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Workshops: Pendentes, wire wrapping

Green quartz pendantVou dar dois workshops de pendentes usando a técnica ‘wire wrapping’ durante o mês de Fevereiro.

O primeiro é já na próxima segunda feira à s 10.00h e o segundo é na segunda feira 23 à s 15.00h (dia antes do Carnaval).

Se alguém mais se quiser inscrever, comentem ou enviem email.

Sem dentes antes dos 40?

Na semana passada partiu-se um bocado de um dos dentes da frente sem razão aparente. Será falta de cálcio? Serrão duentes a martelar-me os dentes durante a noite?

Hoje fui ao dentista para tentar perceber o que se passava e arranjar o dente, e por absurda que pareça a segunda hipotese anteriormente mencionada, não está tão longe da verdade como isso. De facto não são duendes mas parece que durante a noite os meus dentes batem uns nos outros de forma desordenada causando fracturas. É algo que não se consegue controlar e cuja única solução será passar a dormir com uma daquelas protecções como usam os boxeurs para separar os dentes de cima e de baixo. Aposto que passava a noite a babar-me…

Por enquanto não vamos já por aà­ mas se voltar a partir, lá terei de fornecer um preservativo noturno aos meus dentinhos.

Infelizmente até já estava à  espera de algo do estilo porque o meu pai tem um problema semelhante – range os dentes durante a noite até os gastar. Parece que é hereditário.

O perigo de ter uma criança

Normalmente, quando se fala de perigo e criança na mesma frase, estamos a referir-nos a perigos PARA a criança. Porém, quando se tem um filho que gosta de dar cabeçadas, o perigo é a própria criança.

Depois de já ter levado muitas cabeçadas na ponta do nariz e nas maçãs do rosto, mesmo em chio no osso, já devia tomar algumas precauções quando estou ao pé do Tiago, mas os ataques são sempre imprevisà­veis. Ontem à  noite o Tiago estava a brincar com os atilhos da minha camisola e, por qualquer motivo que já nem me lembro, entusiasmou-se e deu-me uma cabeçada com toda a força no nariz. Como disse anteriormente, já tinha levado muitas mas nenhuma deste calibre. Enquanto estava encolhida a um canto, agarrada ao nariz e a choramingar como um bebé, o Tiago ficou ligeiramente preocupado mas nem se apercebeu do que aconteceu e ao fim de um minuto ou dois já andava a brincar normalmente.

Assim que passou a dor inicial eu também tentei endireitar-me e tentar comportar-me normalmente, porque sabia que ele não fez de propósito e não o queria assustar. Só que foi nessa altura que começou a jorrar o sangue porque tinha parado de apertar o nariz.

Para qualquer pessoa normal isso não é mais do que mais uns momentos de desconforto até parar a hemorragia mas infelizmente eu tenho uma reacção imediata ao sangue. É um fenómeno bastante comum e que no meu caso parece ser de famà­lia. Saltou ambos os meus pais mas o meu irmão e o meu tio também são assim.

Comecei a ficar enjoada. É um daqueles enjoos que eu tento controlar mas já sei que vou acabar por vomitar faça o que fizer. É horrivel quando o nosso corpo nos controla dessa forma. Até podemos achar que estamos calmos e racionais mas não há nada a fazer. O Pedro diz que por esta altura fiquei ainda mais branca do que o costume, algo que não posso confirmar porque não vi.

Ao fim de um bocado, como o enjoo não passava, o Pedro sugeriu que eu tentasse andar um bocado. Não me pareceu boa ideia mas pensei que se era para vomitar que fosse depressa porque não queria ficar assim mais tempo. Fui até à  casa de banho molhar a cara e comecei com tonturas. Sentei-me rapidamente mas não ajudou e comecei a ver tudo branco. Chamei o Pedro, para o caso de cair para o lado mas acabei por não desmaiar porque fui distraà­da pelo vómito.

O Pedro estava a tentar distrair o Tiago e evitar que ele entrasse na casa de banho – não vale a pena traumatizar já a criança – e depois de uma longa sessão de vómito o meu està´mago lá se acalmou e senti-me finalmente melhor.

Depois de lavar vigorosamente os dentes e abusar do mouthwash, fomos dar banho ao Tiago e deitá-lo, como normalmente. Depois fui tomar banho, porque tinha ficado a suar que nem um porco com isto tudo.

Felizmente a pancada não foi grave porque acertou muito em cima, já no osso. Não sei se teria a mesma sorte se tivesse sido um bocadinho mais abaixo. Não que eu seja grande fã do meu nariz mas é o único que tenho e já agora gostava de o manter intacto.

A maldição dos gatos

O Pedro estava a ver o Top Gear e o Jeremy disse uma coisa que eu já pensava há muito tempo: se conhecem alguém que gosta de carros, lembrem-se que essa pessoa gosta é de carros, não é de toalhas com carros bordados.

O mesmo se aplica há muito tempo a mim e gatos. Só porque gosto de gatos isso não quer dizer que goste de coisas decoradas com gatos. E no entanto, ao longo dos anos tenho acumulado uma colecção gigantesca de prendas de aniversário e natal que incluem canecas, pratos, pijamas, meias, livros e toda a espécie de objectos decoradas com gatos. Por causa disso desenvolvi um ódio de estimação à  loja do gato preto, responsável por muitas destas barbaridades.

Mas como explicar isto à s pessoas sem as ofender? É que aposto que andam à s compras, vêem uma coisa decorada com gatos e pensam ‘olha, isto era perfeito para a Dalila, ela gosta tanto de gatos!’. Quando na verdade eu prefiro coisas simples, com uma cor sólida ou riscas coloridas. Mas não há nada a fazer e aposto que vou continuar a coleccionar peças com horriveis decorações de gatos durante muitos anos.

Coisas que não compreendo: obras

Apesar do metro já estar em funcionamento, as obras continuam, pelo menos na minha zona. Para subir a rua passo sempre por dois ou três buracos todos os dias. Passado uma semana tapam os buracos e abrem novos um bocadinho mais à  frente. Na revista de Almada descrevem estas obras como pontuais, de correcção, e feitas por uma pequena equipa para não dar a ideia que toda a cidade continua em obras. Sinceramente não vejo grande diferença. Continuo a ter de passar por zonas de lama ou pela estrada porque o passeio está todo aberto e a passagem bloqueada com grades e uma escavadora. A maior diferença é que pelo menos já consigo atravessar para om outro lado da rua, o que já não é mau, mas torna as viagens diárias à  creche uma verdadeira corrida todo-o-terreno em que o mapa do percurso está sempre a mudar.

Passar por todas estas obras faz-me sempre pensar no mesmo: porque é que em qualquer obra está sempre um homem a trabalhar e dois ou três de braços cruzados a assistir? É SEMPRE a mesma coisa e parece-me um desperdicio imenso de recursos. Em qualquer obra estão sempre a pagar a uma série de gajos para não fazer nenhum. É um caso tà­pico da má gestão portuguesa.

Choco Krispies

Há muitos anos que como chocapic ao pequeno almoço. Sempre fui um bocado viciada em chocolate e esta é uma forma de despachar o vicio logo de manhã. Nunca consegui comer pão de manhã porque me parece muito seco e os cereais são muito mais rápidos e práticos de preparar, o que dá jeito quando se tem um horário a cumprir.

Desde que o Tiago começou a ir para a creche, comecei a tomar o pequeno almoço ao mesmo tempo que ele e, como é obvio, assim que ele viu que eu estava a comer uma coisa diferente da sua papa, quis logo experimentar. Dei-lhe uma colherada de leite, que fica sempre com um leve sabor a chocolate e daà­ para a frente começou uma guerra infinita, com o Tiago a preferir a minha comida à  dele e a acabar o leitinho dos meus cereais todas as manhãs.

Comecei a achar que se calhar estava na altura de ele passar das papas de bebés para os cereais normais dos meninos mais crescidos. Afinal de contas é para isso que ele tem dentes. Mas não queria dar-lhe chocapic porque achei que os flocos são grandes demais e tinha medo que ele se engasgasse

Ontem, quando fomos fazer as compras do mês, andei na secção dos cereais de pequeno almoço e decidi-me pelo choco Krispies. É suficientemente parecido ao meu chocapic para poder continuar a comer ao mesmo tempo que ele mas com flocos muito mais pequenos o que me dá um pouco mais de confiança.

Hoje de manhã foi o primeiro teste. Ele adorou. Esteve a mastigar os cereais e até aprendeu a inclinar o prato para conseguir apanhar o leite com maior facilidade. Como sempre fez tudo sozinho, ficando muito irritado sempre que eu tentava ajudar.

Agora só falta tentar alternar com um sem chocolate a ver se faz diferença.

Imagino que deve haver muita gente que acha que dar cereais com chocolate a uma criança com menos de dois anos é um crime mas como ele é magrinho não me preocupo muito. Eu sempre fui viciada em doces e fui magra durante toda a adolescencia. Acho que o exagero com fritos e molhos é muito mais perigoso do que uma coisinha doce de vez em quando e a verdade é que os miúdos são naturalmente atraà­dos pelo doce, não somos nós que o provocamos. Desde que também continue a comer a sopinha não vejo grande problema.

Noite dificil

O Tiago anda constipado semana-sim semana-não desde Outubro. No geral não tem sido nada de grave, sem grandes febres nem infecções nem nada disso, o que pelo que tenho visto de outras mães tem sido uma sorte, especialmente para um miúdo que anda na creche e cujo pai teve um virus brutal durante o Natal.

Normalmente só se nota que está efectivamente doente durante um dia, em que se anda a arrastar pelos cantos, só quer colo e dorme brutas sestas ou então não dorme nada. No dia seguinte já costuma ter um comportamento mais normal, e se não fosse o nariz entupido e a tosse, nem se dava por nada.

Os maiores problemas com estas constipações contà­nuas são o facto de deixar de comer: duas colheradas de arroz, pousa a colher ou garfo, afasta o prato, começa a sair da cadeira e é uma dor de cabeça convencê-lo a comer mais um bocadinho que seja. A sopa acabou, a fruta só daqueles pacotinhos de chupar porque comer puré de fruta à  colher também já não quer e fruta à s rodelas também não vai – limita-se a esmagar a fruta na mão e não come nada.

A única forma de comer estas coisas é saltar uma refeição: quando não come sopa ao almoço voltamos a dar ao lanche em vez do leite ou do iogurte. Faz uma grande birra porque não é aquilo que ele quer mas lá acaba po ceder, ao fim de muito protesto. Depois lá lhe damos-lhe o iogurte.

Estas lutas por causa da comida são muito cansativas e verdadeiramente deprimentes. Como ele é magrinho não nos podemos dar ao luxo de o deixar sem comer. Tinhamos esperança que de uma refeição para a outra a fominha fosse mais forte que a birra mas isso nem sempre acontece e à s vezes o pequeno almoço fica todo no prato.

Aquilo que salva a situação é que na creche ele come bem. Com os outros miúdos e umas educadoras que não ligam a fitas, ele come tudo sozinho e aparentemente sem grandes problemas. Quando tem de ficar em casa por estar doente é que fica tudo estragado.

O jantar de ontem foi um bom exemplo desta fase. Sentei-o à  mesa, ele começou a gesticular em direcção à  sopa e começou a comer assim que conseguiu chegar à  colher mas ao fim de duas ou três colheradas parou, afastou o prato e começou a tirar o babete. Como é que se passa de fome para ‘já acabei’ com esta rapidez?

O Pedro fez massa com atum para ser a mesma comida para todos e o Tiago ficou montes de tempo a tentar espetar a massa com o garfo mas depois não a comia. Finalmente caçou um cogumelo, meteu-o na boca e cuspiu-o fora rapidamente. Voltou a afastar o prato.

Fui aquecer-lhe arroz, que ele costuma gostar. Comeu um bocadinho mas nem chegou a meio antes de voltar a desistir. Finalmente dei-lhe a fruta, que ele comeu, e depois ficou um bocado a brincar com a massa outra vez, mas não para comer – começou a tirar bocadinhos de massa da tigela a e pà´-los no meu prato. Provou uma rodela de azeitona, que acabou por comer e pronto. Acabou.

Durante a noite acordou duas vezes com um choro angustiante. Não conseguimos perceber se foram pesadelos, se estava com fome ou se lhe doia qualquer coisa. Não queria colo e não se acalmava. Lá acabei por conseguir pegar-lhe e passado um bocado começou a acalmar-se mas depois não queria voltar para a cama. Ainda demorou um bom bocado até voltar a deitar-se. à€s 3 da manhã voltou a acontecer. Desta vez tivemos de acender a luz porque ele não reagia a nada do que tentámos. Acabou por funcionar. Depois apagámos a luz, ligámos a música e ele aceitou deitar-se ao meu colo e começou a fechar os olhinhos. Quando estava mesmo a adormecer levei-o de volta para a cama e ele pareceu calmo mas começou a chorar novamente quando saà­mos do quarto mas felizmente acabou por adormecer pouco tempo depois.

Quando acontecem estas coisas continuo a sentir-me tão incompetente como quando ele era recém-nascido.

Conspiração climatérica

Cada vez que saio de casa em direcção à  creche do Tiago começa a chover. Eu até verifico antes de sair e parece tudo bem, mas quando chego à  rua já chove, e à  medida que vou andando vai chovendo cada vez mais. Quando chego à  creche estou completamente ensopada.

O mais inacreditável é que no caminho de volta, passados uns 5 ou 10 minutos, já parou de chover e o céu está azul. Ou seja, para lá, quando tenho um horário a cumprir e não posso parar à  espera que a chuva passe, é sem misericórdia; no caminho de volta, quando estou mais à  vontade e posso vir nas calmas já não há chuva nenhuma. Não parece de propósito?

Hoje vou tentar lembrar-me do guarda-chuva, mas com a ventania constante desta zona é um objecto um bocado inútil.

Será que isto nunca mais acaba?

Há pouco mais de um mês descobri que o isolamento da minha banheira foi mal feito o que resultou numa infiltração nos dois andares de baixo. Estou desde então à  espera que o Sr. que fez o orçamento arranje tempo para vir cá resolver o problema, colocando um rodapé de mármore à  volta da banheira.

Deixámos de poder tomar duche desde então e os banhos são sempre com muito cuidado para não molhar a parede ou o rebordo da banheira. Ao fim de um mês disto já estamos um bocado fartos.

Entretanto a vizinha de baixo fez obras e renovou a sua casa de banho, que tinha começado a partir porque pensava que a infiltração era do andar dela.

Hoje vem a senhora do 6º andar bater-me à  porta a dizer que tem novamente à gua a pingar na sua casa de banho. É noutro sí­tio, onde eu nem sequer tenho canos, mas a opinião geral dos vizinhos é que tem de estar relacionado com o problema anterior, provavelmente que a água acumulou na placa e está agora a sair por outro sí­tio.

Tanto o meu contador como o dos vizinhos de baixo não mexe pelo que não parece ser um cano rebentado. O mais lógico neste momento é que seja um cano de esgoto: quando se vaza a banheira ou lavatório, o esgoto deixa sair água que infiltra. Resta saber se é da nossa casa ou do andar de baixo, algo que não me parece fácil de descobrir sem partir tudo ou pelo menos sem desmontar o lavatório, sanita, etc.

Já liguei ao homem que é suposto vir arranjar a nossa banheira e expliquei a situação. Ele diz que vem amanhã para tentar descobrir o que se passa.

Entretanto o Pedro lembrou-se de uma coisa que já tinha sugerido há algum tempo: deitar corante na água para ver se aparece vermelho na casa dos vizinhos e quando disse isso eu lembrei-me que estive a pintar o cabelo esta manhã e a água saiu de facto muito vermelha. Não sei se será suficiente para concluir alguma coisa mas parece-me que se fosse do esgoto da nossa banheira deveria estar a pingar água vermelha na casa dos vizinhos.

Quanto ao problema da chaminé, o perito determinou que a obra do andar de cima foi mal feita e meteram o tubo a apontar para baixo em vez de apontar para cima mas não faço ideia se o vizinho já começou a resolver isso ou não.

Estou farta desta casa.

A gripe do Tiago

O Tiago foi ao oftalmologista na quarta feira e depois de uma sessão de berraria porque não queria ficar quieto, olhar para a luz ou por as gotas nos olhos, como seria de esperar, lá concluimos que não tem miopia, pelo menos por enquanto, e que as caretas são mesmo assim ou quanto muito terá os olhos secos. Nada de grave, portanto.

Eu que comecei a usar óculos muito cedo e sempre os detestei não estava muito feliz com a ideia de ter de por óculos no Tiago, especialmente porque ele não me parece um miúdo muito fácil de convencer. Já é complicado calçar-lhe sapatos quanto mais por-lhe uma coisa na cara.

Ocasionalmente usa óculos escuros mas foi preciso largos meses até ele os aceitar e é mais por brincadeira e só quando lhe apetece.

No sábado o Tiago esteve completamente em baixo com uma bruta gripe. O Pedro já estava doente desde quarta feira e o Tiago acabou por apanhar também o mesmo và­rus. Até agora eu pareço bem. Vamos ver.

O Tiago até costuma ter bastante energia mesmo quando está doente. Continua a querer brincar e comporta-se muitas vezes como se não fosse nada. Mas desta vez estava de rastos. Dormiu mais de 4 horas e quando estava acordado só queria colinho e TV. E deixou outra vez de comer, como é obvio.

Ontem já estava um bocado mais animado, apesar de continuar com uma brutas olheiras e ficar com ranho a escorrer pela cara cada vez que espirrava, mas sempre estava mais mexido. Por outro lado não dormiu a sesta. Tentámos deitá-lo 3 vezes. Parecia ficar bem e ao fim de um bocado estava completamente acordado, em pé na cama a abrir a porta do roupeiro. Acabou por dormir uns 40 minutos no máximo.

O resultado é que, apesar de ter ido para a cama à  hora do costume, hoje de manhã estava ferrado à  hora de levantar para ir para a escola.

Acho imensa piada a vê-lo imitar aquilo que fazemos. Ontem andava com o termómetro na mão e ia colocando-o no ouvido, como nós fazemos. Depois queria pà´-lo no nosso ouvido e finalmente foi medir a temperatura do ursinho 🙂

Aliás, os ursinhos de peluche são onde ele ensaia tudo antes de testar com humanos. Começou por dar beijinhos nos ursinhos e agora já dá a toda a gente 🙂

O Metro de Almada

O metro de Almada já está em funcionamento desde o final de Novembro e ainda não tinha dito nada sobre o assunto. Achei que precisava de algum tempo e distancia para formar uma opinião mais fundada que não fosse tão influenciada pelo horrivel ano de obras que tivemos de aturar.

Desde o principio que achei boa ideia a construção do metro na cidade. Em Lisboa ando sempre de metro e detestava ter de andar de autocarro em Almada, preferindo geralmente andar a pé mesmo quando eram grandes distancias, perdendo assim pelo menos meia hora para chegar a algum lado.

As obras foram de facto muito incómodas mas até trouxeram alguns benefà­cios, nomeadamente o facto de agora já se poder circular na avenida 25 de Abril com um carrinho de bebé sem ter de passar o tempo todo a subir ou descer degraus. Até certo ponto acabaram os carros estacionados em todos os passeios, o que dá muito jeito. Infelizmente aparecem sempre alguns imbecis de vez em quando – principalmente ao fim de semana quando não há fiscalização – que estacionam no passeio, muitas vezes sem deixar espaço para as pessoas passarem. Por este motivo perguntei-me desde o inicio porque raio não puseram pinos no passeio se o objectivo era não haver estacionamento naquela zona. É só para ganhar uns trocos com a multa ocasional? Não faz muito sentido. Esperar que os cidadãos se comportem de forma civilizada o tempo todo é o mesmo que esperar que o cão se levante de manhã e vá lavar os dentes. A subtileza não funciona no que diz respeito ao estacionamento selvagem.

Os passeios rebaixados junto à s passadeiras, que mais uma vez dão muito jeito para carrinhos de bebé e cadeiras de rodas, tornaram-se a rampa de estacionamente preferida de alguns rafeiros da zona. Quando apanho um ainda dentro do carro leva logo uma enxorrada de insultos. Pode não fazer nada mas pelo menos não tem a desculpa de que não sabia ou que não reparou que não dava jeito estacionar ali.

É claro que se tornou muito mais dificil estacionar o carro na avenida e respectivas pracetas que sempre estiveram cheias e agora com menos lugares ainda pior. E há alguns lugares de estacionamento que foram eliminados sem fazer muito sentido. O caso mais óbvio é no último quarteirão da avenida, nos prédios do canecão. Ao contrário dos outros prédios mais acima, esta arcada não tem escadas pelo que o passeio fora da arcada poderia continuar a funcionar como estacionamento sem incómodo para os peões. Compreendo que ter carros a entrar e sair do estacionamento numa avenida que passou a ter apenas uma faixa de rodagem em cada sentido poderia entupir o transito mas isso acontece à  mesmo porque continuam a estacionar ali. Mais uma vez: ninguém previu isto? Será possível?

Mas isto são pequenos pormenores. O maior problema de transito que vem das alterações pós-metro é a chamada ‘zona pedonal’. Cortaram o transito à  avenida principal da cidade passando a circular-se apenas por ruas secundárias que ficam rapidamente entupidas e que obrigam a dar umas voltas inaceitáveis para se conseguir chegar a algum lado, enquanto o centro da cidade está à s moscas.

Compreendo, mais uma vez, que estão a tentar incentivar as pessoas a usar o metro mas isso nunca vai funcionar por dois motivos. Primeiro porque o metro não chega a pontos suficientes da cidade nem tem paragens suficientes pelo caminho. Entre a praça gil vicente e a praça S. João Baptista temos duas avenidas longas sem uma única paragem. O que é que lhes deu? Acham que toda a gente tem 20 anos e pode subir ou descer aquilo tudo a pé?

Para além disso, ao querer renovar o comércio no meio da cidade (comércio esse que as obras do metro mataram e vamos lá ver se renasce) – criando uma zona pedonal onde é OBRIGATà“RIO andar a pé porque os carros não podem passar e não há paragens de metro, não fizeram o metro ir até ao Fórum Almada, que é o destino principal dos habitantes locais ao fim de semana. Eu sei que o contro comercial é a concorrencia das lojas locais mas este tipo de visão idealista é muito limitada, pouco prática e nada realista. Se o metro fosse onde as pessoas querem ir então talvez se tornasse de facto num transporte alternativo. Assim sendo é apenas um incómodo que destruiu o transito da cidade e que passa de vez em quando e nos acorda a meio da noite porque resolveram construir-nos uma linha de comboio à  porta de casa.

Nas zonas em que se pode andar de carro ao longo da linha, a faixa de rodagem automóvel parece que foi projectada por um gajo cego que levou uma série de encontrões durante o desenho. Cada passadeira obriga os carros a fazer uma pequena curva que é verdadeiramente perigosa. De noite estas saliencias nos passeios não se vêem e são dificeis de evitar. No mà­nimo deveriam ter colocado reflectores no lado do passeio destas zonas mas parece que soluções práticas, tal como os pinos nos passeios não tiveram lugar no planeamento destes detalhes.

Outro exemplo disso são os novos caixotes do lixo e reciclagem que foram plantados ao longo da linha do metro. São de facto muito práticos do ponto de vista em que, tendo o contentor debaixo do chão este pode ter maior capacidade. Infelizmente a tampa tem uma falha de design grave: quando abre fica na vertical em vez de dobrar completamente para trás. Isso faz com que seja muito mais fácil partir as tampas e também faz com que estas se fechem sozinhas com o vento tà­pico das avenidas quando se está a por o lixo lá dentro. Era assim tão dificil arranjar umas dobradiças com um ângulo maior? Usem a cabeça e testem as coisas, raios!

Para mim que até estava confiante que o metro ia dar imenso, jeito fiquei decepcionada. A paragem do Parque da Paz é demasiado longe e para chegar ao parque é preciso subir e descer escadas, impossível com o carrinho de bebé. A paragem que me dava jeito para ir ao dentista ou levar o Tiago ao jardim de almada não existe – é na praça do MFA, no meio do ‘percurso pedonal’. E a escola do Tiago fica num sí­tio onde o metro não passa.

Não quero com tudo isto dizer que acho o metro inútil ou uma má ideia. Acho que deve dar jeito a muita gente, especialmente quem quer ou pode ir para Lisboa de comboio ou de barco, mas não posso negar que tem algumas limitações e que muitos dos detalhes foram mal pensados. Como alternativa aos autocarros, tenho ouvido principalmente a queixa de que é mais caro, apesar de ser obviamente mais confortável e provavelmente muito mais rápido, o factor monetário continuará a ter bastante impacto para uma grande fatia da população.

Em resumo acho que o maior problema actual é que o metro é um pouco limitado como transporte dentro da cidade. Faltam-lhe algumas paragens cruciais e para os percursos mais comuns de muita gente continua a ser mais prático andar a pé ou de carro, o que na minha opinião é uma pena porque eu estava cheia de vontade de começar a andar de metro por aqui.