Cansada

Ontem à  tarde fui a Lisboa passar a tarde com a Carla e andámos à s voltas pela baixa durante horas. Hoje acordei completamente partida, como se tivesse passado o dia anterior no ginásio. É uma junção de factores. Por um lado estou obviamente em baixo de forma, mas geralmente andar duas ou três horas não me custa nada. Só que a gravidez também reduz bastante o nà­vel de energia e aumenta a temperatura corporal, por isso farto-me de suar e fico desidratada mais depressa. E em cima disso ando há dias chei de dores no pescoço e no ombro direito ao ponto de não conseguir virar a cabeça. Passar um dia inteiro fora de casa com esta tensão involuntária nos ombros, ainda por cima a carregar sacos, não ajudou nada.

Por isso hoje acordei a sentir-me extremamente cansada e a desejar mais umas horinhas de sono, mas como começou à s oito e meia o som de uma serra eléctrica na casa do lado, dormir tornou-se uma impossibilidade. Normalmente o que faço é colocar tampões nos ouvidos e ignorar, mas como estava à  espera de uma entrega a partir das dez, tinha receio de adormecer e não acordar a tempo ou ouvir a campainha. Por isso levantei-me e fui arrumar a casa, sentindo que esta semana estou a viver ao lado de uma serração.

Mesmo assim é melhor que o monstro assobiante, que é um gajo que passa o tempo a assobiar o mesmo loop de três ou quatro notas, horas a fio e que me acorda o instinto mais violento que alguma vez tive.

E o pior é que não são só os tipos das obras. Os nossos novos vizinhos são uns labregos e fazem tanto barulho como os gajos que contrataram. E têm a mesma incapacidade de utilizar uma porta – não são capazes de fechar a porta porque têm medo de não a conseguir abrir outra vez, coitados. Preferem então passar o tempo aos berros, alegremente, com um eco brutal na escada. O Pedro já teve que ir lá gritar com eles um destes fins de semana. É claro que foi completamente ignorado, como seria de esperar de gente sem um pingo de consideração pelas pobres criaturas que têm o azar de viver num raio de 20 km de suas altezas. à€s vezes tenho pena que matar vizinhos seja considerado crime. Devia andar mais a par com exterminar baratas. É uma questão territorial. Acho que os seres humanos não foram feitos para viver tão perto uns dos outros.

Vivemos numa burocracia

Eu farto-me de ver nas finanças e conservatórias cartazes a anunciar que agora as coisas estão mais fáceis e que a burocracia está a acabar mas na realidade não vejo nada disso. Muito pelo contrário.

Tivemos de fazer uma alteração ao objecto social da empresa. A teoria é que agora á mais fácil porque basta fazer uma acta com as alterações e já não é necessario fazer escritura. Na verdade poupa-se algum dinheiro saltando por cima da escritura, mas por outro lado o registo está mais caro e continua a ser preciso pedir um papel chamado Certificado de Admissibilidade o que faz com que a suposta rapidez de acção seja só conversa.

Para tornar as coisas ainda mais interessantes, mudaram o impresso que é preciso entregar com os documentos, de forma a ter a certeza que as pessoas vão perder tempo à  conservatória duas vezes – uma para ir buscar o papel (e é preciso tirar senha e esperar a vez mesmo só para isso, pelo menos em Almada) e só depois para entregar.

Se for o sócio gerente a fazer isto tudo é mais simples, mas se não for, como deve acontecer muitas vezes, e uma vez que é a única assinatutra aceite no impresso, é preciso também fotocópia do BI para confirmar a assinatura.

Esta coisa da fotocópia do BI é algo que não compreendo. Tenho a escritura da empresa, cujas assinaturas foram presenciadas por elementos da conservatória, e cuja folha leva um selo branco e tudo, tenho a acta certificada com a mesma assinatura e eles só querem comparar a assinatura com uma fotocópia do BI que foi simplesmente feita na impressora cá de casa e até podia ser alterada no Photoshop se fosse preciso. Não faz sentido nenhum.

Mas enfim, lá consegui entregar os documentos, apesar de um engano no preenchimento do impresso – onde dizia nº matricula eles querem é o número de contribuinte. Porque é que não dizem logo? É que também existe um número de matrà­cula e assim só confunde.

O melhor nisto é que agora só vejo a cor ao registo daqui a 4 meses, com sorte.

Como sou optimista, fui de seguida à s finanças para tentar, com a acta e o recibo do registo, proceder à s alterações que também é preciso fazer aà­. Mas se na conservatória só querem falar com o sócio gerente, nas finanças só querem falar com o contabilista. Por isso, e apesar de ter de facto os documentos necessários, mandaram-me comprar um impresso de alterações em duplicado a ser preenchido e entregue pelo contabilista. Lá vou eu chatear mais uma pessoa e perder mais uma manhã. Afinal onde é que está a simplicidade? Sinceramente não vejo nada.

Se considerarmos que comecei a manhã a tirar sangue para análises antes de enfrentar esta treta toda percebe-se que já não estava com muita paciência. Mas estranhamente, e por mais que eu deteste agulhas, acaba por ser mais agradável fazer isso do que lidar com serviços públicos. Pelo menos sei que não me mandam voltar no dia seguinte com um requerimento em triplicado.

Levemente irritada

Recebi hoje um aviso que a revista do jornal 24 horas tinha publicado um dos meus bonecos mas referindo outra empresa como responsável. Fui comprar a treta que é o 24 horas, quase com vergonha, e era verdade. Publicaram o texto e a foto do Carlos o Chihuahua nervoso e referem outros gajos, com número de telefone e preço.

O Pedro encontrou o site da outra empresa e não têm os bonecos à  venda o que me faz pensar que foi argolada do próprio jornal e não culpa da outra empresa. Já escrevi para eles mas suponho que é possível que seja ignorada e é um bocado complicado reparar o mal depois de feito.

É verdadeiramente frustrante ter o nosso trabalho publicado e a legenda dizer que foi feito por outra pessoa. Se já achava o jornal um nojo, agora então…

Agradeço à  Catarina o aviso.

Ecografia

O dia começou com muita chuva. Fomos até à  clà­nica para a ecografia das 12 semanas e chegámos cedo, apesar de termos apanhado um autocarro avariado pelo caminho, mesmo num cruzamento. Felizmente iamos no smart e foi possível fazer uma manobra e sair dali.

Só que quando chegámos fomos informados que o médico também apanhou um autocarro avariado, só que desta vez em Lisboa, e não sabia quando é que conseguia sair dali. Esperámos, cada vez mais ansiosos.

Por volta das onze lá chegou e pouco tempo depois entrámos. Mas para além das duas pessoas do custume tivemos também a presença de um tipo que estava a ensinar a trabalhar com a nova máquina de ecografia, e portanto servimos um bocado de cobaia.

Assim que ele ligou a máquina e vi o batimento cardà­aco acalmei-me um bocado. Depois ainda estive um bocado apreensiva porque o médico estava a fazer demasiadas perguntas sobre o funcionamento da máquina, mas ele acabou por ter o mesmo cuidado de sempre e por causa da experiência até tivemos uma ecografia mais longa que o costume. Como eu acho que ficava ligada a uma coisa daquelas 24 horas por dia se pudesse, nem me importei nada.

Mas o tempo que demorou não foi só por causa da máquina mas também porque o raio do bebé se recusava a por-se na posição certa. Fui abanada diversas vezes e nada. Mas lá se acabou por ver o que era preciso e parece estar tudo bem e com as dimensões correctas.

Agora tenho de ir fazer nova análise de sangue para a semana e daqui a duas semanas devo ter os resultados do rastreio bio-quà­mico que espero que venha normal desta vez. Pelo menos não foi tão complicado conseguir tirar o sangue desta vez.

A senhora que me fez o rastreio pelos vistos passou por exactamente o mesmo que nós – perdeu o bebé à s 39 semanas e também era um rapaz. Continuo com dificuldades em acreditar na frequencia com que estas coisas acontecem. É demasiado horrà­vel.

Mas pronto, tenho de começar a acreditar que as coisas vão correr bem desta vez porque o stress também não deve ser bom para o bebé.

Daà­ a bocado tenho de ir ver a cassete com calma (nós já nem tinhamos o video VHS ligado a lado nenhum, estava arrumado a um canto).

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Fomos então ver a cassete à  hora de almoço e não funcionou. Tentámos tudo – 3 videos diferentes, um deles comeu a fita e teve de ser desmontado para se tirar a cassete lá de dentro. Desmontei a cassete para ver se encontrava alguma peça defeituosa, mudei o rolo de fita para outra cassete, enfim, tudo o que me consegui  lembrar, e nada. Começa a tocar e ao fim de um bocado a bobina prende, aquilo chia um bocado e depois pára. Escusado será dizer que comprámos a cassete na fnac, reino dos produtos defeituosos. Enfim. Sei que cassetes VHS são coisas do século passado e nunca foram muito fiáveis, mas é irritante saber que acabei de perder a primeira ecografia do bebé. Considerando que a única prova que o primeiro existiu são as gravações das ecografias, deixa-me um bocado triste. Mas também se for só isto a correr mal que se lixe.

Stand-by

Ando a evitar escrever ultimamente. Primeiro porque tive mais uma má notà­cia que me deixou muito triste (sei que é horrà­vel dizer uma coisa destas e depois não explicar mas as pessoas envolvidas têm direito à  sua privacidade).

Também andámos a tentar apanhar outra vez o batimento cardà­aco do bebé sem sucesso e por isso acho que estou em modo de espera até amanhã, dia da ecografia. Aquilo que mais me assusta é a ideia que já pode ter acabado e eu ainda não sei. É tudo demasiado frágil e sei como é possível acabar, sem aviso, de um momento para o outro.
Se tenho a mà­nima razão para dúvidas fico bastante nervosa. Acho que se isto continua vou andar a marcar ecografias semanais só para ter a certeza que ainda está tudo no sí­tio. Aquela conversa de ‘o normal é correr tudo bem’ não me convence e cada vez tenho mais a atitude de ‘só acredito quando vir’. Afinal ninguém me pode garantir que desta vez vou cair no ‘normal’.

E depois de desabafar sobre todos os medos irracionais viro-me para mim mesma e insulto-me por ser tão estúpida e fraca e que isto não resolve nada.

Finalmente algumas boas notà­cias

Hoje acordei com um telefonema do meu pai a informar-me que a Ana sai hoje do hospital, apesar de ter ainda uma longa recuperação pela frente, e que aparentemente alguém encontrou a cadela.

O meu pai andou pela zona a distribuir folhetos com foto da Diva e hoje alguém ligou a dizer que a recolheram e o meu irmão vai buscá-la esta tarde. Espero que seja mesmo ela, mas suponho que era muito dificil ter outra cadela Golden Retriever com uma coleira parecida perdida na mesma zona.

O Bambu, o cãozinho que ficou com a pata partida, também já foi operado e vai ter alta brevemente.

Espero sinceramente que a Ana recupere depressa e que tenham mesmo encontrado a Diva e que se possa finalmente ultrapassar este horrà­vel acidente. Maldito mês de Setembro.

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Entretanto fui ao veterinário para vacinar as pequeninas e enquanto estava lá o meu irmão ligou a confirmar que encontraram a Diva. Andou até à  zona do Seixal e foi recolhida na segunda feira por uma senhora que depois viu o folheto que o meu pai andou a deixar.
É um alà­vio fenomenal.

New Hope

Há um mês que ando a debater-me com a decisão de escrever qualquer coisa. Mas tenho andado um pouco em negação e com demasiado medo de mais uma desgraça para falar sobre isso com alguma clareza.

Mas ontem acabaram-se algumas das dúvidas, tive uma pequena surpresa e tudo se tornou bastante mais real. Estou novamente grávida. É algo que queria bastante e que deu alguma luta mas que finalmente aconteceu. E ontem, na ecografia, descobri que já estou nas 11 semanas em vez das 8 que pensava. Isto porque tive uma hemorragia na terceira semana que interpretei como uma menstruação adiantada devida à  medicação hormonal que estava a tomar.

Ontem, na consulta, vimos finalmente a nossa segunda criança. E, devido ao avançado número de semanas, quando chegámos a casa conseguimos já ouvir o batimento cardà­aco. Isto porque desta vez temos o equipamento necessário em casa para evitar stress desnecessário em caso de dúvidas.

Até agora não consegui ainda sentir-me muito entusiasmada. Os meus pensamentos em relação a esta gravidez são todos terminados com ‘se correr tudo bem desta vez’. Sei melhor que ninguém que não há garantias e tenho bastante ansiedade em relação a todo o processo mas acho que vale a pena, mesmo que volte a correr mal. Tentar vale sempre a pena.

Estou há um mês a sofrer os inesgotáveis enjoos que, tal como da primeira vez, não são matinais. Começam por volta das 4 da tarde e duram até à  noite. Por esta altura é suposto começarem a passar e já tenho um dia ou outro em que estou melhor mas estou desejosa de ultrapassar esta fase.

Para a semana tenho a ecografia das 12 semanas e o rastreio bioquà­mico que da outra vez deu um falso positivo. Vamos ver o que acontece agora uma vez que é por aà­ que se decide se é necessário fazer ou não a amniocentese.

Estar a passar por tudo isto uma segunda vez depois do resultado da primeira não é fácil. É tudo demasiado familiar e é horrà­vel ter a sensação que não há grande coisa que possa fazer de forma diferente. A única alteração prevista será induzir o parto umas semanas antes, por uma questão psicológica, mas é preciso que tudo corra bem até lá.

Aquilo que penso é que se for para correr qualquer coisa mal desta vez que seja já. A experiência de passar pela gravidez completa e pelo parto para não ter nada no final para além do corpo disforme que me lembra diariamente a perda é demasiado traumatizante.

E por isso, aquilo que vai ser diferente desta vez é que não vou fazer planos. Não vou comprar mais nada (não que precise de grande coisa), não vou escolher nome, não vou criar expectativas. Não que isso torne uma perda muito mais fácil mas ajuda-me a chegar ao fim sem grande necessidade de ansiolà­ticos. Um dia de cada vez.

mere coincidence is what I try to say…

São 6 da manhã e não consigo dormir. Estou aqui sentida a sentir-me inútil e preocupada.

Ontem, dia 9, tive uma visita do meu irmão e da namorada antes de se meterem no carro para a sua viagem semanal em direcção a Borba. Pouco tempo depois tiveram um acidente. Quando estavam a ultrapassar um camião este desviou-se da sua faixa para cima deles e a Ana ao tentar afastar-se para não levar com o tipo em cima perdeu controlo do carro que capotou e foi parar a uma ravina. Ficaram presos dentro do carro cerca de uma hora e os bombeiros tiveram de cortar a porta para os tirar de lá.
Eu só soube disto à s 4 da tarde, muitas horas depois. Fui até ao hospital mesmo só porque não sabia o que fazer mais. A Ana ficou com um braço partido e o antebraço aberto do cotovelo ao pulso e o meu irmão saiu relativamente inteiro, tirando umas feridas causadas pelos vidros partidos e umas nódoas negras. Mas quando o vi com a t-shirt coberta de sangue fiquei um bocado enjoada. É daquelas situações em que podia ter acabado tudo muito muito mal.

A coitada da Ana passou o resto do dia nas urgências onde tiveram de operar o braço porque a fractura é num sí­tio dificil de curar por si e acho que vai ter uma recuperação longa e dificil.

Um dos cães ficou com uma pata partida e ainda é possível que tenha também magoado a coluna. Só tem alguma hipótese de se safar porque um senhor simpático parou e foi ajudar, levando o cão ao veterinário. A cadela desapareceu e ninguém sabe dela. Estou para aqui a pensar que devia ter ido procurá-la mas nem sequer faço ideia onde foi o acidente. Só que acho que devia fazer mais qualquer coisa.

Portanto parece que o dia 8 de Setembro continua a funcionar como um buraco negro para mim e qualquer pessoa relacionada comigo. Não consigo deixar de me sentir responsável, por mais estúpido que isso possa parecer. É como se qualquer contacto comigo há volta destes dias fosse perigoso, tal doença contagiosa. E eu que estava convencida que este ano me tinha safado com uma simples gripe.

Não quero obviamente fazer de conta que tudo o que acontece no universo está relacionado comigo porque isso seria demasiado egocêntrico até para mim, mas a proximidade da data dá-me arrepios.

Enfim. Daqui a umas horas, quando as pessoas normais acordarem, já posso telefonar e tentar saber se há mais algum desenvolvimento, se a Ana está bem, se sabem mais alguma coisa dos cães. Até lá estou só a tentar não vomitar e a pensar ‘como é que é possível?’

Birthday blues

I told myself it didn’t make much difference. It’s been a year since my son died and I have thought about it every day since, so I didn’t think the date itself would actually make a difference. And it didn’t at first. Last night I couldn’t help thinking about the night I had a year ago. But then I think about that often, so it was just one more time. I’m used to it by now. And this morning I woke up and did what I always do and felt no different. Until I got a birthday message from my mother.

Instead of the usual ‘happy birthday, I hope you have a good day’ which I could handle and was ready for, she said ‘I’m glad you exist’. Less cliché and certainly very sweet but it really got to me. All I could think at that moment was ‘I’ll never be able to have that thought’ and I broke down.
It’s amazing how often people with the best intentions manage to say the exact thing that will make you feel like shit.

I get the point of celebrating birthdays now. I always thought it was just a celebration of life, of a family being happy to have a new member and a celebration of being alive for yet another year – all very good motives. But it’s not until you see exactly how hard it can be to bring forth a new life that you feel it is also a victory celebration over death and chaos.

I’m always going to have a hard time separating my birthday from my son’s death. Even though he died the day before, on the 7th, I still gave birth to him on September 8 and that is too painful a memory to just keep locked up in some far away section of my brain. I miss him too much and I think I always will. He would have been one year old today and I want more than anything to know what that would be like but I never will.

The main difference the whole experience has had on me is that I can no longer be an optimist. I was always cynical but at the same time had this blind faith that nothing really terrible would ever happen to me – after all I’m just average, bound to have an average life. The problem is, how do you know what the hell is included in a average life?
Now I always expect something to go wrong and only believe it will be OK when I see it. It takes the enjoyment out of a lot of it but at least I feel prepared. We do what we must to feel like we have some kind of control over our lives, the thing we need to keep going.

It’s been an otherwise uneventful day, so far. I’m still sick and don’t really feel like doing much anyway. I’m just home alone, as usual, trying to get through the day and be done with it for another year. I plan on spending the weekend eating birthday cake until I fall into a sugar coma and watching 24 season 5.
A few years ago I wrote a song about my birthday and all the crap that tends to happen around that day. Last year I finished it because it suddenly became painfully pertinent. I never added anything especifically related to the baby but to me it will always be connected.
Like most of the songs it’s still a work in progress but I felt it was the right day to let it come out and play.

Happy Birthday

Somebody died
So nobody showed up
I thought I had friends
but nobody showed up

mom says I’m to blame
cause nobody showed up
I make puzzles instead
to pass the time

Years go by
some things stay the same
seems I will always cry
On my birthday

I want to sleep all day
I want to sleep sleep sleep sleep sleep
I want to sleep all day
I just want to sleep sleep sleep

Every year
I fear the day
It’s been going on
For over a decade

A mere coincidence
Is what I try to say
But why do bad things
Always happens on my birthday

I want to sleep all day
I want to sleep sleep sleep sleep sleep
How can I live through the day
I want to sleep sleep sleep

happy birthday

sick days

So the throat thing is now a full blown cold and I can barely keep my eyes open today. Runny nose, cough, throbbing headache and the constant hammering from next door making it impossible to rest for even five minutes.

I’m so uncomfortable I can’t even watch tv to keep me distracted because my head feels like it’s going to explode. Thankfully the two kittens seem to feel sorry for me and have settled next to me on the sofa rather than out in the sun as they usually do.

I’m writing this on the mac since I can’t make myself sit at my desk today. Especially because, despite the heat, I’m trying to avoid the AC that needs to be on at all times in that room so the computers don’t melt. But thanks to having the site on word press now, I can write from anywhere I like, so here I am, trying to get distracted for five minutes.
Speaking of the AC, we finally managed to solve that problem. Our neighbours have, since the beggining, declared war on our AC because it drips on the outside of the building. I got fed up with the constant ringing of the bell to complain so we pulled the hose in and have it drip onto a water bottle that we then have to empty every few hours. It’s a pain and if we forget it floods the room, something that happens more often that we like to admit. So this weekend we bought a longer hose and arranged it so that now it drips onto the sink in the smaller bathroom, which is right next to the office. The downside is that now we can’t close the bathroom door because the hose passes between the door and the frame and making a hole in the wall for the hose to go through is messy and not particularly easy. But at least no more flooding, unless there’s a flaw in the plan we didn’t catch yet, and hopefully no more computer parts will melt.

On sunday, despite feeling rather crappy because of my throat, I had a pretty busy day. We went out to lunch and then my friend Carla came over for the afternoon. We talked and exchanged gifts and then went out for tea. The owner of the tea shop, who is usually a smart ass, always trying to be funny, was not in a very good mood and was quite unpleasant and arrogant. Don’t think i’ll be going there again any time soon.
I finally got to meet Carla’s boyfriend, someone I’d heard a lot about for years now but hadn’t met yet. He seemed a nice man, even though we didn’t talk enough to get a clear impression, but at least there was nothing odd or unpleasant about him so that’s good. She’s been through enough and deserves to be happy for once so I hope everything works out this time.

Yesterday I tried making an order or dollshouse.com. I love their stuff but the site is really bad. The menu doesn’t work on mozilla and on IE it’s extremely slow to do anything. The worst part, though, is that I got error pages whenever I tried adding something to the shopping cart and even worst, when I confirmed the order. I have no way of knowing if the order actually went through or not and it’s terribly frustrating, after all the time it took to select everything I wanted to buy. Considering the great free online shopping software that  exists today, they should really consider redoing the site. Because when you login you don’t even have acces to your order history, something that would have come in handy in a situation like this, when an error occurs. I have to send them an email about this when I feel up to it.

Basically the doll house stuff was the only thing I could come up with in terms of some kind of birthday treat and it’s turning out to be way too much trouble. But then, I really shouldn’t be surprised anymore that stuff isn’t working out as I expected this week. It’s the cursed september week after all.

OK, enough for now. My head is about to explode and I’m halfway between hunger and nausea, so I’m going to try and figure out what I can have for lunch that doesn’t make me feel worse. Hope everybody’s feeling better that I am right now.

Semana infernal

Os dias que rodeiam o meu aniversário são geralmente maus. Desde que era miúda que acontece sempre qualquer coisa nesta altura do ano, culminando obviamente no pior aniversário da história que foi o ano passado.

à€ medida que a data se aproxima não consigo evitar pensar o que é que vai acontecer desta vez. Até agora tenho estado doente todos os dias, sempre com uma coisa diferente, que é para não me habituar. Primeiro foi o descrito no post anterior, depois acordei no sábado com uma dor aguda no pescoço e não me conseguia mexer. Se o Pedro não estivesse lá não me tinha conseguido levantar da cama. Felizmente no domingo já estava melhor do pescoço mas em compensação tinha uma dor de garganta horrà­vel. Estou curiosa para ver o que é que acontece hoje. Se calhar parto uma perna ou algo do estilo.

Acho que na quinta e sexta feira vou simplesmente ficar na cama e desligar os telefones. E depois se vê.

Odeio conduzir

Tinha prometido a mim mesma que nunca mais pegava no carro mas a semana passada teve que ser. Tudo porque foi preciso levar o Mercedes à  inspecção e achei que era demasiado egoà­sta da minha parte deixar o Pedro voltar a pé só para me poupar 15 minutos de stress.

A viagem até ao stand correu bem e graças ao mês de Agosto não estava quase ninguém na rotunda que costuma ser uma confusão à s oito da manhã, a parte do percurso que mais me preocupava. A única situação mais stressante ocorreu no dia seguinte, quando fomos buscar o carro. Aquilo que me irrita é que eu já tenho inseguranças suficientes nestas situações e há sempre um bronco qualquer que resolve fazer asneira mesmo à  minha frente. Da última vez foi um espertalhão com um death wish que atravessou a rotunda a abrir, desta vez foi na rotunda seguinte – diga-se de passagem que aquilo que este paà­s tem mais são rotundas e que há sempre alguém à  espera de entrar numa delas para fazer uma estupidez qualquer.

Portanto, uma criatura com um QI que nem deve chegar ao duplo dà­gito atravessou-se à  minha frente, na faixa de fora. Seria uma coisa normal se o objectivo dele fosse sair da rotunda. Mas não. Quando digo que se atravessou à  minha frente estou a ser literal, noventa graus em relação à  direcção da faixa. Tudo porque resolveu que ali era um bom sí­tio para subir o passeio e estacionar o carro. Então subiu o passeio com as rodas da frente, parou e ficou a olhar para trás em vez de completar a manobra antes de levar com um carro em cima. Obrigou-me a travar a fundo para não lhe bater. Fiquei a olhar para o gajo a pensar o que raio é que ele está a fazer e acho que fiquei num choque tal que nem me lembro se ele acabou de subir o passeio ou se lhe dei a volta para continuar. Nem me ocorreu buzinar tal a incredulidade.

Como é possível que haja tanta gente por aà­ a fazer todas as asneiras possà­veis ao volante sem lhes acontecer nada? Pela lei natural deveriam morrer antes de terem tempo de se reproduzir, mas receio que isso não aconteça.

Eu sei que isto não é nada de especial e que toda a gente que conduz tem milhares de encontros deste tipo ou pior diariamente. Só que eu sou muito cumpridora e tenho noção de que um carro pode matar alguém e não tenho muita vontade de ser responsável por esse destino. Acho que não fui mesmo feita para isto e vou limitar a condução a situações de emergência. Afinal andar a pé faz bem à  saúde.

Suponho que o estranho é continuar a espantar-me com a estupidez e a incrà­vel lata de grande parte da população.