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Tiago, 34 meses

A dois meses dos 3 anos de idade, o Tiago mostra cada vez mais imaginação nas suas brincadeiras. Os carros e bonecos falam e relacionam-se e eu divirto-me imenso a observar, e sou muitas vezes chamada a participar.

Uma das brincadeiras envolve um autocarro e um boneco do Batman, que são muito amigos e brincam à  apanhada. O peluche do Mickey qye a tia Bela lhe deu no Natal tornou-se um dos seus grandes amigos. Tenho de ser eu a falar pelo Mickey e a mexe-lo, para dar um toque extra de realismo e como tal estou constantemente de serviço. ‘Agarra no Mickey, mamã’ é das frases que oiço mais hoje em dia.

O fogão que demos ao Tiago também tem lugar nas brincadeiras, principalmente porque acende luzes e faz o som de água a ferver. Ele gosta de ligar os sons dos brinquedos todos ao mesmo tempo, algo que por vezes me dá uma vontade enorme de fugir a gritar. Fora isso o fogão é raramente usado. O forno tem mais função como garagem do que como forno, mas também é cedo para este tipo de brincadeiras mais realistas.

Felizmente a fase mais terrà­vel de não se querer vestir de manhã parece ter passado e ultimamente as coisas têm corrido melhor.Com um misto de brincadeira, tipo ‘esconder o pé nas calças’, vai-se conseguindo colaboração no meio da teimosia. O contar até três também continua a ser eficaz quando a coisa não avança mas acho que não vai funcionar por muito mais tempo. Já noto uma resistencia maior.

O Tiago continua a demorar uma eternidade para comer e não sei muito bem como resolver isso. Não quero fazer muita pressão à  volta da questão da comida mas por vezes torna-se doloroso estar à  espera dele.

As noites continuam a ser o pior, com o Tiago a acordar diversas vezes e a acabar na nossa cama. Umas noites insistimos para ele voltar para o quarto mas outras estamos demasiado exaustos. Já aprendi a aceitar que é mesmo assim e quando não consigo dormir vou eu para o sofá da sala e deixo-o na minha cama. Na casa nova tenho de arranjar uma cama extra senão não me safo.

A linguagem continua a avançar lindamente e o Tiago já se faz entender muito bem e aprende palavras novas todos os dias e depois gosta de as usar. Está a começar a repetir também as expressões em inglês que nos ouve usar e é capaz de ser a altura ideal para introduzir uma segunda lingua, agora que ele já está mais à  vontade com a primeira. Ele já vê desenhos animados em inglês à  muito tempo mas responde em português pelo que não é claro quanto é que compreende.

Esta é também a idade para começarmos a ter muito cuidado com o que dizemos porque ele repete tudo e aprende rapidamente as expressões que ouve como provou um dia destes com o ‘ena pá, tanta luz!’ quando acendi a luz da casa de banho de manhã.

Em termos de comportamento, continua a ser muito teimosso e reage mal quando recebe uma ordem directa. Para conseguir que ele faça alguma coisa tenho mais sorte com um tom de voz doce do que com gritos, algo que para mim é muito difà­cil. Acabo por alternar entre os dois, o que o deixa bastante confuso mas acaba por funcionar à s vezes. É a técnica do ‘não estou zangada mas não me provoques’.

Como é esperto e já percebeu que passar o tempo a dizer ‘não’ não funciona, agora adoptou a técnica de se ir esconder debaixo da mesa, como se fosse brincadeira, quando quer atrasar – seja para vestir o casaco quando estamos a sair ou para ir lavar os dentes à  noite. Como o objectivo é ter atenção, a única coisa que funciona é deixá-lo em paz até desistir e depois insistir um bocadinho com ele. É mais rápido do que ralhar e ir atrás dele.

Reserva e vacina

Ontem de manhã fui à  imobiliária passar um cheque gordo para fazer a reserva do apartamento que queremos comprar. Depois de confusões com os orçamentos e muitas contas achámos que valia a pena tentar.

Agora estou à  espera de um telefonema que venha confirmar ou destruir as nossas expectativas. Estou com pouca esperança que a dona da casa aceite a nossa oferta e aposto que vai ser uma dança tipo ‘ah se fosse mais 5000 talvez’. Não sei se estou interessada em ir por aà­ porque, como está, já vai ser apertado durante uns tempos.

Espero que até ao final da semana a coisa se resolva, seja para que lado for.

Hoje de manhã levámos o Tiago à  tortura da vacina da gripe. É mais por minha causa, visto que estando grávida aparentemente fico logo em grupo de risco, o que para mim é muito estranho. Sou saudável e não tenho problemas respiratórios e de repente estou em risco? Que raio de doença mais estranha.

O Tiago chorou um bocadinho mas não fez a birra monstruosa que eu temia que fizesse. No geral até se portou bastante bem e passados dois minutos já estava alegremente a brincar na casinha que têm no posto de saúde. Depois não queria vir embora mas também não foi muito difà­cil convencê-lo. Será que os terrible twos estão a abrandar?

Hoje vou à  escola falar com a educadora do Tiago para saber como as coisas estão a evoluir. O miúdo é teimoso mas nunca mais tive os mesmos problemas a vesti-lo de manhã e anda bastante mais cooperante, pelo menos em casa. Se puder transformar as tarefas num jogo, como esconder os pezinhos nas calças, por exemplo, faz tudo com um sorriso nos lábios. Ordens directas continua a não gostar muito de ouvir, mas se for mesmo a sério e eu contar até 3 obedece. Está muito mais aberto a negociações, algo que só vem com a maturidade e a idade, e isso é optimo. Já começou a aceitar fazer certas coisas que não quer se lhe der argumentos racionais – coisas muito simples, claro, mas é um grande avanço.

Parece-me que estamos a chegar a um ponto de equilibrio finalmente e fico muito feliz por ver que a persistencia e consistencia funcionam.

11 semanas

Nem acredito que já estou a chegar ao final do primeiro trimestre. A fome incontrolável já passou mas entretanto ganhei 5 ou 6 quilos, numa altura em que devia ficar precisamente na mesma já que o feto não tem mais do que o tamanho de uma uva. Ando com baixa auto-estima e fico verdadeiramente deprimida cada vez que me vejo no espelho.

Os enjoos andam melhor mas ainda não passaram completamente e tenho a impressão que o estomago não me vai dar tréguas até ao fim.

No fim de semana já consegui ouvir o batimento cardà­aco com o doppler que os meus sogros emprestaram e é estranho como uma coisa tão simples faz uma diferença tão grande. Acho que pelo facto de ser em casa e não no consultório médico torna tudo estranhamente mais real.

Desta vez não me sinto com medo. Antes do Tiago não sabia o que esperar de mim e das minhas reacções a ter que tomar conta de uma criança, mas agora que sei que as irritações são sempre contrabalançadas com um sorriso e que no fundo vale a pena, não tenho nenhuma das ansiedades das gravidezes anteriores. Não sou perfeita e faço asneiras mas também já percebi que tenho mais resistencia e paciencia do que alguma vez esperei. Até as noites sem dormir me parecem uma questão menor porque ao fim de quase três anos continuo a acordar várias vezes todas as noites.

Mas quando digo que não tenho medo não quero com isso dizer que estou ultra confiante. Simplesmente não me sinto ansiosa ou preocupada. Sei que se correr alguma coisa mal não será algo que possa prever ou prevenir e como tal não vale a pena preocupar-me com isso. Estou à  espera de marcos como a amniocentese – aquelas situações que podem terminar de vez as nossas expectativas – mas aguardo-o com bastante calma. São mais dois meses – um até ao exame e outro até aos resultados – antes de dar permissão a mim mesma para começar alegremente a fazer planos.

Ao mesmo tempo, não estou efectivamente à  espera que corra alguma coisa mal. Por um lado acho que já tive a minha dose e é preciso o universo odiar-me com todas as suas forças para acontecer o mesmo outra vez, o que vai completamente contra a lei das probabilidades, por outro lado, enquanto a criança existe, tem o coraçãozinho a bater e não há prova que contradiga o facto de que sairá cá para fora saudável, a minha vida segue o caminho que tem de seguir, abrindo espaço para este ser que para todos os efeitos já existe. Pode ser um bocado como comprar a garagem antes do carro, mas é a natureza humana. Não vou comprar roupa nem montar o quarto antes de ser preciso mas é impossível não pensar onde colocar o berço.

Só gostava que parassem de insisitir que vai ser uma menina. Começo a ter vontade de bater nas pessoas. A mania do ‘casalinho’ não podia ser mais irritante. Até parece que se for um rapaz vai ficar toda a gente muito triste. Epá, se quiserem mesmo vestir o miúdo de cor de rosa e dar-lhe bonecas não vejo qualquer impedimento nos primeiros tempos. Nem vai dar pela diferença!

Natal

Felizmente no dia 24 já me sentia um bocadinho melhor, apesar de continuar doente. Fomos para casa dos meus tios mais cedo do que é habitual para poder ver o meu irmão e famà­lia antes deles irem para Borba e trocarmos as nossas prendas.

O Tiago voltou a ter o comportamento habitual com o Gabriel e todos os meninos mais pequenos, que é empurrá-los assim que se aproximam demasiado. Não me parece que seja um empurrar por maldade. É mais um gesto de protecção para ele próprio porque na escola já foi mordido e empurrado e aprendeu finalmente a defender-se. O problema é que agora não deixa que ninguém se aproxime sem ter esse instinto de os afastar imediatamente. Não quer com isso dizer que não se note um certo gozo no facto de conseguir efectivamente afastar ou fazer cair os outros. O Tiaguinho gosta obviamente de se sentir grande e forte e não há forma melhor do que empurrar os mais pequenos. E os miúdos mais pequenos têm sempre uma atracção pelos mais crescidos mas não compreendem essa coisa do espaço pessoal. Como estão com pouco mais de um ano e ainda não se equilibram bem em pé, também é mais fácil irem parar ao chão.

Passadas umas horas, depois do Gabriel se ir embora, foi a vez do Tiago ser o mais pequeno. O Daniel, que estava muito feliz a exibir os seus dotes de artes marciais, a certa altura encostou o Tiago à  parede agarrando-lhe pelo pescoço. O Pedro estava lá e explicou que não se podia fazer aquilo e o Daniel, que é mais crescido, compreendeu e parou. O Tiago estava feliz da vida porque os meninos mais crescidos estavam a brincar com ele e não se importou nada, apesar das brincadeiras serem sempre do estilo fecharem-se todos num quarto menos o Tiago que não podia entrar. Enfim, são todos iguais.

Mas como digo, o Tiago não se preocupou minimamente com a segregação e fartou-se de correr e brincar à s escondidas e à  apanhada, principalmente com a Francisca que esteve sempre com muita paciencia. Cada vez que paravam lá vinha o Tiago ‘anda, Francisca!’ e iam os dois outra vez correr pela casa. A certa altura deixei de me preocupar e deixei-os em paz. Como não ouvi ninguém chorar parecia estar tudo bem.

Estive sempre um bocado enjoada e não comi grande coisa. O Tiago aguentou-se até à s prendas mas depois começou a ficar demasiado cansado e as últimas já nem abriu. Acho que com ele o gozo é maior se tiver uma prenda de vez em quando e tempo para brincar com ela do que cinco ou seis de seguida.

Levei-o para o carro ao colo, já com a cabecinha encostada no meu ombro e adormeceu assim que o carro começou a andar.

No dia 25 acordámos tarde e fomos almoçar a casa dos meus sogros. Foi um ambiente mais calmo e com menos gente e até o número de prendas foi bastante menor este ano, o que facilita o transporte para casa.

Demos ao Tiago uma cozinha porque eu acho que não pode ser só carros e esse preconceito de que as cozinhas são só para meninas tem de acabar. É claro que também teve carros e helicópteros e toda a espécie de veà­culos mas assim é mais equilibrado 🙂

No domingo a Carla e a Elsa vieram visitar-nos e trocar as nossas prendas. O Tiago, com duas meninas para quem se exibir, começou a tentar levantar a mesa da sala e a dizer ‘Tiago, forte!’. Foi hilariante 😀

Cookies

Ontem de tarde estive a fazer biscoitos. Achei que era uma coisa gira para fazer com o Tiago, por isso preparei a massa e quando ele voltou da escola esteve a ajudar a cortar os biscoitos, escolhendo ele as formas que mais gostava. Tirando um ou outro momento de bater com a forma na massa repetidamente, tornando necessário voltar a estender a mesma, ele foi muito paciente e cooperante. Depois dos biscoitos arrefecerem dei-lhe um para ele provar e acho que ficou aprovado. Não tenho é paciencia para decorar aquilo como chocolate derretido, este ano. Acho que vão ficar mesmo assim.

Esta tarde ainda tenho de fazer um cheesecake para levar amanhã para Palmela. Este ano as sobremesas ficaram a cargo das visitas.

8 semanas

O Pedro tem estado de férias, apesar de passar mais tempo a trabalhar e a receber telefonemas do trabalho do que propriamente a descansar. Mesmo assim tem dado imenso jeito porque eu passo os dias enjoada e a morrer de sono e sem a ajuda dele a entreter o Tiago não sei como me tinha aguentado. Estou constantemente a adormecer no sofá e continuo escrava do meu està´mago. Acho que era capaz de dormir 3 dias de seguida se pudesse.

Pelo meio perdemos uns dias a fazer compras de Natal e já está quase tudo. Lembro-me sempre de mais uma ou duas pessoas que faltam, geralmente pessoas que não vão efectivamente passar o natal connosco, mas está quase no fim.

Há uns dias não conseguimos resistir a dar ao Tiago uma das suas prendas antes de tempo.  Ele continua completamente obcecado com carros e qualquer coisa serve de garagem, onde estaciona sempre em marcha-atrás, por isso comprámos-lhe as garagens da Imaginarium. Gostou tanto que nem queria dormir nessa noite porque só queria brincar com as suas garagens e durante dois dias não ligou a mais brinquedo nenhum. No natal vou ter de racionar as coisas novas por ordem de preferência para ele ter brinquedos que lhe interessem durante uns tempos.

Festa de Natal do Tiago

Fomos ontem à  festa de Natal da escola do Tiago. Tal como no ano passado, as crianças tinham ensaiado um pequeno número mas praticamente só as meninas é que cooperavam com a dança. Estavam todos muito giros, vestidos de gotas de água ou diversos animais marinhos.

O Tiago, que é dos miúdos menos cooperantes, teve como único papel estar sentado a um canto, com uma prenda na mão, que desembrulhou antes de tempo. Passou o tempo todo com um ar muito chateado e no final só se queria sentar na ponta do palco. Quando chegou a hora do ir buscar ao palco ficou ainda mais irritado e fartou-se de chorar e atirou-se para o chão. Ninguém percebeu bem porquê.

Felizmente passou-lhe depressa e no caminho para casa veio todo contente de mão dada com o avà´ Artur a brincar à s escondidas. Não me parece que o rapaz tenha futuro em palco…

Fim de semana

No sábado de manhã estivemos a desmontar a passadeira para nos livrarmos dela de vez, já que ocupa uma parcela significativa do espaço da nossa sala. Os meus sogros quiseram ficar com ela, porque costumam ir correr mas durante o inverno torna-se um bocado desagradável e assim ficam com uma alternativa caseira. Transportar aquilo foi um pesadelo, porque é super pesada, e no dia seguinte o Pedro estava todo partido.

à€ noite tivemos a companhia do meu irmão e famà­lia para jantar. O Gabriel já anda, todo feliz, e passou o tempo atrás do Tiago. O Tiago, por outro lado, andou o tempo todo a agarrar nos brinquedos que não queria mesmo ver nas mãos do Gabriel, e foi preciso andar de olho nele para ver se não magoava o mais pequenino. Estas coisas causam-me sempre um stress enorme porque sei que o Tiago pode ser um bruto se não quer que alguém se aproxime demasiado. Felizmente não aconteceu nada de grave e ao fim de um bocado parecia que já se estavam a entender melhor. à€ sobremesa o Tiago até ofereceu um bocado do seu gelado ao Gabriel para ele provar e mais tarde estiveram os dois alegremente a dançar.

Na segunda o Tiago ficou em casa porque estava com umas manchas estranhas e era preciso ter a certeza que não era nada de contagioso antes de o poder levar à  escola. Parece que afinal são umas quantas coisas não relacionadas, mas nada de grave. A maior parte das manchas é o acne infantil de que o Tiago sofre desde que nasceu e que é mais feio do que preocupante. Depois tem uma pequena infecção numa das pestanas – provavelmente coçou o olho com as mãos sujas ou algo do estilo – e é uma questão de por uma pomada uns dias e esperar que passe. A minha mãe veio vê-lo de manhã e trouxe uma daquelas folhas de autocolantes decorativos para a parede, com uma árvore de natal e respectivos adornos. Colei a árvore na porta do quarto dele e estivemos a decorá-la. A minha mãe fartou-se de insistir com o Tiago para por as decorações em cima da árvore, mas ele achou mais piada colocar à  volta. Acho que não percebeu bem a ideia da coisa mas também não acho que se deva insistir com as crianças para cumprirem  o guião – é melhor deixá-las explorar como lhes apetece enquanto ainda podem.

O Tiago começou a puxar a minha mãe a dizer ‘anda, avó’ e percebia-se que queria ir passear. Ela levou-o durante um bocado, o que foi óptimo porque eu tinha uma encomenda para preparar. Quando o veio trazer esqueceu-se do ursinho e foi preciso ir lá buscá-lo ao fim do dia.

O pior foi quando percebi que o Tiago estava com sono e queria o ursinho para dormir. Tentei servir de substituto e ele adormeceu ao meu colo. Teria dormido mais tempo mas foi acordado pelo telefone, hora e meia depois, e ficou de muito mau humor.

à€ noite, quando fomos buscar o urso a casa dos meus pais, o meu pai deu-lhe uma mota em miniatura que o Tiago ainda não largou. Já tinha muitos carros mas nada de motas e parece ter achado piada.

O meu pai já está melhor e, apesar de o fazer contra ordens médicas, já anda a apoiar o pé no chão para se conseguir mexer. Enfim, espero que não abuse….

susto

Ainda estou com o coraçãozinho a bater.

Estava a preparar-mepara atravessar a estrada em  frente à  escola do Tiago, prestando atenção ao transito para ter a certeza que não vinha nenhum carro, quando o carro que estava estacionado à  minha esquerda começou a recuar e quase atropelou o Tiago, que ia à  minha frente no carrinho. Consegui puxá-lo de volta para o passeio mesmo a tempo mas fiquei completamente estupefacta.

Não estava à  espera porque o carro não tinha luzes acesas nem ouvi o som do motor a arrancar nam nada. Como aquilo é uma descida, o tipo estava a deixar descair o carro para depois arrancar em frente e por isso nem se acenderam as luzes de marcha atrás. Como o carrinho de bebé é baixinho, o homem nem deve ter dado por nada.

Faz-me um bocado de confusão porque aqueles carros são todos de pessoas que vão ali deixar os filhos na escola e como tal tinham obrigação de ter mais cuidado, mas também sei que eu própria devia ter prestado mais atenção ao facto de estar alguém dentro do carro em vez de achar que era seguro só porque estava parado.

Eu ando sempre com tanto cuidados, tendo a certeza que os condutores me vêem antes de atravessar, mesmo em passadeiras, e agora pelos vistos tenho de começar a ter igual cuidado com os carros estacionados porque nunca se sabe.

O Tiago não deu por nada, felizmente. Foi mesmo uma coisa de segundos. Eu é que fiquei ligeiramente verde e com muita dificuldade em acalmar-me.

Também acho que devia haver uma passadeira em frente à  escola porque é sempre impossível atravessar ali, com a quantidade de carros parados por todo o lado. à€s vezes é quase impossível conseguir arranjar espaço suficiente para passar entre dois carros.

Enfim. Ainda não foi desta e isso tem de chegar.

Sintomas do último mês

Assim que o tempo mudou o Tiago começou imediatamente a dar sinal. Ao fim de quase seis meses perfeitamente saudável, o último mês tem sido uma preview do que vai ser o inverno. Ainda não teve nada de grave e parece ser só um sintoma de cada vez mas é um por semana, sem falta.

Começou com uma laringite, no domingo seguinte vomitava tudo o que comia, na semana passada teve febres altà­ssimas e esta semana tem diarreia. Acabei de ir fazer as compras necessárias para ver se começamos a controlar isto porque já vai em quase uma semana – arroz, bananas, actimel… Felizmente é tudo coisas que ele gosta.

Começo a temer os fins de semana, que é quando ele parece adoecer sem falha. Suponho que é qualquer coisa que traz da escola na sexta e que demora um dia ou dois a chocar. Enfim, é a vida com crianças pequenas.

Esta noite foi outra vez um horror. O Tiago acordou à  meia noite, à s duas foi para a nossa cama e à s 5 fez xixi na cama, pela primeira vez desde que largou as fraldas. Depois de mudar roupa, lençois, etc e de ele ir ao bacio, ainda tive de estar com ele um grande bocado até adormecer. Já passava das seis da manhã quando consegui voltar para a cama.

Hoje vou passar grande parte do dia a lavar roupa…

Shopping spree

No sábado à  tarde deixámos o Tiago com os meus sogros e fomos à s compras. As crianças crescem a uma velocidade incrà­vel e a cada seis meses é preciso comprar um guarda-roupa novo ao Tiago porque deixa tudo de lhe servir.

Começámos pela Zara, que tem roupa muito gira para miúdos a um preço bastante mais simpático do que as outras lojas. Comprámos uns conjuntos muito rock’r’roll, com jeans gastos, camisas de flanela e terminando num fabuloso casaco de cabedal que ele provavelmente nunca vai estir, mas enfim. Já não me divertia a comprar roupa para o Tiago desde que ele nasceu, porque os meus sogros adiantam-se sempre, e foi giro poder escolher umas peças mais modernaças para o miúdo.

Depois fomos comprar calças para nós. Eu entrei em guerra com a moda das calças de cintura descaà­da que deixei de poder usar pós-parto mas é incrà­velmente dificil encontrar modelos com uma cintura mais baixa, até nas lojas que sei que fazem esses modelos. A salsa, por exemplo, só vende calças de cintura mais subida no Corte Inglês. Aqui no fórum, nem vê-las, a não ser um novo modelo elástico que é suposto encolher a barriga (yeah, right). Acabo sempre na Levi’s, que finalmente passou a ter um stock mais completo do estilo do que tinhamos visto em NY há uns 6 ou 7 anos e que já permite escolher melhor o modelo que nos fica melhor. A única falha é não terem as alturas todas e ainda ser preciso fazer baà­nhas.

O Pedro comprou uns skinny jeans que acho que lhe ficam lindamente porque ele tem umas pernas fininhas e as calças normais direitas são largas demais para ele. Ainda não vi fora do provador porque tive que lavar tudo primeiro mas acho que ficam muito sexy 🙂

Quando chegámos ainda fui lavar roupa e à  noite só queria ler o meu livrinho – sempre comprei os livros do Twilight no fim de semana passado e já vou no Breaking Dawn. Não posso dizer que sejam fabulosos mas são certamente viciantes. Mesmo nas partes em que estou a pensar ‘está bem, já chega, vamos mas é andar com isto’, estou com vontade de saber o que acontece a seguir. Acabei por ficar a ler até perto das duas da manhã. Estava cansada mas não tinha sono e tive de me obrigar a apagar a luz e dormir.

Ontem passei a manhã a limpar e arrumar e durante a tarde fiz o mà­nimo possível, tentando descansar um bocado. O Tiago adormeceu no sofá à s 6 da tarde, como é costume, e nós aproveitámos para ver o filme do Wolverine. Não achei grande coisa – demasiados clichés e umas cenas de tiros e perseguições que me deram sono. O actor safa-se bem e tem o aspecto certo mas a história não ajuda. Não conheço grande coisa dos comics mas por acaso até tinha lido o Weapon X e, apesar de não ter gostado do fim, com aquela coisa do ‘foi tudo um sonho’, acho que o livro consegue ter mais suspense do que o filme inteiro.

A pedalar

Hoje vi o Tiago pedalar o triciclo pela primeira vez sem qualquer problema. Já andava a ensaiar há algum tempo mas só conseguia pedalar para trás. Consegui filmar um bocadinho e o coitado estava no nosso hall, que tem pouco espaço, por isso também não conseguia ir muito longe. No fim de semana, se não chover, vamos ter de levar o triciclo para ele dar uma volta.