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O desfralde

Durante o tempo que passa em casa o Tiago adaptou-se perfeitamente ao uso do bacio. Já vai ser ser preciso dizer-lhe nada e depois vem ter connosco com o bacio na mão dizendo repetidamente ‘já tá!’

No entanto este sucesso estrondoso está directamente relacionado com o facto de ter começar a recusar vestir-se quando está em casa. Primeiro não queria fralda e agora não quer qualquer tipo de roupa. Passeia-se alegremente nu pela casa todo o dia e vai assim habituando-se a usar o bacio. Quando está vestido ou tem fralda, acabou-se. É como se o objecto deixasse de existir.

Sei que vou agora ter de começar a treiná-lo para usar o bacio quando está vestido mas isso vai demorar algum tempo. Acho que vou adiar até ao final do verão para ver se acontece naturalmente. Enquanto estiver calor e ele não precisar de usar roupa prefiro não ter de me chatear com isso.

A parte noturna acaba por ser a que corre melhor. Os livros de bebés falam em acordar os miúdos a meio da noite para irem à  casa de banho, algo que me pareceu sempre uma violencia e que provavelmente resultaria apenas em birra e o resto da noite sem dormir. Felizmente descobri que não parece ser um problema porque há bastante tempo que o Tiago acorda todas as manhãs com a fralda seca. É verdade que depois arma confusão para tirar a fralda e usar o bacio a primeira vez mas com um bocadinho de paciencia até tenho conseguido que colabore.

A parte de dormir é que tem dias. A noite passada o Tiago adormeceu na minha cama e o Pedro depois levou-o para a cama dele quando se foi deitar. Eu estava tão cansada que nem dei por isso e só acordei de manhã. Esta noite deitei-me ao lado do Tiago na cama dele e ele adormeceu bem e até agora não voltou a levantar-se. Mas como foi dia sem sesta – ao contrário de ontem que adormeceu no sofá a ver o Star trek – estava bastante cansado.

Enfim, todos os dias são um desafio mas ele vai crescendo e continua a fazer-me sorrir diariamente, de uma forma que compensa muitas noites sem dormir e muitos momentos de irritação.

– Bending wire

– I’ve been working on designs for new rings. My coil rings continue to be popular and I can make them much faster now and without as much pain (calluses are your friends indeed) but I get fed up with doing the same thing all the time.

I love just bending wire randomly and seeing what comes out and I also had tons of sketches in my little sketch book so there was plenty to get me started.

I made all the rings on this picture in one morning, each taking about 15 to 20 minutes to make. They’re all adjustable and have some hammered bits to make them more interesting. My favorite is the one on the right that makes me think of an octopus. I think that design may be the one I’ll work on for further pieces. It’s different from the rest because it’s open on the side rather than at the back.

Análises

Ontem à  noite o Tiago recusava-se a ficar na cama. Como eu estava muito cansada e levemente deprimida, fui-me deitar cedo e deixei-o deitar-se ao meu lado. Acabou por adormecer e à  meia noite o Pedro levou-o para a cama dele. Tenho a impressão que vai começar a ser assim durante uns tempos.

Esta manhã o Tiago acordou à s sete e juntou-se a nós. Depois levantou-se e foi buscar a almofada. Depois levantou-se e foi buscar o boneco. Depois fartou-se de rebolar na cama e dar-nos pontapés enquanto se virava. Desisti e levantei-me, perguntando se queria ir comer.

Como ficámos prontos uma hora mais cedo achei que era um bom dia para ir fazer as análises. O Tiago não queria  deixar o pai nem descer-me do colo e acabei por ter de o levar no carrinho porque não aguento com ele ao colo o caminho todo. Uns dias vai a pé outros no carrinho, conforme o nà­vel de cooperação.

Fui fazer as análises e voltei para casa, chegando à  mesma hora do costume. Agora vamos ver se o resultado mostra alguma coisa de relevante em termos hormonais.

Mais noites sem dormir

Esta noite o Tiago voltou a levantar-se diversas vezes. Tentei deixá-lo dormir connosco mas não dá – não consigo adormecer com ele na minha cama porque não consigo desligar o radar mamã que me põe alerta cada vez que ele se mexe.

Passei o dia com dores de cabeça de cansaço e dolorosos nozinhos no pescoço.

Estes dias fazem-me repensar seriamente a decisão de tentar engravidar de novo. Por muito que adore o meu filho, continuo consciente que não tenho personalidade para ser mãe 24 horas por dia. Gosto muito de brincar com o Tiago mas ao fim de suas horas de comboios, desenhos e puzzles começo a olhar para o relógio, a sentir-me cansada e aborrecida e com vontade de fazer outra coisa. Aproveito um momento em que o Tiago parece estar concentrado com qualquer coisa e sento-me a ler um livro ou a rabiscar desenhos para um colar. Geralmente não dura mais de um minuto ou dois porque essa é precisamente a altura em que o Tiago decide que está na hora de ser perseguido pela casa e brincar à s escondidas no meio das almofadas do sofá e requer a minha atenção incondicional.

Eu sei que há muitos pais e mães que não se deixam manipular desta forma mas sinto que ignorar o meu filho quando ele quer a minha atenção, nas poucas horas diárias que passo com ele, seria errado e por isso faço todo o esforço por interagir e entrar nas brincadeiras. Mas não posso negar que à s vezes é um grande sacrifà­cio, principalmente em dias como este em que estou mais cansada.

Pensar na possibilidade de ter de dividir a minha atenção por dois humanos com este nà­vel de exigencia deixa-me ainda mais cansada e faz-me pensar que é capaz de ser boa ideia pensar melhor no assunto.

Como não vai ser um processo fácil nem inteiramente natural engravidar de novo – já ando em fase de análises hormonais, etc – começo a tentar convencer-me que isso é um ‘sinal’ para estar mas é quietinha, deixar este ir crescendo e continuar com a minha vida em vez de voltar à  estaca zero com um recém nascido quando tiver quase 40 anos, ainda por cima com todos os riscos adicionais que a idade implica.

Já sabia que isto ia acontecer. Se tivesse sido um processo natural já estava e não pensava mais no assunto. Assim, vou ter dúvidas até ao fim.

Lições de bijutaria

Já coloquei online a terceira lição de bijutaria com arame em formato PDF.

As lições podem ser acedidas através de download directo nos links abaixo ou através da loja Stuffed Squares, na secção ‘lições de bijutaria’, adicionando a lição ao cesto de compras como um produto normal e fazendo o checkout.

As lições de bijutaria disponà­veis neste momento são as seguintes:

Ferramentas e materiais utilizados em bijutaria com arame

– Como fazer espirais de arame e argolas

– Como fazer elos de ligação com contas

– Como fazer fechos

Vou adicionando links a este post à  medida que forem estando disponà­veis.

Que chatice, estou crescida

Aconteceu finalmente aquilo que eu temia há muito – cheguei a uma idade em que já não fico bem com roupa ‘jovem’.

Vejo-me de relance no espelho ou numa foto e penso ‘quem é que aquela velha acha que engana’, ou como dizem os Ingleses, Mutton dressed as Lamb.

Há uns dias, estava o Pedro a ver o Top Gear, e eu não resisti a comentar que o Richard Hammond estava a ficar com cara tà­pica de inglês de meia idade e mais valia cortar o cabelo e largar o colar porque já não enganava ninguém. Agora chegou a vez de ter essa honestidade comigo mesma.

Passamos a nossa infancia e adolescência à  espera de crescer e ser independentes apenas para perceber que ser adulto não é a diversão que pensávamos e a liberdade por que ansiavamos, mas sim um mar de responsabilidades, contas para pagar e ter que levantar cedo todos os dias à  mesma. OK, somos nós que fazemos as escolhas mas isso só quer dizer que quando correm mal não há ninguém para culpar.

Aquilo que sobra é um agarrar desesperado ao uniforme da nossa juventude como forma de dizer que não desistimos e continuamos a ser a mesma pessoa que áramos. Mais que isso, quando tinha a idade certa não tinha meios para comprar a roupa que queria usar e tenho tentado compensar desde então. E de repente chega uma altura em qua a imagem que vemos no espelho nos trai e está tudo acabado. Por dentro sentimo-nos iguais mas por fora não enganamos ninguém.

Por muito que me custe acho que chegou a altura de doar as minhas t-shirts e tops mais juvenis e admitir que agora fico com um ar mais honesto com roupa de gente crescida. Não quer isso dizer que passe a andar de fatinho. É mais uma questão de elegancia – escolher peças que encaixem e me dêem um ar um pouco menos desleixado, fugir dos tecidos elásticos e peças muito justas. Ou seja, deixar para trás tudo o que era divertido usar.

Raios.

Gosto pelo nudismo

Desde que fomos de férias o Tiago descobriu que andar sem roupa é o máximo. Percebi depressa que ele vai mais facilmente ao bacio se não tiver roupa. Se tem fralda ou calções acaba por fazer xixi onde estiver mas se não tiver nada até vai ao bacio por iniciativa própria. Por isso, quando está em casa começou a recusar a fralda e eu deixo-o andar semi-nu grande parte do tempo.

No sábado a Carla veio fazer-nos uma visita e o Tiago esteve a fazer show-off. Falou com ela, riu-se, entregava-lhe o copo de água em vez de o dar a mim e a certa altura desapareceu um bocadinho e voltou com a fralda com cocó na mão para ir deitar no lixo – ou seja, o cocó continua a ser na fralda mas depois tira-a sozinho e vai deitá-la fora.

Na sexta feira, quando voltávamos da escola, passámos por um polà­cia que achou piada ao Tiago e meteu conversa com ele. O Tiago respondeu com o seu habitual discurso ‘tapata’ que ninguém compreende e depois levantou a camisola e apontou para o umbigo. No sábado passou a nu total – quando voltámos do lanche a primeira coisa que o Tiago fez foi despir-se completamente para a Carla. Nota-se que tem um gozo enorme na reacção das pessoas 🙂
Ainda estou à  espera do dia em que resolve despir-se no meio da rua.

Esta manhã consegui convencê-lo a fazer o xixi no bacio sem gritar mas vestir-se e ir para a escola já não correu tão bem. Não queria sair do meu colo e ficou a chorar novamente, com um ar muito sofrido.

Durante o fim de semana não quis sair de casa. Tentámos várias vezes vesti-lo para sair e ele recusou-se sempre. Como a ideia de sair era para ele se divertir, já que estávamos ambos exaustos e só queriamos era voltar para a cama, achámos que não valia a pena estar a forçá-lo e a criar uma grande birra.

Malas e sapatos

Ao fim de anos a lutar contra a ridicula moda das malas gigantes, acabei finalmente por ceder e comprar uma. Não por uma questão de moda mas porque agora realmente começou a dar jeito ter uma mala maior.

Comecei por andar com uma mala da Furla que comprei na viagem a Milão. Cabia tudo e era aberta em cima ma as alças eram curtas e não dava muito jeito para perseguir o Tiago no jardim infantil. Mudei então para uma CK com alça comprida que permitia usar a tiracolo mas que acabou por ter um tamanho insuficiente e perdi umas luvas e uns óculos escuros porque não cabia tudo lá dentro.

Com a necessidade de arranjar uma mala com um tamanho suficientemente grande para as coisas do costume – chaves, carteira, óculos, bloco de notas, etc – mais as coisas do Tiago que passei a ter de carregar todos os dias – água, bolachas, chapéu, óculos escuros, brinquedos, fruta…. – fui ver o que havia nas lojas.

A conclusão a que cheguei é que comprar uma mala com o tamanho certo, a alça comprida, uma cor neutra e um aspecto que não provoque vómito é muito complicado. Vi umas que gostei mas não tinham a alça, outras custavam perto de 500 euros e finalmente acabei por me render a uma mala da Sisley que até nem era feia, em azul escuro e com alça, só que bastante maior do que seria necessário.

Já percebi que o maior problema das malas grandes é que acabo por carregar muito mais do que o necessário. Dantes estava sempre a trocar o que tinha na mala para levar apenas o essencial. Agora, como cabe tudo ando com a casa ao ombro. E é ainda mais impossível encontrar alguma coisa na mala sem deitar tudo fora e começar de novo – procurar a carteira no café enquanto prendo o Tiago entre as pernas para não sair a correr para a rua é um grande desafio –  mas pronto, pelo menos nunca mais me esqueci de nada essencial, o que é bom.

Haverá alguns homens a ler isto e a pensar – mas que raio! Para quê dar tanta conversa por causa de uma mala! – mas é porque ainda não compreenderam que uma mulher está completamente perdida sem a sua mala. Acho que saimos mais facilmente de casa sem cuecas do que sem mala. É uma espécie de boia de salvação, é o nosso mundo em miniatura.

Para além disso, quando uma mulher vê outra acho que as primeiras coisas em que repara são os sapatos e a mala. Posso usar roupa nova todos os dias sem ouvir qualquer comentário mas se tenho uma mala nova é mais que certo que outras mulheres com quem converse vão falar sobre ela. Acho que é porque andamos sempre à  procura do modelo perfeito, aquele que leva tudo ser ser pesada, que combina com toda a nossa roupa, o objecto impossível.

Uma amiga da minha mãe, como não conseguia encontrar ‘a mala’ que dava com tudo arranjou uma solução fabulosa para não perder muito tempo quando precisava de mudar as suas coisas de uma mala para outra: tinha uma bolsa de plástico transparente com todas as suas coisas lá dentro para mudar tudo de uma só vez – uma espécie de mala dentro da mala.

E das malas para os sapatos, outra obcessão feminina.

Agora que já passou algum tempo não posso deixar de mencionar que os sapatos da Fly London que comprei há cerca de um mês são de facto fenomenais. O modelo chama-se Yuna e estou com vontade de ir à  procura dos azuis para poder usar alternadamente.

Para além de serem super bonitos, a sola é almofadada e como o salto é compensado são quase tão confortáveis como sapatos rasos. O salto de cunha é o único salto que vale a pena usar se queremos evitar torturar os nossos pés e em conjunto com o cabedal super mole do sapato, este é tão confortável que o consigo usar o dia todo sem magoar. O único problema é a minha tendência para torcer os pés, que num salto compensado pode magoar a sério.

De resto, os sapatos magoaram-me o calcanhar da primeira vez que os usei, mas foi porque fui um bocado burra e usei-os logo sem meias. Depois de mais dois dias com meias não voltaram a magoar.

É bom saber que há marcas portuguesas capazes de fazer coisas verdadeiramente excelentes e estou desejosa de ver a colecção de inverno porque quero umas botas com o mesmo salto em cunha. Havia umas muito giras o ano passado mas já não fui a tempo. Espero que as deste ano sejam igualmente fabulosas.

Nota mental: tive que comprar o número acima do normal nos sapatos. Será só deste modelo ou de todos?

– Aneis de arameAneis de arame

wire_ringsPor muito que goste de fazer peças mais complexas como colares e pulseiras, os anéis são as peças mais populares e as lojas estão constantemente a pedir-me para levar mais. No entanto, fazer modelos de anel novos não é fácil e por vezes isso implica passar uns dias a fazer rabiscos no papel e a dobrar arame até sair alguma coisa interessante.

Depois de ter consultado livros e sites de inspiração, ontem sentei-me com o bloco de notas e comecei a fazer bonecos. Esta manhã comecei a transformar os desenhos em formas tri-dimensionais e o resultado até agora é o que se vê na foto do lado.

A diferença maior em relação aos anéis de arame que fiz em anos anteriores é que estes são todos martelados para espalmar o arame que fica fino e largo. São todos ajustáveis – uns abertos atrás e outros de lado – e as variações possà­veis são inúmeras.

Depois destas primeiras experiências vou pegar nos modelos que considero mais promissores e fazer versões em prata para poder lixar o anel de forma a ficarem com um acabamento mais perfeito.wire_ringsPor muito que goste de fazer peças mais complexas como colares e pulseiras, os anéis são as peças mais populares e as lojas estão constantemente a pedir-me para levar mais. No entanto, fazer modelos de anel novos não é fácil e por vezes isso implica passar uns dias a fazer rabiscos no papel e a dobrar arame até sair alguma coisa interessante.

Depois de ter consultado livros e sites de inspiração, ontem sentei-me com o bloco de notas e comecei a fazer bonecos. Esta manhã comecei a transformar os desenhos em formas tri-dimensionais e o resultado até agora é o que se vê na foto do lado.

A diferença maior em relação aos anéis de arame que fiz em anos anteriores é que estes são todos martelados para espalmar o arame que fica fino e largo. São todos ajustáveis – uns abertos atrás e outros de lado – e as variações possà­veis são inúmeras.

Depois destas primeiras experiências vou pegar nos modelos que considero mais promissores e fazer versões em prata para poder lixar o anel de forma a ficarem com um acabamento mais perfeito.

Regresso à  escola

Depois de duas semanas de férias o Tiago voltou à  escola. No primeiro dia esteve bem mas nos dias seguintes, à  medida que se foi apercebendo que ia para a escola todos os dias, começou gradualmente a voltar ao comportamento que tinha quando entrou pela primeira vez.

Na terça foi muito bem mas já dentro da sala fez birra e sentou-se no chão. Na quarta não queria ir para o colo da auxiliar. Na quinta viu a carrinha da escola a meio do caminho e cometi o erro de a apontar e ele foi ao colo o resto do caminho, recusando-se a andar mais. No caminho de volta também veio um grande bocado ao colo.

Hoje não se queria vestir, foi de carrinho porque já estavamos atrasados com as birras e ficou a chorar.

A par da choradeira na escola também começou a levantar-se várias vezes durante a noite e a ir ter ao nosso quarto. Foi assim nas últimas três noites e andamos exaustos. Começo logo com a tentação de voltar a montar a cama de grades mas sei que o que preciso de fazer é ter paciencia e continuar o treino até ele se habituar a ficar na cama.

Acho que vamos ter de experimentar fechar a porta do nosso quarto para ver se ele desiste e volta para a cama mas duvido que isso funcione.

Esta noite deixei-o deitar-se connosco durante cerca de uma hora e depois levei-o para a cama dele ao colo mas passada meia hora estava de volta. No fundo acho que está tudo relacionado com voltar à  escola. Está carente porque passa menos tempo com os pais e anda a procurar atenção durante a noite que é quando estamos lá. Só que mesmo com a nossa cama maior não dá para dormirmos os três, mesmo que eu considerasse essa hipotese durante uns tempos. O Tiago ocupa o meu lugar e a minha almofada e eu fico encolhida no meio da cama a tentar não bater em ninguém e sem espaço para me virar. Para além disso não o quero habituar a dormir connosco. Se não o fez em bebé não é agora que vai começar.

Quando o levo de volta para a cama dele, o Tiago agarra-me no braço e só se deita se eu me deitar ao seu lado. Umas vezes espero que adormeça, outras fico um bocadinho e saio. Se ele está acordado quando saio, vem imediatamente atrás de mim mas geralmente funciona mandá-lo voltar para a cama. Só que passado algum tempo acorda outra vez e começa tudo de novo.

Suponho que vamos ter de aguentar isto durante mais uns tempos até se habituar ao regresso a esta rotina mas está a custar bastante.

Uns dias à  beira da piscina

Floating in the pool Este ano tinhamos pensado em ir passar uns dias fora, mas por causa do trabalho o Pedro esteve mesmo até ao último dia sem saber se podia tirar férias ou não e acabou por não dar. Decidimos então ir passar uns dias à  casa de férias dos meus pais, só mesmo para fugir à  rotina.

Tinhamos planeado ir na segunda de manhã mas o Pedro afinal pensou que tinha que ir ao escritório e adiámos para terça. Passei a segunda a arrumar tudo e a fazer listas do que precisavamos de levar, principalmente por causa do Tiago.

Na terça de manhã, depois de quase nos esquecermos da chave, lá fomos para o Alentejo. Quando chegámos à  casa tive rapidamente o primeiro choque. Tinha comprado uma cama de viagem para o Tiago porque uma das nossas maiores preocupações era  reacção do Tiago a dormir num sí­tio estranho. Uns dias antes da viagem a minha mãe telefona a dizer que o meu primo Miguel lhe tinha dado uma cama de grades que já não precisava. Eu já lhe tinha dito que ia comprar uma mas a minha mãe faz o que quer, como sempre, e deve ter decidido que ter lá uma cama de criança era boa ideia já que tem dosi netos e isso evitaria termos que andar sempre a carregar com uma cama nossa. Tomei esta informação como um gesto de consideração da parte dela e fiquei então a pensar o que raio deveria eu fazer à  cama que já tinha comprado. Decidimos ir devolvê-la já que é uma coisa cara e não ia servir para mais nada. Nunca me arrependi tanto de uma decisão.

Quando via a cama que a minha mãe arranjou fiquei sem palavras. Era uma cama antiga, com umas grades com um máximo de 20 cm de altura, ideais para o Tiago se debruçar pela cintura e cair de cabeça, algo ia fazendo na primeira noite, por volta da uma da manhã, se eu não o tivesse agarrado a tempo. Foi obviamente construida antes de haver preocupações com a segurança das crianças e ainda por cima rangia por todo o lado fazendo com que o Tiago acordasse cada vez que se virava na cama. Para além de ser um perigo a cama também não entrava no quarto e foi preciso desmontá-la e voltar a montar – como se eu não estivesse já farta de montar móveis depois das 9 estantes do quarto do Tiago.

Fiquei furiosa e passei horas com vontade de partir a cama à  martelada e voltar a Lisboa para vir buscar a outra que tinhamos devolvido. Não sei porque é que continuo a confiar na minha mãe ao fim destes anos todos. Devia ter exigido foto da cama. Devia ter trazido a outra à  mesma e devolvê-la só depois da viagem se não tivesse sido necessária. Devia tatuar na testa que não posso ouvir nada do que a minha mã e diz e lembrar-me que a realidade dela não é bem igual à  das outras pessoas. Ao fim de 35 anos ainda não aprendi? Sou mesmo muito estúpida!

As noites foram então um tormento. O Tiago acordava com o ranger da cama e tentava sair. Tinha que o agarrar para não cair dali a baixo e acabava com ele deitado na nossa cama. Levei pontapés, estalos, cotoveladas e cabeçadas e o Pedro acabou por ter que ir tentar dormir para outro lado porque o Tiago tentava ocupar toda a cama. Foram duas noites horrà­veis que espero não repetir tão cedo e que me lembraram porque é que nunca quero ir para aquela casa. Para o ano vamos para um hotel.

Infelizmente os contratempos não ficartam por aà­. Quando acabámos finalmente de montar a cama no quarto e fui à  procura dos lençois concluà­mos que a mala de viagem tinha ficado na nossa cama, em casa. Tinha a roupa, fatos de banho, fraldas do Tiago e os lençois. Não havia então outra hipotese senão o Pedro metyer-se no carro e voltar tuda para trás para vir buscar a mala. Estive com uma grande vontade de voltar simplesmente para casa mas lá fiquei, tentando entreter o Tiago até o Pedro voltar, já ao final da tarde.

Os dias seguintes, felizmente, correram melhor. O Tiago adorou a piscina e passou grande parte do tempo dentro de água. Não conseguia ficar com água até ao pescoço mais de cinco minutos porque ficava logo a bater os dentes – é o problema de não ter gordura corporal – mas gostava de ficar sentado nos degraus a brincar com o regador ou a chapinhar.

Nos dois primeiros dias acabou por dormir uma sesta encostado a mim, na cadeira da piscina. Foi um pouco incómodo para mim porque não me podia mexer mas foi bom que conseguisse dormir um bocado para não andar tão rabujento.

Como andou o tempo todo sem fralda o treino do bacio correu bem. Por pouco evitámos um incidente de cocó na piscina mas fui a tempo de o sentar no bacio 🙂

Não posso dizer que tenham sido uns dias muito descansados mas deu para ler um bocado e dar uns mergulhos que é o máximo que se pode pedir de férias com uma criança de dois anos que é preciso vigiar a cada segundo de cada 24 horas de cada dia.

Andei a ler o livro “Moab is my Washpot”, que é a autobiografia do Stephen Fry. Não sou grande fã de biografias mas o livro está muito bem escrito, no estilo elegante e divertido do Stephen Fry e gostei bastante de o ler. Agora comecei o “The Liar” que se situa no mesmo ambiente de escola privada para rapazes e que é obviamente baseado nas experiencias e observações do autor durante a adolescência.

Na quinta feira comecei a ficar impaciente. Já tinha duas ou três picadas, apesar do repelente de insectos, e uma das cadeiras da piscina tinha um ninho de vespas. Eu tenho uma certa incompatibilidade com insectos e ao fim de uns dias de ‘natureza’ começo a ficar paranoica, a sentir comichões e picadas com e sem razão. Fui arrumar a casa, lavar a loiça e meter tudo na mala. A certa altura o Tiago também já estava a ficar farto e depois de uma última brincadeira com o pai e uma mangueira, que acabou quando o Tiago virou a mangueira para a cara e lhe entrou água pelo nariz, só queria ir ver televisão e já não estava com paciencia para mais  nada.

Senti um enorme alà­vio quando cheguei a casa. Nada como uns dias fora para apreciarmos a nossa casinha.