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Melhor

Depois de passar os 40 graus de febre à s 3 da manhã, o Tiago acordou à s 6.30 com vontade de ir para a sala comer ‘flocos’ (o seu nome para chocapic). Ficou a ver o spongebob com o prato à  frente e nós, exaustos, depois de duas noites quase em branco, voltámos para a cama. à€s oito fui dar com ele precisamente na mesma, ainda de prato cheio. O Tiago gosta de ver tv enquanto come mas depois esquece-se de comer e por isso ou recuso a TV ou tenho que estar ao lado dele o tempo todo a lembrá-lo constantemente para comer mais um bocadinho.

Um pouco mais tarde deu para perceber que se sentia de facto muito melhor porque já andava a correr pela casa. Continua rouco mas até agora não voltou a ter febre e já passaram 7 horas desde o último benuron.

O anti-inflamatório receitado pela pediatra é que tem um sabor horrà­vel e nem misturado com seja o que for coonsigo que o Tiago o engula. Acabei por o misturar com gelado derretido, meter a mistura numa seringa e enfia-lo na boca dele um bocado sob protesto. A vantagem de estar misturado com gelado é que assim, pelo menos, não cuspiu aquilo fora.

Agora, se eu conseguisse dormir mais um bocadinho é que era mesmo bom.

A cantar

Na semana passada comprámos ao Tiago uns DVDs do Postman Pat (em português carteiro Paulo, vá-se lá saber porquê) para ver se o Tiago gostava. Eu lembrava-me de gostar da série quando era miúda, e como aquilo continua por aà­ resolvi experimentar.

O Tiago gostou bastante e começou a fazer uma coisa que nunca tinha feito antes – começou a tentar cantar a música. Anda aos poucos a aprender a letra e pede-me para cantar com ele. É absolutamente amoroso e já tentei filmar mas ele amua 🙂

Eu pro outro lado já sei aquilo de cor e não consigo tirar o raio da música da cabeça por mais que tente. O carteiro, o carteiro, o carteiro…. ahhhhhh!

Tarefas domésticas

O Tiago está na fase de gostar de copiar tudo aquilo que nós fazemos, incluindo tarefas domésticas. Tive que lhe arranjar um borrifador para me ‘ajudar’ a por a roupa na máquina de lavar porque queria usar o tira-nódoas, gosta de varrer e de lavar o chão com a esfregona (leia-se enfiar a esfregona na água que depois espalha pelo chão porque não a espreme prineiro) enfim, tem piada e ao mesmo tempo demoro o dobro do tempo a fazer as coisas mais simples.

No entanto achei que, já que quer tanto ajudar, talvez estivesse na altura de lhe dar a responsabilidade de alguma tarefa simples para começar, para além de arrumar os seus próprios brinquedos, algo que já faz há algum tempo se eu pedir.

A escolha ideal foi dar comida aos gatos. Todos os dias abro a lata da ração e o Tiago tira um bocado com um copinho e deita no prato dos gatos. Geralmente há sempre um que vai logo comer e o Tiago fica todo feliz por fazer algo com um resultado imediato.

Estamos a pensar em fazer um quadro de autocolantes para ele poder colar uma estrelinha ou algo do estilo cada vez que cumpre a sua tarefa.  É uma boa estratégia que pode dar jeito no futuro.

Mau!

No fim de semana passado notámos um aumento na agressividade do Tiago. Começou a bater-nos quando fica irritado e avisei na escola. Hoje quando o fui buscar tive de ralhar com ele por estar a empurrar um dos outros miúdos. O outro não estava a fazer nada de especial, mas pelos vistos aproximou-se demasiado do carrinho, que o Tiago vê como sendo a sua propriedade, e toca de o afastar.

No escorrega tivemos um incidente semelhante. Um dos colegas, que costuma ir para ali ao mesmo tempo que nós, levou um empurrão assim que se aproximou e caiu ao chão. É um miúdo grande e que gosta muito de dar uns abraços um bocado estrangulantes e já tinha percebido que o Tiago não acha muita piada a essa intimidade forçada mas mesmo assim tive de fazer o meu papel e ralhar com ele outra vez.

Só que fiquei um bocado desconfiada e no elevador perguntei-lhe se o outro lhe batia e o Tiago respondeu ‘sim, bate. É mau!’ Não sei até que ponto é que a visão dele é assim tão clara nestas coisas mas disse-lhe que sendo assim tinha todo o direito de se defender.

Quando chegámos a casa falei com ele mais calmamente, e tenbtei explicar que se deve defender quando alguém é mau para ele mas que se bate em meninos que não lhe fazem mal ele é que é o mau. Olhou para mim de boca aberta, com um ar muito surpreendido.

O problema destas idades é que é muito complicado falar com eles. É preciso simplificar e é fácil ser mal entendido. Não quero que o Tiago fique a pensar que é mau mas também não quero que desate a bater em toda a gente sem pensar duas vezes. Acredito que de momento não é o caso e que quando empurra é na generalidade para se defender mas como não estou lá para ver nunca poderei ter a certeza. Oh well. Espero não ter feito uma mossa muito grande.

Pista carros

O Tiago começou recentemente a brincar mais com a sua pista de carros e nos últimos dias parece ser o único brinquedo que lhe interessa. É de tal forma que ontem e hoje não o consegui convencer a sair de casa sem levar dois ou três dos carros com ele.

Ontem quando chegou da escola começou a fazer um engarrafamento de seto ou oito carros na sua pista e passou horas a empurrá-los um a um por baixo do túnel, por cima da ponte e a começar tudo de novo. Não queria parar para jantar nem para ir para a cama. Acabou por comer aos bocadinhos e antes de se deitar teve que juntar os carros todos na mesa de cabeceira para ficarem ao pé dele.

Adoro ver a evolução das fases e o facto dele já ficar ali super concentrado a controlar o seu pequeno mundo. Vai-me dizendo qual é o papé, a mamã, o escavão e diverte-se imenso. De uma semana para a outra continuo a notar tantar diferenças!

Na linguagem começou a dizer o plural das coisas, mesmo quando não era preciso como em ‘outro carros’ 🙂

Domingo na Costa

No domingo fomos almoçar à  Costa. Nunca fazemos estas coisas porque costuma acabar com birra do Tiago e desta vez não foi excepção.

Primeiro passámos no Leroy para eu comprar umas caixas com gavetinhas para as minhas pedras (encontrei umas que cabem mesmo à  medida no meu armário) e depois fomos ter ao restaurante Sunrise onde já esperava o resto da famà­lia.

Fiquei agradavelmente surpreendida com o aspecto da Costa hoje em dia. Aquilo sempre teve um ar foleiro de barracas e está muito mais composto. Apesar da ventania tà­pica da Costa que pode ser um pouco desagradável à s vezes, sempre achei que a zona podia ser um óptimo sí­tio de passeio, com grandes capacidades de atracção turà­stica e que nunca tinha sido devidamente tratada. Demorou mas lá fizeram qualquer coisa.

O Tiago não aguenta um almoço inteiro sentadinho à  mesa e acabou por ter de ser passeado na praia duas vezes – uma pelo avà´ e outra por mim, que ia de saia esvoaçante e saltos altos, o que não é a vestimenta ideal para estas situações. No final consegui convencer o Tiago a voltar para o restaurante e até foi fazer xixi à  casa de banho sem fitas. Só quando nos queriamos vir embora é que resolveu que estava a gostar daquilo e fez uma birra desgraçada. Teve que ser levado ao colo, começou a bater no pai e acabou por ter de levar umas palmadas no rabinho para se acalmar. Não parou de choramingar mas pelo menos deixou de ser agressivo. É horrà­vel mas há alturas em que ele fica completamente descontrolado e não parece haver outra forma. Não podemos deixá-lo crescer a pensar que nos pode bater impunemente sempre que se irrita.

Enfim, o Pedro ficou super ansioso e voltámos todos muito chateados para casa. Quando chegámos dei-lhe sopa porque ele não tinha almoçado nada de jeito e quando parecia que estava a ficar cansado  e era capaz de dormir uma sesta, voltou a energia e passou a tarde a correr atrás do pai.

Fiquei com pena de não termos tido oportunidade de ficaqr mais um bocadinho na costa que está estava agradável. Talvez daqui a uns tempos nos apeteça repetir a dose.

à€s cinco a minha mãe veio buscar o Tiago para um passeio e demoraram cerca de duas horas. Foram ver os burros a Cacilhas e parece que ele gostou mas não se queria aproximar muito. Quando voltaram foi hora de jantar seguido de nova birra à  hora do banho, motivada pelo intenso cansaço de um dia muito preenchido.

O fim das fraldas

O treino de bacio do Tiago começou de forma difà­cil, mas já algum tempo que o Tiago começou a acordar com a fralda seca de manhã e mais recentemente começou a ir ao bacio por iniciativa própria sempre que precisava.

No sábado de manhã recusou a fralda por isso dei-lhe a escolher – fralda ou cueca. Preferiu a segunda opção, com um grande sorriso e passou o fim de semana sem fralda, sem problemas. Só à  noite é que continuamos com a fralda mas é apenas porque ele continua a insistir em vir dormir para a nossa cama a meio da noite e não estou para dormir num colchão ensopado.

No fundo acabou por ser um processo muito mais simples e natural do que temia e não foi preciso aquela violencia que me tinham aconselhado de lhe tirar as fraldas e deixa-lo fazer xixi pelas pernas abaixo até aprender. Mas pronto, já sabemos que nestas coisas há diversas escolas de pensamento e cada um faz como acha melhor.

Normalmente os meus posts sobre o Tiago têm sempre um lado negativo, porque ninguém pode negar que criar uma criança seja cansativo e por vezes frustrante, mas ultimamente tenho notado diversas coisas muito positivas no meu filho que quero deixar anotadas.

A sua personalidade teimosa é algo que faz com que seja uma criança difà­cl mas que acredito que vai ser um traço positivo quando for adulto. Nota-se que é persistente, apesar das suas crises de frustração serem bastante violentas, mas volta sempre ao ataque e não desiste.

Outro traço que acho muito positivo é a capacidade de atrasar a gratificação. É algo que se nota desde que era muito pequeno. Contruà­a torres para deitar abaixo mas aquilo que lhe dava mais gozo era o momento de antecipação antes de destruir tudo. Fazia sempre uma pequena pausa, acompanhada de um sorriso maroto.

Hoje em dia noto algo semelhante nos nossos passeios para casa ao fim do dia. A meio do caminho pede um ‘doce’ (ando sempre com um saco de gomas para emergências) mas em vez de comer a goma logo e pedir mais e mais, muitas vezes vai com aquilo na mão o caminho todo até chegar a casa e só depois é que a come. É como se o facto de saber que tem a hipotese de comer o doce fosse mais gratificante do que comê-lo e ficar sem nada.

Esta é uma qualidade muito importante nos adultos porque nos ensina a planear e esperar pelo resultado que queremos. Se o meu filho continuar assim acho que tem muitas possibilidades de se tornar uma pessoa que vou gostar de conhecer.

A caminho dos dois anos e meio, que completa no dia 11, noto também uma evolução enorme na linguagem. Já são tantas as palavras novas que deixei de conseguir acompanhar.

Começou a dizer o seu nome, quando aponta para uma foto dele e já sabe os números pelo menos até ao 8 – tanto a contar como por reconhecimento visual. Faz algumas confusões por vezes, com o 3 e o 5, por exemplo, mas não há dúvida que está a reter informação nova a um nà­vel impressionante. Também confunde por vezes o verde com o azul, algo normalà­ssimo para a idade, mas de resto reconhece as cores todas e já diz o nome de algumas. Começou a dizer ‘é meu’, ou mais precisamente ‘não papá, é meu’ – inicialmente fazia confusão e dizia ‘é teu’ mas a intenção era óbvia – e já faz uma série de outras frases. Termos de duas palavras como peixe balão, lobo mau, cão grande, é amarelo, são frequentes mas já começa a formar frases mais completas.

Na brincadeira está cada vez mais independente. Gosta que estejamos ao pé dele mas já consigo escrever um post inteiro como este com ele no quarto a brincar sozinho sem grandes interrupções – é o desenvolvimento que mais agrada, devo dizer 🙂

No geral tenho um filhote muito porreiro que me deixa sempre curiosa para ver o que vem a seguir.

cocó ‘cio

O meu filhote está quase inteiramente treinado para ir ao bacio. O xixi ainda é ocasionalmente na fralda mas o cocó, que era o mais complicado há umas semanas, já é sempre no bacio. O problema é arrancá-lo de lá depois. Fica sentado uma eternidade enquanto vai brincando – leva sempre um brinquedo para o bacio porque, como todos sabemos, é uma seca estar na casa de banho sem nada para fazer. Nunca pensei que se aprendesse isso tão cedo.

Também como todos nós, o Tiago não gosta de fazer cocó com pessoas a ver, por isso saio sempre do quarto para o deixar à  vontade. Mas depois do que aconteceu ontem, tenho a impressão que isso acabou.

Deixei-o no quarto e fui perguntando ocasionalmente se já estava e ele respondia que não. Esperei mais um bocadinho e ele veio ter comigo. ‘Então Tiago, já está? Vamos limpar o…’ e foi aà­ que vi que tinha as mãos todas sujas. Agarrei nele e levei-o a correr para a casa de banho para o lavar. Depois de lhe lavar as mãos um número infinito de vezes e escovar tudo muito bem, fui ver o estrago. Era cocó por todo o lado – no chão, cama, paredes, na camisola dele, enfim, um desastre completo.

Passei a meia hora seguinte a limpar e desinfectar e o Tiago sempre com um grande sorriso nos lábios. Devia ter tirado uma foto mas na altura tive alguma dificuldade em ver o lado cómico da situação.

O meu filhote está a crescer

Faz amanhã um ano que o Tiago entrou para a creche. Depois de um longo e difà­cil periodo de adaptação, tanto para ele como para mim, acabou por se integrar e até começar a fazer algumas amizades.

Hoje foi a mudança para a nova sala, ritual que acontecerá todos os anos. A educadora, os colegas e o recreio  são os mesmos mas o espaço é novo. O rapaz está a ficar crescido. Está quase a largar as fraldas e já completou um ano inteiro de escola.

A noite foi complicada outra vez, com o Tiago acordado até à  uma da manhã. Tentámos deitá-lo várias vezes mas passado um bocado estava levantado outra vez. Quando eu fui para a cama ele até estava a dormir mas acordou quando eu estava a lavar os dentes e foi ter comigo à  casa de banho. Acabou por se deitar connosco e dormiu na nossa cama a noite toda.

à€ hora de levantar o Tiago estava ferrado e nós também não tinhamos muita energia. Acabei por deixá-lo dormir até à s nove e meia. Com o tempo que demora a comer e vestir, só saà­mos de casa já perto das 11.

Quando cheguei à  escola estavam a fazer a mudança para a nova sala. Aproveitei para ajudar, mudando as coisas do Tiago. Ele não gostou muito da novidade e recusou-se a entrar para a sala. Tive de o levar ao colo e entregá-lo à  educadora e escolher eu o cacifo.

Pelo menos não ficou a chorar. Ia armado com o livro do Yakari (livro de BD dos anos 60 que era do pai e que ele agora herdou) e já tinha passado algum tempo naquela sala durante o último mês por isso não é inteiramente novidade.

Agora tenho de me lembrar de ir ter à  sala nova quando o for buscar 🙂

O và­cio dos Little Einsteins

Há uns meses o Tiago trocou o Mickey pelos Little Einsteins como desenho animado preferido. Mais do que isso – passou a ser a única coisa que estava interessado em ver. De manhã corre para a sala para ligar a televisão e o mesmo se passa quando chega da escola.

Nós gravamos aquilo no Meo para ele poder ver quando quer, o que temabém tem a vantagem de podermos dizer ‘oh, acabou! Vamos brincar para o quarto?’ quando chega ao fim da gravação –  assim não fica ali horas a fio a ver televisão como seria de esperar de outra forma.

A série é gira, apesar de algumas das vozes me continuarem a irritar, e graças a ela o Tiago reconhece imensos segmentos de música clássica e pinturas – descobriu recentemente o iman da Mona Lisa que temos no frigorà­fico e anda com ele atrás a dizer ‘bo ‘ita!’

Acho que a série também tem contribuido bastante para o seu sentido rà­tmico. O Tiago sempre gostou de música e as aulas de música e dança da escola têm ajudado mas nas últimas semanas, em que não tem tido actividades na escola, notou-se que tem desenvolvido bastante coisas como marcar o ritmo com os braços, bater palmas ao som da música ou quando toca determinado instrumento, e isso é obviamente de ver a série e participar nas partes interactivas dos episódios.

No domingo fomos comprar uns livros novos para ler ao Tiago quando vai para a cama porque farta um bocado estar sempre a ler a mesma coisa. O Tiago viu uns livros dos Einsteins e vi logo que não valia a pena procurar mais. Comprámos 4, que foram os que encontrámos diferentes, e ele adorou. Ontem quando acabou o desenho animado fomos para o quarto e estivemos a ler os quatro livros de seguida. Para um miúdo que normalmente não pára quieto foi uma surpresa. Alguns dos livros trazem autocolantes no fim, um item sempre cobiçado pelas crianças, e o Tiago esteve a escolher um de cada personagem e a colá-los na cama (primeiro tentou colá-los no seu braço mas acabou por ficar satisfeito com a cama como alternativa).

Hoje não queria ir para a escola, como é costume, porque queria ficar a ver os livros. Quando sugeri levar um para a escola ficou todo feliz e foi o caminho todo com o livro na mão. Na escola também não queria largar o livro. Ao contrário dos últimos dias em que fica a chorar, hoje foi sozinho para o recreio, sem fitas, armado com o seu livro. Não gostou quando os outros menino o tentaram agarrar mas deixou a auxiliar pegar no livro e começar a ler a história.

Parece que o Tiago já não sente tanta falta da mamã se tiver os seus amigos animados. Fui substituida pelos Little Einsteins.

Depilação, anéis e muito sono

A segunda feira foi um daqueles dias em que é preciso cronometrar tudo ao milimetro para conseguir chegara  todo o lado a horas. Comecei por levar o Tiago à  escola e depois fui para Lisboa a mais uma sessão de depilação laser.

Optei por fazer só axilas e virilhas desta vez uma vez que tenho as pernas levemente bronzeadas. Os pelos não desapareceram todos, ao fim de 6 sessões, mas abaixo do joelho não tenho quase nada. Só do joelho para cima é que se continuam a notar bastantes. Acho que por serem mais claros e mais finos o tratamento não está a ser tão eficaz.

Como foi uma sessão rápida, cheguei ao bairro alto a horas de ir à  loja da Rua da Rosa entregar os aneis que tinha disponà­veis, já que só sobravam uns 7 na loja. Por coincidencia logo no dia seguinte entrou uma senhora na loja que levou 14, aparentemente para uma loja no Japão. É óptimo mas quer dizer que preciso de fazer mais aneis e depressa. Passei os últimos dois dias a fazer uns quantos só em arame mas faltam pelo menos nove com contas para substituir os que foram comprados. É bom ter trabalho deste 🙂

Depois voltei para casa a tempo de beber um bocado de água e tricar qualquer coisa antes de ter que ir buscar o Tiago à  escola.

Na quarta à  tarde tive um workshop de introdução à  bijutaria de arame. Decidi começar por fazer um anel e só depois falar dos componentes porque passar duas horas a fazer apenas fechos, argolas, pregos e componentes de corrente sem ficar com uma peça completa não é o que as pessoas esperam. As pessoas que vão aos workshops querem sair de lá com algo ‘wow’ mesmo que nunca tenham mexido no alicate antes e eu tenho feito os possà­veis por lhes dar isso, algo complicado quando não se sabe o que a pessoa consegue fazer.

Não consegui perceber se as senhoras gostaram ou não. Acho que iam com expectativa de aprender algo especà­fico mas não conseguiram transmitir o que era, apesar de eu ter perguntado se tinham preferencias. No final percebi que uma das senhoras queria aprender a fazer pendentes wire-wrapped semelhantes aos que faço com pedras semi-preciosas e arame de prata. O problema é que essas peças têm alguns requintes de malvadez que só se contornam com alguma prática pelo que não é algo que costume ensinar a iniciados porque acaba por ser frustrante não conseguir manter o arame direitinho e paralelo ou atar o topo sem deixar fugir a pedra, por exemplo. E no fundo o anel que fizemos, e que já deu luta, tinha algumas das técnicas básicas usadas no pendente.

Quando o workshop acabou fui a correr buscar o Tiago para chegar a horas.

Uma das ruas por onde tenho de passar tem constantemente um prédio a ser pintado e os andaimes ocupam todo o passeio obrigando as pessoas a ter de andar pela estrada. Cada vez que um prédio fica acabado respiro de alà­vio mas umas semanas depois começa outro. Isto torna a viagem muito cansativa porque tenho que estar sempre a lembrar-me que aqui ou ali preciso de atravessar a rua para o outro lado. Quando levo o Tiago de manhã, geralmente já atrasada e vamos com o carrinho é um pesadelo porque a passadeira mais próxima é muito longe e se não me lembro de atravessar lá tenho que ficar ali à  espera de um intervalo entre carros e ter de me atirar para a estrada com o carrinho do Tiago. Odeio ter de fazer isso porque aquilo é uma subida e os carros vão a abrir.

As noites continuam a ser um desafio. O Tiago decidiu que não quer dormir sozinho e acorda todas as noites por volta das duas da manhã. Umas noites deita-se na nossa cama, adormece e pronto. Outras vem para a nossa cama mas anda aos pinotes, dá pontapés no pai, vira-se ao contrário e não deixa ninguém dormir. Levá-lo para a cama é inútil porque eu espero que ele adormeça antes de sair do quarto mas meia hora depois ele está de volta.

Não consigo deixar de achar piada porque ele vem para o quarto, trepa para a cama e deita-se entre nós dois. Passado um minuto levanta-se, vai buscar a almofada à  cama dele e volta. Nada como o conforto.

Por mim aquilo que penso é – será que alguma vez vou voltar a dormir uma noite inteira? E eu que pensava que as noites interrompidas tinham acabado.

Esta noite acordou à s duas e foi para o hall resmungar até cerca das quatro da manhã. Não percebi se voltava para a cama de vez em quando ou se ficou o tempo todo sentado no chão do hall. à€s quatro fartou-se de protestar e veio para a nossa cama onde dormiu até à s nove e meia. Lá fomos atrasadà­ssimos para a escola outra vez, depois de uma birra porque não se queria vestir, mas pelo menos hoje não ficou a chorar na escola. Sabe que ando com bolachas e gomas na mala e pediu uma quando me despedi. Ficou com um grande sorriso quando lhe dei um gummy bear. Pode não ser great parenting andar a subornar a criança com doces mas a verdade é que ele até mereceu por não ter feito birra na escola.

Tenho sono. Tenho imensas coisas que quero e preciso de fazer e não me consigo concentrar mas também não consigo ir dormir. Oh well, é mais uma fase que um dia destes passa sem darmos por nada.

O desfralde

Durante o tempo que passa em casa o Tiago adaptou-se perfeitamente ao uso do bacio. Já vai ser ser preciso dizer-lhe nada e depois vem ter connosco com o bacio na mão dizendo repetidamente ‘já tá!’

No entanto este sucesso estrondoso está directamente relacionado com o facto de ter começar a recusar vestir-se quando está em casa. Primeiro não queria fralda e agora não quer qualquer tipo de roupa. Passeia-se alegremente nu pela casa todo o dia e vai assim habituando-se a usar o bacio. Quando está vestido ou tem fralda, acabou-se. É como se o objecto deixasse de existir.

Sei que vou agora ter de começar a treiná-lo para usar o bacio quando está vestido mas isso vai demorar algum tempo. Acho que vou adiar até ao final do verão para ver se acontece naturalmente. Enquanto estiver calor e ele não precisar de usar roupa prefiro não ter de me chatear com isso.

A parte noturna acaba por ser a que corre melhor. Os livros de bebés falam em acordar os miúdos a meio da noite para irem à  casa de banho, algo que me pareceu sempre uma violencia e que provavelmente resultaria apenas em birra e o resto da noite sem dormir. Felizmente descobri que não parece ser um problema porque há bastante tempo que o Tiago acorda todas as manhãs com a fralda seca. É verdade que depois arma confusão para tirar a fralda e usar o bacio a primeira vez mas com um bocadinho de paciencia até tenho conseguido que colabore.

A parte de dormir é que tem dias. A noite passada o Tiago adormeceu na minha cama e o Pedro depois levou-o para a cama dele quando se foi deitar. Eu estava tão cansada que nem dei por isso e só acordei de manhã. Esta noite deitei-me ao lado do Tiago na cama dele e ele adormeceu bem e até agora não voltou a levantar-se. Mas como foi dia sem sesta – ao contrário de ontem que adormeceu no sofá a ver o Star trek – estava bastante cansado.

Enfim, todos os dias são um desafio mas ele vai crescendo e continua a fazer-me sorrir diariamente, de uma forma que compensa muitas noites sem dormir e muitos momentos de irritação.