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Finalmente um dente

Aos nove meses nasceu finalmente o primeiro dente da Joana. Os do irmão apareceram logo aos seis meses por isso já andavamos à  espera há algum tempo. Ela queixava-se, mordia tudo, as gengivas estavam inchadas mas nada saia dali até agora.

É interessante o facto deste dentinho coincidir com o desmame da Joana, que na última semana começou a recusar-se a mamar. Já faz 4 refeições à  colher (papa de manhã, sopa com peixe e fruta ao almoço, papa à  tarde e sopa com carne e fruta ao jantar) e começou finalmente a beber água sem fazer caretas. A partir daà­ acabou-se a mama. Nem antes de dormir nem nada. A única altura em que consigo ainda dar-lhe de mamar é se ela acordar a meio da noite – o que é raro – ou logo de manhã em vez de papa. Nessa altura está com tanta fome que não diz que não. Mas isso parece-me estar a voltar atrás já que a ideia é ela habituar-se a comida sólida.

Comecei então a fazer planos para acabar de vez com a amamentação. Inicialmente tinha planeado fazer um ano, como fiz com o Tiago, porque ela sempre vai recebendo algumas defesas pelo leite – tirando a varicela, não teve mais do que uma constipaçãozita até agora, apesar dos diversos virus e bactérias que o mano tem trazido para casa regularmente – mas temos de aproveitar os sinais da criança.

Birras

Não sei se é uma reação tardia à  irmã mas as birras do Tiago têm vindo a tornar-se outra vez mais frequentes e cada vez mais manà­acas. É um bocado difà­cil explicar uma birra do Tiago a quem nunca viu uma mas é mais ou menos assim: começa com algo normal como recusar-se a tomar banho ou, como foi o caso de hoje, resolver começar a tirar as calças no meio da rua. Digo-lhe que não pode e ele insiste.

Hoje foi no caminho entre a escola e casa. Tentei explicar que não se podia despir na rua e ele começa a rabujar, com as mãos a puxar as calças para baixo. Por esta altura deixa de falar e por mais que pergunte o que se passa, porque é que está a fazer aquilo, etc, ele não responde com uma única palavra. Acabei por pegar nele ao colo e começar a dirigir-me para casa mais rapidamente porque já sabia como aquilo ia acabar. Ele luta para se soltar mas recusa-se a andar sozinho quando o pouso, começa a dizer ‘não, não, não’ repetidamente mas não responde quando pergunto ‘não o quê?’.

Acabei por ter de lhe agarrar no braço e continuar a andar e o ‘não’ passa a ‘não quero, não quero, não quero!’,  ‘Pára pára pára!’ e finalmente ‘pára com isso!’ o mais alto que consegue, acompanhado de um choro convulsivo e berraria ao mais alto nà­vel. Eu até aqui não fiz nada a não ser tentar falar com ele e quando não funciona, continuar a andar em direcção a casa. O que vale é que não me preocupo muito com o que as outras pessoas pensam porque senão imegino que a situação seria mais complicada ainda, com a quantidade de gente que fica especada a olhar e a comentar.

Durante todo este tempo tenho um medo imenso que ele consiga soltar-se e comece a fugir porque estou também a ter que empurrar o carrinho com a Joana e não posso simplesmente largar a bebé para correr atrás do tarado.

Quando consegui finalmente chegar a casa, depois de ter que transportar tanto o carrinho como o Tiago pelas escadas acima, já estava nos limites da sanidade mental e paciencia pelo que a criança levou umas palmadas e ficou fechado no quarto até eu me acalmar. Liguei ao Pedro para ter a certeza que não ia torturar a criança, algo que a certo ponto começa a apetecer, e quando tive a certeza que já estava calma e ele tinha finalmente parado de berrar (depois de começar a chamar pelo pai porque a mãe estava a ser má, claro) fui ao quarto falar com ele. Perguntei porque é que tinha feito aquela birra e a resposta foi que as calças estavam sujas. Já tinha reparado que ele tem um comportamento um bocado extremo – quando cai um pingo de comida ou là­quido na roupa tem de se despir imediatamente – mas no meio da rua nunca tinha acontecido. Tentei explicar que as pessoas não podem andar sem roupa na rua e que ele tem de aprender a respeitar as regras mas ele ignora-me completamente. Acabei por lhe tirar os brinquedos que ele estava a usar como distração para me ignorar e voltei a sair.

Quando voltei passados uns minutos voltei à  carga e ele acabou por ‘dizer’ que percebia que se tinha portado mal e que não voltava a fazer. O ‘dizer’ está entre aspas porque se limitou a uma comunicação não verbal com abanões de cabeça. Mesmo assim recusou-se a pedir desculpa e ficou no quarto mais um bocado. Depois saiu para o hall onde encontrou uma esponja. Veio perguntar se podia brincar com a esponja e eu disse que sim mas aproveitei para lembrar que não tinha ainda pedido desculpa pelo seu comportamento e ele lá o fez, o mais baixinho que conseguiu. Depois agarrou na esponja e foi lavar o chão da cozinha – voluntariamente, entenda-se – e passou a birra finalmente. Tinham passado quase duas horas.

A única coisa que posso dizer é que espero que passe porque odeio sentir que estou em guerra com o meu filho de 4 anos e que ele parece estar a ganhar.

Rant doméstica

Como chegou o aviso para pagar a inscrição da escola do Tiago para o próximo ano, fui saber se dava para inscrever a Joana também. Descobri que a creche está cheia e vai ser muito complicado arranjar lugar para ela.

Como meter ou não a Joana na escola está directamente relacionado com o meu tempo livre e possibilidade de fazer mais alguma coisa na vida para além de babysitting não remunerado, estive a avaliar a minha situação – design, bijutaria, contas da nitro, etc – e cheguei à  conclusão que todo o esforço que andei a fazer nos últimos anos para manter a empresa a funcionar, conseguir pagar os impostos, segurança social, uns troquinhos de salário, alojamento dos sites, etc, foi todo por água abaixo neste último ano.

Tenho andado num stress tremendo a enfrentar a situação de ter de deixar a minha bebé sozinha na creche daqui a pouco tempo, depois de andar a tratar dela praticamente 24 horas por dia durante um ano, mas também porque sinto que no primeiro dia em que ela ficar na escola eu tenho imediatamente que ter um emprego que pague tudo isso.

Comecei a pensar seriamente na hipotese de fechar a empresa. Tenho-a mantido aberta porque sempre vou descontando para a segurança social todos os meses, contando assim como tempo para a reforma, continuo a poder passar facturas do trabalho de design e também das vendas de bijutaria. Grande parte do dinheiro vai para impostos – PEC e IVA – mas já tinha um sistema que me permitia ir mantendo a coisa a flutuar, apesar de saber que nunca iria enriquecer assim. A opção seria recibos verdes mas o valor da segurança social é tão alto para depois não contar para nada em termos de tempo de serviço que não compensa.

Aliás, os pagamento obrigatórios tanto para micro-empresas como para recibos verdes – ou seja, aquelas pessoas que estão a tentar criar o seu próprio posto de trabalho e que deviam ser incentivadas em vez de castigadas – são absurdos. Como fiscalizar os grandes dá trabalho e demora tempo, toca a penalizar aqueles que não têm grande coisa mas estão a tentar sobreviver sem ter de pedir nada a ninguém. É a maior reforma que o estado precisava de fazer – aprender a fiscalizar em vez de passar o tempo a aumentar os impostos à  classe média que paga sempre e cada vez tem menos.

Desde o verão passado, com as obras, mudança e nascimento da Joana deixei de ter tempo para actualizar a loja, fazer peças novas, tirar fotos, etc e o negócio da bijutaria estagnou. Continuo cheia de ideias e materiais mas pouco tempo. As únicas coisas que tenho feito ocasionalmente são encomendas personalizadas.

Sinto que com mais tempo e persistencia consigo voltar pelo menos ao ponto onde estava mas a dúvida é se tenho esse tempo antes de se acabar o dinheiro. Já me sinto culpada por deixar a Joana sozinha durante o tempo necessário para por a loiça na máquina, quanto mais se me ponho efectivamente a tentar trabalhar enquanto ela anda pelo chão a meter na boca tudo o o que encontra.

Outro problema é que ando cheia de sentimentos de culpa porque sinto que devia conseguir fazer tudo ao mesmo tempo e que estou a falhar. Afinal não é isso que as mulheres modernas é suposto fazerem? Quando andava na faculdade nunca me ocorreu que alguma vez fosse ficar em casa a tomar conta de crianças – aliás, até aos 30 anos defendia insistentemente que não queria ter filhos, quanto mais ser responsável por eles a tempo inteiro. E por muito que adore os meus filhos admito que só os tive porque comecei a pensar que mais tarde poderia arrepender-me se não os tivesse e seria tarde de mais. Antes arrepender-me por fazer algo do que por não o fazer.

Agora que sou uma dona de casa glorificada, sinto por vezes algum preconceito por parte das mulheres que vão todos os dias para o seu emprego e que ocasionalmente largam comentários do tipo ‘até porque ela está em casa todos os dias, não é como se tivesse que ir trabalhar’. Eu sei que essas mulheres ainda têm todas as tarefas domésticas à  sua espera quando chegam a casa ao fim do dia de trabalho mas sinto-me um bocado ofendida pela implicação que estar em casa consiste em passar os dias a limar as unhas e ver telenovelas e tenho muitas vezes a necessidade de me justificar e explicar o que raio é que faço o dia todo para estar tão ocupada, o que é absurdo e irracional.

Por causa desse sentimento de culpa ontem até andei a ver anuncios de emprego e fiquei espantada com o que encontrei. Os vencimentos oferecidos andam todos à  volta de 500 a 600 euros, 250 para part time (uma das opções que considerei). Quem é que sobrevive assim? Comecei a pensar que faço mais dinheiro ficando em casa a fazer brincos do que a ter que ir todos os dias gastar dinheiro em almoços e transportes para ganhar uma ninharia que nem paga a creche da miúda. Ouch!

É que uma das vantagens de estar em casa é que não gasto dinheiro quase nenhum. Só vou ao cabeleireiro uma a duas vezes por ano, Fui recentemente comprar roupa mas não o fazia desde que precisei de roupa de grávida, a comida é comprada no supermercado e cozinhada em casa por isso também não custa muito e já poupei 1500 euros em creche (and counting). Ou seja, financeiramente, não é uma escolha tão absurda como possa parecer à  primeira vista.

Optei por ficar em casa pelo menos um ano com cada um dos meus filhos porque achei que era bom para eles estarem com a mãe. Sei que isso só foi possível porque o Pedro se mata a trabalhar e porque temos imensa ajuda da famà­lia. Sei que para a maior parte das mães é uma necessidade por as crianças na creche logo ao fim de 4 meses e é pena que no nosso paà­s assim seja. Eu tive essa opção porque já estava em casa de qualquer forma e achei que iria conseguir continuar a fazer qualquer coisa, pelo menos enquanto eles dormiam sestas. Fui um bocado estúpida por pensar assim mas não posso dizer que me arrependa inteiramente porque eles crescem num instante e deixam de precisar de nós da mesma forma.

O Tiago foi para a escola aos 18 meses porque era muito tà­mido, estava demasiado isolado e não interagia bem com os outros. Na altura achámos que a escola lhe ia fazer bem e de facto fez, apesar dessa tendência para se isolar se ter mantido – tem um grande amigo e ignora todos os outros miúdos.

A Joana parece-me mais sociável e tem o irmão com quem brincar em casa mas mesmo assim será importante a certa altura começar a lidar com crianças da mesma idade. Pode não ser este ano mas quanto mais tempo esperamos mais complicada será a adaptação.

E eu vou ter de respirar fundo, fazer uma lista e começar a lidar com uma coisa de cada vez.

Rastejando para a liberdade

A Joana começou a rastejar. Ainda não se apoia nos joelhos mas tem uma força brutal nos braços e consegue ir de uma ponta à  outra da sala em poucos segundos.

Esta foi uma evolução recente que se seguiu a um maior à -vontade a rebolar. Como já não está tanto frio começámos a por a Joana directamente no chão, em vez de ser sempre em cima de uma mantinha, e ela parece ter levado isso como uma abertura do espaço que tinha disponà­vel para se movimentar. Infelizmente quando lhe noto um boost de velocidade é porque encontrou um cabo eléctrico, um sapato que quer por na boca ou outro objecto igualmente perigoso. Entrou definitivamente na idade em que não se pode desviar o olhar por um segundo.

Felizmente readquirimos o parque que tinhamos comprado para o Tiago, o que nos dá alguma garantia de segurança quando é preciso sair da sala por momentos. Ela não gosta muito mas não tem uma aversão tão grande como o Tiago tinha e hoje até adormeceu lá dentro.

Aventura no Gymboree

Como fizemos a festa de aniversário do Tiago no Gymboree, deram-nos um voucher para um mês de aulas. Como a Alex também tinha um que estava quase a expirar e os miúdos são bons amigos, combinámos marcar para este mês.

No sábado fomos à  primeira aula. O Tiago gosta do espaço mas para correr por onde lhe apetece. Como aquilo era uma aula estruturada, foi complicado conseguir convencê-lo a se reunir ao resto das crianças e pais e participar. Lá para o meio comecei a conseguir convencê-lo a fazer um ou dois dos exercí­cios mas a certa altura acabou – fez beicinho, foi-se sentar a um canto a amuar e já não consegui fazer mais nada com ele. Tentei explicar-lhe que a aula estava quase a acabar e se ele não aproveitasse depois já não tinha tempo mas não funcionou. Disse que tinha sede mas recusou-se a sair para ir beber água e quando finalmente foi já a aula tinha acabado. Depois queria voltar a entrar e já podia por isso desatou a chorar e assim foi até chegar a casa.

Quero ter coragem de voltar a tentar mas não sei se aguento um mês disto. Presumo que a falta de cooperação e a teimosia sejam culpa minha, culpa de falta de disciplina em casa, de pouco tempo de brincadeira estruturada, mas sinceramente acho que até já sou rà­gida demais com ele à s vezes e tenho dias em que sinto que não faço mais nada a não ser ralhar com ele e insistir para que cumpra as suas pouquà­ssimas obrigações – arrumar os brinquedos que espalhou no chão, lavar as mãos quando vai à  casa de banho, etc. Hoje em dia já consigo que ele faça o que peço, com um misto de explicação e ameaça (primeiro explico porque deve fazer. Se não funciona ameaço tirar-lhe um brinquedo se não fizer). O Pedro diz que somos os dois teimosos e a sua técnica para lidar com  o Tiago passa mais por transformar tudo numa brincadeira mas depois tem situações em que o Tiago não o leva a sério porque ‘o pai é o que brinca’ e acaba por ter de se zangar. Só mostra que não há soluções perfeitas.

Joana, 8 meses

Custa a acreditar mas já passaram 8 meses desde que a Joana nasceu.

Na terça fomos fazer a vacina que saltámos o mês passado por causa da varicela. Agora está despachada até aos 15 meses. Aproveitámos também para a pesar. Pensei que a Joana ia ser mais gorducha do que o Tiago mas parece estar a ir pelo mesmo caminho. Começou no percentil 50, aos 6 meses desceu para o 25 e agora está ainda mais abaixo, com 7,250kg. Não é magrinha mas, tal como o irmão, aquilo que come vai mais para a altura do que para o peso. Se eu for comparar a quantidade que ela come com o que é sugerido para a idade, poderia ficar preocupada – a papa para a idade dela diz 240ml de leite e eu faço com 90 a 120 e nem sempre come tudo – mas ela come bem e quando não quer mais acho que não vale a pena insistir, até porque se ficasse com fome eu dava por isso. Aprendi com o Tiago que não vale a pena preocupar-me com medidas e quantidades. É mais importante aprender a ler os sinais que os nossos bebés nos dão e ir ajustando as quantidades de acordo com o que eles mostram precisar. Também me parece que os fabricantes das papas dizem aquilo sabendo que metade vai para o lixo. Assim vendem mais 🙂

As maiores novidades são o facto da Joana já responder ao nome e ter começado a ‘dançar’ (leia-se abanar-se energeticamente quando ouve música). Também começou a imitar sons, tanto verbalmente como a bater com as mãos. Por exemplo, se eu bato duas vezes com a colher na tigela ela imita batendo com as mãos na mesa. Já diz o mamama, dada e olá tà­picos desta idade.

Ainda não gatinha, nem sequer se apoia nos joelhos como o Tiago já fazia com esta idade, mas arrasta-se de costas e depois vira-se de barriga para baixo, tendo assim um método de locomoção menos usual mas bastante eficaz para chegar ao que quer. Mas aquilo que ela gosta mesmo é estar de pé. O meu irmão emprestou-nos um daqueles baloiços que se penduram na porta e ela dá grandes saltos naquilo, fazendo impulso com os pés. Acho que se sente toda crescida com os pés no chão 🙂

No último mês a Joana começou a demonstrar força de vontade e resmunga quando não consegue deitar a mão a algo que lhe interessa. Também começou a chorar cada vez que eu tenho de sair do seu campo de visão, mesmo que só por uns segundos e mesmo que continue a ouvir a minha voz, algo que era suficiente para a acalmar até aqui. Ontem até começava a chorar só de eu me virar de costas para ela.

Adora agarrar o pelo dos gatos com toda a força e os nossos gatos são tão parvinhos que se queixam mas não se vão embora. à€s vezes até tenho pena deles 🙂

Continua a dormir bastante e até tem um horário bastante regular para as sestas. Acorda por volta das 7.30, come, brinca, arranca os cabelos à  mãe e depois quer ir dormir a sesta por volta das 10. Depois acorda entre as 11.30 e as 12.00, almoça, brinca, arranha a cara da mãe com um grande sorriso (torturar a mãe é o desporto favorito dos bebés nesta idade) e depois vai dormir a sesta entre as 14.00 e as 15.00. Depois acorda, lancha e ainda vamos a tempo de ir buscar o Tiago à  escola.

Entrou definitivamente na fase de reconhecer quem toma conta dela e quem não conhece e até sorri à s pessoas estranhas mas se ficam muito tempo a falar com ela ou lhe tentam pegar desata logo a berrar. Se estiver muita gente à  volta pior ainda.

Adora o irmão e ri-se de tudo o que ele faz, mesmo quando se assusta com os seus gritos (o Tiago parece ter o controlo de volume avariado ultimamente. Está sempre em volume máximo)

Fim de semana de aniversários

Na sexta feira foi o quarto aniversário do Tiago, por isso levou um bolo para a escola e saquinhos com gomas e balões para os outros meninos. Também recebeu as prendas dos pais, que consistiram em Bakugans, Transformers e um conjunto familiar de armas  – metralhadoras, pistolas, algemas, etc.

Recebeu também as prendas dos avós: um ipod touch dos paternos e uns robots espaciais e roupa dos maternos.

O sábado foi o dia destinado à s festas do Tiago organizadas por nós – uma no Gymboree para os amigos e outra cá em casa para a famà­lia. Quando o Pedro foi buscar o bolo que eu tinha encomendado dois dias antes, achei que ia ser tudo um grande fiasco. Nunca vi um bolo tão feio.

Horrà­vel bolo verdeTinha encomendado um bolo de chocolate, com cobertura de massapão branca e decorações simples em verde e roxo para depois por um boneco do Buzz Lightyear por cima, Pedi que não tivesse flores e expliquei que era para um menino de 4 anos que gostava de robots e naves espaciais. O bolo que me entregaram era de pão de ló com creme de chocolate, cobertura verde vómito e flores. Fiquei com uma raiva tão grande que arranquei a cobertura toda e deitei no lixo e jurei ir desancar o pasteleiro, com quem tinha falado pessoalmente. Que incompetência! Portanto, se vivem em Almada e querem encomendar um bolo de aniversário para os vossos filhos NàƒO o façam na pastelaria Barca Doce/Batikanos.

Senti-me particularmente estúpida porque ao falar com o homem fiquei com a sensação que aquilo não ia correr bem. I should always follow my gut. Devia ter ido ao sí­tio do costume mas aquilo era mais perto e fui comodista.

O Pedro acabou por salvar a situação indo à  pastelaria Páscoa comprar um bolo com o homem aranha que eles já tinham lá feito.

Depois do almoço, foi então a festa no Gymboree. Apareceram os 11 meninos que tinham confirmado e correu tudo bem tirando um pequeno desentendimento com um dos amigos porque ambos queriam a mesma almofada. O resultado foi o Tiago a chorar e foi preciso uma grande dose de conversa para o conseguir convencer a voltar à  brincadeira antes que acabasse o tempo. O que acho interessante é que cada vez que há uma situação destas é geralmente com o Tiago, que é teimoso, incapaz de compromisso e facilmente ofendido. Não sei se vamos conseguir mudar alguma dessas coisas, mas enfim. Mesmo depois do amigo lhe pedir desculpa – que não tinha nada de fazer, mas o pai insistiu – o Tiago continuava a choramingar com o seu ar ofendido.

O tempo para o lanche passou a correr e mais uma vez falhou qualquer coisa – as prendinhas para os meninos que tinhamos ficado de comprar e acabou por não dar tempo. Oh well…

Bolo de aniversario Arrumámos tudo o mais depressa que conseguimos e mesmo assim, quendo chegámos a casa já cá estavamos meus sogros e os avós do Pedro, portanto não deu tempo nenhum para preparar as coisas para a segunda festa. O segundo bolo foi oferecido pelos bisavós e planeado pelos avós paternos, feito na pastelaria Páscoa  e estava lindo, com uma casinha de estrumfes.

A Joana que se aguentou a tarde toda sem sequer reclamar muito, lá adormeceu finalmente na sua caminha enquanto ia chegando gente. Como era só famà­lia e não tivemos tempo para preparar nada, foi uma coisa mais descontraà­da mas mesmo assim a festa prolongou-se até à s 9 da noite a acabou pro incluir jantar e tudo – felizmente o Pedro tinha comprado umas pizzas ao almoço, senão não havia nada para alimentar quem ficou.

As pessoas foram fazendo turnos a brincar com o Tiago e mesmo assim eu devo-me ter sendado 20 minutos o dia todo. Foi um dia verdadeiramente cansativo.

O dia seguinte não foi melhor porque foi o aniversário do meu irmão, implicando mais um almoço com montes de gente. Felizmente já não fomos nós a organizar nada mas andei bastante ocupada, principalmente com a Joana, que não aguentava outro dia sem sesta.

Mas pronto, foi giro ver pessoas que só vemos uma vez por ano e principalmente ver como as crianças estão a crescer. Ainda fico espantada quando percebo que estrámos definitivamente na geração dos pais e toda a gente tem filhos pequenos, mesmo aqueles que continuam a vestir-se como adolescentes 🙂

Quando chegámos a casa o Tiago estava tão cansado que dormiu até à  manhã seguinte. Para nós foi uma maravilha porque conseguimos pela primeira vez em semanas sentar-nos no sofá a ver uns episódios do House e descansar um bocadinho.

O mês de Março é muito concorrido em termos de aniversários e para a semana há mais.

Tiago, 4 anos

Este foi o ano em que o Tiago começou a criar relações de amizade com os colegas da escola e como tal, quando chegou a altura de planear o seu aniversário, pareceu-me fazer sentido uma festa com os amigos em vez de ser praticamente só com os adultos da famà­lia como até aqui.

Já tinhamos ido a um aniversário no Gymboree, em Dezembro, e o Tiago divertiu-se tanto que resolvemos fazer lá a festa dele. Aquilo implicou dezenas de decisões – som ou sem tema, que tema, convidamos os colegas todos ou só alguns, qual a decoração do bolo, etc, etc – e pouco tempo antes alguns dos colegas da escola fizeram precisamente o mesmo e acabou por ser tudo menos original, mas que se lixe.

Eu senti-me completamente estúpida porque comecei a planear aquilo com tanta antecedencia e depois esqueci-me completamente que a coisa calhava na semana do Carnaval. Não queria estar a entregar os convites cedo demais para não haver confusões com as outras festas das semanas anteriores e acabei por só conseguir entregar no dia anterior ao em que tinha de confirmar o número de crianças que iam. Temi o pior mas acabei por ter umas dez confirmações o que já dá uma festa decente. Muitas crianças também é confusão a mais.

Acabei por ter de fazer uma lista para me orientar porque o aniversário acaba por ocupar dois dias e 3 festas distintas – no dia 11 bolo para levar para a escola e gift bags para os colegas, no dia seguinte festa para as crianças seguida de festa em casa para a famà­lia. Para uma control freak isto é stress engarrafado e estou a tentar não me esquecer de nada importante e a tentar não pensar muito em tudo o que pode correr mal. Desde que ele se divirta tudo bem.

As alterações mais notórias desta passagem para os 4 anos são um desenvolvimento da imaginação nas brincadeiras, uma maior capacidade para se entreter sozinho (apesar de continuar a querer público enquanto brinca) e o aparecimento do humor de casa de banho, com a repetição constante do único vocabulário que conhece de momento: xixi, cocó e sanita – palavras que de repente adquiriram um significado altamente hilariante 🙂

Joana, 7 meses

Os 7 meses da Joana começaram com varicela. A minha sogra tinha dito que era raro apanharem tão cedo porque os bebés desta idade ainda têm as defesas da mãe mas a Joana não se safou. No caso dela a coisa desenvolveu-se mais devagar e com algumas bolhas bastante maiores que as do Tiago mas no geral nem foram muitas e tirando uns dois dias em que ela andou mais rabujenta, acho que a miúda superou a doença com a sua habitual boa disposição. Pelo menos ficam os dois despachados desta.

A chatice maior é para mim que vou na terceira semana fechada em casa. OK, saà­mos em ambos os sábados para ir a almoços de famà­lia, mas fora isso estou de castigo e não posso ir fazer nada das coisas que preciso. A minha mãe e os meus sogros têm sido uma ajuda preciosa ao ir buscar o Tiago à  escola porque não posso ir com a Joana ao infantário. Não só ela está contagiosa para os outros como pode apanhar uma infecção por ter o sistema imunitário em baixo, o que aos 7 meses podia ser grave.

A alimentação da Joana tem-se tornado progressivamente mais fácil e até agora não teve mais nenhuma reacção adversa aos alimentos. Já lhe começámos a dar papa com gluten sem problemas, e diversos vegetais.

Como comecei a ter alguns dias em que não conseguia tirar leite para lhe fazer papa – como ela começou a saltar mamadas a produção desceu – resolvi tentar o leite hidrolisado. Fiz hoje a primeira papa, da qual era comeu apenas umas colheradas, porque aquilo tem um sabor diferente do costume (e porque a certa altura tive de sair da cozinha e quando voltei uma das gatas tinha o focinho enfiado no prato e teve que ir o resto para o lixo), mas não vomitou. Tenho de experimentar mais 3 dias para confirmar se é seguro mas em princà­pio não deve haver problema.

Preciso de a pesar para ver se está a ganhar o peso que devia com as alterações à  dieta. Iamos fazer isso esta semana, quando a fossemos vacinar mas com a varicela tem de ser tudo adiado pelo menos mais uma semana. Mas ela continua gorducha por isso não estou preocupada.

Em termos de desenvolvimento, a Joana já se aguenta imenso tempo sentada sem apoio, apesar de ainda cair para os lados ocasionalmente quando se estica para agarrar algo que esteja mais longe. Põe tudo na boca, como é natural, e já se consegue deslocar grandes distancias no chão ou na cama, seja arrastando-se de costas, seja virando-se, algo que também já faz com facilidade (apesar de ainda ficar com um ar espantado quando consegue, como se não estivesse à  espera). Ainda não a vi rebolar a sério mas não falta muito e a mobilidade já é suficiente para ser já demasiado perigoso deixá-la em cima da minha cama, mesmo rodeada de almofadas.

O Tiago com esta idade já se apoiava nos joelhos e a Joana ainda não chegou lá. Já passa imenso tempo de barriga para baixo mas não faz qualquer tentativa de se levantar. Por outro lado aguenta-se imenso tempo a fazer apoio com os pés por isso até pode ser que salte a fase de gatinhar.

Semana interminável

Depois de uma semana em full time com os dois miúdos, não consigo evitar pensar que se calhar não fui mesmo feita para ser mãezinha. Não fiz mais do que muitas mulheres fazem desde sempre e estou absolutamente exausta.

E nem me posso queixar muito porque o bebé, que é quem devia dar mais trabalho, aproveitou esta semana para se começar a portar bem e passou a dormir a noite toda e a comer sem dar luta. Deve ter percebido que a mãe estava a dar em louca com o irmão que, mesmo com varicela, não pára um minuto. Como vê a irmã ao colo também quer colo, como me vê dar-lhe de comer também quer que eu lhe dê a comidinha à  boca, passa os dias a correr pela casa a gritar, faz grandes birras por pura teimosia ou  porque adormeceu e quando acordou já era de noite e não queria noite, ou algo do estilo, impossível de resolver.

Passo o tempo a chamar a atenção para tudo isto, a ter de ralhar e por vezes zangar-me a sério sem grande efeito. No momento até liga e acalma mas passados uns minutos volta tudo ao mesmo.

Ontem dei-lhe banho de manhã, porque na noite anterior foi impossível graças a uma dessas birras monumentais. O Pedro filmou tudo. É bom ter munição para quando ele for adolescente.  Aproveitei também para lhe cortar o cabelo que já estava a chegar aos olhos e até se portou bem nessa parte.

A Joana, felizmente, continua a ser uma menina muito calma e bem disposta e o Tiago farta-se de fazer show para ela se rir. Não é um miúdo muito meigo – nada de beijinhos ou abracinhos e faz queixinhas se ela lhe toca, mesmo acidentalmente – mas gosta de ter público para as suas palhaçadas e ela segue tudo o que ele faz e adora.

Esta manhã aproveitei a sesta da irmã para tentar por o Tiago a fazer o trabalho da escola. Os meninos trocaram um livro uns com os outros e agora têm de ler o livro que trouxeram e fazer um trabalho de apresentação sobre o que leram. Parece-me algo super complexo para 3 anos e quem acaba por ter de fazer os trabalhos são os pais, como é obvio. Ainda por cima o livro do Tiago é só matemática – é sobre uma famà­lia que vai trocando uns animais por outros – 1 vaca por 2 ovelhas, as ovelhas por 4 porcos, etc.

Tentei arranjar uma forma de apresentar aquilo que ainda tivesse alguma colaboração do Tiago mas que fosse o mais simples possível. Arranjei uma cartolina e fui escrevendo o número e nome dos animais e o Tiago fez um animal de cada em plasticina – com moldes, claro – para colar ao lado. Os últimos já eram complicados e não tinha nenhum molde de avestruz, por exemplo, por isso andei a desenhar os animais e ele pintou com o pincel. Foi tudo um esforço enorme para ele se concentrar no que até era uma tarefa simples porque ele só queria era fazer casaquinhos de plasticina para os seus robots e estava-se nas tintas para os animais.

No final era tinta por todo o lado, plasticina pelo chão e o Tiago ainda encontrou um carimbo que lhe deram na escola (uma mãzinha achou que aquilo era uma boa ideia de prendinha para os outros meninos quando o seu fez anos) e andou a carimbar as mãos, cara, etc. Veio ter comigo a dizer ‘mamã!’ e com o seu sorriso mais sacana mas não dizia mais nada. Depois mostrou-me as mãos….

Varicela

Há uns dias os Tiago acordou de manhã, perguntou se ia para a escola e depois disse que doà­a o ouvido. Nós achámos que era fita e não ligámos muito. Até a educadora já nos disse que acha que ele já percebeu que eu fico em casa com a Joana enquanto ele tem que ir para a escola e estas situações são uma forma de chamar a atenção porque ainda não se sabe expressar de outra forma.

O Pedro, que é mais paranoico que eu, cada vez que o Tiago se queixa ou faz uma birra, vai logo medir-lhe a temperatura porque hoje em dia o Tiago até se porta bastante bem a maior parte do tempo. Mas mesmo assim não demos por nada de anormal.

Ontem à  noite, quando foi tomar banho, de repente demos com o Tiago coberto de borbulhas vermelhas. Com o calor do banho tornaram-se visà­veis mais umas quantas e tornou-se obvio que o nosso filho está com varicela.

Apesar disso passou o dia bastante bem disposto, a brincar. Teve só uma ou duas fases durante o dia em que ficava mais molinho. Da primeira vez deitou-se no sofá um bocadinho mas passado pouco tempo já andava aos saltos outra vez.  Da segunda vez, já ao fim da tarde, começou a pedir o boneco e a tirar as meias porque ‘precisava de descansar’. Quando fui ver a temperatura estava com 38. Deixei-o dormir e vamos ver como está amanhã.

Intolerante

Fizemos a experiencia: uma semana de papa não láctea seguida de um dia de papa láctea. Aguentou duas horas e vomitou. Está então confirmada a intolerancia ao leite de vaca.

De todas as chatices que podem acontecer com um bebé, não é das piores nem nada que se pareça, mas vai ser complicado desmamar a miúda e arranjar-lhe substitutos para o leitinho. Implica nada de iogurtes, sobremesas lácteas e muito cuidado com os ingredientes de uma série de produtos daqui para a frente.

O susbtituto obvio é o leite de soja mas a minha sogra já avisou que os bebés não costumam gostar por isso estou a ver que a dificuldade das refeições não deve melhorar tão cedo.

Por outro lado a sopa já vai melhor mas em pequena quantidade. A fruta já é pedir muito e acaba geralmente em choradeira.