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Drama infantil

Ontem, quando fui buscar o Tiago à  escola, ele veio a correr para mim com um ar todo feliz. Levou-me até ao cacifo para me mostrar que uma colega lhe tinha dado uma pulseira de elástico, daquelas que têm uma forma, neste caso era um saxofone – eu nem sabia que tal coisa existia, aliás, e o Tiago insistia que era um cão 🙂 . Veio o caminho todo com a pulseira no braço e eu sugeri que ele deveria oferecer algo de volta à  menina. Ele perguntou se podiamos fazer também uma pulseira de elástico e eu concordei.

Depois do jantar, fui buscar os materiais e o Tiago escolheu umas contas de madeira que eu enfiei num fio elástico. Hoje levou a pulseira para a escola para dar à  menina. Quando o fui buscar vinha com um ar muito triste a dizer que outra menina tinha tirado a pulseira e se recusava a devolver.

Eu queria fazer qualquer coisa, para ele não ficar com aquele ar triste mas a educadora está de férias. Ainda falei com duas das auxiliares, que não sabiam de nada e não cheguei longe. A menina a quem a pulseira era destinada confirmou que não a tinha dado à  outra de livre vontade mas o pai não deu imporancia nenhuma à  situação e ficámos por aà­. O Tiago começou a dizer que queria ir para casa.

Como forma de resolver a situação sem ele ficar triste por a sua primeira tentativa de oferecer uma prenda ter corrido mal, disse-lhe que faziamos outra pulseira. Começo a achar que vou ter de fazer uma para as meninas todas da sala antes de ficar toda a gente satisfeita 🙂

No meio disto acho piada à  insistencia do Tiago em querer dar a prenda e a meiguice de tudo isto. Mas mesmo nas coisas mais simples parece que estamos sempre a aprender que as coisas nunca correm como queremos.

Birras

Não sei se é uma reação tardia à  irmã mas as birras do Tiago têm vindo a tornar-se outra vez mais frequentes e cada vez mais manà­acas. É um bocado difà­cil explicar uma birra do Tiago a quem nunca viu uma mas é mais ou menos assim: começa com algo normal como recusar-se a tomar banho ou, como foi o caso de hoje, resolver começar a tirar as calças no meio da rua. Digo-lhe que não pode e ele insiste.

Hoje foi no caminho entre a escola e casa. Tentei explicar que não se podia despir na rua e ele começa a rabujar, com as mãos a puxar as calças para baixo. Por esta altura deixa de falar e por mais que pergunte o que se passa, porque é que está a fazer aquilo, etc, ele não responde com uma única palavra. Acabei por pegar nele ao colo e começar a dirigir-me para casa mais rapidamente porque já sabia como aquilo ia acabar. Ele luta para se soltar mas recusa-se a andar sozinho quando o pouso, começa a dizer ‘não, não, não’ repetidamente mas não responde quando pergunto ‘não o quê?’.

Acabei por ter de lhe agarrar no braço e continuar a andar e o ‘não’ passa a ‘não quero, não quero, não quero!’,  ‘Pára pára pára!’ e finalmente ‘pára com isso!’ o mais alto que consegue, acompanhado de um choro convulsivo e berraria ao mais alto nà­vel. Eu até aqui não fiz nada a não ser tentar falar com ele e quando não funciona, continuar a andar em direcção a casa. O que vale é que não me preocupo muito com o que as outras pessoas pensam porque senão imegino que a situação seria mais complicada ainda, com a quantidade de gente que fica especada a olhar e a comentar.

Durante todo este tempo tenho um medo imenso que ele consiga soltar-se e comece a fugir porque estou também a ter que empurrar o carrinho com a Joana e não posso simplesmente largar a bebé para correr atrás do tarado.

Quando consegui finalmente chegar a casa, depois de ter que transportar tanto o carrinho como o Tiago pelas escadas acima, já estava nos limites da sanidade mental e paciencia pelo que a criança levou umas palmadas e ficou fechado no quarto até eu me acalmar. Liguei ao Pedro para ter a certeza que não ia torturar a criança, algo que a certo ponto começa a apetecer, e quando tive a certeza que já estava calma e ele tinha finalmente parado de berrar (depois de começar a chamar pelo pai porque a mãe estava a ser má, claro) fui ao quarto falar com ele. Perguntei porque é que tinha feito aquela birra e a resposta foi que as calças estavam sujas. Já tinha reparado que ele tem um comportamento um bocado extremo – quando cai um pingo de comida ou là­quido na roupa tem de se despir imediatamente – mas no meio da rua nunca tinha acontecido. Tentei explicar que as pessoas não podem andar sem roupa na rua e que ele tem de aprender a respeitar as regras mas ele ignora-me completamente. Acabei por lhe tirar os brinquedos que ele estava a usar como distração para me ignorar e voltei a sair.

Quando voltei passados uns minutos voltei à  carga e ele acabou por ‘dizer’ que percebia que se tinha portado mal e que não voltava a fazer. O ‘dizer’ está entre aspas porque se limitou a uma comunicação não verbal com abanões de cabeça. Mesmo assim recusou-se a pedir desculpa e ficou no quarto mais um bocado. Depois saiu para o hall onde encontrou uma esponja. Veio perguntar se podia brincar com a esponja e eu disse que sim mas aproveitei para lembrar que não tinha ainda pedido desculpa pelo seu comportamento e ele lá o fez, o mais baixinho que conseguiu. Depois agarrou na esponja e foi lavar o chão da cozinha – voluntariamente, entenda-se – e passou a birra finalmente. Tinham passado quase duas horas.

A única coisa que posso dizer é que espero que passe porque odeio sentir que estou em guerra com o meu filho de 4 anos e que ele parece estar a ganhar.

Aventura no Gymboree

Como fizemos a festa de aniversário do Tiago no Gymboree, deram-nos um voucher para um mês de aulas. Como a Alex também tinha um que estava quase a expirar e os miúdos são bons amigos, combinámos marcar para este mês.

No sábado fomos à  primeira aula. O Tiago gosta do espaço mas para correr por onde lhe apetece. Como aquilo era uma aula estruturada, foi complicado conseguir convencê-lo a se reunir ao resto das crianças e pais e participar. Lá para o meio comecei a conseguir convencê-lo a fazer um ou dois dos exercí­cios mas a certa altura acabou – fez beicinho, foi-se sentar a um canto a amuar e já não consegui fazer mais nada com ele. Tentei explicar-lhe que a aula estava quase a acabar e se ele não aproveitasse depois já não tinha tempo mas não funcionou. Disse que tinha sede mas recusou-se a sair para ir beber água e quando finalmente foi já a aula tinha acabado. Depois queria voltar a entrar e já podia por isso desatou a chorar e assim foi até chegar a casa.

Quero ter coragem de voltar a tentar mas não sei se aguento um mês disto. Presumo que a falta de cooperação e a teimosia sejam culpa minha, culpa de falta de disciplina em casa, de pouco tempo de brincadeira estruturada, mas sinceramente acho que até já sou rà­gida demais com ele à s vezes e tenho dias em que sinto que não faço mais nada a não ser ralhar com ele e insistir para que cumpra as suas pouquà­ssimas obrigações – arrumar os brinquedos que espalhou no chão, lavar as mãos quando vai à  casa de banho, etc. Hoje em dia já consigo que ele faça o que peço, com um misto de explicação e ameaça (primeiro explico porque deve fazer. Se não funciona ameaço tirar-lhe um brinquedo se não fizer). O Pedro diz que somos os dois teimosos e a sua técnica para lidar com  o Tiago passa mais por transformar tudo numa brincadeira mas depois tem situações em que o Tiago não o leva a sério porque ‘o pai é o que brinca’ e acaba por ter de se zangar. Só mostra que não há soluções perfeitas.

Fim de semana de aniversários

Na sexta feira foi o quarto aniversário do Tiago, por isso levou um bolo para a escola e saquinhos com gomas e balões para os outros meninos. Também recebeu as prendas dos pais, que consistiram em Bakugans, Transformers e um conjunto familiar de armas  – metralhadoras, pistolas, algemas, etc.

Recebeu também as prendas dos avós: um ipod touch dos paternos e uns robots espaciais e roupa dos maternos.

O sábado foi o dia destinado à s festas do Tiago organizadas por nós – uma no Gymboree para os amigos e outra cá em casa para a famà­lia. Quando o Pedro foi buscar o bolo que eu tinha encomendado dois dias antes, achei que ia ser tudo um grande fiasco. Nunca vi um bolo tão feio.

Horrà­vel bolo verdeTinha encomendado um bolo de chocolate, com cobertura de massapão branca e decorações simples em verde e roxo para depois por um boneco do Buzz Lightyear por cima, Pedi que não tivesse flores e expliquei que era para um menino de 4 anos que gostava de robots e naves espaciais. O bolo que me entregaram era de pão de ló com creme de chocolate, cobertura verde vómito e flores. Fiquei com uma raiva tão grande que arranquei a cobertura toda e deitei no lixo e jurei ir desancar o pasteleiro, com quem tinha falado pessoalmente. Que incompetência! Portanto, se vivem em Almada e querem encomendar um bolo de aniversário para os vossos filhos NàƒO o façam na pastelaria Barca Doce/Batikanos.

Senti-me particularmente estúpida porque ao falar com o homem fiquei com a sensação que aquilo não ia correr bem. I should always follow my gut. Devia ter ido ao sí­tio do costume mas aquilo era mais perto e fui comodista.

O Pedro acabou por salvar a situação indo à  pastelaria Páscoa comprar um bolo com o homem aranha que eles já tinham lá feito.

Depois do almoço, foi então a festa no Gymboree. Apareceram os 11 meninos que tinham confirmado e correu tudo bem tirando um pequeno desentendimento com um dos amigos porque ambos queriam a mesma almofada. O resultado foi o Tiago a chorar e foi preciso uma grande dose de conversa para o conseguir convencer a voltar à  brincadeira antes que acabasse o tempo. O que acho interessante é que cada vez que há uma situação destas é geralmente com o Tiago, que é teimoso, incapaz de compromisso e facilmente ofendido. Não sei se vamos conseguir mudar alguma dessas coisas, mas enfim. Mesmo depois do amigo lhe pedir desculpa – que não tinha nada de fazer, mas o pai insistiu – o Tiago continuava a choramingar com o seu ar ofendido.

O tempo para o lanche passou a correr e mais uma vez falhou qualquer coisa – as prendinhas para os meninos que tinhamos ficado de comprar e acabou por não dar tempo. Oh well…

Bolo de aniversario Arrumámos tudo o mais depressa que conseguimos e mesmo assim, quendo chegámos a casa já cá estavamos meus sogros e os avós do Pedro, portanto não deu tempo nenhum para preparar as coisas para a segunda festa. O segundo bolo foi oferecido pelos bisavós e planeado pelos avós paternos, feito na pastelaria Páscoa  e estava lindo, com uma casinha de estrumfes.

A Joana que se aguentou a tarde toda sem sequer reclamar muito, lá adormeceu finalmente na sua caminha enquanto ia chegando gente. Como era só famà­lia e não tivemos tempo para preparar nada, foi uma coisa mais descontraà­da mas mesmo assim a festa prolongou-se até à s 9 da noite a acabou pro incluir jantar e tudo – felizmente o Pedro tinha comprado umas pizzas ao almoço, senão não havia nada para alimentar quem ficou.

As pessoas foram fazendo turnos a brincar com o Tiago e mesmo assim eu devo-me ter sendado 20 minutos o dia todo. Foi um dia verdadeiramente cansativo.

O dia seguinte não foi melhor porque foi o aniversário do meu irmão, implicando mais um almoço com montes de gente. Felizmente já não fomos nós a organizar nada mas andei bastante ocupada, principalmente com a Joana, que não aguentava outro dia sem sesta.

Mas pronto, foi giro ver pessoas que só vemos uma vez por ano e principalmente ver como as crianças estão a crescer. Ainda fico espantada quando percebo que estrámos definitivamente na geração dos pais e toda a gente tem filhos pequenos, mesmo aqueles que continuam a vestir-se como adolescentes 🙂

Quando chegámos a casa o Tiago estava tão cansado que dormiu até à  manhã seguinte. Para nós foi uma maravilha porque conseguimos pela primeira vez em semanas sentar-nos no sofá a ver uns episódios do House e descansar um bocadinho.

O mês de Março é muito concorrido em termos de aniversários e para a semana há mais.

Tiago, 4 anos

Este foi o ano em que o Tiago começou a criar relações de amizade com os colegas da escola e como tal, quando chegou a altura de planear o seu aniversário, pareceu-me fazer sentido uma festa com os amigos em vez de ser praticamente só com os adultos da famà­lia como até aqui.

Já tinhamos ido a um aniversário no Gymboree, em Dezembro, e o Tiago divertiu-se tanto que resolvemos fazer lá a festa dele. Aquilo implicou dezenas de decisões – som ou sem tema, que tema, convidamos os colegas todos ou só alguns, qual a decoração do bolo, etc, etc – e pouco tempo antes alguns dos colegas da escola fizeram precisamente o mesmo e acabou por ser tudo menos original, mas que se lixe.

Eu senti-me completamente estúpida porque comecei a planear aquilo com tanta antecedencia e depois esqueci-me completamente que a coisa calhava na semana do Carnaval. Não queria estar a entregar os convites cedo demais para não haver confusões com as outras festas das semanas anteriores e acabei por só conseguir entregar no dia anterior ao em que tinha de confirmar o número de crianças que iam. Temi o pior mas acabei por ter umas dez confirmações o que já dá uma festa decente. Muitas crianças também é confusão a mais.

Acabei por ter de fazer uma lista para me orientar porque o aniversário acaba por ocupar dois dias e 3 festas distintas – no dia 11 bolo para levar para a escola e gift bags para os colegas, no dia seguinte festa para as crianças seguida de festa em casa para a famà­lia. Para uma control freak isto é stress engarrafado e estou a tentar não me esquecer de nada importante e a tentar não pensar muito em tudo o que pode correr mal. Desde que ele se divirta tudo bem.

As alterações mais notórias desta passagem para os 4 anos são um desenvolvimento da imaginação nas brincadeiras, uma maior capacidade para se entreter sozinho (apesar de continuar a querer público enquanto brinca) e o aparecimento do humor de casa de banho, com a repetição constante do único vocabulário que conhece de momento: xixi, cocó e sanita – palavras que de repente adquiriram um significado altamente hilariante 🙂

Semana interminável

Depois de uma semana em full time com os dois miúdos, não consigo evitar pensar que se calhar não fui mesmo feita para ser mãezinha. Não fiz mais do que muitas mulheres fazem desde sempre e estou absolutamente exausta.

E nem me posso queixar muito porque o bebé, que é quem devia dar mais trabalho, aproveitou esta semana para se começar a portar bem e passou a dormir a noite toda e a comer sem dar luta. Deve ter percebido que a mãe estava a dar em louca com o irmão que, mesmo com varicela, não pára um minuto. Como vê a irmã ao colo também quer colo, como me vê dar-lhe de comer também quer que eu lhe dê a comidinha à  boca, passa os dias a correr pela casa a gritar, faz grandes birras por pura teimosia ou  porque adormeceu e quando acordou já era de noite e não queria noite, ou algo do estilo, impossível de resolver.

Passo o tempo a chamar a atenção para tudo isto, a ter de ralhar e por vezes zangar-me a sério sem grande efeito. No momento até liga e acalma mas passados uns minutos volta tudo ao mesmo.

Ontem dei-lhe banho de manhã, porque na noite anterior foi impossível graças a uma dessas birras monumentais. O Pedro filmou tudo. É bom ter munição para quando ele for adolescente.  Aproveitei também para lhe cortar o cabelo que já estava a chegar aos olhos e até se portou bem nessa parte.

A Joana, felizmente, continua a ser uma menina muito calma e bem disposta e o Tiago farta-se de fazer show para ela se rir. Não é um miúdo muito meigo – nada de beijinhos ou abracinhos e faz queixinhas se ela lhe toca, mesmo acidentalmente – mas gosta de ter público para as suas palhaçadas e ela segue tudo o que ele faz e adora.

Esta manhã aproveitei a sesta da irmã para tentar por o Tiago a fazer o trabalho da escola. Os meninos trocaram um livro uns com os outros e agora têm de ler o livro que trouxeram e fazer um trabalho de apresentação sobre o que leram. Parece-me algo super complexo para 3 anos e quem acaba por ter de fazer os trabalhos são os pais, como é obvio. Ainda por cima o livro do Tiago é só matemática – é sobre uma famà­lia que vai trocando uns animais por outros – 1 vaca por 2 ovelhas, as ovelhas por 4 porcos, etc.

Tentei arranjar uma forma de apresentar aquilo que ainda tivesse alguma colaboração do Tiago mas que fosse o mais simples possível. Arranjei uma cartolina e fui escrevendo o número e nome dos animais e o Tiago fez um animal de cada em plasticina – com moldes, claro – para colar ao lado. Os últimos já eram complicados e não tinha nenhum molde de avestruz, por exemplo, por isso andei a desenhar os animais e ele pintou com o pincel. Foi tudo um esforço enorme para ele se concentrar no que até era uma tarefa simples porque ele só queria era fazer casaquinhos de plasticina para os seus robots e estava-se nas tintas para os animais.

No final era tinta por todo o lado, plasticina pelo chão e o Tiago ainda encontrou um carimbo que lhe deram na escola (uma mãzinha achou que aquilo era uma boa ideia de prendinha para os outros meninos quando o seu fez anos) e andou a carimbar as mãos, cara, etc. Veio ter comigo a dizer ‘mamã!’ e com o seu sorriso mais sacana mas não dizia mais nada. Depois mostrou-me as mãos….

Varicela

Há uns dias os Tiago acordou de manhã, perguntou se ia para a escola e depois disse que doà­a o ouvido. Nós achámos que era fita e não ligámos muito. Até a educadora já nos disse que acha que ele já percebeu que eu fico em casa com a Joana enquanto ele tem que ir para a escola e estas situações são uma forma de chamar a atenção porque ainda não se sabe expressar de outra forma.

O Pedro, que é mais paranoico que eu, cada vez que o Tiago se queixa ou faz uma birra, vai logo medir-lhe a temperatura porque hoje em dia o Tiago até se porta bastante bem a maior parte do tempo. Mas mesmo assim não demos por nada de anormal.

Ontem à  noite, quando foi tomar banho, de repente demos com o Tiago coberto de borbulhas vermelhas. Com o calor do banho tornaram-se visà­veis mais umas quantas e tornou-se obvio que o nosso filho está com varicela.

Apesar disso passou o dia bastante bem disposto, a brincar. Teve só uma ou duas fases durante o dia em que ficava mais molinho. Da primeira vez deitou-se no sofá um bocadinho mas passado pouco tempo já andava aos saltos outra vez.  Da segunda vez, já ao fim da tarde, começou a pedir o boneco e a tirar as meias porque ‘precisava de descansar’. Quando fui ver a temperatura estava com 38. Deixei-o dormir e vamos ver como está amanhã.

Joana, 6 meses

Na passada sexta feira a Joana completou 6 meses. Foi à  pediatra de manhã e continua a crescer bem mas não aumentou tanto de peso como até aqui, tendo descido para o percentil 25. Não tem nada de estranho, é apenas indicador de que o leitinho já não lhe chega e precisa de começar a comer outras coisas. Temos então o plano alimentar da Joana para os próximos 3 meses e agora é respirar fundo e insistir naqueli que para mim é a pior parte de ter um bebé – ensiná-la a comer à  colher.

Se gostam de jogos dà­ficeis, experimentem um dia destes dar as primeiras refeições à  colher a um bebé. É mais lixado do que parece. Primeiro passa-se montes de tempo a preparar a comida e depois é meia hora a dar a mesma colherada, que a criança cospe repetidamente. É das coisas mais frustrantes que alguma vez tive de fazer e quando o Tiago começou a comer sozinho foi um alà­vio.

Como a Joana vomitou a papa duas vezes, agora estamos a dar uma sem leite e tenho de tirar o meu leite para fazer a papa. Como não encontro a bomba tem de ser à  mão, o que demora imenso tempo. Depois deste esforço todo acaba por ir tudo para o lixo porque ela faz caretas cada vez que se aproxima a colher, vira a cara ou faz ‘brrrrrr’ salpicando papa por todo o lado. Tudo para evitar abrir a boca.

Consegui que abrisse a boca algumas vezes, fazendo-a sorrir com barulhos ou caretas mas assim que lhe enfio a colher na boca, à  traição, claro, empurra com a lingua, baba-se ou cospe mesmo tudo fora. A outra hipotese é deixar escorrer a papa até à  garganta engasgando-se e desatando a tossir, o que é ainda pior. Que parte disto é que é divertido?

Mas pronto, tem de ser e daqui a uns meses a coisa melhora.

Ontem conesgui que comesse o equivalente a uma colher de sopa – de sopa, precisamente. Foi uma grande vitória que duvido conseguir repetir tão cedo.

Fora isso a miúda continua super gira, simpática e bem disposta. Começou a dormir na sua própria cama porque me apercebi que estava programada para acordar a certas horas da noite mas isso não queria dizer que tivesse mesmo fome porque ocasionalmente voltava a adormecer antes de eu ter tempo de a alimentar. Agora espero um bocado antes de ir ao quarto dela para ver se começa mesmo a chorar, sinal de fome, ou se se limita a resmungar 5 minutos e volta a adormecer. à€ conta disso esta noite só tive de me levantar à s 5 da manhã porque à s 3 ela adormeceu novamente. Mesmo assim continuo a acordar várias vezes durante a noite o que é muito cansativo, especialmente com a acumulação de muitos meses.

O Tiago também foi à  consulta porque tinha acordado a meio da noite a gritar que lhe doia o ouvido e foi lá para ver se não seria uma otite. Afinal parece que não. É só o nariz entupido que faz muita pressão no canal auditivo e que lhe dá dores. Isto só acontece quando está deitado e muito graças à  famosa teimosia do Tiago que nem sequer aceita assoar o nariz antes de se deitar sem luta. É claro que em frente à  pediatra até foi buscar um lenço de papel para mostrar que o sabia fazer, mas depois em casa nem por isso.

O Tiago está a adaptar-se devagarinho à  irmã mas continua muito mimado, pede colo constantemente, quer que sejamos nós a dar-lhe a comida à  boca e choraminga muito em vez de falar quando quer qualquer coisa. Nós temos de arranjar um equilà­brio entre ensiná-lo que não pode ser assim e dar-lhe atenção positiva sem estar sempre a ralhar. É complicado.

O mais positivo foi ver que o Tiago começou a perceber que a Joana sorri quando ele lhe dá atenção e faz caretas, portanto ocasionalmente faz um grande show para ela, que o segue muito concentrada e vai sorrindo. É daqueles momentos que eu gostava de conseguir filmar mas sei que se tento estrago tudo.

Natal, fim de ano e stress

As últimas semanas têm sido emocionalmente difà­ceis. Primeiro foi o funeral da minha avó Luisa depois a visita à  minha avó Cãndida no hospital na véspera de Natal. Estava com um ar tão frágil e custou-me imenso não poder fazer nada para melhorar a situação. O Tiago também não ajudou ao espirito natalà­cio porque fez uma birra tremenda e foi complicado aguentar aquele dia.

O dia 25 já correu melhor, com almoço em casa dos meus sogros e prendas na nossa casa. O Tiago deixou metade das dele por abrir porque gosta mesmo é de explorar cada novo brinquedo antes de passar ao seguinte e acho que para o ano faz mais sentido dar-lhe uma prenda por dia do que todas no mesmo.

A passagem de ano foi em casa e à  meia noite já estava a dormir. Foi a primeira vez que não esperei pela meia noite e sinceramente nem me interessa. Ando cansada e sem grande vontade de celebrar. Costumamos passar o ano com os meus sogros mas este ano eles achavam que iam estar de serviço e com a Joana pequenina achámos que não valia a pena o sacrifà­cio.

No sábado passado tivemos a visita do Nelson e da Catarina, que já não viamos há imenso tempo. Vieram conhecer a Joana e a casa nova e o Nelson deu-nos uma cópia do seu livro de BD que foi publicado recentemente. Ele sempre desenhou muito bem e merece ter um album publicado mas é um grande feito conseguir efectivamente concretizar algo deste tipo.

No domingo fui visitar a minha avó que já saiu do hospital. Levei os miúdos porque sei que ver as crianças da famà­lia é das poucas coisas que ainda lhe fazem aparecer um sorriso na cara. Parece estar a recuperar, para sua aparente surpressa porque esteve tão mal que ficoucompletamente convencida que ia morrer. Para mim foi importante vê-la em casa, a falar normalmente e sem aqueles tubos todos. Quando se chega à  idade dela nunca se sabe quando vai ser a última vez que vejo a minha avó e se o pior acontecer antes da próxima visita, não queria que a última recordação que tinha dela fosse aquela imagem na cama do hospital na véspera de Natal.

Depois de almoço foi a vez da famà­lia do Pedro nos fazer uma visita. O Tiago diverte-se sempre imenso com os tios, o avà´ Sousa esteve a jogar ténis com a Playstation move até ficar cansado e eu estive a dobrar roupa porque domingo é o dia de tratar da roupa do Tiago.

Depois de por ambas as crianças na cama, o Pedro e eu ainda tivemos que ir perceber o que se passava com a máquina da loiça que estava a dar um erro qualquer e depois conseguimos finalmente sentarmo-nos no sofá a ver um episódio do How I met your mother.

Esta sexta feira a Joana faz seis meses. São seis meses de noites imterropidas e de ser mãe 24 horas por dia, literalmente. Ela dorme ao meu lado e acordo ao mais pequeno sintoma de movimento, dou-lhe de mamar pelo menos duas vezes por noite – 2 e 5 da manhã, por exemplo – passo os dias a tomar conta dela, entretê-la, ler-lhe histórias, suportá-la enquanto aprende a sentar-se, mudar fraldas, etc, etc. Quando ela dorme é geralmente por periodos curtos, tipo meia hora, em que eu tenho de trabalhar ou vestir-me ou arrumar a casa. Em cima disso apareceu uma nova preocupação que se prende com o facto da Joana ter começado a vomitar cada vez que come papa. É possível que seja uma reação ao leite que usam na papa e preciso de testar com uma papa feita com o meu leite mas desde a mudança que não sei onde está a bomba de leite.

A minha memória é inexistente neste momento e ando a deixar passar coisas importantes como o prazo de pagamento da escola do Tiago ou esquecer-me em que dia é que os meus sogros vão buscar o Tiago à  escola. Para uma pessoa que sempre foi muito certinha e cumpridora isto causa-me pânico. Nunca mais consegui fazer nada só para mim ou ter tempo para estar sozinha com o Pedro. Tenho compensado o stress com comida e no último mês e meio ganhei 3 kg portanto preciso de adicionar um stress adicional que é parar de comer e arranjar tempo para fazer exercí­cio.

Na sexta feira é também o dia da reunião de condomà­nio, algo que pode dar origem a novos conflitos porque sabemos que a questão das obras da nossa casa e do uso do sótão não são coisas inteiramente pacà­ficas no prédio e receamos o que possa surgir daà­. Andamos há meses a pensar em respostas, argumentos e atitudes a tomar para cada possível cenário e estou desejosa que essa data passe, de preferencia sem surgir nenhuma situação problemática.

Continuamos com a outra casa à  venda sem noção de quanto tempo demorará até essa questão se resolver, o que é complicado para as nossas finanças.

Passo o tempo a fazer listas e nada fica feito e não vejo grande possibilidade de mudança no futuro. Resta-me ter paciencia e respirar fundo.

Fim da licença

O Pedro esteve de licença um mês que passou a correr. Passámos tanto tempo a arrumar a casa, comprar e montar cortinas e outras coisas que faltavam e, claro, a tomar conta dos nossos filhotes, que chegámos ao fim do mês completamente esgotados. O pior é que a casa continua com coisas por arrumar, o sotão está ainda cheio de caixotes com tralha que não sei onde arrumar, faltam cortinas para a sala que não tivemos tempo de ir comprar, faltam moveis que davam jeito agora para o Natal (como um sofá novo que não tenha ar de podre) mas que não temos dinheiro para comprar e ainda por cima estamos no Natal e há a questão das prendas, na pior altura possível.

Andamos cheios de dores nas costas e constipados, e a última semana foi inútil porque o Tiago ficou doente com escarlatina e não deu para fazer quase nada. Conseguimos uns bocadinhos na quinta e sexta para ir fazer umas compras de Natal porque já não aguentávamos estar fechados em casa mais tempo mas tivemos que ir com os dois miúdos atrás e é terrivelmente lento e cansativo. Até costumava gostar de fazer compras de Natal mas hoje em dia começa a apetecer entrar na onda dos avós – toma lá um envelope com dinheiro, compra o que quiseres e não me chateies. Mas acho que ainda nos faltam uns anos até isso ser aceitável 😛

E mais irritante ainda é quando até se tem uma boa ideia para uma prenda mas depois é algo que não se encontra em lado nenhum ou está esgotado. Comprar online resolve muitos desses problemas, mas este ano temos estado tão ocupados que agora já é um bocado tarde.

A Joana também está constipada e passa o tempo a espirrar e tossir. A casa é fria, apesar dos aquecimentos e vidro duplo. No entanto, o Tiago teve febre e andou a antibiótico e a Joana continua só com tosse por isso estou bastante feliz. Podia ser muito pior. E ao contrário do Tiago, a miúda parece saber tossir.

Desde ontem que o Pedro voltou ao trabalhoe eu também passei o dia a tratar de questões de trabalho, facturas, orçamentos, segurança social, responder a mails, etc.

Depois de um mês sem ter de ir buscar o Tiago à  escola agora volto ao modo de esperar que não chova à  hora em que tenho de sair porque é sempre a escolha entre levar a Joana no carrinho com capa de chuva onde fica mais protegida mas eu apanho uma grande molha porque preciso das mãos para empurrar o carrinho ou levá-la ao colo onde apanha mais frio mas poder usar guarda chuva. Decisions, decisions.

EdiTiago

No último sábado do passado mês de Novembro fomos convidados para dois aniversários.

Primeiro foi a festa do seu melhor amigo do infantário, o Edi. Quando chegou a hora de sair o Tiago estava já muito cansado por ter passado todo o dia a correr pela casa e estava mesmo a dizer que não queria ir. Foi preciso algum esforço para o vestir e teve de ir ao colo. A festa foi no Gymboree, e quando chegámos e o Tiago viu o amigo e um grande espaço de brincadeira, ganhou logo uma nova dose de energia e passou duas horas incansável.

Ao princà­pio eu participei pouco porque a Joana estava cheia de sono mas não adormecia com a barulheira que se pode esperar de diversas crianças em alta diversão. Como o Pedro ainda teve de ir fazer umas compras, fiquei encarregue de vigiar os dois durante um bocado. Quando o Pedro voltou, ficou com a Joana e eu pude ir para junto do Tiago . Ele e o Edi dão-se muito bem porque são os dois super energéticos e o que gostam mesmo é de andar a correr. Mas formam um bloco tal que mais ninguém se pode aproximar, especialmente se forem meninas. Cada vez que uma menina se aproximava gritavam EdiTiago – um grito de guerra que parece querer dizer ‘não pertences ao clube’. Se não era suficiente, seguia-se um ‘vai-te embora’, ‘não’ e em último caso ‘mamã! Olha!’ com um dedo apontado acusatoriamente à  pobre menina que se tinha dignado a aproximar.

É claro que os amigos também se desentendem ocasionalmente, quando querem o mesmo brinquedo, por exemplo, mas passa-lhes depressa e volta tudo ao normal num instante.

Depois da brincadeira e do bolo tivemos que sair para ir ao segundo aniversário do dia: o da tia Bela. O Tiago estava com muito sono mas quando chegámos acabou por se aguentar. A Joana teve mais uma crise de choro até adormecer finalmente e conseguimos jantar sem problemas. O Tiag não comeu quase nada mas isso já é costume e há muito que deixei de me preocupar.

A verdade é que estou muito mais descontraà­da com a Joana do que fui com o Tiago e ela acaba por sofrer um bocado porque não tem ainda uma rotina bem estabelecida.Farto-me de a acordar a meio de uma sesta porque preciso de ir a algum lado, algo que evitava fazer com o Tiago e ela tem de se adaptar muito mais. O resultado é que acabou por se habituar a dormir mais sestas de meia hora em vez de uma grande.

Conta a história do Tiago

O Tiago está agora com 3 anos e 8 meses e é um miúdo muito imaginativo. Gosta muito de ouvir e contar histórias, mistura elementos de diversas histórias e acrescenta os seus para contar novas histórias.Gosta de ver filmes de desenhos animados mas quer o pai ou a mãe sentados ao lado a contar à  história ao mesmo tempo. Quer perceber o que se está a passar e sentir que tem quem lhe responda à s dúvidas que o filme vai suscitando. Isso para mim é óptimo porque posso por-lhe filmes em inglês e explicar a história. Ele vai-se habituando a outra lingua mas percebe o que se passa e eu não tenho que aturar tantas dobragens.

Os brinquedos também vão mudando de função de acordo com a história do momento. Uma casinha de brincar pode ser muitas coisas diferentes – é uma garagem, uma casota de cão, uma nava espacial, um Wall-E que guarda lixo lá dentro, um robot…

Mas o mais giro nesta fase é quando ele diz ‘mãe (ou pai), conta a hisória do Tiago’. Aà­ nós começamos ‘era uma vez um menino chamado Tiago que gostava muito de brincar. Neste dia estava a beber o seu sumo /inserir actividade do momento/ quando apareceu um robot que disse: olá Tiago, o que estás a fazer?’ e continuamos a descrever o que ele faz, fez ou vai fazer e vamos entrando num mundo imaginário com elementos reais e outros fictà­cios. Acho fantástico ele perceber que pode inventar histórias novas e que pode ser o personagem central.

Nas suas brincadeiras o Tiago está a demonstrar ser um bocado control freak como a mãe. Ele é que decide em que brinquedos podemos mexer e escreve-nos o diálogo e tudo. ‘Mãe, toma o robot amarelo. Agora dizes ‘Wall-e, o que estás a fazer?’ e o Wall-e diz ‘estou a apanhar lixo.’ Está bem mãe?’ e eu tenho de seguir as instruções à  risca.

Também gosta muito de recrear fisicamente cenas de filmes, coisas que viu na rua ou na escola – acho que se continuar, para o ano vai para o teatro…

Em termos da linguagem, continua com alguma dificuldade com as letras do costume – L e R – mas não em todas as palavras. No entanto tem um discurso muito pormenorizado e descritivo. à€s vezes tem dificuldade a fazer sair uma palavra e tenta começar a frase diversas vezes até sair bem mas não desiste enquanto não soa ao que ele quer. É um pouco irritante para quem está à  espera de perceber o que raio é que ele quer mas admiro a persistencia.

Para terminar, não resisto a catalogar as gracinhas do momento. No outro dia viu-me com a escova de cabelo na mão e perguntou o que era. Eu disse que era para pentear o cabelo e comecei a escovar o cabelo dele. Ele afastou-se e disse ‘não mãe, não preciso. Sou lindo assim!’ 🙂

Outro dia, sentado á mesa disse ‘isto é uma bolinha de chocolate (ou algo semelhante – já não me lembro o que estava a comer). Gosto de chocolate.’ Pausa. ‘E de sumo, e de robots, e de naves e de botões.’ Fartei-me de rir e fez-me lembrar a lista de coisas de que o Monk tem medo.

Ontem esteve a brincar com o Pedro a nomear objectos da cozinha. Quando o Pedro apontou para algo que não pertencia à  cozinha levou com um ‘não, pai. Só coisas da cozinha’. De facto já sabe o nome de tudo e para que servem as coisas. A nossa favorita é o ‘frigorisco’.