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Sábado

Acordei à s oito da manhã novamente e fui espreitar o gato preto. Como a fralda estava toda molhada tive de a mudar e aproveitei para lhe por as gotas nos olhos e ligar o ar condicionado porque estava um bocado de frio no quarto e o saco de água quente já tinha arrefecido.
Depois fui buscar um cobertor para ele ter onde se encostar sem ser só o plástico frio da caixa e coloqueio-no no fundo, com a toalha por cima e a nova fralda no topo. Por volta das onze horas dei-lhe o comprimido e fui buscar comida de lata porque me pareceu que ele só comia duas ou três bolinhas de ração de cada vez e fiquei com receio que tenha dificuldades em mastigar. Devorou a comida de lata.
Entretanto a Dra Ana ligou do vet a dizer que a análise da toxoplasmose chegou e está negativa. Menos uma preocupação.
Há hora de almoço ele começou a ficar inquieto e a tentar por-se de pé por isso tirei a comida e coloquei a caixa das pedras na transportadora. Ele acabou por usar as pedras e quando o fui limpar reparei que tinha um bocadinho de sangue nas fezes. Liguei para o vet mas a Dra Ana disse que podia ser só uma inflamação do colon e que não seria grave. Como ele já está a tomar antibiótico por causa da infecção urinária deve ajudar o novo problema também. Esperemos que sim.
Resolvemos sair um bocado e tentar encontrar uma transportadora maior para podermos ter tudo lá dentro sem retirar demasiado espaço ao bicho. Infelizmente as caixas maiores só por encomenda e não fiquei suficientemente convencida que seja grande o suficiente, mesmo assim.
Almoçámos no fórum e comprámos mais umas coisinhas que se tinham acabado entretanto.
Quando chegámos a casa a fralda tinha novamente urina com sangue mas de resto o gato parece estar bem. Desde que possa estar ao fundo da caixa com a tampa no sí­tio até se farta de ronronar.
Sentei-me no meu local de vigia, em frente à  caixa para poder ir observando o seu comportamento, mas ele deitou-se a dormir simplesmente.

É suposto melhorar durante os próximos dias, por isso vamos ver como correm as coisas.

Análises e mais uma corrida ao vet

Acordei cedo e fui espreitar o gato. Continuava deitado nas pedras, tal como na noite anterior, por isso resolvi fazer uma experiência – passei-o para o fundo da caixa e puxei as pedras para junto da porta. Ele manteve-se no fundo, o que quer dizer que é a zona da caixa que ele quer e não as pedras.
A desvantagem desta arrumação é que a água, que está presa na porta, tem de ficar mais alta e tenho receio que ele não chegue lá.
Depois de almoço, quando o fui ver novamente, confirmei que tinha razão. Ele estava deitado de lado, meio em cima das pedras e meio fora e quando lhe coloquei a água à  frente fartou-se de beber.
Depois fui acordar o Pedro que me levou à  clà­nica para fazer a análise mensal. Voltámos cheios de fome e vi o filme Transamerica ao pequeno almoço. É um drama com personagens interessantes e algum sentido de humor e consegue não ser lamechas. Não o colocava na lista dos favoritos mas gostei de ver.

Tinha uma encomenda para enviar por isso estive a emitir a factura e depois fui aos correios. Depois fomos devolver a transportadora que nos tinham emprestado para trazer o gato para casa e aproveitei para fazer umas perguntas, nomeadamente pelas gotas para os olhos, já que ele continua rameloso. Eles deram-nos o frasco que usaram durante o internamento que é para usar 3 vezes por dia.

Ao fim do dia o Pedro foi para o ginásio e eu fiquei sentada em frente à  transportadora a observar o gato. Ele ainda não está muito à  vontade mas vou-lhe fazendo festinhas de vez em quando para ele se habituar a mim e acaba por começar a ronronar.
Desta vez reparei que ele estava a urinar à s pinguinhas e durante muito tempo. Liguei para o veterinário a perguntar se isso seria preocupante e ele disse que provavelmente seria uma infecção urinária e perguntou se tinha sangue na urina, que não tinha. Sugeriu-me que tentasse apalpar a barriga para tentar perceber se a bexiga estaria distendida mas não consegui perceber. Só que achei que sendo uma infecção urinária se deveria fazer qualquer coisa em vez de esperar que piore.
Ainda esperei uma meia hora mas acabei por ir ao ginásio buscar o coitado do Pedro para chegarmos ao veterinário antes de fechar.
Quando regressei a casa com o Pedro e fomos mudar o gato para a transportadora mais pequena, a fralda já estava toda molhada novamente e desta vez com sangue.
Quando chegámos ao vet já tinha saà­do um coágulo e tudo. O Dr Pedro deu-nos uns comprimidos de antibiótico e voltámos para casa. Por esta altura estava a chover a sério.
Ainda esperámos um bocado antes de lhe dar o comprimido, para ser a uma hora que dê jeito tanto de manhã como à  noite, mesmo naqueles dias em que apetece acordar um bocadinho mais tarde. Ainda temi que fosse complicado dar-lhe o comprimido, por ele não nos conhecer, mas o gatinho é amoroso e não se queixa nem tenta morder. É mesmo um bicho meiguinho.

Star Wars e gato preto

O Pedro tem mais umas mini-férias, por isso fomos ao museu da electricidade ver a exposição do Star Wars. Achei gira a mistura entre a exposição permanente do museu e a exposição temporária e andámos a saltar entre uma e outra ao longo do percurso. Uma vez que não sabiamos que se podia tirar fotos lá dentro, não levámos máquina mas tirámos umas fotos com o telefone. É a vantagem das novas tecnologias.
Gostei particularmente da placa do Han Solo congelado e do C-3PO e R2. O Darth Vader ouvia-se à  distância mas estava em cima de um pedestal um bocado alto para de ver em pormenor.
Para além dos fatos e naves a exposição tem também uma série de desenhos e pinturas originais que vale a pena ver com atenção, apesar da maior parte das pessoas as ignorar completamente. As pinturas que são usadas como fundo em algumas cenas (chamadas matte paintings) são particularmente interessantes porque parecem fotografias a partir de uma certa distância mas quando nos aproximamos reparamos que nem têm tanto pormenor como parecia à  primeira vista. É muito mais importante o jogo de luz e sombras do que o pormenor das janelas, etc. Só é pena que tenhas colocado estas pinturas atrás de vidros altamente reflectores já que, como o próprio nome da coisa indica, é suposto serem superficies mate.

Quando regressámos de Lisboa passámos no vet para ver como estava o gato e disseram-nos que o podiamos levar para casa. Deram-nos um anti-inflamatório para começar no domingo porque os gatos não devem tomar esta mediação muitos dias de seguida e convinha deixá-lo em paz uns dias. Emprestaram-nos uma transportadora, tiraram-lhe o soro e lá veio ele ao meu colo para casa.
Colocámos na transportadora uma toalha coberta com uma espécie de grande fralda/tapete absorvente, comida e água. O caixote que tinhamos comprado para as pedras é que era muito grande por isso o Pedro saiu para comprar uma coisa mais pequena.
O bicho parece um bocado desonfiado mas não é minimamente agressivo. Fica tenso quando lhe toco mas não tem mais nenhuma reacção. Se fosse agressivo ia ser muito mais complicado tratar dele.

Depois de colocarmos as pedras dentro da transportadora, ao fundo da caixa, reparei que ele insistia em ir para lá. O Pedro disse para não me preocupar porque o Jones também costuma ir dormir para as pedras, quando se muda o caixote. Mas sinceramnete parace-me que aquilo deve ser um bocado desconfortável e frio. Mas deixei-o estar. De qualquer forma colocámos um saco de água quente dentro da caixa para ajudar a manter uma temperatura decente.

Dada a inspiração Star Wars do dia, Vader também não era um mau nome.

O gato preto

Hoje de manhã fiz uma lista bastante longa de coisas a fazer. Comecei por fazer uns brincos para uma encomenda, recolhi roupa para dobrar, comecei o album de fotos, e depois preparei-me para sair para comprar material necessário à s tarefas seguintes.

Meti umas cartas no correio e um pouco mais acima na rua vi um gato preto a miar. Achei que ele estava a miar de forma algo insistente e por isso cometi o grave erro de tentar perceber o que se passava. Quando alguém passou um pouco mais perto ele assustou-se e tentou fugir e vi que tinha uma pata partida. Fiquei bastante perturbada porque nesse momento soube perfeitamente que não era capaz de me ir embora e deixar ali o bicho naquele estado. Ainda o tentei agarrar mas ele estava muito assustado e mordeu-me. Como entretanto tinha fugido para um canto, fui a correr a casa buscar uma caixa de transporte e voltei. Um senhor que ia a passar ficou lá para ter a certeza que o bicho não desaparecia.

Depois de mais umas dentadas, apesar das luvas de jardinagem, lá consegui enfiá-lo na caixa e levei-o ao vet. Fizeram raio-x e enfiaram-lhe um cone no pescoço para ver se ele não mordia mais ninguém. Aproveitei para lavar as mãos e desinfectar as feridas para evitar que a situação se complique.

Depois de esperar bastante tempo, a veterinária mostrou o RX e disse que o mais provavel era o gato ter de ser operado. Escreveu uma cartinha e mandou-me para outro veterinário onde fazem cirurgias, que por acaso era onde costumávamos levar os gatos quando viviamos na cova da piedade.

Tive de me acalmar e ganhar coragem para conduzir, mas como era uma emegência, fui a casa buscar a chave do carro e conduzi até ao veterinário. Deram um analgesico ao bicho e colocaram-no a soro e voltaram a fazer RX e fizeram também os testes do HIV e Leucose, que deram negativo e tiraram sangue para análise de anti-corpos de toxoplasmose da qual terei os resultados amanhã. Confirmaram a fractura e que aparentemente não havia mais danos internos e o bicho ficou lá para observação até chegar outro vet, especialista em cirurgias ortopédicas.

Quando voltei para o carro estava entalada. Tinha dois carros atrás de mim. Um tinha o condutor lá dentro e recuou e saà­ mesmo a rasar o outro. Detesto a parte do estacionamento porque sou completamente azelha a fazer manobras. Mas pronto. Não bati em ninguém e isso é que interessa.

Quando cheguei foi outro problema para arranjar lugar mas o smart tem algumas vantagens e meti o carro num sí­tio onde não cabia mais nenhum.

Pouco depois ligaram do vet a dizer que afinal acham que não é caso para cirurgia e que é apenas uma questão do bicho ficar em repouso uns 3 meses até aquilo se curar sozinho. Ainda perguntei se iam por gesso ou algo do estilo mas disseram que não. Acho que não vai ser fácil mas depois disto tudo só posso tentar. O gato ainda fica lá sob observação até amanhã.

Entretanto, e porque aquele tipo de fractura parece mais consistente com uma queda do que com um atropelamento, há a possibilidade do gato ser de alguém da zona e ter caà­do da janela. Já imprimi uns cartazes para espalhar por aà­ para o caso do bicho pertencer a alguém. Não que seja um grande drama ficar com mais um gato, mas seis já é um bocado e se fosse o meu gato e tivesse caà­do, gostava de saber. Pode parecer falta de cuidado, deixar uma janela aberta com um gato em casa, mas como já nos aconteceu e até somos bastante cuidadosos, não consigo julgar as pessoas sem conhecer as circunstâncias.

Agora é esperar para ver se alguém responde ou se é mesmo um gato de rua e nesse caso lá vamos nós ficar com ele. Um gato preto no Halloween até é apropriado. Estava a pensar chamar-lhe Lucifer.

Doente e sem rede

Desde que cheguei da viagem que estou doente. Não é nada de grave – uma vulgar constipação – mas não me tenho sentido com vontade de fazer grande coisa e a ‘to do list’ tem vindo a aumentar. O máximo que tenho feito é lavar roupa.
Hoje tive uma encomenda de uma série de colares e brincos por isso estive a fazer uns quantos, mas mesmo a fazer coisas tão simples fico cansada rapidamente. Isto de não conseguir respirar é mesmo muito chato.
Para piorar a situação, há duas semanas que não temos uma ligação de internet de jeito. Já telefonámos e enviámos email para o apoio técnico uma série de vezes e as únicas respostas que obtemos é que fizeram testes e não detectaram anomalias, seguido de conselhos para pessoas estúpidas. Quando se diz que o problema continua na mesma têm a lata de responder que consideram esse assunto encerrado. Que raio de apoio técnico é este afinal? Estou a ficar brutalmente farta destes gajos.

É claro que há uma série de questões que podem ter causado o problema – faltou a luz e o cabo também pifou nessa altura, estão a fazer obras na rua para mudar o sí­tio por onde passam os canos da água e podem também andar a mexer no cabo (acho que estão mesmo a mudar as canalizações de sí­tio por causa do metro) e finalmente estão a fazer alterações para aumentar a largura de banda. Mas no mà­nimo podiam assumir qualquer responsabilidade pelas falhas no serviço em vez de se limitarem a dizer que não sabem de nada e chamar estupidos aos clientes. Mas estamos em Portugal e enquanto não começar alguém a processar estes gajos e a exigir de volta o dinheiro do tempo em que esteve sem serviço isto não vai a lado nenhum.
E pronto. Isto tudo quer dizer que não consigo adicionar produtos novos à  loja e tive que escrever o diário num processador de texto à  espera de melhores dias.
Entretanto vou imprimindo as fotos da viagem para ver se faço o álbum. Sempre dá para entreter.

Visita a Praga

Quinta feira passada, dia 19 de Outubro, viajámos até Praga. A viagem foi patrocinada pelos meus sogros que foram connosco, assim como a irmã do Pedro e o Filipe. Acordámos à s 4 da manhã e apanhámos taxis para o aeroporto. Os aeroportos são uma seca cada vez maior e perde-se imenso tempo no check-in e depois nos detectores de metais. No fim disso tudo entrámos na zona de embarque já à  hora mas ainda fomos comer antes de entrar para o avião.

Depois foi a corida final até à  porta de embarque que, como sempre, era das últimas, não sei quantos corredores à  frente.
Acabou por haver alguma confusão com os lugares porque uma das empregadas do aeroporto resolveu convencer-nos a usar uma máquina para fazer o check-in e fez montes de confusões – um dos cartões não funcionou e esqueceu-se de outra pessoa o que quer dizer que foi metade na máquina e metade no balcão. Como se queria armar em esperta ainda por cima não colocou os lugares todos seguidos – a ideia era deixar lugares vagos no meio para os que ficaram de fora só que entretanto os lugares foram preenchidos por outras pessoas à  mesma.

Enfim. Foi só pequenas confusões do estilo.
Finalmente entrámos no avião e seguimos viagem. A comida era intragável e na fila de trás estavam 3 tipos que não se calaram um único segundo durante toda a viagem. Só ouvia falar em máquinas para aqui e a produção para ali. Como única forma de vingança possível, e arrependendo-me de ter posto os ear plugs na mala, recostei o banco numa vã tentativa de os incomodar um bocado de volta. Acho que falhei.
Chegámos a Frankfurt mais ou menos à  hora, mas aconteceu uma coisa estranha – o avião estava a aterrar, chegou a tocar com a roda no chão mas voltou a levantar. Aparentemente ao último segundo recebeu a informação que a pista ainda estava ocupada e teve de dar umas voltas no ar até poder aterrar finalmente. Com o atraso mais o autocarro e a distância a que o avião ficou do terminal, tivemos que correr para chegar ao voo seguinte minimamente a horas e fomos quase dos últimos.
Por esta altura eu estava aflita para ir à  casa de banho e estava toda a gente cheia de fome.
Chegámos a Praga por volta das 4 da tarde. Fomos trocar algum dinheiro enquanto esperavamos pelas malas e depois apanhámos transporte para o hotel. O hotel chama-se Yasmin e é bastante recente e com uma decoração moderna. Os quartos eram muito simpáticos e a casa de banho era forrada a azulejo preto e com o lavatório e sanita suspensos.
Depois de largar as malas fomos almoçar ao McDonalds, já que era perto e rápido. Depois demos uma volta pela cidade até ao por do sol. Como o hotel era bastante central passámos por grande parte dos monumentos neste primeiro dia. Na praça da Torre do relógio esperámos pela hora certa para ver aquilo mexer, mas sinceramente não posso dizer que seja muito interessante.

Sexta feira foi o dia mais cansativo, especialmente para uma grávida no quarto mês.
Começámos a manhã a subir a uma das torres da ponte D. Carlos e depois subimos até ao castelo pelas escadas novas. Assim que vi a quantidade de degraus fiquei imediatamente cansada, mas lá consegui subir aquilo tudo. Vimos a catedral e o palácio e passámos no bairro dos alquimistas que é agora uma colecção de pequenas lojas e estava cheio de gente mas tinha uma exposição de armaduras muito gira.
Depois descemos pelos degraus antigos. Atravessámos o rio e fomos almoçar a um restaurante com umas pizzas muito boas feitas em forno de lenha e durante a tarde visitámos o bairro judeu – o antigo cemitério e as várias sinagogas que tinham alguma informação interessante, principalmente para quem sempre viveu num paà­s primordialmente católico e não teve grande contacto com outras religiões.
Reparei também que esta é obviamente a zona rica da cidade, onde estão grande parte das lojas de marcas caras.
Ao fim do dia fomos até à  praça da torre do relógio e depois passámos numas gift shops para começar a procura dos obrigatórios presentes para a famà­lia.

No sábado fomos subir outra vez. Eu estava completamente destruida. Doia-me o corpo todo e mal conseguia manter os olhos abertos. Foi o dia mais incómodo.
Voltámos a atravessar o rio e apanhámos o comboio/teleférico que sobe até à  torre. A torre é uma espécie de Torre Eiffel checa e deve ter uma vista óptima num dia de sol. Mas o dia estava cinzento e nublado e eu só consegui subir até à  primeira plataforma de qualquer forma.
Depois fomos ao labirinto de espelhos. No final tinha uma sala com aqueles espelhos que deformam, mas assim que entrámos a sala foi invadida por um grupo de italianos imbecis que desataram a meter-se à  frente de toda a gente e tomaram conta daquilo enquanto riam histericamente como se nunca se tivessem visto nada tão divertido na vida. Uma gaja gritava pela Rita enquanto outra, baixa e gorda se divertia em frente ao espelho que a fazia ainda mais baixa e gorda. Ainda tentámos esperar que dessem a volta, mas tornou-se tão insuportável que preferimos sair. Estava com vontade de os atacar à  saà­da com um caixote de lixo de metal mas o Pedro não deixou.

Como nos apercebemos rapidamente, a verdadeira praga de Praga são os grupos de turistas. Os que andam aos pares ou em famà­lia não chateiam, mas quando uma rua é invadida por um grupo de 30 gajos que acham que aquilo é tudo deles torna-se impossivel andar ou fazer seja o que for. Seria uma questão de encostar à  parede e esperar que a manada de búfalos passasse só que há sempre mais um grupo, e depois mais outro.
à€ noite apanhámos dois grupos a avançar um em direcção ao outro. Até parecia que iam desatar à  porrada, até porque a guia de cada grupo tinha no ar um bastão com fitinha coloridas, tipo bandeirolas medievais. Mas não. Limitaram-se a passar. Foi verdadeiramente decepcionante.

No sábado à  tarde, e como até estava um dia de chuva, fomos assistir a um concerto de um quarteto de cordas. Uma das coisas giras da cidade é o facto de haver músicos por todo o lado e concertos todos os dias. Depois do concerto demos mais uma volta pela cidade à  procura de sí­tio para comer, antes de voltar ao hotel.

No domingo já me sentia um pouco menos cansada e deu para ver finalmente com um pouco mais de tempo todos os monumentos que tinhamos visto só a correr até então. Demos a volta à  igreja, fizemos um passeio ao longo do rio, subimos à  torre do relógio e ainda passámos por um mercado de rua onde o Pedro comprou as últimas prendas para os amigos e fomos almoçar. De tarde atravessámos o rio e voltámos a subir a outra margem para ir visitar um miradouro com um metrónomo gigante e um edificio pequeno mas muito giro, transformado em restaurante. Como o tempo estava excelente, com o ceu azul, ao contrário dos dias anteriores, as fotos que tirámos deste miradouro acabaram por ser as melhores em termos de vista da cidade. Foi cansativo mas até valeu a pena.

Depois regressámos ao hotel onde apanhámos transporte para o aeroporto. Pelo caminho passámos por um edificio que tinhamos até aà­ tentado encontrar sem grande sucesso o que completou o check-list de coisas a ver na cidade. A viagem de regresso foi cansativa, especialmente porque voltámos a ter que correr para apanhar o segundo avião. No aeroporto de Frankfurt meteu-se gente a mais no elevador e aquilo não fechava as portas. A última senhora a entrar armou fita e recusou-se a sair e quem acabou por sair foi um tipo altamente obeso que basicamente valia por dois, o que fez com que o elevador já subisse.

A aterragem em Lisboa foi complicada por causa do mau tempo e a certo ponto até se acenderam as luzes de emergência. Mas acabámos por aterrar e apanhar um taxi para casa.

Continua a fazer-me confusão a necessidade que os taxistas têm em meter conversa com as pessoas, mas este até nem foi muito mau.
Chegámos a casa por volta da uma da manhã e ainda estive a desfazer as malas para verificar se estava tudo inteiro antes de ir para a cama.
Os gatinhos estavam todos a precisar de uma grande dose de mimos mas de resto estavam bem, graças aos meus pais que andaram estes dias a vir alimentá-los e passar algum tempo com eles.

Psycho kitty

Gosto muito de gatos. São bonitos e fofinhos, tirando as cinco extremidades afiadas, e têm todos personalidades diferentes. E nem sempre gostam de nós. Precisamos de conquistar a sua confiança e afecto e isso parece-me muito mais real e interessante do que um bicho que me adora só porque tenho a capacidade de abrir o frigorà­fico. Não que os gatos não adorem essa capacidade também, mas não se confunde isso com a adoração dos humanos associados ao acto.

Tenho duas gatas de 5 ou 6 meses e ainda estou a habituar-me a elas. Apesar de serem irmãs são completamente diferentes uma da outra e cada semana desenvolvem uma mania nova. Como são duas e funcionam sempre em equipa, são duplamente destruidoras.

Começaram por roer diversos fios eléctricos (da minha depiladora, do aspirador portátil, etc), depois passaram a atacar rolos de papel higiénico que ficam a parecer aqueles cartões perfurados dos anos 70. Descobriram que a torneira da banheira está a pingar e fazem grandes corridas de e para a casa de banho, para ir dar umas patadinhas nas gotas de água, deitando tudo ao chão pelo caminho. A Buffy descobriu que já chegava aos wind chimes que temos por cima da mesa da sala e passou a dar patadas no peso central para fazer aquilo tocar. Isto de forma contà­nua e insistente até eu me fartar e dar um nó no fio para deixar de estar ao alcance. Passou então à  nova mania: roubar sacos de plástico do supermercado, daqueles que fazem montes de barulho quando se amarrotam, e destruà­-los até estarem irreconhecà­veis. É impossível não sorrir quando a vejo passar com um saco enorme na boca, com um ar muito apressado. A nikita, por outro lado, vai para o tapete da casa de banho miar a pedir festas e ronrona enquanto se rebola. No resto da casa não me deixa tocar-lhe. Prefere a companhia dos outros gatos à  companhia dos humanos.

Os gatos adultos também têm as suas manias, mas essas já as conheço e consigo geralmente evitar as mais irritantes. Poe exemplo o Jones gosta de beber água no bidé e por isso vai sempre comigo para a casa de banho. A Scully e a Buffy também já aprenderam o truque. A Scully tem uma mania muito irritante que é abrir a gaveta da minha mesa de cabeceira e roubar collants que espalha pela casa. Normalmente temos a porta do quarto fechada, até porque as alergias do Pedro não se dão bem com uma cama coberta de pelo de gato, mas de vez em quando consegue escapar-se e volta ao ataque. à€s vezes passam anos, ao ponto de eu acreditar que ela já se esqueceu e um dia volta a fazer o mesmo.

Aquilo que todos têm em comum são as corridas descontroladas a partir das dez da noite. Psycho kitty hour.

Por tudo isso não me espantei com o và­deo que o Pedro me mostrou ontem de um gato que aprendeu como é divertido puxar o autoclismo para ver a água a escorrer na sanita. Só espero que os nossos não descubram isso senão estamos lixados. Até agora ainda não descobriram como abrir as torneiras, por isso acho que estamos seguros. Mas não têm problemas a abrir portas encostadas, independentemente do lado da porta em que estão, o que já me causa algum desconforto. Passo o tempo a ter de confirmar se as portas ficaram bem fechadas – da dispensa para a Buffy não roubar sacos, do escritório para não roerem os cabos, da casa de banho para não destruirem o papel higiénico… enfim.

O Pedro anda a sentir-se tentado a ensinar os gatos a usar a sanita. O meu problema é que já sei que há sempre um que acha mais piada enfiar pata para ver a água mexer, razão pela qual temos sempre a tampa fechada. Pelo menos sinto que já tenho alguma preparação preliminar no que diz respeito a criar uma casa ‘child safe’.

Full clean-up mode

Hoje acordei com uma vontade irresistà­vel de limpar a casa. Suponho que é o instinto de ninho a entrar em acção.

Tenho passado o dia a vazar gavetas e a deitar coisas fora. Infelizmente acumula-se porcaria a mais numa casa, mas com um bocadinho de paciência tenciono encher muitos sacos de lixo e tentar abrir algum espaço bem necessário para a porcaria nova que vou acumular nos próximos tempos.

We have too much stuff.

The week so far

Segunda feira passei o dia rodeada de papeis. Sonhei com o que tinha de ir fazer de manhã, o que é a pior forma de acordar. Quando me levantei já estava cansada, depois de ter passado a última hora a imaginar todas as coisas irritantes que me iam acontecer nas finanças por me ter esquecido de um papel ou algo do estilo. Se perder tempo em repartições já é uma seca, sonhar com isso é muito pior. Fui então à s finanças, e desta vez, como tinha os papeis todos em ordem, até foi rápido. Depois fui levantar o resultado de análises e passei o resto do dia organizar a contabilidade do trimestre. Tinha mais coisas para tratar mas demorei tanto tempo com esta última tarefa que já não consegui fazer mais nada. Quando o Pedro chegou do trabalho ainda estava de volta da papelada.

Na terça feira estava de rastos, principalmente graças à  voltinha relativamente simples que dei para ir buscar as análises. Foram 40 minutos, sendo os primeiros 20 sempre a subir e normalmente faria aquilo nas calmas. Mas à s 14 semanas e com uns quilinhos a mais já custa. No próprio dia fico razoavelmente bem mas no dia seguinte conseguia dormir 20 horas de seguida.
Só que não queria sentir-me demasiado preguiçosa por isso fui para a sala fazer bonecos. Acabei duas borboletas, porque já não tinha nenhuma, e fiz finalmente a ovelha, que ficou muito gira. Agora tenho que fotografar as coisas novas, porque também tenho mais uns brincos. Espero ter paciência ainda esta semana.

Hoje fui finalmente tratar das outras tarefas como pagar a garageme e o pagamento especial por conta e comprar mais anti-ácido. Já não tenho tantos enjoos mas passei imediatamente para a azia constante, que da outra vez foi só no final da gravidez. Não posso comer pão, massa, iogurtes, laranjas, etc, que fico imediatamente com o està´mago a arder. Entretanto tenho o frigorifico cheio de waffles que fiz no fim de semana – comprámos uma máquina de waffles – e fico com dor de està´mago só de olhar para eles. E eu que até gosto tanto daquilo.

Como também tenho o nariz permanentemente entupido, graças ao aumento de volume de sangue (também tenho as veias altamente visiveis – pareço a Willow no final da season 6 da Buffy).

Mas sinceramente, desde que corra tudo bem estes pequenos desconfortos aguentam-se nas calmas.

Com a gravidez parece ir tudo bem até agora. Já tive o resultado do rastreio e desta vez não vai ser preciso fazer a amniocentese. É bom que alguma coisa seja diferente. Acho que começo a sentir-me ligeiramente mais confiante, especialmente agora que consigo ouvir o batimento cardà­aco do bebé sempre que queira. É bom para aqueles dias em que me sinto mais insegura, mas tento não exagerar porque não quero alimentar a minha própria ansiedade.

Lady in the water

Fui ontem ver o novo filme do Shyamalan. Quem não viu o filme e não quer saber nada é melhor saltar o post.

Ultimamente há muito poucos filmes que me façam sentir vontade de ir ao cinema, mas até agora gostei de todos os filmes dele e estava há espera deste há bastante tempo. Fui portanto com a expectativa de ver um bom filme mas também com alguma apreensão. Não há nada pior do que gostar de uma coisa e de repente ter uma grande decepção.
Mas felizmente ainda não foi desta que fiquei decepcionada com o realizador. Adorei o filme. O ambiente é tà­pico, obscuro e misterioso, a história é gira e com suficientes twists para nos manter interessados mas sem aquela coisa do final twist ser tão importante que estraga um bocado a experiência de ver o filme pela segunda vez, como acontece com o Sixth Sense.

A história desta vez abrange o universo da fantasia, tal como o Signs era sobre extraterrestres e o Unbreakable sobre banda desenhada, mas sempre com uma visão pessoal do tema que é o que torna os filmes interessantes.

O realizador deu a si próprio um papel bastante maior do que nos filmes anteriores, mas nem se safa mal como actor, tirando alguma falta de expressão.

Também gostei da forma como está filmado o aparecimento da águia porque é muito mais subtil assim do que uma cena filmada normalmente recorrendo a efeitos especiais que podiam ficar muito ranhosos.

E percebe-se perfeitamente porque é que os crà­ticos não gostaram do filme 🙂

Cansada

Ontem à  tarde fui a Lisboa passar a tarde com a Carla e andámos à s voltas pela baixa durante horas. Hoje acordei completamente partida, como se tivesse passado o dia anterior no ginásio. É uma junção de factores. Por um lado estou obviamente em baixo de forma, mas geralmente andar duas ou três horas não me custa nada. Só que a gravidez também reduz bastante o nà­vel de energia e aumenta a temperatura corporal, por isso farto-me de suar e fico desidratada mais depressa. E em cima disso ando há dias chei de dores no pescoço e no ombro direito ao ponto de não conseguir virar a cabeça. Passar um dia inteiro fora de casa com esta tensão involuntária nos ombros, ainda por cima a carregar sacos, não ajudou nada.

Por isso hoje acordei a sentir-me extremamente cansada e a desejar mais umas horinhas de sono, mas como começou à s oito e meia o som de uma serra eléctrica na casa do lado, dormir tornou-se uma impossibilidade. Normalmente o que faço é colocar tampões nos ouvidos e ignorar, mas como estava à  espera de uma entrega a partir das dez, tinha receio de adormecer e não acordar a tempo ou ouvir a campainha. Por isso levantei-me e fui arrumar a casa, sentindo que esta semana estou a viver ao lado de uma serração.

Mesmo assim é melhor que o monstro assobiante, que é um gajo que passa o tempo a assobiar o mesmo loop de três ou quatro notas, horas a fio e que me acorda o instinto mais violento que alguma vez tive.

E o pior é que não são só os tipos das obras. Os nossos novos vizinhos são uns labregos e fazem tanto barulho como os gajos que contrataram. E têm a mesma incapacidade de utilizar uma porta – não são capazes de fechar a porta porque têm medo de não a conseguir abrir outra vez, coitados. Preferem então passar o tempo aos berros, alegremente, com um eco brutal na escada. O Pedro já teve que ir lá gritar com eles um destes fins de semana. É claro que foi completamente ignorado, como seria de esperar de gente sem um pingo de consideração pelas pobres criaturas que têm o azar de viver num raio de 20 km de suas altezas. à€s vezes tenho pena que matar vizinhos seja considerado crime. Devia andar mais a par com exterminar baratas. É uma questão territorial. Acho que os seres humanos não foram feitos para viver tão perto uns dos outros.

Vivemos numa burocracia

Eu farto-me de ver nas finanças e conservatórias cartazes a anunciar que agora as coisas estão mais fáceis e que a burocracia está a acabar mas na realidade não vejo nada disso. Muito pelo contrário.

Tivemos de fazer uma alteração ao objecto social da empresa. A teoria é que agora á mais fácil porque basta fazer uma acta com as alterações e já não é necessario fazer escritura. Na verdade poupa-se algum dinheiro saltando por cima da escritura, mas por outro lado o registo está mais caro e continua a ser preciso pedir um papel chamado Certificado de Admissibilidade o que faz com que a suposta rapidez de acção seja só conversa.

Para tornar as coisas ainda mais interessantes, mudaram o impresso que é preciso entregar com os documentos, de forma a ter a certeza que as pessoas vão perder tempo à  conservatória duas vezes – uma para ir buscar o papel (e é preciso tirar senha e esperar a vez mesmo só para isso, pelo menos em Almada) e só depois para entregar.

Se for o sócio gerente a fazer isto tudo é mais simples, mas se não for, como deve acontecer muitas vezes, e uma vez que é a única assinatutra aceite no impresso, é preciso também fotocópia do BI para confirmar a assinatura.

Esta coisa da fotocópia do BI é algo que não compreendo. Tenho a escritura da empresa, cujas assinaturas foram presenciadas por elementos da conservatória, e cuja folha leva um selo branco e tudo, tenho a acta certificada com a mesma assinatura e eles só querem comparar a assinatura com uma fotocópia do BI que foi simplesmente feita na impressora cá de casa e até podia ser alterada no Photoshop se fosse preciso. Não faz sentido nenhum.

Mas enfim, lá consegui entregar os documentos, apesar de um engano no preenchimento do impresso – onde dizia nº matricula eles querem é o número de contribuinte. Porque é que não dizem logo? É que também existe um número de matrà­cula e assim só confunde.

O melhor nisto é que agora só vejo a cor ao registo daqui a 4 meses, com sorte.

Como sou optimista, fui de seguida à s finanças para tentar, com a acta e o recibo do registo, proceder à s alterações que também é preciso fazer aà­. Mas se na conservatória só querem falar com o sócio gerente, nas finanças só querem falar com o contabilista. Por isso, e apesar de ter de facto os documentos necessários, mandaram-me comprar um impresso de alterações em duplicado a ser preenchido e entregue pelo contabilista. Lá vou eu chatear mais uma pessoa e perder mais uma manhã. Afinal onde é que está a simplicidade? Sinceramente não vejo nada.

Se considerarmos que comecei a manhã a tirar sangue para análises antes de enfrentar esta treta toda percebe-se que já não estava com muita paciência. Mas estranhamente, e por mais que eu deteste agulhas, acaba por ser mais agradável fazer isso do que lidar com serviços públicos. Pelo menos sei que não me mandam voltar no dia seguinte com um requerimento em triplicado.