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Carnaval

Este ano só a Joana se interessou pelo Carnaval. Na sexta feira foi para a escola vestida à  Elsa do Frozen, de cabeleira loira e tudo. O vestido tinha sido prenda de natal da tia Luisa e a cabeleira foi comprada pelos avós, por isso não tive trabalho nenhum este ano 🙂

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Mas como não consigo ficar quieta, acabei por fazer uma saia de bailarina. Com um bocado de tule em tons de rosa e branco, e um elástico para a cintura, contruà­ uma saia super simples mas que ela adorou.

Na terça feira, dia de Carnaval e também de aniversário da avó paterna, a Joana vestiu a sua nova saia para ir a casa da tia Marta cantar os parabéns à  avó e ver a nova prima Clara que nasceu na quarta feira. A prima Ema também estava vestida de bailarina e as duas divertiram-se imenso juntas, apesar da visita ser curta para não incomodar demasiado os pobres papás que precisam é de descanso e não da famà­lia toda lá em casa.

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Aceitem o vosso corpo

Há certas coisas que são tabu e não percebo bem porquê.

As pessoas gostam de se gabar que beberam tanto que até vomitaram, gostam de piadas de casa de banho e num grupo de amigos pode-se falar de diarreias e mijar-se pelas pernas abaixo e as pessoas riem-se e partilham as suas histórias sem ofensa. As mães e pais falam dos cocós e xixis dos seus meninos e não há qualquer controvérsia. As mulheres partilham entre si algo sobre a última ecografia mamária e está tudo bem. Então porque é que certos assuntos são proibidos?

Reparei que, por exemplo, parece que não se pode falar de menstruação. Apesar de ser algo perfeitamente normal, até entre as mulheres é um assunto que faz torcer o nariz.

Todas as mulheres em idade fértil precisam de saber quando foi a data em que começou a sua última menstruação. É uma das perguntas standard quando se vai ao ginecologista. E devemos controlar os nossos ciclos para saber se está tudo regular. Eu descobri recentemente que tenho um mioma porque comecei a ter um sangramento anormal e fui fazer exames. É preciso prestar atenção a estas coisas porque o nosso corpo dá-nos sinais sobre a nossa saúde.

Manter um registo do ciclo menstrual é algo que se deve incentivar as raparigas adolescentes a fazer, até porque os primeiros ciclos podem ser mais irregulares e é uma chatice andar pela escola com as calças todas sujas porque se esqueceram de  levar pensos.

Para pessoas que estejam a tentar engravidar ou que corram o risco de engravidar sem querer, saber a altura da ovulação e da próxima menstruação é uma informação fundamental. Até eu que já não corro o risco de engravidar preciso de ter esses dados.

Então porque é que o perà­odo é uma coisa tão imencionável? É mais nojento que diarreia? Eu acho que não. Sangue todos temos. É claro que não gostamos de o ver do lado de fora, mas no caso das mulheres é um funcionamento normal do organismo. Não é motivo para vergonhas e nojo. Pelo menos não mais do que as restantes funções biológicas.

Há pouco tempo encontrei uma app fantástica para controlar o ciclo menstrual. Para que saibam, chama-se Clue, é grátis e permite apontar uma série de informações como a data das últimas menstruações, se tomámos ou não a pà­lula, dias de dores, temperatura, se o fluxo menstrual é muito ou pouco e o tipo de corrimento vaginal durante o resto do mês. Com os dados que vamos introduzindo, a app ajuda a prever a data dos próximos ciclos, o que dá imenso jeito para várias ocasiões, como por exemplo se estivermos a tentar marcar férias sem surpresas. É giro, muito simples de usar e não tem uma pinga de cor de rosa em lado nenhum, como é comum nas apps para “senhoras”. Digo isto como utilizadora. Ninguém me pagou para publicitar o produto. Acho simplesmente que usar uma coisa destas é importante e se não gostarem deste e preferirem borboletas e arco à­ris há muitos outros.

Partilhei o link do app há uns tempos no facebook. Suponho que possa ter sido confundido com spam mas fiquei surpreendida porque, enquanto qualquer baboseira sem interesse tem sempre pelo menos dois ou três likes, este passou completamente em branco. Lá está, não se fala destas coisas.

amamentarO outro assunto que parece chocar grande parte da população é a amamentação em público. Tanto homens como mulheres ficam chocadà­ssimos quando vêem uma mulher a amamentar. Parece que voltámos à  época vitoriana em que as mulheres tinham de ficar fechadas em casa durante a gravidez para não chocar a população com a prova de terem tido relações sexuais.

Fala-se tanto de sexo e até a gravidez parece ser bem aceite hoje em dia. Pessoas que não nos conhecem de lado nenhum de repente desatam a fazer festinhas na barriga das grávidas (fazendo com que as grávidas tenham de conter o desejo de lhes dar um pontapé nas canelas porque pelos vistos não aprenderam que o contacto fà­sico deve ser autorizado pela pessoa) e não resistem a tocar nos bebés e crianças (também já tive de me controlar para não ser desagradável à s dezenas de pessoas que ficam ali a massajar os caracóis do cabelo da minha filha como se fosse uma daquelas bolas anti-stress. Têm de aprender que as crianças também são pessoas e merecem respeit0).

Mas a questão não é essa. Aparentemente é tudo bom e fofinho até o bebé ficar com fome. De repente parece que o acto de alimentar a criança da forma mais natural possível, com a parte do nosso corpo que é criada para o efeito, é a coisa mais nojenta do mundo.

Compreendo que na nossa sociedade não se anda por aà­ de mamas de fora, mas isto não é exibicionismo nem um acto sexual em público. É o caso de termos um bebé que tem fome e por acaso não estarmos em casa. Acham que as mães gostam de se sentir expostas e de levar com os olhares e comentários pelo mero acto de alimentar o seu filho? A criança tem de comer e não há nada de errado com isso. Se há quem saque do biberão porque é que as mães que optam por amamentar são penalizadas por sacar da mama? Estão a fazer mal a quem exactamente?

Suponho que os mesmos púdicos e púdicas que querem apedrejar estas mães carinhosas também fiquem prestes a desmaiar quando vêem alguém a beijar-se em público ou de mãos dadas. Lá está, mentalidade vitoriana.

Digo isto em particular à s mulheres, que acabam por ser as crà­ticas mais ferrenhas: parem de ter vergonha do vosso corpo. Estão a ser levadas pela mentalidade patriarcal que quer manter as mulheres “no seu lugar” e nem dão por isso. As mulheres deviam apoiar-se em vez de se criticarem. O corpo é bonito e capaz de coisas fabulosas. Não há nojo nenhum nisso.

Dó Ré Mi versão Portuguesa

Há uns tempos a Joana apareceu cá em casa a cantar uma versão em português da música Dó Ré Mi do filme The Sound Of Music que tinha aprendido na escola.
Na altura ela ainda não tinha aprendido a letra toda e por isso fiz uma pesquisa na internet para tentar encontrar essa versão. Foi inútil. Encontrei umas versões brasileiras completamente diferentes mas nada que se assemelhasse ao que ela aprendeu.
Recentemente ela lá aprendeu o resto por isso resolvi deixar aqui essa versão para o caso de ser útil a outros pais que esbarrem na mesma dificuldade. Apesar de tudo é uma excelente música para eles aprenderem as notas musicais.

Dó Ré Mi (versão Portuguesa)
Dó, de quem merece pena
Ré, a popa de um navio
Mi, miar, miar não sei
Fá, faz muito frio aqui
Sol, sabem bem quem é
Lá, não está aqui ao pé
Si é sim em espanhol
E agora volta ao Dó

Dó Ré Mi (original)
do- a deer, a female deer
re- a drop of golden sun
mi- a name I call myself
fa- a long long way to run
so- a needle pulling thread
la- a note to follow so
te- a drink with jam and bread
that’ll bring us back to do

– It’s been a tough week…Tem sido uma semana complicada…

lice

Fortunately, thanks to sprays and electric combs, the whole thing appears to be under control. I’ve been obsessively washing everything that will fit in the machine, changing sheets and towels daily, but the idea of having little bugs running around everywhere makes me indescribably sick. Homeschooling seems like a perfectly aacceptable option at times like these 😛

 

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Felizmente, graças a sprays e pentes eléctricos, a coisa parece estar sob controlo. Ando em modo obsessivo de lavar tudo o que cabe na máquina, a mudar lençóis e toalhas diariamente, e a ter uma trabalheira incrà­vel, mas o nojo que me mete a ideia de ter bicharocos por todo o lado é indescrità­vel. Homeschooling parece-me uma solução perfeitamente aceitável nestas alturas 😛

 

 

Tiago no segundo ano

O meu filho cresce a uma velocidade alucinante. De tal forma que sem dar por isso já está no segundo ano do ensino básico, anteriormente conhecido por segunda classe – o que, diga-se de passagem, era muito mais rápido.

IMG_0337.JPGInfelizmente, por diversos motivos, o primeiro ano não correu da melhor maneira. Passou de uma escola privada onde era apaparicado, para uma escola pública onde teve o azar de calhar numa turma com cinco meninos bastante problemáticos. Um deles fazia birras de se atirar para o chão e batia em todos, os outros eram incapazes de se comportar na sala, e o nà­vel de ruà­do e confusão eram de tal ordem que a professora passou o ano a fazer relatórios e lá conseguiu que este ano dois dos meninos fossem transferidos para outra escola.

Espero que este ano corra melhor, mas o princà­pio está a ser complicado. Na primeira semana a professora fez fichas de diagnóstico e o Tiago teve negativa a Português. Fui avisada logo no dia da ficha porque a professora não gostou, e com razão, da atitude do Tiago, que lhe entregou a ficha dizendo ‘toma, podes-me dar negativa, não quero saber.”

Não querendo desculpar um comportamento indesculpável, acho que a atitude dele passa mais por sentir que não consegue estar a tentar adiantar-se ao falhanço do que efectivamente não querer saber. De qualquer forma era uma atitude e resultado preocupante, pelo que foi castigado, ficando sem jogos durante uma semana, e instituà­mos a leitura e escrita diária obrigatória, independentemente dos trabalhos de casa.

Já deviamos ter feito isto há mais tempo e o resultado actual é tanto culpa nossa como dele, mas ele reagia tão mal quando puxávamos um pouco mais por ele, ficava a tremer e a chorar, que eu não tinha coragem para prolongar aquele sofrimento por muito tempo.

No fim de semana passado ele tinha como TPC um ditado para estudar. Por azar coincidiu com duas festas de aniversário a que tive de levar a Joana e tive pouco tempo com ele. O pai ajudou-o mas mesmo assim foi pouco o tempo passado a estudar o texto. Como resultado, na segunda feira veio para casa o ditado com 14 erros.

O exercí­cio desse dia foi escrever no quadro cada uma das palavras com erros até acertar, mas já percebi que ele tem certas falhas que faz constantemente, por mais que eu explique como é e a lógica da coisa, ele não parece ser capaz de fixar. No momento corrige mas no dia seguinte já está a fazer o mesmo erro outra vez.

Este fim de semana tinha novo ditado para estudar. Desta vez fui impiedosa e repetimos ditado seguido de correcção das palavras, vezes sem conta. Repetia o ditado, estava quase tudo na mesma outra vez, voltávamos a fazer.

à€s cinco da tarde de domingo, o melhor que consegui foi que descesse de 17 erros para 6 mas continuo pouco confiante no resultado de amanhã. Ainda vamos repetir a coisa mais uma ou duas vezes, mas duvido que melhore muito mais. Um dia não dá para tudo.

Vamos continuar a treinar, diariamente, repetir as palavras mais problemáticas e espero que a coisa ainda melhore antes do teste do primeiro perà­odo, senão vai ser complicado recuperar mais tarde. Ser mãe, nestas alturas é tramado. É preciso ser a má enquanto estamos todas cheias de nós por dentro ao ver o esforço e a frustração, a ouvir “sou um falhado” e outras demonstrações de auto-confiança sem saber bem como ajudar. Pode ser que se vir as notas a melhorar isso o convença finalmente que consegue.

A Joana fez 4 anos

Parece que demorou uma eternidade porque assim que tinha acabado de fazer 3 anos, a Joana começou a perguntar quando é que fazia quatro. Passámos o ano a dizer que ainda faltava muito tempo.

No dia 13 de Julho, e para ela não ter de esperar mais uma semana, fizemos a sua festa de aniversário. Passei o fim de semana na cozinha a fazer o bolo. Estava um calor insuportável e a Joana queria ajudar à  força toda. Como qualquer mãe sabe, com ajuda demora tudo o triplo do tempo.

A Joana pediu um bolo da Bela Adormecida. Encontrei no Pinterest o bolo ideal, que é basicamente um cone com um furo no meio onde encaixa uma boneca. Coberto com pasta de açúcar, o bolo parece uma saia, et voilá!

bolo_joana_4anos

Em teoria é simples, mas foi preciso fazer dois bolos com circunferências diferentes, aparar para ficarem com a forma certa e ralhar coma Joana que foi fazer furos no primeiro bolo enquanto arrefecia. Não resistiu a deixar a sua assinatura.

A festa foi só com a famà­lia mais próxima e a Joana divertiu-se. Entre as diversas prendas teve uma mala de maquilhagem, um fato de médica, prà­ncipes para a Cinderela e a Ariel, montes de livros, lego duplo, várias bonecas, um conjunto de chapéu e mala, enfim, tudo o que uma menina de 4 anos poderia desejar.

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No dia seguinte levou outro bolo para a escola, para festejar com os amigos. Desta vez mandei fazer o bolo e limitei-me a fazer umas sapatilhas de ballet para decorar, a pedido da Joana.

bolo_sapatilhas

Inà­cio da época de férias

O último mês tem sido complicado por motivos pessoais. Não me vou por aqui a expor a telenovela, mas tenho estado com muito pouca energia para fazer seja o que for, incluindo escrever posts do blog. As coisas à s vezes não correm como esperamos e estou aos poucos a recuperar de um grande murro no està´mago. Mas pronto, a vida continua.

Para sublinhar essa última frase, fomos comprar móveis e outros elementos para decorar a casa. Um dia passado na Worten e outro no Ikea resultaram numa TV brutalmente gigante para a sala (prenda de aniversário do Pedro) e uma cómoda e um toucador para o quarto, este último algo que eu tinha na wishlist desde que nos mudámos para esta casa. Os dias seguintes foram passados a montar móveis e caixas e ainda tenho muito que arrumar. É uma distracção, acima de tudo.

Entretanto o Tiago acabou oficialmente o primeiro ano da escola primária e está de férias. Combinámos que pode ficar em casa em dias alternados que não coincidam com as minhas aulas de joalharia. Nos outros dias vai para o ATL.

A Joana teve hoje o seu primeiro dia de praia. Estava toda entusiasmada até chegar a hora de entrar para o autocarro. Aà­ começou a chorar e foi preciso agarrarem nela ao colo enquanto gritava “quero a mamã”. Fiquei com vontade de a levar de volta para casa e que se lixe a praia, mas acho que já faço isso vezes demais.

Sempre que posso dou-lhes escolha – no que querem comer, vestir, o que querem fazer ao fim de semana, etc. Acho que isso os incentiva a tomar decisões e também a ganhar confiança porque sentem que têm algum controlo sobre a sua própria vida. Têm regras a cumprir à  mesma, tal como lavar as mãos antes de comer, hora do banho, hora de deitar, etc, mas tento criar um equilà­brio e explicar a razão das obrigações.

Infelizmente o mundo exterior não é tão compreensivo, e na escola são obrigados a seguir todas as regras que lhes forem impostas e com muito pouco poder de escolha. Por exemplo, já tive de ir falar com a monitora do ATL que forçava o Tiago a ficar fechado na sala mesmo quando não tinha trabalhos de casa em vez de o deixar ir brincar para o recreio com os outros. Depois de um dia inteiro fechado numa sala de aula, aquilo era um verdadeiro castigo para ele. Disse-lhe que achava que ele precisava era de ir correr um bocado e não passar mais uma hora a pintar ovos de páscoa ou outra das actividades organizadas. Compreendo que há crianças que adoram esse tipo de actividades (eu era uma delas) mas o meu filho é demasiado energético e precisa de uma horinha de exercí­cio antes de se ir enfiar em casa. Acho que o ATL tem de ser flexà­vel nestas coisas mas é complicado porque a norma é tratar todos os miúdos por igual, independentemente de preferências ou temperamento. Sei que é mais fácil assim mas nunca concordei com a tendência das escolas para transformar as crianças em robots.

Por outro lado oiço muitas vezes que devia obrigá-lo a participar nas actividades organizadas para se habituar. Compreendo que para pessoas naturalmente sociáveis isso possa parecer um conselho sábio. Para pessoas introvertidas, pelo contrário, forçar a socialização é um verdadeiro pesadelo.

O Tiago não é anti-social. Ele tem amigos e gosta de brincar com os outros. No entanto não gosta de ser o centro das atenções nem de actividades de grupo forçadas. Gosta de inventar as suas próprias brincadeiras. As festas da escola e idas à  praia, por exemplo, são um sofrimento para ele. Porque é que eu iria forçá-lo a participar sabendo isso? Para mim isso seria o equivalente a fechar uma pessoa numa sala cheia de aranhas para perder a aracnofobia. É meramente cruel.

Organização de Lego

Este ano, graças ao filme, o Tiago voltou a interessar-se pelo Lego, por isso resolvi encher-me de coragem e acabar de uma vez por todas a organização das peças.

No inà­cio procurei ideias de organização, li artigos, etc, mas não vi nada que não fosse ou demasiado limitado ou demasiado megalómano. Achei que tinha de decidir a organização à  nossa medida e deixar-me de tretas.

Há cerca de um ano já tinha tentado organizar as peças mas sem grande sucesso. O máximo que consegui fazer foi separar certas coisas como rodas, peças de telhado, portas e janelas, etc, em saquinhos para não se misturarem com o resto da confusão.

Desta vez comprei umas caixas de gavetinhas, semelhantes à s que uso para guardas as minhas contas, para as peças pequenas e umas gavetas maiores para as peças que temos em maior quantidade.

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Encontrei uma lista de peças online (incompleta mas por pouco) e atirei-me ao trabalho. Imprimi e recortei as imagens das peças que temos e colei-as na frente das gavetas para se saber o que está lá dentro. Comecei a separar as peças pelas gavetinhas, juntando algumas com a mesma função – garras, dobradiças – e sem me preocupar com as cores, já que para mim a função da peça é mais importante do que se é a cor que vem nas instruções. Com a arrumação feita, tornou-se muito mais simples construir algo de que não temos o kit mas em que podemos usar peças de outros kits.

No fim de semana fomos ao Lego Fan Event que decorreu no Campo Pequeno, em Lisboa. Já tà­nhamos visitado o mesmo evento no ano passado e algumas das construções eram as mesmas, mas há sempre construções novas impressionantes. Este ano, a catedral da Colónia com 5 metros de altura e mais de um milhão de peças era o elemento central da exposição, mas havia muitas outras construções que nos deixaram deliciados.

O Tiago este ano esteve muito mais interessado em tudo e ficou fascinado com as possibilidades. Curiosamente, aquilo de que gostou mais foi da construção de um cemitério, que tentou reproduzir quando chegou a casa. Nós sempre dissemos que o nosso filho era gótico.

O meu filho tem, há vários anos, imensos kits de Lego. Os manuais de instruções ocupam dois dossiers dos grandes e estão agrupados dois a dois em cada capinha. É um peso considerável em papel. Infelizmente são é praticamente todos de carros e naves, coisas que não me dizem grande coisa, apesar de ser geralmente eu quem o ajuda a montar o Lego.

O que eu gosto mesmo é de construir casas. Gosto de casas de bonecas e fazer uma em Lego, com todos os detalhes, dar-me-ia um enorme gozo, mas como não temos nenhum kit de casas, nunca me atrevi a tentar porque há sempre uma série de peças especiais que nunca encontro.

Agora, porém, com as peças todas organizadas, tornou-se finalmente possível tentar. O site da Lego tem instruções online para download e já consegui construir o primeiro andar de um prédio de cidade (do kit Pet Shop). Tive de mudar as cores e improvisar algumas peças mas ficou bastante decente. Resta saber se tenho as peças necessárias para o andar de cima, mas sinto-me optimista.

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Uma das coisas que aproveitámos para comprar no Lego Fan Event foram uns sacos de peças em segunda mão, todas da mesma cor, que dão imenso jeito para este tipo de construções. Devia ter trazido também mais brancas, pretas e cinzentas mas pronto, na altura uma pessoa não pensa nas coisas que vão dar mais jeito.

Entretanto, como ando um bocadinho obcecada com isto, o Pedro ontem foi-me comprar um kit de casinha para cortar na dose de frustração. Tenho um marido tão querido 🙂

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O Tiago é que ficou a olhar para mim de lago, quando eu desembrulhei a prenda. Depois comentou “então tu tens isso e eu não tenho direito a nada?” Que ofensa, dar brinquedos à  mãe!

Ficam de seguida os link para os diversos sites que encontrei com instruções e listas de peças, para os interessados.

Instruções no site da LEGO – procurar por nome do kit ou código

Brick instructions – Instruções por ano (desde 1965) ou categoria

Loja da Lego para comprar peças perdidas, estragadas ou em falta

Lista de peças de Lego em PDF para impressão

Dia da mãe

A propósito do dia da mãe tive de escrever um texto para a escola da Joana.

Era sobre o que é ser mãe e algumas caracterà­sticas da minha filha. Ao princà­pio custou-me um bocado porque estava mesmo a ver o tipo de texto lamechas que seria esperado e não é mesmo nada o meu estilo mas, quando comecei a escrever, entrei em modo de blogpost e a coisa saiu naturalmente. Nunca poderia ser o texto cor de rosa que algumas mães conseguem debitar sem pestanejar, porque isso não sou eu. A maternidade é difà­cil e nunca consigo ignorar esse lado da questão, mas acho que consegui encontrar o equilà­brio.

O mais difà­cil foi escrever algo sobre a maternidade exclusivamente baseado na Joana. As minhas memórias mais và­vidas são sobre o Tiago, já que a primeira vez que nos dão uma criatura indefesa para os braços tem um impacto tremendo.

Aqui fica então o resultado:

A maternidade muda uma pessoa para sempre. Significa por os nossos filhos à  frente das nossas necessidades e desejos mas também nos permite ver o mundo de novo como se fosse a primeira vez, através dos seus olhos e curiosidade. Mesmo quando os nossos filhos crescerem, vão continuar a ser os nossos bebés e vamos continuar a preocupar-nos com eles. É como se existisse um interruptor invisà­vel que se ligou no dia em que eles nasceram e que nunca mais será possível desligar.

É um grande desafio encontrar aquele equilà­brio entre tentar protegê-los e deixá-los explorar o mundo sozinhos. Sem dúvida que irei falhar muitas vezes mas será sempre com as melhores intenções. Ninguém é perfeito e cada um faz o melhor que consegue.

A Joana tem desde sempre uma personalidade forte. É teimosa porque sabe muito bem o que quer e não descansa enquanto não o obtém. Do ponto de vista de uma mãe isso é um grande desafio que implica muitas confrontações, mas sei que a persistência é algo que lhe vai dar vantagens no futuro.

Por outro lado, é uma criança muito meiga e comunicativa e por cada birra há sempre dois ou três momentos em que me faz rir com as suas histórias e explicações sobre a sua visão do mundo. O seu gosto pela brincadeira e mimos é sem dúvida contagioso.

Aquilo que mais aprendi com os meus filhos foi a ter paciência, e a perceber quando vale mais a pena entrar na brincadeira do que criar conflito porque há uma tarefa a cumprir e estamos com pressa. Nem sempre funciona, nem sempre é fácil, mas não há dúvida que muito mudou na minha atitude do dia a dia.

Acima de tudo estou curiosa para ver o que vem a seguir, agora que os meus filhos deixaram de ser bebés e se tornaram pequenos humanos com preferências, capacidade de expressar opiniões e argumentar. Tornam a vida muito mais interessante.
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Este ano ambos os meus filhos me ofereceram colares feitos por eles e o Tiago deu-me também um cartão que fez na aula de inglês com um dos seus divertidos desenhos. O colar do Tiago era feito com capsulas de café espalmadas (um dos materiais preferidos das escolas nos últimos tempos)e faz uma barulheira tremenda, mas a Joana insistiu que usasse ambos durante o fim de semana, por isso lá teve que ser 🙂

Para terminar aqui fica o cartão de dia da mãe que fiz para a minha mãezinha.

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Páscoa

Há uma história do Neil Gaiman sobre ser criança e querer uma árvore de Natal, vivendo numa famà­lia que não é cristã, e convencer a mãe através da explicação que as árvores de natal são anteriores ao cristianismo, uma relà­quia dos ritos pagãos que celebravam o solstà­cio de inverno. Ele diz que não percebe porque é que era melhor ser um elemento pagão do que cristão mas que o argumento funcionou. A minha visão da páscoa é semelhante. Como festa religiosa não me diz nada mas como mera celebração do regresso da primavera faz algum sentido e não me importo tanto de participar.

Fomos então a Palmela no Domingo, almoçar a casa dos meus tios e levámos os filhotes para fazerem uma caça ao cesto dos ovos de chocolate. O Tiago sentiu-se roubado porque achava que ia andar a trepar árvores e a correr pelo meio da horta à  procura de um ovinho de cada vez e afinal estava tudo num cesto atrás de um arbusto. Não deu luta suficiente. Fui então esconder o cesto mais duas vezes para ele se continuar a divertir.

A Joana encontrou o cesto dela com ajuda e chegou-lhe. Esteve muito tà­mida o tempo todo mas divertiu-se.


 

Fim das sestas

Todas as fases de desenvolvimento das crianças têm o seu desafio e, apesar das fases de começar a andar ou largar as fraldas sejam as que recebem mais atenção, a fase de deixar de dormir sestas também requer alguns ajustes. O interessante é que, como ocorre numa altura em que as crianças já se expressam de forma coerente, esse ajuste passa pelo diálogo e compromisso com a própria criança.

Há cerca de um mês, a Joana chegou a casa e disse “não quero dormir mais sesta na escola”. Pareceu-me cedo para alguém que adormece no meio do chão ao domingo à  tarde porque já não consegue dar mais um passo, mas resolvi deixá-la experimentar. Não gosto de ser prepotente e acredito que até certo ponto eles sabem quando estão preparados para uma nova fase.

Passada uma semana percebi que a coisa não estava a correr bem. As birras que praticamente tinham parado voltaram em força e a Joana andava tão cansada que à  sexta feira, apesar de lhe dar o jantar assim que ela chegava da escola, adormecia à  mesa antes de ter tempo de comer.

Falei com a educadora e ficou combinado que se iria tentar convencê-la a dormir sesta pelo menos umas duas vezes por semana. Percebi, porém, que a Joana estava a encarar a sesta como um castigo e seria preciso uma grande guerra para voltar atrás. Os amigos estão todos a fazer 4 anos e muitos deixaram de dormir sesta naturalmente. A Joana ainda precisa de dormir aquelas horas extra mas normalmente isso só se sente por volta das quatro da tarde e não à  uma, que é o horário da escola. Assim sendo, ao ver os amigos a ir para o recreio brincar quando ela ela forçada a ir para uma sala escura dormir, sentia-se segregada. Como ela insistia diariamente que “amanhã não quero dormir”, percebi que esse tempo tinha acabado de vez e a solução teria de ser outra.

O compromisso passou por deitá-la por volta das sete e meia da noite em vez de à s nove, que era o horário comum. Não é fácil porque o jantar, o banho e a necessidade de ajudar o irmão com o trabalho de casa consome bastante tempo, mas estamos a fazer um esforço. É claro que ela é perita em arranjar formas de adiar a hora da cama, mas no geral nem tem protestado muito.

O esquema parece ter funcionado e nos últimos dias, em vez de uma grande berraria durante todo o percurso até casa, ela tem vindo bem disposta. Acredito que o facto de ter finalmente deixado de chover também tenha contribuà­do para a boa disposição mas como não voltou a adormecer antes de ir para a cama parece ter-se adaptado bem ao novo horário.

Tiago, sete anos

Custa a acreditar que o meu filhote já tem sete anos. Apesar das festas estarem marcadas para o fim de semana – uma com a famà­lia e outra com os amigos da escola – achei que era importante tornar o dia especial, apesar de ser um dia normal de escola. Nesse sentido passei cinco horas na cozinha a fazer um bolo especial, segundo uma foto que ele tinha visto no Pinterest. Para a Joana não se sentir excluà­da, fiz uns cupcakes com sapatos de ballet, baseados num bolo que ela tinha gostado.

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Eu gosto imenso de bolos bonitos, mas sinceramente custa-me passar tanto tempo na cozinha. Não é algo que me seja natural. No entanto, pelos nossos filhos o esforço vale a pena. Para repelir o tédio estive a ver stand-up do Eddie Izzard enquanto decorava o bolo e os cupcakes e até acabou por ser divertido. Como a Mirela andava a a limpar a casa, até deu jeito estar quietinha num cantinho sem atrapalhar.

Tinha um plano muito bem estruturado para que as poucas horas que eles tinham em casa até à  hora da cama incluà­ssem tanto a parte de celebração como das tarefas que têm de ser cumpridas. Jantar, bolo, prendas, banho, cama. Parece simples. Na realidade foi mais conversa com os avós, atender telefonemas, etc, e a coisa foi atrasando. Faz parte. A Joana fez umas birras de sono, o Tiago ficou um bocado frustrado porque ainda tinha trabalhos de casa para acabar depois da festa, mas no geral correu tudo bem.

As prendas este ano foram algo estranhas porque o Tiago já está naquela fase em que tem os brinquedos todos que quer e começa a ser crescido demais para muitos deles. Agora quer coisas a sério e não imitações em plástico. Quando lhe perguntava que prendas queria nunca me respondia. Acabei por ter de ser criativa.

Recebeu uma caixa de ferramentas igual à  minha, com alicates e tudo, e parece ter ficado interessado quando lhe disse que o podia começar a ensinar a fazer algumas jóias simples. Teve também um pequeno kit de Lego com os personagens do filme, um livro, um conjunto de material de escritório (portefólio para guardar os desenhos, corrector, clips coloridos, patafix, etc) e um globo de plasma que andava a namorar cada vez que à­amos ao Fórum Almada.

Mas a prenda que mais o cativou foi o estojo de quà­mica que a avó lhe deu. Achando que aqueles kits de ciências que se vendem tinham pouca coisa, ela arranjou montes de tubos de ensaio, pinças e frasquinhos com diversos produtos quà­micos e ainda escreveu as instruções para várias experiências num pequeno caderno. O Tiago adorou e ontem à  noite estivemos a fazer algumas delas e temos um ovo em vinagre à  espera que derreta a casca 🙂

Dá trabalho transformar um comum dia da semana num dia de aniversário especial mas acho que nestas idades vale a pena tentar.