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Visita ao infantário

Esta tarde levei o Tiago a fazer uma visita ao seu futuro infantário. Precisava de ir buscar a lista dos materiais que preciso de comprar e tinham-me dito que era boa ideia levá-lo a passar uns minutos umas quantas vezes antes de começar a ir a manhã ou o dia inteiro em Setembro.

Deram-me a lista de material e por sorte estava na secretaria a educadora que vai ficar com o Tiago e aproveitei para falar com ela. Ela acha que mais vale levá-lo no primeiro dia e pronto e que ir aumentando o tempo aos bocadinhos não adianta nada em termos de habituação. É obvio que há opiniões diferentes no que diz respeito a estas coisas mas como ela é que vai tratar do miúdo resolvi aceitar a sua opinião.

De qualquer forma, antes de sair, resolvi levar o Tiago à  sala onde vai ficar. Ele nem sequer queria ir para o chão apesar dos outros miúdos se mostrarem muito simpáticos – uma menina foi logo buscar um triciclo para o Tiago e tudo. A educadora conseguiu interessá-lo por uma bola, que é o brinquedo preferido do momento e ele lá andou com a bola na mão durante um bocado, mas sempre a choramingar e a tentar voltar para o colo. Percebi que de facto comigo lá não vale a pena e deixá-lo cinco minutos e voltar parece ser apenas um exercí­cio cruel sem grande resultado prático. Suponho que o primeiro dia será um choque mas ficou combinado que se ele não parar de chorar me avisam e depois logo se vê.

Tudo isto fez-me lembrar o tempo que eu passei no infantário, mais precisamente no externato Frei Luis de Sousa. Acho que até gostava de lá andar mas a memória mais và­vida que tenho é do dia em que a minha mãe se atrasou de tal forma que eu e o meu irmão fomos transferidos para o refeitório do liceu porque era a única parte da escola que ainda tinha funcionários porque o pessoal do infantário já tinha saà­do todo. O refeitório estava aberto porque serviam jantar na parte do liceu. O meu irmão, que devia ter 3 anos, estava muito calmo mas eu, que teria 4 ou 5, à  medida que o tempo passava fui ficando cada vez mais convencida que tinhamos sido abandonados e nunca mais voltaria a ver os meus pais. Por um lado é uma memória boa porque pode ser que me impeça de fazer o mesmo ao Tiago.

Cá por casa temos brincado principalmente a fazer torres de cubos. O Tiago gosta de empilhar os 6 cubos, por vezes ainda põe um copinho ou uma cabeça de urso no topo e depois deita tudo ao chão e começa outra vez. Está a tornar-se mais colaborativo e já ouve quando eu aponto e digo onde é que está um dos cubos e ele vai buscar.

As refeições continuam uns dias bem e uns dias mal. Hoje por exemplo não comeu nada ao almoço por isso fui forçada a dar-lhe a sopa e o peixe ao lanche.

E preciso de escrever isto porque o Pedro pode não se lembrar de passar o video para o computador durante uns tempos: a música favorita do Tiago neste momento é o March of the pigs dos NIN. Cada vez que ouve a música começa a dançar frenéticamente. É absolutamente fantástico de ver. Será que foi por ter ido ao concerto dentro da minha barriga?

O copo já está conquistado

Ontem de manhã ia comprar pão quando o Tiago agarrou na bola e correu para o elevador. Não podia ignorar todo aquele entusiasmo por isso levei-o ao campo de jogos. Ele foi o tempo todo com a bola na mão e passou meia hora feliz da vida a correr atrás da bola até finalmente se cansar. Quando começou a pedir colo fui à  padaria e voltámos para casa.

Durante a sesta estive a preparar uma encomenda e quando o Tiago acordou fomos aos correios. Já consigo que ele ande pelo seu próprio pé na rua e ainda por cima de mão dada, algo que ele se recusava a fazer há uma semana atrás. Foi a pé até quase aos correios e só quando estavamos quase à  porta é que voltou a pedir colo.

Esta semana já tinha conseguido faze-lo andar até à  farmácia e no dia seguinte até à s finanças que é um bocadinho mais longe. Corre tudo muito bem até alguém se meter com ele. Aà­ acabou. Agarra-se à s minhas pernas a pedir colo e não volta a querer ir para o chão.

Eu até compreendo. Se fosse a andar calmamente pela rua e alguém que não conheço chegasse ao pé de mim e me mexesse também me sentiria bastante assediada. As pessoas têm uma certa tendencia para se esquecer que as crianças são pessoas e precisam do seu espaço pessoal.

Ao fim da tarde estivemos a brincar com pasticina. Está finalmente a perder o hábito de meter tudo na boca por isso já lhe posso dar este tipo de coisas (desde que não o deixe sozinho, claro, porque senão ele aproveita logo). Tudo o que seja novo e diferente já consegue prender-lhe a atenção por bastante tempo.

Ao jantar tivemos mais uma novidade: o Tiago bebeu sozinho por um copo normal. Ainda não percebeu bem que precisa de inclinar a cabeça para trás para beber mas já se safa bastante bem, segurando o copo com as duas mãos. Nem sequer entorna muito.

Como gosta de saltar etapas hoje já esteve a beber do copo enquanto andava de um lado para o outro – isso de fazer as coisas devagarinho é para os fracos.

Continua a tentar convencer-me a ligar-lhe a televisão sempre que pode mas eu vou para o quarto dele e chamo-o para ler um livro e ele acaba por desistir. Acho que tenho conseguido manter a televisão em pouco mais de uma hora por dia, limitando-a a antes e depois das refeições quando tenho de estar na cozinha, para ele não ficar sozinho a chorar. Se o pudesse deixar ir para a cozinha comigo podia deixar a tv só para o fim do dia, quando já estou demasiado cansada para andar a correr atrás dele, mas entre as camas e comida dos gatos e os armários que têm uns puxadores tão afastados que ainda não conseguimos arranjar nada para os trancar, não é seguro.

Hoje levei-o novamente ao campo de jogos mas para além de estar um vento cortante estavam também lá 3 miúdos bastante mais crescidos a jogar à  bola e o Tiago limitou-se a ficar especado a olhar. Ainda andou um bocadinho mas pouco tempo depois estava a abanar a mão e a dizer ‘bye’ e começou a pedir colo, tudo indicações que se queria ir embora.

É interessante como os livros sobre bebés são tão importantes quando eles são muito pequenos e depois vão perdendo a relevancia. Quando ele era mais pequenino havia dias que eu lia e relia os livros à  procura de uma explicação para o facto de ele não parar de chorar. Agora ele já dá sinais tão obvios do que quer que não preciso de grande ajuda para o compreender. É bom saber que ele está a aprender a comunicar e que me consigo relacionar com ele mais facilmente.

Aquilo que continua a custar um bocado são as refeições. É a única altura do dia em que por vezes perco a paciencia. A nova mania de empurrar a colher com a mão quando não quer mais sopa é particularmente irritante porque entorna tudo. Sei que está mesmo a entrar nos terrible twos e que vou precisar de paciencia redobrada mas há dias em que estou mais cansada e não é fácil. Herdei o short fuse do meu pai e se não tenho uns instantes para respirar fundo apetece-me partir tudo e desatar a gritar. Este ano e meio tem sido um treino intensivo de auto-controlo e acho que até nem me estou a safar muito mal mas cada vez que o filtro falha e levanto a voz, mesmo que só por um instante, fico a sentir-me culpada o resto do dia. Preciso que ele me respeite e obedeça as regras até certo ponto mas não quero que tenha medo de mim. É uma linha dificil de manter.

Fim de semana na praia

Tanto no sábado como no domingo de manhão fomos até à  praia. Nunca conseguimos sair de casa antes das 10 da manhã o que nos dá um máximo de hora e meia de praia antes de termos de vir embora ao meio dia.

Geralmente ir à  praia é uma actividade bastante cansativa e este fim de semana não foi excepção. Temos de nos lembrar de levar comida e água para o Tiago, uma muda de roupa e fralda, brinquedos, etc, para além dos costumeiros protectores solares e toalhas para não mencionar o transporte de um miúdo de 11 quilos.

Desta vez o estacionamento estava impossível e andámos à s voltas imenso tempo. Mas quando finalmente chegamos à  praia o Tiago diverte-se tanto que acabamos por ir outra vez. Ele consegue andar a subir e descer bancos de areia e a chapinhar em poças de à gua durante uma hora sem parar. No sábado, quando finalmente se cansou, esteve meia hora e por e tirar conchas de um balde com água. Está finalmente a conseguir concentrar-se numa actividade mais do que cinco minutos de seguida, o que é optimo. Especialmente se for uma coisa nova.

O pior foi a tarde. O Tiago ficou tão cansado com a praia que adormeceu no carro. 20 minutos depois acordou quando chegámos e já não conseguimos que dormisse mais. Tomou banho, comeu e acabámos por sair novamente porque ele não adormecia. Fomos ao fórum porque o Pedro precisava de uma mochila nova para o mac e eu queria comprar mais uns calções e t-shirts para o Tiago mas nenhum de nós encontrou o que queria e voltámos para casa sem ter comprado nada. A loja de informática onde o Pedro encontrou a mochila que queria estava em obras e estava tudo coberto de pó e as lojas de roupa estão em saldos e não havia quase nada, muito menos em tamanhos que servissem ao Tiago. Pode ser bom para as finanças mas é um bocado decepcionante.

No domingo de manhã voltámos à  praia. Desta vez o estacionamento estava tão mau que não tivemos outra hipotese senão ir para um parque pago. Estava lá montes de gente – a Marta e o Filipe, a Ana e o marido, a Inês e o Gustavo e os meus sogros também apareceram. O Tiago ficou um bocado incomodado com tanta gente a olhar para ele e passou o tempo a pedir colo. Está cada vez mais desconfortável com pessoas que não conhece o que não é nada bom para quem vai entrar para o infantário daqui a um mês. Vai ser um inferno.

De tarde voltou a não dormir e também começou a deixar de comer. Não lhe tenho conseguido dar mais de 3 ou quatro colheres de sopa ou papa de cada vez e nem sequer come a fruta, algo que normalmente vai sem problemas. Grande parte disso é por estar doente. Com o nariz entupido e a ter que respirar pela boca não apetece nada comer. E o faro também fica alterado, o que altera o sabor da comida. Mas seria de esperar que a fome ultrapassasse isso tudo.

Vamos ver como correm os próximos dias.

O primeiro beijinho

O ritmo de crescimento do Tiago continua a ser impressionante. Aos 16 meses já chega com os pés ao suporte da cadeira de comer, já liga o piano e os brinquedos dele no interruptor e já percebe que há certas coisas que não consegue fazer sozinho e vem pedir ajuda – vai buscar o comando da televisão e passa-mo para a mão em vez de ficar a carregar nos botões ao acaso como costumava fazer, vai buscar um livro e vem para o colo para eu o ler, dá-me a varinha quando quer que eu faça bolas de sabão, etc.

Hoje calçou pela primeira vez um sapato sozinho e subiu para a cadeira de baloiço sem ajuda. E ontem à  noite deu-me o primeiro beijinho 🙂

Ele é um grande ciumento e não pode ver o pai a dar-me beijinhos. Vai logo separar-nos e bater no pai. Quer a atenção toda para ele. Ontem à  noite foi uma dessas ocasiões. E quando o Pedro se levantou para ir à  casa de banho o Tiago aproveitou e veio ter comigo, esticou a cabeça para ficar com a bochecha a jeito para eu lhe dar um beijinho e depois virou-se para mim de boca aberta e eu fiz o mesmo e tive direito a um beijinho dele.

Ele já andava a treinar os beijinhos na mão dele há algum tempo mas directamente na cara de outra pessoa foi novidade. É giro ver que as expressões de afecto se vão desenvolvendo porque no primeiro ano de vida são praticamente inexistentes. E é interessante ver que como o exemplo é tão importante. Ele só faz porque vê fazer.

O vicio

No sábado fomos comprar uns sapatos novos ao Tiago porque os que ele tinha estavam já muito pequenos, algo que acontece de um mês para outro.

Acabámos por comprar uns crocs que são frescos mas fechados à  frente (o que dá jeito para os pontapés na bola). O único inconveniente é que são demasiado faceis de tirar.

Ontem foi a vez do corte de cabelo. Não quis fazer nada demasiado radical mas o miúdo já tinha a franja a entrar para os olhos por isso, depois do almoço, deixei-o sentado na cadeira e dei-lhe uma aparadela à  frente, atrás e por cima das orelhas. Ele esperneou um bocado mas lá acabou por deixar cortar. É incrivel como uma pessoa muda tanto só por causa de um corte de cabelo 🙂

Entretanto continua a luta por causa da televisão. O Tiago está completamente viciado no Pocoyo e irrita-se quando desligo a televisão. De 5 em 5 minutos volta para a sala, senta-se no sofá, aponta para a tv e diz ‘dá!’. E se eu não ligo ele vai mexer nos botões todos a ver se consegue ligar ele. Acaba por por coisas a gravar, fazer eject ao DVD e desligar a tv no botão, mas isso não o impede de continuar a tentar.

É muito cansativo estar constantemente nesta batalha e por isso acabo por ceder ocasionalmente. Deixo-o ver um episódio, que dura 7 minutos, e depois desligo outra vez e levo-o para o quarto. Vamos brincar com o puzzle de madeira, fazer torres de copos, dar uns pontapés na bola ou no balão mas ao fim de um bocadinho lá vai ele outra vez.

A única coisa que funciona é sair de casa por isso tento levá-lo ao jardim ou até só subir e descer a rua durante um bocado.

Não é que eu ache mal ele ver televisão. O Pocoyo é um desenho animado muito giro, é didático, não lhe faz mal nenhum e diverte-o. Mas o Tiago é um miudo tão activo que não quero que ele deixe de se mexer para passar os dias a vegetar em frente à  TV. De resto não me chateia nada já que sou eu que decide o que ele vê: só vê coisas gravadas para não andar a levar com anuncios a brinquedos e porcarias do estilo nem coisas altamente violentas nos intervalos dos desenhos animados.

E também já notei que ele é muito selectivo. Não se interessa por qualquer coisa. Quando está a dar algo que não lhe diz nada ele desliga e vai fazer outra coisa. Acaba por ser a melhor técnica à s vezes, especialmente à  noite quando já não tenho energia para discutir com ele – por uma coisa que não lhe interesse, com o som baixinho e depois ir para o chão brincar com ele.

De repente tornei-me mamã

É obvio que me tornei mãe há algum tempo atrás mas ultimamente tenho visto a situação de outra forma.

Dou comigo a imaginar que imagem é que o Tiago tem de mim agora que passo o tempo na cozinha a preparar as refeições dele enquanto ele está na sala a ver o Pocoyo. Pra ele tudo isso é muito natural. Eu sou a chata que lhe diz que está na hora de comer, de lavar as mãos, de tomar banho, de ir dormir, que lhe desliga a televisão, que não o deixa brincar com tesouras. Eu, que evitava passar mais de 10 segundos na cozinha de cada vez agora tenho de andar a olhar para o relógio para poder ir preparar a comida dele na hora certa – comida esse que felizmente não tenho que ser eu a cozinhar – isto de ter um marido que cozinha dá montes de jeito. Ou seja, passei a transmitir uma imagem de domesticidade que vai inteiramente contra o meu instinto porque agora é preciso fazer essas coisas pelo Tiago.

É claro que quando chega a vez de eu comer agarro mais facilmente num pacote de bolachas e num copo de leite do que vou fazer comida para mim, mesmo que seja só fazer massa para acompanhar a bolonhesa que já está pronta no frigorà­fico. Mas essa parte o Tiago não vê porque está a dormir a sesta.

No fundo sinto-me um bocado uma fraude mas também me ajuda a compreender melhor que os meus pais e os pais dos meus amigos quando eu era pequena sofriam potencialmente do mesmo mal, que essa coisa de ir cozinhar o jantar era uma grande seca para eles e só o faziam porque tinham de o fazer.

É claro que isso não é uma conclusão nova para mim. Aliás, assim que eu e o meu irmão nos tornámos mais crescidos passou a ser mais ‘olhem, têm ovos e fiambre no frigorà­fico, façam uma omelete para o almoço’ e pronto. Já estão crescidos, desenrasquem-se. Isso resultou em duas personalidades distintas: eu odeio cozinhar e o meu irmão adora, porque se tinha de ser ele a fazer a comida isso dava-lhe liberdade de fazer o que gostava em vez de ter que aturar aquelas coisas nojentas que nos obrigavam a comer como mioleira e o coelho que estava vivo na noite anterior e a quem eu tinha feito festinhas. A minha relação com comida nunca mais foi a mesma. Mas durante a infancia havia aquela ideia da mãe que trata de tudo e que o faz porque é assim mesmo.

É então interessante ver agora quanto uma pessoa altera o seu comportamento natural para bem dos filhos e faz coisas que normalmente detesta sem sequer se queixar muito porque agora têm de ser feitas. Mas isso vai criar uma noção falsa da realidade nos nossos filhos. O que eles vêm é uma mamã que gosta de passar o tempo na cozinha a preparar comida e lavar a loiça em vez de uma mamã que passa o tempo na cozinha a desejar ter dinheiro suficiente para contratar alguém para fazer aquilo por ela e só o faz porque gosta muito do seu filhinho e quer o melhor para ele.

Mas ser mãe é uma decisão nossa e não requer compreensão nem adoração por parte dos filhos. Nós é que os adoramos a eles e se fizermos um bom trabalho pode ser que eles não nos odeiem muito quando passar finalmente aquela parte chata da adolescência.

O aniversário

No dia 25 de junho foi o aniversário da minha mãe que nos convidou a jantar no indiano. Este ano até me ocorreu uma prenda gira (porque comprar prendas é mais complicado a cada ano que passa) e o restaurante era perto de casa o que dá imenso jeito quando se sabe que a certo ponto vai ser preciso ir meter o miúdo na cama.

O problema é que o Tiago já anda e por isso acabou-se aquela coisa de o ter sentado no carrinho ou ao colo durante a refeição. Quando tentámos sentá-lo numa cadeira alta para bebés desatou a berrar e tivemos de desistir da ideia. Ele só queria ir explorar e por isso passei o jantar todo atrás dele pelo restaurante fora a tentar evitar birras e quedas pelas escadas abaixo.

Em resumo: acabaram-se os restaurantes até ele conseguir parar quieto ou alguém se oferecer para estar de serviço porque eu não tenho paciencia para isto.

E ainda por cima a comida não era o que eu queria. Há dias em que não temos mesmo sorte nenhuma.

O Oceanário

No último dia das férias do Pedro resolvemos levar o Tiago ao Oceanário. Já diversas pessoas nos tinham dito que os respectivos filhos adoraram aquilo por isso resolvemos experimentar.

Não diria que foi um falhanço total mas andou lá perto. O Tiago adorou a rocha da primeira sala, a alcatifa e os holofotes de chão do corredor antes da sala das lontras e pouco mais. Por mais que tentasse chamar-lhe a atenção para os diversos bichos ele não só não ligava como a certo ponto achei que ficou com medo de alguns dos peixes brutalmente grandes do tanque central.

A meio começou a ficar irrequieto e rabujento e a única coisa que ainda o interessou antes de resolvermos desistir e vir embora foram as escadas que tentou trepar de volta para o piso de cima.

Oh well. Daqui a um ano ou dois pode ser que já ache mais piada.

Novas Tiaguices

O Tiago começou finalmente a falar regularmente. Em vez de passar os dias caladinho e se limitar a a apontar para as coisas e fazer ‘mmmmm’ agora diz ‘dá’ com toda a determinação, apontando para o que quer.

O olá continua presente mas não voltei a ouvir o bye-bye. E começou a perder um bocado o interesse pelo Baby TV começando a prestar mais atenção ao Pocoyo que é dobrado em Português. Dá um bocado a sensação que optou por escolher uma lingua e largar a outra e isso levou-o a ganhar mais confiança a falar.

Começou novamente a dizer mamã, agora já associado ao significado em vez de ser apenas pelo som. Sapato é que continua a ser ‘bá’, apesar de por vezes já soar a ‘pá’. Bola também é ‘bá’ ou ´bo’, depende se está com paciencia para se esforçar a dizer uma vogal diferente ou não.

Também já voltou a dizer ‘ga’ apontando para um dos gatos, coisa que não fazia há algum tempo. Parece que andou a armazenar informação durante uns tempos e só agora é que começou a usá-la.

E em rarissimas ocasiões começou a tentar formar frases de duas palavras como ‘dá bo’ para ‘dá a bola’ e ‘mamã dá’ para outras situações. Isto só acontece quando o simples ‘dá’ não obtem resultados imediatos e o objecto a obter é suficientemente aliciante para merecer o esforço.

A compreensão de palavras que ainda não diz torna-se cada vez mais obvia. Quando digo a frase ‘o chapéu é na cabeça’ ele toca na cabeça. Quando digo ‘o sapato é no pé’ ele toca no pé. Quando digo ‘vamos tirar a camisola’ ele estica o braço para puxar a manga.

Também começou a copiar certas coisas que nos vê fazer. A mais divertida é agarrar na embalagem do creme hidratante que lhe pomos todas as noites, abrir a tampa com os dentes, tirar um bocadinho de creme com o dedo e começar a espalhar na barriga. É impagável. Faz o mesmo com o frasco de shampoo, esfregando a cabeça e já lava os próprios dentes com a escova. Só esfrega os de baixo mas já é qualquer coisa. Também já começou a esfregar as mãos quando as vai lavar antes das refeições e desenroscou a sua primeira tampa na passada sexta feira. Também já bebe água pelo copo ou garrafa sem se engasgar demasiado, o que é um grande avanço.

As refeições correm melhor uns dias e pior outros. Geralmente o almoço é pior que o jantar porque está já cheio de sono e pronto para a sesta. Mas já começou a comer carne e peixe com o garfo. Ainda tenho que o ajudar a picar a comida porque ele é capaz de tentar e levar o garfo vazio à  boca umas quantas vezes antes de conseguir espetar a comida uma vez e se falha muito fica frustrado e atira tudo ao chão. E é preciso ter muita atenção para que não arranhe a cara com o garfo que mesmo sendo de plástico não deixa de ter alguns riscos.

Continua a ter uma grande preferencia por telemóveis mas usa qualquer coisa como telefone, encostando à  orelha e depois passando-o a mim para fazer o mesmo. Se tiver botões, como o comandos da televisão, é melhor mas não indispensável.

Começou a brincar com autocolantes e divertiu-se imenso a colar letras autocolantes numa folha de papel durante 3 ou 4 dias. Quando as letras acabaram, e porque vi que ele não tentava comer aquilo, fui buscar uns autocolantes de esponja da imaginarium que têm diversas formas. Ele até se safa bastante bem com aquilo, apesar de muitas vezes não perceber bem qual o lado que cola. E assim se faz mais uma recordação para guardar na caixinha dos primeiros trabalhos manuais do Tiago.

O Tiago começou também a esconder objectos, geralmente debaixo do sofá, e a procurar objectos escondidos, mesmo ao fim de um dia ou dois.

E o mais giro é que gosta de se ver ao espelho. Começou a ir buscar a toalha de banho, que tem capuz, para andar com aquilo tipo capa. Assim que lhe ponho a toalha na cabeça vai derectamente ao meu quarto para se ver ao espelho e mexe na cabeça, tirando a toalha e voltando a por. Isto surpreendeu-me imenso porque tinha visto um documentário que dizia que os bebés só reconhecem a sua imagem no espelho aos dois anos. Também faz o mesmo quando lhe ponho na cabeça um cubo oco de tecido em forma de vaca que lhe serve como um chapéu. Vai com um ar muito vaidoso ver como fica no espelho e faz um grande sorriso.

Por fim, o Tiago começou a fazer experiencias com cheiros. Encosta a colher da fruta ao nariz em vez de a levar à  boca e adora o cheiro do detergente das bolas de sabão. Está sempre a pedir para eu abrir a embalagem e lhe dar o aro para ele cheirar. Ao principio ainda pensei que estivesse a tentar comer aquilo ou a tentar soprar mas tornou-se rapidamente obvio que o gajo gosta mesmo é de snifar aquilo.

Tiago, 15 meses

Na sexta feira o Tiago foi à  inspecção médica no infantário. Vê-lo andar pelos corredores enquanto esperávamos lembrou-me que quando lá estivemos para o inscrever ele ainda não andava e agora já não faz outra coisa.

A aprendizagem continua a uma velocidade alucinante para quem vê de perto, enquanto que ao mesmo tempo parece que coisas que para os adultos são básicas demoram imenso tempo.

O Tiago já come com a colher, por exemplo, mas ainda com algumas falhas porque aplica demasiada força quando não é preciso ou morde a colher ao mesmo tempo que a puxa para fora da boca resultando numa grande porcaria.

Geralmente, como treino, dou-lhe uma colher para ele ir comendo o puré de fruta e vou dando e umas colheradas pelo outro lado. A papa não deixo porque fica mais papa no chão, roupa, cadeira e em mim do que na barriga dele. O peixe e a carne continua a comer sozinho e já mastiga muito bem por isso basta cortar em bocados pequenos e não é preciso picar. Só que como são coisas que não agarram à  colher as tentativas aà­ precisam de um pouco mais de ajuda porque é comum ele segurar a colher virada para baixo, por exemplo. Mas não posso ajudar muito porque o Tiago é muito independente e se começo a tentar virar a colher ou agarrar-lhe na não ele desiste. Quer fazer tudo sozinho.

A andar é a mesma coisa. Não gosta que lhe segure na mão. Quer ir sozinho. Mas já anda na rua sem problemas, e até na relva, algo que ele detestava há uma semana atrás. Fomos ao parque esta semana e ele fartou-se de andar na relva, em grande parte atrás dos patos que estavam a tentar dormir uma sesta à  sombra.

O mais interessante é que os livros dizem que depois de aprender a andar é que as crianças aprendem a agachar-se e com o Tiago foi ao contrário. Já se baixava e voltava a levantar dobrando os joelhos, para a apanhar coisas do chão, antes de andar. Também já atira a bola e apanha-a em movimento quando a atiramos para ele, já faz torres de cubos e copos da altura dele, já consegue por as peças do puzzle de madeira no sí­tio certo apesar de ainda não conseguir virá-las até encaixarem perfeitamente – fica frustrado muito depressa e desiste facilmente, acho que é porque ainda não percebe bem porque é que as formas não entram quando ele sabe que o sí­tio está correcto. Ou seja, a parte de reconhecimento das formas ainda não está aperfeiçoada mas já não deve faltar muito.

De resto, continua a gostar muito de livros. Agarra num livro e vem para o meu colo. Vai apontando para os vários objectos enquanto eu digo os nomes ou leio a história. É a melhor parte, neste momento. É bom saber que ele escolhe uma actividade para fazer comigo e que gosta de passar aquele bocado ao colinho enquanto ouve uma história.

Os lápis continuam a ser mais interessantes como comida do que como instrumentos de desenho e apesar de já fazer uns rabiscos não se parece interessar muito.

O nà­vel de dificuldade em termos de protecção anti-quedas vai aumentando, especialmente agora que ele já sobe para o sofá. Também sabe descer sozinho mas não se pode confiar porque à s vezes dá-lhe para se por em pé no sofá e pode cair dali abaixo. Por um lado ele anda mais independente e já vai para o quarto brincar sozinho o que em teoria me permitiria ter mais tempo livre mas na prática isso não funciona porque tenho de continuar a ir atrás dele para ter a certeza que não lhe dá para fazer qualquer coisa perigosa.

Por fim, passámos a ter de ir à  praia. Já não iamos há anos mas este ano tem de ser porque o Tiago adora. Quando descobriu a água ficou fascinado e nem quer saber se está fria. Chapinhar é que é.

Felizmente descobrimos uma praia com pouca gente. É preciso andar um bocado mas compensa. Se não fosse o vento ao final do dia, que é a hora que nos dá jeito, até iriamos mais vezes.

É tão giro…

… ver o Tiago a andar!

Afinal não demorou muito tempo a habituar-se. Em menos de uma semana começou a andar mais do que a gatinhar e agora é ele que vai buscar os sapatos e pede para os calçar.

E começou a usar qualquer coisa como telefone – comando da tv, sapato, urso de peluche… Encosta à  orelha e diz ‘bye-bye’.

O que me leva à  questão da fala que se vai desenvolvendo muito devagarinho. Percebe tudo muito bem mas não é muito falador. O que tem mais piada é que está a ficar verdadeiramente bilingue, graças aos brinquedos da chicco (que estão sempre ligados para inglês porque a voz portuguesa irrita-me) e ao Baby First TV (está a ficar viciado na TV e já reclama quando desligo). Quando ele nasceu eu falava com ele quase exclusivamente em inglês e li-lhe diversos livros em inglês. Só quando ele começou a emitir sons é que achei melhor começar a insistir no português.

Tudo isto para dizer que as primeiras palavras do Tiago (que podemos comprovar que ele sabe o que está a dizer e não são meros sons ao acaso) são ‘olá’ e ‘bye-bye’. É mesmo fifty-fifty 🙂

É claro que isto de não saber em que lingua é que ele está a tentar falar tem algumas complicações. Quando ele aponta para a bola e diz ‘bol’ estará a dizer a palavra incompleta em portugues ou a dizer ‘ball’?

O mesmo para coisas como o urso de peluche. Ele aponta e diz ‘ba’. Como está numa fase em que chama ‘ba’ a tudo não ligo muito e repito ‘urso’. Mas se ele está a tentar dizer ‘bear’ é capaz de ser confuso.

Também não costuma dizer ‘papá’ muito frequentemente. Aponta para o pai e diz ‘dada’, o que é mais uma vez a versão inglesa que depois resulta no ‘daddy’ ou ‘dad’. Se calhar ‘papá’ é demasiado parecido com ‘papa’.

Mas gostava imenso que ele falasse mais, nem que fosse só a fazer sons ao acaso. É que para passar os dias sozinha com uma criatura muda bastavam os gatos 🙂

Hoje fomos ao Pediatra para a consulta dos 15 meses. Ele começou a chorar assim que entrou no consultório e não parou até sairmos da clà­nica. Coitado. Este mês vai sofrer. A seguir são as vacinas e depois mais uma consulta na creche.

Mas está tudo bem, continua a crescer bem – já tem 82 cm de altura e 10kg e 80 gramas – e espero que não tenha apanhado o que quer que seja que tinha o miúdo que estava a tossir sem parar na sala de espera. No entanto já me passou aquela dose de excessiva protecção em relação à s doenças. Ele já é crescidinho por isso se adoecer paciência. é chato mas aguenta-se.

A agitação da manhã foi tal que almoçou muito mal e adormeceu no meu colo antes de ter tempo de o por na cama. Geralmente é só gritos e pontapés para ir dormir a sesta.