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Ama’eo

Na segunda feira o Tiago voltou ao carrinho. Na hora de sair foi-se logo sentar e disse que não quando lhe perguntei se não preferia ir a pé. Consegue ir para a escola muito bem a pé mas o regresso é complicado porque está cansado e já não lhe apetece andar aquilo tudo.

Na quarta voltou a ir a pé, por escolha dele também. Já estavamos muito atrasados mas prefiro não discutir. Como esperado, quando ficou cansado de brincar no escorrega e deviamos voltar para casa, recusou-se. Eu comecei a afastar-me e a dizer adeus para ver se ele começava a seguir-me mas o colega dele, que também vai brincar para ali à  mesma hora, agarrou-me na mão e começou a puxar-me para os cavalinhos de baloiço. O Tiago, ao ver-me afastar de mão dada com outro menino desatou a chorar, deu a mão ao avà´ do colega e começou a seguir-nos, sempre a berrar, lágrimas a escorrer-lhe pela cara.

Tentei acalmá-lo e aproveitei para lhe dizer que iamos para casa. Aà­ foi o colega dele que não gostou e queria que eu fosse brincar com ele. Oh well.

Como entretanto já se tinha acalmado, pelo caminho comprei um gelado ao Tiago. Ainda parámos para nos sentar num banquinho para ele comer grande parte do gelado e fomos até casa sem problemas. Agora vai estar à  espera de gelado todos os dias mas não tem grande sorte.

Já em casa, o Tiago esteve a pintar, tal como no dia anterior, e já tenta usar o nome das cores para pedir as que quer. Ama’eo (amarelo) é a cor do momento. O Tiago adora pintar e misturar as cores e eu comecei a mostrar-lhe que pode tentar fazer desenhos figurativos – uma bola amarela para o sol e ele depois faz os raios, etc. Quando está bem disposto é muito giro fazer este tipo de actividades e ele até já colabora quando chega a parte de lavar as mãos.

Ontem, quando fui buscar o Tiago à  escola tivemos mais uma birra monstruosa. Ele vinha do recreio todo feliz mas deixou o ursinho lá fora. Nem chegou a vir ter comigo – sentou-se no chão da sala a fazer beicinho e depois foi piorando o comportamento daà­ para  a frente. Não aceitou o ursinho quando o encontraram, não deixava que ninguém lhe pegasse, não me deixou sentá-lo no carrinho e acabou deitado no chão e berrar. Ao fim de um bocado, e depois de perceber que nesta situação não valia a pena esperar que a birra passasse porque ele tinha público, agarrei nele e levei-o embora. Já fora da escola sentei-o no carrinho (que implica mantê-lo no sí­tio com uma mão e apertar o cinto com a outra, tarefa nada simples) e viemos para casa porque num dia destes não há escorrega para ninguém.

Já em casa acabou por passar o resto da tarde bem. Não teve direito a TV mas foi montar a pista de carros e depois estivemos a brincar com plasticina e com um brinquedo que diz palavras (que o Tiago já repete – lua, bolo, hora, etc. Ontem até tentou dizer panda). Também começou a perceber que pode fazer bonecos com a plasticina em vez de ser só bolas. Estivemos a fazer uma coisa que começou por ser tipo boneco de neve, empilhando várias bolas de plasticina mas que depois ganhou orelhas de voelho, braços, pernas e uma cauda. O Tiago ia partindo o rolo de plasticina e ria-se quando eu colocava o bocado que ele me dava no boneco ‘olha, agora é um braço, agora uma perna’.

De manhã e à  noite o Tiago começou a fazer xixi no bacio. De manhã é mais complicado mas à  noite vai sem luta.

As nossas manhãs actualmente funcionam assim: vou buscar o Tiago à  cama, levo-o ao colo para a sala e ele tenta ligar a TV. Digo-lhe para tirar as calças do pijama e a fralda e fazer xixi no bacio, ele diz que não. Lá acabo por despi-lo mas ele luta o tempo todo. Ameaço que não vê televisão se continuar assim e ele ignora-me. Digo-lhe que se não quer fazer xixi vamos então por a fralda nova e ele senta-se e faz. Fica muito orgulhoso, aponta mas já não tenta tanto ir mexer (hurray!) e deixa-me vestir-lhe a fralda nova.

Depois vamos lavar as mãos e vou preparar-lhe o pequeno almoço. Visto-me enquanto ele come e quando está na hora de sair o Tiago ainda tem a comida quase toda no prato e não está vestido. Pergunto se quer ajuda com a papa e ele diz que não. Espero mais um bocado até achar que já chega. Começo a levar o prato embora, ele grita, devolvo-lhe o prato e lá come mais um bocadinho.

Hoje dei-lhe torrada e leite por isso limitei-me a vesti-lo enquanto comia mas ele não gostou porque afastei a mesa com a comida. Chegou-se para a frente e começou a agarrar nos bocados de pão  – um numa mão, um na outra e estava a tentar meter o terceiro debaixo do braço. Ralhei com ele porque estava a encher a camisola de manteiga e daà­ para a frente a situação foi piorando. Não queria tirar a camisola, não queria vestir a outra e com os sapatos foi uma luta inimaginável. Quando estava vestido deixei-o curar a birra e fui arranjar-me para sair. Ele aproveitou para tirar um sapato. Como castigo tirei-lhe o resto do pão e ele atirou-se para o chão aos gritos.

Depois de muita berraria o Pedro foi calçar-lhe o sapato e levou com a mesma resistência que eu – berros e pontapés. Lá acabou por conseguir e depois deu-lhe mimos – que eu não consigo perceber se é uma boa ou má táctica nestas situações – e levou-o para o carrinho. Se fosse comigo ele teria começado a contorcer-se para eu não conseguir apertar o cinto mas com o paizinho a coisa vai.

Dei-lhe mais um bocado de pão, que costuma acalmá-lo durante o caminho mas não teve grande efeito. Só se acalmou quando chegámos à  escola. Bebeu à gua e foi para o recreio sem grande luta mas percebi que queria colo quando lhe dei um beijinho.

O que me faz confusão nestas birras é que eu até compreenderia se ele fizesse isto porque quer que eu lhe pegue ao colo, mas se tento fazê-lo ele empurra-me e tenta soltar-se. Ou seja, não há nada que eu possa fazer para o confortar. Parece que o ir e vir da escola é que está a dar origem à s cenas mais dramáticas e começo a pensar que mais vale daixá-lo em casa do que ter de passar por isto. Por outro lado, quando ele faz uma birra destas logo de manhã só consigo pensar ‘ainda bem que vai para a escola’. Eu sei que é cruel mas a paciencia tem limites.

11 anos

No sábado eu e o Pedro fizemos 11 anos de casados. Custa a acreditar que já tenha passado tanto tempo.

Os meus sogros, que são uns gajos porreiros, ofereceram-se para ficar com o Tiago durante o dia para podermos descansar e ir almoçar fora.Infelizmente a minha sogra passou o dia adoentada e acabou por ser um sacrificio para ela ter que andar a correr atrás do Tiago o dia todo 🙁

Depois de uma manhã a aproveitar o sossego que fica esta casa sem Tiago, fomos almoçar ao La Traviata, que era o nosso restaurante preferido quando começámos a namorar e onde já não iamos há algum tempo. Já não sinto uma tentação tão grande pela lasagna e canelloni porque o meu està´mago não aguenta empanturrar-se com o exagero que aquilo é mas agora adoro a pizza de gambas deles.

Quando fomos buscar o Tiago, ao final da tarde, ele ainda estava com as pilhas todas, a brincar à s escondidas por baixo das almofadas da cama. Comprei uns bolinhos e fomos lanchar. O Tiago despachou uma bola de berlim quase inteira. Eu tinha-lhe comprado um palmier, mas assim que viu a bola, e em particular o creme, tirou-ma das mãos e sentou-se a mastigar. Só sobrou um bocadinho porque já não tinha mais creme. E o espantoso é que ainda jantou, pouco tempo depois.

Mais uma

Hoje saà­ de casa a correr, já em cima da hora do Tiago sair da escola, porque tinha estado a tentar por os downloads da loja a funcionar. A parte do download ficou a funcionar mas pelo caminho fui descobrindo outros problemas para resolver e aquilo nunca mais acabava. Aliás, não acabou porque ainda faltam coisas.

Tudo isto porque de manhã estive a fazer o primeiro tutorial de bijutaria e queria po-lo online. Afinal descobri também que ainda falta uma secção mas não é grave e é fácil de fazer.

Quando cheguei à  escola recebi a informação de que o Tiago tinha enfiado as mãos na fralda suja e depois resolveu andar a pintar as paredes com o cocó. É nestes dias que as creches merecem o dinheiro que lhes pagamos…

Eu até estava toda contente porque ele ter feito xixi no bacio de manhã. Mas suponho que não é surpresa nenhuma porque sei perfeitamente que ele gosta de mexer na porcaria que faz. Devia filmar para usar como chantagem quando ele se tornar um adolescente irritante 🙂

Depois do jardim infantil, onde se fartou de correr e brincar, voltou a amuar. Deixei-o sentar-se no chão para descansar um bocado e ver se passava. Mais uma vez não percebi o que deu origem ao amuo.

Como ele não saia dali, fartei-me e peguei-lhe ao colo. Começou a berrar como se estivesse com dore – soluçava de tal forma que durante um bocado o som nem saà­a! Realmente o colo pode ser uma tortura enorme para uma criança de dois anos.

Tentei po-lo no chão uma ou duas vezes mas ele começava logo a atirar-se para o chão por isso carreguei-o durante um bocado. Desta vez nem foi à  saco de batatas, debaixo do braço, foi colinho a sério – virado para mim, sentado no meu braço – mas a única coisa que ele fazia era sacudir-se e tentar atirar-se ao chão.

Quando me fartei lá o consegui por a andar. Por essa altura ele queria o ursinho, que é o objecto de conforto quando a mamã está a ser má, mas quando o tentei dar, umas duas ou três vezes, ele recusava-se a aceitá-lo (provavelmente porque era eu a dar – malditos conflitos). Então guardei o boneco e disse-lhe que só o tinha de volta quando parasse de chorar. Foi o caminho todo a ginchar, com um braço esticado à  frente como se estivesse a tentar alcançar o boneco, mas andou até como um burro com uma cenoura à  frente do nariz.

Negar-lhe o ursinho pode não parecer muito grave mas garanto que é o objecto mais precioso que ele tem e o sofrimento deve ter sido atroz. No entanto não parece ter sido o suficiente para se calar antes de chegar à  porta de casa.

Felizmente por essa altura lá se acalmou, devolvi-lhe o boneco e comecei a conversar normalmente sobre o lanche para ver se não repetia a cena no elevador.

Esteve tudo bem até eu lhe pedir para lavar as mãos. Quando recusou voltei a retirar-lhe o boneco e ele lá foi obedientemente para a casa de banho. Também me deu a oportunidade de lavar o raio do urso que já estava todo porco. Normalmente espero por um momento em que ele não sinta a falta do boneco mas assim também funciona.

Enfim, vai devagarinho mas espero que vá melhorando com o tempo.

A mania de mexer nos fluidos corporais, por outro lado, tenho a sensação que está para durar. Em ultima análise ponho-lhe uns baldes de tinta e umas telas ao pé do bacio e chamo-lhe arte.

Treino

O caminho para casa ontem acabou por correr bem. Acho que foi em grande parte porque iamos ter com os avós e o Tiago sentiu que se dirigia para qualquer coisa em vez de estar a deixar a brincadeira para trás. à€s vezes estas pequenas coisas fazem toda a diferença.

Hoje de manhã o Tiago acordou muito rabujento (provavelmente porque à s 3 da manhã estava a conversar alegremente com os seus bonecos) mas depois de uma mini-birra acabou por ir ao bacio fazer o xixi da manhã. Reparei que já acorda com a fralda praticamente seca e por isso tirei-lhe a fralda quando se levantou e deixei o bacio à  disposição. Enquanto estava na cozinha a preparar o pequeno almoço ele lá se dignou a usá-lo.

É claro que metade do xixi acabou no chão e o Tiago insiste em meter a mão para sentir o jacto de urina a sair – faz tudo parte da exploração do corpo – mas foi um grande avanço. Agora é preciso manter a rotina até ele começar a indicar quando precisa de usar as instalações em vez de ser eu a dizer-lhe.

O caminho para a escola correu bem outra vez. Foi mais lento porque ele dormiu mal e está cansado mas já pára menos vezes e não quer colo de forma alguma portanto estamos no bom caminho.

Bacio

O Tiago ontem foi ao bacio duas vezes fazer xixi. Parece estar finalmente a aceitar o objecto – ou pelo menos já não lhe dá pontapés.

Já percebi que não vale a pena perguntar se quer ir fazer xixi. Tenho que lhe tirar a fralda – ou, melhor ainda, deixá-lo a ele tirar a fralda – e depois dizer ‘olha, está ali o bacio, não queres fazer xixi? Parece funcionar melhor.

É claro que imediatamente a seguir ele tenta meter as mãos e os pés lá dentro o que torna a coisa complicada porque em vez de aplaudir o esforço acabo a gritar ‘Tiago não faças isso!’ e a correr com ele para a casa de banho para o lavar. Não admira que ele tenha uma relação tão fria com o bacio 😛

Tinham-me avisado que isto era por ciclos e era preciso esperar que ele quisesse. Vamos ver se é desta que pega.

Hoje de manhã já não correu tão bem porque implica alterar uma rotina – em vez de ir logo para a sala tentei tirar-lhe a fralda assim que acordou e ele já não achou muita piada e acabou por não se sentar. Mas isso vai com o tempo. As alterações à  rotina demoram sempre algum tempo a afinar.

Hoje o Tiago voltou a andar até à  escola e portou-se novamente muito bem. Vamos ver como correm as coisas logo.

Dia sem carrinho

Esta manhã resolvi arriscar a levar o Tiago à  escola sem o carrinho. Sabia que a possibilidade de me arrepender era muito grande mas estava na altura de tentar, uma vez que o Tiago já aguenta andar o caminho todo sem muito esforço.

Fiquei espantada com a forma como ele colaborou. Não fez birras, foi sempre a pé de mão dada e chegou à  escola bastante satisfeito. Ficou ainda mais feliz quando viu que os colegas estavam no recreio, que ele passou a adorar (nota mental: comprar uma casa com terraço). Esperou que lhe desse op chapéu, porque já sabe que não se vai lá para fora sem chapéu, e depois foi a correr ter com os outros meninos.

O caminho de volta para casa já não foi tão pacà­fico.

O Pedro teve aparentemente algumas pessoas a comentar o nosso parenting style baseando-se nos breves comentários que deixamos por aqui sobre as birras do Tiago, acusando-o de ser demasiado permissivo e fazer as vontades todas ao filho ‘porque de outra forma ele não fazia birras’. Eu não sinto grande necessidade de justificar as nossas escolhas na educação do nosso filho mas lembro-me como pensava antes de ter um e sei que é muito fácil pensar que quando uma criança faz uma birra a culpa só pode ser dos pais que lhe fazem as vontadinhas todas. Infelizmente, tenho aprendido que não é assim que funciona, pelo menos aos dois anos. É possível que aos cinco ou seis isso seja mais verdade, mas como ainda não cheguei lá não estou em posição de julgar.

Aquilo que sei é isto: eles chegam aos dois anos, ou perto disso, e apercebem-se que têm o poder de mudar certas coisas e talvez até de controlar algumas. Apercebem-se que os pais lhes dão atenção quando choram e começam a faze-lo, não porque se magoaram ou têm fome mas porque causa uma reacção. Daà­ para a frente começam a tornar-se cada vez maiores peritos em conseguir provocar os pais para testar os limites da sua paciencia. O grau depende obviamente da personalidade da criança – teimosia, necessidade de atenção, capacidade de se magoar propositadamente para o choro ser mais natural (sim, é verdade – se não ligamos à  choramingice o Tiago ele é capaz de bater propositadamente com a cabeça contra a parede ou no chão para ter a atenção que quer), etc,

Infelizmente, não é por ignorar as birras duas ou três vezes que elas param. Tenho a impressão que isto vai ser um processo de aprendizagem bastante longo até o Tiago perceber que este não é o melhor caminho para ter o que quer.

O inferno que foi o caminho para casa hoje mostra isso mesmo.

Fomos ao jardim infantil como é costume e ele esteve a brincar. A certa altura começou a dar a volta ao escorrega e sem qualquer explicação atirou-se para o chão a fazer beicinho e olhou para mim de lado para ter a certeza que eu tinha visto. Eu não liguei e deixei-o estar. Passado um bocado, como ele não saà­a dali, fui ter com ele para lhe por o chapéu na cabeça porque estava ao sol. Ele recusou o chapéu por isso agarrei nele e sentei-o à  sombra. Fui-me embora outra vez. Ele não gostou de ser transportado dois metros e desatou a berrar. Não lhe liguei mais e ele acabou por se fartar, levantou-se e veio ter comigo de braços abertos. Baixei-me e tentei pegar-lhe mas ele começou a abanar os braços para me afastar. Disse-lhe que assim não podia fazer nada por ele e voltei a ignorar.

Passado um bocado ele continuou a brincar mas entrou no modo de responder não a tudo o que eu dizia. Pareceu-me que estava cansado e se queria ir embora, mas o Tiago quer e não quer uma coisa ao mesmo tempo e mesmo que tente dar-lhe aquilo que acho que ele quer ele diz que não e recusa.

Por exemplo, pergunto se quer um copo de água e ele diz que não. Encho o copo e tento entregar-lhe, ele empurra com a mão. Se bebo eu o copo ou tentolevá-lo embora começa a gritar irritado. Pouso o copo na mesa e passados uns segundos ele pega no copo e bebe-o de uma vez. Não lhe nego água mas se tem este comportamento com brinquedos guardo o brinquedo e aguento a gritaria mas ainda não aprendeu a mudar de estratégia.

Quando achei que já chegava de não, peguei no Tiago ao colo e comecei a voltar para casa. Ele desatou a gritar. Expliquei-lhe que tinhamos de ir para casa e se não queria colo tinha de andar a pé. Foi para o chão e começou a andar.

Quando chegámos a uma zona de sol tentei por-lhe o chapéu. Começou a dança. Eu ponho, ele tira. Ao fim de umas quantas tentativas deixei-o andar mais um bocado antes de tentar outra vez para ver se passava a teimosia. Voltou a tirar o chapéu. Chegou o ponto em que não podia continuar a deixá-lo ganhar, até porque tinhamos uma longa caminhada ao sol pela frente. Entrámos num concurso de teimosos. Eu punha o chapéu e ele sacudia. Fizemos isto tantas vezes que eu já estava com vontade de rir. Quando me fartei tive de lhe agarrar nos dois braços, por-lhe o chapéu e não largar os braços até ele começar a estar mais incomodado por estar agarrado do que por ter o chapéu.

Resolvida a questão do chapéu o Tiago passou à  fase seguinte: começou a parar, a puxar na direcção contrária ou a querer atirar-se para o chão. Cada vez que fazia isso eu pegava nele debaixo de um braço e continuava a andar. Ele não gostou muito e começou a berrar. Disse-lhe novamente que ou ia assim ou ia a andar e voltava a po-lo no chão. Ele andava mais um bocadinho, sempre a choramingar, e depois fazia o mesmo.

Acabou por andar o resto do caminho até a casa. Pelo caminho foi informado dos previlégios que ia perdendo: tv, o boneco dele e alguns brinquedos por ordem de preferencia.

Quando chegámos ao prédio atirou-se para o chão e começou a berrar (muito mais giro porque faz eco). Tive de agarrar nele e colocá-lo dentro do elevgador e depois tirá-lo do elevador e traze-lo para casa, onde ficou a chorar no chão do hall enquanto eu fui para a varanda apanhar roupa da corda e respirar fundo.

No total foram 20 minutos e amanhã serão outros 20. Não ganhou nada com a birra e perdeu algumas das coisas que gosta. Mas acham que aprendeu alguma coisa com isso? Claro que não.

Acho que estas situações são brutais, tanto para mim como para ele, mas infelizmente são necessárias. Ele precisa de saber que não pode fazer o que quer sem consequencias e eu preciso de controlar a minha crescente vontade de lhe dar um tareão.

Por regra não bato no Tiago porque acho que isso seria uma falha da minha parte por não conseguir resolver a situação de outra forma, tento não gritar com ele – à s vezes não o consigo evitar porque sempre fui um bocado impulsiva mas estou bastante melhor – mas não o deixo fazer tudo o que quer. Deixo fazer tudo o que seja inofensivo mas as regras são para cumprir. Há umas semanas não queria lavar as mãos quando chegava a casa. Tinha que lhe pegar, levá-lo à  casa de banho sempre a berrar e lavar-lhe as mãos à  força. Agora já vai sozinho. Custa e é preciso muita paciencia mas lá acaba por perceber como as coisas funcionam. Só que não é de um dia para o outro.

Desejo boa sorte a todos os que acham que os seus filhos nunca irão fazer birras porque vão ser os melhores pais do mundo.

A festa de fim de ano escolar

Passei toda a manhã a terminar o upgrade de software da loja e já está online outra vez. Espero que esta versão seja mais segura.

De tarde estive a fazer maquetes para um trabalho que parece que nunca mais acaba. Em todos os anos em que faço webdesign nunca passei tanto tempo na fase de maquete.

Acabei mesmo a tempo de me ir vestir para a festa de fim de ano da escola do Tiago. Acabei por usar uma versão um bocado watered-down de 80’s look mas foi o que se arranjou – jeans claros, All Stars, tube-top verde fluorescente com um top preto de renda por cima, montes de fios de prata ao pescoço e enrolados no pulso, um brinco com um clip, eye-shadow azul e rosa e baton frosted pink.

Como esperado, as pessoas que ligaram minimamente ao pedido de vestir à  80’s eram cerca de um por cento,no  máximo.

Os miúdos estavam muito giros e o Tiago até estava a seguir a coreografia com bastante entusiasmo, pelo menos até a educadora distribuir pelo palco umas caixas de chiclets gigantes e não lhe dar nenhuma a ele. Aà­ fez beicinho, foi para o fundo do palco amuar e já não fez mais nada.

Ainda ficámos até à s sete e vimos mais umas quantas actuações. Uma delas, com os miúdos muito rock-and-roll, com guitarras e gel no cabelo a fazer de conta que tocavam uma música dos Bon Jovi estava o máximo e o miúdo do meio era super expressivo 🙂

Fomos a casa deixar o carrinho e depois voltámos a sair para ir ao jantar de aniversário da minha mãe. O Tiago fez birra porque lhe desliguei a televisão e não queria sair de casa mas depois portou-se bastante bem no restaurante e conseguimos ficar até ao fim.

O meu irmão, a Ana e o Gabriel também apareceram e eu passei o jantar a ter uma grande conversa com o meu sobrinho que aos 8 meses já está muito comunicativo. O Tiago não achou muita piada mas também não chegou a reagir mal e eu fiz os possà­veis por distribuir a atenção pelos dois.

Quando o Tiago estava a começar outra birra era hora do bolo (brigadeiro de chocolate, ainda por cima) e acalmou-se novamente. Soprou a vela e esteve a besuntar-se de chocolate durante um grande bocado. A minha mãe deu-lhe uma fatia enorme por isso aproveitei para lhe tirar o prato quando ele precisou de beber água. É cruel mas acho que com esta idade não é muito boa ideia abusar dos doces daquela maneira – se nem eu consegui comer uma fatia daquelas inteira, não queria arriscar mais um vómito noturno por ter comido demais.

Feriado

Na quarta feira foi feriado em Almada por isso a escola do Tiago esteve fechada.

Depois de uma noite horrà­vel graças ao fogo de artificio que as bestas do poder local acharam boa ideia lançar à  uma e meia da manhã, durante meia hora, tão perto de uma zona residencial que as janelas abanavam todas, só me apetecia ficar na cama, mas o Tiago não perdoa e acordou à  hora do costume.

Fomos passar a manhã no jardim e a minha mãe veio connosco. O Tiago não resistiu ao escorrega dos mais crescidos e como não estava sozinha e dava para estarmos uma de cada lado nos buracos onde ele podia cair, deixei-o andar à  vontade. Acho que ele já tem noção suficiente do perigo para não se atirar das plataformas abaixo mas gosta do desafio de trepar as áreas mais difà­ceis.

Antes de voltar para casa passámos no lar onde está a minha avó. É impressionante ver a forma como ela se tem modificado nos últimos anos. Lembro-me dela como uma mulher forte, grande, até agressiva, e agora está magrà­ssima e com um ar super frágil. Acho que começar a ouvir mal contribuiu em grande parte para uma ruptura de contacto com o mundo exterior e tem vindo a desistir aos poucos. A memória e o reconhecimento das pessoas também já deixaram de funcionar. Teve uma grande conversa comigo sobre como eu não conseguia dizer o meu nome em criança e comecei a dizer que me chamava Dida, porque o nome da minha outra avó ser Candida. Já ouvi esta história dezenas de vezes (e o nome pegou ao ponto de ainda me chamarem Dida hoje em dia) e ela lembra-se perfeitamente da história e sabia quem eu era, mas no dia seguinte, quando a minha mãe voltou lá, já não se lembrava que tinha sido eu a visitar. Ficou convencida que era a filha de uma prima. É muito triste e fico horrorizada ao pensar que um dia vou chegar a esse ponto.

O Tiago adorou os canários que estavam a um canto do lar e esteve suficientemente entretido durante a visita mas no caminho de volta fez birra no metro, como já vem sendo hábito.

Quando chegámos a casa fiz o almoço e depois tentei convencer o Tiago a dormir a sesta mas já percebi que as sestas em casa acabaram.

Precisava de um bocadinho para tentar perceber o que se tinha passado com a minha loja, que foi atacada por um imbecil qualquer daqueles que não tem mais nada que fazer na vida e o administrador do servidor teve de desligar o script.

Passei o resto do dia a fazer upgrade ao software, que dá uma trabalheira enorme e vontade de começar de novo com outro programa qualquer, mesmo que isso implique ter que meter os produtos todos de novo na base de dados. Não consegui acabar porque ainda faltava comparar os ficheiros de linguagem um a um.

Compras e corte de cabelo

New haircutOntem de manhã fomos fazer umas compras. O Tiago tem festa de fim de ano na escola esta semana e precisava de lhe comprar uns calções e suspensórios para o ‘fato’.

Também comprámos umas sandálias, porque os sapatos do costume já são um bocado quantes e requerem meias, e um chapéu para a praia maior que o actual, que já não serve.

O Tiago portou-se muito bem, experimentou as sandálias sem queixas e depois o Pedro andou atrás dele pela loja enquanto eu procurava o resto dos items necessários. Depois fomos ao fórum para comprar os calções e suspensórios. O Tiago ficou num dos espaços para crianças a andar no escorrega enquanto eu andei pelas lojas. Finalmente fomos à  Toys’r’us procurar um protector lateral para a cama do Tiago, para podermos tirar a grade. Optámos por uma barreira mais curta do que o comprimento total da cama para ficar sempre um espacinho aos pés da cama por onde ele pode subir e descer a qualquer altura. A ideia é tentar evitar que ele decida passar por cima da barreira e caia ao chão.

É possível que ele comece a levantar-se a meio da noite, mas estava na altura de tentar porque já nos parecia que as grades começavam a ser demasiado baixas para a altura dele e ele conseguia dobrar-se para fora bela barriga, arriscando-se a cair de cabeça. Assim, se quiser mesmo sair da cama pelo menos tem uma opção mais segura.

Escusado será dizer que voltou a não dormir a sesta, agora que consegue sair da cama sozinho 🙂

Em compensação, à  noite estava tão cansado que adormeceu ao colo do pai em 10 segundos e dormiu a noite inteira. Sempre soube que o Tiago ia deixar de dormir sestas cedo por isso não é grande surpresa. Quando conseguimos que ele durma, ainda dorme 3 horas de seguida, por isso acredito que ainda precise, mas o tempo é demasiado precioso para desperdiçar a dormir, especialmente quando temos dois anos.

à€ noite, antes do banho, foi altura de dar um novo corte de cabelo ao Tiago. Resolvemos experimentar cortar com a máquina em vez da tesoura, para ficar mesmo curtinho porque ele farta-se de suar com este calor. Ao princà­pio correu bem mas quando lhe começaram a cair cabelos para a cara tornou-se uma verdadeira tortura conseguir acabar o corte.

Acho que ficou com um ar muito mais crescido com o cabelo curtinho. Sinto que consigo imaginá-lo com sete ou oito anos 🙂

Sábado na praia

Fomos à  praia no sábado de manhã. Geralmente evitamos ir à  praia no fim de semana, mas o Tiago gosta tanto que temos feito um esforço para ir uma vez por semana.

Desta vez os meus sogros também foram e estiveram a tomar conta do Tiago, por isso pude ficar debaixo do chapéu de sol para ver se não apanhava muito sol nas pernas – já só me falta uma sessão de depilação laser e não quero estragar tudo porque estou demasiado bronzeada.

Como já é costume depois das idas à  praia, o Tiago adormece no carro a caminho de casa e depois já não dorme sesta. Eu, por outro lado, estava exausta e acabei por dormir uma hora. Quando acordei devia estar com a tensão muito baixa porque sentia-me horrivelmente mal, com tonturas e até uma certa dificuldade em respirar. Deviamos ir à s compras mas não me sentia em condições por isso ficou para domingo.

O Tiago começou a dizer algumas palavras novas ultimamente. Tem alguma dificuldade com o ‘L’, tal como eu tinha, mas começou mesmo assim a dizer ‘leão’. E como as palavras terminadas em ‘ão’ lhe começaram a parecer mais fáceis, também já diz ‘pão’, já disse ‘cão’ em vez de ‘uf-uf’ pelo menos uma vez e repete muitas outras coisas quando nós dizemos. O que interessa é que está a andar e isso é muito bom.

Avaliação do Tiago

Fomos à  reunião de final do ano do Tiago. Não teve grandes surpresas e não sabia que tinha de levar uma pen para ficar com as fotos que a educadora andou a tirar durante o ano.

No geral é o que já sabiamos. O Tiago começou o ano muito isolado, sem interagir com as outras crianças e mesmo sem grande confiança nos adultos. Nos últimos meses, porém, já está mais bem integrado e até já tem um ou dois colegas com quem brinca regularmente e de quem parece gostar.

Acho tudo isso perfeitamente normal para quem esteve em casa sozinho com a mãe durante 18 meses. Se não tivesse evoluà­do é que seria estranho mas eu própria tenho notado uma grande modificação no seu comportamento para com os outros nos últimos meses.

Já não reage mal quando se aproxima alguém que não conhece, cumprimenta as pessoas e começou a gostar de brincar com outros miúdos quando vamos ao parque infantil. Também começou a puxar-me e ao pai quando quer companhia nas brincadeiras e eu ultimamente também tenho que descer pelo escorrega depois dele. Nota-se então que começa a achar mais piada brincar com alguém do que sozinho.

Gosta muito de pintar, colagens e todo esse tipo de actividades de expressão plástica, que também faz em casa. Também gosta muito de música e de fazer barulho com instrumentos musicais e reparei recentemente que começou a tentar cantar, senão as notas certas, pelo menos o ritmo das músicas que acho absurdamente giro 🙂

O treino de bacio não vai muito bem, nem na escola nem em casa. Tem de se despir todo em vez de se limitar a baixar as calças e na escola faz xixi no bacio mas depois entorna tudo, pisa, etc. Acaba sempre por ter de tomar banho. Em casa dá pontapés no bacio e, apesar de já ter usado a sanita algumas vezes, é só à  noite antes de banho e à s vezes ainda prefere fazer para o chão ou esperar até estar no banho. Já me sugeriram tirar-lhe a fralda mas ele nem se queixa quando tem a fralda suja. Não sei se iria funcionar.

A educadora também disse que a atenção do Tiago é de curta duração e que não é capaz de ficar sentado no tapete como os outros, algo que eu já previa. O Tiago é extremamente mexido e raramente se concentra na mesma actividade durante um periodo longo. Ultimamente já acontece mais mas não é muito frequente. Não sei se há grande coisa a fazer em relação a isso.

Acho que ele se farta das coisas quando deixam de ter desafio e vai à  procura de algo mais estimulante. Quando consegue finalmente encaixar uma peça, resolver um puzzle, etc, faz aquilo imensas vezes mas passado algum tempo percebe que é sempre a mesma coisa e aquilo deixa de lhe interessar.

O problema é que se não lhe apetece ouvir uma história, por exemplo, não há nada a fazer e até vem fechar-me o livro porque não é o que ele quer. Isso na escola deve dar alguns problemas porque têm alturas especificas para cada actividade e não está dependente do que lhe apetece. Mas o que é estranho é que a educadora diz que se ele estiver ao colo já fica quieto e com atenção, o que me leva a crer que não é propriamente um problema de concentração.

Por fim falámos na questão da linguagem que, obviamente continua a ser uma barreira. O Tiago comunica muito bem mas por não falar dá origem a algumas situações de birra que podiam ser evitadas porque nem sempre conseguimos adivinhar o que ele quer.

As birras tornaram-se muito mais óbvias nos últimos tempos. Felizmente não são violentas. Pelo contrário, o Tiago é sempre muito meigo, dá beijinhos e abraços, tem empatia e vai um abraço ao pai quando se magoa ou ao leão do livro que tem um espinho na pata.

As birras dele consistem em atirar-se para o chão e berrar muito. Fica mole e não deixa que lhe peguem ao colo pelo que é impossível confortá-lo ou acalmá-lo. A educadora, depois de ter tentado todos os truques chegou à  mesma conclusão que nós: temos de o deixar berrar tudo sozinho e vir ter connosco quando se fartar.

Do que tenho observado no comportamento do Tiago, aquilo que mais me diverte é vê-lo a por os brinquedos a dar beijinhos. É mesmo fofinho 🙂 E já não são só os ursinhos – são os carros, as girafas, em que uma é a mamã ou o papá e a outra é o bebé, etc.

O ursinho também passou a ser o bebé e no fim de semana ficou todo feliz quando fomos por uma fralda no seu bebé.

As brincadeiras são cada vez mais imaginativas e os bonecos já falam uns com os outros e imagina situações para eles (que não compreendo porque a sua linguagem é incompreensà­vel para mim). Também já consegue montar sozinho as pistas de carros e do comboio, cujas peças ancaixam tipo puzzle, e brinca imenso tempo com aquilo.

Aniversário do Pedro

O Pedro fez hoje 36 anos e depois de esperar até mesmo ao último minuto, resolveu convidar a famà­lia para jantar o que implicou passar a manhã a limpar a casa.

O jantar começou um bocado atrasado porque o forno recusou-se a aquecer a lasagna e acabou por ter de ser aquecida no micro-ondas dose a dose. Senti-me como se trabalhasse num restaurante 😛

O Tiago adorou a festa porque já conhece toda a gente e passou a gostar de ser o centro das atenções. Teve a famà­lia toda no quarto dele a brincar com o seu novo comboio de madeira até preferir ir ver tv, como acontece quando começa a ficar cansado.

O bolo de aniversário, oferecido pelos avós e entregue pela Marta, era um mil-folhas gigante que estava uma delà­cia. O Tiago estava particularmente interessado na cobertura de açucar e foi uma luta para conseguir que ele largasse aquilo.

Como infelizmente toda a gente trabalhava no dia seguinte, foram-se logo embora depois do jantar e nós fomos tentar convencer o Tiago a ir para a cama.