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11 semanas

Nem acredito que já estou a chegar ao final do primeiro trimestre. A fome incontrolável já passou mas entretanto ganhei 5 ou 6 quilos, numa altura em que devia ficar precisamente na mesma já que o feto não tem mais do que o tamanho de uma uva. Ando com baixa auto-estima e fico verdadeiramente deprimida cada vez que me vejo no espelho.

Os enjoos andam melhor mas ainda não passaram completamente e tenho a impressão que o estomago não me vai dar tréguas até ao fim.

No fim de semana já consegui ouvir o batimento cardà­aco com o doppler que os meus sogros emprestaram e é estranho como uma coisa tão simples faz uma diferença tão grande. Acho que pelo facto de ser em casa e não no consultório médico torna tudo estranhamente mais real.

Desta vez não me sinto com medo. Antes do Tiago não sabia o que esperar de mim e das minhas reacções a ter que tomar conta de uma criança, mas agora que sei que as irritações são sempre contrabalançadas com um sorriso e que no fundo vale a pena, não tenho nenhuma das ansiedades das gravidezes anteriores. Não sou perfeita e faço asneiras mas também já percebi que tenho mais resistencia e paciencia do que alguma vez esperei. Até as noites sem dormir me parecem uma questão menor porque ao fim de quase três anos continuo a acordar várias vezes todas as noites.

Mas quando digo que não tenho medo não quero com isso dizer que estou ultra confiante. Simplesmente não me sinto ansiosa ou preocupada. Sei que se correr alguma coisa mal não será algo que possa prever ou prevenir e como tal não vale a pena preocupar-me com isso. Estou à  espera de marcos como a amniocentese – aquelas situações que podem terminar de vez as nossas expectativas – mas aguardo-o com bastante calma. São mais dois meses – um até ao exame e outro até aos resultados – antes de dar permissão a mim mesma para começar alegremente a fazer planos.

Ao mesmo tempo, não estou efectivamente à  espera que corra alguma coisa mal. Por um lado acho que já tive a minha dose e é preciso o universo odiar-me com todas as suas forças para acontecer o mesmo outra vez, o que vai completamente contra a lei das probabilidades, por outro lado, enquanto a criança existe, tem o coraçãozinho a bater e não há prova que contradiga o facto de que sairá cá para fora saudável, a minha vida segue o caminho que tem de seguir, abrindo espaço para este ser que para todos os efeitos já existe. Pode ser um bocado como comprar a garagem antes do carro, mas é a natureza humana. Não vou comprar roupa nem montar o quarto antes de ser preciso mas é impossível não pensar onde colocar o berço.

Só gostava que parassem de insisitir que vai ser uma menina. Começo a ter vontade de bater nas pessoas. A mania do ‘casalinho’ não podia ser mais irritante. Até parece que se for um rapaz vai ficar toda a gente muito triste. Epá, se quiserem mesmo vestir o miúdo de cor de rosa e dar-lhe bonecas não vejo qualquer impedimento nos primeiros tempos. Nem vai dar pela diferença!

De volta ao puzzle da casa

Depois de termos recebido uns orçamentos mais altos do que esperávamos para as obras da casa que fomos ver, estavamos já convencidos a desistir ou então a fazer uma oferta bastante mais baixa quando descobrimos que um dos orçamentos incuà­a o sótão, e como tal, o valor das obras da casa, que era a única coisa que considerávamos fazer numa primeira fase, descia consideravelmente.

Ficámos novamente com o dilema inicial. Vamos arriscar a comprar uma casa em péssimo estado, com o objectivo de fazer obras, correndo o risco das mesmas sairem bastante mais caras do que estamos à  espera ou continuamos a jogar pelo seguro e ficamos nesta casa mais uns anos até o espaço se tornar verdadeiramente claustrofóbico?

Umas vezes acho que sim outras acho que não. Do ponto de vista do valor da casa não tenho dúvidas que, tendo o poder de fazer as obras que a casa precisa, vale a pena investir. O problema é que o investimento vai um pouco para além da nossa almofada de segurança e pode ser um risco demasiado grande. Não ficamos sem nada mas vamos ter de passar a modo de poupança extrema durante vários anos e, para quem já está habituado a um certo conforto e a não ter de andar a fazer as contas as todos os tostões, é capaz de doer um bocado.

Não vejo como conseguiriamos pagar a creche de mais uma criança, por exemplo, apesar de isso não ser um problema durante pelo menos dois anos, mas não deixa de me preocupar não conseguir prever claramente este tipo de situações.

Preocupa-me também não saber qual será a resolução para a nossa casa actual. Se a vendemos depois de comprar a outra vamos ter o problema das mais-valias. Se a alugamos continuamos responsáveis pelas despesas do condomà­nio e reparações. Todas estas questões pesam na decisão de avançar ou ficar na mesma.

Acho que concordo com o Pedro e temos que ir ver a casa mais uma vez para conseguir decidir e tirar medidas a tudo porque temos algumas dúvidas que as áreas sejam mesmo as que estão na planta.

Ano novo

Há alguns anos que a passagem de ano é em casa dos meus sogros com jantar seguido da geração mais velha à  volta de uma guitarra a contar músicas dos Beatles (por vezes já sob a influencia duns copinhos de whiskey) seguido de ver o fogo de artificio da varanda, apropriadamente virada para o Tejo.

Penso que se começou a tornar um pouco repetitiva pelo que alguém achou boa ideia introduzir o conceito de máscaras nesse dia. Há quem ponha muito tempo e energia nos fatos e quem só pense nisso cinco minutos antes. Connosco varia um bocado de ano para ano. Este ano alguns dos fatos estavam muito giros, apesar de pouco práticos para usar toda a noite.

Para variar também dos Beatles, começámos a levar a PS3 com o singstar, que pelo menos permite um pouco mais de variedade (mesmo assim, como temos o singstar Queen ou o singstar Abba, a probabilidade de sair outra das músicas que comprámos online era baixà­ssima, o que é uma pena). Também aumenta o volume de som, graças aos microfones, mas como permite organizar equipas acaba por dar para mais gente participar.

Se não fosse o choque Tiago/Martim que deixou toda a gente um bocado mal disposta, teria sido uma noite mais agradável mas não há grande coisa a fazer com crianças desta idade.

(nota para a posteridade: acho que nunca fiz tanta censura num post como neste… raios, que isto começa a tornar-se difà­cil. Mais valia começar a meter tudo ‘private’.)

Natal

Felizmente no dia 24 já me sentia um bocadinho melhor, apesar de continuar doente. Fomos para casa dos meus tios mais cedo do que é habitual para poder ver o meu irmão e famà­lia antes deles irem para Borba e trocarmos as nossas prendas.

O Tiago voltou a ter o comportamento habitual com o Gabriel e todos os meninos mais pequenos, que é empurrá-los assim que se aproximam demasiado. Não me parece que seja um empurrar por maldade. É mais um gesto de protecção para ele próprio porque na escola já foi mordido e empurrado e aprendeu finalmente a defender-se. O problema é que agora não deixa que ninguém se aproxime sem ter esse instinto de os afastar imediatamente. Não quer com isso dizer que não se note um certo gozo no facto de conseguir efectivamente afastar ou fazer cair os outros. O Tiaguinho gosta obviamente de se sentir grande e forte e não há forma melhor do que empurrar os mais pequenos. E os miúdos mais pequenos têm sempre uma atracção pelos mais crescidos mas não compreendem essa coisa do espaço pessoal. Como estão com pouco mais de um ano e ainda não se equilibram bem em pé, também é mais fácil irem parar ao chão.

Passadas umas horas, depois do Gabriel se ir embora, foi a vez do Tiago ser o mais pequeno. O Daniel, que estava muito feliz a exibir os seus dotes de artes marciais, a certa altura encostou o Tiago à  parede agarrando-lhe pelo pescoço. O Pedro estava lá e explicou que não se podia fazer aquilo e o Daniel, que é mais crescido, compreendeu e parou. O Tiago estava feliz da vida porque os meninos mais crescidos estavam a brincar com ele e não se importou nada, apesar das brincadeiras serem sempre do estilo fecharem-se todos num quarto menos o Tiago que não podia entrar. Enfim, são todos iguais.

Mas como digo, o Tiago não se preocupou minimamente com a segregação e fartou-se de correr e brincar à s escondidas e à  apanhada, principalmente com a Francisca que esteve sempre com muita paciencia. Cada vez que paravam lá vinha o Tiago ‘anda, Francisca!’ e iam os dois outra vez correr pela casa. A certa altura deixei de me preocupar e deixei-os em paz. Como não ouvi ninguém chorar parecia estar tudo bem.

Estive sempre um bocado enjoada e não comi grande coisa. O Tiago aguentou-se até à s prendas mas depois começou a ficar demasiado cansado e as últimas já nem abriu. Acho que com ele o gozo é maior se tiver uma prenda de vez em quando e tempo para brincar com ela do que cinco ou seis de seguida.

Levei-o para o carro ao colo, já com a cabecinha encostada no meu ombro e adormeceu assim que o carro começou a andar.

No dia 25 acordámos tarde e fomos almoçar a casa dos meus sogros. Foi um ambiente mais calmo e com menos gente e até o número de prendas foi bastante menor este ano, o que facilita o transporte para casa.

Demos ao Tiago uma cozinha porque eu acho que não pode ser só carros e esse preconceito de que as cozinhas são só para meninas tem de acabar. É claro que também teve carros e helicópteros e toda a espécie de veà­culos mas assim é mais equilibrado 🙂

No domingo a Carla e a Elsa vieram visitar-nos e trocar as nossas prendas. O Tiago, com duas meninas para quem se exibir, começou a tentar levantar a mesa da sala e a dizer ‘Tiago, forte!’. Foi hilariante 😀

Vou estar doente este natal

Ontem à  noite comecei a sentir dor de garganta e aparentemente a dor de cabeça constante do dia de hoje e as tonturas nada tiveram a ver com a noite de insónia. Estou doente. O mais provavel neste momento é ter uma infecção na garganta, algo que aparentemente tenho uma grande tendencia para apanhar.

Da última vez foram precisos 4 antibióticos e injecções de penicilina antes de passar e desta vez, como estou grávida, os medicamentos que posso tomar em segurança estão muito mais limitados.

O Tiago também anda constipado mas os sintomas parecem ser diferentes. Por mim, até estaria bem se não fosse a dor de cabeça infernal que faz com que nem consiga estar confortavelmente em pé mais de uns segundos mas a temperatura até agora não passou dos 37.

Era suposto fazer um cheesecake para levar amanhã para casa dos meus tios que acabou por ter de ser o Pedro a fazer e não sei em que condições vou estar amanhã. Ainda por cima o tempo parece estar bastante mau por isso vamos ver se não acabamos a noite de natal fechadinhos em casa.

Cookies

Ontem de tarde estive a fazer biscoitos. Achei que era uma coisa gira para fazer com o Tiago, por isso preparei a massa e quando ele voltou da escola esteve a ajudar a cortar os biscoitos, escolhendo ele as formas que mais gostava. Tirando um ou outro momento de bater com a forma na massa repetidamente, tornando necessário voltar a estender a mesma, ele foi muito paciente e cooperante. Depois dos biscoitos arrefecerem dei-lhe um para ele provar e acho que ficou aprovado. Não tenho é paciencia para decorar aquilo como chocolate derretido, este ano. Acho que vão ficar mesmo assim.

Esta tarde ainda tenho de fazer um cheesecake para levar amanhã para Palmela. Este ano as sobremesas ficaram a cargo das visitas.

Um pouco mais desanimada

Depois de termos ido ao banco e obter uma resposta bastante positiva – sempre relativa à  avaliação da casa, mas não me parece que haja muitos problemas por aà­ – ontem de manhã voltámos a visitar a casa, acompanhados de dois empreiteiros, para nos fazerem um orçamento das obras necessárias, de acordo com aquilo que nós achamos necessário fazer. Nenhum adiantou qualquer espécie de valor no momento, como é obvio, mas fiquei com a ideia que será bastante mais do que os 25 ou 30 mil que nos tinham sugerido inicialmente.

Um dos pontos baixos foi a descoberta de um barrote do telhado completamente podre, o que implica uma intervenção mais extensa do que tinhamos esperança que fosse necessário. Também não deu para perceber se as infiltrações, que são causadas pelos algerozes, são complicadas de resolver ou não pelo que tudo isto tem o potencial para deslizar para uma despesa absurda.

Saà­ de lá bastante desanimada e com a sensação que ainda não é desta que vamos ter uma casinha com espaço e um terraço para o Tiago andar de triciclo. Vamos esperar pelos orçamentos mas estou um bocado pessimista, até porque dependemos de um empréstimo familiar que não estou a ver ir a lado nenhum.

Graças a tudo isto não dormi nada esta noite e estou tão cansada hoje que até tenho tonturas. Acabei por desistir de tentar dormir à s 4 da manhã, depois do Tiago ter vindo ressonar para a nossa cama e eu ter passado uma hora sem conseguir voltar a adormecer. Fui para a sala beber um iogurte là­quido, porque estava cheia de fome, e ver TV, e depois ainda passou mais uma hora até conseguir chegar a algo que se parecesse com dormir.

Continuo a achar que, tendo o dinheiro, vale a pena investir naquela casa mas já me começa a parecer que não é para nós. Ainda por cima a dona da casa não parece muito aberta a negociações relativamente ao preço, e o que ela pede de momento não dá mesmo para nós nem me parece que seja fácil alguém comprar a casa naquele estado por aquele preço.

A sonhar com um castelo

Com a previsão do aumento da famà­lia torna-se cada vez mais obvio que a certa altura vai ser necessário mudar de casa. Já estava convencida que não ia haver mais nenhum bebé e como tal podiamos ficar confortavelmente por aqui, mas com a confirmação da gravidez os nossos planos de mudar de casa começaram subitamente a solidificar.

Já andavamos há algum tempo a visitar ocasionalmente os sites das imobiliárias, um bocado por desporto, e um dia o Pedro encontrou uma casa com uma área que parecia brincadeira pelo preço que pediam. Não tinha uma única foto e dizia claramente que precisava de obras pelo que a nossa ideia foi logo ‘está a cair de podre’. De qualquer forma resolvemos ir ver a casa, até porque a ideia de fazer obras e conseguir por a casa ao nosso gosto era tentadora.

No sábado, depois de um atraso forçado porque a entrega das compras do Jumbo chegou uma hora mais tarde do que o horário previsto – se os gajos precisam de tirar uma hora para almoçar porque é que fazem entregas das 12 à s 2? É óbvio que se vão atrasar! – fomos ver a casa. Devo dizer que não vi quase nada. Estava à  espera dos buracos, e isso encontrei – duas manchas de humidade enormes nas paredes externas, instalação eléctrica medieval, um buraco no tecto da casa de banho que parecia uma tentativa amadora de passar canalização para o sótão, uma viga do telhado fora de sí­tio e assente num tijolo, etc – mas de resto não vi nada com grande pormenor. Tentei ignorar ao máximo os móveis velhos e o lixo que proliferavam por toda a casa pensando que isso não é para ficar e como tal não deveria influenciar a minha opinião da casa.

Apesar da casa ter graves problemas a resolver, a verdade é que isso não me fez desistir da ideia porque como os problemas são mais ou menos óbvios (pode sempre haver surpresas desagradáveis, mas não nos vamos precipitar) podiamos partir para esta aventura com a clara noção do que seria necessário fazer em vez de estar a comprar uma casa em que aparentemente está tudo bem e ao fim de um mês rebenta um cano.

Por incrà­vel que possa parecer, a minha maior dúvida prende-se com a entrada do prédio, que tem uma escada até chegar ao elevador. É que com duas crianças e carrinho de bebé, é uma desvantagem desagradável.

A casa em si precrisaria de ser completamente descascada e as obras incluiriam canalização, electricidade, chão, azulejos, loiças de casa de banho, móveis de cozinha, reparação das paredes com humidade, reparação e isolamento do telhado (inteiramente por nossa conta porque o sótão pertence ao apartamento e não ao condomà­nio) e substituição ou destruição dos aluminios do terraço que não estão em grandes condições.

A vantagem é que a casa tem bastante espaço – bastante mais do que eu alguma vez esperei encontrar numa casa a um preço que talvez consigamos pagar. É uma daquelas casas onde consigo ver-me a viver daqui para a frente sem estar constantemente com vontade de me mudar.

Esta noite comecei pela primeira vez a ficar ansiosa. Comecei a conseguir imaginar-me a viver na casa e comecei a pensar em todas as questões financeiras, que iriam ser um jogo de equilibrismo durante uns meses.

Hoje vamos ao banco saber se há alguma hipotese de nos darem um empréstimo, sem o qual não poderemos avançar. Hoje em dia ter algum dinheiro no banco, vários produtos financeiros e nunca ter tido qualquer espécie de atraso nos pagamentos não parece contar para grande coisa e não há certezas de nada. Como não devemos conseguir vender a nossa casa actual, teriamos de ficar com dois empréstimos, o que sobe a taxa de esforço bastante para além do limite que o banco costuma aceitar. Vamos ver como corre.

8 semanas

O Pedro tem estado de férias, apesar de passar mais tempo a trabalhar e a receber telefonemas do trabalho do que propriamente a descansar. Mesmo assim tem dado imenso jeito porque eu passo os dias enjoada e a morrer de sono e sem a ajuda dele a entreter o Tiago não sei como me tinha aguentado. Estou constantemente a adormecer no sofá e continuo escrava do meu està´mago. Acho que era capaz de dormir 3 dias de seguida se pudesse.

Pelo meio perdemos uns dias a fazer compras de Natal e já está quase tudo. Lembro-me sempre de mais uma ou duas pessoas que faltam, geralmente pessoas que não vão efectivamente passar o natal connosco, mas está quase no fim.

Há uns dias não conseguimos resistir a dar ao Tiago uma das suas prendas antes de tempo.  Ele continua completamente obcecado com carros e qualquer coisa serve de garagem, onde estaciona sempre em marcha-atrás, por isso comprámos-lhe as garagens da Imaginarium. Gostou tanto que nem queria dormir nessa noite porque só queria brincar com as suas garagens e durante dois dias não ligou a mais brinquedo nenhum. No natal vou ter de racionar as coisas novas por ordem de preferência para ele ter brinquedos que lhe interessem durante uns tempos.

Festa de Natal do Tiago

Fomos ontem à  festa de Natal da escola do Tiago. Tal como no ano passado, as crianças tinham ensaiado um pequeno número mas praticamente só as meninas é que cooperavam com a dança. Estavam todos muito giros, vestidos de gotas de água ou diversos animais marinhos.

O Tiago, que é dos miúdos menos cooperantes, teve como único papel estar sentado a um canto, com uma prenda na mão, que desembrulhou antes de tempo. Passou o tempo todo com um ar muito chateado e no final só se queria sentar na ponta do palco. Quando chegou a hora do ir buscar ao palco ficou ainda mais irritado e fartou-se de chorar e atirou-se para o chão. Ninguém percebeu bem porquê.

Felizmente passou-lhe depressa e no caminho para casa veio todo contente de mão dada com o avà´ Artur a brincar à s escondidas. Não me parece que o rapaz tenha futuro em palco…

Raiva

Acabei de me cruzar com a bruxa da minha vizinha de baixo que está novamente a chatear-nos. Desta vez insiste que o nosso ar condicionado lhe está a causar infiltrações nas varandas e que lhe pinga para a roupa e sei lá mais o quê. A chuva aparentemente não lhe faz mal nenhum mas o ar condicionado é que é o inimigo. Considerando que de um dos lados as saà­das de água estão ligadas ao algeroz e nem sequer pingam para a rua, gostava de saber como é que ela chega a tal conclusão. Já não posso ver a mulher e começo a fantasiar formas subtis de a envenenar. Porque será que as velhas chatas vivem para sempre?

6 semanas

Fomos hoje à  consulta e a conclusão é que estou grávida de 6 semanas, mais dia menos dia. O nosso novo filhote tem neste momento o incrà­vel comprimento de 7 mm e vimos claramente o seu batimento cardà­aco. Foi muito giro ver aquela coisinha minúscula já com forma de gente. Se correr tudo bem nascerá no final de Julho.

Sinto-me estranhamente calma e descontraà­da, apesar das complicações adicionais de ter mais de 35 anos – não me escapo da amniocentese, por exemplo – mas resolvi que não vale a pena complicar mais do que o necessário e deixar andar.

De momento estou a ser completamente dominada pelo meu està´mago. De manhã tenho uma fome inacredà­tável, como não tive em nenhuma das gravidezes anteriores, de tarde tenho umas nauseas fraquinhas, irritantes mas não o suficiente para achar que preferia morrer, e à  noite tenho azia e não me apetece comer nada. Espero que isto não demore muito tempo a equilibrar.

Uma coisa interessante que me ocorreu é que, se não fosse a investigação cientà­fica, eu provavelmente não teria hipotese de ter esta criança por causa da incompatibilidade do grupo sanguà­neo. Se não fossem as picas chatas que impediram o meu corpo de criar anti-corpos após o parto,  estava tudo estragado. à€s vezes é bom saber que se pode contrariar a natureza cruel.