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E já vamos na quarta

Não na quarta feira mas na quarta dentada que o Tiago leva na creche. Desta vez foi uma menina e a educadora diz que pensava que ela lhe ia dar um beijinho e por isso não viu razão para os separar. Aparentemente ele nem chorou e só depois é que deram pela marca dos dentes. Felizmente não foi uma dentada tão má quanto as anteriores e à  noite já quase não se viam as marcas.

O aranhão que outra menina lhe deu na cara na sexta feira passada, por outro lado, está com um bocado de mau aspecto – não está infectado nem nada disso mas fez uma ferida muito maior do que parecia inicialmente.

O raio do miúdo parece que não volta para casa vez nenhuma sem lá deixar um bocado de sangue…

E eu que me fartei de ouvir que eles evoluiam imenso quando iam para a escola e até agora as únicas diferenças que noto são que o Tiago parou completamente de falar e começou a tornar-se extremamente agressivo comigo – dá-me pontapés e palmadas e arranha-me de forma mesmo violenta. Sei que está na idade das birras mas pelos vistos só faz isto comigo porque na escola ainda não deram por nada. Está a medir forças com a mamã que é uma chata e não o deixa saltar em cima do sofá nem comer lapis de cera que têm um ar tão apetitoso.

Para ter a certeza que esta coisa de não falar é só uma mania comecei a testar o Tiago e fiquei surpreendida com o que ele já sabe. Agora quando ele vem com um livro, em vez de ser eu a dizer o nome das coisas quando ele aponta, comecei a perguntar eu ‘onde é que está o morango? E as calças? e o pato?’ e ele pensa um bocadinho e depois aponta para a imagem certa. O mais giro é que reconhece os objectos fora das ilustrações que já viu 500 vezes porque fiz isso com um livro que a minha mãe lhe deu no domingo e que ele nunca tinha visto antes e ele reconheceu os objectos à  mesma. Portanto não tem qualquer problema de aprendizagem ou audição e está simplesmente a ser preguiçoso para falar.

Como o Tiago se anda a interessar pelos números e letras, comprámos um conjunto de números que são imans para ele brincar. Diverte-se a colar e descolar os números do pé metálico da passadeira e eu vou dizendo que número é que ele tem na mão, tal como fiz com as figuras dos livros.

Também queria comprar as letras mas não havia. Talvez para a semana.

Entretanto deram-lhe um ursinho de peluche (na verdade é um rato) na tentativa de substituir o actual que já está com muito mau aspecto graças à s constantes lavagens. Ele até gostou do novo boneco mas agora anda com os dois, um em cada braço, em vez de passar para o novo. Não sei se alguma vez o vou conseguir convencer a mudar para outro boneco.

19 meses

Passou mais um mês e o Tiago continua a aprender coisas novas constantemente. Já anda há 5 meses e já se farta de correr. Continua a não gostar muito de dar a mão quando anda na rua mas ocasionalmente já o admite sem grande fita. O resto do tempo atira-se para o chão, farta-se de berrar e arrasta-se de costas, empurrando com as pernas, limpando os nossos lindos passeios.

Sim, é verdade, chegou a fase das birras a toda a força. Parte deve-se à  idade mas acho que grande parte se deve também à  creche e ao que vê os outros miúdos fazer. Começou a bater-me e dar-me pontapés, algo que nunca tinha feito antes e começou a ginchar que nem um porco em vez de se limitar a choramingar como antes. Eu ignoro sempre que posso ou vou para outra sala até acabar. Como reacção a isso o Tiago começou a agarrar-se à s minhas pernas quando faz birra para eu não poder ir a lado nenhum. Não há dúvida que aprende depressa.

Em termos de aprendizagem, já sabe onde fica o nariz, a boca, os dentes – aponta para o sí­tio certo na sua cara quando perguntamos e depois bate muitas palminhas. Já fazia isso com a cabeça e os pés há alguns meses e agora está a especializar-se.

Também já aponta para o pai quando se pergunta ‘onde está o papá?’. Curiosamente, quando se pergunta ‘onde está a mamã?’, aponta para ele mesmo.

Começou a sentar-se no carrinho e a conduzir para a frente e para trás e até a virar o volante. Infelizmente não temos é muito espaço para ele andar e entre as constipações e os dias cinzentos ainda não deu para levar o carrinho para o parque para ele experimentar.

Porque sim, está constipado outra vez. Tem sido todas as semanas desde há quase um mês. Fica melhor e passados uns dias tem o nariz a pingar outra vez. Desta vez não tem febre mas está cheio de tosse e as noites têm sido complicadas. Nem quero imaginar que vamos passar o inverno todo nisto.

Mas desta vez tivemos uma novidade: o Tiago está a aprender a assoar o nariz. Não é sempre porque ele não gosta e como tal não quer colaborar, mas já compreende que deve soprar pelo nariz o que faz com que já não seja necessário usar o aparelho de tortura que é o aspirador nasal.

Outra diferença recente é que deixou de vir para o colo com os livros. Agora vai buscar o livro mas senta-se no chão e vai folheando e apontando para as imagens. Acho que mais uma vez é uma independencia que vem da ida para a escola porque lá não tem a atenção constante que tinha em casa e aprendeu a ver os livros sozinho.

Já começou a por a cara a jeito para receber beijinhos de outras pessoas para além de mim o que quer dizer que começou a perceber que é um cumprimento social comum.

Por outro lado, não só continua a não falar como parou completamente de usar as palavras que já tinha aprendido. É um bocado frustrante.

A primeira reunião de escola

Fui à  primeira reunião como encarregada de educação do Tiago. É estranho começar a ter estas coisas tão cedo.

A reunião foi gira, com fotos e videos dos miúdos nas diversas actividades, já que a maior dificuldade dos pais em largar os seus bebés na creche é ficar a imaginar o que raio fazem eles o dia todo.

Fora isso não teve grandes surpresas. Foi basicamente uma apresentação para ficarmos a saber o nome das diversas senhoras que tratam dos nossos filhotes, uma lista de regras e pedidos e informações das coisas novas que estão a planear fazer.

Acho interessante que tentem por os miúdos logo a ter aulas de música, dança e ginástica mas sinceramente gostave de assistir a uma dessas aulas porque não consigo imaginar como é possível fazê-los colaborar com esta idade. Não duvido que o consigam. Gostava era de conhecer o segredo 🙂

40 de febre

Já sabia que o Tiago não se estava a sentir muito bem, mas quando fomos para a cama ontem por volta da meia noite, ao ir espreitar o Tiago, demos com ele com 40,1 graus de febre. Ficámos naturalmente preocupados e depois de ligar para os meus sogros lá despimos o miúdo e estivemos a torturá-lo, refrescando-o com uma toalha molhada para lhe descer a temperatura. Ele ginchava desesperadamente porque aquilo deve ser de facto muito desagradável, mas ao fim de um bocadinho já tinha descido um grau ou dois.

Demos-lhe mais um benuron e ficámos à  espera meia hora antes de medir a temperatura outra vez. Por volta da uma da manhã já tinha descido para os 37,8 por isso vestimo-lo novamente, com uma roupa um pouco mais fresca do que o pijama. à€s duas da manhã fomos espreitar outra vez. A temperatura já tinha descido mais um bocado mas estava encharcado em suor. Foi preciso mudar-lhe a roupa e o lençol da cama e voltar a deitá-lo. Felizmente ele adormeceu depressa depois de todas estas interrupções. Podia ter sido bastante pior. Nós é que não dormimos nada, como seria de esperar.

O Pedro acertou o alarme para as 5 e meia porque havia a hipotese do Tiago ter um novo pico de febre por volta das 6 horas, altura em que o benuron já teria perdido o efeito. Fui medir a temperatura e estava fresquinho. Voltei a verificar à s 7 e continuava bem. Fiquei mais descansada.

Foi uma noite horrà­vel mas esta manhã o Tiago estava quase normal. Ficou cansadoo mais cedo, como é natural, e fartou-se de dormir de tarde, mas o tempo que esteve acordado esteve a brincar como normalmente.

É claro que não foi para a creche, até porque deve estar contagioso, e eu e o Pedro também não estamos em grandes condições. Eu já vou em semana e meia de seguida doente e começa a ser cansativo. Mas é como tudo – uma pessoa habitua-se ao ritmo de ‘fazer coisas sem dormir bem e com nariz entupido’ e lá vai funcionando.

Foi a primeira vez que o Tiago teve alguma coisa assim mais grave (porque aparentemente as febres altas nos bebés podem dar origem a convulsões e coisas assim divertidas) e é daquelas coisas que nos faz lembrar a responsabilidade que é ser pais. Felizmente o miúdo parece resistente.

A primeira dentada

Fui buscar o Tiago à  creche como de costume. Peguei nele ao colo e comecei a reunir as coisas para sair quando uma das auxiliares, que estava a mudar uma fralda, chamou a educadora dizendo ‘está aqui a mãe do Tiago. A educadora começou a andar na minha direcção e o meu primeiro pensamento foi logo ‘ai, o que é que ele fez?….’ Ele até é um miúdo bem comportado mas nunca se sabe.

Primeira dentadaAfinal não tinha feito nada. Pelo contrário, foi và­tima de uma dentada à  traição no braço direito porque se recusou a entregar o seu ursinho.

É que enquanto os outros miúdos têm chuchas ou fraldas como objectos de transição o Tiago tem o seu urso que, sendo um boneco, chama a atenção dos outros miúdos e levando a algumas situações de confronto. Não lhe posso tirar o urso por isso a única solução é ele aprender a defender-se.

Com que idade é que ele poderá ir para o Kung-fu?

Enfim, estas coisas fazem parte do crescimento e sinceramente, se tivesse sido ele a morder num dos outros eu ficava muito mais preocupada. Ele está bem, nem se queixa, por isso não há crise.

E pelo menos sei que defende o que é seu, algo que é muito importante.

De resto esteve bem. Hoje levaram um teclado para a sala e o Tiago foi o primeiro miúdo a ir lá mexer enquanto os outros ainda estavam a olhar desconfiados. É a vantagem de ter instrumentos musicais em casa.

A consulta dos 18 meses

O Tiago foi hoje de manhã à s vacinas e consulta dos 18 meses. Foram muitas maldades para um dia só, de tal forma que adormeceu no carro a caminho de casa e depois recusou a fruta ao almoço.

Pelo caminho vinha a pensar como me custa muito mais agora vê-lo a ser picado do que das primeiras vezes. Só prova que os laços com os filhos são algo que se cria e não algo que nasce quando eles nascem. Quando o Tiago olha para mim agora com aquele ar de ‘salva-me, estão a magoar-me’ fico destruida. Sinto que é uma traição imensa.

Felizmente agora só volta a ser picado aos 5 anos e a próxima consulta de rotina é só para o medir e pesar e pouco mais. Entretanto vai passar o inverno no infantário por isso é possível que comece a ficar doente com alguma frequencia, mas não há nada a fazer quanto a isso.

Desta vez a medição da altura deu 87 cm e o peso 10,580kg. Continua a crescer principalmente em altura o que explica porque é que as calças para dois anos têm o comprimento ideal mas depois ficam muito largas na cintura – nem chegou a usar alguns dos calções deste ano por isso mesmo.

18 meses

Ao fim de 18 meses o Tiago é já um menino muito independente. Continua a não falar e mesmo as palavras que já dizia deixou de dizer de forma regular. Prefere comunicar por grunhidos e com outros tipo de sons para as coisas essenciais.

Começou a ir para a creche no principio do mês e não gosta muito mas está a adaptar-se bem. Já abre os braços para ir para o colo da educadora e auxiliares, brinca, come bem e dorme a sesta. É claro que nunca larga o ursinho, que é a ancora dele, de tal forma que o coitado do urso tem de ser lavado todos os dias porque vem sempre coberto de sopa. O Tiago também gosta de ir espreitar o carrinho que fica guardado a um canto da sala como forma de se assegurar que o vou buscar ao fim do dia. Deve fazer umas birras mas não me dizem – acho que devem achar que eu fico muito ansiosa se me disserem as fitas que ele faz – e pelo que já percebi, quanto mais perto da porta ele estiver melhor. Acho que tenho um Scofield, sempre a planear a sua próxima fuga.

Em casa gosta muito de vir para o colo com um livro e apontar para as imagens enquanto eu digo os nomes das coisas. É capaz de fazer isto durante horas, mudando ocasionalmente de livro. Os livros preferidos são folheados vezes sem conta e já estão quase completamente destruidos.

Já tivemos que lhe comprar uns saapatos novos porque os crocs já não serviam – já calça o 22.

Tornou-se muito complicado mudar fraldas porque o fraldário está pequeno demais e ele já se vira com demasiada facilidade. Acho que está na altura de introduzir o bacio. Estou só à  espera que passe mais um bocadinho e ele se habitue ao infantário para não introduzir demasiadas mudanças de uma vez.

Primeira semana na creche

Ontem deixei o Tiago ficar na escola para a tarde. Era dia de limpeza e é sempre dificil conjugar sesta com aspirador.

Consegui resisitir a passar o dia a telefonar para lá e quando o fui buscar fiquei triste porque ele estava a chorar. Até comeu bem e chegou a dormir um bocadinho mas depois do lanche começou a sentir a minha falta e estava a choramingar. Fiquei logo a achar que tinha feito tudo mal e que estava a torturar a criança mas pronto. Ando a convencer-me que isso está tudo na minha cabeça e que não posso concluir nada antes de terem passado pelo menos duas semanas.

Ele esteve muito rabujento o resto do dia porque estava com sono mas não queria voltar para a cama, acho que principalmente porque não queria ficar sozinho. Acabei por conseguir aguentá-lo até à  hora do costume mas foi complicado. Por outro lado, jantou lindamente. Não há dúvida que aquela actividade toda lhe abre o apetite.

Hoje começou a chorar assim que nos aproximámos da porta da escola. Quando o deixei ficou a chorar mas a educadora e as auxiliares conseguiram distraà­-lo muito rapidamente. Fiquei a ouvir à  pçorta, num sí­tio onde ele não me conseguia ver e percebi que parou de chorar muito rapidamente.

Continuo a achar que é importante para ele aprender a interagir com outros meninos mas há coisas nos infantários que não gosto nada. Não compreendo porque é que o almoço é à s 11 da manhã já que isso impede que eles entrem na rotina familiar que é algo muito importante mais tarde. Mesmo que seja por causa dos miúdos que chegam muito cedo, um lanche a meio da manhã resolvia essa questão. Para além disso a questão da sesta também me parece que vai dar mais chatices do que benefà­cios porque ele em casa dorme 3 horas e ali vai dormir um máximo de 2 e provavelmente menos. Considerando que ele de noite dorme 12 horas não posso estar a deitá-lo ainda mais cedo e arrisco-me a que ele comece a dormir de menos o que o faz muito irritável.

Ou seja, ele tinha uma rotina que funcionava lindamente e agora está a adaptar-se a outra que o vai por mais cansado com todas as consequencias que isso tem.

Como ainda não estou convencida com esta coisa dele ficar lá o dia todo, tenho que pensar bem se vale a pena. A vantagem da situação actual é que se ele se adaptar bem não há problema, senão, posso sempre voltar atrás sem grandes consequencias. Posso passar a deixá-lo só de manhã outra vez mas sabendo que se tiver de ficar mais tempo também se aguenta porque já ficou.

Hoje vou buscá-lo um bocadinho mais cedo. Vamos ver se já está mais bem disposto.

É claro que agora com o fim de semana pelo meio, quando chegar a segunda feira começa tudo do principio outra vez.

Terceiro dia de escola

Isto era suposto ir melhorando mas hoje sinto-me mais destruida do que no primeiro dia. Depois de deixar o Tiago a chorar mais uma vez vim eu para casa chorar e ainda não consegui parar.

Ontem, quando fui buscar o Tiago ele estava bem e até já tinha almoçado convenientemente. Comecei a sentir-me um pouco mais confiante. A educadora aproveitou para comentar que ele andava por ali – fora do recinto dos bebés – porque já sabia que estava na hora de o ir buscar e que eles se habituam à s rotinas. Isto veio no seguimento da conversa que tivemos quando eu fui lá pela primeira vez em que ela expressou a opinião que isso de fasear não serve de nada e que é melhor deixá-los logo lá o dia todo porque assim habituam-se mais depressa. Eu optei por deixá-lo só de manhã até ver e percebi que ela não concorda porque acha que assim vai ser necessário todo um segundo periodo de adaptação quando ele ficar também para a sesta e lanche.

Eu percebo a ideia dela e o seu ponto de vista. Se eu vou buscar o Tiago todos os dias à  mesma hora, no dia em que não for ele vai passar toda a tarde em ansiedade sem perceber porque é que eu não estou lá. Fiquei então com a dúvida: será melhor começar já a deixá-lo para a tarde?

Como sou a pessoa mais indecisa e influenciável do mundo estive até hoje a pensar nos dois lados da questão e a tentar pesar o factor egoà­smo – é mais egoista deixá-lo ficar lá para ter mais tempo livre ou não o deixar ficar para eu não ter tanta ansiedade? – para tentar chegar a alguma conclusão.

Por um lado ele parece que fica bem, após o choque inicial. Por outro lado duvido que consigam po-lo a dormir. De qualquer forma em termos de tempo para mim, tenho duas horas de manhã para fazer coisas fora de casa e durante a sesta consigo trabalhar um bocadinho em casa. Não é muito mais do que já tinha mas sempre é qualquer coisa. Continuo a ter algumas limitações (não dá para ir a Lisboa comprar materiais, por exemplo, que é uma coisa que preciso de fazer há meses) mas também é só uma questão de tempo.

A confiança no infantário não é uma questão que se ponha. O Tiago está a agir normalmente, continua a comer e a dormir e nem sequer anda a procurar mais atenção nem tenta passar o tempo todo ao colo. No tempo que passa comigo não notei até agora qualquer alteração de comportamento. Sendo assim, ficar ou não mais tempo no infantário é mais uma questão emocional do que outra coisa. Exactamente porque as crianças se habituam a rotinas é que não me pareceu boa ideia alterar a rotina dele de uma forma tão drástica que implique de repente passar o dia todo longe de mim quando não é preciso. E assim dorme na sua cama em vez de num sí­tio que ele ainda considera estranho.

No entanto, hoje de manhã saà­ daqui praticamente com a certeza que hoje ou amanhã iria experimentar deixar lá o Tiago para a tarde. A rotina matinal decorreu normalmente excepto pelo facto de ele ter comido menos que o costume. Mas foi sentar-se no carrinho sozinho e esteve muito bem até entrar na sala da escola. Aà­ começou a choramingar e não parou até eu me ir embora. Estive a arrumar roupa dele no cacifo, a dobrar o carrinho e depois tive de o entregar a uma auxiliar e sair.

Vim o caminho todo a fazer um esforço enorme para não chorar que só resultou até eu meter a chave na porta. Já nem as tarefas que defini para hoje conseguem evitar a avalanche. Já não consigo fazer de conta que não custa. Sinto que estou a forçá-lo a fazer uma coisa que ele obviamente não quer e já nem consigo ver as razões que levaram a essa decisão.

Já nem consegui pensar na possibilidade de o deixar lá para a tarde, nem hoje, nem amanhã nem no futuro próximo. Enquanto ele não demonstrar que gosta de lá estar ou pelo menos que se sente confortado por alguma das pessoas que lá trabalha, não vou conseguir deixá-lo um dia inteiro.

Agora é com ele.

Segundo dia de escola

Como esperado, hoje foi pior. Primeiro não queria ir para o chão por isso levei-o para a sala e dei-lhe um brinquedo mas assim que me comecei a ir embora ele veio atrás de mim a chorar. Eu disse adeus e saà­ porque não queria prolongar a cena mas fiquei outra vez com um nó na garganta que disfarcei através do riso nervoso, como já é costume.

De volta para casa passei no banco e nos correios e quando cheguei a casa estava cá o Pedro a beber o seu café no quarto vazio do Tiago. Conversámos um bocadinho e ele teve que sair para o trabalho. Eu ia atirar-me à s tarefas domésticas mas não consegui, com a sensação que ele ainda estaria para lá a chorar, por isso telefonei para a escola. Quando atenderam disse logo que era mais uma mãe chata a perguntar se o filhote estava bem. A senhora riu-se e foi ver. Disse-me que ele estava bem e a brincar. Fiquei mais descansada e fui então tratar da lista gigantesca de tarefas da manhã – deitar fora lixo e reciclagem, por roupa a lavar, enviar mail a clientes, etc.

Agora já é quase meio dia e está na hora de me preparar para o ir buscar. No fundo as manhãs não dão para muito. Vamos ver quanto tempo é que demora até ele se adaptar para poder começar o treino de ficar lá durante a sesta. Mas resolvi fazer isto por fases por isso vamos com calma.

Primeiro dia de escola

Depois de uma noite mal dormida levantei-me, vesti-me, fui acordar o Tiago que por qualquer motivo resolveu dormir mais hoje, dei-lhe a papa e fomos os três levar o Tiago ao seu primeiro dia de escola.

Ele entrou para a sala muito calmo e foi directo a um brinquedo. Depois de falar um bocadinho com a educadora dissemos adeus e saimos. Ele ficou a olhar para nós com um ar levemente apreensivo mas não chegou a chorar.

Eu é que saà­ quase a chorar. Na verdade não estava à  espera mas foi muito complicado controlar-me. Saà­ com o Pedro até me sentir novamente mais normal, até porque na rua tinha desculpa para usar os óculos escuros. Depois voltei à  escola porque tinha de pagar a mensalidade mas como havia pessoas a fazer inscrições que demoram mais tempo resolvi tratar disso quando fosse buscar o Tiago.

Como tinha material para comprar para uma encomenda, dirigi-me à  loja mas só abria à s 10 da manhã por isso desisti. Ficou mais uma coisa para tratar mais tarde. Como não estava ainda pronta para voltar para casa acabei por ir mesmo ao cabeleireiro. Acho que a última vez que fui cortar o cabelo foi há quase um ano, depois do desastre das madeixas, por isso estava mesmo a precisar. A cabeleireira entusiasmou-se um bocado demais, porque as pontas pintadas estavam mesmo com muito mau aspecto, e por isso ficou ligeiramente mais curto do que eu queria mas que se lixe. Como agora só volto a cortar daqui a mais um ano vai ter muito tempo para crescer 🙂

Fui finalmente para casa mas estive ocupada a fazer coisas como pagar a segurança social, por isso não tive muito tempo para pensar no assunto.

Quando se acabaram as tarefas mais obvias em casa, fui tratar das outras coisas que tinha na lista – pagar a garagem, ir à  farmácia, comprar papel para a impressora de fotos, encomendar lentes de contacto e comprar os materiais que precisava para uma encomenda. Nada de emocionante mas manteve-me ocupada até serem horas de ir buscar o Tiago.

Cheguei um pouco antes da hora porque ainda queria ir tratar do pagamento e ele estava a almoçar. Quando acabou fui buscá-lo. Estava a choramingar mas nada de muito grave. Perguntei como tinha corrido a manhã mas não me deram muitos pormenores. Disseram só que não tinha comido muita sopa nem fruta e só quando eu perguntei como tinha sido com os outros miúdos é que a educadora disse que ele tinha passado o tempo todo num canto agarrado ao ursinho, afastado dos outros. Era o que eu estava à  espera. Ele sente-se intimidado pelos outros miúdos porque não está habituado mas pelo menos não me disseram que passou o tempo todo a gritar.

No geral, para primeiro dia, acho que não correu muito mal. Suponho que amanhã seja mais complicado vir-me embora mas espero que mais para o final do mês ele comece a ver aquilo como uma coisa normal. Custa-me deixá-lo mas penso que ele vai aprender coisas importantes com a experiencia, mesmo sendo um bocado angustiante de inicio.

Viemos então para casa. Dei-lhe sopa e fruta e deitei-o para a sesta. Reagiu normalmente, sem qualquer problema.

Durante a sesta dele ainda consegui começar uma gargantilha que tenho encomendada e que vai demorar dias a fazer mas pelo menos está começada.

Durante o resto da tarde estivemos a brincar como normalmente e o Tiago começou a subir para as cadeiras sem ajuda. É mais perigoso do que subir para o sofá por isso agora tenho que ter muita atençao durante os próximos dias.

Continuo muito nervosa e já a pensar em como será amanhã.

A 2 dias de ir para a escola

Esta semana fiquei verdadeiramente espantada ao aperceber-me do que o Tiago já compreende. Há poucos dias ainda ficava a olhar para mim quando lhe dizia certas coisas e de repente pergunto-lhe se ele sabe onde está o outro sapato e ele vai buscá-lo. Ou seja, não só já compreende o significado da frase – em vez de apenas uma ou outra palavra ocasional – como está a tornar-se bastante mais cooperante. Dou com ele a arrumar os brinquedos no balde que tem para o efeito e a por os livros de volta na estante, na prateleira correcta.

Ontem fiquei ainda mais espantada: ele estava a brincar com o meu relógio pondo-o dentro do barco de brincar. Quando se fartou da brincadeira foi arrumar o barco no balde dos brinquedos. Eu disse-lhe ‘então Tiago, se já não queres o relógio podes dar-me-o de volta’. Ele foi buscar o barco, tirou o relógio e veio entregar-mo. Para um miúdo que não diz uma palavra não esperava tanto.

Hoje passei o dia a imprimir fotos do Tiago. Apercebi-me que o album dele parou nos 3 meses – é o que o Pedro diz: dá para perceber quando é que ele começou verdadeiramente a dar trabalho que eu deixei de ter tempo para fazer coisas como albuns de fotos 🙂

Como tinha que imprimir fotos dele para a escola – fotos tipo passe, etc – aproveitei e escolhi mais umas quantas. Demorou mesmo o dia inteiro a imprimir – a ‘torradeira’ da epson faz fotos com boa qualidade mas demora uma eternidade a imprimir cada uma. Desta vez dei-me ao trabalho de escrever a data de cada foto para ser mais facil fazer o album depois (um dia destes, quem sabe, quando tiver tempo).

Entretanto já tenho a mochila do Tiago pronta ir para a escola na segunda feira. Estava a pensar deixá-lo lá e ir ao cabeleireiro para não vir para casa roer as unhas o resto da manhã mas não sei se consigo. Estou desesperadamente a precisar de cortar o cabelo e fazer qualquer coisa para disfarçar o look bicolor de quem não pinta há mais de 6 meses mas já sei que me ponho a pensar ‘então e se corre alguma coisa mal e me ligam para ir lá buscá-lo e não estou despachada?’. Sei que isso não vai acontecer mas não conseguiria estar à  vontade.

Nestas últimas duas semanas tenho andado mesmo muito ansiosa e um bocado deprimida por causa do infantário. Imagino aquele primeiro dia em que tenho de o deixar a chorar e ir-me embora e estive quase a desistir. Passei noites sem dormir e tenho por vezes a sensação completamente irracional de que quando o deixar lá nunca mais o volto a ver. Esta altura do ano já não é fácil para mim há uns anos e como agora tenho mais uma fonte de inquietação, os sentimentos acabam por se misturar todos resultando em ligações absurdas mas perturbantes. Da mesma forma como não consigo pensar no parto do Tiago sem pensar no parto do Alex agora também sinto que estou a ‘perder’ o Tiago na mesma altura do ano em que perdi o Alex. É uma coincidencia infeliz, esta sobreposição de datas a marcar uma nova etapa e mudança inevitável na nossa vida.

Com tudo isto vem também a ansiedade relacionada com o trabalho, com a pressão extra de ter agora que arranjar mais trabalho que compense o facto de continuar em casa. Eu até me farto de trabalhar só que infelizmente não é o tipo de trabalho que dê grandes contrapartidas financeiras. Mas se tiver que arranjar um emprego convencional o Tiago vai ter de ficar no infantário 12 horas por dia ou mais e eu passo de acompanhá-lo todo o dia a limitar-me a levantá-lo de manhã e deitá-lo à  noite. Sei que temos de fazer muita coisa pelo dinheiro mas ficarei verdadeiramente deprimida se for obrigada a tomar uma decisão com este tipo de limitações. O Tiago é a minha primeira prioridade e eu quero acompanhar o seu crescimento. É egoà­sta, talvez, e sinto-me mal por ser o Pedro a carregar a maior parte da responsabilidade financeira da famà­lia. É um dilema que espero conseguir resolver brevemente sem ter de abdicar completamente de estar presente na vida do meu filho.