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Joana come a papa

O Tiago começou a comer papa aos 4 meses mas a pediatra da Joana disse que ela podia ficar só a leite até aos 6. Como o que interessa aos 6 meses é que ela comece a comer sopinha, achei que valia a pena começar um pouco antes com a papa para ela se habituar à  colher e a uma textura menos là­quida e ser assim mais rápida a introdução de outros alimentos quando chegar a altura.

Resolvi então experimentar hoje dar a primeira papa à  Joana. Correu bastante melhor do que esperava. Lembro-me que o Tiago fartou-se de berrar e não queria nada com aquilo. A Joana, pelo contrário, parece que gostou do sabor da papa, apesar de não perceber como se come com colher. Começou por chuchar na colher e foi preciso fazer umas macacadas para ela sorrir e abrir a boca. A certa altura agarrou-se à  colher e não a queria largar para me deixar por mais papa. Comeu mais do que eu esperava, não cuspiu a papa mais do que o esperado nem fez grande porcaria e só começou a rejeitar quando ficou fria, algo que com este tempo acontece muito rapidamente à  comida. A certa altura começou a chuchar o babete, que já tinha papa, preferindo-o à  colher.

No geral foi uma primeira papa muito bem sucedida.

5 meses

A Joana faz hoje 5 meses e está a desenvolver-se de acordo com o previsto. Começou a transferir objectos de uma mão para a outra, anda a roer tudo o que encontra porque os dentinhos estão a começar a querer sair, já prefere estar sentada do que deitada, apesar de ainda precisar de apoio e é muito atenta a tudo o que a rodeia e muito curiosa.

A pediatra disse-nos que não valia a pena dar-lhe comida sólida antes dos 6 meses mas noto que a Joana já se interessa pelo que nós estamos a comer e parece querer experimentar. Já fomos comprar uma papa sem gluten e vou começar a experimentar dar-lhe um bocadinho todos os dias, nem que seja para ela se começar a habituar à  colher, para quando chegar a altura da sopa já não ser uma coisa tão estranha.

A Joana também começou já a virar-se sozinha mas nem sempre consegue. Se estiver de barriga para baixo vira-se fácilmente. Ao contrário é que ainda não consegue bem. Fica virada de lado mas ainda lhe falta a última manobra do braço para se virar completamente.

Por outro lado já se queixa muito menos quando a deito de barriga para baixo. Costumava cansar-se facilmente e perder a força para segurar a cabeça mas agora já fica nessa posição bastante tempo, em preparação para gatinhar.

É um alà­vio muito grande ver que está tudo a andar normalmente, especialmente nestas primeiras fases em que eles não comunicam e não temos outra forma de saber se estão bem.

A Joana anda constipada há cerca de um mês mas não é nada de grave. Tem o nariz entupido e esta semana começou com tosse mas é tudo perfeitamente normal nesta altura do ano em que até os adultos continuam a constipar-se regularmente. Continuo a achar que a amamentação tem grande valor neste departamento porque os meus anticorpos passam para ela e fica com mais defesas. O Tiago também só tomou o seu primeiro antibiótico quando foi para a creche. A Joana tem um risco acrescido porque tem um irmão que vem com toda a espécie de virus e bactérias da escola e ainda por cima gosta de mexer nos brinquedos dela mas como não têm muito contacto directo também não há grande problema.

O Tiago continua maioritariamente a ignorar a irmã mas já não a rejeita. Levo-a para o quarto dele sem problemas e estamos os três no espaço de brincadeira em harmonia. Apesar de não ser muito carinhoso com a irmã, o Tiago também não é agressivo e chega a ter algumas atitudes de tentar consolar a irmã quando os pais não estão presentes. Se eu saio da sala um bocadinho e a joana começa a chorar o tiago vai embalá-la no baloiço, por exemplo.

Esta semana foi precisamente quando o Tiago começou a ter o primeiro contacto fà­sico voluntário com a irmã. O pai fez-lhe cócegas na barriga e a Joana riu-se. o Tiago gostou a reacção dela e também quis fazer cócegas. Demonstra que assim que ela começar a ter comportamentos e reacções mais positivas que ele reconheça, o laço entre os dois será fortalecido naturalmente.

Fim da licença

O Pedro esteve de licença um mês que passou a correr. Passámos tanto tempo a arrumar a casa, comprar e montar cortinas e outras coisas que faltavam e, claro, a tomar conta dos nossos filhotes, que chegámos ao fim do mês completamente esgotados. O pior é que a casa continua com coisas por arrumar, o sotão está ainda cheio de caixotes com tralha que não sei onde arrumar, faltam cortinas para a sala que não tivemos tempo de ir comprar, faltam moveis que davam jeito agora para o Natal (como um sofá novo que não tenha ar de podre) mas que não temos dinheiro para comprar e ainda por cima estamos no Natal e há a questão das prendas, na pior altura possível.

Andamos cheios de dores nas costas e constipados, e a última semana foi inútil porque o Tiago ficou doente com escarlatina e não deu para fazer quase nada. Conseguimos uns bocadinhos na quinta e sexta para ir fazer umas compras de Natal porque já não aguentávamos estar fechados em casa mais tempo mas tivemos que ir com os dois miúdos atrás e é terrivelmente lento e cansativo. Até costumava gostar de fazer compras de Natal mas hoje em dia começa a apetecer entrar na onda dos avós – toma lá um envelope com dinheiro, compra o que quiseres e não me chateies. Mas acho que ainda nos faltam uns anos até isso ser aceitável 😛

E mais irritante ainda é quando até se tem uma boa ideia para uma prenda mas depois é algo que não se encontra em lado nenhum ou está esgotado. Comprar online resolve muitos desses problemas, mas este ano temos estado tão ocupados que agora já é um bocado tarde.

A Joana também está constipada e passa o tempo a espirrar e tossir. A casa é fria, apesar dos aquecimentos e vidro duplo. No entanto, o Tiago teve febre e andou a antibiótico e a Joana continua só com tosse por isso estou bastante feliz. Podia ser muito pior. E ao contrário do Tiago, a miúda parece saber tossir.

Desde ontem que o Pedro voltou ao trabalhoe eu também passei o dia a tratar de questões de trabalho, facturas, orçamentos, segurança social, responder a mails, etc.

Depois de um mês sem ter de ir buscar o Tiago à  escola agora volto ao modo de esperar que não chova à  hora em que tenho de sair porque é sempre a escolha entre levar a Joana no carrinho com capa de chuva onde fica mais protegida mas eu apanho uma grande molha porque preciso das mãos para empurrar o carrinho ou levá-la ao colo onde apanha mais frio mas poder usar guarda chuva. Decisions, decisions.

EdiTiago

No último sábado do passado mês de Novembro fomos convidados para dois aniversários.

Primeiro foi a festa do seu melhor amigo do infantário, o Edi. Quando chegou a hora de sair o Tiago estava já muito cansado por ter passado todo o dia a correr pela casa e estava mesmo a dizer que não queria ir. Foi preciso algum esforço para o vestir e teve de ir ao colo. A festa foi no Gymboree, e quando chegámos e o Tiago viu o amigo e um grande espaço de brincadeira, ganhou logo uma nova dose de energia e passou duas horas incansável.

Ao princà­pio eu participei pouco porque a Joana estava cheia de sono mas não adormecia com a barulheira que se pode esperar de diversas crianças em alta diversão. Como o Pedro ainda teve de ir fazer umas compras, fiquei encarregue de vigiar os dois durante um bocado. Quando o Pedro voltou, ficou com a Joana e eu pude ir para junto do Tiago . Ele e o Edi dão-se muito bem porque são os dois super energéticos e o que gostam mesmo é de andar a correr. Mas formam um bloco tal que mais ninguém se pode aproximar, especialmente se forem meninas. Cada vez que uma menina se aproximava gritavam EdiTiago – um grito de guerra que parece querer dizer ‘não pertences ao clube’. Se não era suficiente, seguia-se um ‘vai-te embora’, ‘não’ e em último caso ‘mamã! Olha!’ com um dedo apontado acusatoriamente à  pobre menina que se tinha dignado a aproximar.

É claro que os amigos também se desentendem ocasionalmente, quando querem o mesmo brinquedo, por exemplo, mas passa-lhes depressa e volta tudo ao normal num instante.

Depois da brincadeira e do bolo tivemos que sair para ir ao segundo aniversário do dia: o da tia Bela. O Tiago estava com muito sono mas quando chegámos acabou por se aguentar. A Joana teve mais uma crise de choro até adormecer finalmente e conseguimos jantar sem problemas. O Tiag não comeu quase nada mas isso já é costume e há muito que deixei de me preocupar.

A verdade é que estou muito mais descontraà­da com a Joana do que fui com o Tiago e ela acaba por sofrer um bocado porque não tem ainda uma rotina bem estabelecida.Farto-me de a acordar a meio de uma sesta porque preciso de ir a algum lado, algo que evitava fazer com o Tiago e ela tem de se adaptar muito mais. O resultado é que acabou por se habituar a dormir mais sestas de meia hora em vez de uma grande.

Arrumação

Esta semana conseguimos finalmente começar a por a casa com um ar mais habitável. É verdade que isso se deve muito a levar caixotes para o sotão sem sequer olhar lá para dentro, mas é para isso mesmo que servem as arrecadações.

Na quarta o Pedro pendurou os candeeiros da cozinha, que ficaram muito giros e dão logo um ar acabado à  divisão. Ontem pendurámos os primeiros quadros nas paredes e isso também muda bastante o ambiente.

Conseguimos também – finalmente – montar as nossas respectivas áreas de trabalho e computador. Fiquei com uma bancada gigantesca que agora tenho que fazer um esforço por manter arrumada para poder recomeçar a bijutaria e por em prática todos os projectos que tenho andado a planear nos últimos meses sem condições para concretizar. O problema agora é escolher por onde começar. A sala ainda tem uma parede coberta de caixas e caixotes porque me faltam alguns armários para arrumação, mas desde que tenha a mesa safo-me.

A sala acaba por ser o que ficou mais vazio e com um ar pobrezinho porque o sofá está velho e o movel da TV é minusculo para o espaço. Temos planos de decoração mas falta de fundos por isso terá de ficar assim durante mais algum tempo.

Ainda falta limpar e arrumar muita coisa mas já se começa a ver a casa que imaginámos. Para começarmos finalmente a ter a sensação de estar em casa, na quarta feira montámos a árvore de natal, com o Tiago a ajudar e músicas de natal a tocar para dar ambiente. Acho que foi o primeiro momento verdadeiramente divertido e descontraà­do que tive desde que me mudei e gostei de ver o Tiago a participar alegremente.

Virou-se

No passado sábado a Joana conseguiu virar-se sozinha pela primeira vez. Tem 4 meses e segundo a última consulta está tudo bem. Está um bocadinho abaixo do percentil 50 no peso, mas bastante rechonchuda, e um bocadinho acima na altura, o que vendo pelo irmão seria de esperar.

Há um mês atrás começou a interessar-se mais pelo mundo à  sua volta e já agarra objectos, brinca com as mãos e tenta sentar-se sozinha, tendo já bastante força nas costas. Ainda não se aguenta santada sem apoio, algo se só vem lá para os 6 meses, mas está no bom caminho.

Parece-me  também que passa bastante tempo a examinar um brinquedo, algo que não me lembro do Tiago fazer. Continua muito dorminhoca e a fazer grandes birras de sono mas fora isso é muito calminha e bem disposta.

Continua a precisar de chuchar para dormir mas cospe a chucha fora. Ultimamente o ideal tem sido uma daquelas mini-mantinhas com uma cabeça de boneco. Tenho de comprar mais uma ou duas para poder lavar aquilo com maior frequencia.

Acabamentos

Entrámos naquela que espero ser a última semana das obras. Começaram ontem os acabamentos, que era uma lista jeitosa mas que já vai em metade.

Ontem ficou pendurado o varão da cortina do duche e foi aplicado silicone na cozinha e casa de banho. Ainda faltam alguns sí­tios mas vai andando. Hoje esteve cá o carpinteiro e arranjou as portas que ainda fechavam mal. Entretanto estão a pintar e depois falta o canalizador e electricista para fazer as últimas correcções e em princà­pio fica tudo pronto.

Espero que sim porque estou um bocado farta de ter gente cá em casa, de não poder sair porque preciso de estar cá para abrir a porta quando voltam do almoço e quero finalmente limpar a casa a fundo porque estou farta de viver rodeada de pó. As obras correram bem, os homens são todos muito simpáticos e não tenho razões de queixa, ficou tudo muito giro e temos uma casa nova espaçosa mas quero poder finalmente começar a viver nela em vez de me limitar a acampar cá dentro.

Vantagens e desvantagens dos call-centers

As desvantagens dos call centers são bastante óbvias: temos um problema para resolver, telefonamos para um serviço de apoio ao cliente e damos com alguém que percebe menos do assunto do que nós e que, em vez de tentar resolver o nosso problema, só parece estar preocupado em seguir o guião e nós ficamos na mesma.

Aconteceu-me precisamente isso hoje, quando telefonei para a linha da EDP 5D porque era suposto mandarem cá alguém para substituir o diferencial do contador de trifásico para monofásico e até agora ainda não tinham dito nada. Expliquei a situação, passei meia hora em espera para acabarem por me dizer que tinha de entregar uma declaração que já entreguei no dia em que fizeram o pedido. O homem acabou por me dizer que tinha de ir outra vez à  loja da EDP ver se encontravam a declaração porque não estava no sistema. A minha resposta foi ‘estão a gozar comigo?’. Porque raio é que eu tenho de ir perder o meu tempo, sair à  chuva com a minha bebé de 3 meses por causa da incompetencia de um dos seus empregados?

Para piorar a situação o tipo ainda continuou com o guião e tentar fazer-me aderir à  facturação de valor fixo mensal e mais não sei o quê. Fiquei com vontade de lhe arrancar a cabeça mas não o fiz porque sei que a culpa não é dos pobres coitados que trabalham no call center. Quando perguntou se podia ajudar com mais alguma coisa disse simplesmente que só precisava de ajuda com o assunto que tinhamos estado a discutir e que ficou sem resolução por isso não queria mais nada.

Liguei ao Pedro para ventilar um bocado e no meio da conversa lembrei-me de uma coisa importante: o homem disse que no computador o meu contrato já estava como monofásico. Ou seja, se a alteração já foi feita a nà­vel do sistema então não faz sentido nenhuma ainda andarem a falar na declaração do electricista. Se precisam da declaração para alterar o contrato e este já foi alterado, logicamente eu tive de entregar a declaração necessária.

Em vez de ir apanhar frio resolvi usar o sistema a meu favor. Voltei a ligar, apanhei uma pessoa diferente e comecei por perguntar se no sistema o contrato estava como sendo trifásico ou monofásico. Estava efectivamente monofásico. Limitei-me então a dizer  que o meu problema é que faltava virem cá a casa mudar o diferencial. Tinham dito que ligavam e até agora nada. A senhora deixou-me em espera novamente mas pouco depois estava a dizer que já tinha passado a questão para o departamento técnico e que hoje ou amanhã ligavam a marcar. Ligaram passada meia hora e vêm cá amanhã.

Portanto, em conclusão, a vantagem do call center é que podemos ligar as vezes que quisermos até obtermos a resposta que queremos. Basta mudar a conversa que se dá.

A uma semana dos 4 meses

Tenho tido muito pouco tempo no último mês por isso prefiro escrever quando dá do que deixar passar mais um mês sem referir a evolução da Joana.

Aos 3 meses já segurava a cabeça muito bem mas continua a não gostar muito de estar deitada de barriga para baixo. Lá a ponho a fazer esse exercí­cio ocasionalmente mas a maior parte das vezes é preferà­vel recostar-me no sofá e deitá-la no meu peito. O efeito é quase o mesmo e pelo menos ela tem uma cara para a entreter.

Sinto que já não me lembro de quase nada de quando o Tiago tinha esta idade por isso é complicado fazer comparações. Acho-a muito mais parecida comigo do que o Tiago e à s vezes tenho a sensação  de estar a olhar para mim própria em bebé. É mesmo muito estranho.

Como já escrevi antes, a Joana nesta fase gosta muito de música e de me ouvir cantar. à€s vezes tem o efeito contrário do pretendido porque eu tento cantar para a embalar e ela acorda, fica a olhar fixamente para mim e a sorrir enquanto eu canto. Só quando me calo é que se vira para o lado e volta a tentar adormecer. É muito mais dependente da chucha do que o Tiago era mas é praticamente só para dormir e porque eu acho preferà­vel a deixá-la chuchar nos dedos. Se não tiver nada, uma fraldinha, a manta ou um boneco também servem.

Mas já passa muito mais tempo acordada e já se interessa muito por bonecos, livros e até pela televisão. Já brinca com as mãos, agarra em bonecos e leva-os à  boca e parece muito interessada nos gatos. Não só fica a olhar para eles como se inclina para a frente e faz-lhes festas quando lhes consegue chegar. Não agarra no pelo só para puxar, como o Tiago fazia – agarra e larga, agarra e larga. É mais massagem que outra coisa mas os gatos não parecem queixar-se.

A coisa mais estranha para mim é o facto dela já virar as páginas dos livros. Comecei com o mesmo livro que o Tiago gostava – um pequeno livro quadrado de cartão grosso com uns frutos em fimo muito giros e coloridos com caras sorridentes. Apesar dos movimentos ainda descoordenados, a Joana agarra em cada uma das páginas e vira-a para ver o que vem a seguir. Se fosse só uma vez ou outra poderia ser coincidencia, mas quando ela faz o mesmo movimento para todas as páginas do livro ficou um bocado surpreendida.

Continua a dormir a noite toda. Eu acordo com ela a chupar os dedos com fome, pego-lhe, dou-lhe de mamar, volto a deitá-la e ela muitas vezes nem chega a abrir os olhos. Por outro lado continua com super audição e durante o dia acorda ao mais pequeno ruà­do, especialmente se for perto. Durante o fim de semana o Pedro esteve a furar a parede da casa de banho para pendurar candeeiros e ela estava tão cansada que não acordou mas assim que passei perto dela, mesmo sem fazer muito barulho, abriu logo os olhos. Dá para perceber que o instinto de sobrevivencia está a funcionar.

Conta a história do Tiago

O Tiago está agora com 3 anos e 8 meses e é um miúdo muito imaginativo. Gosta muito de ouvir e contar histórias, mistura elementos de diversas histórias e acrescenta os seus para contar novas histórias.Gosta de ver filmes de desenhos animados mas quer o pai ou a mãe sentados ao lado a contar à  história ao mesmo tempo. Quer perceber o que se está a passar e sentir que tem quem lhe responda à s dúvidas que o filme vai suscitando. Isso para mim é óptimo porque posso por-lhe filmes em inglês e explicar a história. Ele vai-se habituando a outra lingua mas percebe o que se passa e eu não tenho que aturar tantas dobragens.

Os brinquedos também vão mudando de função de acordo com a história do momento. Uma casinha de brincar pode ser muitas coisas diferentes – é uma garagem, uma casota de cão, uma nava espacial, um Wall-E que guarda lixo lá dentro, um robot…

Mas o mais giro nesta fase é quando ele diz ‘mãe (ou pai), conta a hisória do Tiago’. Aà­ nós começamos ‘era uma vez um menino chamado Tiago que gostava muito de brincar. Neste dia estava a beber o seu sumo /inserir actividade do momento/ quando apareceu um robot que disse: olá Tiago, o que estás a fazer?’ e continuamos a descrever o que ele faz, fez ou vai fazer e vamos entrando num mundo imaginário com elementos reais e outros fictà­cios. Acho fantástico ele perceber que pode inventar histórias novas e que pode ser o personagem central.

Nas suas brincadeiras o Tiago está a demonstrar ser um bocado control freak como a mãe. Ele é que decide em que brinquedos podemos mexer e escreve-nos o diálogo e tudo. ‘Mãe, toma o robot amarelo. Agora dizes ‘Wall-e, o que estás a fazer?’ e o Wall-e diz ‘estou a apanhar lixo.’ Está bem mãe?’ e eu tenho de seguir as instruções à  risca.

Também gosta muito de recrear fisicamente cenas de filmes, coisas que viu na rua ou na escola – acho que se continuar, para o ano vai para o teatro…

Em termos da linguagem, continua com alguma dificuldade com as letras do costume – L e R – mas não em todas as palavras. No entanto tem um discurso muito pormenorizado e descritivo. à€s vezes tem dificuldade a fazer sair uma palavra e tenta começar a frase diversas vezes até sair bem mas não desiste enquanto não soa ao que ele quer. É um pouco irritante para quem está à  espera de perceber o que raio é que ele quer mas admiro a persistencia.

Para terminar, não resisto a catalogar as gracinhas do momento. No outro dia viu-me com a escova de cabelo na mão e perguntou o que era. Eu disse que era para pentear o cabelo e comecei a escovar o cabelo dele. Ele afastou-se e disse ‘não mãe, não preciso. Sou lindo assim!’ 🙂

Outro dia, sentado á mesa disse ‘isto é uma bolinha de chocolate (ou algo semelhante – já não me lembro o que estava a comer). Gosto de chocolate.’ Pausa. ‘E de sumo, e de robots, e de naves e de botões.’ Fartei-me de rir e fez-me lembrar a lista de coisas de que o Monk tem medo.

Ontem esteve a brincar com o Pedro a nomear objectos da cozinha. Quando o Pedro apontou para algo que não pertencia à  cozinha levou com um ‘não, pai. Só coisas da cozinha’. De facto já sabe o nome de tudo e para que servem as coisas. A nossa favorita é o ‘frigorisco’.

Joana musical?

Sendo uma menina, esperava que a Joana fosse muito mais vocal do que o Tiago foi e até agora está a concretizar-se. Farta-se de palrar, já está a querer dar gargalhadas e nos últimos dois dias reparei que faz muitos sonzinhos quando está a ouvir música que me faz pensar que está a tentar cantar.

Eu gostava muito de ser o tipo de mãe que não impinge nada aos seus filhos, deixando-os descobrir aquilo que gostam e para o que parecem ter uma apetencia natural e encorajá-los depois a explorar essas tendências. No entanto tenho de confessar que gostava bastante que pelo menos um deles fosse minimamente músical e demonstrasse algum interesse em aprender um instrumento. Não vou forçar mas se reparar que há ali potencial irei certamente puxar por isso.

O Tiago gosta de música, certamente, mas é demasiado activo e tem um attention span demasiado curto para o imaginar a investir o suficiente para praticar um instrumento. Ao princà­pio achava piada ao piano mas agora é raro demonstrar interesse. Como também gosta de contrariar, se tento mostrar-lhe algo ele diz imediatamente que não quer e quanto mais eu insisto mais ele se nega a tentar. Pior que isso, detesta quando eu canto para ele, já desde bebé – desatava a chorar cada vez que eu tentava – não suporta ver-nos jogar Singstar e não deixa ninguém tocar instrumentos. Está sempre a inteerromper e a dizer-nos para parar. Pode ser que quando crescer mais um pouco que isso mude ou que ver o pai tocar acabe por lhe dar vontade de experimentar a guitarra, mas até lá já perdi um bocado a esperança.

Pelo contrário, quando canto para a Joana ela sorri e responde muito bem a ouvir música. Sei que é ridà­culo falar de interesse musical com 3 meses e meio porque todos os bebés gostam de música mas pelo menos não chora quando canto, o que para mim é uma mudança muito simpática 🙂

Dia longo

Esta noite acordei à s 2 e à s 5 para amamentar, como todas as noites. à€s 6 o Tiago acordou e foi-se sentar à  porta do nosso quarto. Tentei convencê-lo a voltar para a cama mas nestas situações ele só quer o pai. Lá foi o Pedro mete-lo na cama outra vez. Pouco tempo depois tocou o despertador.

Pouco depois das 8 chegam os homens da obra. Hoje passaram o dia a isolar o telhado, nos sí­tios onde ainda entrava água. Agora temos que aguardar nova chuvada para ver se ficou tudo ou se ainda escapou alguma coisa. Pouco depois chegou o homem que veio afagar os tacos do chão. Foi barulho o dia todo mas menos lixo do que estava à  espera.

De tarde ainda vieram os homens que estão a isolar a junta entre os dois prédios. Passaram a tarde a entrar pela porta e a sair pela janela – na verdade saiam para o terraço, subiam ao telhado e desciam por rapel, mas é quase o mesmo – mas felizmente acabaram o isolamento e em princà­pio já não voltam. Uma coisa terminada.

A meio da tarde chegou a entrega das compras – a primeira nesta casa. Desde que nos mudámos, há 3 semanas, tenho ido ao Pingo Doce fazer pequenas compras quase todos os dias porque não quisemos estar a fazer a compra grande do mês mesmo antes da mudança e depois ainda não tinhamos tido tempo. O homem do Continente queixou-se que era uma rua lixada para estacionar a carrinha mas lá entregou as coisas.

Quando acabei de arrumar as compras foi altura de ir ao correio enviar uma encomenda. Felizmente não estava muita gente e foi bastante rápido. Quando voltei recebi o telefonema do serviço técnico da Siemens a avisar que chegavam daà­ a meia hora para vir arranjar a máquina da roupa que estava a deitar água para o chão desde a mudança. Basicamente a borracha estava rasgada e foi preciso substituir. Espero que fosse só isso porque andar a largar mais de 100 euros todos os meses em arranjos da máquina não compensa.

A minha mãe ajudou imenso porque foi buscar o Tiago e ficou a tomar conta dos dois miúdos enquanto eu lidava com a reparação da máquina, ia levantar dinheiro, etc.

Só à s 6.30, ou seja, quase 12 horas depois de me levantar, é que acabou finalmente a confusão de gente a entrar e sair. Foi altura de arranjar qualquer coisa para o Tiago comer e adormecer a Joana que já estava com um ar muito cansado, coitada.

E amanhã há mais.