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Novas Tiaguices

O Tiago começou finalmente a falar regularmente. Em vez de passar os dias caladinho e se limitar a a apontar para as coisas e fazer ‘mmmmm’ agora diz ‘dá’ com toda a determinação, apontando para o que quer.

O olá continua presente mas não voltei a ouvir o bye-bye. E começou a perder um bocado o interesse pelo Baby TV começando a prestar mais atenção ao Pocoyo que é dobrado em Português. Dá um bocado a sensação que optou por escolher uma lingua e largar a outra e isso levou-o a ganhar mais confiança a falar.

Começou novamente a dizer mamã, agora já associado ao significado em vez de ser apenas pelo som. Sapato é que continua a ser ‘bá’, apesar de por vezes já soar a ‘pá’. Bola também é ‘bá’ ou ´bo’, depende se está com paciencia para se esforçar a dizer uma vogal diferente ou não.

Também já voltou a dizer ‘ga’ apontando para um dos gatos, coisa que não fazia há algum tempo. Parece que andou a armazenar informação durante uns tempos e só agora é que começou a usá-la.

E em rarissimas ocasiões começou a tentar formar frases de duas palavras como ‘dá bo’ para ‘dá a bola’ e ‘mamã dá’ para outras situações. Isto só acontece quando o simples ‘dá’ não obtem resultados imediatos e o objecto a obter é suficientemente aliciante para merecer o esforço.

A compreensão de palavras que ainda não diz torna-se cada vez mais obvia. Quando digo a frase ‘o chapéu é na cabeça’ ele toca na cabeça. Quando digo ‘o sapato é no pé’ ele toca no pé. Quando digo ‘vamos tirar a camisola’ ele estica o braço para puxar a manga.

Também começou a copiar certas coisas que nos vê fazer. A mais divertida é agarrar na embalagem do creme hidratante que lhe pomos todas as noites, abrir a tampa com os dentes, tirar um bocadinho de creme com o dedo e começar a espalhar na barriga. É impagável. Faz o mesmo com o frasco de shampoo, esfregando a cabeça e já lava os próprios dentes com a escova. Só esfrega os de baixo mas já é qualquer coisa. Também já começou a esfregar as mãos quando as vai lavar antes das refeições e desenroscou a sua primeira tampa na passada sexta feira. Também já bebe água pelo copo ou garrafa sem se engasgar demasiado, o que é um grande avanço.

As refeições correm melhor uns dias e pior outros. Geralmente o almoço é pior que o jantar porque está já cheio de sono e pronto para a sesta. Mas já começou a comer carne e peixe com o garfo. Ainda tenho que o ajudar a picar a comida porque ele é capaz de tentar e levar o garfo vazio à  boca umas quantas vezes antes de conseguir espetar a comida uma vez e se falha muito fica frustrado e atira tudo ao chão. E é preciso ter muita atenção para que não arranhe a cara com o garfo que mesmo sendo de plástico não deixa de ter alguns riscos.

Continua a ter uma grande preferencia por telemóveis mas usa qualquer coisa como telefone, encostando à  orelha e depois passando-o a mim para fazer o mesmo. Se tiver botões, como o comandos da televisão, é melhor mas não indispensável.

Começou a brincar com autocolantes e divertiu-se imenso a colar letras autocolantes numa folha de papel durante 3 ou 4 dias. Quando as letras acabaram, e porque vi que ele não tentava comer aquilo, fui buscar uns autocolantes de esponja da imaginarium que têm diversas formas. Ele até se safa bastante bem com aquilo, apesar de muitas vezes não perceber bem qual o lado que cola. E assim se faz mais uma recordação para guardar na caixinha dos primeiros trabalhos manuais do Tiago.

O Tiago começou também a esconder objectos, geralmente debaixo do sofá, e a procurar objectos escondidos, mesmo ao fim de um dia ou dois.

E o mais giro é que gosta de se ver ao espelho. Começou a ir buscar a toalha de banho, que tem capuz, para andar com aquilo tipo capa. Assim que lhe ponho a toalha na cabeça vai derectamente ao meu quarto para se ver ao espelho e mexe na cabeça, tirando a toalha e voltando a por. Isto surpreendeu-me imenso porque tinha visto um documentário que dizia que os bebés só reconhecem a sua imagem no espelho aos dois anos. Também faz o mesmo quando lhe ponho na cabeça um cubo oco de tecido em forma de vaca que lhe serve como um chapéu. Vai com um ar muito vaidoso ver como fica no espelho e faz um grande sorriso.

Por fim, o Tiago começou a fazer experiencias com cheiros. Encosta a colher da fruta ao nariz em vez de a levar à  boca e adora o cheiro do detergente das bolas de sabão. Está sempre a pedir para eu abrir a embalagem e lhe dar o aro para ele cheirar. Ao principio ainda pensei que estivesse a tentar comer aquilo ou a tentar soprar mas tornou-se rapidamente obvio que o gajo gosta mesmo é de snifar aquilo.

Tiago, 15 meses

Na sexta feira o Tiago foi à  inspecção médica no infantário. Vê-lo andar pelos corredores enquanto esperávamos lembrou-me que quando lá estivemos para o inscrever ele ainda não andava e agora já não faz outra coisa.

A aprendizagem continua a uma velocidade alucinante para quem vê de perto, enquanto que ao mesmo tempo parece que coisas que para os adultos são básicas demoram imenso tempo.

O Tiago já come com a colher, por exemplo, mas ainda com algumas falhas porque aplica demasiada força quando não é preciso ou morde a colher ao mesmo tempo que a puxa para fora da boca resultando numa grande porcaria.

Geralmente, como treino, dou-lhe uma colher para ele ir comendo o puré de fruta e vou dando e umas colheradas pelo outro lado. A papa não deixo porque fica mais papa no chão, roupa, cadeira e em mim do que na barriga dele. O peixe e a carne continua a comer sozinho e já mastiga muito bem por isso basta cortar em bocados pequenos e não é preciso picar. Só que como são coisas que não agarram à  colher as tentativas aà­ precisam de um pouco mais de ajuda porque é comum ele segurar a colher virada para baixo, por exemplo. Mas não posso ajudar muito porque o Tiago é muito independente e se começo a tentar virar a colher ou agarrar-lhe na não ele desiste. Quer fazer tudo sozinho.

A andar é a mesma coisa. Não gosta que lhe segure na mão. Quer ir sozinho. Mas já anda na rua sem problemas, e até na relva, algo que ele detestava há uma semana atrás. Fomos ao parque esta semana e ele fartou-se de andar na relva, em grande parte atrás dos patos que estavam a tentar dormir uma sesta à  sombra.

O mais interessante é que os livros dizem que depois de aprender a andar é que as crianças aprendem a agachar-se e com o Tiago foi ao contrário. Já se baixava e voltava a levantar dobrando os joelhos, para a apanhar coisas do chão, antes de andar. Também já atira a bola e apanha-a em movimento quando a atiramos para ele, já faz torres de cubos e copos da altura dele, já consegue por as peças do puzzle de madeira no sí­tio certo apesar de ainda não conseguir virá-las até encaixarem perfeitamente – fica frustrado muito depressa e desiste facilmente, acho que é porque ainda não percebe bem porque é que as formas não entram quando ele sabe que o sí­tio está correcto. Ou seja, a parte de reconhecimento das formas ainda não está aperfeiçoada mas já não deve faltar muito.

De resto, continua a gostar muito de livros. Agarra num livro e vem para o meu colo. Vai apontando para os vários objectos enquanto eu digo os nomes ou leio a história. É a melhor parte, neste momento. É bom saber que ele escolhe uma actividade para fazer comigo e que gosta de passar aquele bocado ao colinho enquanto ouve uma história.

Os lápis continuam a ser mais interessantes como comida do que como instrumentos de desenho e apesar de já fazer uns rabiscos não se parece interessar muito.

O nà­vel de dificuldade em termos de protecção anti-quedas vai aumentando, especialmente agora que ele já sobe para o sofá. Também sabe descer sozinho mas não se pode confiar porque à s vezes dá-lhe para se por em pé no sofá e pode cair dali abaixo. Por um lado ele anda mais independente e já vai para o quarto brincar sozinho o que em teoria me permitiria ter mais tempo livre mas na prática isso não funciona porque tenho de continuar a ir atrás dele para ter a certeza que não lhe dá para fazer qualquer coisa perigosa.

Por fim, passámos a ter de ir à  praia. Já não iamos há anos mas este ano tem de ser porque o Tiago adora. Quando descobriu a água ficou fascinado e nem quer saber se está fria. Chapinhar é que é.

Felizmente descobrimos uma praia com pouca gente. É preciso andar um bocado mas compensa. Se não fosse o vento ao final do dia, que é a hora que nos dá jeito, até iriamos mais vezes.

É tão giro…

… ver o Tiago a andar!

Afinal não demorou muito tempo a habituar-se. Em menos de uma semana começou a andar mais do que a gatinhar e agora é ele que vai buscar os sapatos e pede para os calçar.

E começou a usar qualquer coisa como telefone – comando da tv, sapato, urso de peluche… Encosta à  orelha e diz ‘bye-bye’.

O que me leva à  questão da fala que se vai desenvolvendo muito devagarinho. Percebe tudo muito bem mas não é muito falador. O que tem mais piada é que está a ficar verdadeiramente bilingue, graças aos brinquedos da chicco (que estão sempre ligados para inglês porque a voz portuguesa irrita-me) e ao Baby First TV (está a ficar viciado na TV e já reclama quando desligo). Quando ele nasceu eu falava com ele quase exclusivamente em inglês e li-lhe diversos livros em inglês. Só quando ele começou a emitir sons é que achei melhor começar a insistir no português.

Tudo isto para dizer que as primeiras palavras do Tiago (que podemos comprovar que ele sabe o que está a dizer e não são meros sons ao acaso) são ‘olá’ e ‘bye-bye’. É mesmo fifty-fifty 🙂

É claro que isto de não saber em que lingua é que ele está a tentar falar tem algumas complicações. Quando ele aponta para a bola e diz ‘bol’ estará a dizer a palavra incompleta em portugues ou a dizer ‘ball’?

O mesmo para coisas como o urso de peluche. Ele aponta e diz ‘ba’. Como está numa fase em que chama ‘ba’ a tudo não ligo muito e repito ‘urso’. Mas se ele está a tentar dizer ‘bear’ é capaz de ser confuso.

Também não costuma dizer ‘papá’ muito frequentemente. Aponta para o pai e diz ‘dada’, o que é mais uma vez a versão inglesa que depois resulta no ‘daddy’ ou ‘dad’. Se calhar ‘papá’ é demasiado parecido com ‘papa’.

Mas gostava imenso que ele falasse mais, nem que fosse só a fazer sons ao acaso. É que para passar os dias sozinha com uma criatura muda bastavam os gatos 🙂

Hoje fomos ao Pediatra para a consulta dos 15 meses. Ele começou a chorar assim que entrou no consultório e não parou até sairmos da clà­nica. Coitado. Este mês vai sofrer. A seguir são as vacinas e depois mais uma consulta na creche.

Mas está tudo bem, continua a crescer bem – já tem 82 cm de altura e 10kg e 80 gramas – e espero que não tenha apanhado o que quer que seja que tinha o miúdo que estava a tossir sem parar na sala de espera. No entanto já me passou aquela dose de excessiva protecção em relação à s doenças. Ele já é crescidinho por isso se adoecer paciência. é chato mas aguenta-se.

A agitação da manhã foi tal que almoçou muito mal e adormeceu no meu colo antes de ter tempo de o por na cama. Geralmente é só gritos e pontapés para ir dormir a sesta.

Vamos lá andar

Tal como suspeitava, só porque o Tiago já sabe andar não quer dizer que o queira fazer. Tenho tentado insistir com ele desde pequenas coisas como andar da sala até ao quarto para ir mudar a fralda, até à  casa de banho para lavar as mãos ou um bocadinho na rua quando saio com ele mas o Tiago não quer. Acho que já percebeu que andar implica deixar de ser o bebé de colo e não parece muito satisfeito por ter de abdicar da sua bebezice. Agarra-se à s minhas calças a choramingar e a pedir colinho e não sai dali. Espero que comece a colaborar um bocado mais porque já está a ficar bastante pesado para andar ao colo o tempo todo.

O outro grande avanço é que já mostra saber quando fez qualquer coisa que não devia porque quando atira comida ao chão, carrega nos botões do amplificador ou faz outras malandrices vira-se para nós e abana a cabeça em sinal de ‘não’. É claro que faz à  mesma mas pelo menos já distingue o que deve ou não fazer. E é impossível não o achar adorável a abanar a cabeça com aqueles olhinhos inocentes.

A próxima conquista parece ser enroscar e desenroscar tampas. Anda a treinar há dias com o boião da sopa durante as refeições. Agarra na tampa e coloca-a no boião e começa a tentar enroscar. Eu tiro a tampa para conseguir tirar mais uma colher de sopa e ele tenta outra vez. Já se safa bastante bem.

É claro que este skill tem grandes desvantagens: as garrafas de água que temos espalhadas pela casa vão começar a ser entornadas, temos de ter ainda mais cuidado com quaisquer frascos ou garrafas que possam ficar ao alcance, como o frasco das vitaminas na mesa de cabeceira, etc.

É uma chatice que estas evoluções aconteçam sempre antes da capacidade de reconhecer o perigo aque implicam. Deve ser uma anedota cósmica.

Trabalhos manuais parte 2

Como já comprámos a mesa e cadeira para o Tiago, resolvi tentar novamente uma pequena actividade de trabalhos manuais para ver se resulta melhor sem ser no sí­tio onde ele come. Não há dúvida que a reação foi bastante diferente, mas também estava mais preparada desta vez.

O Tiafo divertiu-se imenso em todas as fases do processo. Tirou farinha do frasco que espalohou por todo o lado, foi amassando a farinha com a água enquanto eu mexia com a colher, adorou enfiar as mãos na massa e espalhar na folha de cartolina, esteve entretido com os cheerios que lhe ficavam agarrados à s mãos e por fim chapinhou alegremente na água com sabonete. Tudo isto fez a maior porcaria imaginável, como se pode imaginar.

Tive que parar quando ele começou a tentar lavar a cara. Agora começou a tentar lavar-se a si próprio no banho, o que é óptimo, mas quando tem as mãos cheias de massa, molhar a mão e depois esfregá-la na cara não dá propriamente os melhores resultados. Tive de o levar rapidamente à  casa de banho para ter a certeza que não enfiava massa nos olhos e ficámos por aà­.

Seguiu-se então a limpeza. Essa é a parte que nunca vem descrita nas receitas para estas coisas tão giras que se podem fazer com os miúdos. É que o raio da massa custa tanto a sair (dos móveis, chão, parede, leitor de cds…) como pingos de tinta. Só mesmo com esfregão.

Mas pronto, tenho ali a obra prima do Tiago para colar no frigorà­fico até cairem os cheerios todos 🙂

Amanhã volto a tentar, mas desta vez vai ser só com chantili – daqueles em spray – que não precisa de tantos utensà­lios e em principio é mais fácil de limpar. Quando o Tiago fizer um bocado menos de porcaria logo volto à  farinha com água.

Fim de semana cansativo

Sábado acordei com um lábio ferido do cieiro, outro inchado do herpes e com a certeza de estar brutalmente constipada. Como se isso não bastasse, passado pouco tempo faltou a luz. Exactamente na altura em que nos preparávamos para sair para um dia bastante ambicioso. Foi então preciso descer a pé, eu com o Tiago ao colo e o Pedro com o carrinho à s costas. Quando chegámos finalmente lá abaixo, com a ajuda de uma lanterna, estava uma senhora presa no elevador, mesmo naquele espaço entre o r/c e o primeiro andar que é completamente tapado por uma parede. Coitada. Devo confessar que por muito horrà­vel que isso seja não consegui evitar um pequeno instante de ‘ainda bem que o dia não me está a correr mal só a mim’.

Apesar de todos os sinais de que este não ia ser um dia fácil, metemo-nos no carro e fomos até ao IKEA para ver se era desta que conseguiamos finalmente comprar a mesa e a cadeira para o Tiago. Já tinhamos tentado no domingo passado mas só quando chegámos lá é que nos lembrámos que estava fechado ao domingo. Ainda tenho que descobrir quem foi a bestinha que aprovou essa lei das grandes superficies fecharem ao domingo para lhe meter uma bomba no carro (nota mental: aprender a fazer bombas).

É claro que depois disto tudo não havia a mesa que queriamos e tivemos que trazer outra, muito maior, que lhe ocupa metade do quarto. Mas tudo bem. O Tiago já começou a reagir mal quando entramos numa loja com brinquedos. Quer mexer em tudo e quando lhe pego para o levar embora desata a fazer uma birra tremenda e estica os braços para cima para ser mais escorregadio e dificil de pegar. Foi o que aconteceu no IKEA. Tirei-o do carrinho para o sentar na cadeirq que queriamos comprar para ver se era muito grande para ele. Só que ele gostou tanto de estar sentado que não se queria ir embora. Nem quero imaginar como vai ser daqui a um ano, quando ele já conseguir sair disparado a gritar ‘não!’.

Quando regressámos a Almada fomos comprar bilhetes para o cinema e comer qualquer coisa. Depois voltámos para casa para dar o almoço ao Tiago e deitá-lo para a sesta. Quando chegou a hora tivemos que o acordar mas como já tinha dormido duas horas estava bem disposto. Deixámos o Tiago com os meus sogros e fomos ao cinema pela primeira vez desde o Stardust.

Fomos ver o Iron Man, filme escolhido pelo Pedro, claro. Mas apesar de não conhecer o personagem ou a história até gostei razoavelmente do filme. O Robert Downey Jr. é perfeito nestes papeis sarcásticos e sacanas e o filme avança a uma velocidade suficientemente lenta para mostrar o desenvolvimento da personagem em vez de saltar logo para montes de cenas de pancada e tiros que acabam por ser um boçejo. As cenas do desenvolvimento do fato são as mais giras, com bastantes momentos de humor. A luta entre os dois homens de ferro no final (sendo que um deles é brutalmente grande o que não faz sentido nenhum se aquilo é suposto ser um fato mas isto é um comic e por isso há que deixar o cérebro à  porta) é a cena obrigatória para rapazes de 12 anos e já não me diz grande coisa.

Depois do filme ainda fomos ao supermercado fazer umas compras essenciais e depois fomos buscar o Tiago.

No domingo eu estava completamente destruà­da. Entre a constipação, que no segundo dia é sempre pior, e o cansaço do dia anterior, acho que tinha conseguido dormir o dia todo se pudesse.

Em vez disso tivemos almoço em casa dos meus sogros. Custou-me um bocado e estive calada grande parte do tempo porque estava a fazer um esforço enorme por me manter vertical, mas acabou por nem ser assim tão mau porque o Tiago esteve entretido com as pessoas e os cães e não foi preciso estar eu a fazer aquele sacrificio extra de fazer de conta que estava feliz e contente e andar a correr atrás dele pelo chão.

Quando voltámos para casa passei o resto da tarde a tentar descansar, sem grande sucesso. Entre o barulho dos vizinhos, do cão do lado, das obras na rua, dos alarmes ocasionais entre outros tà­picos sons citadinos, não é possível descansar durante o dia. à€ noite gastei inutilmente as minhas últimas energias com o jantar do Tiago que ele vomitou imediatamente a seguir. Também está constipado e quando fica com o nariz entupido começa a respirar pela boca o que não é compativel com comer. Aspirou um bocado de cogumelo ou uma ervilha e veio tudo fora.

O Pedro acabou por conseguir voltar a dar-lhe sopa e fruta e depois do esforço extra de lhe dar banho (desde que aprendeu que é giro chapinhar na água ficamos todos encharcados) e vestir o pijama (que hoje em dia é o mesmo que levantar halteres porque o miúdo passa o tempo a tentar fugir e tenho que lhe pegar e traze-lo de volta a cada peça de vestuário) consegui finalmente comer e ir para a cama.

E assim começa outra semana…

Tiaguices

Tenho um miúdo muito giro.

Acho que normalmente só escrevo quando é para me queixar – do cansaço, da falta de tempo, das birras – e não escrevo muito sobre as partes boas de ter um filho. Isto deve-se ao facto de precisar de desabafar quando as coisas ficam complicadas e quando está tudo bem não ter tanta necessidade de o expressar – basta senti-lo.

Mas não quero ler isto daqui a uns anos e ficar convencida que foi só dificuldades. É que os momentos bons são isso mesmo, pequenos momentos, à s vezes duram um ou dois segundos, e depois acabam, mas quando são mesmo bons compensam um bocado tudo o resto. Não apagam nada da memória nem servem de consolo quando se está no limite da paciencia mas são um bocado como respirar novamente oxigénio depois de 2 minutos com a cabeça debaixo de água. Por vezes esquecemos que eles existem e há dias em que são muito raros mas esses momentos perfeitos são essenciais à  nossa sobrevivencia – a minha certamente e a do Tiago pelo facto de estar dependente de mim.

Há então momentos bons: as gargalhadas que ele dá e que adorava que fossem mais frequentes, aquele momento em que ele começa finalmente a fazer uma coisa nova, seja gatinhar, por-se de pé, acertar com a colher na boca sem ter entornado a comida, empilhar os cubinhos, etc, quando consigo que ele colabore em algo como atirar a bola ou seguir-me, aquele sorriso malandro que ele faz antes de fugir de mim à  espera que eu o persiga… Enfim, pequenas coisas.

Ultimamente acho divertidissimo ver que ele já descobriu o gozo da antecipação. Construo uma torre de copinhos e ele coloca as mãos a dois ou três centimetros da torre e fica nessa posição uns segundos com um sorriso fantástico e altamente malandreco antes de deitar aquilo tudo abaixo. Há alturas em que parece que ele até tem arrepios de pensar no que vai fazer. É fabuloso. E tamb´m acho imensa piada ao facto de ele fazer certas coisas para obter aplausos – sentar-se no banquinho, comer com a colher, enfiar as argolas no poste – se nos distraimos começa ele a bater palmas para nos lembrar da recompensa. É o máximo.

Por vezes olho para ele e fico espantada com a fofice do miúdo. Acho que é altamente egocentrico acharmos os nossos filhos lindos quando são parecidos connosco mas tenho a impressão que é daquelas coisas do instinto de sobrevivencia que não se podem contornar. Não consigo evitar – acho o miúdo muita giro. Mas não espero que mais ninguém concorde porque acho isso desde que ele nasceu e quando vejo as fotos dele recém nascido, roxo e engelhado já consigo ser mais objectiva e pensar ‘mas que raio é que eu estava a pensar? Ele era tão feioso como os outros recém nascidos todos!’. Só que na altura não era. Seja das hormonas ou outra coisa qualquer, a sensação indescrità­vel de ter aquela criatura minúscula a abrir os olhos pela primeira vez e olhar para nós sobrepõe-se a tudo o resto e é o que nos impede de querer atirá-los pela janela quando não nos deixam dormir há duas semanas.

Mas acho-o muito mais giro agora do que quando era mais pequeno. Agora já tem expressões faciais e sabe o que quer, tem personalidade e um sorriso que derrete toda a gente que se cruza com ele. Definitivamente vai melhorando com a idade.

Acho que sempre imaginei a fase de bebé de colo seguida da fase em que eles já pintam e fazem jogos e nunca pensei que o intermédio fosse tão longo e doloroso, mas havemos de lá chegar. Não estou com grande vontade de aturar os terrible twos, porque se até aqui não tem sido fácil, nem imagino o que se segue, mas vamos avançando dia a dia até isso passar.

E um dia mais tarde ele vai deixar de precisar de mim e só espero que quando isso acontecer que eu tenha conseguido pelo menos ajudá-lo a tornar-se uma pessoa forte, confiante e com conhecimento que tem pessoas que o adoram mesmo quando se porta mal 🙂

Quase com 14 meses

Já há algum tempo que não faço um apanhado da evolução do Tiago. Isto deve-se talvez ao facto de estar à  espera que ele ande e nunca mais. Vai dando uns passinhos mas nem parece esforçar-se muito e os meses vão passando. Não é por medo de cair porque ele próprio adora atirar-se para o chão e tem as nódoas negras para o provar – não sei como é que ele não se queixa quando se deixa de cair de joelhos e aterra com as canelas num qualquer brinquedo. Eu fartava-me de gritar. Ele não anda mais porque não sente necessidade e porque dá muito trabalho. Nota-se que precisa de se concentrar muito para manter o equilibrio e tem de dar passos pequeninos e ele não tem paciencia para isso. Prefere atirar-se ao chão e gatinhar até onde quer ir já que chega muito mais depressa. Isso torna-se obvio quando o ponho em pé e lhe agarro nos braços para dar um pouco de apoio. Assim que ele se sente equilibrado não tenta andar – começa logo a correr. É um miúdo muito ocupado e não tem tempo para coisas chatas como andar devagarinho.

Quanto à  fala já começou a repetir mais alguns sons mas só quando lhe apetece e por mais que puxemos por ele geralmente recusa-se a demonstrar o que já consegue dizer, apesar de ser óbvio que compreende cada vez mais palavras.

Acho importante dizer que nada disto me preocupa minimamente. Não penso que seja um problema. É apenas frustrante porque passo os dias inteiros com ele e à s vezes gostava que ele falasse de volta.

De resto, já empilha copos e cubos muito bem apesar de continuar a preferir destruir as torres a construà­-las. Tentei começar aquele tipo de actividades que eles fazem nos infantários comas digitintas e coisas do estilo mas não correu muito bem. Acho que o problema foi que o único sí­tio que tenho para ele fazer estas coisas é na cadeira onde ele come e isso confundiu-o. Achou que ia comer e ficou muito furstrado apesar de estar curioso para mexer naquelas pastas. Acabei com um miúdo aos gritos e meia hora de limpeza para um resultado nulo.

A única vez que correu bem foi a primeira tentativa, quando o deixei brincar com espuma de barbear. Só que mais tarde ou mais cedo lá vai a mão à  boca por isso tem de ser uma brincadeira curta. Dessa vez levei a cadeira para o quarto dele, pensando que mudar o local poderia fazer diferença. De facto não fez uma fita tão grande. O pior é que ele pode gostar da actividade mas detesta a limpeza que se segue o que quer dizer que seja como for acabo com um miúdo aos gritos.

Da segunda vez fiz uma pasta com farinha e à gua mas foi na sala, que é onde ele come, e já não correu tão bem, para além de fazer muito mais porcaria. Só não encontrei o corante alimentar para juntar à  massa porque não podia deixar o Tiago sozinho para ir procurar. Talvez no fim de semana tenha coragem de tentar outra vez.

A primeira experiencia de trabalhos manuais nem correu muito mal mas mostrou que o Tiago não é minimamente cooperativo. Fiz cola com farinha e água novamente e a ideia era colar cherios numa cartolina para fazer um desenho. O Tiago gostou de espalhar a cola pela cartolina com as mãos e arrancar todos os cherios que eu ia colando, ou seja, tudo menos tentar seguir instruções, mas pelo menos divertiu-se.

Também achou piada à  plasticina mas ainda não percebeu para que serve. Limita-se a partir dois bocados e atirá-los ao chão. Mas é importante começar a introduzir novos materiais e actividades. Como o tempo pode ser que ele começe a achar piada a colaborar.

No fundo sinto que em termos de disciplina sou um fracasso. Vê-se que ele já faz coisas só para provocar e como não o ponho de castigo arrisco-me a criar um monstrinho. Espero ainda ir a tempo de corrigir a situação.

Tem-se recusado a comer ao almoço, nos últimos dois dias, o que faz com que tenha de lhe dar novamente o almoço ao lanche. Hoje nem assim. Atirou o prato ao chão e recusou a sopa. Resolvi montar o parque para ter um sí­tio onde o por de castigo mas tenho sérias dúvidas que vá funcionar.

Pela positiva, a novidade mais recente é que aprendeu a descer da cama ser ser de cabeça. deixa cair um pezinho de cada vez e desliza para o chão. Estou sempre a segurar-lhe na camisola, just in case, mas já não preciso de lhe dar apoio nenhum que ele safa-se muito bem.

Ontem levei-o ao jardim e ele já conseguiu subir sozinho as escadas do escorrega mais pequeno e já consegui que ele descesse pelo escorrega (normalmente tenta sempre voltar a descer pelas escadas). Estava cheio de medo e agarrava-se à  minha camisola com toda a força mas lá desceu. Por um lado é bom saber que ele tem medo de cair porque assim pelo menos não se atira sem eu estar lá para o agarrar.

Primeiro dia de praia

Ao fim de uma semana tivemos finalmente duas horitas com sabor a férias.

De manhã fomos comprar uns brinquedos para o Tiago. Acho que foi tipo a última despesa antes da poupança que se vai seguir para conseguir pagar a creche 🙂

Fomos à  Imaginarium e apetecia sair com a loja toda. Comprámos um fogetão fabuloso que inclui astronautas, um carrinho lunar, um cão astronauta e um alien verde com três olhos. ਠum brinquedo muito giro e o tipo de coisa que o Tiago ainda não tinha – um brinquedo com bonecos para role-playing. Todos os brinquedos dele são tipo centros de actividades que fazem música ou falam, o que é optimo mas acho que ele precisava de mais variedade, especialmente agora que está a chegar à quela idade em que começa a usar a imaginação para brincar e já não se limita a reagir aos està­mulos.

Também comprámos um daqueles puzzles de colocar as peças no buraco com a forma certa porque o Tiago já faz muito bem aquelas tarefas do tipo empilhar copos ou cubos, enfiar as argolas, etc e este é do mesmo estilo mas com um tipo de dificuldade diferente.

De tarde, quando o Tiago acordou da sesta, fomos à  praia.

No fim de semana passado esteve um tempo óptimo mas como era fim de semana não nos apeteceu passar duas horas no transito para ir à  praia meia hora e voltar para casa. Como o Pedro estava de férias, resolvemos esperar. Só que de segunda para a frente o sol desapareceu e acabámos por não ir a lado nenhum. Hoje era a nossa última hipotese.

O Tiago já tinha estado na praia o verão passado mas era muito pequenino e não gostou muito. Mas desta vez foi completamente diferente. Primeiro não saia da toalha e parecia ter medo de mexer na areia. Como o costumamos levar ao parque e ele odeia mexer na relva, não é de espantar. Mas eu enchi um balde de areia e ele esteve a divertir-se a tirar a areia do balde para a toalha. Quando o Tiago já estava à  vontade a enfiar as mãos na areia mostrei-lhe que havia mais por baixo da toalha e daà­ para a frente foi uma festa. Começou a gatinha pela praia, a esfregar as mãos na areia, a deitar-se a escavar buracos. Divertiu-se como só uma criança consegue e nós divertimo-nos imenso a vê-lo a e segui-lo pela praia fora.

É claro que não se queria vir embora mas acho que por essa altura já estava tão cansado que nem deu muita luta. E pronto. Lá temos nós que começar a aturar o trânsito de fim de semana para ir à  praia. Os sacrificios que se fazem pelos filhos 🙂

A saga das creches

Aproveitámos as férias do Pedro para ir visitar creches. Andamos há algum tempo com a indecisão sobre se vale a pena ou não por o Tiago na creche e resolvemos ver as instalações para pelo menos saber quais valem a pena e quais são para esquecer.

Começámos pelo Centro Paroquial de Cacilhas de que não gostámos muito. As senhoras parecem simpáticas e tem um terraço – acho que espaço exterior é sempre importante – mas tem muito ar de hospital, as salas dos mais crescidos pareceram ter muito pouca luz natural e os miúdos têm de descer uma escada bastante ingreme para ir ao refeitório que é no piso de baixo. Tem a vantagem de ser mais barata do que as outras e relativamente perto de casa, apesar de ser sempre a subir, mas pedem montes de burocracia para fazer a inscrição porque aquilo é comparticipado pelo estado e portanto querem tudo, desde declaração do IRS até quanto é que pagamos de renda de casa, para determinar a mensalidade que para nós acabaria por ser o máximo provavelmente. Ainda por cima não havia qualquer garantia de vaga. Tinhamos que o inscrever, pagar a inscrição e depois ver se ele era aceite ou não.

Fomos então à  segunda escola, esta bastante mais longe. Fomos ao Mestre Cuco. Gostei da escola apesar de achar as salas pequenas e não ter qualoquer espaço exterior. Penso que as outras instalações para miúdos a partir dos 3 anos são muito maiores e têm um espaço exterior bastante amplo mas a creche nem por isso. A sra foi muito simpática mas não há dúvida que é um infantário muito virado para o negócio – logo à  entrada têm uma vitrine com merchandising: t-shirts, chapéus, etc, com o logo da escola. Mas pronto. Isso não é um contra porque não obrigam ninguém a comprar. Gostei do facto de terem boas fotos da escola online o que fez com que já tivessemos uma ideia antes de ir lá e, apesar de ser mais cara do que a primeira, tem uma mensalidade mais baixa do que as duas que vimos a seguir. A maior desvantagem para nós é que é muito longe, e como eu não conduzo, com o extra do transporte já fica muito cara.

A terceira creche que visitámos foi o Barquinho. Também vi fotos online antes de ir lá e pelas fotos pensava que as salas seriam muito escuras mas não são. Têm até bastante luz natural e um grande terraço. Para além disso têm também um ginásio o que quer dizer que os miúdos não passam o dia todo no mesmo espaço e fazem exercí­cio numa zona bem almofadada. Também tem dois pisos mas aqui tem uma rampa em vez de escadas, que me pareceu muito mais seguro. Achei que o chão e os brinquedos estavam um bocado gastos e velhos mas no geral não foi o suficiente para me impressionar negativamente. Para nós tem a grande vantagem de ser perto de casa e não precisar de transporte. O maior problema é que é a mais cara de todas as creches, tanto na mensalidade como na inscrição.Mas aqui ficaria com a mesma educadora até aos 5 anos enquanto que no Mestre Cuco mudaria de educadora e instalações quando fizesse 3 anos.

Por fim fomos ao Piaget. Foi-nos aconselhado por uma vizinha que tem lá o neto e de facto a creche parece boa. As salas são grandes, tem um terraço com bastantes brinquedos e são muito poucas crianças. O chão é novo e achei que tinha um ar muito acolhedor e simpático. A senhora que nos atendeu também foi muito amorosa e saà­mos de lá com boa impressão. A mensalidade está entre o Mestre Cuco e o Barquinho mas em termos de custo anual acaba por ficar mais perto da do Barquinho porque se pagam 12 meses em vez de 11. Porém foi a única creche que vimos que tinha incluida na mensalidade as fraldas, dodots, material, etc. Como desvantagem tem umas escadas até à  porta que não dão muito jeito com o carrinho e para nós é um bocado longe. E aqui também teria de mudar de instalações aos 3 anos.

Básicamente ficámos muito indecisos porque depois de fazer as contas em termos de valores anuais as diferenças não eram assim tão obvias como pareciam inicialmente.

É de facto muito complicado decidir se e quando se deve colocar uma criança na escola. Por um lado penso que o Tiago vai aprender muito em termos de relacionamento com os outros e em termos de disciplina porque eu sou uma desgraça nessa área e deixo-o fazer o que quer. Por outro lado pode sentir-se abandonado e eu vou sentir grande dificuldade em deixá-lo lá ao fim de um ano com ele em casa. Estava finalmente a habituar-me a estar com ele e a não ter tempo para o resto e vai mudar tudo outra vez. E ainda por cima vou ficar lisa para conseguir pagar o infantário. Vou ter mais tempo para trabalhar e assim ter potencial para ganhar mais mas vai ser tudo sugado pela creche. Extras como cortar o cabelo, comprar roupa ou DVDS, ir ao cinema, etc, passam para a lista de coisas a esquecer durante uns tempos mas pronto. É por uma boa causa. Só espero que valha a pena.

Depois de discutir o assunto com os meus pais e com a irmã do Pedro acabámos por chegar a uma conclusão e ontem fomos inscrever o Tiago na escola. Só começa em Setembro, o que nos dá tempo para ajustar à  ideia, comprar sapatos, materiais, escrever o nome na roupa, etc, e depois lá vai ele apanhar as doenças e infecções todas deste inverno. Fun fun fun.

De volta ao jardim

Tivemos finalmente um fim de semana sem interrupções. É claro que em vez de descansar começámos por ter que ir ao supermercado de manhã e depois passei o resto do sábado a limpar a casa e a lavar roupa já que a Augusta não apareceu esta semana. E a noite de sábado não foi melhor porque fui acordada pelo ranger ritmado da cama dos nosso vizinhos de cima e fiquei tão completamente freaked out pela imagem mental da coisa que perdi completamente o sono. Acabei por passar grande parte da noite na sala a ver o O.C. season 4 e a acabar um colar.

No domingo estava à  espera de me sentir completamente exausta mas até estive bastante bem. Começo a concordar com o Pedro: é a nossa cama que nos dá uma grande tareia todas as noites, por isso quanto menos tempo passarmos nela melhor. Já mudámos de colchão e de almofadas não sei quantas vezes e o resultado é sempre o mesmo.

Tentámos ir até ao Parque mas tal como na semana passada estava um bocado de vento e não ficámos muito tempo.

De tarde consegui ver o filme The Queen, de que gostei bastante mais do que estava à  espera. Está muito bem feito e a Helen Mirren é sensacional no papel.

Na segunda feira já estava outra vez bom tempo por isso levei o Tiago ao jardim durante a tarde. Depois de uma semana praticamente fechado em casa acho que já estava com saudades.

Ontem passei as sestas do Tiago a fazer orçamentos e a instalar software de content management no servidor. Estou a experimentar uns quantos diferentes para ver qual gosto mais porque a separação entre código e layout na maior parte destas coisas é uma confusão. Uma vez encontrei um que era bastante bom nesse aspecto mas depois tinha bugs de funcionamento graves. Dá imenso trabalho fazer isto mas é preciso porque hoje em dia já não faz sentido fazer um site sem backend e já há imensa coisa em open source.

Hoje de manhã voltei a levar o Tiago ao jardim. Ele fica sempre muito interessado nos outros miúdos mas limita-se a observar. Não tenta ir para junto deles. O que é perfeitamente normal para a idade dele.

Nas últimas semanas tem dado uns passinhos sozinho de vez em quando mas continua a preferir gatinhar porque se sente mais seguro e anda muito mais depressa. Já me tinham avisado que ia ser assim.

Noto que já está mais colaborativo nas brincadeiras e já obedece a regras simples como ‘dá’ ou dizer-lhe para por um cubo em cima de outro. Fica um bocado frustrado quando os cubos caem mas no geral até é um miúdo persistente. Começou também a sentar-se num banco (ou melhor a montar-se, com uma perna para cada lado).

Continua a não falar mas todos os dias descubro mais palavras que ele entende. Fruta, fome, papa, mamã, papá, água, chapéu, luz, gato, pato, bola, leite…

A única coisa que diz regularmente é ‘mamã’ quando tem fome. Mas o Pedro já fez o teste de perguntar onde está a mamã e ele olhou para mim por isso é uma questão de associar a mãe à  comida, o que faz imenso sentido para quem mamou durante um ano e esteve sempre em casa com a mãezinha.

As refeições estão outra vez a complicar-se graças à  mania tà­pica desta idade de atirar tudo para o chão, incluindo o que tem no prato. Só que no caso do Tiago a coisa é pior porque ele percebeu que quando deita comida para o chão aparecem dois ou três gatos e acha imensa piada. Por isso, para além de preparar a comida, agora tenho também que andar a recolher gatos antes das refeições para ele não estar tão distraà­do. Não que isso o impeça de atirar a comida ao chão mas pelo menos sempre vai comendo qualquer coisa.

Tem sido dificil convencê-lo a beber mais do que umas gotinhas de leite pelo copo por isso começou a comer papa feita com leite. Assim pelo menos tem a dose diária e depois se vê se bebe mais um bocadinho pelo copo. Aliás, é dificil dar-lhe qualquer espécie de là­quido. Mesmo água é complicado. Suponho que é daquelas coisas que vão ficando mais fáceis com o tempo.

De resto tem sido tudo muito mais fácil desde que o Tiago começou a ver televisão. Posso finalmente ir preparar comida ou ir à  casa de banho sem deixar o miúdo aos gritos deixando-me a mim em stress o dia todo. O Baby First é uma maravilha e ele adora o Peecaboo e o Squeak que é um programa com 3 ratinhos. É claro que ele só vê televisão em bocadinhos de 10 minutos, enquanto estou a preparar o prato ou a lavar a loiça, mas dá montes de jeito.

Além disso eu nunca fui uma daquelas pessoas que dizem ‘o meu filho nunca vai ver televisão’. Muito pelo contrário. Eu gosto de ver séries e filmes e estou desejosa que ele cresça o suficiente para conseguir partilhar algumas coisas com ele. Por outro lado sei que as crianças precisam de um mà­nimo de uma hora de actividade intensa por dia e sou responsável por proporcionar isso. É claro que por enquanto isso não é um problema porque posso simplesmente desligar a televisão e acabou. Mas daqui a mais um ano, quando ele começar a escolher o que quer ver e a jogar com a playstation (cujo comando ele já adora) vai ser mais complicado de gerir.

Mas também tenho notado que o Tiago não fica quieto nem quando está a ver televisão. Está sempre a mexer-se de um lado para o outro, o que quer dizer que acaba por ter um nà­vel de actividade mais elevado mesmo numa situação onde normalmente se gastam tantas calorias como quando estamos a dormir.

Constipação nº 4

O Tiago tem sido um miúdo extraordinariamente saudável. Teve umas pequenas constipações quando fez 6 meses e nada mais. É uma das grandes vantagens de não andar na creche.

Ontem ao fim do dia parecia estar sol e por isso arpoveitámos para ir um bocadinho ao parque antes que fosse noite, já que não tinha sido possível sair mais cedo. Infelizmente o tempo estava a sentir-se melancólico e resolveu ficar cinzento e ventoso mesmo antes de chegarmos.

O resultado é que hoje passei o dia a limpar o nariz ao Tiago que não pára de espirrar e tem constantemente ranho a escorrer-lhe narriz abaixo. Tirando isso até parece relativamente bem disposto apesar de ter passado a noite a acordar, o que é prefeitamente natural quando não se consegue respirar convenientemente.

A parte chata é que se recusa a dormir. Seria de esperar que depois de uma noite má e com o peso que estas coisas costumam dar ele estivesse mais sonolento que o costume mas pelos vistos não. Já tentei po-lo a dormir duas vezes e nada.

E eu que precisava de um bocadinho para descansar…