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Jantar com muita birra

No sábado fomos jantar a casa dos meus sogros para celebrar o aniversário do pai do Pedro. O Tiago tinha passado o dia bem disposto mas sem dormir sesta, como vai sendo habitual ao fim de semana. Por qualquer razão, quando chegámos a casa dos avós o Tiago recusou-se a entrar, começou a fazer beicinho e depois de ser finalmente arrastado para dentro de casa passou a próxima meia hora agarrado à  porta a chorar e a berrar ‘quero ir para casa!’.

Foi toda a gente jantar, porque andar de volta dele só fazia pior, e mesmo assim demorou um bocado até ele se acalmar e ir finalmente à  procura de um brinquedo para se entreter. Sentar-se à  mesa connosco é que nem por nada. Andou a fazer show pela sala, pediu para ver um desenho animado e brincou com o carrinhos. A certa altura lá consegui convencê-lo a sentar-se à  mesa e comer um bocado de frango – fui mostrar-lhe uma batata frita e ele seguiu-me até à  sala tipo cãozinho – mas não se pode dizer que tenha comido muito.

Quando chegou a altura de voltar para casa já tinha mudado de ideias e foi outra birra para sair. Por essa altura eu já estava a cair de sono e voltei sozinha para casa enquanto o Pedro ficou com o Tiago que resolveu que agora é que queria comer o frango – já aprendeu que se pedir comida, água ou bacio normalmente não dizemos que não e consegue assim adiar as coisas. Quando finalmente voltaram para casa o Tiago vinha novamente a berrar e foi uma complicação para o meter na cama. Estava com demasiado sono para ser possível negociar com ele e o Pedro nem sequer conseguiu vestir-lhe o pijama.

Regresso do Pedro

O Pedro regressou de Austin na quinta feira dia 18, ao fim de mais um longo dia de viagem. Parece que se divertiu, apesar de ser uma viagem cansativa. Chegou de manhã cedo, apesar de para ele ser o meio da noite, e ainda voltou para a casa a tempo de apanhar o Tiago antes deste ir para a escola.

No geral a semana sem o pai correu bem e só na quarta feira é que notei o Tiago a tornar-se mais difà­cil. A reação mais estranha foi tamvez o facto de ter começado a fazer xixi nas calças na escola porque se recusava a ir à  sanita até ser tarde demais. Felizmente, depois de um fim de semana em casa com o pai, parece ter passado.

Depois de levarmos o Tiago à  escola fomos tomar o pequeno almoço e depois passámos na mobiliária para saber se havia novidades. A resposta era obvia e a situação já me começa a irritar um bocado. Tinhamos tudo planeado para ter as obras feitas antes do bebé nascer e por causa de uma dà­vida que o dono da casa só se lembrou de pagar depois de dizermos que queriamos comprar a casa já estamos com dois meses de atraso e os planos todos por água abaixo. Começa a apetecer desistir.

O Pedro estava estoirado mas não queria ir dormir para não tornar a adaptação ainda pior, por isso fomos fazer umas compras de presentes de aniversário – para o meu irmão, que eu não tive tempo de comprar a horas e para o meu sogro que fazia anos nesse dia.

De tarde fomos à  ecografia do segundo trimestre e parece estar tudo bem – os dedinhos todos, os orgãos todos onde deviam estar, o coraçãozinho a bater alegremente, nada de estranho.

Ainda tive de sair um bocado para comer qualquer coisa e andar para ver se a rapariga se virava porque não deixava ver o perfil. Levei montes de abanões e nada. Depois de um passeio e um gelado, lá voltámos e desta vez já deu para ver o que faltava e terminar a eco.

Depois fui buscar o Tiago e o Pedro lá acabou por adormecer durante um bocado.

Aniversário do mano

No sábado dia 13 o meu irmão fez anos. Como estava sozinha com o Tiago os meus pais deram-me boleia para poder ir à  festa.

Ao princà­pio o Tiago estava muito tà­mido e encolhido mas passado um bocado lá descontraà­u e passou grande parte do dia a correr no relvado, a que ele chamava ‘a selva’, sempre com um grande sorriso.O Rui, o miúdo mais crescido, demonstrou uma grande dose de paciencia ao passar imenso tempo a perseguir o Tiago, algo que ele adorou.

Eu passei grande parte do tempo atrás do Tiago para ter a certeza que não se magoava, mas ao fim de duas horas já não me aguentava em pé e tive que ir sentar-me um bocado. Como o sofá está ao pé de uma grande janela, conseguia ainda assim ficar de olho no Tiago para o caso de ser preciso alguma coisa.

Quanto ao relacionamento dele com o Gabriel achei uma diferença enorme em relação ao Natal – agora era o Gabriel que vai dar uma palmada ou empurrão no Tiago e o Tiago virava-se para ele com um ar muito sério e dizia ‘não se empurra!’ Acho que o filme Cars, com o carro verde que é o mau porque empurra os outros foi uma forma bastante eficaz dele aprender a lição 🙂

O Tiago continua um bocado nervoso ao pé dos cães, o que não é de espantar porque são bastante maiores que ele, mas esteve mais à  vontade do que da última vez.

O almoço estava bom, especialmente a tarte de espinafres, e o Tiago gostou muito da pasta de atum e adorou comer couscous pela primeira vez – dizia repetidamente ‘é parecido com arroz’.

A Ana emprestou-me umas roupas de grávida, que já não tenho nada da última vez, e emprestaram-me também o ovinho para o Quinny, para usar quando a menina nascer.

É interessante como as festas de aniversário do meu irmão passaram a ter tantas crianças de repente. Não há súvida que já somos a geração do passado 🙂

Home alone

O Pedro partiu ontem para Austin onde irá passar a próxima semana a assistir a conferencias no festival SXSW. Recebi hoje à s 8 da manhã uma mensagem a dizer que tinha chegado finalmente ao hotel, depois de um atraso na hora de partida do voo e 5 horas à  espera do voo de ligação em Newark.

Não estava à  espera de estranhar muito o facto de estar sozinha, já que só vejo o Pedro cerca de duas horas por dia, entre ele chegar a casa e a hora de ir dormir, mas faz mais diferença do que parece, principalmente por causa da diferença horária. Estou habituada a enviar-lhe mensagens cada vez que acontece qualquer coisa, por mais mundana que seja – se o Tiago fica a chorar na escola, por exemplo – e agora não posso porque durante o meu dia ele vai estar a dormir e vice-versa.

Durante o dia de ontem estive ocupada a fazer bolos de iogurte para o verdadeiro aniversário do Tiago que é hoje. Faz 3 anos e é costume levar um bolinho para a escola, para a sobremesa do almoço. Fiz outro para ficar em casa porque os avós vão querer passar por cá para dar os parabéns e porque assim pudemos começar o dia de aniversário com uma fatia de bolinho e o filme do Bambi, que o Tiago descobriu recentemente e parece ter gostado (pelo menos do princà­pio).

Ontem à  noite estava à  espera que o Tiago estranhasse mais a falta do pai mas até nem tive problemas. Li uns livrinhos e deitei-me ao pé dele até adormecer e depois fui para a cama ler um bocado. à€s duas da manhã apareceu o Tiago no meu quarto e passou o resto da noite comigo. Acho piada que ele tinha a cama quase toda vazia mas passou a maior parte do tempo encostado a mim, o que me deu muito pouco espaço de manobra mas não deixa de ser fofinho 🙂

Só esta manhã quando acordou é que o Tiago perguntou pelo pai e tive que lhe explicar novamente que o pai ia estar fora uns dias. Ele ficou um bocado mimado e tive de o levar ao colo para a sala mas depois ficou bem.

Festa

Depois de passar dois dias a limpar e arrumar a casa e a fazer os preparativos necessários para a festa do Tiago, ele passou a noite de sexta para sábado a vomitar. Começou à s 3 da manhã e só parou à s 6. Via-se que era obviamente a comida do jantar ainda por digerir e pensámos logo que seria um virus qualquer e que a festa teria de ser adiada.

Durante toda a manhã de sábado estivemos cuidadosamente a controlar o que ele comia mas não voltou a vomitar nem desenvolveu mais sintomas – nada de febre nem diarreia. A única coisa estranha era começar com uns soluços violentos cada vez que comia ou bebia algo mas não passou daà­.

Como ele até parecia bem disposto resolvemos manter o que estava programado e eu desatei a terminar os preparativos para ficar tudo pronto a horas. Pelo meio o Pedro teve que ir comprar uma nova máquina de lavar loiça porque a nossa, que há muito anda a dar problemas, ultimamente suja mais do que limpa a loiça que se mete lá dentro e eu fartei-me de vez.

à€s três e meia chegou o meu irmão e famà­lia e eu ainda de pijama a tentar acabar o paté e as sandes. A partir das 4 começou a chegar toda a gente e os últimos foram os meus pais que só chegaram à s 5. Por essa altura o Tiago estava já com uma grande cara de sono e resolvemos avançar com o bolo e as prendas para ver se ele ficava com um ar mais bem disposto. A principio recusou-se a soprar as velas, algo que costuma gostar muito de fazer, mas lá se dignou ao fim de muito encorajamento. Depois foi a vez das prendas que adorou, claro, especialmente os carros e camiões do ‘Cars’ para fazer companhia aos que já tem. Não largou aquilo o resto do fim de semana.

Eu passei quase o tempo todo à s voltas a ir buscar coisas, a arrumar, etc, e acabei por não ter muitas oportunidades de falar com ninguém, como é costume nestas coisas, mas acho que correu bem. Achei o máximo ao facto da situação entre o Tiago e o Gabriel se ter invertido desde o Natal. Desta vez foi o Gabriel (que tem ano e maio) que bateu no Tiago assim que chegou. O Tiago passou o tempo a proteger os seus carrinhos do primo, que obviamente estava curioso e também queria brincar, e cada vez que o Gabriel se aproximava o Tiago gritava pela mamã 🙂

Achei o máximo que a certa altura o Gabriel ia lá mesmo só por o dedinho em cima do carro para obter reacção – não estava a tentar agarrar nem nada, era mesmo só tocar com a ponta do dedo e o Tiago ficava logo em pânico. O mais giro é que quando o Gabriel se foi embora o Tiago disse que gostava do bebé, o que é precisamente o oposto do que eu estava à  espera. Eles têm mesmo muitos sentimentos contraditórios nestas idades…

Resultados

Na sexta feira ligaram com o resultado da amniocentese. Está tudo bem e confirma-se que é mesmo uma menina.

Eu já sabia que se ligassem directamente do laboratório o resultado era normal mas é impossível não ficar um bocadinho nevosa a receber esse telefonema.

Mas pronto, daqui para a frente ou há outro acidente como o do Alex, que seria uma conspiração cósmica brutal ou então em principio as coisas correm normalmente e já posso começar a respirar outra vez.

Looney Tunes

Durante o fim de semana o Tiago andou a explorar algumas caixas de brinquedos em que não costuma mexer e encontrou uma sárie de brinquedos de que já não se lembrava e outros que nem sabia que tinha. Nesta segunda categoria estava um peluche do Tweetie, bastante grande, que lhe tinham dado quando era muito bebé. Como o peluche era maior que ele, nunca chegou a brincar com aquilo. Desta vez achou piada e depois de brincar um bocadinho, como é um miúdo esperto, já percebeu que se há um boneco o mais provavel é haver um desenho animado correspondente, mesmo que nunca tenha visto. Começou então a dizer ‘vamos ver o tweetie, mamã’. ‘Ver?’, perguntei eu. ‘Ver onde? ‘ ‘Na televisão’.

Então lá fomos à  procura de desenhos animados do Tweetie na colecção de looney tunes. Ficou encantado. Quando acabaram o pai experimentou por outros e ele adorou o road runner e passou o resto da noite a dizer ‘beep beep’ e a rir-se.

Já tinha experimentado mostrar-lhe estes desenhos animados antes, numa tentativa vã de desenjoar do Mickey e dos Einsteins mas não tinha funcionado. Desta vez parece que pegou. Pelo menos é algo que os pais também conseguem achar piada, o que não é nada mau.

The week so far

Depois de uma semana em que me pude mexer pouco, na segunda feira atirei-me à s tarefas domésticas. Tinha pilhas de roupa, a cozinha numa desgraça e ainda tinha que preparar as peças a levar para a loja de Lisboa e respectiva listagem. Depois de passar tanto tempo em inactividade e principalmente com receio que alguma coisa má acontecesse se fizesse um movimento mais brusco, soube bem ter um dia atarefado e produtivo.

Aproveitei o facto de ontem ser o único dia desta semana sem previsão de chuva para ir finalmente a lisboa levar umas peças novas e fazer o inventário do que foi vendido. Depois fui almoçar com o Pedro, o Filipe e a Marta e voltei para casa apenas a tempo de fazer uma curta visita à  casa de banho (a maldita bexiga das grávidas não perdoa) e voltar a sair para ir buscar o Tiago à  escola.

O Tiago parece alternar entre dias em que fica muito bem na escola e dias em que faz uma birra desgraçada. Ontem começou tudo muito bem – comeu, vestiu-se, etc – até ser altura de sair. O Pedro tinha-lhe oferecido na noite anterior um gel de banho em forma de Lightning McQueen, o seu carro favorito do momento, e o Tiago gostou tanto daquilo que não queria ir para a escola sem o levar. Como o carro é um frasco cheio de gel de banho, tal opção era impensável e foi uma luta para o convencer a sair de casa. Acabou por ir a berrar no elevador ‘carro grande! carro grande!’ e quando se apercebeu que não estava a funcionar mudou para ‘carro pequeno! carro pequeno!’. Apesar de já estarmos muito atrasados não tive coragem de o levar a berrar o caminho todo e voltei a casa para ir buscar o carrinho mais pequeno para ele se acalmar. Sempre era um compromisso que não fazia mal a ninguém a não ser ao horário.

Na escola, graças à  batalha ganha, ficou alegremente no seu cacifo a folhear u livro de gatos, com o carrinho na mão. Este ritual de ficar sentado no cacifo antes de ganhar coragem para entrar para a sala já dura à  umas semanas mas é melhor do que a berraria anterior.

Quando o fui buscar ao fim do dia é que foi mais complicado. Parece que deu luta o dia todo e comigo não esteve melhor. Estava ainda a comer, apesar dos outros meninos já se terem todos despachado porque se tinha recusadoa  a comer à  hora do lanche normal. Depois não queria sair da sala, não queria tirar os sapatos, não queria nada. Ameacei ir-me embora umas duas vezes e cheguei a sair da sala. Ele correu atrás de mim mas quando lhe disse que precisava de mudar de sapatos (porque tinha as sapatilhas de ginastica que usa na sala) voltou tudo ao mesmo. Acabei por mudar-lhe os sapatos sem colaboração e ele ficou tão irritado com essa tortura incrà­vel que desatou a berrar. Ainda tentou descalçar os sapatos outra vez e tive que lhe segurar os bracinhos para não conseguir. Com esta brincadeira toda demorei meia hora. Depois peguei nas malas e comecei a sair da sala outra vez. Aqui ele percebeu que já não ganhava mais nada e começou a pedir para vestir o casaco.

Saimos ao mesmo tempo que outro colega e assim que passou da porta parecia uma criança completamente diferente. Desataram os dois a fazer corridas muito sorridentes e não voltou a dar problemas até sair da escola. Estes wild mood swings infantis dão cabo de mim…

Hoje achava que ia ter um dia muito calmo, só a tratar da facturação, etc, mas a Augusta, que esteve de baixa dois meses, telefonou a perguntar se podia vir hoje. A casa, por mais que tente limpar, está a ficar um nojo tão grande que nem mo ocorreu dizer que não e passei o resto da manhã a correr de um lado para o outro a arrumar o mais que pude para as superfà­cies estarem limpáveis.

Tinha combinado ir a casa da Alex, por volta do meio dia, mas com isto tudo era meio dia e meia e ainda tinha que ir ao banco e aos correios enviar as facturas que tinha estado a emitir. Acabei por conseguir chegar pouco depois da uma e estavam à  minha espera para almoçar. O Mike tinha cozinhado uma sopa de peixe que estava bastante boa e eu levei uns bolinhos para a sobremesa. Eles têm uma casa muito parecida com a nossa mas que foi completamente remodelada, ao ponto de mudar a disposição da cozinha para outra zona – não sei como é que resolveram a questão da chaminé! – e ficou muito gira. Depois de ver a casa deles fiquei com mais vontade ainda de me atirar à s obras da nossa casa nova, apesar das dores de cabeça que sei que isso vai dar.

Foi bom ficar a conhecer melhor um casal muito simpático, visto que não posso dizer que tenha muitos amigos nem oportunidade de ver muitas vezes aqueles que tenho. Conhecer pessoas novas na minha idade é uma coisa relativamente rara e conhecer pessoas com quem é fácil conversar sem haver grandes momentos de tensão ou grande silencios desconfortáveis é ainda mais raro.

Quando cheguei a casa estava tudo virado do avesso, já que a Augusta trouxe a filha para ajudar. Enquanto uma estava a lavar a cozinha a outra ia aspirando e foi muito complicado encontrar um cantinho onde me pudesse sentar a dobrar roupa e depois a tratar da encomenda que tinha que preparar. Mas vai ser tão bom quando estiver tudo limpinho 🙂

It’s a girl!

Depois de uma semana à  espera desde o resultado das análises, lá fui finalmente ao hospital fazer a amniocentese. Nunca temos de ir de carro a lado nenhum mas por azar, precisamente no dia em que precisamos de estar a horas no hospital, aconteceu uma acidente na ponte, daqueles com montes de carros, e a cidade estava toda entupida.

Como iamos com bastante antecedência acabámos por chegar perfeitamente a horas. Depois de me fartar de esperar pelos elevadores que não pareciam estar a funcionar acabei por subir as escadas até ao quinto piso onde o Pedro já esperava por mim depois de ter ido estacionar o carro. Nem cheguei a sentar-me na sala de espera – fui à  casa de banho e quando saà­ já tinham dito ao Pedro para entrarmos para a sala assim que os presentes ocupantes saà­ssem.

Tal como me lembrava, a amniocentese não custou nada. Acho que da outra vez me tinham dado uma pequena anestesia local e desta vez não mas não fez grande diferença. Sente-se mais pressão da agulha do que propriamente dor e só senti um ardor depois da agulha ser retirada e não durante o processo.

Fiquei tembém a saber que vou ter uma menina. Pelo menos as pessoas podem parar de perguntar o tempo todo 🙂

Depois deram-me a vacina por causa do grupo sanguà­neo (por ser RH negativo) e saà­ de lá menos de meia hora depois de ter chegado.

Passei dois dias deitadinha para ter a certeza que não havia contracções nem perda de là­quido e teria sido uma seca brutal se o meu irmão não me tivesse trazido no sábado anterior a colecção completa dos livros da Sookie Stackhouse (livros que deram origem à  série True Blood, escritos por Charlaine Harris). São um misto de sobrenatural e grandes doses de sexo e violencia  com algum humor e têm-me mantido entretida. Estava sem nada para ler há algum tempo e depois de reler os livros da Jane Austen e um ou dois do Terry Pratchett já não sabia bem no que pegar a seguir.

É claro que pelo meio tive que tratar de umas encomendas que o Pedro teve que ir enviar por mim, mas fora isso tive muito cuidadinho e acho que de facto o repouso faz muita diferença naqueles dias porque quando passava um bocado mais de tempo em pé ou sentada começava a sentir umas picadas ou desconforto que não sinto normalmente.

Novas assinaturas

O dia não começou da melhor maneira. A Michelle ficou fechada no escritório a noite toda e fui dar com vómito debaixo da secretária. Estou a escrever isto 4 horas mais tarde e o cheiro ainda não desapareceu apesar de ter lavado tudo. Apetece-me borrifar o ar com lixà­via a ver se ajuda.

Depois foi o esperado com o Tiago. Deixou-me vesti-lo sem grandes fitas e nem estava a reparar no que estava a vestir mas quando olhou para baixo e se apercebeu que tinha a camisola do Spider-man desatou a chorar e não descansou enquanto não a tirei novamente. Como já estava à  espera nem pestanejei. Tinha esperança que se não fizesse grande alarido a coisa passasse, já que ele viu o fato ontem e até pareceu achar piada, mas parece que ele tem mesmo a quem sair no que diz respeito ao Carnaval 🙂

Meti o fato na mala e na escola que o vistam se ele deixar.

Depois não queria ir para a escola. Fomos de carro por causa da chuva mas assim que parámos em frente à  escola começa logo a dizer que quer voltar para casa. Acabei por ter que o deixar a berrar, ainda de casaco vestido e tudo, porque estava constantemente a dirigir-se à  porta, que já consegue abrir, para se ir embora. Para o ano não há carnaval a menos que ele peça claramente.

Eu e o Pedro fomos então ao banco assinar os novos papeis do empréstimo, já corrigido para habitação permanente. Agora vamos ver quanto tempo demora até a questão dos vendedores estar resolvida. Tenho a sensação que vão ser 4 meses.

Quando fui buscar o Tiago à  escola vi que tinham conseguido vestir-lhe o fato. Aparentemente aquilo que estava para além da sua tolerancia foi a parte de pintar a cara. Tenho de ver se tiro uma foto porque senão daqui a uns meses nem acredito.

Maldito carnaval

Para começar tenho que dizer mais uma vez que detesto o carnaval. Durante a infancia, quando podia achar alguma piada ao assunto acabava todos os anos vestida com um fato de espanhola que já tinha sido da minha mãe quando o que queria mesmo era ser princesa, como é obvio.

Durante toda a adolescencia, quando já não via razões para achar piada ao assunto, a coisa piorou ainda mais e o carnaval passou a ser o tormento de conseguir ir de casa para a escola e fazer o caminho inverso sem levar com um ovo ou pior.

Assim que saà­ da escola e passei a ter um ar de quem já não tem idade para ser alvo a não ser ao passar distraidamente por baixo de alguma janela, nunca mais pensei no assunto até ter um filho que agora vai para a creche e volta para casa com notinhas a dizer ‘na sexta feira tenho que ir mascarado’. É o meu pior pesadelo a voltar e agora sou mesmo obrigada a colaborar, quer queira quer não queira.

Fui então hoje comprar o primeiro fato de carnaval do Tiago. Depois de entrar e sair de diversas lojas várias vezes sem me conseguir render e chocada com o valor absurdo de alguns fatos, especialmente considerando o material reles de que são feitos, lá acabei por comprar um do spiderman e umas orelhas do rato mickey para ter opções.

Depois passei hora e meia a fazer bainhas e a acertar o elástico da cintura (porque só encontrei um fato para cinco anos) enquanto pensava ‘nem acredito que estou a perder o meu tempo com isto’. Agora está a lavar na máquina – vamos ver se aguenta uma lavagem ou se sai da máquina sem desenhos.

O problema com tudo isto é que o Tiago detesta a ideia de se ‘mascarar’ tanto quanto eu e vai provavelmente recusar-se a por o fato. Escolhi aquele porque ele gosta do boneco e pode ser que até aceite, mas sinceramente estou a planear vesti-lo normalmente, levar o fato para a escola e deixar a educadora ter o trabalho de o convencer se estiver para isso. Good bloody luck.

Marcação da amniocentese

Na sexta feira fui ao hospital para uma consulta de esclarecimento sobre a amniocentese e para fazer a marcação. Ficou marcada para dia 17, o dia a seguir ao carnaval. Vou acabar por fazer já só à s 18 semanas porque quiseram que fizesse primeiro umas análises.

Fui fazer as análises no sábado de manhã e como agora enviam os resultados por email, na segunda já tinha o resultado em vez de ficar uma semana à  espera. Ou seja, não era preciso ter adiado o exame uma semana.

Até aqui tenho andado muito calma quanto à  gravidez mas devo dizer que depois da consulta fiquei um bocado nervosa. A barriguinha já se vê e começa a ser demasiado real para imaginar que algo pode correr mal. Vou passar as próximas semanas a roer as unhas enquanto espero pelo exame e depois pelo resultado.

E ando com uma dificuldade cada vez maior em não bater nas pessoas que me continuam constantemente a perguntar se já sei se é menina.