e egoà­smo. O egoà­smo ganhou, claro. Que se lixe, vai lá passear que pelo menos assim temos uma tarde calma. Se calhar somos péssimos pais mas é tão raro termos um bocadinho ao fim de semana sozinhos que não eramos capazes de abdicar dele só para sermos mais teimosos que o nosso filho de 3 anos.

O Pedro conseguiu que o Tiago se vestisse e enquanto esperavamos pelos meus sogros eu consegui convencer o Tiago a comer a carne usando o truque do ‘já que não comes, como eu’, sempre muito eficaz nestas idades.

Pelos vistos voltou a fazer birra na praia, com os avós – acho que resolveu comer areia, recusou-se a vestir ou limpar a areia do corpo ao sair da praia e ainda teve a lata de exigir um gelado como se fosse um direito irrevogável (obviamente os avós não lhe deram o gelado devido ao mau comportamento).

à€ noite tivemos mais uma cena. O Tiago pediu sumo, depois do jantar. Eu levei-lhe o sumo num copo. Ele disse que não queria o copo, queria um dos pacotes pequeninos. Eu disse que o sumo era o mesmo mas que ele não tinha que beber se não queria e pousei o copo na mesa. Ele continuou sentado a ver os desenhos animados sem dizer mais nada mas a certa altura, já uns bons minutos depois, agarrou no copo e atirou-o com toda a força para o chão. O copo era de plástico e mesmo assim ficou feito em bocados. O sumo ficou espalhado por todo o chõ da sala e foi preciso lavar três vezes até deixar de se agarrar à  sola dos sapatos.

O Tiago voltou para o seu quarto mas não ficou. Esteve no hall, encostado à  porta da sala a dizer que queria água repetidamente até eu não aguentar mais. Fui ter com ele, ele pediu desculpa e disse que não voltava a atirar o copo. Fui com ele par a casa de banho lavar os dentes e ele começou a ser teimoso outra vez. Mais uma sessão de gritos seguidos de explicações racionais – a única técnica até agora que funciona para acabar com as crises porque ele fica um bocado confuso e não sabe bem como reagir – e consegui vestir-lhe o pijama e mete-lo na cama e adormeceu pouco tempo depois.

Fiquei um bocado preocupada com a agressividade destas birras e espero sinceramente que seja uma coisa passageira. Se as coisas estão assim agora, nem quero imaginar como será a reacção ao nascimento da irmã e à  mudança de casa. O facto da educadora ir de férias em breve também não vai ajudar…

Feriado com o Tiago

Ontem foi feriado em Almada o que quer dizer que fiquei com o Tiago em casa. A vantagem é que consegui ficar na cama quase até à s 10. A desvantagem é que o Tiago raramente dorme sestas quando está em casa, quer atenção contante e companhia para as brincadeiras e torna-se impossível fazer seja o que for a menos que ele esteja a comer e ver TV. Descansar é que ainda não foi possível.

Entre fazer gatos em plasticina, falar pelo Mickey Mouse e outras brincadeias, consegui limpar a cozinha, arrumar a sala e lavar roupa. Sempre com muitas interrupções, claro, e o Tiago é que carrega nos botões das máquinas de lavar 🙂

Uma das brincadeiras favoritas do momento é assustar. O que tem piada é que ele anuncia primeiro quem é que vai assustar, grita e depois desfaz-se a rir com a nossa reacção, mesmo que encenada e repetida vezes sem conta. Assustar os gatos, porém, como é a sério, dá-lhe muito mais gozo.

Há cerca de um mês eu e o Pedro fomos promovidos a mãe e pai em vez de mamã e papá. Não sei o que deu origem a essa alteração mas tem-se mantido consistente desde então. Quanto à  mana, o Tiago já fala do assunto, dizendo que vai ter uma Joana para brincar – acho que a noção é mais um boneco novo do que uma irmã, mas suponho que é mesmo assim.

A alteração maior dos últimos tempos é a nivel da expressão de afecto. Eu sempre lhe dei muitos abraços e beijinhos e achava que ele até estava a entrar naquela fase em que eles começam a não querer essas coisas mas sucedeu precisamente o oposto. Agora é o Tiago que vem para o meu colo, seja de livre vontade seja quando pergunto se ele quer, dá-me um grande abraço e um beijinho na cara, com um grande sorrido, quando anteriormente apenas virava a cara para ser ele o beijado. A mãe, claro, fica toda derretida 🙂

Isso é um dos maiores problemas a nà­vel da disciplina. Há muito tempo que não me irrito a sério com ele e consigo normalmente manobrar a atitude negative até ele ceder, só que por vezes, quando o Tiago começa a dizer ‘não vou nada’, ‘não faço’ ou semelhante, de braços cruzados e um ar super arrogante, à s vezes até batendo o pé, tenho uma grande dificuldade em manter um ar sério e acabo por me desfazer a rir, terminando assim qualquer espécie de autoridade que tenha sobre a situação. Achar os miúdos fofinhos quando se estão a portar mal é uma crueldade da natureza 🙂

Festa da creche

Na quarta feira fomos assistir à  segunda festa de fim de ano da creche do Tiago. Ao contrário do ano passado, em que o Tiago se recusava a colaborar, desta vez esteve lá a dançar com bastante entusiasmo – fiquei extremamente surpreendida, na verdade.

Fizemos o nosso papel e fimámos e tirámos fotos e o Tiago pareceu divertir-se. Depois foi um bocadinho para casa dos avós, que tinha acabado de voltar de viagem e não o viam há quase duas semanas. A avó tentou mostrar-lhe as prendas que tinha trazido da viagem e ele embirrou com tudo e insistiu que não gostava de nada. O educado geralmente é dizer que se gosta muito mesmo quando não é bem assim mas o meu filho faz precisamente o contrário – diz que não gosta de nada mesmo quando não é verdade.

Mas pronto, eu sempre tive uma grande dificuldade em fazer um ar muito entusiasmado quando não gosto de algo e costumo optar pela verdade, apesar de saber que não é bem o protocolo aceite, mas tenho uma impossibilidade quase fà­sica em mentir – falta de hábito, suponho. A única vantagem é que quando digo que gosto as pessoas podem ter a certeza que é verdade.

Agora vamos ver se o Tiago passa a fase de teimosia ou se vai continuar a ser mal educado como a mãe 🙂

Qual hospital?

Ontem estive a fazer e imprimir a lista do que é necessário por na mala para levar para o hospital. Tenho andado a adiar mas a verdade é que já faltam poucas semanas e nunca se sabe se a rapariga não decide sair mais cedo.

Tenho que comprar uma série de coisas – fraldas, discos para o peito, cuecas descartáveis, gel de banho e hidratante para bebé, etc – começar a lavar a roupa de bebé e meter tudo na mala para estar pronta quando for necessário.

O parto estava previsto ser no HGO, tal como foi o do Tiago, mas neste último ano o Hospital ficou uma confusão tão grande que já não sei o que vai acontecer. Saà­ram uma série de médicos e grande parte dos serviços estão a ser assegurado por médicos contratados de quem não tenho ouvido nada de bom. É claro que o objectivo de ir para aquele hospitar é para ter o médico que seguiu a gravidez a fazer o parto mas de momento nem ele sabe se lá estará quando chegar a altura e isso põe-me numa situação complicada.

Já li que é até possível que a maternidade feche durante os meses de verão, de acordo com o plano de contingencia do hospital para quando há demasiados médicos de férias para manter o bom funcionamento do serviço, mas ainda não encontrei nada de concreto.

A opção de ir para um hospital privado quando não se tem seguro de saúde e se está  a meio de uma remodelação também é um bocado complicada. São pelo menos 3 a 5000 euros. A outra opção é esperar que o parto aconceça naturalmente e escolher eu o hospital público para onde quero ir – se for uma urgencia já não me podem mandar embora. Só que não sei se consigo aguentar até à s 42 semanas sem grandes ataques de panico. Estamos a tentar marcar uma cesariana para algures entre as 38 e as 39 semanas mas isso só funciona com o nosso médico actual.

Só resta esperar e discutir as opções na próxima consulta e depois esperar para ver o que acontece.

Ontem tive a primeira cntracção mais a sério. Cada vez que me levanto tenho uma contracção e tenho muitas mais quando vou a andar na rua, mas esta foi um apertão a sério. Se começar a ter muitas destas até pode ser que o problema desapareça.

A pequena aranha

Desde que o Tiago nasceu que lhe canto algumas músicas infantis como forma de o entreter. Normalmente são em inglês, porque são as versões que conheço – não é que não conheça algumas músicas ‘infantis’ em Português mas recuso-me a cantar sobre coisas como tentar matar gatos à  paulada e outros temas igualmente descabidos que são tão frequentes nas nossas músicas populares. Tinha noção que coisas como Twinkle twinkle little star e Itsy bitsy spider deviam ter versões em português mas não conhecia nem me tinha ainda dado ao trabalho de procurar.

Há algum tempo o Tiago começou a aprender essas versões em Português na escola e começou a resmungar quando eu cantava em inglês. Tentei então descobrir as versões que ele conhecia. O ‘Twinkle twinkle little star’ passou a ‘Brilha brilha lá no céu’ e é relativamente inofensiva, mas a letra da música da aranha é completamente descabida porque, para além de uma construção frásica estranha, com palavras que não encaixam no ritmo, consegue também não rimar em lado nenhum. Ora, um dos objectivos destas melodias simples é precisamente ensinar rimas aos miúdos e neste caso era tão simples que esta versão só me faz pensar em ‘2 macacos, cinco minutos’.

Pela construção frásica parece-me que esta versão é brasileira e foi adoptada pelos portuguese por mera questão de preguiça. Mas o facto de não fazer o mà­nimo esforço para rimar ou ter o número correcto de sà­labas por frase irrita-me tanto que resolvi apresentar alternativas (que ando a tentar impingir ao meu filhote a ver se pegam).

Então vejamos, a letra mais comum em inglês é assim:

The itsy bitsy spider went up the water spout.
Down came the rain, and washed the spider out.
Out came the sun, and dried up all the rain,
and the itsy bitsy spider went up the spout again.

A letra que encontrei em português e que parece ser a geralmente utilizada é assim:

A dona aranha subiu pela parede
Veio a chuva forte e a derrubou
já passou a chuva e o sol já vai surgindo
e a dona aranha continua a subir

As minhas propostas são as seguintes:

Primeiro uma versão que altera o mà­nimo indispensável da versão já conhecida para facilitar a vida à s crianças que já a decoraram:

A pequena aranha subiu a parede
Veio a chuva forte que a derrubou
Já passou a chuva e o sol chegou
A pequena aranha a subir voltou

E depois uma versão que permite rimar também a primeira frase, para não destoar das restantes e com uma terceira frase mais parecida com a versão inglesa:

A pequena aranha a parede trepou
veio a chuva forte que a derrubou
O sol chegou e a chuva secou
A pequena aranha novamente trepou

Uma vez que a terminação de cada frase é semelhante, isso permite juntar as diversas frases propostas como agradar mais a cada um até se chegar a uma versão final. Have fun.

E pronto. Sinto que cumpri o meu dever educacional do dia.

35 semanas

No passado dia 11, dia do aniversário do Pedro, tivemos consulta. Como estavamos todos de férias, o Tiago foi connosco pela primeira vez e, contra todas as expectativas, portou-se muito bem. Não ligou nenhuma à  ecografia, o que não é de espantar porque até nós temos dificuldade em ver alguma coisa que se perceba, mas estava desejoso de carregar no botão verde do ecografo, que fazia parar a imagem. O Dr Saraiva foi extremamente simpático e lá o deixou carregar no botão e até num segundo para imprimir uma imagem da eco. O Tiago ficou muito feliz 🙂

Falámos sobre o parto e o Dr disse que após uma cesariana não costuma haver muito sucesso a fazer indução num parto posterior pelo que as nossas opções seriam esperar que a coisa aconteça naturalmente, demore o que demorar, ou fazer outra cesariana. Depois do que passámos com a primeira gravidez não me vejo a conseguir esperar sem ter um aumento dos pesadelos e um ou outro ataque de panico, por isso vamos avançar para a cesariana. Desde que não apanhe uma infecção sempre é menos doloroso.

Estamos a apontar para algures entre as 38 e as 39 semanas, ou seja, entre 15 e 22 de Julho. Agora depende um bocado de como correm as negociações com o HGO que está uma grande confusão e a funcionar na sua maioria graças a médicos contratados porque os que lá estavam foram-se quase todos embora. Não dá assim grande confiança na maternidade do hospital neste momento, mas ir para um hospital privado é demasiado caro, especialmente quando não se tem seguro de saúde.

Já estou na fase de apontar os movimentos ao longo do dia mas sinceramente tenho tido mais atenção a se mexe várias vezes do que quantos movimentos são em cada periodo de actividade.

A parte pior deste último mês é a dor de costas quase constante. Até consigo andar bastante a pé sem me cansar muito mas ao fim de 15 minutos já não aguento a dor de costas. E estar sentada ao computador não é melhor.

Agora que o calor regressou estou outra vez inchada e já cheguei quase aos 80 kg graças a isso. Mas pronto, é só mais um mês.