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Segundo dia de escola

Como esperado, hoje foi pior. Primeiro não queria ir para o chão por isso levei-o para a sala e dei-lhe um brinquedo mas assim que me comecei a ir embora ele veio atrás de mim a chorar. Eu disse adeus e saà­ porque não queria prolongar a cena mas fiquei outra vez com um nó na garganta que disfarcei através do riso nervoso, como já é costume.

De volta para casa passei no banco e nos correios e quando cheguei a casa estava cá o Pedro a beber o seu café no quarto vazio do Tiago. Conversámos um bocadinho e ele teve que sair para o trabalho. Eu ia atirar-me à s tarefas domésticas mas não consegui, com a sensação que ele ainda estaria para lá a chorar, por isso telefonei para a escola. Quando atenderam disse logo que era mais uma mãe chata a perguntar se o filhote estava bem. A senhora riu-se e foi ver. Disse-me que ele estava bem e a brincar. Fiquei mais descansada e fui então tratar da lista gigantesca de tarefas da manhã – deitar fora lixo e reciclagem, por roupa a lavar, enviar mail a clientes, etc.

Agora já é quase meio dia e está na hora de me preparar para o ir buscar. No fundo as manhãs não dão para muito. Vamos ver quanto tempo é que demora até ele se adaptar para poder começar o treino de ficar lá durante a sesta. Mas resolvi fazer isto por fases por isso vamos com calma.

Primeiro dia de escola

Depois de uma noite mal dormida levantei-me, vesti-me, fui acordar o Tiago que por qualquer motivo resolveu dormir mais hoje, dei-lhe a papa e fomos os três levar o Tiago ao seu primeiro dia de escola.

Ele entrou para a sala muito calmo e foi directo a um brinquedo. Depois de falar um bocadinho com a educadora dissemos adeus e saimos. Ele ficou a olhar para nós com um ar levemente apreensivo mas não chegou a chorar.

Eu é que saà­ quase a chorar. Na verdade não estava à  espera mas foi muito complicado controlar-me. Saà­ com o Pedro até me sentir novamente mais normal, até porque na rua tinha desculpa para usar os óculos escuros. Depois voltei à  escola porque tinha de pagar a mensalidade mas como havia pessoas a fazer inscrições que demoram mais tempo resolvi tratar disso quando fosse buscar o Tiago.

Como tinha material para comprar para uma encomenda, dirigi-me à  loja mas só abria à s 10 da manhã por isso desisti. Ficou mais uma coisa para tratar mais tarde. Como não estava ainda pronta para voltar para casa acabei por ir mesmo ao cabeleireiro. Acho que a última vez que fui cortar o cabelo foi há quase um ano, depois do desastre das madeixas, por isso estava mesmo a precisar. A cabeleireira entusiasmou-se um bocado demais, porque as pontas pintadas estavam mesmo com muito mau aspecto, e por isso ficou ligeiramente mais curto do que eu queria mas que se lixe. Como agora só volto a cortar daqui a mais um ano vai ter muito tempo para crescer 🙂

Fui finalmente para casa mas estive ocupada a fazer coisas como pagar a segurança social, por isso não tive muito tempo para pensar no assunto.

Quando se acabaram as tarefas mais obvias em casa, fui tratar das outras coisas que tinha na lista – pagar a garagem, ir à  farmácia, comprar papel para a impressora de fotos, encomendar lentes de contacto e comprar os materiais que precisava para uma encomenda. Nada de emocionante mas manteve-me ocupada até serem horas de ir buscar o Tiago.

Cheguei um pouco antes da hora porque ainda queria ir tratar do pagamento e ele estava a almoçar. Quando acabou fui buscá-lo. Estava a choramingar mas nada de muito grave. Perguntei como tinha corrido a manhã mas não me deram muitos pormenores. Disseram só que não tinha comido muita sopa nem fruta e só quando eu perguntei como tinha sido com os outros miúdos é que a educadora disse que ele tinha passado o tempo todo num canto agarrado ao ursinho, afastado dos outros. Era o que eu estava à  espera. Ele sente-se intimidado pelos outros miúdos porque não está habituado mas pelo menos não me disseram que passou o tempo todo a gritar.

No geral, para primeiro dia, acho que não correu muito mal. Suponho que amanhã seja mais complicado vir-me embora mas espero que mais para o final do mês ele comece a ver aquilo como uma coisa normal. Custa-me deixá-lo mas penso que ele vai aprender coisas importantes com a experiencia, mesmo sendo um bocado angustiante de inicio.

Viemos então para casa. Dei-lhe sopa e fruta e deitei-o para a sesta. Reagiu normalmente, sem qualquer problema.

Durante a sesta dele ainda consegui começar uma gargantilha que tenho encomendada e que vai demorar dias a fazer mas pelo menos está começada.

Durante o resto da tarde estivemos a brincar como normalmente e o Tiago começou a subir para as cadeiras sem ajuda. É mais perigoso do que subir para o sofá por isso agora tenho que ter muita atençao durante os próximos dias.

Continuo muito nervosa e já a pensar em como será amanhã.

A 2 dias de ir para a escola

Esta semana fiquei verdadeiramente espantada ao aperceber-me do que o Tiago já compreende. Há poucos dias ainda ficava a olhar para mim quando lhe dizia certas coisas e de repente pergunto-lhe se ele sabe onde está o outro sapato e ele vai buscá-lo. Ou seja, não só já compreende o significado da frase – em vez de apenas uma ou outra palavra ocasional – como está a tornar-se bastante mais cooperante. Dou com ele a arrumar os brinquedos no balde que tem para o efeito e a por os livros de volta na estante, na prateleira correcta.

Ontem fiquei ainda mais espantada: ele estava a brincar com o meu relógio pondo-o dentro do barco de brincar. Quando se fartou da brincadeira foi arrumar o barco no balde dos brinquedos. Eu disse-lhe ‘então Tiago, se já não queres o relógio podes dar-me-o de volta’. Ele foi buscar o barco, tirou o relógio e veio entregar-mo. Para um miúdo que não diz uma palavra não esperava tanto.

Hoje passei o dia a imprimir fotos do Tiago. Apercebi-me que o album dele parou nos 3 meses – é o que o Pedro diz: dá para perceber quando é que ele começou verdadeiramente a dar trabalho que eu deixei de ter tempo para fazer coisas como albuns de fotos 🙂

Como tinha que imprimir fotos dele para a escola – fotos tipo passe, etc – aproveitei e escolhi mais umas quantas. Demorou mesmo o dia inteiro a imprimir – a ‘torradeira’ da epson faz fotos com boa qualidade mas demora uma eternidade a imprimir cada uma. Desta vez dei-me ao trabalho de escrever a data de cada foto para ser mais facil fazer o album depois (um dia destes, quem sabe, quando tiver tempo).

Entretanto já tenho a mochila do Tiago pronta ir para a escola na segunda feira. Estava a pensar deixá-lo lá e ir ao cabeleireiro para não vir para casa roer as unhas o resto da manhã mas não sei se consigo. Estou desesperadamente a precisar de cortar o cabelo e fazer qualquer coisa para disfarçar o look bicolor de quem não pinta há mais de 6 meses mas já sei que me ponho a pensar ‘então e se corre alguma coisa mal e me ligam para ir lá buscá-lo e não estou despachada?’. Sei que isso não vai acontecer mas não conseguiria estar à  vontade.

Nestas últimas duas semanas tenho andado mesmo muito ansiosa e um bocado deprimida por causa do infantário. Imagino aquele primeiro dia em que tenho de o deixar a chorar e ir-me embora e estive quase a desistir. Passei noites sem dormir e tenho por vezes a sensação completamente irracional de que quando o deixar lá nunca mais o volto a ver. Esta altura do ano já não é fácil para mim há uns anos e como agora tenho mais uma fonte de inquietação, os sentimentos acabam por se misturar todos resultando em ligações absurdas mas perturbantes. Da mesma forma como não consigo pensar no parto do Tiago sem pensar no parto do Alex agora também sinto que estou a ‘perder’ o Tiago na mesma altura do ano em que perdi o Alex. É uma coincidencia infeliz, esta sobreposição de datas a marcar uma nova etapa e mudança inevitável na nossa vida.

Com tudo isto vem também a ansiedade relacionada com o trabalho, com a pressão extra de ter agora que arranjar mais trabalho que compense o facto de continuar em casa. Eu até me farto de trabalhar só que infelizmente não é o tipo de trabalho que dê grandes contrapartidas financeiras. Mas se tiver que arranjar um emprego convencional o Tiago vai ter de ficar no infantário 12 horas por dia ou mais e eu passo de acompanhá-lo todo o dia a limitar-me a levantá-lo de manhã e deitá-lo à  noite. Sei que temos de fazer muita coisa pelo dinheiro mas ficarei verdadeiramente deprimida se for obrigada a tomar uma decisão com este tipo de limitações. O Tiago é a minha primeira prioridade e eu quero acompanhar o seu crescimento. É egoà­sta, talvez, e sinto-me mal por ser o Pedro a carregar a maior parte da responsabilidade financeira da famà­lia. É um dilema que espero conseguir resolver brevemente sem ter de abdicar completamente de estar presente na vida do meu filho.

Visita ao infantário

Esta tarde levei o Tiago a fazer uma visita ao seu futuro infantário. Precisava de ir buscar a lista dos materiais que preciso de comprar e tinham-me dito que era boa ideia levá-lo a passar uns minutos umas quantas vezes antes de começar a ir a manhã ou o dia inteiro em Setembro.

Deram-me a lista de material e por sorte estava na secretaria a educadora que vai ficar com o Tiago e aproveitei para falar com ela. Ela acha que mais vale levá-lo no primeiro dia e pronto e que ir aumentando o tempo aos bocadinhos não adianta nada em termos de habituação. É obvio que há opiniões diferentes no que diz respeito a estas coisas mas como ela é que vai tratar do miúdo resolvi aceitar a sua opinião.

De qualquer forma, antes de sair, resolvi levar o Tiago à  sala onde vai ficar. Ele nem sequer queria ir para o chão apesar dos outros miúdos se mostrarem muito simpáticos – uma menina foi logo buscar um triciclo para o Tiago e tudo. A educadora conseguiu interessá-lo por uma bola, que é o brinquedo preferido do momento e ele lá andou com a bola na mão durante um bocado, mas sempre a choramingar e a tentar voltar para o colo. Percebi que de facto comigo lá não vale a pena e deixá-lo cinco minutos e voltar parece ser apenas um exercí­cio cruel sem grande resultado prático. Suponho que o primeiro dia será um choque mas ficou combinado que se ele não parar de chorar me avisam e depois logo se vê.

Tudo isto fez-me lembrar o tempo que eu passei no infantário, mais precisamente no externato Frei Luis de Sousa. Acho que até gostava de lá andar mas a memória mais và­vida que tenho é do dia em que a minha mãe se atrasou de tal forma que eu e o meu irmão fomos transferidos para o refeitório do liceu porque era a única parte da escola que ainda tinha funcionários porque o pessoal do infantário já tinha saà­do todo. O refeitório estava aberto porque serviam jantar na parte do liceu. O meu irmão, que devia ter 3 anos, estava muito calmo mas eu, que teria 4 ou 5, à  medida que o tempo passava fui ficando cada vez mais convencida que tinhamos sido abandonados e nunca mais voltaria a ver os meus pais. Por um lado é uma memória boa porque pode ser que me impeça de fazer o mesmo ao Tiago.

Cá por casa temos brincado principalmente a fazer torres de cubos. O Tiago gosta de empilhar os 6 cubos, por vezes ainda põe um copinho ou uma cabeça de urso no topo e depois deita tudo ao chão e começa outra vez. Está a tornar-se mais colaborativo e já ouve quando eu aponto e digo onde é que está um dos cubos e ele vai buscar.

As refeições continuam uns dias bem e uns dias mal. Hoje por exemplo não comeu nada ao almoço por isso fui forçada a dar-lhe a sopa e o peixe ao lanche.

E preciso de escrever isto porque o Pedro pode não se lembrar de passar o video para o computador durante uns tempos: a música favorita do Tiago neste momento é o March of the pigs dos NIN. Cada vez que ouve a música começa a dançar frenéticamente. É absolutamente fantástico de ver. Será que foi por ter ido ao concerto dentro da minha barriga?

O copo já está conquistado

Ontem de manhã ia comprar pão quando o Tiago agarrou na bola e correu para o elevador. Não podia ignorar todo aquele entusiasmo por isso levei-o ao campo de jogos. Ele foi o tempo todo com a bola na mão e passou meia hora feliz da vida a correr atrás da bola até finalmente se cansar. Quando começou a pedir colo fui à  padaria e voltámos para casa.

Durante a sesta estive a preparar uma encomenda e quando o Tiago acordou fomos aos correios. Já consigo que ele ande pelo seu próprio pé na rua e ainda por cima de mão dada, algo que ele se recusava a fazer há uma semana atrás. Foi a pé até quase aos correios e só quando estavamos quase à  porta é que voltou a pedir colo.

Esta semana já tinha conseguido faze-lo andar até à  farmácia e no dia seguinte até à s finanças que é um bocadinho mais longe. Corre tudo muito bem até alguém se meter com ele. Aà­ acabou. Agarra-se à s minhas pernas a pedir colo e não volta a querer ir para o chão.

Eu até compreendo. Se fosse a andar calmamente pela rua e alguém que não conheço chegasse ao pé de mim e me mexesse também me sentiria bastante assediada. As pessoas têm uma certa tendencia para se esquecer que as crianças são pessoas e precisam do seu espaço pessoal.

Ao fim da tarde estivemos a brincar com pasticina. Está finalmente a perder o hábito de meter tudo na boca por isso já lhe posso dar este tipo de coisas (desde que não o deixe sozinho, claro, porque senão ele aproveita logo). Tudo o que seja novo e diferente já consegue prender-lhe a atenção por bastante tempo.

Ao jantar tivemos mais uma novidade: o Tiago bebeu sozinho por um copo normal. Ainda não percebeu bem que precisa de inclinar a cabeça para trás para beber mas já se safa bastante bem, segurando o copo com as duas mãos. Nem sequer entorna muito.

Como gosta de saltar etapas hoje já esteve a beber do copo enquanto andava de um lado para o outro – isso de fazer as coisas devagarinho é para os fracos.

Continua a tentar convencer-me a ligar-lhe a televisão sempre que pode mas eu vou para o quarto dele e chamo-o para ler um livro e ele acaba por desistir. Acho que tenho conseguido manter a televisão em pouco mais de uma hora por dia, limitando-a a antes e depois das refeições quando tenho de estar na cozinha, para ele não ficar sozinho a chorar. Se o pudesse deixar ir para a cozinha comigo podia deixar a tv só para o fim do dia, quando já estou demasiado cansada para andar a correr atrás dele, mas entre as camas e comida dos gatos e os armários que têm uns puxadores tão afastados que ainda não conseguimos arranjar nada para os trancar, não é seguro.

Hoje levei-o novamente ao campo de jogos mas para além de estar um vento cortante estavam também lá 3 miúdos bastante mais crescidos a jogar à  bola e o Tiago limitou-se a ficar especado a olhar. Ainda andou um bocadinho mas pouco tempo depois estava a abanar a mão e a dizer ‘bye’ e começou a pedir colo, tudo indicações que se queria ir embora.

É interessante como os livros sobre bebés são tão importantes quando eles são muito pequenos e depois vão perdendo a relevancia. Quando ele era mais pequenino havia dias que eu lia e relia os livros à  procura de uma explicação para o facto de ele não parar de chorar. Agora ele já dá sinais tão obvios do que quer que não preciso de grande ajuda para o compreender. É bom saber que ele está a aprender a comunicar e que me consigo relacionar com ele mais facilmente.

Aquilo que continua a custar um bocado são as refeições. É a única altura do dia em que por vezes perco a paciencia. A nova mania de empurrar a colher com a mão quando não quer mais sopa é particularmente irritante porque entorna tudo. Sei que está mesmo a entrar nos terrible twos e que vou precisar de paciencia redobrada mas há dias em que estou mais cansada e não é fácil. Herdei o short fuse do meu pai e se não tenho uns instantes para respirar fundo apetece-me partir tudo e desatar a gritar. Este ano e meio tem sido um treino intensivo de auto-controlo e acho que até nem me estou a safar muito mal mas cada vez que o filtro falha e levanto a voz, mesmo que só por um instante, fico a sentir-me culpada o resto do dia. Preciso que ele me respeite e obedeça as regras até certo ponto mas não quero que tenha medo de mim. É uma linha dificil de manter.

Fim de semana na praia

Tanto no sábado como no domingo de manhão fomos até à  praia. Nunca conseguimos sair de casa antes das 10 da manhã o que nos dá um máximo de hora e meia de praia antes de termos de vir embora ao meio dia.

Geralmente ir à  praia é uma actividade bastante cansativa e este fim de semana não foi excepção. Temos de nos lembrar de levar comida e água para o Tiago, uma muda de roupa e fralda, brinquedos, etc, para além dos costumeiros protectores solares e toalhas para não mencionar o transporte de um miúdo de 11 quilos.

Desta vez o estacionamento estava impossível e andámos à s voltas imenso tempo. Mas quando finalmente chegamos à  praia o Tiago diverte-se tanto que acabamos por ir outra vez. Ele consegue andar a subir e descer bancos de areia e a chapinhar em poças de à gua durante uma hora sem parar. No sábado, quando finalmente se cansou, esteve meia hora e por e tirar conchas de um balde com água. Está finalmente a conseguir concentrar-se numa actividade mais do que cinco minutos de seguida, o que é optimo. Especialmente se for uma coisa nova.

O pior foi a tarde. O Tiago ficou tão cansado com a praia que adormeceu no carro. 20 minutos depois acordou quando chegámos e já não conseguimos que dormisse mais. Tomou banho, comeu e acabámos por sair novamente porque ele não adormecia. Fomos ao fórum porque o Pedro precisava de uma mochila nova para o mac e eu queria comprar mais uns calções e t-shirts para o Tiago mas nenhum de nós encontrou o que queria e voltámos para casa sem ter comprado nada. A loja de informática onde o Pedro encontrou a mochila que queria estava em obras e estava tudo coberto de pó e as lojas de roupa estão em saldos e não havia quase nada, muito menos em tamanhos que servissem ao Tiago. Pode ser bom para as finanças mas é um bocado decepcionante.

No domingo de manhã voltámos à  praia. Desta vez o estacionamento estava tão mau que não tivemos outra hipotese senão ir para um parque pago. Estava lá montes de gente – a Marta e o Filipe, a Ana e o marido, a Inês e o Gustavo e os meus sogros também apareceram. O Tiago ficou um bocado incomodado com tanta gente a olhar para ele e passou o tempo a pedir colo. Está cada vez mais desconfortável com pessoas que não conhece o que não é nada bom para quem vai entrar para o infantário daqui a um mês. Vai ser um inferno.

De tarde voltou a não dormir e também começou a deixar de comer. Não lhe tenho conseguido dar mais de 3 ou quatro colheres de sopa ou papa de cada vez e nem sequer come a fruta, algo que normalmente vai sem problemas. Grande parte disso é por estar doente. Com o nariz entupido e a ter que respirar pela boca não apetece nada comer. E o faro também fica alterado, o que altera o sabor da comida. Mas seria de esperar que a fome ultrapassasse isso tudo.

Vamos ver como correm os próximos dias.

O primeiro beijinho

O ritmo de crescimento do Tiago continua a ser impressionante. Aos 16 meses já chega com os pés ao suporte da cadeira de comer, já liga o piano e os brinquedos dele no interruptor e já percebe que há certas coisas que não consegue fazer sozinho e vem pedir ajuda – vai buscar o comando da televisão e passa-mo para a mão em vez de ficar a carregar nos botões ao acaso como costumava fazer, vai buscar um livro e vem para o colo para eu o ler, dá-me a varinha quando quer que eu faça bolas de sabão, etc.

Hoje calçou pela primeira vez um sapato sozinho e subiu para a cadeira de baloiço sem ajuda. E ontem à  noite deu-me o primeiro beijinho 🙂

Ele é um grande ciumento e não pode ver o pai a dar-me beijinhos. Vai logo separar-nos e bater no pai. Quer a atenção toda para ele. Ontem à  noite foi uma dessas ocasiões. E quando o Pedro se levantou para ir à  casa de banho o Tiago aproveitou e veio ter comigo, esticou a cabeça para ficar com a bochecha a jeito para eu lhe dar um beijinho e depois virou-se para mim de boca aberta e eu fiz o mesmo e tive direito a um beijinho dele.

Ele já andava a treinar os beijinhos na mão dele há algum tempo mas directamente na cara de outra pessoa foi novidade. É giro ver que as expressões de afecto se vão desenvolvendo porque no primeiro ano de vida são praticamente inexistentes. E é interessante ver que como o exemplo é tão importante. Ele só faz porque vê fazer.

O vicio

No sábado fomos comprar uns sapatos novos ao Tiago porque os que ele tinha estavam já muito pequenos, algo que acontece de um mês para outro.

Acabámos por comprar uns crocs que são frescos mas fechados à  frente (o que dá jeito para os pontapés na bola). O único inconveniente é que são demasiado faceis de tirar.

Ontem foi a vez do corte de cabelo. Não quis fazer nada demasiado radical mas o miúdo já tinha a franja a entrar para os olhos por isso, depois do almoço, deixei-o sentado na cadeira e dei-lhe uma aparadela à  frente, atrás e por cima das orelhas. Ele esperneou um bocado mas lá acabou por deixar cortar. É incrivel como uma pessoa muda tanto só por causa de um corte de cabelo 🙂

Entretanto continua a luta por causa da televisão. O Tiago está completamente viciado no Pocoyo e irrita-se quando desligo a televisão. De 5 em 5 minutos volta para a sala, senta-se no sofá, aponta para a tv e diz ‘dá!’. E se eu não ligo ele vai mexer nos botões todos a ver se consegue ligar ele. Acaba por por coisas a gravar, fazer eject ao DVD e desligar a tv no botão, mas isso não o impede de continuar a tentar.

É muito cansativo estar constantemente nesta batalha e por isso acabo por ceder ocasionalmente. Deixo-o ver um episódio, que dura 7 minutos, e depois desligo outra vez e levo-o para o quarto. Vamos brincar com o puzzle de madeira, fazer torres de copos, dar uns pontapés na bola ou no balão mas ao fim de um bocadinho lá vai ele outra vez.

A única coisa que funciona é sair de casa por isso tento levá-lo ao jardim ou até só subir e descer a rua durante um bocado.

Não é que eu ache mal ele ver televisão. O Pocoyo é um desenho animado muito giro, é didático, não lhe faz mal nenhum e diverte-o. Mas o Tiago é um miudo tão activo que não quero que ele deixe de se mexer para passar os dias a vegetar em frente à  TV. De resto não me chateia nada já que sou eu que decide o que ele vê: só vê coisas gravadas para não andar a levar com anuncios a brinquedos e porcarias do estilo nem coisas altamente violentas nos intervalos dos desenhos animados.

E também já notei que ele é muito selectivo. Não se interessa por qualquer coisa. Quando está a dar algo que não lhe diz nada ele desliga e vai fazer outra coisa. Acaba por ser a melhor técnica à s vezes, especialmente à  noite quando já não tenho energia para discutir com ele – por uma coisa que não lhe interesse, com o som baixinho e depois ir para o chão brincar com ele.

De repente tornei-me mamã

É obvio que me tornei mãe há algum tempo atrás mas ultimamente tenho visto a situação de outra forma.

Dou comigo a imaginar que imagem é que o Tiago tem de mim agora que passo o tempo na cozinha a preparar as refeições dele enquanto ele está na sala a ver o Pocoyo. Pra ele tudo isso é muito natural. Eu sou a chata que lhe diz que está na hora de comer, de lavar as mãos, de tomar banho, de ir dormir, que lhe desliga a televisão, que não o deixa brincar com tesouras. Eu, que evitava passar mais de 10 segundos na cozinha de cada vez agora tenho de andar a olhar para o relógio para poder ir preparar a comida dele na hora certa – comida esse que felizmente não tenho que ser eu a cozinhar – isto de ter um marido que cozinha dá montes de jeito. Ou seja, passei a transmitir uma imagem de domesticidade que vai inteiramente contra o meu instinto porque agora é preciso fazer essas coisas pelo Tiago.

É claro que quando chega a vez de eu comer agarro mais facilmente num pacote de bolachas e num copo de leite do que vou fazer comida para mim, mesmo que seja só fazer massa para acompanhar a bolonhesa que já está pronta no frigorà­fico. Mas essa parte o Tiago não vê porque está a dormir a sesta.

No fundo sinto-me um bocado uma fraude mas também me ajuda a compreender melhor que os meus pais e os pais dos meus amigos quando eu era pequena sofriam potencialmente do mesmo mal, que essa coisa de ir cozinhar o jantar era uma grande seca para eles e só o faziam porque tinham de o fazer.

É claro que isso não é uma conclusão nova para mim. Aliás, assim que eu e o meu irmão nos tornámos mais crescidos passou a ser mais ‘olhem, têm ovos e fiambre no frigorà­fico, façam uma omelete para o almoço’ e pronto. Já estão crescidos, desenrasquem-se. Isso resultou em duas personalidades distintas: eu odeio cozinhar e o meu irmão adora, porque se tinha de ser ele a fazer a comida isso dava-lhe liberdade de fazer o que gostava em vez de ter que aturar aquelas coisas nojentas que nos obrigavam a comer como mioleira e o coelho que estava vivo na noite anterior e a quem eu tinha feito festinhas. A minha relação com comida nunca mais foi a mesma. Mas durante a infancia havia aquela ideia da mãe que trata de tudo e que o faz porque é assim mesmo.

É então interessante ver agora quanto uma pessoa altera o seu comportamento natural para bem dos filhos e faz coisas que normalmente detesta sem sequer se queixar muito porque agora têm de ser feitas. Mas isso vai criar uma noção falsa da realidade nos nossos filhos. O que eles vêm é uma mamã que gosta de passar o tempo na cozinha a preparar comida e lavar a loiça em vez de uma mamã que passa o tempo na cozinha a desejar ter dinheiro suficiente para contratar alguém para fazer aquilo por ela e só o faz porque gosta muito do seu filhinho e quer o melhor para ele.

Mas ser mãe é uma decisão nossa e não requer compreensão nem adoração por parte dos filhos. Nós é que os adoramos a eles e se fizermos um bom trabalho pode ser que eles não nos odeiem muito quando passar finalmente aquela parte chata da adolescência.

O aniversário

No dia 25 de junho foi o aniversário da minha mãe que nos convidou a jantar no indiano. Este ano até me ocorreu uma prenda gira (porque comprar prendas é mais complicado a cada ano que passa) e o restaurante era perto de casa o que dá imenso jeito quando se sabe que a certo ponto vai ser preciso ir meter o miúdo na cama.

O problema é que o Tiago já anda e por isso acabou-se aquela coisa de o ter sentado no carrinho ou ao colo durante a refeição. Quando tentámos sentá-lo numa cadeira alta para bebés desatou a berrar e tivemos de desistir da ideia. Ele só queria ir explorar e por isso passei o jantar todo atrás dele pelo restaurante fora a tentar evitar birras e quedas pelas escadas abaixo.

Em resumo: acabaram-se os restaurantes até ele conseguir parar quieto ou alguém se oferecer para estar de serviço porque eu não tenho paciencia para isto.

E ainda por cima a comida não era o que eu queria. Há dias em que não temos mesmo sorte nenhuma.

O Oceanário

No último dia das férias do Pedro resolvemos levar o Tiago ao Oceanário. Já diversas pessoas nos tinham dito que os respectivos filhos adoraram aquilo por isso resolvemos experimentar.

Não diria que foi um falhanço total mas andou lá perto. O Tiago adorou a rocha da primeira sala, a alcatifa e os holofotes de chão do corredor antes da sala das lontras e pouco mais. Por mais que tentasse chamar-lhe a atenção para os diversos bichos ele não só não ligava como a certo ponto achei que ficou com medo de alguns dos peixes brutalmente grandes do tanque central.

A meio começou a ficar irrequieto e rabujento e a única coisa que ainda o interessou antes de resolvermos desistir e vir embora foram as escadas que tentou trepar de volta para o piso de cima.

Oh well. Daqui a um ano ou dois pode ser que já ache mais piada.