10 anos

Eu e o Pedro fazemos hoje 10 anos de casados. Não sei bem como é que passou tanto tempo. mas cá estamos. Por um lado é bom não dar pelo tempo. Quer dizer que não custou assim tanto a passar. Se vivesse com uma pessoa de quem já não gostava suponho que cada dia pareceria uma eternidade.

E como namorámos 9 anos antes de nos casar, no total já são quase 20, o que é ainda mais espantoso.

Pelo meio ficaram uma série de coisas boas e más. Acho que as boas se esquecem mais facilmente do que as más, mas temos conseguido superar as dificuldades e arranjando paciencia e força de vontade para aguentar aquilo que não se pode mudar de um dia para o outro.

Penso que precisamos de aprender a apreciar melhor os momentos bons para que fiquem gravados na memória mais vividamente mas somos os dois um bocado cà­nicos e pessimistas o que torna tudo muito mais cinzento. Mas pelo menos temos algo em comum.

No principio de uma relação uma pessoa pensa que vai dar algum trabalho mas ao fim de algum tempo será possível entrar em sintonia. Ao fim de dez anos torna-se claro que o facto de terminarmos as frases um do outro não quer dizer que a relação dê menos trabalho a manter. É preciso um esforço constante para não deixar que a falta de tempo, o cansaço, as preocupações de trabalho, as tarefas domésticas, etc se atravessem irremediavelmente no caminho criando um afastamento inultrapassável. Dá muito trabalho mas continuo a achar que vale a pena. Ainda não estou farta e não quereria estar com mais ninguém. E isso é tudo o que interessa. E é bom saber que nos momentos dificeis posso contar com o meu melhor amigo.

Vamos jantar fora para comemorar 10 anos de aturar duas pessoas dificeis, teimosas e com montes de defeitos de livre vontade 🙂

O fim da praga

Ainda nem acredito mas parece que os nossos horrivelmente barulhentos vizinhos de cima se mudaram finalmente!

Parece que estavam à  espera do final do ano lectivo das miúdas e depois de uns dias de marteladas e os dois elevadores ocupados horas seguidas, deixámos de os ouvir.

Será possível? Ainda pensei, será que foram só de férias? Mas no último dia era óbvio que o quarto estava vazio porque as vozes faziam eco, por isso parece que terá sido mesmo de vez.

Espero que vão para longe e não voltem.

E desde já quero aproveitar para pedir desculpas antecipadas aos próximos vizinhos da vaca histérica mas olhem, paciencia. Acho que já paguei pelos meus pecados passados e futuros ao aturar esta gaja tanto tempo. Agora é a vossa vez.

O aniversário

No dia 25 de junho foi o aniversário da minha mãe que nos convidou a jantar no indiano. Este ano até me ocorreu uma prenda gira (porque comprar prendas é mais complicado a cada ano que passa) e o restaurante era perto de casa o que dá imenso jeito quando se sabe que a certo ponto vai ser preciso ir meter o miúdo na cama.

O problema é que o Tiago já anda e por isso acabou-se aquela coisa de o ter sentado no carrinho ou ao colo durante a refeição. Quando tentámos sentá-lo numa cadeira alta para bebés desatou a berrar e tivemos de desistir da ideia. Ele só queria ir explorar e por isso passei o jantar todo atrás dele pelo restaurante fora a tentar evitar birras e quedas pelas escadas abaixo.

Em resumo: acabaram-se os restaurantes até ele conseguir parar quieto ou alguém se oferecer para estar de serviço porque eu não tenho paciencia para isto.

E ainda por cima a comida não era o que eu queria. Há dias em que não temos mesmo sorte nenhuma.

O Oceanário

No último dia das férias do Pedro resolvemos levar o Tiago ao Oceanário. Já diversas pessoas nos tinham dito que os respectivos filhos adoraram aquilo por isso resolvemos experimentar.

Não diria que foi um falhanço total mas andou lá perto. O Tiago adorou a rocha da primeira sala, a alcatifa e os holofotes de chão do corredor antes da sala das lontras e pouco mais. Por mais que tentasse chamar-lhe a atenção para os diversos bichos ele não só não ligava como a certo ponto achei que ficou com medo de alguns dos peixes brutalmente grandes do tanque central.

A meio começou a ficar irrequieto e rabujento e a única coisa que ainda o interessou antes de resolvermos desistir e vir embora foram as escadas que tentou trepar de volta para o piso de cima.

Oh well. Daqui a um ano ou dois pode ser que já ache mais piada.

Novas Tiaguices

O Tiago começou finalmente a falar regularmente. Em vez de passar os dias caladinho e se limitar a a apontar para as coisas e fazer ‘mmmmm’ agora diz ‘dá’ com toda a determinação, apontando para o que quer.

O olá continua presente mas não voltei a ouvir o bye-bye. E começou a perder um bocado o interesse pelo Baby TV começando a prestar mais atenção ao Pocoyo que é dobrado em Português. Dá um bocado a sensação que optou por escolher uma lingua e largar a outra e isso levou-o a ganhar mais confiança a falar.

Começou novamente a dizer mamã, agora já associado ao significado em vez de ser apenas pelo som. Sapato é que continua a ser ‘bá’, apesar de por vezes já soar a ‘pá’. Bola também é ‘bá’ ou ´bo’, depende se está com paciencia para se esforçar a dizer uma vogal diferente ou não.

Também já voltou a dizer ‘ga’ apontando para um dos gatos, coisa que não fazia há algum tempo. Parece que andou a armazenar informação durante uns tempos e só agora é que começou a usá-la.

E em rarissimas ocasiões começou a tentar formar frases de duas palavras como ‘dá bo’ para ‘dá a bola’ e ‘mamã dá’ para outras situações. Isto só acontece quando o simples ‘dá’ não obtem resultados imediatos e o objecto a obter é suficientemente aliciante para merecer o esforço.

A compreensão de palavras que ainda não diz torna-se cada vez mais obvia. Quando digo a frase ‘o chapéu é na cabeça’ ele toca na cabeça. Quando digo ‘o sapato é no pé’ ele toca no pé. Quando digo ‘vamos tirar a camisola’ ele estica o braço para puxar a manga.

Também começou a copiar certas coisas que nos vê fazer. A mais divertida é agarrar na embalagem do creme hidratante que lhe pomos todas as noites, abrir a tampa com os dentes, tirar um bocadinho de creme com o dedo e começar a espalhar na barriga. É impagável. Faz o mesmo com o frasco de shampoo, esfregando a cabeça e já lava os próprios dentes com a escova. Só esfrega os de baixo mas já é qualquer coisa. Também já começou a esfregar as mãos quando as vai lavar antes das refeições e desenroscou a sua primeira tampa na passada sexta feira. Também já bebe água pelo copo ou garrafa sem se engasgar demasiado, o que é um grande avanço.

As refeições correm melhor uns dias e pior outros. Geralmente o almoço é pior que o jantar porque está já cheio de sono e pronto para a sesta. Mas já começou a comer carne e peixe com o garfo. Ainda tenho que o ajudar a picar a comida porque ele é capaz de tentar e levar o garfo vazio à  boca umas quantas vezes antes de conseguir espetar a comida uma vez e se falha muito fica frustrado e atira tudo ao chão. E é preciso ter muita atenção para que não arranhe a cara com o garfo que mesmo sendo de plástico não deixa de ter alguns riscos.

Continua a ter uma grande preferencia por telemóveis mas usa qualquer coisa como telefone, encostando à  orelha e depois passando-o a mim para fazer o mesmo. Se tiver botões, como o comandos da televisão, é melhor mas não indispensável.

Começou a brincar com autocolantes e divertiu-se imenso a colar letras autocolantes numa folha de papel durante 3 ou 4 dias. Quando as letras acabaram, e porque vi que ele não tentava comer aquilo, fui buscar uns autocolantes de esponja da imaginarium que têm diversas formas. Ele até se safa bastante bem com aquilo, apesar de muitas vezes não perceber bem qual o lado que cola. E assim se faz mais uma recordação para guardar na caixinha dos primeiros trabalhos manuais do Tiago.

O Tiago começou também a esconder objectos, geralmente debaixo do sofá, e a procurar objectos escondidos, mesmo ao fim de um dia ou dois.

E o mais giro é que gosta de se ver ao espelho. Começou a ir buscar a toalha de banho, que tem capuz, para andar com aquilo tipo capa. Assim que lhe ponho a toalha na cabeça vai derectamente ao meu quarto para se ver ao espelho e mexe na cabeça, tirando a toalha e voltando a por. Isto surpreendeu-me imenso porque tinha visto um documentário que dizia que os bebés só reconhecem a sua imagem no espelho aos dois anos. Também faz o mesmo quando lhe ponho na cabeça um cubo oco de tecido em forma de vaca que lhe serve como um chapéu. Vai com um ar muito vaidoso ver como fica no espelho e faz um grande sorriso.

Por fim, o Tiago começou a fazer experiencias com cheiros. Encosta a colher da fruta ao nariz em vez de a levar à  boca e adora o cheiro do detergente das bolas de sabão. Está sempre a pedir para eu abrir a embalagem e lhe dar o aro para ele cheirar. Ao principio ainda pensei que estivesse a tentar comer aquilo ou a tentar soprar mas tornou-se rapidamente obvio que o gajo gosta mesmo é de snifar aquilo.