Top dos desconfortos fà­sicos mais irritantes

O Tiago tem estado doentinho outra vez. Está novamente constipado e para além disso tem a gengiva inchada e negra no sí­tio onde está a nascer uma dos novos dentes por isso andava a queixar-se um bocado quando comia. Já parece estar um bocadito melhor excepto do nariz entupido que é sempre uma grande chatice porque ele não gosta nada de ter que limpar o nariz.

Eu também acordei há dois dias com uma infecção urinária. Já não tinha há imensos anos por isso nem me lembrava do enorme desconforto que essas porcarias podem ser. Felizmente comecei logo a medicação e hoje já me sinto melhor. Mas isso deu-me a ideia de fazer um top dos desconfortos fà­sicos mais irritantes. Não estou a falar de um qualquer desconforto mas sim daqueles que fazem com que o nosso cérebro não consiga ultrapassar aquilo e pensar noutra coisa.

Ainda não sei em que ordem por e faltam uns quantos para fazer uma lista decente. Vejamos: dor de dentes, cólicas daquelas em que se fica a suar, infecção urinária, nauseas, e mais? Uma martelada num dedo não é muito agradável mas é mais passageiro…. Bolas, será que não consigo fazer sequer um top 5? Nem acredito!

Aceitam-se ideias e votos.

A aldrabice do custo fixo da Esso

É claro que já seria de esperar, mas não deixo de achar fantástica a lata com que estes gajos fazem o que querem sem sequer tentar disfarçar.

Olhei hoje para a factura da Esso gás onde me deparei com o item ‘custo fixo’ na quantia de 2,60 euros. Primeiro fartei-me de rir mas depois fiquei um bocado irritada. Para ter a certeza agarrei no dossier das facturas e fui ver as facturas anteriores. E lá estava: o valor de ‘aluguer de contador’ passou agora a ‘custo fixo’ sem qualquer explicação. Isto porque saiu uma lei proibindo a cobrança do aluguer dos contadores por partes das empresas de electricidade, água e gás mas os sacanas não querem perder aquilo que devem ser uns bons trocos todos os meses e andam a ver se conseguem dar a volta à  questão limitando-se a mudar o nome da coisa. A lei, porém, diz que mudar o nome e continuar a cobrar o aluguer dos contadores é proibido e como tal a Esso gás está a cobrar ilegalmente 2,60 euros mensais a todos os seus clientes. Se isto não é a definição de roubo não sei o que é.

O mais fantástico em tudo isto é que não contentes com cobrar um valor indevido estes grandessà­ssimos sacanas ainda tiveram a lata de subir o valor!!! O aluguer do contador era 2,40 euros e este novo custo que ninguém sabe o que é passou a ser 20 cêntimos mais caro.

Eu até acho que os americanos são uns exagerados com aquela mania de processar toda a gente a torto e a direito, mas em alturas como estas começo a achar que devismos ser só um bocadinho mais assim porque há casos destes em que apetece mesmo.

Redes gateiras

Conseguimos finalmente arranjar quem nos viesse instalar redes mosquiteiras nas janelas das varandas. Andamos há anos a pensar nisso e até chegámos a contactar uma empresa de aluminios que marcou e depois não apareceu porque se não é para fazer a varanda toda não interessa.

É claro que não estamos tão interessados em manter os mosquitos fora de casa como em impedir que os gatos se atirem do oitavo andar. Há anos que não podemos abrir as janelas mais do que uma pequena fresta o que é uma grande chatice porque nos impede de arejar a casa convenientemente. E como o Tiago está a crescer também não faz mal nenhum ter esta medida de segurança adicional.

Graças à  minha cunhada que nos trouxe um folheto que descobriu no veterinário de uma empresa especializada em redes mosquiteiras, resolvemos finalmente avançar.

Pedimos um orçamento por mail e obtendo um valor que considerámos aceitável resolvemos avançar. O Sr. António veio cá tirar as medidas na passada quarta feira e hoje de manhã veio instalar. As redes correm por dentro da janela e são praticament invisà­veis.

Posso finalmente abrir as janelas sem passar o tempo preocupada com panqueca de gato no passeio.

O primeiro beijinho

O ritmo de crescimento do Tiago continua a ser impressionante. Aos 16 meses já chega com os pés ao suporte da cadeira de comer, já liga o piano e os brinquedos dele no interruptor e já percebe que há certas coisas que não consegue fazer sozinho e vem pedir ajuda – vai buscar o comando da televisão e passa-mo para a mão em vez de ficar a carregar nos botões ao acaso como costumava fazer, vai buscar um livro e vem para o colo para eu o ler, dá-me a varinha quando quer que eu faça bolas de sabão, etc.

Hoje calçou pela primeira vez um sapato sozinho e subiu para a cadeira de baloiço sem ajuda. E ontem à  noite deu-me o primeiro beijinho 🙂

Ele é um grande ciumento e não pode ver o pai a dar-me beijinhos. Vai logo separar-nos e bater no pai. Quer a atenção toda para ele. Ontem à  noite foi uma dessas ocasiões. E quando o Pedro se levantou para ir à  casa de banho o Tiago aproveitou e veio ter comigo, esticou a cabeça para ficar com a bochecha a jeito para eu lhe dar um beijinho e depois virou-se para mim de boca aberta e eu fiz o mesmo e tive direito a um beijinho dele.

Ele já andava a treinar os beijinhos na mão dele há algum tempo mas directamente na cara de outra pessoa foi novidade. É giro ver que as expressões de afecto se vão desenvolvendo porque no primeiro ano de vida são praticamente inexistentes. E é interessante ver que como o exemplo é tão importante. Ele só faz porque vê fazer.

Cassandra’s Dream e In Bruges – Cassandra’s Dream and In Bruges

Por coincidência vi dois filmes com o Colin Farrell de seguida. Mas o mais estranho é que a história e as personagens dos dois filmes tinham imensos pontos em comum. Os filmes são ‘Cassandra’s Dream’ e ‘In Bruges’.

Este post tem montes de spoilers por isso considerem-se avisados.

Primeiro vi o Cassandra’s Dream do Woody Allen em que o Ewan McGregor e o Colin Farrell são irmãos que aceitam matar um tipo como forma de resolver a sua situação financeira. O personagem do Colin Farrell fica cheio de remorsos, começa a falar em suicà­dio e o irmão chega à  conclusão que ele precisa de ser eliminado porque se tornou um risco. No segundo filme, In Bruges, temos dois assassinos que depois de despachar a sua và­tima são mandados para a Bélgica pelo tipo que os contratou. Novamente o personagem do Colin Farrell está roà­do de remorsos, pensa em suicidar-se e o companheiro tem a missão de o matar.

São ambos filmes intimistas, que vivem dos dois actores principais e da sua luta moral. O primeiro tem um ambiente mais pesado e opressivo, ajudado também pela música, mas chegando ao fim ficou a sensação de ser um bocado seco.

O segundo filme começa muito lentamente e parece até um bocado chato mas a partir do meio ganha algum interesse e chega a ter uma ou duas cenas mais humorà­sticas. A minha cena preferida do filme é quando o Colin Farrell e o Ralph Fiennes estão a discutir o como e quando da cena de tiros que se vai seguir, o perseguido dando instruções ao perseguidor.

O que me pergunto é, o que leva um actor a fazer dois papeis tão semelhantes? Será que já se tinha esquecido do filme anterior?

Talk about being typecast…

O vicio

No sábado fomos comprar uns sapatos novos ao Tiago porque os que ele tinha estavam já muito pequenos, algo que acontece de um mês para outro.

Acabámos por comprar uns crocs que são frescos mas fechados à  frente (o que dá jeito para os pontapés na bola). O único inconveniente é que são demasiado faceis de tirar.

Ontem foi a vez do corte de cabelo. Não quis fazer nada demasiado radical mas o miúdo já tinha a franja a entrar para os olhos por isso, depois do almoço, deixei-o sentado na cadeira e dei-lhe uma aparadela à  frente, atrás e por cima das orelhas. Ele esperneou um bocado mas lá acabou por deixar cortar. É incrivel como uma pessoa muda tanto só por causa de um corte de cabelo 🙂

Entretanto continua a luta por causa da televisão. O Tiago está completamente viciado no Pocoyo e irrita-se quando desligo a televisão. De 5 em 5 minutos volta para a sala, senta-se no sofá, aponta para a tv e diz ‘dá!’. E se eu não ligo ele vai mexer nos botões todos a ver se consegue ligar ele. Acaba por por coisas a gravar, fazer eject ao DVD e desligar a tv no botão, mas isso não o impede de continuar a tentar.

É muito cansativo estar constantemente nesta batalha e por isso acabo por ceder ocasionalmente. Deixo-o ver um episódio, que dura 7 minutos, e depois desligo outra vez e levo-o para o quarto. Vamos brincar com o puzzle de madeira, fazer torres de copos, dar uns pontapés na bola ou no balão mas ao fim de um bocadinho lá vai ele outra vez.

A única coisa que funciona é sair de casa por isso tento levá-lo ao jardim ou até só subir e descer a rua durante um bocado.

Não é que eu ache mal ele ver televisão. O Pocoyo é um desenho animado muito giro, é didático, não lhe faz mal nenhum e diverte-o. Mas o Tiago é um miudo tão activo que não quero que ele deixe de se mexer para passar os dias a vegetar em frente à  TV. De resto não me chateia nada já que sou eu que decide o que ele vê: só vê coisas gravadas para não andar a levar com anuncios a brinquedos e porcarias do estilo nem coisas altamente violentas nos intervalos dos desenhos animados.

E também já notei que ele é muito selectivo. Não se interessa por qualquer coisa. Quando está a dar algo que não lhe diz nada ele desliga e vai fazer outra coisa. Acaba por ser a melhor técnica à s vezes, especialmente à  noite quando já não tenho energia para discutir com ele – por uma coisa que não lhe interesse, com o som baixinho e depois ir para o chão brincar com ele.

Mãe doente

Ontem de manhã o meu pai ligou para dizer que a minha mãe tinha tido um dos seus ‘ataques’ na noite anterior. Já tinha enviado um SMS de manhã cedo mas no meio da confusão matinal que é alimentar o Tiago e arrumar a cozinha não tinha dado por nada.

Para clarificar, os ataques da minha mãe são causados por uma arritmia cardà­aca que ocasionalmente dão origem a perda de consciencia e até paragem cardà­aca. Já teve de ser reanimada e esteve internada e por isso é sempre um grande pânico quando começam a surgir sintomas novamente porque num caso mais grave, sem intervenção médica imediata não há grande coisa a fazer.

O meu pai disse que a minha mãe tinha ido ao dentista no dia anterior fazer uma cirurgia dentária complicada e tinha-se sentido mal durante a noite, com vómitos e desmaios. Como disse também que ela tinha ficado a dormir e que ele já estava a chegar a casa parti do principio que estava tudo controlado e decidi passar lá por casa de tarde quando o Tiago acordasse da sesta.

Só que quando cheguei ela não estava melhor. Não se conseguia mexer sem nauseas, estava com a cara inchadà­ssima por causa do dente, ao ponto de estar quase irreconhecà­vel, continuava a vomitar e a desmaiar e não tinha conseguido manter nada no està´mago, incluindo là­quidos, há quase 24 horas. Cheguei a assistir a uma dessas crises durante a minha visita e achei que não fazia sentido nenhum estar para ali à  espera que aquilo passasse por si porque o risco era demasiado grande. Comecei a fazer sugestões e a tentar arranjar uma solução. Sugeri motilium ou algo semelhante para ver se pelo menos os vómitos paravam e ela conseguia beber qualquer coisa mas como não conseguia engolir o comprimido sem vomitar só havia a possibilidade do injectaval. O problema aqui era não haver ninguém com experiencia para dar a injecção.

Liguei aos meus sogros mas eles estavam nas compras por isso parecia que a única hipotese era chamar uma ambulancia para ver se no hospital lhe davam a injecção e um bocado de soro.

A ambulancia demorou uma eternidade e o Tiago estava a ficar muito irrequieto, em parte porque acho que se apercebeu que não estava tudo bem, e acabei por ter que me ir embora. Senti-me mal por deixar o meu pai sozinho a tratar de tudo mas não tinha grandes hipoteses.

Liguei passado um bocado e já tinham chegado ao hospital mas o meu pai não sabia de nada. Passada hora e meia recebo um telefonema a dizer que a minha mãe se fartou e saiu do hospital. Considerando que ela mal se conseguia mexer achei isto muito estranho.

Quando eles chegaram a casa disseram que a minha mãe tinha passado essa hora e meia nas urgencias do hospital sentada numa cadeira à  espera de ser atendida, mesmo depois de se ter identificado como médica, ter descrito a história clà­nica toda e dito o que precisava. Disseram-lhe que não podia fazer nada e tinha de esperar pelo médico e nem deram por nada quando ela voltou a desmaiar.

Ou seja, se estiverem mal evitem as urgencias do Garcia de Orta a todo o custo.

Por esta altura achei que a única hipotese era irmos nós comprar a injecção e por isso voltei a falar com os meus sogros que se ofereceram para ir lá administrar a dita.

Hoje de manhã já se estava a sentir melhor, já tinha comido e não voltou a vomitar, por isso parece que o pior já passou. Tanto quanto percebi foi um caso de reacção à  anestesia do dentista que despoletou o resto. Esperemos que ela não precise de fazer nada do estilo nos próximos tempos. E o coitado do meu pai deve ficar de rastos depois de ter que lidar com estas coisas, ainda por cima sozinho.

Acho que na minha familia são todos demasiado orgulhosos para pedir ajuda e isso só complica. A minha mãe prefere passar um dia inteiro a sentir-se mal antes de admitir que há qualquer coisa que possa ser feita e o meu pai vai aguentando sem saber o que fazer e sem dizer nada a ninguém. Sei que agora é capaz de ser um bocado tarde para mudar atitudes mas bolas! É para estas coisas que serve a famà­lia! Não digo que eu possa fazer grande coisa mas pelo menos posso tentar. Preciso é de saber o que se passa.

Novamente a ver filmes – Watching movies again

Agora que estou sem o mac e não posso fazer muito do trabalho que me ocupava o tempo das sestas do Tiago, como actualizar a loja, tenho passado esse tempo a fazer peças novas enquanto vou vendo alguns filmes que estavam na lista há algum tempo mas que não tinha tido oportunidade de ver.

Estou um bocado de fora desta coisa dos filmes mais ou menos desde 2004. Dantes sabia sempre que filmes iam sair e quais me interessavam e agora é mais uma questão de andar a escavar nos arquivos dos últimos 4 anos a ver quais me escapavam que até seria capaz de gostar.

Vi nos últimos dias dois filmes de que gostei bastante. O primeiro chama-se The Notebook e já é precisamente de 2004. Em português tem o tà­tulo altamente foleiro ‘O Diário da Nossa Paixão’ que só por si me manteria afastada se não tivesse já uma ideia positiva do filme.

Para quem gosta de filmes românticos este é de facto um filme imperdà­vel. Os actores são bons, a história também, com obstáculos suficientes para a tornar interessante mas sem aquelas coisas irritantes que são tão tà­picas em alguns filmes do género – como uma grande tragédia mesmo no momento em que os personagens estão prestes a reencontrar-se. Nada disso. É uma história que apesar de ter alguns momentos mais fantasiosos acaba por ser suficientemente credà­vel para nos transportar até ao fim com a sensação de estar a ver um bom filme e querer saber mais.

O segundo filme chama-se August Rush. Ao contrário do Notebook é uma história altamente improvável e irrealista mas não deixa de ter o seu charme. É um melodrama sobre um rapazinho de 12 anos que cresceu num orfanato e que decide ir à  procura dos seus pais. Acaba por demonstrar ser um prodà­gio musical e está convencido que a música o levará até aos pais. É assim uma espécie de Billy Elliot com música em vez de Ballet mas um pouco mais lamechas e sem o sentido de humor. Mas se desligarmos o cérebro por um bocado o filme vê-se bem, é muito emocional e fartei-me de chorar – não porque acontece alguma coisa de altamente dramática à  criancinha, algo que seria imperdoável num filme destes, mas porque desde que me tornei mamã tornei-me ultra sensà­vel a histórias lamechas sobre criancinhas.

Depois de ler o parágrafo anterior apercebi-me que parece que não achei piada nenhuma ao filme, o que não é verdade. Gostei de ver o filme. Simplesmente é preciso vê-lo como um conto de fadas e não como uma história realista. Num bom conto de fadas têm de existir dificuldades e possivelmente um lobo mau para que a vitória final tenha sentido e desse ponto de vista o filme funciona lindamente.

Visita ao Zoo

No domingo de manhã levámos o Tiago ao Jardim Zoológico. Apesar do desastre que foi o Oceanário achámos que valia a pena tentar de novo nem que seja para ver se ele se habitua a estas coisas. A ideia foi do Fernando e da Lena que planeavam levar o Miguel e assim fomos todos juntos.

Apesar de termos chegado cedo depressa me apercebi que o paà­s em peso tinha decidido ir ao zoo nesse domingo e estava um verdadeiro exército na fila das bilheteiras. Ainda pensei em comprar bilhetes para o Fernando e a Lena que ainda não tinham chegado mas a bilheteira é também a entrada e com tanta gente não dava para sair e voltar a entrar. Suponho que há outro sí­tio qualquer para bilhetes pré-comprados mas era demasiado confuso ir à  procura e arriscar-nos a ficar ali ainda mais tempo.

Com isto tudo só entrámos à s 11.00h. Como o Tiago se tinha levantado à s 8 daqui para a frente foi uma luta contra o sono.

Olhámos para o programa e estava na hora do espetáculo com os golfinhos. Como ainda estavamos à  espera do Fernando e da Lena que estavam entalados na fila para os bilhetes, resolvemos entrar porque pelo menos era um sí­tio simples para nos encontrarmos. Pouco tempo depois arrependi-me seriamente. Ao fim de meia hora acabámos por não ver nada de golfinhos, o Tiago não parava quieto e só queria descer as escadas, o espetáculo em si é um bocado pateta com aquela coisa de tentarem contar uma história de piratas que não tem piada nenhuma e acabámos por sair no intervalo (que é apenas uma oportunidade de fazer publicidade à  Olá) antes que os miúdos se fartassem de vez já que não estavam a ligar muito.

Os leões marinhos são de facto muito giros mas para quem vai ver os animais não era preciso o resto. Compreendo que aquilo seja para crianças de uma determinada idade e que com aquela onda de circo atraem mais gente mas não é mesmo o meu estilo.

Fomos então ver o resto da bicharada. Vimos Tigres a dormir à  sombra, ursos a dormir à  sombra, leões a dormir à  sombra… bom, percebem a ideia, certo?

Os macacos aranha são muito giros e fartaram-se de saltitar e acho que ainda foi a única coisa que conseguir chamar a atenção do Tiago momentaneamente. De resto não ligou a nada.

Já não ia ao zoo há muitos anos e não há dúvida que têm vindo a fazer sérias melhorias em termos de acomodação dos bichos. Basta comparar o habitat dos gorilas com as jaulas antigas que se vêem mais à  frente e que parecem verdadeiras prisões.

Os elefantes, e em especial o macho que está separado dos outros, são verdadeiramente impressionantes e só é pena que tenham tão pouco espaço em relação ao seu colossal tamanho e que seja apenas uma área de cimento sem um toque um pouco mais naturalista.

É pena que seja caro e complicado renovar tudo ao ritmo que seria desejável e é pena que seja sequer necessário haver zoos porque muitos dos animais parecem um bocado tristes mas é bom saber que pelo menos há uma tentativa de fazer melhorias.

O Tiago acabou por adormecer no carrinho a meio da visita e depois acordou quando chegou ao carro. Quando chegámos a casa tentámos convencê-lo a dormir mas ele já consegue abrir o estore da janela e com a luz a entrar não adormece. Acabei por ir buscá-lo e mudar o quarto para ele não chegar à  janela antes de tentar po-lo na cama novamente. Custou um bocado a adormecer, penso que em parte por causa da mudança, mas lá acabou por dormir.

O gato roeu o cabo de alimentação do mac

Há muito que os nossos gatos gostam de roer cabos eléctricos. Já estragaram um carregador de telemóvel, um transformador ou dois e agora, depois de já estar bastante mastigado, com uma última dentada, conseguiram finalmente estragar de vez o cabo de alimentação do meu mac. A culpada foi a Buffy mas não consegui castigá-la porque nos últimos tempos tenho andado a fazer um esforço para que ela ganhe coragem para vir para o colo e não queria estragar tudo.

O que tudo isto quer dizer é que se já era dificil eu sentar-me ao computador e escrever qualquer coisa agora é praticamente impossível, pelo menos até resolver o problema.

O cabo novo já está encomendado. Vamos ver.

De repente tornei-me mamã

É obvio que me tornei mãe há algum tempo atrás mas ultimamente tenho visto a situação de outra forma.

Dou comigo a imaginar que imagem é que o Tiago tem de mim agora que passo o tempo na cozinha a preparar as refeições dele enquanto ele está na sala a ver o Pocoyo. Pra ele tudo isso é muito natural. Eu sou a chata que lhe diz que está na hora de comer, de lavar as mãos, de tomar banho, de ir dormir, que lhe desliga a televisão, que não o deixa brincar com tesouras. Eu, que evitava passar mais de 10 segundos na cozinha de cada vez agora tenho de andar a olhar para o relógio para poder ir preparar a comida dele na hora certa – comida esse que felizmente não tenho que ser eu a cozinhar – isto de ter um marido que cozinha dá montes de jeito. Ou seja, passei a transmitir uma imagem de domesticidade que vai inteiramente contra o meu instinto porque agora é preciso fazer essas coisas pelo Tiago.

É claro que quando chega a vez de eu comer agarro mais facilmente num pacote de bolachas e num copo de leite do que vou fazer comida para mim, mesmo que seja só fazer massa para acompanhar a bolonhesa que já está pronta no frigorà­fico. Mas essa parte o Tiago não vê porque está a dormir a sesta.

No fundo sinto-me um bocado uma fraude mas também me ajuda a compreender melhor que os meus pais e os pais dos meus amigos quando eu era pequena sofriam potencialmente do mesmo mal, que essa coisa de ir cozinhar o jantar era uma grande seca para eles e só o faziam porque tinham de o fazer.

É claro que isso não é uma conclusão nova para mim. Aliás, assim que eu e o meu irmão nos tornámos mais crescidos passou a ser mais ‘olhem, têm ovos e fiambre no frigorà­fico, façam uma omelete para o almoço’ e pronto. Já estão crescidos, desenrasquem-se. Isso resultou em duas personalidades distintas: eu odeio cozinhar e o meu irmão adora, porque se tinha de ser ele a fazer a comida isso dava-lhe liberdade de fazer o que gostava em vez de ter que aturar aquelas coisas nojentas que nos obrigavam a comer como mioleira e o coelho que estava vivo na noite anterior e a quem eu tinha feito festinhas. A minha relação com comida nunca mais foi a mesma. Mas durante a infancia havia aquela ideia da mãe que trata de tudo e que o faz porque é assim mesmo.

É então interessante ver agora quanto uma pessoa altera o seu comportamento natural para bem dos filhos e faz coisas que normalmente detesta sem sequer se queixar muito porque agora têm de ser feitas. Mas isso vai criar uma noção falsa da realidade nos nossos filhos. O que eles vêm é uma mamã que gosta de passar o tempo na cozinha a preparar comida e lavar a loiça em vez de uma mamã que passa o tempo na cozinha a desejar ter dinheiro suficiente para contratar alguém para fazer aquilo por ela e só o faz porque gosta muito do seu filhinho e quer o melhor para ele.

Mas ser mãe é uma decisão nossa e não requer compreensão nem adoração por parte dos filhos. Nós é que os adoramos a eles e se fizermos um bom trabalho pode ser que eles não nos odeiem muito quando passar finalmente aquela parte chata da adolescência.