Passadas duas semanas

Nunca mais tive tempo para escrever. O tempo vai passando e a casa continua uma confusão. Estou cada vez mais cansada e sem sentir que isto vá acalmar tão cedo.

Os dias são passados a tentar arrumar o que posso, a acalmar a Joana que não consegue dormir com o barulho das obras e a fazer listas infindáveis de tudo o que ainda falta – onde é que preciso de alterar a morada, que documentos preciso para cancelar contratos da casa nova, etc. Vou fazendo as coisas aos poucos e fico muito feliz quando consigo riscar algo da lista ou espalmar uma caixa vazia.

Pelo meio a Joana fez 3 meses e nem teve direito a um post celebratório, o que acho uma barbaridade. Felizmente é uma bebé dorminhoca e se conseguisse descansar até me dava bastante tempo livre. Infelizmente só consigo que ela durma ao colo porque salta a cada martelada. A única vantagem de lidar com uma bebé pequena, mudar de casa e estar em obras é que estou farta de perder pesso. Ao fim de 3 meses depois do parto peso menos do que antes de engravidar. Não há duvida que é um grande exercí­cio.

As confusões com os vizinhos mantêm-se. De manhã fui ao banco mudar a morada das contas e seguros e passei o tempo a atender telefonemas sobre o isolamento da junção dos prédios e a questão do algeroz. A tapa-isola dizia que não vinha enquanto o tubo não fosse desmontado e tive de pedir ao Sr. Augusto para falar com eles directamente para resolver o problema. Eu compreendo que eles não queiram fazer um trabalho sem saber quem o paga mas também estão a fazer uma tempestade num copo de água por causa de um tubo de plástico.

Era então suposto desmontarem o algeroz hoje mas apareceu um homem da Tapa-isola à s duas da tarde, falou com o Sr. Augusto sobre aquilo, viu que não conseguia montar o rapel no terraço, foi-se embora e 3 horas depois ainda não tinha voltado. Tenho a impressão que ainda não é hoje.

Lá consegui finalmente acabar de organizar a contabilidade do trimestre passado e ir entregá-la. Agora ainda falta devolver a chave da garagem, cujo aluguer acaba esta semana, por a casa à  venda (sim, eu sei, isso já devia estar feito), e ir lá tirar umas buchas da parede, tapar buracos e eventualmente dar uma pintadela. Isto porque no sábado conseguimos finalmente acabar oficialmente a mudança. Com ajuda do meu pai e do seu jipe lá tirámos o resto das nossas tralhas da casa antiga e deixámos aquilo relativamente limpo e mostrável. Falta só lavar os vidros das marquises e fazer os tais arranjos cosméticos.

Na casa nova decidimos finalmente onde montar as estantes e por isso passei os últimos dois dias a desempacotar livros. Devo ter vazado umas 20 caixas e não parece ter feito diferença nenhuma à  confusão que vai por aqui.

O sotão está quase pronto. Já forraram o telhado, acabaram hoje de forrar o chão e agora é só dar uma pintura. Espero que daqui a umas duas semanas tenham acabado finalmente as obras.

Esta mudança vai andando devagarinho e ainda não me sinto em casa, em grande parte por ter sempre pessoas a entrar e a sair e pó por todo o lado que não desaparece por mais que limpe, mas acredito que daqui a um mês ou dois a coisa começa a ficar mais fácil.

E agora tenho que ir buscar o Tiago à  escola e passar a modo mamã.

O desafio da primeira semana

Passámos a ter que nos levantar mais cedo para estarmos prontos quando chegam os homens das obras à s 8 da manhã. Isso até é bom porque o Tiago estava sempre a chegar atrasado á escola ““ é suposto entrar à s 9 ““ e a educadora já se tinha queixado que isso interferia com as actividades da manhã.

O maior problema, mesmo assim, é com a Joana porque como as obras do sotão continuam a Joana não dorme com o barulho. Só consigo que ela durma sestas deitada no berço quando os homens saem para almoçar e quando finalmente se vão embora ao fim do dia. Mas por essa altura chega o Tiago, que não é propriamente silencioso, e é outra vez o mesmo problema.

Tive também a tarefa de convencer o empreiteiro que o algeroz não podia ficar por fora e que ele tinha de arranjar solução. Depois de muitos argumentos lá o consegui convencer a voltar a colocar o algeroz por cima da placa ““ é pior para nós mas pelo menos acaba com a guerra. O empreiteiro diz que o problema é que o algeroz devia ser mais inclinado do que ele consegue fazer lá em cima, o que pode causar entupimentos mais frequentes. Eu sei que ele tem razão nestas questões técnicas e que vamos voltar a ter problemas de futuro mas vai ser uma questão de sermos nós uns grandes chatos e esperar que o condominio resolva e pague os estragos futuros.

O Pedro ligou à  administradora do nosso prédio a dizer que estavamos a resolver o problema e eu tentei ligar à  administradora do prédio do lado que não atendeu. Voltou a ligar na terça de manhã e lá consegui falar com ela. Ainda vão enviar uma cartinha oficial a expor o problema, só para se protegerem e poderem dizer que nós fomos informados mas em pricà­pio a situação não irá piorar porque o algeroz interno começou a ser montado nesse mesmo dia. Acho que prefiro ter baldes espalhados pela casa do que vizinhos a chatear-me.

Estou extremamente cansada e nem consigo descansar nem consigo avançar o suficiente nas arrumações. Na terça à  tarde vieram montar o roupeiro e já comecei a vazar mais uma caixas, arrumando a roupa no sí­tio, mas sobra muita coisa porque ainda não decidimos onde colocar as estantes e estamos à  espera que o sotão fique pronto para o usar finalmente como arrecadação para todas aquelas coisas que não se usam diariamente.

Como exemplo do meu nà­vel de cansaço, na terça de manhã levámos a Joana à  consulta e afinal era só em Novembro. Só liguei ao dia do mês e ignorei o resto. O Pedro diz-me coisas e eu até estou a prestar atenção mas não fica nada registado na memória e o cansaço fà­sico, de passar dias e dias a carregar caixotes, é indiscrità­vel. O mais estranho é que à s 6 da manhã já estou completamente acordada e não consigo dormir mais. Go figure…

O dia seguinte

No domingo começou a arrumação. Os meus pais vieram ajudar a começar a dar ordem ao caos. O meu pai montou o berço da Joana e foi comprar uma anilha para ligara a máquina da loiça e a minha mãe esteve a lavar a cozinha (depois das mudanças já percebi que é muito dificil arrancar as mães da cozinha).

Por sorte o meu pai descobriu que os administradores do prédio do lado, que estão furiosos connosco por causa do algeroz que o empreiteiro montou na fachada, afinal são velhos amigos dos meus pais e conhecem-me desque que eu era bebé. Quando souberam que a dona da casa era eu e que de facto aquilo não tinha sido uma situação causada por nós de propósito e que não queriamos prejudicar ninguém, acho que se acalmaram um bocadinho e somos capazes de nos ter escapado a complicações legais por causa de uma coisa que não foi efectivamente decisão nossa.

Por um lado acho que a fita feita à  volta do algeroz é um bocado exagerada, por outro lado compreendo que não se podem fazer alterações ao exterior de um edifà­cio sem aprovação do condomà­nio (nem nós pensámos que o empreiteiro o fosse fazer). Enfim. Estivemos a pensar em alternativas que vou comunicar ao empreiteiro na segunda feira e depois falamos com os administradores dos dois prédios a ver se isto se resolve antes de começar a meter advogados.

Eu andei à  procura das caixas de copos, panos de loiça e brinquedos do Tiago e com ajuda do Pedro estive a lavar o chão da marquise que estava ainda coberto de tinta. Não acabámos mas conseguimos pelo menos lavar ao longo das paredes que vão ter móveis encostados para não ser preciso voltar a afastá-los.

Por fim voltámos à  casa antiga para ir buscar os últimos dois gatos que o Pedro não tinha ainda conseguido apanhar sozinho. A Buffy estava escondida atrás do rodapé dos móveis da cozinha e o House até me deixava aproximar para lhe fazer umas festinhas mas se o tentasse agarrar com duas mãos ele virava-se logo com unhas e dentes.

Depois de um esforço conjunto de condução de rebanho, lá conseguimos enfiar os gatos nas caixas. Felizmente o House estava mais assustado do que agressivo e consegui empurrá-lo para a caixa com uma mão sem ficar cortada à s tiras. Na casa nova escondeu-se atrás do frigorà­fico e dali não sai. Os 3 gatos mais velhos já passaram por uma mudança anterior e ajustaram-se depressa. Os outros é que nunca tinham saà­do daquela casa a não ser para ir ao veterinário e andam bastante mais nervosos. à€s vezes ainda penso ‘nem acredito que conseguimos trazer os gatos todos sem uma visita à s urgências’. Espero nunca mais ter de me mudar.

A primeira noite

Depois de ir toda a gente embora tivemos ainda alguns detalhes para resolver. Era preciso encontrar lençois para fazer as camas, o Pedro só conseguiu apanhar 3 dos 6 gatos e o mais grave, o Tiago dizia constantemente que queria ir para casa. O Pedro fez os possà­veis por ligar a TV para ele poder ver o Wall-E e começar a ter algum sentimento de normalidade mas fez várias viagens entre as duas casas e faltava sempre qualquer coisa.

O Tiago entrou num dos seus modos de teimosia e acabou por ir para a cama sem lavar dentes nem vestir a camisola do pijama. Felizmente estava tão cansado que adormeceu e dormiu a noite toda.

Quando finalmente consegui ir para a cama já não percebia bem como me aguentava de pé e também dormi que nem uma pedra. Quando foi preciso acordar para alimentar a Joana sentia-me pesada e demorou algum tempo até perceber o que se estava a passar.

A primeira impressão que tive do nosso novo quarto foi que me senti como se estivesse num hotel. Apesar da mobilia ser a nossa, estava tudo com um ar muito impessoal e suponho que ter a minha roupa numa mala de viagem também contribuiu um bocado.

A arrumação e a sensação de ninho vitá com o tempo.

Mudança

Sábado à s 8 da manhã estavamos vestidos e prontos para a mudança. Pouco depois fui espreitar à  janela e vi duas carrinhas na rua, obviamente à  procura de lugar para parar.

As caixas que tinhamos espalhadas pela casa foram levadas rapidamente e as camas desmontadas. Daà­ para a frente é que a coisa desacelarou porque havia muita coisa que não estava ainda pronta para levar ““ deixámos o quarto do Tiago para o fim para ele não se sentir isolado das suas coisas e o resto era simplesmente porque já não conseguiamos chegar aos armários ou encontrar sí­tio onde por mais caixas.

Andámos então freneticamente a embalar o que faltava e a acabar de vazar os pequenos moveis que ainda tinham algumas coisas para não atrasar a mudança. O Tiago por esta altura estava a ficar super aborrecido, por isso veio a tia Marta entreter a criança. Tinha ficado combinado que o Tiago iria à  festa de aniversário do primo Gabriel mas quando chegou a altura não queria ir, optando por ir para casa da tia para comer Pizza e ver o Wall-E ““ é preciso saber apelar ao gosto da criança. A Marta foi uma ajuda precisosa e não sei o que terà­amos feito sem ela. A Joana queixava-se ocasionalmente por ficar sozinha mas não é bem a mesma coisa. Tratar de um bebé é cansativo mas os miúdos mais crescidos requerem muito mais atenção e envolvimento. Com um bebé o nosso trabalho é praticamente só mantê-lo vivo, falar-lhe e sorrir-lhe ocasionalmente. Os mais crescidos são capazes de ir partir um prato só para ver se estás a prestar atenção.

No meio de toda esta confusão aparece-nos a vizinha de baixo. Pediu para falar comigo, mas o Pedro é que foi ver quem era, e assim que ouviu a frase ‘então e como é que fica a minha varanda?’ teve a reacção que já andávamos para ter há muito tempo: desatou aos gritos com a mulher. Deu para perceber que fez mesmo assim um grande esforço para não a insultar, porque o Pedro mesmo quando perde a cabeça consegue ser controlado, e disse-lhe apenas ‘então mas nem no dia da mudança nos deixa em paz?’, que é de facto uma pergunta pertinente. Só uma pessoa muito egocentrica é que se recusa a perceber que uma situação de alto stress como é uma mudança não é bem a altura ideal para ir discutir, mais uma vez, a sua queixa de infiltração na varanda, que ainda por cima nunca fez qualquer esforço por tentar provar que era culpa nossa. Limita-se a presumir que se tem humidade a culpa vem de cima e que nós temos obrigação de pagar o seu arranjo. Ignora o facto de haver uma racha no prédio, de não ter silicone à  volta das janelas da marquise e culpa o vizinho de cima.

Nós por acaso, durante a mudança, também encontrámos um armário que tinha um bocado todo podre porque estava na marquise e deve ter entrado água. Se fossemos como a vizinha de baixo teriamos ido queixar-nos aos de cima. Que sentido é que isto faz?

Enfim, depois de mais este stress que não precisávamos, continuámos com a nossa mudança. Só à s 3 ou 4 da tarde é que as carrinhas ficaram finalmente cheias e viemos para a nova casa. Trazer as coisas para cima foi mais rápido mas mesmo assim só terminou à s 7 da tarde e eu ainda andei a carregar muita coisa para tentar deixar o máximo de móveis e caixas logo na divisões certas para poupar trabalho a arrumar.

A empresa que nos fez a mudança foi a Cá Vai Sintra e posso dizer que foram impecáveis. Voltaram a montar as camas e roupeiro que tinham desmontado, tiveram todo o cuidado para não estragar as portas ou paredes ao transportar os móveis para dentro de casa e até agora a única coisa que vi estragada foi o candeeiro do quarto do Tiago porque foi embalado mesmo já no fim juntamente com um brinquedo que tinha uns bicos. A mudança custou 800 euros e os homens de facto fartaram-se de trabalhar.

A meter água

Hoje é um daqueles dias em que sinto que o universo me odeia.

Primeiro foi a sanita que começou a deitar água para o chão. Já foi reparada sei lá quantas vezes e não dão com o problema. Talvez tenha defeito mas o que raio é que se faz nesse caso? Parece que o empreiteiro não está com pressa e eu em stress por causa disto.

Depois foi a chuva e o algeroz defeituoso que causou infiltrações na sala e que deu guerra não só com a administração do prédio como com o prédio do lado. É algo que está para durar, com reuniões de condomà­nio e provavelmente custos adicionais.

Agora é uma tempestade no maldito fim de semana em que nos queremos mudar. Não só piora a situação da casa – apesar de terem ido lá hoje montar o algeroz exterior, mesmo contra a vontade do prédio, porque era a única solução – mas o telhado tem algumas telhas deformadas ou fora de sí­tio e uma ou duas paredes que não foram ainda isoladas por fora e a água está a entrar. Como os homens não podem subir ao telhado antes daquilo secar, porque é perigoso, vamos ver que estragos adicionais vai esta tempestade causar.

Mais tarde ou mais cedo esta obra tinha de meter água, não é?

Final Push

Queriamos aproveitar o fim de semana seguido do feriado de 5 de Outubro para fazer a mudança com alguma calma, mas como não nos ligaram o gás a tempo tivemos de adiar. Aproveitámos então o fim de semana para embalar o máximo que conseguimos.

A casa está um verdadeiro caos e mal se consegue andar sem bater em caixotes. A cozinha, sala e uma das varandas estão prontas a seguir, o nosso quarto está quase, o escritório também. Falta o quarto do Tiago, que deixámos para o fim para ele continuar a ter um mà­nimo de normalidade enquanto estamos aqui, e a outra varanda pelo simples facto de se ter acabado o espaço para caixas.

Pelo meio vai muita coisa fora. Algumas ficam já cá e outras serão deitadas fora já na outra casa porque para acabarmos de embalar tudo a tempo não deu para vasculhar papel a papel e fica para quando formos arrumar.

Na segunda feira fomos ao IKEA comprar o roupeiro, que só entregam para a semana. Vamos ter de viver de uma mala de viagem durante alguns dias. Dava mais jeito que tivessem entregue o roupeiro antes da mudança porque tinham mais espaço para o montar, mas não se pode ter tudo. Pelo menos vou ter um roupeiro novo, maior que o actual, e vou fazer os possà­veis para me divertir a arrumá-lo. Depois de todo este trabalho preciso de um girly moment 🙂

Na terça não avançámos muito porque tivemos um almoço de famà­lia. Ainda nos escapámos para a casa nova durante uns minutos que me deram tempo para montar o puxador que faltava no movel da cozinha e ver o estado da obra no sótão mas recebemos em pouco tempo um telefonema dos meus sogros a dizer que o Tiago queria ir para casa e tivemos que regressar.

Na quarta foram finalmente montar o contador e ligar o gás. A inspecção correu sem problemas mas ainda tive uma confusão por causa do termo de responsabilidade da alteração da instalação que dizia ‘reparação’ em vez de ‘alteração’ e vai ser preciso um novo. Para além disso hoje em dia pelos vistos eles obrigam não a uma mas a duas inspecções: uma da instalação, ainda sem o gás ligado e outra quando vão ligar o gás. O inspector vai ver precisamente a mesma coisa nas duas vezes mas eles acham boa ideia fazer-nos pagar a dobrar. Há coisas que me dão vontade de encontrar o imbecil que criou tal lei e dar-lhe um par de estalos. Vamos ver se ainda nos arranjam mais problemas por causa disto ou se nos deixam em paz. Senão é o que o Pedro diz: arranjamos um termo-acumulador e acaba-se o gás de vez.

Marquei então a mudança. Das empresas que contactei, só uma é que veio cá e entregou orçamento mas era muito caro. As restantes disseram que ligavam ou apareciam e nada. Liguei de volta a uma delas e perguntei ‘então? Disseram que os dados que dei por telefone não eram suficientes para fazer orçamento e que tinham de vir cá mas afinal não apareceram. Estão interessados ou não?’ A senhora foi ver e disse que os dados que tinham eram suficientes e não via nada sobre uma visita agendada. Disse-lhe que nesse caso precisava que me dessem um valor porque precisava de marcar a mudança nesse dia. A resposta foi 50 euros por hora, 2 homens, carrinha e motorista, dois dias para a mudança. WTF? 2 dias? Isso não pode ser. Lá foi a senhora falar com o colega. Quando voltou já eram 4 homens, uma carrinha grande com motorista, 60 euros por hora. Ficou marcado. As outras empresas que custavam 25 ou 30 euros por hora e eram só dois homens por isso achei que ia dar ao mesmo.

Entretanto as coisas começaram a correr mal. Os algerozes estam rotos e começaram a infiltrar água na placa e a pingar na nossa sala. A pintura do tecto já está toda estragada e vamos ver se o chão não começa a saltar. Os algerozes recolhem a água de um lado do telhado, correm ao longo de toda a placa e vão sair nas traseiras. Nós já sabiamos que a casa tinha problemas com os algerozes quando a comprámos porque as paredes por baixo dos pontos de entrada e saà­da dos algerozes estavam em muito mau estado. Só que agora começou a chover e a coisa está pior do que o esperado. O empreiteiro tentou resolver rapidamente a situação antes que o estrago piorasse, fazendo o algeroz sair logo pela fachada do prédio mas isso implica andaimes para montar o tubo do telhado até ao chão. E aqui começa a confusão porque é uma obra que mete a administração do prédio ao barulho e, como é óbvio, quando há mais gente envolvida a coisa começa logo a derrapar.

O administrador é um homem com bastante idade e muito doente que não está em condições de administrar coisa nenhuma, por isso é a filha que tem de tratar de tudo. Já tentei ir lá bater à  porta para discutir os assuntos pessoalmente mas apanhava sempre o homem e não era possível ter uma conversa coerente com ele por isso desisti e passámos a comunicar por cartas colocadas na caixa do correio.

Hoje liga-nos a filha a dizer que não pode ser nada, que é preciso uma reunião de condomà­nio para decidir fazer alterações ao algeroz e que um tubo na fachada do prédio ‘não lhe parece bem’. Estamos lixados. Temos uma situação urgente para resolver e a resposta do condomà­nio é que ‘pode tentar marcar uma reunião ainda este ano’. Estão a gozar comigo.

Entretanto o empreiteiro resolveu borrifar-se para tudo isto e desatou a montar andaimes prédio acima para montar o tubo. Já estamos em guerra com o prédio e ainda nem fomos para lá morar. Dissemos que é a única solução de momento e que é uma coisa temporária até se arranjar uma solução melhor. Vamos ver o que dá. O stress até esta questão se resolver vai estar no vermelho.

Entretanto só temos hoje para acabar de empacotar tudo. Oh boy…

Final de dia com duas crianças

Resolvi registar aqui aquilo que é um fim de dia tà­pico com os dois miúdos porque eles crescem depressa e uma pessoa acaba por se esquecer de alguns pormenores.

Tudo começa com ir buscar o Tiago á escola. Penduro a Joana ao peito, no marsupio, para não ter de navegar as ruas com o carrinho de bebé, e vou a pé até à  escola. Ultimamente o Tiago tem-se portado muito bem e vem a pé o caminho todo de mão dada sem problemas. Já aprendeu mais ou menos que tem de ver se vêm carros antes de atravessar a rua e tornou-se tudo muito mais simples por causa disso.

Pelo caminho o Tiago pede geralmente um gelado ou qualquer outra coisa. Umas vezes lembro-me de levar dinheiro outras digo que não pode ser sempre. Hoje perguntou se podia tirar uma pera quando passámos na mercearia. Expliquei que era preciso pagar e não tinha dinheiro mas podiamos ir a casa buscar a carteira e voltar. Quando chegámos a casa ele já não queria voltar a sair, como é costume, por isso não insisti.

O Tiago pede então para eu ir brincar com ele. Digo que tem de lavar as mãos primeiro e ele já vai sem fita. Depois vou buscar um copo de água, porque o caminho até á escola e regresso ainda é longo, deito a Joana na cama do Tiago para não ficar sozinha e, com sorte consigo beber um bocadinho de água até o Tiago pedir qualquer coisa que me obriga a levantar outra vez – ou precisa de ir à  casa de banho, ou tem fome ou quer ajuda a encontrar um brinquedo. Hoje queria os doces que vieram na mochila da escola porque um dos meninos fez anos. Disse que podia escolher duas ou três gomas e os restantes doces ficavam para amanhã. Neste aspecto tenho um miúdo impecável porque nunca faz birra por estas coisas. Aceita e geralmente não volta a pedir mais. Quando pede mais doces digo-lhe que se tem fome vou fazer o jantar e ficamos por aà­.

Fui então por água ao lume para fazer o esparguete do jantar e depois passei no computador e vi que tinha um email de um cliente com um problema qualquer de password do email que não estava a funcionar. Ia começar a ver se percebia qual era o problema quando a Joana começou a chorar. Fui buscá-la para lhe dar de mamar mas quando o leite começa a correr à s vezes sai mesmo em jacto e ela engasga-se. Depois fica furiosa porque tem fome e teve de parar de mamar e começa a berrar. Eu entretanto tenho de arranjar maneira de parar o leite que desata a espirrar por todo o lado . Sinto-me como um sistema de rega automático nestas situações…

No meio disto tudo toca o telefone (geralmente é a minha mãe que tem uma pontaria fenomenal para acertar nas alturas mais confusas) e percebo que a água já está a ferver. Atendo o telefone enquanto tento abrir um pacote de esparguete antes que a água evapore toda. A Joana continua a berrar na sala e o Tiago vem pedir para ver o Wall-E.

Lá consigo despachar o telefonema, por o espaguete a fazer e o tempo a contar e vou dar de mamar à  Joana. O Tiago continua à  espera do filme por isso vou-lhe pedindo os diversos comandos que preciso para ligar as coisas (temos um comando universal mas alguns dos botões deixaram de funcionar e acabo por ter que usar uma série deles à  mesma). Quando toca o tempo do esparguete a Joana já acabou de mamar mas agora estou a mudar-lhe a fralda, por isso quando finalmente consigo voltar à  cozinha já a água evaporou toda e o esparguete agarrou ao fundo e está a começar a queimar. Também ficou todo agarrado porque não tive oportunidade de o ir mexer durante a cozedura.

Ponho a bolonhesa no micro-ondas e a Joana começa outra vez a chorar porque não quer ficar sozinha. Finalmente consigo por a comida nos pratos e chamar o Tiago para a mesa. Ele queixa-se que não consegue ver a TV (sim, já sei que é mau hábito mas eu sempre comi em frente à  TV por isso não me vou armar em hipócrita e recusar isso ao miúdo) porque temos a casa cheia de caixas que bloqueiam o campo de visão e lá vou eu arrastar o movel para o meio da sala.

Com sorte, por esta altura consigo comer mas antes de chegar ao fim  a Joana farta-se de estar no baloiço e quer colo.

E assim continua infinitamente até o Pedro chegar, altura em que, com sorte, conseguimos dividir um miúdo para cada um e acalmar um bocadinho a coisa.

Atrasos

Na quarta feira fui passar a manhã na casa nova, à  espera da entrega das janelas para o sotão e que fossem ligar e fazer a inspecção de gás. As janelas chegaram e pouco depois foi a vez do gás. Não, não ficou ligado

Quando foram desligar o gás e levar o contador, pelos vistos levaram também o redutor que é suposto pertencer à  instalação. Agora recusam-se a ligar-me o gás porque falta o redutor e tenho de comprar um novo. Isto parece-me uma grande aldrabice ou mais uma daquelas situações em que os empregados de uma empresa aproveitam o seu trabalho para fazer algo que lhes encha os bolsos. Por azar, o homem que foi ligar o gás não parece pertencer ao clube dos ladrões porque não tinha nenhum redutor para me vender, e como tal foi-se embora sem me deixar o gás ligado. É preciso ter azar – como é já costume, aliás.

Liguei ao nosso empreiteiro que disse que resolvia esta situação mas hoje já é sexta feira e até agora ainda não está lá a peça. Liguei esta manhã e ele disse que vão montar a peça na segunda de manhã, por isso já marquei nova instalação do gás para a semana. Espero que seja desta mas estou a prever que ainda vai haver um problema qualquer com a inspecção. Maldito gás…

Entretanto tenho já a casa cheia de caixas mas ainda falta empacotar muita coisa. Vamos tentar aproveitar o fim de semana para tratar disso. Consegui finalmente contactar uma empresa de mudanças que me ligou de volta e vêm cá fazer orçamento para a semana. Até agora o contacto com empresas de mudanças tem sido assim: uma veio fazer orçamento e dava um valor exorbitanto – qualquer coisa como 1500 euros – com 5 homens, duas carrinhas, um elevador exterior e polà­cias na rua. Eram 80 euros por hora mais não sei quanto para os polà­cias, o material para proteger os móveis era todo à  parte, etc. Lamento mas não temos orçamento para tanto.

Depois contactei mais duas empresas. uma marcou visita e não apareceu e outra disse que voltava a ligar e nunca mais ouvi falar deles.

Esta última empresa foi quem fez a mudança dos avós do Pedro. Fiz a descrição dos móveis por telefone mas acharam que preferiam vir ver em pessoa por isso espero que apareçam. Neste momento já não tenho certezas de nada.

Quanto aos vidros, já deviam estar prontos e montados há duas semanas e até agora nada. o Sr. Augusto diz que vai hoje ver o que se passa porque também quer ver aquilo acabado, e a escada do sotão é suposto estar finalmente pronta a montar – falta o montar, claro.

Para piorar a situação tenho andado constipada, o que não ajuda. felizmente hoje já começo a sentir-me um pouco melhor e espero estar em condições de fazer tudo o que é preciso este fim de semana.