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Colecção de pendentes “máquina do tempo” – “Time Machine” pendant collection

Esta colecção de pendentes foi feita com peças de relógios embebidas em resina. A base é a tampa traseira dos relógios de pulso que cederam amavelmente as suas rodas dentadas, parafusos e outros componentes para estes pendentes com um leve sabor steampunk.

O maior mede 32 mm de diâmetro e o mais pequeno mede 22 mm de diâmetro. A corrente pode ser curta ou comprida conforme a preferência da pessoa.
Alguns dos elementos são mais altos do que a camada de resina que os envolve mas tive o cuidado de não deixar bicos que pudessem magoar.

Mais detalhes na loja.

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time5 – This pendant collection was made with watch parts embeded in resin over the watch back lid.

The largest pendant measures 32 mm in diameter and the smallest measures 22 cmm.

More details in the shop.

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Proibição de partilhar fotos dos filhos

Li um artigo que mencionava que, numa decisão do tribunal de à‰vora, foi decidido que os pais estão proibidos de publicar fotos dos filhos nas redes sociais. A justificação é que as redes sociais são usadas por predadores sexuais para encontrar và­timas e as crianças devem ser protegidas desse risco.

O problema não é a decisão em si mas o facto de poder ser utilizada como precedente para legislação futura, legislação essa que visará mais uma limitação das liberdades e direitos dos cidadãos.

Pela mesma lógica as crianças também não deviam ir a parques infantis porque não se sabe quem está a espreitar. Ou os pais podem ser acusados de pornografia porque tiram uma foto do filho no banho. Estão a ver o caminho por onde se pode levar a coisa?

Apesar de compreender a ideia por detrás de tal decisão, esta forma de pensar é “victim blaming” no seu melhor e demonstra uma profunda incapacidade de compreensão da forma como a internet funciona. É equivalente a dizer que uma mulher não deve usar mini-saia senão é violada ou que quando um ex-namorado publica fotos da ex-namorada nua como vingança pelo fim da relação, a culpa é toda dela por ter tirado as fotos, como se as pessoas não tivessem todas o mesmo corpo e o sexo fosse uma coisa feia que só alguns é que fazem.

Acho que não é proibindo tudo e mais alguma coisa que se resolve o problema nem é tirando direitos à s pessoas que se acaba com os crimes.

A questão da protecção da imagem da criança também é um argumento com muitos buracos. Se não se podem publicar fotos porque a criança tem direito à  protecção da sua imagem então também deixa de ser permitido usar crianças em publicidade? É que os bebés de rabo ao léu dos anúncios de fraldas não deram autorização para o uso da sua imagem, pois não? Nesta situação os pais são responsáveis por decidir se expõem ou não os seus filhos a este tipo de iniciativa. Então como é? Quando chegamos à s redes sociais os pais já não têm capacidade de decisão? Porquê?

Sei que não nos podemos fiar nestas coisas, e que a única maneira de garantir que uma foto não é vista por maio mundo é não a publicar, mas o Facebook, uma das redes sociais mais usadas, tem ferramentas que permitem ao utilizador escolher com quem partilha as suas fotos, pelo que nestes casos, ou os predadores são também excelentes hackers ou então já pertencem ao grupo social da pessoa.

Compreendo, porém, que a distribuição de fotos e informação dos nossos filhos pela internet tem certos riscos. Aliás, desde a popularidade dos blogs que se tornou fácil obter informações sobre as pessoas que os mantêm. Convém então ter algum cuidado com o tipo de informação e fotos que se divulgam, tanto nossas como dos nossos filhos. Este cuidado não é só por causa dos tais predadores que espreitam a cada esquina mas também pela proteção da dignidade da criança.

Um miúdo de dois anos pode não se chatear nada por os pais partilharem uma foto dele a usar a sanita pela primeira vez, mas quando tiver 14 anos pode-se sentir humilhado porque os colegas da escola encontraram a foto e a distribuà­ram pela escola toda. Ou seja, acho que partilhar uma foto da criança a soprar as velas do bolo não faz mal nenhum mas fotos sem roupa, com o logotipo da escola na camisola, ou no parque com a legenda “o passeio habitual de domingo” são de evitar.

Outro cuidado que aprendi há muito é não dizer coisas como “amanhã vamos à  praia”. Mais vale dizer “ontem estivemos na praia”. Ou seja, concordo que é necessário ter alguns cuidados e um pouco de paranóia não faz mal a ninguém mas esta questão de proibir toda e qualquer imagem de um menor de aparecer nas redes sociais é um daqueles exageros tà­picos de quem não percebe do que está a falar, porque se limitam a coisa a redes sociais então e os blogs, os sites de guardar ficheiros e fotos – photobucket, dropbox – que permitem pastas abertas ao público ou partilha de links? Há tantos buracos legislativos numa decisão destas que nem sei por onde começar. As pessoas vão arranjar maneira de dar a volta a qualquer proibição que seja posta em vigor, se calhar por meios muito menos seguros até. Como já disse, não é proibindo que se resolvem os crimes.

Uma campanha de educação da população para o uso seguro da internet seria uma forma muito mais inteligente de fazer a coisa. Muitas das asneiras são por falta de conhecimento, até de quem toma estas decisões, pelo que se vê. Os juà­zes, advogados e outros funcionários do sistema legal vivem rodeados de humanidade no seu pior e é natural que sejam afectados por isso e que essa negra realidade lhes molde a forma de pensar mas não é multando depois ou prendendo pessoas inocentes que essas asneiras acabam.

E se a justiça funcionasse como devia também dava jeito, mas uma cultura de medo não é uma boa alternativa.

Joana com 5 anos

Custa a acredita mas a minha filha já tem 5 anos. Está linda, simpática, ternurenta e decidida (Ok, teimosa, mas estava a tentar dar um spin positivo à  coisa).

Cresceu muito este ano mas continua a gostar de fazer de bebé, de ter a mamã a vesti-la ocasionalmente a a dar-lhe a comidinha à  boca quando já não lhe apetece mais. Adora cantar e dançar, faz poses para fotos e adora vestidos de princesa. Ou seja, é uma menina tà­pica. É sociável mas tà­mida com quem não conhece. Tem muitas amigas e só quer brincadeira. Acima de tudo é feliz, e é tudo o que eu podia pedir para ela.

Este ano a Joana exigiu pela primeira vez festa com os amigos, como o mano já tem feito. Na prática isso quer dizer que é preciso 3 bolos de aniversário (um para a escola, um para o dia, com os avós, e outro para a festa com os amigos) e mais uma série de considerações. Basicamente, o dia de aniversário dos miúdos transformou-se em semana de aniversário, com vários eventos. Felizmente já estou pro nestas coisas, incluindo fazer um bolo como ela quer, baseado numa foto qualquer que viu na net. Reservei o sí­tio, fiz os convites, planeei os bolos, saquinhos, etc.

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No dia em que entreguei os convites, recebi uma mensagem da mãe de uma colega a dizer que ia fazer festa no mesmo dia, à  mesma hora e no mesmo sí­tio. OK, no problem. Juntámos as festas e resolveu-se o problema. Isto fez com que os convidados passassem de 15 para 30, mas dividido ao meio ficou na mesma. O mais giro é que eu andei a convidar montes de gente para além dos colegas da escola porque estava com medo que estivessem todos de férias, e afinal apareceram imensos. Foi óptimo porque a Joana adora brincar com os amigos e divertiu-se bastante.

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O tema, este ano, foi o Monster High, e em particular a Draculaura, que é a preferida da Joana. Usei como base um tutorial do youtube para fazer a saia mas fiz algumas alterações e acho que me safei melhor que no ano passado, com a Bela Adormecida. No final da festa a boneca foi canibalizada, o que deu umas fotos giras.

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Os outros dois bolos resolvi comprar já feitos porque não estava com paciência. Mesmo assim passei um dia de calor intenso fechada na cozinha com o forno ligado. AC na cozinha está no meu futuro se continuo a fazer coisas destas.

Depois da festa fomos almoçar à  Costa com a minha famà­lia porque o meu irmão está cá de férias.

A minha pequena bailarina

A Joana este ano decidiu começar a fazer ballet. No final do ano lectivo fomos assistir à  sua performance.

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Com 4 anos, são todas muito pequeninas para conseguir fazer a coisa com rigor, mas gostei do empenho e concentração que ela demonstrou porque denota interesse na coisa. Considerando que pensei que ela queria fazer ballet só porque as amigas também lá estavam, foi uma boa surpresa. Aliás, nos últimos dias dos ensaios a professora fartou-se de elogiar o comportamento e empenho da Joana nas aulas, o que é sempre bom de ouvir.

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E pronto, não há nada mais fofinho do que um monte de meninas pequeninas de maillot e sapatilhas cor de rosa com os bracinhos no ar a correr de um lado para o outro 🙂

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Oxford e regresso

No domingo, último dia antes do regresso, deixámos os miúdos com o meu irmão e a minha cunhada, que amavelmente se ofereceram para fazer babysitting à s crianças exaustas para nos dar um dia de passeio sem interrupções constantes, e apanhámos o comboio até Oxford. A viagem dura meia hora e dentro da cidade não se pode andar de carro, por isso o comboio é mesmo a melhor opção. Aliás, pelo gigantesco parque de bicicletas que existe à  saà­da da estação, dá para perceber qual o método de locomoção preferido da zona.

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Oxford é uma cidade universitária muito antiga, com edifà­cios de diversas eras, desde a época medieval até ao presente. A zona das universidades, que inicialmente estavam ligadas à  igreja, é mesmo aquilo que se vê nos filmes do Harry Potter, com edifà­cios lindos cheios de textura e pátios interiores onde apetecia sentar e passar um bocado. Aliás, o refeitório dos filmes do Harry Potter é o Great Hall de Christ Church, onde estudou Lewis Carroll. Como a história de Alice in Wonderland teve origem em Oxford, essa temática está um pouco por todo o lado na cidade, especialmente nas lojas e restaurantes. Infelizmente, como fomos em altura de férias, não era permitido entrar nos colleges e tivemos que nos contentar com espreitar aqui e ali. No centro da zona universitária fica situada a biblioteca, que é um edifà­cio cilà­ndrico lindà­ssimo.

O castelo é pequenito quando comparado com outros de cidade maiores. Foi convertido em prisão durante alguns anos e hoje é museu e restaurante. Subimos ao morro onde já existiu uma torre de vigia mas não tem altura suficiente para se ter uma verdadeira vista por cima da cidade.

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Há também uma zona mais industrial, em tijolo vermelho, tà­pico da época vitoriana, que também tem algum interesse. E ainda visitámos um cemitério muito antigo, daqueles em que as pedras tumulares já estão inclinadas cada uma para seu lado, onde encontrámos um senhor que pediu ao Pedro para ver se ele percebia como se punha música a funcionar no seu novo telefone. Era dia do pai e acho que o telefone tinha sido prenda.

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Adorei passear ao longo de um dos diversos canais da cidade e atravessar as pontezinhas. Pareceu-me que não era difà­cil encontrar um recanto bonito e sossegado nesta cidade, mesmo numa altura em que está cheia de gente. Gostava de ter planeado melhor a viagem e de ter visto alguns dos edifà­cios por dentro, mas mesmo assim foi um dia bem passado.

Nessa noite fomos jantar num pub de Lemmington para despedida e na manhã seguinte apanhámos o comboio de regresso a Londres seguido de autocarro para o aeroporto, que demorou uma eternidade e quase nos fez perder o avião. Tivemos de correr, com malas, Joana ao colo e tudo, e fomos dos últimos a entrar. Ainda por cima irritei-me com um dos assistentes de bordo da Ryanair que foi altamente desagradável e mal educado e que me fez jurar não voltar a usar essa companhia. Para piorar as coisas, o Tiago teve imensas dores nos ouvidos por causa da pressão do avião, na descida. Ficou sem grande vontade de repetir a dose tão cedo.

Chegámos a Lisboa estafados mas felizmente o meu pai foi super simpático e foi buscar-nos ao aeroporto, o que tornou tudo muito mais fácil, especialmente com miúdos exaustos.

Apesar dos altos e baixos, sempre foram umas férias diferentes e uma experiência nova. Para uma viagem com crianças, nem me posso queixar muito.

Warwickshire

De manhã tomámos o último pequeno almoço no hotel da Legoland e fomos apanhar o autocarro de regresso a Windsor.

Chegámos mesmo a horas da mudança da guarda no castelo. Estava imensa gente nas ruas à  espera que os guardas chegassem, tocando os seus trompetes e tambores.

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Como tà­nhamos comboio com hora marcada, não visitámos muito mais da cidade, nem chegámos a ir a Eaton, que é do outro lado do rio. Windson tem o castelo e Eaton tem uma universidade prestigiada, mas no fundo aquilo acaba por ser praticamente a mesma cidade. Para quem tiver tempo, há passeios de barco ao longo do rio que devem ser giros de fazer.

Fomos então apanhar o comboio para Leamington Spa. Tivemos de mudar duas vezes – em Slough e Oxford – e no último comboio tinhamos lugares reservados (não por escolha mas porque quando comprei os bilhetes vieram assim) e tivemos um encontro algo desagradável com um “mean drunk” que estava num dos nossos lugares, com várias garrafas e latas de cerveja à  sua frente, e que foi bastante mal educado.

Os comboios são modernos, confortáveis, têm wireless e um trolley de comida como os aviões para quem se esqueceu de comprar umas sandes ou água antes de entrar.

Chegámos a Leamington à  hora de almoço e a minha cunhada foi buscar-nos à  estação. Deixou-nos no centro na cidade, junto ao jardim, e levou as malas com ela para não termos de andar a arrastar aquilo a tarde toda.

Fomos almoçar à  Pump Room, que é o edifà­cio das antigas termas. Mais tarde o meu irmão explicou que a cidade foi fundada à  volta das termas, utilizadas desde os romanos e que se acreditava terem propriedades medicinais. Depois de uma visita da rainha Vitória, a terrinha foi renomeada “Royal Leamington Spa”.

A Joana adormeceu ao meu colo durante o almoço por isso não deu para passear a seguir. O melhor que conseguimos fazer foi ir até ao jardim, onde ela ficou a dormir num banco, com a cabeça no colo do pai, enquanto eu e o Tiago fomos dar avelãs aos esquilos. Um dos esquilos, claramente o alfa, vinha comer à  mão e trepava pela perna acima sem medo nenhum. Os outros dois esquilinhos que por ali andavam, mais novinhos, eram mais tà­midos e levavam grandes corridas do grandalhão cada vez que se atreviam a aproximar. O Tiago divertiu-se imenso e assim se passou uma horinha de espera.

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Pouco depois das três da tarde, o meu irmão saiu do trabalho e foi ter connosco. Visitámos a estufa do jardim e depois fomos comer um gelado. O Tiago fartou-se de trepar à s árvores e o coitado do meu sobrinho caiu e esfolou um joelho, mas nada de grave.

A caminho da casa do meu irmão passeámos um pouco pela cidade. Leamington fica no condado de Warwick e é a cidade mais limpa que eu já vi. Não há lixo nas ruas, os edifà­cios estão todos pintadinhos de fresco, há flores por todo o lado e nota-se que as pessoas têm orgulho na sua terra.

O meu irmão explicou que as pequenas terrinhas da zona estão organizadas à  volta de uma “market town”, ou seja, uma cidade com lojas enquanto que as outras só têm uma mercearia, um pub e pouco mais. Quer isso dizer que as pessoas da zona têm de se deslocar à  Market Town para ir à s compras. Leamington é a Market Town daquela zona, ou seja, tem uma avenida principal, a Parade, com as lojas das marcas mais importantes mas com muito menos confusão do que fazer compras em Londres. Isso também implica que as casas ali são mais caras do que nas vilas circundantes. Infelizmente não tive tempo (nem fundos) para ir à s compras, mas também não era esse o objectivo da viagem.

Passámos pelo super-mercado para comprar comida e uns doughnuts Krispy Kreme absolutamente deliciosos antes de ir conhecer a casa deles. A casa é bastante simpática. É numa zona sossegada, tem 2 pisos, uma sala com acesso ao jardim e não fica muito longe do centro.

Preparámos as camas e o meu irmão fez o jantar. O Tiago estava todo feliz por já ter internet outra vez e por ele não teria voltado a sair do sofá o resto do fim de semana.

Sábado de manhã fomos visitar o castelo de Warwick que está transformado numa atracção turà­stica. Tem um arqueiro que ensina os miúdos a disparar setas contra um alvo, uma torre das princesas, visita à s masmorras e a história de uma das revoluções da zona, com figuras de cera.

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Infelizmente estava a chover, por isso não foi uma visita tão bem sucedida como poderia ter sido, mas mesmo assim visitámos o interior do castelo, com as suas salas mobiladas e figuras de cera nos trajes das várias épocas e ainda assistimos a um espetáculo de aves de rapina, com uma águia que apanhava comida em pleno và´o, um abutre que fazia và´os rasados por cima das cabeças das pessoas, uma coruja enorme e um condor gigantesto. Por essa altura desatou a chover a sério e tivemos de voltar para casa.

Legoland Windsor – dia 2

O segundo dia na Legoland foi muito preenchido. Apesar do cansaço, os miúdos aguentaram o dia inteiro sem grandes protestos e sem ser necessário regressar ao hotel antes da hora de fecho do parque.

Os hóspedes do hotel podem entrara no parque meia hora antes da abertura oficial, mas só uma ou duas atrações – o submarino de Atlantis e o comboio do dinossauros – é que estão abertos a essa hora. Eu e o Tiago fomos dar outra volta no submarino enquanto esperávamos pelo acesso ao resto do parque.

Continuava a estar muito pouca gente, especialmente à quela hora da manhã, por isso daà­ para a frente foi só escolher onde é que eles queriam ir. Eu e o Pedro andámos grande parte do tempo separados, cada um de nós com uma criança porque eles queriam fazer coisas diferentes ou a Joana andava amuada e não queria ir a lado nenhum durante um bocado.

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Desta vez tentámos visitar as zonas onde não tà­nhamos passado no dia anterior. Como a Joana estava pouco cooperante, levei-a à  zona do Lego Friends, que é mais dedicada a meninas. Os edifà­cios estão todos pintados nas cores das casas dos kits mas são mesmo lojas e cafés. Depois fomos à  parte dos Faraós, que tem uma construção gigante de Lego do Tutankamon, que fala quando nos aproximamos, dizendo “who dares disturb my sleep” e outras coisas do estilo.

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O Tiago foi com o pai a uma sala com um jogo de dar tiros em múmias com um laser. Como estava vazio fizeram aquilo duas ou três vezes de seguida. Depois o Tiago foi comigo andar numa roda de balões (tipo London Eye em pequenino) onde ele esteve a gritar “help!” E a fazer de conta que estava com medo até eu insistir para ele parar antes que nos mandassem embora.

Eles foram muito selectivos nas atracções que queriam experimentar por isso saltámos muita coisa que não lhes interessava. A Joana só queria voltar ao parque infantil do Duplo Valley onde tinha passado grande parte da tarde do dia anterior e foi muito complicado convencê-la a deixar isso para mais tarde. O pai ficou com ela a ver se passava o amuo e eu fui explorar com o Tiago. Descobrimos o Fairy Tale Brook onde se anda num barquinho em forma de folha que vai ao longo de um canal e passa por personagens de Lego animatrónicas do tamanho de crianças. Têm cenas dos contos infantis mais conhecidos e achei que Joana ia adorar aquilo portanto terà­amos de voltar mais tarde. Quando regressámos, o Tiago esteve todo entusiasmado a chamar a atenção da irmã para as partes que tinha achado mais divertidas.

Antes de sair do Duplo Valley demos uma volta no comboio que é uma verdadeira piada, de básico que é. Aquele só vale a pena mesmo para bebés que tenham medo de tudo o resto porque dá uma volta minúscula, sem qualquer interesse. O comboio que vale a pena é o da zona do Lego Friends (Heartlake City), onde fomos a seguir. Dá de facto uma volta grande pelo parque mas tem a desvantagem de passar por zonas que atiram água, por isso o uso de um impermeável é boa ideia.

Depois fomos todos à  zona dos vikings porque o Tiago queria ir ao labirinto do Loki. Para entrar nessa zona passámos por uma ponte que é debaixo de uma queda de água. O labirinto em si é pequeno nas é giro, para quem nunca esteve num. No centro há uma espécie de coreto que permite ver a vista de cima. Acho que o Tiago teria achado piada a uma coisa com um pouco mais de desafio porque foi fácil encontrar a saà­da, mas suponho que eles não queiram miúdos a entrar em pânico lá dentro.

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Deixámos o resto dessa zona para mais tarde, porque as outras atracções implicavam ficarmos todos molhados, e fomos à  parte dos piratas. Eles deliraram com a actividade de procurar “ouro” com um prato perfurado, numas caixas com água corrente e areia no fundo. As pepitas metálicas pareciam mais chumbo do que ouro (prateadas em vez de douradas) mas ainda passaram bastante tempo de volta daquilo, a tentar encher o prato. É uma das poucas actividades do parque que é paga à  parte. Para nos darem um pratinho temos de pagar 4 libras, e no fim recebem uma medalha dourada a que eles nem ligaram muito. Mas pelo divertimento da coisa acho que até valeu a pena.

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Almoçámos ali perto de depois escolhemos o que fazer a seguir. Para trás tinham ficado as atracções mais calminhas, para crianças pequenas. O resto era montanhas russas, barris que rodam e chocam uns com os outros e o barco dos piratas que baloiça de um lado para o outro até ficarmos completamente na vertical. Demorou algum tempo a convencer o Tiago a experimentar, mas ele adorou aquilo de tal forma que acabou por voltar mais três ou quatro vezes.

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Daà­ para a frente, quanto mais depressa melhor, por isso foi com o pai ao castelo para andar na montanha russa do dragão. Também andou umas duas ou três vezes e mais uma comigo. Foi a parte que ele mais gostou.

Eu entretanto fiquei com a Joana que tinha medo de experimentar estas coisas. Ainda a convenci a andar no dragão mais pequeno mas ela não gostou muito da experiência por isso não insisti.

Em termos de montanha russa, o dragão é uma coisa relativamente básica. Sobe, desce, vira para os lados e pouco mais. Não faz loops nem sobe a alturas exageradas, por isso não assusta. Dá a volta a uma grande secção do parque, que é giro ver de cima, apesar de ser depressa, mas acaba rapidamente. Ou seja, as atracções do parque são destinadas a crianças mais do que a adolescentes e adultos, o que não quer dizer que não possa ser também divertido para mais velhos. Simplesmente não é tão desafiante como poderia ser.

Junto ao castelo havia outro parque infantil, onde a Joana aterrou e já não queria sair. Ali perto havia uma zona de piquenique, com mesinhas, onde nos sentámos um bocado a descansar. O Tiago bebeu o seu primeiro slush. Andava desejoso há imenso tempo.

Voltámos à  zona dos vikings para andar noutro barco que também sobe e desce enquanto roda simultaneamente, mas comparado com o dos piratas não tinha metade da piada.

Debatemos se valia a pena ir à  maior atração dos vikings, que consiste num barril que anda aos encontrões por um canal com água bastante selvagem. Pelo caminho passamos por várias quedas de água e até uma zona com uns bonecos que despejam um caldeirão cheio de água em cima das nossas cabeças. A Joana não queria ficar molhada, por isso adiámos.

Subimos no comboio que termina perto da saà­da (porque aquilo é a subir a pique) e fomos à  exposição de Lego Star Wars. Entre os personagens em tamanho real tem umas cenas com montanhas de figuras bastante elaboradas, naves que mexem, que abrem, etc. A Joana não gostou dos barulhos e do facto de estar escuro pelo que não demorámos muito tempo.

Fomos então à  molha dos vikings e até foi giro, mas de facto só com impermeável e num dia quente. Para quem não gosta de andar molhado, eles têm uns secadores de corpo inteiro. Parecem uma bocado caixões verticais, sem porta, que mandam ar quente. Custam 2 libras por sessão. Também vendem uns impermeáveis amarelos que são basicamente uns casos de plástico com um buraco para a cara. Acho que custavam umas 4 libras cada um. Ou seja, mais vale ir prevenido porque tudo lá dentro sai caro.

Com a Joana já muito cansada, fui à  Miniland tirar umas fotos. Ela sentou-se num banquinho enquanto eu dei uma volta mais calma para ver as construções. Por fim lá fomos ao parque infantil do Duplo Valley para ela brincar mais um bocado até à  hora de fechar. A única recordação desagradável que tenho da Legoland foi desta altura. Uma famà­lia tinha acabado de sair das Splash Towers, mesmo ali ao lado. O miúdo, pequenino, queria ir brincar nos escorregas mas estava ainda com o fato de banho vestido. A mãe despiu-o para lhe vestir a roupa normal e o funcionário veio ter logo com eles e com um tom muito agressivo disse-lhes que aquilo não era sí­tio para exibicionistas e que não podiam despir a criança ali. A mãe até tinha o miúdo embrulhado numa toalha e tudo, e chamar exibicionista a um miúdo de 3 ou 4 anos parece-me excessivo. Toda a cena me pareceu desnecessária e absurda mas o tipo tinha mesmo ar de quem gostava de andar armado em polà­cia, pela forma como correu com as pessoas quando chegou a hora de fechar.

Voltámos para o Hotel, onde eles brincaram até à  hora do jantar, no parque infantil que existe do lado de fora do restaurante. Ainda fui espreitar a piscina, que parecia muito gira, mas não chegámos a ir lá.

Como parque de diversões acho que a Legoland vale a pena e o hotel é caro mas simpático. No entanto, como já tinha dito antes, acho que é mais direccionada para crianças dos 4 aos 10 do que para mais crescidos. A duração de cada uma das atracções é tão curta que de facto só vale a pena se não for preciso esperar muito tempo na fila, ou seja, evitem as alturas de férias escolares inglesas. E lembrem-se do comboio que sobe o monte até à  entrada do parque, como forma de chegar à s atracções que estão mais lá para cima sem ter de sofrer muito a trepar. Vimos imensa gente a subir aquilo a pé, até a empurrar carrinhos de bebé, com ar de quem estava prestes a desistir, quando tinham um comboio mesmo ali ao lado que faz o trabalho todo e ia quase vazio.

A caminho da Legoland

No terceiro dia da viagem ainda levei a Joana a um rápido passei em Kensington Gardens antes de fazermos o checkout do hotel. Depois fomos de comboio até Windsor.

Parámos na estação para almoçar um hamburger bastante bom e entrei numa loja de doces chamada Hardy’s, onde comprei uns chocolates fabulosos. O Tiago quis também uma caixa dos doces de todos os sabores, do Harry Potter, que tem sabores como vómito e cera dos ouvidos. Acho que ainda não conseguiu engolir nenhum. parece que aquilo é mesmo mauzinho 🙂

Ao sair da estação de comboio damos logo com o castelo, que é enorme. Windsor pareceu uma cidade muito gira, com montes de lojinhas simpáticas, alguns edifà­cios bem antigos e bem conservados, e tive pena de não ter explorado mais, mas não ficámos por lá muito tempo. Descemos em direcção ao teatro até encontrarmos a paragem do autocarro para a Legoland. O autocarro é confortável e não demora muito tempo. pára perto da entrada do hotel e tem lego sí­tio onde deixar as malas, mesmo antes da hora do check-in. Isso permitiu-nos entrar logo no parque sem ter de estar à  espera das três da tarde. Quando saà­mos, foi só ir à  recepção buscar a chave e as malas já tinham sido entregues no quarto.

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Devo dizer que não tenho queixas do hotel da Legoland. As pessoas foram sempre simpáticas, o hotel é confortável e muito giro. A comida é talvez o ponto fraco. Não é má mas também não é excelente. Mesmo assim tem bastante escolha. O único senão é o preço, claro, mas para nós, sem carro, não havia outra hipótese. Tendo carro, é possível ficar em Windsor e ir lá só passar o dia no parque.

Acho que escolhemos a altura ideal para is à  Legoland. Em Inglaterra as crianças têm uma semana de férias a cada seis semanas de aulas. Acertando numa destas semanas, aquilo deve ser insuportável, com filas enormes. Como escolhemos uma semana em que as crianças estavam na escola, o parque estava quase vazio. Só muito poucas actividades, como a pista de carros ou conduzir o barco, é que tinham fila de espera. O resto eram duas ou três pessoas no máximo. Foi uma maravilha!

Começámos por uma viagem de submarino que anda num aquário onde há vários peixinhos e até pequenos tubarões. Deu para perceber que as actividades são coisas muito curtinhas, o que me fez ficar ainda mais feliz por não ter de esperar muito. Filas de uma hora para uma coisa de 1 ou 2 minutos seria terrivelmente frustrante.

Apesar de ter lido que muitas das actividades envolviam água, devo dizer que não à­amos preparados para isso. Achámos que ia estar demasiado frio. É claro que para o ingleses aquilo não é nada, portanto quando chegámos à  zona de aquapark, era só miúdos em fato de banho a saltitar na água. E os meus a querer ir também, claro. Por acaso até tà­nhamos levado fatos de banho para eles mas não tà­nhamos toalha nem nada para nós. Comprámos uma toalha (por 15 libras, thank you very much) e arriscámos apanhar uma molha. A Joana divertiu-se à  grande, o Tiago desistiu assim que falaram com ele em inglês e ele não percebeu o que lhe estavam a dizer.

No primeiro dia não vimos muito mais. O Tiago foi conduzir um barco e a Joana ficou-se pelo parque infantil, que é igual a todos os outros mas é o que ela gosta. Em Inglaterra tudo fecha à s cinco da tarde e a Legoland não é excepção. Ainda fomos até à  Miniland, onde estão as construções em miniatura de diversos monumentos e edifà­cios mundiais, mas já estavam a correr com a malta a essa hora.

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Passámos o resto da tarde no parque infantil do hotel, que também foi um sucesso e depois almoçámos no restaurante que tem montes de cozinheiros de lego em situações cómicas, espalhados por toda a parte.

O nosso quarto tinha o tema “piratas”. Desde o papel de parede, à  alcatifa, as cobertas da cama, os quadros e as aranhas de Lego gigantes na parede, tudo estava enquadrado no tema. A zona dos adultos estava separada da das crianças por um corredor, onde era o armário e a casa de banho, mas não havia portas a dividir os espaços. Cada área tinha a sua própria TV. A zona dos miúdos tinha um beliche, que eles adoraram. O Tiago já está habituado a dormir lá em cima, de qualquer forma. à€ entrada havia um cofre. Para o abrir era necessário fazer um jogo que consistia em contar o número de diversos desenhos existentes no quarto – caveiras, estrelas, etc. O Tiago adorou a caça ao tesouro. Dentro do cofre estava um pequeno kit de Lego para cada um deles. Na casa de banho, até os pequenos sabonetes pareciam peças de Lego. Não há dúvida que se deram ao trabalho de levar a coisa ao detalhe.

Viagem a Inglaterra: Londres, dia 2

Uma coisa aborrecida de viajar para paà­ses do norte da Europa é que durante o verão têm luz desde as quatro da manhã até à s dez da noite e não acreditam em estores. Isso quer dizer que ou se dorme de máscara ou se acorda com o nascer do sol, a meio da noite. Eu felizmente sou das pessoas precavidas que não vai a lado nenhum sem máscara de dormir e tampões para os ouvidos, por via das dúvidas, mas aqui fica a dica, para quem não saiba.

O pequeno almoço do hotel acabava à s dez da manhã, por isso na nossa primeira manhã em Londres tivemos de nos levantar cedo, apesar do cansaço do dia anterior. O Tiago descobriu que gostava de geleia de morango e o Pedro ficou fã da manteiga inglesa (ou irlandesa, já não sei bem).

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Nessa manhã partimos para Buckingham Palace, onde eu nunca tinha estado. Depois seguimos ao longo de St. James’s Park até chegarmos a Westminster. Mais uma vez, assim que chegámos, as crianças estavam cansadas e precisavam de fazer xixi, portanto foi tipo “olha ali o Big Ben, vá tira lá uma foto e vamos à  procura de uma casa de banho”. Isto reflecte o espà­rito de grande parte da viagem, na verdade.

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Ainda andámos até ao rio para ver o London Eye que não existia da última vez que lá tinha estado. Devolvemos um macaco de peluche a uma famà­lia que o tinha perdido e procurava por ele freneticamente no carrinho de bebé e voltámos a entrar no metro onde ainda nos arriscámos a ir até à  Tower Bridge, outro dos sí­tios onde eu nunca tinha estado. Não passei do inà­cio da ponte antes de ser preciso procurar outra casa de banho (num Starbucks) e voltar para o metro para ir almoçar.

Acabámos por ir almoçar a Covent Garden. Encontrámos um pequeno restaurante italiano onde comemos razoavelmente bem e o Tiago experimentou uma candy apple, algo que tinha imensa curiosidade em comer, graças aos desenhos animados que vê. Parece que não é tão bom como ele estava à  espera.

Depois andámos até Leicester Square mas foi mesmo só para entrar no metro porque a Joana já ia ao colo outra vez. Tivemos de esperar à  porta do hotel porque o senhor da recepcção deve ter ido jantar ou à  casa da banho. O Pedro não ficou muito satisfeito com isso porque continuava com a Joana ao colo e ela já pesa. Mesmo antes de considerarmos arrombar a porta, lá apareceu o homem que nem sequer pediu desculpas, o sacana.

Os miúdos estavam arrumados mas eu recusei-me a passar o resto do dia no hotel, por isso saà­ para passear mais um bocado em Kensinton Gardens. Dei a volta ao lago, passando pela Serpentine Bridge, e tive o meu primeiro contacto com os esquilinhos da zona, o que me lembrou que tinha de ir comprar avelãs.

Como o quarto estava super quente, descemos até ao pequeno jardim que existe mesmo em frente, onde nos sentámos num banquinho, cada um com o seu device, a aproveitar a brisa de fim de dia. O jardim têm uma árvore gigantesta e não resisti a tirar uma foto com a Joana à  frente, para escala.

Viagem a Inglaterra: Londres, dia 1

Há uns meses decidimos marcar férias. O ano passado fomos uma semana ao Gerês, mas fora isso não tirávamos umas férias decentes há oito anos. A última tinha sido uma viagem a Praga quando eu estava grávida do Tiago. Viajar com crianças pequenas é uma complicação e nunca mais nos atrevemos.

Este ano, porém, num momento de loucura, resolvemos então planear uma viagem a Inglaterra, com o duplo objectivo de levar os miúdos à  Legoland de Windsor e também visitar o meu irmão em Leamington Spa.

Estava convencida que, com as marcações online, tinha a vida facilitada, mas a verdade é que a coisa requer muito mais tempo e paciência do que eu pensava. É preciso comparar preços de várias companhias aéreas, que também variam muito de acordo com o dia da semana e a hora do và´o. Acabámos por marcar voo de ida pela Easyjet e de regresso pela Ryanair, o que significa que aterrámos em Londres no aeroporto de Luton e regressámos pelo de Stansted.

Como estes aeroportos ficam no meio de lado nenhum, foi também necessário marcar shuttles e comboios. A marcação dos comboios é outra aventura. Há um site central mas depois há imensas companhias diferentes. Os bilhetes podem ser “anytime” ou com hora marcada e os preços têm variações brutais. Para 3 pessoas (porque a Joana tem menos de 5 anos e não paga), os bilhetes mais baratos custaram 15 libras e os mais caros 95,90 libras (de Windsor para Leamington Spa).

Marcar o hotel em Londres foi simples mas o da Legoland nem por isso. Tentei usar o formulário do site mas eles só têm aquilo preparado para moradas inglesas e não aceitava o nosso código postal. Acabei por ter de telefonar para lá e fazer a reserva por telefone. Estão a imaginar o que é dizer os nossos nomes e moradas por telefone a um inglês? Foi preciso soletrar praticamente tudo. Porém, o senhor que atendeu o telefone e fez a reserva foi muito simpático, de acordo com o espà­rito orientado para as crianças do hotel. Aliás, acho que até foi simpático demais porque pà´s-se a elogiar o meu inglês (para uma estrangeira) entre outros comentários conversadores, enquanto eu estava era a tentar despachar a coisa porque as chamadas internacionais são caras. Mas lá ficou resolvido.

Depois de tudo planeado, marcado e investigado, o último fim de semana antes da viagem foi para fazer as malas, tentando planear tudo o necessário sem levar tralha a mais. O pior é mesmo prever que roupa levar para o clima bipolar dos ingleses. Sabia que estavam menos 10 graus que cá mas uns dias chove e outros faz sol e é preciso planear roupa para frio e calor ao mesmo tempo.

Na manhã do dia 15 de Junho lá fomos nós para o aeroporto, em grande conforto graças à  boleia do meu pai. Ir de transportes com duas crianças ensonadas por se terem levantado à s 6 da manhã teria sido muito mais difà­cil.

Fomos para o terminal 2 do aeroporto onde, depois de despachar as malas, estive numa fila gigante. Era tão grande que fazia um U para não sair porta fora. É claro que há sempre uma maltosa que se aproveita destas coisas e fartei-me de ver familias inteiras de portuguesinhos a saltar de um lado para a outra da fila como quem não quer a coisa. É só espertalhões por este paà­s fora.

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A primeira viagem de avião dos miúdos correu bem excepto na descida, quando o Tiago se queixou da pressão nos ouvidos. É de facto a parte mais desagradável para quem não está habituado e não sabe bem fazer aquela coisa de dar os estalinhos para libertar a pressão. Lembrei-me de levar comida de casa porque nas companhias low cost não servem comida a menos que se queira ser extorquido. O Tiago declarou que foi a melhor sandes que já tinha comido. Quando a fome aperta, as coisas mais simples são as melhores 🙂

Chegados ao aeroporto de Luton, comprámos comida na loja da M&S, levantámos os bilhetes de comboio (pré-reservados) numa máquina automática e fomos à  procura do autocarro de shuttle para a estação de comboio. A viagem foi rápida e o comboio para Londres era confortável. Ficámos nuns lugares com mesa, o que deu para o almoço improvisado. Quando saà­mos na estação de Farringdon é que andámos um bocado à s aranhas porque era suposto aquilo ter ligação com o metro, mas para se comprar bilhete de metro era necessário sair da estação e voltar a entrar e as máquinas da saà­da onde estávamos não aceitavam os bilhetes de comboio. Enfim, lá fomos ter com um funcionário que nos abriu a porta e conseguimos ir comprar os oyster cards, que são os cartões de metro pré-pagos.

Quando chegámos finalmente à  estação de Paddington já estava tudo farto da viagem. Ainda foi preciso andar imenso tempo dentro da estação para chegar à  saà­da mais próxima do hotel e ter muita paciência para os semáforos da zona que ficam fechados meia hora e abrem para os peões 5 segundos. Pronto, OK, a meia hora é um bocado exagero mas o outro nem por isso. Se uma pessoa olha para o lado, já está vermelho outra vez.

Cinco minutos depois estávamos no Rose Park Hotel que tinha um ar um pouco menos acolhedor do que nas fotos, e um empregado que conseguiu logo meter um comentário machista na primeira interacção.

O quarto era pequeno mas tinha 3 camas confortáveis e casa de banho com duche. Infelizmente estava um calor insuportável lá dentro e o AC não parecia fazer grande coisa. O tempo passado no hotel consistiu em aturar dois miúdos de cuecas a saltitar de cama em cama aos gritos enquanto lhes dizà­amos para fazerem pouco barulho e eu tentava planear o que visitar a seguir.

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Na primeira tarde fomos a pé até Hyde Park e Kensington Gardens que era mesmo ali ao lado. Basicamente é tudo a mesma coisa só que Hyde Park fica de um lado da estrada e Kensington Gardens do outro. Vimos os Italian Gardens com as suas múltiplas fontes e começámos a andar em direcção ao Diana Memorial Playground, mas os miúdos estavam cansados da viagem e não chegámos longe antes de voltar para trás. Acabei por levar a Joana a um parque infantil perto do Lancaster Gate, onde subitamente o cansaço desapareceu. Aliás, durante a viagem foi assim com tudo. Estavam sempre muito cansados até aparecer um sí­tio para brincar onde de repente tinham uma energia infindável.

Fomos jantar ao McDonalds e a comida era horrà­vel. Tinha ideia que McDonals era igual em todo o lado, mas não é. A coca cola era só água com gás, sem sabor nenhum, e os hamburgers eram indescrità­veis. A Joana adormeceu assim que chegámos e dormiu deitada na cadeira o tempo todo. Aliás, a Joana dormiu em todo o lado. Foi preciso andar com ela ao colo metade do tempo.

Assim terminou o primeiro dia.

Exposição de Joalharia: Monumentos Portugueses – Jewellery Exhibition: Portuguese Monuments

Participei, no passado mês de Maio, na minha primeira exposição de Joalharia. A exposição dos trabalhos dos alunos do curso de Joalharia, com o tema “Monumentos Portugueses”, decorreu entre 9 e 30 de Maio de 2015 no Fórum Romeu Correia, em Almada.

A minha peça era a pregadeira Manuelina, inspirada numa janela do Convento de Cristo em Tomar.

Gostei imenso de ver os trabalhos dos meus colegas, alguns dos quais tinha acompanhado durante a produção mas não tinha visto o resultado final. Acho sempre fantástico aquilo que é possível fazer, nalguns casos com poucos meses de experiência, quando se tem um bom acompanhamento e incentivo.

English:

Last May I participated in my first jewellery exhibit. The exhibit, under the theme “Portuguese Monuments,” displayed the work of the Jewellery Studio’s students from the 9th to the 30th of May 2015 at Fórum Romeu Correia, in Almada.

My contribution was a Gothic pin based on a window from the Christ Convent in Tomar.

I greatly enjoyed seeing the work of my colleagues, many of which I had glimpsed during production but hadn’t yet had the pleasure to see the end result. It’s amazing what a person can achieve, sometimes with only a few months of experience, when you have a good teacher and enough incentive.

Pregadeira de abalone (madrepérola) – bata com luz

For the English version, click here

O novo exercí­cio do curso avançado de joalharia consistiu em fazer uma peça com bata com luz.
A bata é o nome que se dá à  chapa que dá altura às peças. É a “parede” que transforma uma chapa fininha numa peça tridimensional. No projecto que escolhi, a bata é também a base da pedra. Bata com luz significa apenas que é uma bata com um desenho que permite a passagem da luz, ou seja, não é uma “parede” sólida.

A “pedra” que escolhi para esta peça foi um fragmento de concha chamado abalone. É uma espécie de madrepérola com umas cores lindas. O fragmento de abalone foi-me dada pela minha tia Elisabete e achei que merecia uma peça especial. Também escolhi esta “pedra” porque tenho tendência para projectos muito geométricos e queria explorar um desenho algo mais irregular. Cada um tem coisas boas e más. Por exemplo, é mais fácil fazer uma cravação para uma pedra regular mas muito mais complicado manter o rigor que um desenho geométrico requer. O design foi inspirado numa peça de Stacy Perry (hodgepodgery) mas penso que o resultado é bem diferente, graças à  tridimensionalidade criada pela bata.

A madrepérola tinha uma base muito irregular, em que um lado era muito mais alto do que o outro. A zona mais espessa era até alta demais para ficar bem na peça, por isso limei a base até chegar a uma medida que permitia ter uma base mais estável e direita, e também ter uma altura mais fácil de integrar na peça.

Comecei então por moldar um fio quadrado de 1 mm à  forma da pedra, para fazer a base da cravação. Isto implicou moldar o fio tanto na vertical como na horizontal, para acompanhar a diferença de alturas da base. Com um segundo fio quadrado, fiz o mesmo desenho mas desta vez todo plano. A bata com luz ficaria entre estes dois fios quadrados.

Na zona mais alta da pedra, entre a base plana e o suporte da pedra, inseri uns fios rectangulares para criar alguma distância entre os dois fios quadrados e deixar entrar alguma luz. Esta é a forma mais simples de fazer uma bata com luz, e se a base da pedra fosse regular, poderia ter feito isto a toda a volta.

Como tinha uma altura muito grande no outro lado, e porque o projecto incluí­a uns elementos decorativos triangulares, resolvi fazer a bata também com triângulos. Para tal, usei fio quadrado com 0,8mm no qual fiz um pequeno cortes para o dobrar ao meio, formando assim duas faces do triângulo. Estas pecinhas foram limadas até caber entre as bases da pedra e soldadas.

Depois fiz o segundo elemento do projecto, uma espécie de ponte curva, com uma chapa com 1mm de espessura e os mesmos triângulos da bata entre a base e a chapa curva do topo.

Em cima dessa “ponte” soldei uns pauzinhos meramente decorativos, para dar mais textura à  peça, e por baixo da “ponte” soldei uns fios para fazerem a ligação entre os dois elementos – a cravação da pedra e a “ponte”. Um desses fios de ligação prolonga-se para além da cravação para servir de suporte a uma pequena pérolas. Esse suporte consistiu em criar uma virola com o tamanho da pérola com um espigão soldado no meio, uma vez que a pérola era de meio furo e seria colada no final.

Soldei os grampos que iriam segurar a madrepérola à  estrutura da mesma, tendo o cuidado de não tapar o desenho triangular da bata, e depois cobri toda a estrutura da peça com gesso para poder soldar as ligações em segurança, sem os elementos se mexerem.

Por fim foi a vez de fazer o alfinete da pregadeira. Comecei pelo clique, que é a parte do fecho. Em vez de um caracol simples, como na primeira pregadeira, desta vez fiz um fecho rotativo.

Comecei por fazer um canuvão (tubo) ao qual cortei uma pequena secção. Soldei uma chapa para servir de base ao fecho e cortei duas linhas paralelas no lado oposto da peça, para entrar o espigão rotativo.
Depois tornei o resto do canuvão um pouco mais fino, até caber dentro da peça do fecho, e soldei o espigão. Inseri o espigão na ranhura do fecho e soldei uma peça quadrada para servir de “pega”. Foi necessário serrar um quadrado no centro dessa chapa quadrada que tinha de ficar rente ao espigão. É um pormenor mas algo que pode demorar uma eternidade a fazer porque é muito fácil alargar de mais e assim ter de fazer outro (que foi o que aconteceu da primeira vez. Quando essa chapinha estava no sí­tio, serrei o resto do canevão que estava a mais.

O pé e o gonzo da pregadeira foram feitos da mesma forma da anterior pregadeira. Fiz também uma argola extra para a peça poder igualmente ser usada como pendente.
Soldei tudo à  parte inferior da peça e foi altura de passar aos acabamentos – limar, lixar, oxidar e polir. Para oxidar apenas parte da peça, a melhor técnica é aquecer ligeiramente o metal com o maçarico e depois aplicar o óxido com um pincel. Isso permite uma aplicação bastante precisa, sem ser preciso gastar tanto com o polimento para ter o resultado pretendido.

Por fim cravei a pedra, colei as pérolas nos espigões e cravei também o rebite do pé da pregadeira. E pronto, mais uma peça terminada. Esta demorou bastante tempo porque tinha muitos detalhes técnicos e muitos elementos que tinham de encaixar perfeitamente.

Abalone shell brooch – pierced walls

The next exercise in the advanced jewellery course was to make a brooch with a pierced wall.
The wall adds height to a piece, lifts it away from the body and transforms a thin sheet of metal into a tridimensional item. A pierced wall simply means that there are openings all around the piece that allow light to shine through. In the chosen design, the wall is also the base for the stone setting.

I chose an abalone fragment. It’s a shell similar to mother of pearl but with very bright, beautiful colours. This abalone fragment was given to me by my aunt Elisabete and I felt it deserved to belong to a special piece. I also chose it because I have a tendency for geometric designs and I wanted to see what I could do with a more irregular item. Each has good and bad things. It’s easier to make a setting for a regular gemstone, for instance, but a lot harder to be perfect when cutting out a geometric design.
This particular design was inspired by a Stacy Perry piece (hodgepodgery) but I believe the end result is quite different, thanks to the dimension added by the pierced wall.
The abalone fragment had a very irregular base and one side was much higher than the other. The taller side was too tall to fit well, so I filed it down until there was enough flat base for it to sit straight and steady.

I started with the setting, by shaping a 1mm square wire until it fit the underside of the abalone fragment. The wire also followed all the ups and downs of the base. With another square wire I duplicated the shape but this time made it flat. The pierced wall would be assembled between these two wires.

On the side where the abalone was highest, both base wires nearly touch. I simply added some rectangular wires at regular intervals, like pillars, between both square base wires to create some height and let some light in. This is the simplest way to make a pierced wall. With a regular gemstone it’s possible to do this all around. The look of the wall can be changed simply by changing the height of the pillars.

The opening on the opposite side was quite large so simple pillars would be too bland. Since the project included some triangular decorations, I decided to also fill the wall with triangles. I used 0,8mm (20 AWG) square wire, cut it into small bits, cut a small notch in the middle of each one and bent them in half to make two sides of the triangles. I filed the ends until they fit perfectly between both base wires and soldered them one by one.

After that I made the second element in the design, a sort of curved bridge that would sit next to the stone. I used rectangular wire 1 mm (18 AWG) thick by 25 mm wide, shaped in a soft curve. There were two similar curved shapes (top and bottom) with more triangles in between.

On top of this “bridge”, I soldered small rectangular wires also following the triangular motif. These were purely decorative, to add texture. Underneath the “bridge”, I soldered three parallel square wires that would connect it with the stone setting. One of these wires stretches beyond the setting to support a small pearl and the other two became prongs that hold the abalone shell in place. The pearl setting is made from a small bezel with a prong in the middle. The pearl was glued to the prong with epoxy glue.

I soldered another triangle on the inside of the stone setting to add an extra prong and also bent and soldered the two other prongs to the side of the setting. I used plaster to hold all the elements in place while soldering.

Once the main design elements were done, I worked on the pin mechanism. This time I did a rotating catch.

I made a tube, cut a small section, soldered a small piece of rectangular wire to the side of the tube, to make a base, and cut a strip off the opposite side (the top), This strip will accommodate the slider that allows for the catch to open and close.

I ran the remaining tube through a draw plate to make it small enough to fit the previous tube and soldered a bit of square wire to it, to make the slider. I inserted this tube with the slider, into the larger one (I had to open up the larger tube to make this one fit) and then soldered a small square on the tip of the slider. I drilled a hole in the centre of the square so it would fit onto the wire and be more secure.

Since the slider was made from square wire, I had to file this hole square as well. It took forever to make it perfect. I think round wire for the slider is a much simpler option in future. Once everything was in place, I sawed off all the excess tube, which I had cut a bit larger than necessary. I always refer to start larger and then cut it down to size. More room for error.

The pin stem and the joint were made the same way as the previous brooch. I added a little loop on the back so the brooch could also be worn as a pendant.

Once everything was soldered in place it was time to file, sand, add patina and polish. I only wanted to add patina to certain areas of the brooch so I heat it up for a few seconds and painted the liver of sulphur onto the bits I wanted to darken with a small paintbrush. It saves time when polishing if you don´t need to remove so much of the patina in unwanted areas.

Finally I set the main stone – the abalone fragment – and glued the pearls onto their spikes. I also attached the pin stem with a rivet and I was done. This piece took a long time to complete because there were a lot of small elements that had to fit just right.