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Aprovação filial

No sábado à  tarde fomos à  casa nova com um dos empreiteiros que nos fez orçamento para rever pormenores e alterações. Esperamos receber brevemente o orçamento final para se começar a partir aquilo tudo. Estou desejosa 🙂

Levámos o Tiago. Não sabia como ele ia reagir e estava um bocado preocupada porque a casa está tão cheia de tralha que sabia que ia ter de andar atrás dele o tempo todo para que não mexesse em nada perigoso. A reação do Tiago não podia ser melhor. Quando chegou ao terraço até deu uma gargalhada e passou o resto do tempo a correr em circuito à  volta da casa todo feliz. Está aprovada.

No domingo de manhã voltei à  casa para revisão do outro orçamento e agora vai ser roer as unhas até receber as propostas revistas, sempre com esperança que não demore muito, porque até conseguirmos mudar-nos e vender esta casa vamos estar a gastar mais do que ganhamos, o que nunca é bom para a situação financeira. Pagar uma casa, OK. Pagar duas, só mesmo para quem tem muita massa. Se fosse só o empréstimo tudo bem mas é sempre mais o condomà­nio, os seguros e agora o IMI desta casa que deixa de ter isenção.

Mas continuo muito optimista e entusiasmada com o projecto e acho que a casa merece. Tem muita luz e espaço e consigo ver-me a viver ali até deixar de conseguir subir as escadas de entrada ao prédio. E mesmo nessa altura monta-se uma daquelas cadeiras elevador e está resolvido o problema 🙂

28 semanas

Na quarta feira cheguei à s 28 semanas de gravidez. Faltam cerca de dois meses e meio até à  data prevista para o nascimento da nossa Joana e tanto como consigo verificar pelos pontapés que levo diariamente, tudo parece estar bem.

Continuo bastante cansada, o que não é ajudado pelo facto de me esquecer constantemente de tomar o ferro. Como não é suposto tomar aquilo com leite, porque o leite inibe a absorção do ferro, não tomo logo de manhã por causa do pequeno almoço e depois não me volto a lembrar o resto do dia. O stress da casa também não tem ajudado a memória mas tenho de fazer um esforço extra.

De tarde fui fazer a vacina por causa do grupo sanguà­neo. Já só falta fazer a vacina do tétano daqui a um mês e fico despachada de vacinas até ao parto. Tem sido uma por mês desde a amniocentese.

Os próximos dois meses vão ser complicados porque tratar de obras com a barriga no auge será certamente um sofrimento, mas paciencia. Acho que no fim vai compensar e vou ter finalmente uma casa com espaço, que é para mim o critério mais importante já que é onde passo a maior parte do meu tempo. Só o facto de passar a ter uma sala para o meu artesanato onde posso deixar as peças inacabadas em cima da mesa e trancar a porta para o trabalho não ser atacado por crianças ou gatos vai ser um alà­vio.

Finalmente temos a casa nova

Pois é, depois de quase 4 meses fizemos ontem, finalmente, a escritura da nova casa.

O stress foi mesmo até ao fim porque o vendedor só foi pagar o IMI mesmo antes da hora marcada e por isso nós só pudemos ir pagar o IMT minutos antes da escritura mas no final correu tudo bem, que é o que interessa.

Enquanto esperávamos que chegasse toda a gente, descobri que trabalha no notário um amigo de infancia que não via há pelo menos 25 anos. É tão estranho como se reconhece em adulto a cara de alguém que conhecemos em criança mesmo ao fim de tanto tempo.

Depois da escritura ainda tivemos que esperar que o vendedor fosse buscar a chave da casa, de que se tinha esquecido. Disse-nos que ainda estavam uns sacos e livros que não tinham conseguido ainda tirar e por isso iam ficar com a outra chave para terminar a mudança. Eu disse que não havia problema mas quando fomos ver a casa demos com muito mais do que contávamos – não eram só uns sacos; a casa está ainda cheia de móveis, roupa, loiças, colchões das camas e até as máquinas de lavar e fogão na cozinha. Não compreendo como é possível ter quatro meses em que se sabe que a casa vai ser vendida e ainda ter a casa nestas condições no dia da escritura.

O sótão estava tão mau como quando o vimos, com toda a espécie de lixo  – caixotes, uma bicicleta, máquinas fotográficas antigas – e uma nova adição muito desagradável: ninhos de vespas. Contactámos uma empresa de desinfestações e estamos à  espera que digam qualquer coisa.

Tirámos medidas pela casa fora e concluà­mos que o Pedro tinha razão na sua suspeita de que as áreas da planta não correspondem à  realidade. Há diferenças de meio metro (a menos) na sala e dois dos quartos. Mas depois percebemos que é porque o terraço é mais largo do que está na planta – ou seja, a parede foi construà­da mais para dentro do que tinha sido previsto. O mesmo acontece com a casa de banho e o corredor: o corredor é  mais largo do que na planta e a casa de banho mais estreita. Ou seja, a área total está correcta mas as áreas individuais são ligeiramente diferentes.

Não é grave mas é algo que é preciso considerar quando formos fazer as contas para as quantidades dos materiais da obra. Agora vamos ver quanto tempo passa até podermos finalmente começar a obra.

Reparámos que há vários sí­tios com infiltrações do telhado pelo que o mais provavel é termos mesmo que reparar o telhado porque senão arriscamo-nos a ficar com a obra da casa toda estragada assim que começar a chover.

Hoje de manhã fomos fazer os contratos de água e luz. Depois fizemos um intervalo para almoçar e ver o Iron man 2 e de tarde voltámos à  casa para tirar mais umas medidas e descobrir quem era o novo administrador do prédio.

Descobri que o valor do condomà­mio do nosso andar é uma verdadeira brutalidade – qualquer coisa como 67 euros por mês – porque fizeram as contas por permilagem e a nossa casa é quase equivalente, em área, a duas dos outros andares. Mesmo assim parece-me um valor absurdamente alto.

Para além disso também vamos ter de pagar quase 800 euros para o arranjo do elevador. As despesas andam a surgir de todos os lados. Na nossa casa actual avariou o aparelho de ar condicionado da sala cuja reparação vai ser mais uma despesa desagradável e a PS3 morreu e foi preciso comprar uma nova porque era o nosso unico leitor de Blu ray e onde vemos as séries, que é das poucas actividades de ‘entertenimento’ que temos hoje em dia.

Agora só falta mesmo os juros do crédito habitação desatarem a disparar nos próximos meses para ficarmos completamente enterrados.

Escritura marcada?

Depois de muitos telefonemas, a imobiliária marcou hoje a escritura para o próximo dia 29. Tinha esperança que fosse uma semana antes mas de facto não temos mesmo sorte nenhuma. Primeiro é um atraso de 10 dias úteis por causa do distrate do empréstimo actual (dos pessoas a quem vamos comprar a casa) e depois não pode ser na sexta feira porque a senhora do banco só vai a escrituras à s terças, quartas e quintas – suponho que seja para poder ter fins de semana prolongados.

Como na quinta feira não dá jeito nenhum aos meus sogros  que têm de trabalhar, pedimos para ser logo à s 14.00 para eles poderes ir à  escritura e depois voltar para o trabalho mas também não pode ser porque o notário só abre à s duas e meia e depois ainda precisam de 15 minutos para se prepararem psicologicamente ou seja lá o que for, o que faz com que não se possa marcar escrituras antes das 14.45. Considerando que depois fecham à s 4 ou 4.30 gostava de saber exactamente quando é que esta gente trabalha.

Ainda gostava de saber o que vai aparecer mais pelo caminho.

26 semanas

Daqui a dois dias completo as 26 semanas de gravidez, ou seja, 6 meses.

O meu cansaço ficou explicado com as últimas análises que mostraram que a minha anemia está pior mas já comecei a tomar o ferro e espero que melhore.

O pior continua a ser o ácido no està´mago, especialmente à  noite. Ando a roer pastilhas de anti-ácido como se fosse M&Ms e mesmo assim não resolve. Há noites em  que tomo duas ou 3 e acordo outra vez à s 4 ou 5 da manhã com o estomago a roer novamente.

Já aumentei mais um quilo, mas isso seria de esperar nesta fase, com a velocidade a que a barriga está a crescer.

Ando novamente a precisar de dormir mais e tenho dias em que sinto uma grande dificuldade em manter-me acordada mas lá vou aguentando.

Farta de esperar

Na sexta feira ligaram da imobiliária para dizer que o tal papel do tribunal, que comprova que a penhora foi paga, já foi levantado e entregue na Conservatória. Mas porque isto é connosco e desde o inà­cio que já sabemos que não vamos conseguir fazer a escritura antes de passarem 4 meses, o papel da conservatória que deveria ser algo feito na hora afinal só amanhã é que tem alguma hipótese de ficar pronto porque a senhora conservadora foi de férias e aparentemente é uma pessoa tão especial que mais ninguém pode tratar daquilo.

Entretanto falei com a nossa gestora do banco que disse que, uma vez que a certidão estava quase pronta ia avançar com o pedido de isenção dos registos provisórios, algo que leva mais uns dias, mas que entretanto passou tanto tempo que um dos papéis que tinhamos assinado passou de prazo e foi preciso ir lá outra vez hoje de manhã assinar um novo.

Como odeio burocracia…

Entretanto estamos um mês atrasados na data prevista para o inà­cio das obras, o que quer die já não temos qualquer hipotese de nos mudar antes da criança nascer e vai ser uma sorte se virmos a cor à  casa antes do Natal, porque mete-se o verão pelo meio e está-se mesmo a ver que as obras vão ficar penduradas até a maltosa voltar de férias.

Enfim, sabia que ia ser um ano difà­cil mas sinceramente já estou farta da espera.

Pacatês

Os desenvolvimentos do Tiago nos últimos tempos têm sido principalmente ao nà­vel da imaginação e memória, especialmente quando relacionada com a linguagem. Começou a memorizar e repetir histórias e canções e nota-se que faz um esforço por decorar porque tenta imediatamente repetir aquilo que lhe lemos.

Decorou muito rapidamente o livro da tartaruga que quer dormir e gosta tanto daquilo que até já levou o livro para a escola para mostrar.

Gosta muito da música do cuco, que por vezes tenho de por dezenas de vezes em repeat e já se sentou ao piano a tocar uma nota enquanto cantava uma das músicas que aprendeu na escola

Tem diversificado o seu gosto pelos filmes e programas de televisão que vê mas de vez em quando continua a ter preferencia pela repetição de uma determinada história que vê inúmeras vezes e depois reconta a qualquer pessoa que o oiça. A mais recente fixação é o episódio do Mickey em que o Donald se transforma num sapo. Passa tardes inteiras a brincar com um poço da colecção dos Estrumfes a recriar uma cena em que o sapo salta para dentro do poço e é preciso tirá-lo de lá.

Continua a preferir usar os carros como personagens das suas histórias mas também já brinca com alguns bonecos e começou a apegar-se a certos peluches, algo que até agora não lhe dizia nada. Gosta especialmente dos gatos, que abraça e diz ‘oh, que fofinho’ já que os gatos a sério não o deixam aproximar muitas vezes e decididamente não gostam de ser agarrados 🙂

Até aqui o Tiago via os seus desenhos animados principalmente em inglês, mas agora que está interessado em aprender o texto e já percebeu que tem escolha, começou a pedir para por em português. Eu desfaço-me a rir porque o que ele pede na verdade é para ver em ‘pacatês’, que sinceramente acho que liga perfeitamente com o espà­rito nacional 🙂

Mais recentemente corrigiu para algo tipo ‘porcoquês’ que já anda mais perto mas continua a ser divertido.

Mas a evolução que me deixou mais espantada foi a forma como o Tiago começou a conseguir usar o rato e a jogar sozinho jogos no computador. Tem um preferido em que tem de apontar e disparar uma bola até acertar em todas asz bolas do ecran e passa nà­vel atrás de nà­vel sem qualquer espécie de ajuda. Eu sabia que aos 3 anos os miúdos davam um grande salto mas não esperava que fosse assim tão de repente. Agora só lhe falt aprender a usar o comando da PS3 🙂

24 semanas

Amanhã completam-se as 24 semanas de gravidez e devo dizer que notei uma diferença enorme nas últimas duas semanas. De um momento para o outro a barriga começou a crescer a uma velocidade alucinante, apesar de continuar com o mesmo peso, mais grama menos grama.

Comecei a notar um cansaço muito maior quando tenho de subir a rua, especialmente de manhãquando tenho que empurrar o carrinho do Tiago. Quando vou a andar a direito não dou pela diferença, mas quando é a subir!

É claro que o facto de andar constipada há duas semanas não ajuda. Não ando a dormir nada de jeito porque não consigo respirar e como evito por gotas até estar mesmo desesperada, custa muito mais fazer algum esforço. Bem me farto de usar spray de água do mar e soro mas sem qualquer resultado. Acho que isso só funciona quando é o entupimento tà­pico da gravidez e não quando fico mesmo doente.

Já sinto movimentos acima do umbigo  e são cada vez mais fortes. Não tarda nada vou estar outra vez a levar pontapés nas costelas 🙂

Esta semana tenho de fazer análises, incluindo aquela chata dos diabetes em que é preciso ficar uma hora à  espera para tirar sangue outra vez. Espero que continue tudo normal.

Nova máquina de lavar loiça

Quando nos mudámos para esta casa comprámos uma máquina de lavar loiça. Antes disso tinhamos uma que tinha sido herdada dos meus sogros e que já tinha alguns problemas como a falta da tampa do detergente.

Na altura comprámos uma Whirlpool porque tinha a opção de meia carga e o timer, que nos dava jeito para pormos a loiça a lavar a meio da noite quando aderimos à  tarifa bi-horária da EDP. Infelizmente a máquina sempre deu problemas, desde parar a meio da lavagem com códigos que não vinham no manual de instruções até virar tudo o que eram caixas ou copos de plástico e só lavar a loiça que lhe apetecia.

Cheguei a chamar um técnico mas a coisa não melhorou e ultimamente deixou mesmo de ser um electrodoméstico util para passar a ser só uma irritação constante. Começou a deitar água para o chão e a loiça saà­a mais suja do que entrava. Fartei-me de limpar os filtros e deitar desentupidor no cano mas nada funcionou. Tornou-se frustrante ao ponto de meter na máquina um copo que tinha servido apenas para beber água que saia de lá coi bocados de coisas agarradas que demoravam 15 minutos a tirar à  mão. Chegou finalmente o ponto em que desisti de usar a máquina e comecei a lavar tudo à  mão para oupar esforço e água.

O Pedro foi então comprar uma máquina nova. Desta vez optámos por uma Bosch. O nosso frigorà­fico é da mesma marca e funciona lindamente há 11 anos sem problemas. Tenho a máquina há quase duas semanas e não podia estar mais satisfeita. A arrumação da gaveta de cima é muito mais eficiente, as caixas de plástico não se viram e ainda não apanhei nada que tivesse de lavar à  mão ao tirar da máquina. Apercebi-me que grande parte da tortura que era arrumar a cozinha todos os dias vinha de saber que a máquina da loiça era inutil e só estava a perder o meu tempo.

Espero que continue a funcionar bem durante uns tempos.

Outra vez a vomitar

Na noite de quarta feira acordei com o Tiago a tossir e depois a vomitar. Eram cerca de 4.30 da manhã e lá fomos nós tentar acalmar a criança. O Pedro levou-o a lavar a boca enquanto eu limpava o chão – o miúdo já vomitou tantas vezes que já aprendeu a vomitar para o chão em vez de na cama. Voltámos a deitar-nos e umas horas mais tarde lá vinha o Tiago para a nossa cama.

De manhã custou-me imenso a levantar mas lá consegui. Fui a única, porém, e acordar o Tiago foi uma luta. Depois não queria comer e teve de ser o pai a dar-lhe a papa à  boca, e finalmente recusou-se a vestir-se e foi uma gritaria pegada e só foi possível terminar a tarefa vestindo-o à  força, algo que já não acontecia há bastante tempo.

Lá o levei para a escola, ainda a berrar:

– quero água!

– sim, bebes quando chegares à  escola

– quero xixi! (terceiro da manhã)

– já fazes quando chegares à  escola

– quero gotas (nos olhos porque tinha estado a esfregar os olhos e pensámos que tivesse entrado alguma coisa mas no final recusou-se a colaborar)

– Agora já não pode ser mas tenho aqui na mala e pomos quando chegares

– Quero casaco!

– Já não está frio para casaco

– Tenho frio! Tenho frio!

Enfim, isto continuou durante metade do caminho, com o Tiago sempre a tentar acertar em qualquer coisa que me fizesse voltar para casa. Na escola começou a dizer que queria voltar para casa mas lá acabou por colaborar e trocar de sapatos, etc.

Pouco depois de voltar para casa recebo um telefonema a dizer que o Tiago tinha vomitado. Raios! Começámos logo a pensar que se calhar estava doente e que toda a fita da manhã teria sido porque se estava a sentir mal mas não consegue ainda dizer o que se passa. Lá voltei à  escola para o ir buscar.

Passou o dia perfeitamente bem disposto, sem voltar a vomitar e apesar de não ter comido tão bem como é costume também não esteve propriamente sem comer. Não quis estar sentado a comer o almoço ou o jantar mas foi comendo torrada, iogurte, fruta, pã com manteiga de amendoim, chá, etc.

Como não teve febre nem mais vómitos nem qualquer sintoma novo, hoje foi para a escola novamente e já não houve problemas. Acho que deve ter sido o problema do costume – acumulação de expectoração no està´mago juntamente com uma grande birra dá muitas vezes vómitos.

Finalmente vacinada

Na quarta feira fui fazer a vacina da gripe. Já andava para a fazer desde o inà­cio da gravidez porque é suposto as grávidas serem um grupo de risco mas só agora é que deu. Primeiro era preciso esperar um certo número de semanas até ser seguro, depois tive que fazer a amniocentese e respectiva vacina por causa do grupo sanguà­neo, e como convém as vacinas serem espaçadas um mês umas das outras, só aos 5 meses de gravidez é que deu. Com isto estamos já na primavera, já ninguém fala em gripe e a coisa toda parece-me um bocado ridà­cula, mas como o médico acha que vale a pena, lá fui eu.

A enfermeira Paula é amorosa e uma especialista a dar injecções que quase nem se sentem por isso não custou nada. Até me espanta a fita que o Tiago faz quando vai lá, sinceramente. Se apanhasse algumas das gajas que já tive a tirar-me sangue para análise nem sei como é que ele sobrevivia.

Ao fim de dois dias não tive ainda nenhum dos efeitos secundários que a vacina pode dar pelo que espero ter-me safado disso. O Braço doi um bocadinho se me esquecer e carregar no sí­tio mas nada muito incómodo e a maior parte do tempo nem dou por isso.

Por outro lado andou há duas semanas constipada e não parece nem piorar nem passar. Acordo todos os dias com dor de garganta e o nariz a pingar e nunca mais me livro disto. É só irritante o suficiente para não me deixar dormir por ter o nariz permanentemente entupido, o que me faz andar bastante mais cansada do que o habitual,  mas mais nada. É culpa do habitual deus das pequenas irritações.

O susto

Na segunda feira depois de almoço fui-me esticar um bocadinho na cama a ler um livro antes de me atirar novamente à s tarefas domésticas e verificar o estado das encomendas. Assim que me sentei tocaram à  porta. Como a barriga já começa a pesar um bocadinho e a cama é baixa, é super irritante ter de me levantar outra vez assim que acabei de me sentar, mas lá fui. Quando cheguei ao intercomunicador perguntei quem era mas ninguém respondeu e ouvi a porta do prédio a abrir.

esperei um bocado para ver se sua alguém no elevador, mas como não ouvi nada voltei para o quarto. Pensei que seriam vendedores a vir bater à s portas todas e resolvi ficar quietinha e ignorar. Passado um bocado lá começam a tocar à  campaà­nha. Como já não me apetecia levantar outra vez deixei-me ficar e esperei que se fossem embora mas continuavam a tocar, algo que achei muito estranho. Pela insistencia comecei a ficar um bocado desconfiada – será alguém que conheço e que não avisou que vinha cá? Será a Augusta que perdeu a chave e resolveu vir à  segunda para compensar a falta da quinta passada? Comecei a levantar-me e ouvi o barulho da fechadura. Quando dei a volta à  cama e abri a porta do quarto dei com uma gaja no meu hall de entrada, numa pose muito furtiva de quem está a ver se ouve algum barulho antes de começar `procura de coisas para meter no bolso. Atrás dela, na escada, estava outra que não cheguei a ver bem.

Apesar da surpresa de ter alguém dentro da minha casa, aquilo que era óbvio para mim era que não conhecia aquela tipa de lado nenhum. Era morena, nova – à  voltas dos 20s talvez, magra, vestida de jeans e t-shirt justa rosa vivo, com o cabelo ondulado preso em rabo de cavalo. A outra não vi bem. Só sei que também tinha o cabelo ondulado, comprido e solto e é possível que tivesse alguma coisa na mão mas sinceramente acho que só uma sessão de hipnose para me lembrar de mais pormenores. A minha primeira reacção foi de raiva. Abri com um ‘que raio é que estás a fazer na minha casa’ a plenos pulmões que teve a reacção desejada. Ambas sairam disparadas pela escada abaixo e isso deixou-me ainda mais furiosa. Fui a correr atrás delas a chamar-lhes tudo o que me lembrei e a dizer que ia chamar a polà­cia. Depois tive um momento de clareza e parei. Não queria arriscar-me a ficar trancada fora de casa porque não tinha chave nem o jeitinho daquelas vacas nojentas para abrir portas alheias sem elas. Voltei a casa e fui buscar a chave antes de voltar a sair para a escada. Fui espreitar e vi que já estavam a chegar à  entrada do prédio. Vi também a vizinha de baixo a espreitar, que deve ter ouvido a gritaria e não resistiu à  curiosidade, mas odeio a mulher de tal forma que não me apeteceu ter que parar para falar com ela.

Voltei para casa e liguei ao Pedro e depois à  polà­cia. Disseram que mandavam cá alguém pelo que tive de ligar à  Alex a dizer que afinal não podia ir ter com ela como estava combinado. Como estava à  espera que chegassem os polà­cias, agarrei no taco de softball e desci as escadas até à  entrada do prédio para ter a certeza que elas não tinham voltado a entrar. Não tinha grande vontade de as encontrar pelo caminho mas não ia deixar que andassem por ali a tentar entrar noutra casa qualquer. Quando me certifiquei que a escada estava vazia voltei para casa e esperei.

Passado pouco tempo chegaram três polà­cias e voltei a explicar a história toda. Costumo deixar a porta trancada mas hoje fui fazer umas compras e ao voltar cheia de sacos pesados esqueci-me de trancar a porta pelo que tinha sido fácil de abrir. Eles examinaram a porta e a fechadura mas não tinha nada de estranho pelo que pediram a descrição das mulheres, disseram que iam dar uma volta pela zona e que não podiam fazer muito mais. Como nada chegou a ser roubado nem acabou de forma violente acho que não é uma situação considerada como grande prioridade nem há grande coisas que se pudesse fazer –  não iam mandar alguém tirar as impressões digitais da campaà­nha só por isto.

O Pedro veio para casa pouco depois e eu ainda estava um bocado nervosa, não tanto pelo que aconteceu mas pelo que a minha imaginação me diz que podia ter acontecido – se em vez de mulheres fossem homens que não se assustassem tão facilmente ou se as tipas estivessem armadas, a coisa podia ter sido muito pior.

Mas pronto, não será tão cedo que volto a esquecer-me de trancar a porta de casa.

Ainda fui enviar uma encomenda e quando saà­ de casa notei que estava a olhar à  volta com muito mais atenção para ver se dava com as mulheres que entraram na minha casa.

Quando fui buscar o Tiago, pouco depois, lá consegui descontrair um bocado ao contar a história à  Alex e ao Mike. Depois fui um bocado a csa deles para os ajudar com umas traduções e o Tiago brincar um bocadinho com o Eddie. O Tiago adorou o quadro de giz o que me diz que tenho de lhe arranjar um 🙂 Também ficou fascinado com a saida de água do frigorà­fico mas isso já estamos a considerar comprar brevemente porque o nosso frigorà­fico é muito bom mas já tem 11 anos, está com péssimo aspecto e já não tem espaço de congelação suficiente.