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Indisposição infantil

Ontem fui comprar comida chinesa para o almoço porque estávamos a precisar de fazer compras. O Tiago já tinha comido uma vez e gostou bastante. Desta vez também comeu bem mas parece que o està´mago dele não gostou daquilo porque vomitou a comida toda por digerir depois da sesta.

Estava com esperança que fosse só isso mas aconteceu mais duas vezes e depois outra vez quando ele bebeu água. A partir daà­ ficámos convencidos que estava mesmo doente e pronto, lá se vai a semana de férias.

Passámos o resto do dia a dar-lhe água em pequenas quantidades e mais nada. Ao fim de umas horas sem vomitar arrisquei uma bolacha de água e sal que veio fora assim que acabou de a comer.

Por essa altura estavam cá o meu irmão, a Ana e o Gabriel e fiquei com medo que aquilo fosse qualquer coisa que pudesse ser contagiosa para o bebé.

Não arriscámos dar mais nada ao Tiago a não ser pequenas quantidades de là­quidos e não voltou a vomitar.

O mais estranho é que apesar dos vómitos o Tiago passou o dia completamente bem disposto. à€ noite fomos jantar a casa dos meus sogros e ele fartou-se de brincar e rebolar-se no chão como se estivesse tudo normal.

Hoje não foi à  escola porque queria ver se ele continuava na mesma. Felizmente parece que já passou e ele voltou a comer sólidos, aos poucos. Começámos com iogurte, depois uma bolacha e ao lanche já estava a comer sandes sem problemas.

De manhã o pedreiro veio acabar a banheira, pouco depois vieram entregar-nos as compras do supermercado, e como estava bom dia e o Tiago parecia estar recuperado, aproveitámos o bom tempo e fomos fazer um picknick ao parque.

O Tiago esteve entretido enquanto comia mas depois conseguiu encontrar uma brincadeira perigosa, como sempre, para ser preciso andar atrás dele o tempo todo. Agora acha piada a subir para a zona mais alta que encontrar, sejam pedras ou desnà­veis do terreno. É o gene masculino em acção, sempre à  procura do próximo desafio. Isso quer dizer que num relvado gigantesco ele vai sempre descobrir aquele cantinho onde pode tropeçar numa raà­z, escorregar num monte de terra mais alto que ele, cair e bater com a cabeça numa árvore. Tà­pico.

Beijinhos

Na quarta feira, depois do lanche, o Tiago estava a brincar com os seus ursinhos de peluche quando reparei que os estava a por frente a frente e depois aproximava-os como se estivessem a dar beijinhos, tudo acompanhado com o som correspondente. Fiquei derretida 🙂

Tentei filmar mas o miúdo fica logo todo tà­mido em frente à  camara. Só consegui filmar ontem, com o telemóvel, quando ele fez o mesmo a caminho de casa. Pode ser que o Pedro ponha o video online um dia destes.

Entretanto a obcessão televisiva parece ter mudado do Mickey para os Little Einsteins. Agora não quer outra coisa. Já bate nas pernas e diz ‘pat pat’, bate palmas com os personagens, responde à s perguntas (sempre não, mas OK) e no outro dia pos-se a abanar o braço no ar ao som da música como se estivesse a dirigir a orquestra. Cada vez que ele faz uma coisa destas apercebemo-nos que ele está a crescer e a evoluir mas é sempre uma surpresa.

De volta à  escola

Na terça o Tiago voltou à  escola, depois de uma semana em casa. Felizmente a ausencia não parece ter feito muito mal e ele tem ficado bem todas as manhãs.

Voltámos à  nossa rotina de ir ao escorrega depois da escola e o Tiago está a começar a fazer amigos entre as crianças que também andam por ali todos os dias.

Um deles é um miúdo de 8 anos que tem umas brincadeiras um bocado agressivas mas que põe o Tiago a rir à s gargalhadas. Por outro lado também começou a aparecer um miúdo da escola do Tiago (conhecem-se porque sabia o nome do Tiago), que é apenas um ou dois meses mais velho mas que está numa de bully. Na quarta feira desatou a gritar na cara do Tiago e ele assustou-se, começou a chorar e não queria brincar mais. Ontem bloqueou o topo da escada do escorrega e tentou dar um pontapé quando o Tiago ia a subir. Tive de ralhar com ele, mesmo em frente ao avà´, e tenho de ter mais cuidado daqui para a frente.

O pobre do Tiago é que de facto não se defende. Fica ali a olhar para mim enquanto o outro o empurra, à  espera que eu faça qualquer coisa. Não sei como ensiná-lo a reagir porque pelos vistos na escola ele só empurra os mais pequenos (apesar de nunca mais ter tido queixas desse tipo de comportamento).

Não quero estar a meter-me demais porque eles têm de aprender a entender-se mas também não quero que o Tiago pense que vou deixar que lhe façam mal sem fazer nada. Isto de ser mãe é lixado…

Visita à  Pediatra

Na segunda levei o Tiago à  pediatra para ver se o ouvido já estava bom. Tinha passado uma semana desde o inà­cio do antibiótico mas o Tiago continuava a queixar-se do ouvido.

Por não ter conseguido carregar no botão para abrir a porta do metro o Tiago foi o caminho todo a berrar. Uma daquelas birras com muito barulho e sem uma única lágrima que são tão tà­picas dos terrible twos. Só quando saà­mos da carruagem e me recusei a pegar-lhe ao colo até se calar é que se acalmou finalmente.

Esperámos imenso tempo pela consulta mas a sala de espera tinha bastantes brinquedos e o Tiago esteve entretido.

O ouvido ainda estava vermelho o que implicou mais uns dias de antibiótico e umas gotinhas directamente no ouvido a ver se ajuda. De resto está tudo OK e o Tiago já pesa mais meio quilo do que na última consulta, estando agora com 11,5kg.

O que me continua a espantar é a forma como ele fica calmo nestas consultas. foi possível despi-lo, pesá-lo e ver-lhe os ouvidos sem ele chorar ou espernear.

Depois da consulta fomos ao parque infantil que existe nas traseiras da clà­nica para o Tiago brincar um bocado e depois voltámos para casa, desta vez sem crise. Finalmente o Tiago começou a dar a mão quando vamos na rua o que torna tudo muito mais simples.

Incompatibilidades

As famà­lias existem para nos lixar a vida. É uma daquelas verdades incontornáveis.

Desde que saà­ de casa dos meus pais senti que a nossa relação melhorou mas agora com o Tiago começo a ter novamente dificuldade em lidar com os meus pais.

Quando o Tiago era pequenino a minha mãe visitava-o frequentemente e chegou a ficar cá em casa a fazer babysitting enquanto eu tinha que ir tratar de algumas coisas. Mas à  medida que o Tiago cresceu e deixou de ser o bonequinho de colo, as visitas começaram a ser mais espaçadas até chegar a passar-se um mês ou mais sem qualquer contacto. Recentemente, como o Tiago desatava a berrar cada vez que via a minha mãe, acho que ela começou a tentar visitá-lo e levá-lo a passear mais frequentemente para ver se ele pelo menos se lembra quem ela é.

No domingo de manhã a minha mãe ligou a dizer que ia à  praia e a perguntar se podia levar o Tiago (na verdade ela pergunta se eu quero que ela leve o Tiago, sugerindo subtilmente que me está a fazer um favor e não algo que ela quer, mas ok). Eu disse que sim, claro, podia levá-lo a passear. Ela virou-se então para o meu pai para lhe perguntar o que ele achava de levarem o Tiago e oiço o meu pai responder, no seu usual tom de voz levemente irritado ‘Tu já decidiste, para que é me estás a perguntar?’

Para mim este tipo de situação é muito comum mas não inspira grande confiança. Quer dizer que não foi nada planeado e como tal é melhor eu informar-me melhor, só que quando comecei a fazer perguntas caiu a chamada. Voltei a ligar para perguntar se planeavam almoçar na costa ou se iam só de manhã e a minha mãe garantiu-me que iam só um bocadinho e depois voltavam. OK, então.

Aà­ apercebi-me que já tinham saà­do de casa e que a minha mãe estava a voltar para ir buscar antes a chave do outro carro que tem a cadeirinha pelo Tiago, o que confirma que o telefonema foi um after-thought e não um plano. Isto deixa-me sempre um bocadinho nervosa porque levar uma criança pequena a passear não é bem o mesmo que sair com os amigos para ir ao café. É preciso preparar um saco com fraldas, muda de roupa, água, fruta ou bolachas para o caso de haver um atraso insperado, e no caso da praia ainda é preciso barrar o miúdo com protector solar, levar chapéu e óculos escuros. Enfim, não é algo que fique feito em cinco minutos. Mas a minha mãe nunca pensa nestas coisas. Reage por impulso, sempre em cima da hora e o resto do mundo é que tem de se ajustar aos seus mood swings.

Não me passou pela cabeça dizer que não podia levar o Tiago a passear porque acho importante que o Tiago se relacione com os avós mas gostava que quisessem estar com ele porque querem mesmo estar com ele e não que fosse algo que só lhes ocorre quando já estão a entrar para o carro. A ideia que me deu foi que a minha mãe achava que eu ia dizer que não e que portanto não precisava de pensar muito nisso. Mas nesse caso porquê ligar? Há coisas que nunca vou conseguir compreender.

Aliás, à s vezes manda o meu pai ligar porque acha que se for ela eu digo que não mas se for o meu pai já digo que sim. Não sei onde foi buscar essa ideia, mas ok. A última vez que fez uma destas foi a semana passada – o meu pai liga a dizer que estão a sair para à‰vora e se quero ir com o Tiago. O que raio é que lhes passa pela cabeça? Sim, vou mesmo meter-me no carro com o miúdo durante horas assim sem mais nem menos. Enfim.

Preparei o Tiago o mais depressa que pude e a minha mãe veio buscá-lo. Esperava que regressassem à  hora de almoço mas à  uma da tarde liga a minha mãe a dizer que estão no fórum, porque resolveram ir ter com o meu irmão, e se devia dar sopa ao Tiago porque já estava na hora dele almoçar. O que raio é que eu podia dizer? Ela já tinha alterado o plano, resolvendo ir para outro lado em vez de trazer o miúdo a casa. A única coisa que me preocupou nesse momento foi o facto do Tiago ter de comer portanto disse que sim, claro, vê lá se ele come sopa. Sei que é muito complicado convencer o Tiago a comer por isso esperei que o viessem trazer pouco depois para ele almoçar o resto em casa.

Passaram-se duas horas. Voltei a ligar. Estava a mudar a fralda e vinha já.

Apareceram à s 3 e meia da tarde. O Tiago vinha sem calças – apesar do vento e de ter uma muda de roupa no saco – cheio de fome e sem ter dormido a sesta. Expressei o meu descontentamento mas é o mesmo que falar com uma parede.

Acho que nunca serei capaz de comunicar com a minha mãe porque as nossas personalidades são demasiado diferentes. Para ela está sempre tudo bem, corre sempre tudo bem, não é preciso planear ou prever nada. Eu gosto de saber o que me espera, dentro dos possà­veis para poder aproveitar bem o pouco tempo que tenho e ter a certeza que não escapa nada importante. Acho que ela já ganhou o direito de fazer o que lhe apetece mas gostava que fosse capaz de respeitar a forma como eu faço as coisas, especialmente no que diz respeito ao Tiago.

Nós sempre tentámos manter uma rotina estável na vida do Tiago e acho que isso tem sido benéfico porque há muito que ele dorme toda a noite, evitando assim que passe os dias rabujento. A sesta é igualmente importante para que ele esteja acordado o suficiente à  hora do jantar. Quando há um dia em que não consegue dormir a sesta na escola passa o resto do dia insuportável e quando nos sentamos para jantar e ele tem muito sono já não come nada. Mas a minha mãe parece achar que ele já está crescido e não precisa de sesta para nada. Acha que tudo isto é paranoia da minha personalidade controladora (que não é inteiramente incorrecto – sou de facto control-freak mas faço as coisas por um motivo lógico).

A questão aqui é que o Tiago é meu filho e como tal eu tenho o direito, enquanto ele está a crescer, de decidir como tomar conta dele e gostava que ela conseguisse respeitar isso em vez de agir como lhe apetece à  espera que ninguém repare que está a ignorar completamente tudo aquilo que foi acordado e aquilo que sabe que eu considero importante.

Para além disso parece que é incapaz de se lembrar que eu podia ter outros planos. Fui obrigada a ficar em casa o dia inteiro à  espera dela, tive que dar o almoço ao Tiago à s 4 da tarde, ele ainda foi dormir a seguir e só acordou quase à  hora de jantar o que nos impediu de sair de casa um bocadinho que fosse. É o problema das pessoas egocêntricas. O mundo gira à  volta delas e o resto que se lixe.

Sei que nada disto é assim tão importante e a razão pela qual estas coisas me irritam é impossível de explicar coerentemente. Vem de anos e anos de atrasos, imprevistos, esquecimentos e promessas quebradas, pequenas coisas que somadas deram origem a uma desconfiança constante que infelizmente parece continuar a ser justificada.

Finalmente sol

Depois de uma semana em casa com o Tiago, que estava doente mas felizmente andou muito bem disposto, o maior inconveniente foi o tempo. A semana esteve toda cinzenta e não deu para levar o Tiago a passear.

Finalmente, na sexta feira o tempo melhorou e fomos passear os dois. Resolvi arriscar e deixar o carrinho em casa e correu tudo bem. Fomos de metro e depois a pé até ao jardim para o Tiago andar de escorrega. Pediu colo uma ou duas vezes pelo caminho mas a maior parte do tempo até foi a andar.

Quando chegámos ao parque infantil, o escorrega estava cheio de areia. Eu comecei a tirar a areia do escorrega para o Tiago e outra menina pequenina que lá estava poderem descer e a resmungar sobre o imbecil que fez aquilo. Os restantes miúdos mais crescidos que andavam por ali aparentemente sentiram-se responsáveis pela confusão e desapareceram rapidamente. É natural que os miúdos queiram brincar e nem sempre se apercebam que estão a impedir os outros de usar os equipamentos públicos mas também nunca é cedo demais para começar a perceber essas coisas.

A parte mais complicada foi quando o Tiago resolveu ir para o escorrega dos mais crescidos. Aquilo é um perigo e não o pude deixar subir porque tem aberturas laterais nas plataformas que estão a cerca de dois metros de altura e o escorrega é a pique. Acabou por trepar uma espécie de gaiola de ferro e depois não conseguia descer e tive que o ajudar, tendo que enfiar os braços pelo meio dos arames e esticar-me toda para o conseguir por no chão sem ele cair.

Mas pronto, acho que de vez em quando ele precisa de experimentar umas coisas diferentes, nem que seja para se aperceber que há coisas perigosas e perder um bocado a teimosia de ir para ali. No entanto à s vezes ainda fico espantada com o que ele já consegue fazer e entre duas visitas a diferença em termos de capacidades  é enorme.

26 meses

No último mês as preferencias do Tiago tornaram-se bastante mais definidas.

No que toca a comida deixou mesmo de comer peixe mas gosta de almondegas, bifinho de vaca do lombo e carne de porco assada, apesar de nem sempre lhe apetecer. Deixou de comer sopa em casa mas na escola continua a comer e tem comido melhor desde que começámos a fazer um esforço para jantar à  mesa todos juntos, apesar de nem sempre funcionar.

Também deixou de comer fruta em papa passando a preferir maçãs, peras e bananas à  dentada. Não costumava gostar de bananas mas já começou a comer.

Uma alteração recente muito óbvia é que começou a brincar com outros meninos, mesmo mais velhos, sem se sentir intimidado. Vejo isso quando o levo ao escorrega e aparecem outras crianças. Tem alguma hesitação inicial e depois lá vai ele, com um grande sorriso, aceitando até algum contacto fà­sico com os outros, algo que até aqui era impensável. Na escola também notaram o mesmo portanto não é só quando está comigo.

Nos brinquedos, anda com uma preferencia obvia por comboios. Também gosta de carros mas os comboios é que são o delirio do momento. Já encaixa sozinho as peças da pista de carros, que têm encaixe tipo puzzle, mas é para fazer andar o comboio 🙂

Começou também a ver o Thomas the Tank Engine, que eu sempre achei que fosse uma seca mas ele gosta e passa o tempo a fazer sons de comboio.

Quanto à  televisão, continua fascinado com o Mickey e também gosta dos Little Einsteins. No entanto é bom ver que não fica horas agarrado à  TV. Mesmo que esteja ligada a manhã inteira ele só fica a ver o que lhe interessa e depois vai para o quarto brincar até ouvir o som de outro desenho animado que goste. É muito bom saber que já tem sentido crà­tico e não fica ali a aturar qualquer porcaria.

Como tem estado em casa esta semana, tenho tido mais tempo para o observar e é interessante notar que já brinca com mais intensão e que se concentra mais tempo em cada actividade antes de passar à  seguinte. Continua a gostar muito de desenhar com lápis de cor, de pintar, carimbar e brincar com plasticina e é sempre ele que decide quando é que lhe apetece cada uma dessas coisas.

Em termos de comunicação continua a ser principalmente não-verbal ou através de grunhidos, mas a mà­mica é muito expressiva e não deixa grandes dúvidas sobre o que quer.

No entanto, temos notado que já começa a dizer palavras novas e a imitar as palavras que nós dizemos assim como o que ouve na televisão. Já disse peixe, até logo e pera, não completamente articulados mas sem deixar dúvidas sobre o que estava a dizer.

Hoje fui buscar os carros que o Pedro tinha guardado de quando era miúdo e estive a dar-lhes uma boa escovadela com água e sabão para tirar o pó acumulado ao longo de anos. O mais giro é que o carro que o Tiago preferiu logo foi um de lata, daqueles mesmo antigos. Também temos uns robots de lata, daqueles que andam quando se dá corda, e ele gosta de brincar com aquilo por isso pode ter feito a ligação.

Ainda vou ter de escolher porque ele não precisa de 30 carros mas queria ver quais é que ele escolhia antes de guardar os outros.

A otite parece ter passado sem grandes problemas. Nunca mais voltou a ter febre e tem andado completamente normal e bem disposto. Só é azar que o tempo ande tão cinzento porque nem dá para o levar ao parque e acaba fechado em casa a semana toda.

A primeira otite

Ontem, quando fui buscar o Tiago à  escola, dei com ele muito choroso. Aparentemente esteve assim o dia todo e desconfiavam de dor no ouvido esquerdo.

De facto ele parecia mesmo doente e até fiquei espantada por não me dizerem nada mais cedo mas não estava inteiramente convencida que fosse o ouvido porque já tinham sugerido isso antes e não era nada. O Tiago tem o hábito de mexer nas orelhas quando tem sono e quando não quer que lhe mexam farta-se de gritar, o que nem sempre implica dor. Mas obviamente que fiquei preocupada e achei que ele devia ser visto o mais depressa possível.

Telefonei para a clà­nica da pediatra e perguntei se era possível uma consulta de urgencia mas disseram-me que estava tudo cheio e só com autorização da médica. Fiacaram com o meu contacto e esperei que ela ligasse. Entretanto levei o Tiago para casa, sentei-o no sofá a ver o Mickey para se distrair um bocado e fui vendo a temperatura e tentando examinar a zona do ouvido para ver se se queixava. Não se queixou e comecei a achar que não devia ser o ouvido afinal. No entanto, por volta das cinco e meia a temperatura começou a subir.

à€s seis ele já se estava a queixar muito outra vez e como a pediatra não ligava optei por lhe dar um benuron. Pouco depois ele deitou-se no sofá e acabou por adormecer. Dormiu duas horas e nada de telefonema.

A pediatra acabou por ligar já depois das oito da noite, quando já tinha saido do consultório. Eu por esta altura já achava que ele estava só com uma gripe mas fiquei de marcar consulta se por acaso ele voltasse a queixar-se dos ouvidos.

à€ hora de jantar o Pedro voltou a fazer o teste de por-lhe o dedo no ouvido e, se no lado direito ele não reagia, no lado esquerdo queixava-se de facto. Resolveu ligar aos meus sogros que vieram imediatamente ver o ouvido do Tiago e comprovaram que de facto está todo vermelho. Receitaram antibiótico que o Pedro foi comprar à  farmácia de serviço (como sempre) e ainda tomou a primeira dose ontem à  noite.

Durante a noite fomos vendo se voltava a ter febre mas não passou dos 37. Só já de manhã, depois de comer e tomar o antibiótico é que a temperatura voltou a subir. Dei-lhe o Brufen e ele em estado bastante bem disposto toda a manhã.

No meio disto tudo o mais chato é que fomos arranjar uma pediatra para os avós não terem de ser os maus que andam sempre a ver os ouvidos e a garganta e acabaram por ter de o fazer à  mesma. Já percebi que ligar para a clà­nica não adianta e da próxima vez tenho que ir logo para lá e acampar na sala de espera até o miúdo ser visto. É que uma coisa é ser uma mãe histérica que está sempre caà­da no médico sem razão, mas deixar o miúdo em sofrimento um dia ou dois quando isso é desnecessário também não é correcto. Là  porque é o primeiro dia de sintomas não quer dizer que não valha a pena tirar a dúvida.

Enfim, lá fica o Tiago em casa mais uma semana. Aposto que vai chegar montes de trabalho só para dificultar as coisas…

Rufia

Ontem à  noite ficámos muito felizes porque o Tiago fez xixi na sanita cá em casa. Na escola já usou o bacio diversas vezes mas cá em casa recusa-se, mas achou piada ao redutor da sanita e lá foi ele. Hoje de manhã já não queria outra vez por isso vamos ver se não foi só pela novidade.

Quando o fui buscar à  escola estava a ser repreendido. Parece que começou a bater nos bebés mais pequenos. Quando se aproximam ele começa a empurrá-los e a dar palmadas. Não gostei nada disso. Ainda por cima ontem veio a avaliação da professora de dança que diz que ele se isola e recusa a fazer actividades com os outros. Sei que ele ainda é novo mas acho que há aqui um traço de personalidade que vai ser difà­cil de contornar.

Por outro lado também já o vi a brincar com um dos colegas muito divertido, por isso não sei se é uma fase ou algo que mereça preocupação. Com os pais que tem é natural que exista ali uma tendencia para o anti-social e o loner mas custa-me ver isso tão cedo. Do que me lembro da infancia até era bastante sociável e só na adolescencia me tornei mais cà­nica e desconfiada. Se o Tiago começa logo assim não sei bem o que vai ser daqui a uns anos.

A educadora diz que gosta de meninos que se saibam defender, porque ao principio ele não reagia quando lhe andavam a morder. Mas isto é diferente: é procurar o mais fraco para descarregar. Não gosto de bullies e não gostava nada de ser responsável por criar mais um. Por outro lado tenho que admitir que prefiro que ele bata do que leve, mas ao menos que bata nos da idade dele.

Escorrega

Fui buscar o Tiago à  escola. Voltou a fazer xixi no bacio mas desta vez metade foi fora e depois andou a pisar aquilo tudo (tipo estou na praia, estou na praia). Depois fomos ao parque infantil para o Tiago andar de escorrega. Fiquei espantada com a evolução desde a última vez. O Tiago já não precisa de qualquer espécie de ajuda a subir a escada e já percebeu que se sobe pela escada e se desce pelo escorrega, algo que anteriormente lhe escapava. Desta vez aproveitei para filmar porque ele já não precisa que eu esteja sempre lá a segurá-lo.

É claro que, apesar do parque estar deserto, assim que chegámos apareceu logo um miúdo mais velho (devia ter uns 7 ou 8 anos), daqueles que deve passar por ali as tardes sozinho, a tentar desesperadamente chamar a atenção passando o tempo todo a meter-se com o Tiago, a gritar-lhe ‘bu!’ a plenos pulmões, a saltar-lhe à  frente.. O Tiago, depois de uma obvia desconfiança inicial, apercebeu-se que era brincadeira e até se estava a divertir com o companheiro. Só que o miúdo fazia sempre a mesma coisa, com gritos cada vez mais altos e o Tiago deixou de achar piada. Eu intervi, dizendo que já chegava de gritaria e o miúdo lá mudou ligeiramente de estratégia, passando para o ‘cucu’ e uma voz mais suave.

Só que como já não estava a chamar a atenção com os gritos começou com habilidades, descendo o escorrega deitado, head-first, saltando por cima ou rastejando por baixo das barreiras entre outros malabarismos que o Tiago começou imediatamente a tentar imitar. Eu estava a manter a minha distancia e a tentar não ser demasiado mãe-galinha mas aquilo começou seriamente a enervar-me.

O Tiago entretanto ficou com sede e foi à  procura de água na minha mala. Como não tinha aproveitei para o convencer a ir embora. Ele concordou e começou a sair do parque mas ainda fez uma paragem nos cavalinhos de baloiço antes de conseguir efectivamente sair de lá.

Parei no café mais próximo para comprar uma garrafa de água que ele bebeu avidamente e depois fui deixá-lo a casa dos avós que já voltaram de viagem e devem estar cheios de saudades.

Bacio!

Hoje quando cheguei à  creche, estava o Tiago a ser vestido. A educadora virou-se para mim e disse-me para espreitar o bacio. O Tiago tinha finalmente acertado dentro do bacio e fez um xixi e um cocó pequenino de uma só vez.

É então um dia histórico para o meu filhote e não resisti a fotografar a sua grande obra. Apesar deste exagero maternal, compreendo que tal imagem seja mais do que muitos gostariam de saber e por isso vou refrear o meu orgulho e manter tal imagem privada, só para mostrar ao paizinho quando chegar a casa.

As educadoras do Tiago devem achar-me cada vez mais maluca 🙂

Plasticina

ImpressionsO Tiago descobriu recentemente o gozo de brincar com plasticina. Depois da inevitável tentativa inicial de por aquilo na boca, percebeu que a piada é mesmo amassar, espetar os dedos, misturar as cores e fazer impressões com objectos.

Todas as tardes, quando chega a casa, aponta para a prateleira da plasticina e lá vamos nós brincar. Começou por carimbar a plasticina com diversos objectos mas ontem já estava a empilhar bolas de várias cores, tipo boneco de neve. Tenho fotografado as diversas ‘obras’ para a posteridade.

O Tiago parece gostar imenso deste tipo de actividades e eu tento encorajá-lo dentro do possível. Ontem até fui buscar a pasta maker e ele esteve todo divertido a dar à  manivela para fazer placas e tiras de plasticina. Foi preciso estar com uma atenção brutal para ele não magoar nenhum dedo mas foi divertido.

Ele está na fase de achar imensa piada à  ligação causa-efeito, tipo acender e apagar luzes ou a lanterna, abrir e fechar portas, ligar a tv, entornar um copo com água, e gosta de sentir que está a controlar uma situação por isso adorou esta brincadeira. O pior é sempre arrumar porque o Tiago só pára de brincar de duas maneiras: ou se irrita com qualquer coisa, atira tudo ao chão e faz birra ou não quer parar e faz birra porque está na hora de ir jantar ou algo do estilo. Ou seja, geralmente acaba mal.

Ontem o pai já estava em casa e conseguiu distraà­-lo tempo suficiente para eu conseguir arrumar tudo. Hoje há mais.