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Análises

Ontem à  noite o Tiago recusava-se a ficar na cama. Como eu estava muito cansada e levemente deprimida, fui-me deitar cedo e deixei-o deitar-se ao meu lado. Acabou por adormecer e à  meia noite o Pedro levou-o para a cama dele. Tenho a impressão que vai começar a ser assim durante uns tempos.

Esta manhã o Tiago acordou à s sete e juntou-se a nós. Depois levantou-se e foi buscar a almofada. Depois levantou-se e foi buscar o boneco. Depois fartou-se de rebolar na cama e dar-nos pontapés enquanto se virava. Desisti e levantei-me, perguntando se queria ir comer.

Como ficámos prontos uma hora mais cedo achei que era um bom dia para ir fazer as análises. O Tiago não queria  deixar o pai nem descer-me do colo e acabei por ter de o levar no carrinho porque não aguento com ele ao colo o caminho todo. Uns dias vai a pé outros no carrinho, conforme o nà­vel de cooperação.

Fui fazer as análises e voltei para casa, chegando à  mesma hora do costume. Agora vamos ver se o resultado mostra alguma coisa de relevante em termos hormonais.

Mais noites sem dormir

Esta noite o Tiago voltou a levantar-se diversas vezes. Tentei deixá-lo dormir connosco mas não dá – não consigo adormecer com ele na minha cama porque não consigo desligar o radar mamã que me põe alerta cada vez que ele se mexe.

Passei o dia com dores de cabeça de cansaço e dolorosos nozinhos no pescoço.

Estes dias fazem-me repensar seriamente a decisão de tentar engravidar de novo. Por muito que adore o meu filho, continuo consciente que não tenho personalidade para ser mãe 24 horas por dia. Gosto muito de brincar com o Tiago mas ao fim de suas horas de comboios, desenhos e puzzles começo a olhar para o relógio, a sentir-me cansada e aborrecida e com vontade de fazer outra coisa. Aproveito um momento em que o Tiago parece estar concentrado com qualquer coisa e sento-me a ler um livro ou a rabiscar desenhos para um colar. Geralmente não dura mais de um minuto ou dois porque essa é precisamente a altura em que o Tiago decide que está na hora de ser perseguido pela casa e brincar à s escondidas no meio das almofadas do sofá e requer a minha atenção incondicional.

Eu sei que há muitos pais e mães que não se deixam manipular desta forma mas sinto que ignorar o meu filho quando ele quer a minha atenção, nas poucas horas diárias que passo com ele, seria errado e por isso faço todo o esforço por interagir e entrar nas brincadeiras. Mas não posso negar que à s vezes é um grande sacrifà­cio, principalmente em dias como este em que estou mais cansada.

Pensar na possibilidade de ter de dividir a minha atenção por dois humanos com este nà­vel de exigencia deixa-me ainda mais cansada e faz-me pensar que é capaz de ser boa ideia pensar melhor no assunto.

Como não vai ser um processo fácil nem inteiramente natural engravidar de novo – já ando em fase de análises hormonais, etc – começo a tentar convencer-me que isso é um ‘sinal’ para estar mas é quietinha, deixar este ir crescendo e continuar com a minha vida em vez de voltar à  estaca zero com um recém nascido quando tiver quase 40 anos, ainda por cima com todos os riscos adicionais que a idade implica.

Já sabia que isto ia acontecer. Se tivesse sido um processo natural já estava e não pensava mais no assunto. Assim, vou ter dúvidas até ao fim.

Gosto pelo nudismo

Desde que fomos de férias o Tiago descobriu que andar sem roupa é o máximo. Percebi depressa que ele vai mais facilmente ao bacio se não tiver roupa. Se tem fralda ou calções acaba por fazer xixi onde estiver mas se não tiver nada até vai ao bacio por iniciativa própria. Por isso, quando está em casa começou a recusar a fralda e eu deixo-o andar semi-nu grande parte do tempo.

No sábado a Carla veio fazer-nos uma visita e o Tiago esteve a fazer show-off. Falou com ela, riu-se, entregava-lhe o copo de água em vez de o dar a mim e a certa altura desapareceu um bocadinho e voltou com a fralda com cocó na mão para ir deitar no lixo – ou seja, o cocó continua a ser na fralda mas depois tira-a sozinho e vai deitá-la fora.

Na sexta feira, quando voltávamos da escola, passámos por um polà­cia que achou piada ao Tiago e meteu conversa com ele. O Tiago respondeu com o seu habitual discurso ‘tapata’ que ninguém compreende e depois levantou a camisola e apontou para o umbigo. No sábado passou a nu total – quando voltámos do lanche a primeira coisa que o Tiago fez foi despir-se completamente para a Carla. Nota-se que tem um gozo enorme na reacção das pessoas 🙂
Ainda estou à  espera do dia em que resolve despir-se no meio da rua.

Esta manhã consegui convencê-lo a fazer o xixi no bacio sem gritar mas vestir-se e ir para a escola já não correu tão bem. Não queria sair do meu colo e ficou a chorar novamente, com um ar muito sofrido.

Durante o fim de semana não quis sair de casa. Tentámos várias vezes vesti-lo para sair e ele recusou-se sempre. Como a ideia de sair era para ele se divertir, já que estávamos ambos exaustos e só queriamos era voltar para a cama, achámos que não valia a pena estar a forçá-lo e a criar uma grande birra.

Regresso à  escola

Depois de duas semanas de férias o Tiago voltou à  escola. No primeiro dia esteve bem mas nos dias seguintes, à  medida que se foi apercebendo que ia para a escola todos os dias, começou gradualmente a voltar ao comportamento que tinha quando entrou pela primeira vez.

Na terça foi muito bem mas já dentro da sala fez birra e sentou-se no chão. Na quarta não queria ir para o colo da auxiliar. Na quinta viu a carrinha da escola a meio do caminho e cometi o erro de a apontar e ele foi ao colo o resto do caminho, recusando-se a andar mais. No caminho de volta também veio um grande bocado ao colo.

Hoje não se queria vestir, foi de carrinho porque já estavamos atrasados com as birras e ficou a chorar.

A par da choradeira na escola também começou a levantar-se várias vezes durante a noite e a ir ter ao nosso quarto. Foi assim nas últimas três noites e andamos exaustos. Começo logo com a tentação de voltar a montar a cama de grades mas sei que o que preciso de fazer é ter paciencia e continuar o treino até ele se habituar a ficar na cama.

Acho que vamos ter de experimentar fechar a porta do nosso quarto para ver se ele desiste e volta para a cama mas duvido que isso funcione.

Esta noite deixei-o deitar-se connosco durante cerca de uma hora e depois levei-o para a cama dele ao colo mas passada meia hora estava de volta. No fundo acho que está tudo relacionado com voltar à  escola. Está carente porque passa menos tempo com os pais e anda a procurar atenção durante a noite que é quando estamos lá. Só que mesmo com a nossa cama maior não dá para dormirmos os três, mesmo que eu considerasse essa hipotese durante uns tempos. O Tiago ocupa o meu lugar e a minha almofada e eu fico encolhida no meio da cama a tentar não bater em ninguém e sem espaço para me virar. Para além disso não o quero habituar a dormir connosco. Se não o fez em bebé não é agora que vai começar.

Quando o levo de volta para a cama dele, o Tiago agarra-me no braço e só se deita se eu me deitar ao seu lado. Umas vezes espero que adormeça, outras fico um bocadinho e saio. Se ele está acordado quando saio, vem imediatamente atrás de mim mas geralmente funciona mandá-lo voltar para a cama. Só que passado algum tempo acorda outra vez e começa tudo de novo.

Suponho que vamos ter de aguentar isto durante mais uns tempos até se habituar ao regresso a esta rotina mas está a custar bastante.

Uns dias à  beira da piscina

Floating in the pool Este ano tinhamos pensado em ir passar uns dias fora, mas por causa do trabalho o Pedro esteve mesmo até ao último dia sem saber se podia tirar férias ou não e acabou por não dar. Decidimos então ir passar uns dias à  casa de férias dos meus pais, só mesmo para fugir à  rotina.

Tinhamos planeado ir na segunda de manhã mas o Pedro afinal pensou que tinha que ir ao escritório e adiámos para terça. Passei a segunda a arrumar tudo e a fazer listas do que precisavamos de levar, principalmente por causa do Tiago.

Na terça de manhã, depois de quase nos esquecermos da chave, lá fomos para o Alentejo. Quando chegámos à  casa tive rapidamente o primeiro choque. Tinha comprado uma cama de viagem para o Tiago porque uma das nossas maiores preocupações era  reacção do Tiago a dormir num sí­tio estranho. Uns dias antes da viagem a minha mãe telefona a dizer que o meu primo Miguel lhe tinha dado uma cama de grades que já não precisava. Eu já lhe tinha dito que ia comprar uma mas a minha mãe faz o que quer, como sempre, e deve ter decidido que ter lá uma cama de criança era boa ideia já que tem dosi netos e isso evitaria termos que andar sempre a carregar com uma cama nossa. Tomei esta informação como um gesto de consideração da parte dela e fiquei então a pensar o que raio deveria eu fazer à  cama que já tinha comprado. Decidimos ir devolvê-la já que é uma coisa cara e não ia servir para mais nada. Nunca me arrependi tanto de uma decisão.

Quando via a cama que a minha mãe arranjou fiquei sem palavras. Era uma cama antiga, com umas grades com um máximo de 20 cm de altura, ideais para o Tiago se debruçar pela cintura e cair de cabeça, algo ia fazendo na primeira noite, por volta da uma da manhã, se eu não o tivesse agarrado a tempo. Foi obviamente construida antes de haver preocupações com a segurança das crianças e ainda por cima rangia por todo o lado fazendo com que o Tiago acordasse cada vez que se virava na cama. Para além de ser um perigo a cama também não entrava no quarto e foi preciso desmontá-la e voltar a montar – como se eu não estivesse já farta de montar móveis depois das 9 estantes do quarto do Tiago.

Fiquei furiosa e passei horas com vontade de partir a cama à  martelada e voltar a Lisboa para vir buscar a outra que tinhamos devolvido. Não sei porque é que continuo a confiar na minha mãe ao fim destes anos todos. Devia ter exigido foto da cama. Devia ter trazido a outra à  mesma e devolvê-la só depois da viagem se não tivesse sido necessária. Devia tatuar na testa que não posso ouvir nada do que a minha mã e diz e lembrar-me que a realidade dela não é bem igual à  das outras pessoas. Ao fim de 35 anos ainda não aprendi? Sou mesmo muito estúpida!

As noites foram então um tormento. O Tiago acordava com o ranger da cama e tentava sair. Tinha que o agarrar para não cair dali a baixo e acabava com ele deitado na nossa cama. Levei pontapés, estalos, cotoveladas e cabeçadas e o Pedro acabou por ter que ir tentar dormir para outro lado porque o Tiago tentava ocupar toda a cama. Foram duas noites horrà­veis que espero não repetir tão cedo e que me lembraram porque é que nunca quero ir para aquela casa. Para o ano vamos para um hotel.

Infelizmente os contratempos não ficartam por aà­. Quando acabámos finalmente de montar a cama no quarto e fui à  procura dos lençois concluà­mos que a mala de viagem tinha ficado na nossa cama, em casa. Tinha a roupa, fatos de banho, fraldas do Tiago e os lençois. Não havia então outra hipotese senão o Pedro metyer-se no carro e voltar tuda para trás para vir buscar a mala. Estive com uma grande vontade de voltar simplesmente para casa mas lá fiquei, tentando entreter o Tiago até o Pedro voltar, já ao final da tarde.

Os dias seguintes, felizmente, correram melhor. O Tiago adorou a piscina e passou grande parte do tempo dentro de água. Não conseguia ficar com água até ao pescoço mais de cinco minutos porque ficava logo a bater os dentes – é o problema de não ter gordura corporal – mas gostava de ficar sentado nos degraus a brincar com o regador ou a chapinhar.

Nos dois primeiros dias acabou por dormir uma sesta encostado a mim, na cadeira da piscina. Foi um pouco incómodo para mim porque não me podia mexer mas foi bom que conseguisse dormir um bocado para não andar tão rabujento.

Como andou o tempo todo sem fralda o treino do bacio correu bem. Por pouco evitámos um incidente de cocó na piscina mas fui a tempo de o sentar no bacio 🙂

Não posso dizer que tenham sido uns dias muito descansados mas deu para ler um bocado e dar uns mergulhos que é o máximo que se pode pedir de férias com uma criança de dois anos que é preciso vigiar a cada segundo de cada 24 horas de cada dia.

Andei a ler o livro “Moab is my Washpot”, que é a autobiografia do Stephen Fry. Não sou grande fã de biografias mas o livro está muito bem escrito, no estilo elegante e divertido do Stephen Fry e gostei bastante de o ler. Agora comecei o “The Liar” que se situa no mesmo ambiente de escola privada para rapazes e que é obviamente baseado nas experiencias e observações do autor durante a adolescência.

Na quinta feira comecei a ficar impaciente. Já tinha duas ou três picadas, apesar do repelente de insectos, e uma das cadeiras da piscina tinha um ninho de vespas. Eu tenho uma certa incompatibilidade com insectos e ao fim de uns dias de ‘natureza’ começo a ficar paranoica, a sentir comichões e picadas com e sem razão. Fui arrumar a casa, lavar a loiça e meter tudo na mala. A certa altura o Tiago também já estava a ficar farto e depois de uma última brincadeira com o pai e uma mangueira, que acabou quando o Tiago virou a mangueira para a cara e lhe entrou água pelo nariz, só queria ir ver televisão e já não estava com paciencia para mais  nada.

Senti um enorme alà­vio quando cheguei a casa. Nada como uns dias fora para apreciarmos a nossa casinha.

O novo quarto do Tiago

Quarto do Tiago Depois de dois dias cansativos a montar móveis, o novo quarto do Tiago ficou pronto. Acabou-se a cama de grades e foi fora o antigo sofá que ocupava grande parte do espaço do quarto. Entraram novas estantes com caixas de plástico para guardar todos os brinquedos e o espaço útil de chão, indispensável para brincar, acabou por ficar maior do que antes.

Tinhamos receio que Quarto do Tiagoas noites corressem mal ao princà­pio e que o Tiago se levantasse muitas vezes durante a noite mas até agora só aconteceu uma vez. Temos de ficar com ele até adormecer mas depois só se levanta de manhã, por volta das oito e meia. Vai até ao nosso quarto, abre a porta e fica sentado no chão do hall à  nossa espera. Não chama por nós nem faz muito barulho – tenho um filhote muito educado 🙂 – parece que vai só certificar-se que estamos lá.

Dicionário Tiago-Português

O vocabulario do Tiago vai esticando diariamente. Algumas palavras são perfeitamente compreensiveis mas noutras faltam muitas das consoantes. Para não me esquecer mais tarde resolvi apontar a lista actual de palavras e o seu significado nos casos mais complicados.

– Ba-ba (bye-bye: uma das poucas expressões inglesas que o Tiago usa e a primeira que aprendeu)
– Olá
– Tá tá (já está/já ‘tá)
– Não (começou por ser ‘na’, passou a ‘nou’ e finalmente a ‘não’)
– Sim /Yes (utiliza ambas e percebe que o significado é o mesmo)
– mamã/mãe/mamãe (esta última variante, junção de mamã com mãe é a preferencia do momento)
– papá/pai/papai (semelhante ao anterior)
– Boa
– Aua (ajuda)
– pé
– mão (usa muito quando quer dar a mão)
– Leão
– uf uf /tão (cão – o primeiro é o som que faz – do inglês woof woof – e o segundo a tentativa actual de dizer a palavra)
– Brrrrr (som do elefante)
– Coco (cocoroco – som da galinha ou do galo)
– Miau (som e nome para gato)
– Mmmmm (som da vaca)
– uh-uh-uh (acompanhado do gesto de coçar asaxilas, significa macaco)
– Oh-oh! (exclamação quando algo corre mal)
– U-uuu pfff (som do comboio)
– brumm/pó-pó (sons referentes a carros)
– Nham-nham (apreciação da comida)
– aham (maçã)
– Nanana/Anana (Banana)
– Ananásh (ananás)
– Pea (pera)
– Ptau (Pica-pau)
– Apu (acabou)
– Ama’e’o (amarelo)
– Balão
– Boua (bola)
– Bolhas (Bubble wrap, que adora rebentar)
– Lua
– Pintar
– Pooh (winnie the Pooh)
– É bom! (o Tiago descobriu que gosta de massagem e presenteia-nos com esta exclamação)
– Atum
– Tebitão (televisão)
– Biau (obrigado)
Sei que há mais que vou acrescentar à  medida que me lembro mas agora tenho que ir ali.

Férias

Estamos de férias até ao final do mês. Não vamos propriamente viajar, apesar de termos planos para passar um dia ou dois fora de casa para fugir da rotina diária de lavar roupa, loiça e arrumar a casa.

No domingo fomos até ao Parque e foi giro porque o Tiago deitou-se na manta connosco, a comer uma bolacha, em vez de ir logo correr e trepar como costuma. Deu-nos uns minutos de descanso efectivo, muito raros hoje em dia.

Na segunda de manhã fomos à  praia. A vantagem das férias é poder evitar o trânsito do fim de semana e poder ir à  praia sem grande stress. O Tiago já parece ter perdido completamente o medo da água e até nadou um bocadinho, com a barriga apoiada na mão do pai. Estou curiosa para ver como se comporta na piscina, já que no ano passado nem queria tocar na água.

De tarde tivemos que nos ir enfiar no supermercado para fazer as compras do mês, algo que andamos a adiar há semanas precisamente para não ter de ir ao fim de semana.

à€ noite estavamos exaustos e decidimos que, já que estamos de férias e que ainda por cima temos de ficar em casa, no minimo podemos evitar ter de cozinhar porque que encomendámos comida suficiente para durar uns dias. Usamos o serviço No Menu, que vai aos restaurantes buscar a comida e vem-nos trazer e tem funcionado bem. Geralmente encomendamos comida italiana, do La Traviata e do Don Giovanni. O segundo tem umas doses tão grandes que cada dá para umas 3 refeições (ou 3 pessoas). Tem a desvantagem de vir tudo afogado em molhos de natas, pouco aconselhável para dois ou três dias de seguida. Desta vez optámos pela Traviata que tem umas pizzas muito boas e pedimos também uns bifes para o Tiago que nem sempre gosta de massas.

Na terça de manhã tivemos de ficar em casa à  espera da entrega das compras do dia anterior. Depois levámos o Tiago ao jardim, para andar de escorrega e correr um bocado. Como agora ele já vai a pé, já conseguimos ir de metro até à  Praça S. João Baptista e depois subir as escadas para ir ao jardim. Quando ia com o carrinho é que não dava jeito nenhum porque tinha de entrar pela ponta oposta.

De tarde o Tiago dormiu a sesta, que passou a ser dia-sim, dia-não e eu estive a fazer planos para a decoração do quarto do Tiago que precisa de mais arrumação e uma cama nova.

Ontem de manhã fomos ao IKEA comprar os móveis. Já tinha feito a lista no site e apontado os corredores onde estavam as peças que queria por isso foi uma visita rápida.

De tarde fui ao dentista e o Pedro ficou encarregue de ir passear com o Tiago. Fiquei cerca de uma hora na sala de espera, bem para além da hora marcada, para uma coisa que demorou cinco minutos e custou 60 euros. Há qualquer coisa nisto que não bate certo.

Quando saà­ do dentista fomos comprar uma cama de viagem para o Tiago mas ele adormeceu no caminho e acabei por ter de ir sozinha à  loja enquanto o Pedro ficava no carro com ele para não ser preciso acordá-lo. Como estava um calor insuportável no parque de estacionamento despachei-me o mais rapidamente possível para podermos voltar para casa.

Passei o resto da tarde a arrumar os brinquedos do Tiago nas novas caixas que comprámos. Tentei arrumar tematicamente e coloquei etiquetas para saber o que está onde. As etiquetas não agarram bem por isso vou ter de encontrar uma alternativa, mas até lá vai dando.

Esta manhã vieram fazer a entrega dos móveis do IKEA e depois fomos ao parque para o exercí­cio matinal do Tiago. Quando estavamos a voltar para o carro ele resolveu fazer uma das suas birras e veio o caminho todo ‘oh no no!’ que é a sua lamúria preferida.

àšltimamente tenho conseguido dar a volta aos amuos e evitar grande parte das birras mas de vez em quando há uma que continua a escapar, especialmente quando ele pára de brincar e se apercebe de reente que está mesmo muito cansado. Quando chegámos nem se interessou pelo almoço e foi dormir.

Agora falta montar as estantes, deitar fora um sofá e decidir se mudamos o Tiago para a cama nova ou se esperamos mais algum tempo.

Mas quando é que começam as férias afinal?

Evolução da técnica de lidar com birras

Na passada sexta feira, depois de deixar o Tiago na escola, decidi que não voltava a irritar-me com as birras. Acho que o facto de por uma cara zangada ou uma expressão desesperada é o suficiente para agravar as birras, e como tal decidi, dentro do humanamente possível, manter a calma e reagir o menos possível.

Quando fui buscá-lo estava preparada para a luta do costume e quando começou não foi surpresa. Falei com ele calmamente e dei-lhe beijinhos para tentar travar a coisa antes de começar ma como não funcionou e ele se recusava a colaborar, peguei no Tiago ao colo com toda a calma, sem ralhar nem fazer nada disso apesar dele espernear e levei-o para fora da escola. Sentei-o no carrinho, ignorando a luta, fiz-lhe uma festinha para ele perceber que não estava zangada e fomos andando para casa. Como ia a gritar não foi ao escorrega e berrou o caminho todo como é costume. Quando estavamos a chegar a casa já se tinha acalmado um bocado por isso disse-lhe que ia ficar com os avós. Quando os viu o Tiago ficou todo feliz, saltou para fora do carrinho e correu para ir ter com eles.

O sábado foi um bom dia. Fomos à  praia de manhã , actividade que ele adora e é preciso arrastá-lo para fora da água quando está a tremer porque ele não quer sair dali nem por nada. Quando começou a dar sinais de cansaço ia começar um birra para mudar a fralda e vestir mas conseguimos que se acalmasse. Falei com ele o mais docemente possível e fui perguntando se queria ser ele a vestir a fralda e a camisola. Ao sentir que tem algum controlo sobre a situação e que é ele que está a fazer tudo sozinho o Tiago torna-se um pouco mais cooperante. Não funciona sempre mas vale a pena tentar.

Ando o caminho todo até ao carro e depois adormeceu a meio da viagem. Quando chegámos a casa demos-lhe comida, porque da sandes que levámos para a praia ele só comeu o queijo e o fiambre e deixou o pão. Depois foi tomar banho e brincar até ao jantar porque nestes dias já sabemos que não vale a pena tentar deitá-lo para a sesta.

No domingo o Tiago estava muito cansado. Acordou um bocadinho rabujento mas passou-lhe até à  hora de almoço. De manhã fomos fazer umas compras, entre elas plasticina e moldes para ele brincar. Normalmente é uma dor de cabeça ir à s lojas mas acho que estamos a melhorar. Entramos e saà­mos rapidamente, fazendo as compras com precisão em vez de passar montes de tempo a vaguear e ver o que está nas prateleiras. Como estamos sempre a ir a sí­tios diferentes o Tiago não se aborrece tanto.

A falta de sesta do dia anterior começou a notar-se ao almoço. O Tiago comeu pouco e quando o fomos deitar começou a dar pontapés e não queria mudar a fralda. O Pedro acabou por se irritar e deu-lhe uma palmada e deixou-o sozinho no quarto um bocado. Ele foi imediatamente à  procura da mamã, que é a técnica tà­pica dos miúdos: quando o papá é mau pede-se mimos à  mamã e vice-versa.

Foram dois minutos no máximo mas ele começou com um choro tão forçado, sempre a tentar berrar mais alto, que começou com vómitos. Não chegou a vomitar mas é óbvio que assim que ouvimos um som desses acabou o castigo. O Tiago estendeu os braços para o pai, que lhe deu colo. O Tiago acabou por adormecer ao colo porque esta é uma birra tà­pica de cansaço extremo.

O resto do dia correu bem mas à  noite o Tiago passou a exigir a presença dos dois pais até ir para a cama. Nós temos um ritual de deitar que consiste em vestir o pijama, ler uma história, 10 minutos de colo até a música do projector acabar e cama. O colo costumava ser à  escolha do Tiago. Umas vezes era o Pedro outras eu. Mas agora quando me despeço dele, deitado ao colo do pai, ele agarra-me na mão e diz ‘não’. Tenho de me sentar também, ele faz um grande sorriso de vitória e espera pelo fim da música.

A saà­da da escola ontem já correu melhor. Ele estava outra vez a fazer beicinho e a recusar-se a sair por isso peguei-lhe ao colo, dando-lhe muitos beijinhos e levei-o ao colo para fora da sala. Parámos no aquário para ele ver os peixinhos e continuei com ele ao colo até ao escorrega. Não esperneou nem gritou apesar de continuar a fazer beicinho.

Quando começou a ficar farto do escorrega dei-lhe uma bolacha e ele acabou por se sentar no carrinho voluntariamente e fomos alegremente até casa. Um stock de comida na mala é sempre uma boa arma nestas situações.

Sei que daqui a uma semana muda tudo outra vez e vou precisar de novas soluções mas ter uns dias sem grande conflito é já uma grande vitória.

Ama’eo

Na segunda feira o Tiago voltou ao carrinho. Na hora de sair foi-se logo sentar e disse que não quando lhe perguntei se não preferia ir a pé. Consegue ir para a escola muito bem a pé mas o regresso é complicado porque está cansado e já não lhe apetece andar aquilo tudo.

Na quarta voltou a ir a pé, por escolha dele também. Já estavamos muito atrasados mas prefiro não discutir. Como esperado, quando ficou cansado de brincar no escorrega e deviamos voltar para casa, recusou-se. Eu comecei a afastar-me e a dizer adeus para ver se ele começava a seguir-me mas o colega dele, que também vai brincar para ali à  mesma hora, agarrou-me na mão e começou a puxar-me para os cavalinhos de baloiço. O Tiago, ao ver-me afastar de mão dada com outro menino desatou a chorar, deu a mão ao avà´ do colega e começou a seguir-nos, sempre a berrar, lágrimas a escorrer-lhe pela cara.

Tentei acalmá-lo e aproveitei para lhe dizer que iamos para casa. Aà­ foi o colega dele que não gostou e queria que eu fosse brincar com ele. Oh well.

Como entretanto já se tinha acalmado, pelo caminho comprei um gelado ao Tiago. Ainda parámos para nos sentar num banquinho para ele comer grande parte do gelado e fomos até casa sem problemas. Agora vai estar à  espera de gelado todos os dias mas não tem grande sorte.

Já em casa, o Tiago esteve a pintar, tal como no dia anterior, e já tenta usar o nome das cores para pedir as que quer. Ama’eo (amarelo) é a cor do momento. O Tiago adora pintar e misturar as cores e eu comecei a mostrar-lhe que pode tentar fazer desenhos figurativos – uma bola amarela para o sol e ele depois faz os raios, etc. Quando está bem disposto é muito giro fazer este tipo de actividades e ele até já colabora quando chega a parte de lavar as mãos.

Ontem, quando fui buscar o Tiago à  escola tivemos mais uma birra monstruosa. Ele vinha do recreio todo feliz mas deixou o ursinho lá fora. Nem chegou a vir ter comigo – sentou-se no chão da sala a fazer beicinho e depois foi piorando o comportamento daà­ para  a frente. Não aceitou o ursinho quando o encontraram, não deixava que ninguém lhe pegasse, não me deixou sentá-lo no carrinho e acabou deitado no chão e berrar. Ao fim de um bocado, e depois de perceber que nesta situação não valia a pena esperar que a birra passasse porque ele tinha público, agarrei nele e levei-o embora. Já fora da escola sentei-o no carrinho (que implica mantê-lo no sí­tio com uma mão e apertar o cinto com a outra, tarefa nada simples) e viemos para casa porque num dia destes não há escorrega para ninguém.

Já em casa acabou por passar o resto da tarde bem. Não teve direito a TV mas foi montar a pista de carros e depois estivemos a brincar com plasticina e com um brinquedo que diz palavras (que o Tiago já repete – lua, bolo, hora, etc. Ontem até tentou dizer panda). Também começou a perceber que pode fazer bonecos com a plasticina em vez de ser só bolas. Estivemos a fazer uma coisa que começou por ser tipo boneco de neve, empilhando várias bolas de plasticina mas que depois ganhou orelhas de voelho, braços, pernas e uma cauda. O Tiago ia partindo o rolo de plasticina e ria-se quando eu colocava o bocado que ele me dava no boneco ‘olha, agora é um braço, agora uma perna’.

De manhã e à  noite o Tiago começou a fazer xixi no bacio. De manhã é mais complicado mas à  noite vai sem luta.

As nossas manhãs actualmente funcionam assim: vou buscar o Tiago à  cama, levo-o ao colo para a sala e ele tenta ligar a TV. Digo-lhe para tirar as calças do pijama e a fralda e fazer xixi no bacio, ele diz que não. Lá acabo por despi-lo mas ele luta o tempo todo. Ameaço que não vê televisão se continuar assim e ele ignora-me. Digo-lhe que se não quer fazer xixi vamos então por a fralda nova e ele senta-se e faz. Fica muito orgulhoso, aponta mas já não tenta tanto ir mexer (hurray!) e deixa-me vestir-lhe a fralda nova.

Depois vamos lavar as mãos e vou preparar-lhe o pequeno almoço. Visto-me enquanto ele come e quando está na hora de sair o Tiago ainda tem a comida quase toda no prato e não está vestido. Pergunto se quer ajuda com a papa e ele diz que não. Espero mais um bocado até achar que já chega. Começo a levar o prato embora, ele grita, devolvo-lhe o prato e lá come mais um bocadinho.

Hoje dei-lhe torrada e leite por isso limitei-me a vesti-lo enquanto comia mas ele não gostou porque afastei a mesa com a comida. Chegou-se para a frente e começou a agarrar nos bocados de pão  – um numa mão, um na outra e estava a tentar meter o terceiro debaixo do braço. Ralhei com ele porque estava a encher a camisola de manteiga e daà­ para a frente a situação foi piorando. Não queria tirar a camisola, não queria vestir a outra e com os sapatos foi uma luta inimaginável. Quando estava vestido deixei-o curar a birra e fui arranjar-me para sair. Ele aproveitou para tirar um sapato. Como castigo tirei-lhe o resto do pão e ele atirou-se para o chão aos gritos.

Depois de muita berraria o Pedro foi calçar-lhe o sapato e levou com a mesma resistência que eu – berros e pontapés. Lá acabou por conseguir e depois deu-lhe mimos – que eu não consigo perceber se é uma boa ou má táctica nestas situações – e levou-o para o carrinho. Se fosse comigo ele teria começado a contorcer-se para eu não conseguir apertar o cinto mas com o paizinho a coisa vai.

Dei-lhe mais um bocado de pão, que costuma acalmá-lo durante o caminho mas não teve grande efeito. Só se acalmou quando chegámos à  escola. Bebeu à gua e foi para o recreio sem grande luta mas percebi que queria colo quando lhe dei um beijinho.

O que me faz confusão nestas birras é que eu até compreenderia se ele fizesse isto porque quer que eu lhe pegue ao colo, mas se tento fazê-lo ele empurra-me e tenta soltar-se. Ou seja, não há nada que eu possa fazer para o confortar. Parece que o ir e vir da escola é que está a dar origem à s cenas mais dramáticas e começo a pensar que mais vale daixá-lo em casa do que ter de passar por isto. Por outro lado, quando ele faz uma birra destas logo de manhã só consigo pensar ‘ainda bem que vai para a escola’. Eu sei que é cruel mas a paciencia tem limites.

11 anos

No sábado eu e o Pedro fizemos 11 anos de casados. Custa a acreditar que já tenha passado tanto tempo.

Os meus sogros, que são uns gajos porreiros, ofereceram-se para ficar com o Tiago durante o dia para podermos descansar e ir almoçar fora.Infelizmente a minha sogra passou o dia adoentada e acabou por ser um sacrificio para ela ter que andar a correr atrás do Tiago o dia todo 🙁

Depois de uma manhã a aproveitar o sossego que fica esta casa sem Tiago, fomos almoçar ao La Traviata, que era o nosso restaurante preferido quando começámos a namorar e onde já não iamos há algum tempo. Já não sinto uma tentação tão grande pela lasagna e canelloni porque o meu està´mago não aguenta empanturrar-se com o exagero que aquilo é mas agora adoro a pizza de gambas deles.

Quando fomos buscar o Tiago, ao final da tarde, ele ainda estava com as pilhas todas, a brincar à s escondidas por baixo das almofadas da cama. Comprei uns bolinhos e fomos lanchar. O Tiago despachou uma bola de berlim quase inteira. Eu tinha-lhe comprado um palmier, mas assim que viu a bola, e em particular o creme, tirou-ma das mãos e sentou-se a mastigar. Só sobrou um bocadinho porque já não tinha mais creme. E o espantoso é que ainda jantou, pouco tempo depois.

Mais uma

Hoje saà­ de casa a correr, já em cima da hora do Tiago sair da escola, porque tinha estado a tentar por os downloads da loja a funcionar. A parte do download ficou a funcionar mas pelo caminho fui descobrindo outros problemas para resolver e aquilo nunca mais acabava. Aliás, não acabou porque ainda faltam coisas.

Tudo isto porque de manhã estive a fazer o primeiro tutorial de bijutaria e queria po-lo online. Afinal descobri também que ainda falta uma secção mas não é grave e é fácil de fazer.

Quando cheguei à  escola recebi a informação de que o Tiago tinha enfiado as mãos na fralda suja e depois resolveu andar a pintar as paredes com o cocó. É nestes dias que as creches merecem o dinheiro que lhes pagamos…

Eu até estava toda contente porque ele ter feito xixi no bacio de manhã. Mas suponho que não é surpresa nenhuma porque sei perfeitamente que ele gosta de mexer na porcaria que faz. Devia filmar para usar como chantagem quando ele se tornar um adolescente irritante 🙂

Depois do jardim infantil, onde se fartou de correr e brincar, voltou a amuar. Deixei-o sentar-se no chão para descansar um bocado e ver se passava. Mais uma vez não percebi o que deu origem ao amuo.

Como ele não saia dali, fartei-me e peguei-lhe ao colo. Começou a berrar como se estivesse com dore – soluçava de tal forma que durante um bocado o som nem saà­a! Realmente o colo pode ser uma tortura enorme para uma criança de dois anos.

Tentei po-lo no chão uma ou duas vezes mas ele começava logo a atirar-se para o chão por isso carreguei-o durante um bocado. Desta vez nem foi à  saco de batatas, debaixo do braço, foi colinho a sério – virado para mim, sentado no meu braço – mas a única coisa que ele fazia era sacudir-se e tentar atirar-se ao chão.

Quando me fartei lá o consegui por a andar. Por essa altura ele queria o ursinho, que é o objecto de conforto quando a mamã está a ser má, mas quando o tentei dar, umas duas ou três vezes, ele recusava-se a aceitá-lo (provavelmente porque era eu a dar – malditos conflitos). Então guardei o boneco e disse-lhe que só o tinha de volta quando parasse de chorar. Foi o caminho todo a ginchar, com um braço esticado à  frente como se estivesse a tentar alcançar o boneco, mas andou até como um burro com uma cenoura à  frente do nariz.

Negar-lhe o ursinho pode não parecer muito grave mas garanto que é o objecto mais precioso que ele tem e o sofrimento deve ter sido atroz. No entanto não parece ter sido o suficiente para se calar antes de chegar à  porta de casa.

Felizmente por essa altura lá se acalmou, devolvi-lhe o boneco e comecei a conversar normalmente sobre o lanche para ver se não repetia a cena no elevador.

Esteve tudo bem até eu lhe pedir para lavar as mãos. Quando recusou voltei a retirar-lhe o boneco e ele lá foi obedientemente para a casa de banho. Também me deu a oportunidade de lavar o raio do urso que já estava todo porco. Normalmente espero por um momento em que ele não sinta a falta do boneco mas assim também funciona.

Enfim, vai devagarinho mas espero que vá melhorando com o tempo.

A mania de mexer nos fluidos corporais, por outro lado, tenho a sensação que está para durar. Em ultima análise ponho-lhe uns baldes de tinta e umas telas ao pé do bacio e chamo-lhe arte.