Acabaram as obras!!!

Acabou finalmente o lixo, o barulho e o stress das obras. Já paguei e agora posso voltar a andar de pijama até à s 10 em vez de ter de me vestir à s oito para o caso dos homens aparecerem cedo.

O chão do hall ficou um bocado estragado e a parte nova, que acabaram por ser eles a colocar precisa de ser envernizada. Estou com uma vontade estupida de me por a fazer isso mas como o entusiasmo é inversamente proporcional à  energia não sei bem como é que vou resolver a situação. Acho que conseguia, com a ajuda do Pedro, mas ele deve ter tanta vontade de perder um fim de semana com isso como de saltar de uma ponte. Acho que provavelmente vou só comprar verniz para a zona nova e tentar disfarçar os riscos do resto do chão até uma próxima oportunidade.

Agora é preciso limpar tudo a fundo. Felizmente a Augusta vem amanhã para me ajudar. O maldito pó está em todo o lado e sozinha não seria capaz de limpar tudo.

Como não podia deixar de ser, porém, quando se resolve um problema aparece outro. Pelos vistos o intercomunicador ainda não está bom porque hoje voltou a não abrir a porta. Já telefonei ao electricista mas não atendeu nem respondeu à  mensagem. Talvez amanhã. A chatice é que, uma vez que é uma coisa que não acontece sempre e o nosso intercomunicador foi substituido, é possível que seja um problema do prédio, o que é muito mais complicado de resolver.

Mas pronto. Já temos quarto para o Tiago com uma porta normal e agora é só roer as unhas até meio de Março e ver se é desta que trazemos o nosso bebé para casa.

Análises e obras

Ontem passei a manhã na clà­nica para fazer análises. Cheguei antes das 8 e só saà­ de lá quase ao meio dia. A análise da glicémia foi bastante desagradável. O copo de água doce que tenho de beber após tirar sangue em jejum estava muito mal mexido e o granulado doce estava todo no fundo. Foi a primeira vez que me fez impressão beber aquilo. E depois foram 3 horas sem poder engolir mais nada a não ser água e a ser picada, alternadamente em cada braço, de hora a hora. E pior que isso, tinha também de entregar uma amostra de urina a cada hora. Se já e complicado acertar no frasquinho do costume quando não se vê nada para além da barriga, acertar num tubo de ensaio é quase impossível. Comecei com a sensação que deviam ter camaras na casa de banho para poderem gozar com o ridiculo da situação.

Ao fim de duas horas e meia acho que se ouvia o meu estomago na sala toda. Quando finalmente saà­ de lá foi um alivio. É claro que a minha mãe tinha combinado que me ia buscar e quando saà­ ainda nem se tinha metido no carro. Tà­pico. Com ela tenho sempre que dizer que é meia hora antes senão nunca aparece a horas. Acabei por ter de esperar na rua, ao frio mas pelo menos aproveitei para comer um pacotinho de bolachas que tinha levado.

Quando a minha mãe finalmente apareceu fomos tomar o pequeno almoço e depois voltei para casa. Estava tão exausta, depois de mais uma noite a dormir mal e uma manhã passada na sala de espera da clà­nica, que não consegui fazer mais nada até à s quatro da tarde do que estar estendida no sofá. Não consegui dormir mas também não tinha energia para mais.

Depois ganhei finalmente coragem para arrumar a cozinha e ver se havia trabalho. Acabei por ficar ao computador até à s oito e tal da noite a fazer umas alterações à  home do Stec que não estavam a correr muito bem, graças à  confusão de directorias do backend. Tenho que começar a pedir manual de instruções aos programadores quando fazem um trabalho porque à s vezes é impossível saber onde é que enfiaram os templates que preciso de alterar. Mas acabou por ficar feito.

Hoje de manhã os homens das obras chegaram bastante cedo, por volta das oito e meia, e têm estado a trabalhar non-stop. A porta está quase pronta e já começaram a pintar as paredes. Espero que fique pronto hoje para poder limpar a casa convenientemente e começar finalmente a arrumar tudo no fim de semana. O tempo para arrumações começa a escassear e eu já estou com muito pouca mobilidade.

É claro que a questão do tempo é muito subjectiva. Para umas coisas parece não ser suficiente e para outras parece demorar uma eternidade. Tal como escreve a Ruth Rendell no livro End in Tears, ‘watching paint dry was supposed to be the slowest thing you could do; waiting for a baby to come was slower.’

Já salta!

O fim de semana foi altamente aborrecido. Acho que estamos demasiado ansiosos para conseguir fazer seja o que for. Estamos em modo de espera, algo que vai durar mais duas a três semanas. Chegámos à s 35 semanas, o que implica começar a contar os movimentos. É também a altura em que o fim está tão perto que é impossível continuar a tentar desligar-me emocionalmente. É tarde demais. Agora é só medo e contagem decrescente. Acho que se tivesse de esperar mesmo 40 semanas não aguentava. É o que o Pedro diz – estamos a ser esticados ao limite do suportável. Mas suponho que se tudo correr bem vamos ter esta sensação muitas vezes daqui para a frente…

O desconforto fà­sico também tem vindo a aumentar. Tenho dores de costas constantes praticamente em qualquer posição, o estomago continua a incomodar, como sempre, e a junção destas duas coisas faz com que não consiga dormir mais do que uma horaq ou duas de seguida. Para além disso tenho sempre o nariz entupido e estou bastante mais inchada. A barriga parece qumentar a cada dia que passa e entre a pressão nas costelas e os murros na bexiga, há alturas em que não sei bem o que fazer. E tenho de começar a contar quantas vezes vou à  casa de banho por dia. Aposto que é uma média interessante.
Entretanto o House começou finalmente a saltar. Já consegue subir para o sofá sozinho, o que é uma grande vitória. Era a única fase da recuperação que faltava e não tinhamos a certeza se iria realmente recuperar por completo. Nota-se que ainda está um bocado fraco nas patas traseiras, mas os saltos vão servir de fisioterapia. Aliás, acho que ele está muito melhor e mais descontraido desde que começou a dormir com os outros gatos. Já não há razão para os manter separados e ele começou a brincar muito mais e até a dormir com alguns dos outros. É bom ver que se está a adaptar à  vida caseira e que parece feliz.

Hoje apareceram finalmente os homens das obras. O buraco que ficou depois de se ter retirado o roupeiro já está com melhor ar, depois de terem sido tapados os buracos, e a porta está no sí­tio, faltando apenas rematar. A pintura terá de ficar para outro dia porque a massa tem de secar o que quer dizer que só voltam na quarta feira. Vamos ver se é mesmo para acabar.

Nova eco

Na quarta passámos a manhã no hospital para fazer mais uma ecografia e CTG. Parece-me que está toda a gente um bocado ansiosa, incluindo o nosso obstetra que achou conveniente efectuar estes exames não previstos e uma análise que me vai custar – teste de glicémia ao fim de uma hora, duas e três. Ou seja, vou passar 4 horas da manhã em jejum e a ser picada a cada sessenta minutos. Será que ele me odeia? É que as análises anteriores deram resultados perfeitamente normais.

Mas voltando ao hospital, o CTG estava normal, com uns picos coincidentes com os maiores movimentos, mas sem sair da escala normal. O pior foi esperar quase uma hora para entrar, na mesma sala de espera onde estive em 2004 por razões muito mais desagradáveis. Acho que até fiquei na mesma cadeira.

Depois do CTG esperámos mais uma meia hora para a ecografia. Não deu para confirmar nada em relação aos pés porque, apesar de já estar virado, o miudo tem sempre os pezinhos escondidos. Mas sinceramente não estou muito preocupada com isso. O maior receio é sempre que este seja um ponto visivel de um problema maior que não dá para detectar. Se for só o pé até fico feliz.

Ontem apareceu o canalizador que nos resolveu finalmente a questão do ar condicionado pingar para fora do prédio durante o verão. Estranahamente ninguém se queixa no inverno. Suponho que com toda a chuva virem dizer que as infiltrações são culpa do AC já necessitava de muita lata.

Era suposto vir também o pedreiro tapar buracos e o carpinteiro colocar a porta mas não apareceram. O pior foi que hoje também ninguém veio. E isto depois de eu ter ligado a perguntar se ia aparecer alguém e o Sr. Timoteo me garantir que sim. Estou a começar a ficar ligeiramente irritada, mas também sei que ser menos do que insistente mas simpática nesta altura pode fazer com que fique com isto como está durante tempo indefinido e não me apetece nada. Vamos ver como corre para a semana.

o desespero das obras

Decididamente, fazer obras em casa é uma dor de cabeça.

Comecei o processo em Novembro. Contactei uma empresa e pedi orçamento. Até vieram depressa mas depois esperei semanas pelo orçamento. Fiz umas perguntas, esperei mais umas semanas para obter resposta e finalmente aprovei o orçamento. Depois perguntei quando poderiam começar. Aqui foi mais complicado ter uma resposta. Pelo meio meteu-se o Natal e achei que nem valia a pena insistir muito nessa altura. Finalmente recebi resposta em Janeiro a dizer que podiam começar em Fevereiro, ou seja, um mês antes do final do prazo. Mas como eram coisas simples, resolvi esperar.

Nos primeiros dias de Fevereiro não ouvi falar deles até resolver telefonar. Aà­ o Sr. Timoteo disse que ia passar por cá no dia seguinte com o carpinteiro. Apareceu dois dias depois.

Na segunda feira seguinte, por volta das onze, ainda não tinha chegado ninguém. Resolvi telefonar e estavam mesmo a chegar. O carpinteiro passou o dia a demolir a porta de correr e o roupeiro do hall e a porta da casa de banho ficou para o dia seguinte. É claro que no dia seguinte ficou subitamente doente e não apareceu.

Ontem, quarta feira, veio terminar o trabalho, ou seja alterar o lado de abertura da porta da casa de banho. Devo dizer que fez um bom trabalho. A porta funciona bem e tapou os buracos antigos com madeira que, depois de envernizar ou pintar nem se vai dar muito por isso.

Só tenho pena que o chão do hall esteja a ficar com mais riscos que um ringue de patinagem, mas suponho que não se possa ter tudo. Como não gostamos do chão, que é demasiado escuro, também não me preocupa assim muito.

Ainda ontem era suposto terem aparecido os homens que vão montar a nova parede do quarto mas não apareceram. Hoje esperei todo o dia e também não veio ninguém. Resolvi telefonar ao Sr. Timoteo para saber se alguém planeia aparecer amanhã e ele nem sabia que os tipos tinham faltado. É o problema das sub-contratações, pelos vistos. É a mesma treta em qualquer área.

O mais chato é que uma coisa que ficava pronta numa semana vai demorar um mês porque só aparecem dia sim dia não. E eu já sabia que ia ser assim, porque é sempre assim, mas faz-me impressão.

Referendo, NIN e Obras

De manhã fomos votar no referendo. Vi muito pouca gente na rua e os que vi eram todos reformados. Não estava fila nenhuma para votar e foi num instante, o que me deu a ideia de que iria novamente haver muita abstenção.

Ao almoço, no Palhaço, onde fomos festejar os aniversários dos avós do Pedro, o meu sogro recebeu um telefonema a confirmar que de facto durante toda a manhã as pessoas preferiram ficar em casa.

Quando vi as previsões da abstenção à  noite fiquei algo decepcionada. Não compreendo como é que os portugueses, que passam a vida a queixar-se e a culpar o estado de tudo, quando têm a oportunidade de dar a sua opinião sobre uma questão concreta que pode afectar legislação não conseguem sequer reunir o interesse suficiente para levantar o rabo do sofá e ir à  escola mais próxima meter uma cruz num bocado de papel.

Não votar em eleições do governo até compreendo. Pode ser uma forma de dizer que nenhum dos partidos nos representa e como tal não merece o nosso voto. Mas isto era uma pergunta de sim ou não.

E depois é sempre a desculpa do tempo – ou é porque está sol e foi toda a gente para a praia, ou é porque chove.

Anda muita gente a tentar dar um spin positivo à  coisa, pelo facto da abstenção ter sido ligeiramente mais baixa que em 98, mas considerando toda a discussão que se gerou à  volta do assunto e depois não conseguir que um mà­nimo de 50% da população se dê ao trabalho de votar é triste.

Mas pronto. Apesar de tudo ganhou o sim e pode ser que, mesmo não sendo vinculativo, o resultado do referendo sirva para alguma coisa.
Depois do almoço e do bolo de aniversário, fomos para casa descansar um bocado antes do concerto.

à€s oito horas pegámos no carro e fomos. Como o Smart tinha pouca gasolina, parámos numa bomba onde concluimos que o mecanismo de abertura da entrada da gasolina está avariado e tivemos que voltar para trás e levar o Mercedes. Lá vai o Smart para a oficina…

Apesar de tudo chegámos a Lisboa perfeitamente a horas do concerto. Arrumámos o carro no parque dos restauradores e fomos para o Coliseu.

A primeira parte era um bocado horrà­vel, como já é costume e apesar de haver montes de camarotes vazios calhou-nos um grupo de imbecis mesmo no camarote do lado que passaram o concerto a fazer comentários idiotas e a fumar erva. Considerando que não estou em estado de me arriscar a respirar substancias toxicas, preparava-me para ir chamar um segurança quando começou, sem qualquer aviso, o concerto dos NIN. Os tipos do lado nem souberam bem a sorte que tiveram, porque apesar de tudo não ia perder metade do concerto por causa de um grupo de imbecis.

Acho que exageraram um bocadinho no fumo, que fez com que não se visse grande coisa do que se passava em palco mas o concerto foi muito giro. Acho sempre que o baterista trabalha 5 vezes mais que os outros músicos todos e tem de ser realmente muito bom. E gosto do facto do Trent Reznor continuar a soar a si mesmo ao vivo, ao contrário de muitos cantores que só se safam no estúdio. Para um tipo que não tem propriamente o que chamaria uma voz clássica, safa-se mesmo muito bem.

Acabei por levar menos pontapés na barriga do que esperava. Só nas partes mais manà­acas das músicas é que o Tiago reagia.

Hoje de manhã começaram finalmente as obras. O carpinteiro em vez de chegar à s nove como previsto, chegou à s onze. Mas apareceu, que é o que importa nestas coisas, e numa hora tirou a porta de correr e respectiva ombreira. Durante a tarde deve acabar de destruir o roupeiro e depois se vê como corre o resto.

Entretanto a hora de almoço serviu para tudo menos para almoçar já que tive uma visita da minha mãe e um telefonema da Carla, mas vou ver se trato disso agora.

Referendo

No domingo vai haver um referendo sobre a despenalização do aborto. É o segundo, dado que o primeiro, há uns anos, foi marcado para um domingo de verão e ninguém foi votar.

Este é um daqueles temas que dá sempre origem a grandes discussões e por isso qualquer comentário sobre o assunto resulta geralmente em grandes discussões e potencialmente insultos também. Mas tenho andado a pensar nisso e achei que estava na altura de escrever sobre o assunto.

Em primeiro lugar nunca tive de considerar seriamente essa opção. Aos 18 anos posso ter tido um ou dois sustos e umas semanas de incertezas, como acontece a muita gente, mas nunca cheguei a ter uma gravidez indesejada e como tal a questão, na prática, nunca se colocou.

No entanto, se o aborto fosse legal e eu ficasse grávida durante a adolescência, o que nunca seria por mera irresponsabilidade mas sim por falha do meio anticoncepcional, então sei que consideraria seriamente essa hipotese. Não digo que chegasse a faze-lo, é uma coisa que não posso saber sem passar por isso, mas pensava nisso, sem dúvida. Mesmo hoje, depois de ter perdido o primeiro filho, ter tido grandes dificuldades em engravidar ambas as vezes e saber que fazer um aborto pode contribuir para infertilidade futura, sei que na altura ter uma criança antes de ter hipotese de ir para a faculdade e arranjar um emprego, ver-me dependente dos meus pais por tempo indefinido, etc, seria para mim uma situação insustentável. Isto porque acho que é preciso querer ter um filho.

Cuidar de uma criança não é algo que possa ser visto de forma idealizada. É dificil, requer tempo e paciência e principalmente um grande investimento no bem estar da criança. Ou seja, precisamos de crescer antes de ser pais e só porque o corpo está biologicamente preparado não quer dizer que seja muito desejável ter uma gravidez antes dos 20 anos, muito menos antes dos 15 como acontece tantas vezes. Quanto maior a falta de informação no meio em que o adolescente vive, mais provavel é uma gravidez indesejada.

Posto isto, digo então que não considero o aborto algo incompreensà­vel. Mas também não digo que não é nada de especial. É de facto uma escolha racional entre vida e morte de um ser que foi criado a partir das nossas células e isso nunca pode ser uma escolha fácil. Acho que quem opta por esta escolha está geralmente numa situação algo desesperada e o próprio procedimento causa um certo trauma.

Há uma série de coisas nesta discussão que me irritam. Em primeiro lugar podem acontecer, naturalmente, toda uma série de problemas durante uma gravidez que resultam num feto morto. Fiquei a saber da pior forma possível que mesmo quando corre tudo bem quase até ao fim não há garantias. A morte é uma coisa dolorosa mas natural e uma mulher pode ter uma luta mental enorme a tentar decidir se leva a gravidez até ao fim e depois acaba por ter um aborto espontâneo pouco tempo depois. Então qual é a diferença?

Os religiosos dirão que um dos casos é vontade de Deus e o outro é um crime. Eu respondo que provavelmente já se matou mais gente em nome de Deus do que foram feitos abortos.

O ponto de vista mais cientifico defende que os abortos espontâneos são muitas vezes casos de fetos com malformações que são rejeitados pelo corpo. Mas nem todas as gravidezes que terminam mal são de fetos com problemas portanto não deixa de existir uma certa arbitrariedade.

O segundo ponto é que para uma gravidez correr bem isso requer bastantes cuidados – de alimentação, isenção de produtos toxicos tais como drogas, tabaco, alcool, café, medicamentos, radiação, etc, e ninguém pode obrigar uma mulher a ter estes cuidados.

A questão no meio disto tudo é que sim, existe vida desde a fecundação mas essa vida nem sempre tem condições de sobrevivencia e para além disso um feto não é considerado um cidadão até nascer. No nosso caso, que tivemos um nado-morto à s 39 semanas, foi necessário fazer funeral porque era considerado de termo mas não aparece sequer nome no documento do hospital. Ou seja, não foi sequer considerado como um nascimento para as estatisticas.
Acho que a questão central neste caso é sempre a mesma: a mulher tem ou não o direito de decidir o que faz com o seu corpo? É que nesta discussão, quem está cegamente a favor da defesa dos direitos do feto está a ignorar os direitos da mãe. Então só lhes interessa os seres humanos até nascerem? E depois? Perdem a piada?

Nos Estados Unidos acontecem frequentemente ataques a clà­nicas que efectuam abortos e matam os médicos que os efectuam. Como é possivel dizer que se é a favor da vida e depois andar a matar pessoas? Como diz o George Carlin, será que os fetos só têm direitos desde que não se tornem médicos?

E porque é que esta maltosa toda armada em defensores da vida não começam a adoptar crianças abandonadas, que infelizmente continua a existir, em muitos casos graças à  impossibilidade de efectuar um aborto em segurança no nosso paà­s. Acham preferà­vel que nascçam crianças de mães viciadas em droga, com graves problemas de saúde? Quem é que se preocupa com estas crianças?

E aposto que muitas destas pessoas que estão plenamente de acordo com a lei que permite que uma mulher seja presa por efectuar um aborto são capazes de afogar gatos e cães à  nascença. Portanto a defesa da vida é só se for vida humana.

Nós matamos animais para comer, usamos sapatos de cabedal e somos capazes das maiores atrocidades. As pessoas são territoriais e odeiam-se umas à s outras e no entanto convencem-se que estão a ser muito nobres e defensores da vida. Parece-me tão contraditório.

Outra questão importante é o dinheiro – quem tem dinheiro vai a outro paà­s fazer o aborto e ninguém sabe de nada. Não ficam registos cá e têm bons cuidados de saúde. Quem não tem dinheiro arrisca a vida a fazer um aborto à  antiga, sem quaisquer condições e por vezes com complicações graves. E depois vão ao hospital porque a hemorragia não pára e 24 horas depois estão na prisão, antes sequer de ter tido tempo de recuperar. Simpático, não é?
Mas no fundo, nada disto interessa. Porque o está a votação é simplesmente isto: uma mulher deve ser presa por fazer um aborto?
Não se está a falar em tornar legal o aborto nem em criar clà­nicas nem coisa nenhuma. Trata-se simplesmente de rever uma lei que coloca estas mulheres ao mesmo nà­vel de criminosos perigosos quando só estão eventualmente a fazer mal ao seu proprio corpo e não podem ser consideradas de forma alguma um perigo para a sociedade.
O resto são discussões filosóficas que não interessam para este caso e as campanhas do ‘não’ andam a manipular as pessoas nesse sentido. E trata-se de uma manipulação muito baixa e que me mete imensa raiva. Andam a usar criancinhas com frases decoradas que nem sequer sabem bem a que se referem. Pessoalmente considero isso abuso de menores, muito mais grave do que aquilo que estão a protestar.

E de um ponto de vista mais pessoal, meterem-me na caixa do correio folhetos com imagens de fetos e aquelas legendas tipo ‘não deixem que me matem’, depois do que eu passei, apetece-me imediatamente descobrir onde vivem os gajos que fazem isto e ir lá resolver o grave problema que é o facto de terem nascido.

No fundo acho que o Estado não deveria sequer poder ter poder de decisão sobre esta questão. A escolha deveria ser da mulher, do pai, se este estiver interessado na questão. É uma questão pessoal, intima, privada, que afecta a vida destas duas pessoas e mais ninguém.

O mesmo poderá ser dito para os casamentos homosexuais e outras violações de direitos que as leis continuam a praticar. A partir do momento em que o casamento deixou de ser religioso e passou a ser civil, deveria ser um acto possivel de praticar por quaisquer dois individuos que pretendam viver em comum.

Afinal ou há separação entre estado e igreja ou não há.

Em Portugal, infelizmente, não há.

Os últimos dias

Na terça feira fomos fazer a ecografia das 32 semanas e, apesar de não haver nada de grave, o resultado também não foi inteiramente positivo. Aquilo que se quer ouvir numa ecografia é ‘está tudo bem’. Aquilo que ouvimos foi ‘é possivel que exista um problema mas não consigo confirmar’. O problema não será também nada de muito grave, é corrigà­vel após o nascimento, etc, mas foi um pequeno choque, especialemente para quem já está ansiosamente à  espera que qualquer coisa corra mal desde o inicio.

Primeiro foi a posição – o sacana virou-se e já não está de cabeça para baixo o que pode implicar uma eventual cesariana se a posição não se alterar. Depois foi a questão do liquido amniotico que aparentemente é em maior quantidade do que devia, o que pode querer dizer que o bebé não tem espaço suficiente para crescer. E finalemente pode existir um problema com um ou ambos os pés que não parecem estar direitos na ecografia e não dá para ter a certeza se é só da posição ou se será algo para resolver cirurgicamente.

Eu sei que nada disto é grave ou sequer muito preocupante e que daqui até ao fim ainda pode acontecer muita coisa e preciso de paciência e calma, mas sinceramente há dias em não sei quanto mais é que aguento.

Ontem levei as gatas ao vet para tirar os pontos. Não correu tão bem como gostaria por dois motivos: Primeiro a Nikita fez alergia ao adesivo do penso e está com a pele toda vermelha. Segundo, por causa disso fartou-se de se quixar com dores ao tirar o dito adesivo. Para tentar facilictar a coisas sugeri alcool para humedecer a cola mas a vet achou que eter funcionava melhor e o problema foi que a niki conseguiu escapar-se e entornou meia garrafa de eter em cima da marquesa. Considerando que a clinica é numa cave sem janelas e eu estou grávida, é uma situação que gostaria de ter evitado. Quando cheguei a casa estava com uma dor de cabeça brutal, o que quer dizer que respirei mais daquilo do que pensei. Era mesmo só o que me faltava neste momento. Fiquei em casa o resto do dia. Como estava a chover e estou constipada novamente estive sem grande energia. Nada pior para o estomago do que passar o dia a espirrar e a cabeça parece que vai rebentar com a pressão por causa do nariz entupido. Dormir assim também não tem grande piada e acabo por ter de dormir sentada com pelo menos suportada por algumas almofadas para ficar com o corpo mais levantado. Acordo com grandes dores de costas graças a isso.

Mas pronto, pelo menos as gatas estão muito mais felizes e espero que parem brevemente de lamber a barriga de forma obsessiva.

Aproveitei a tarde para telefonar ao Sr. que é suposto vir fazer as nossas obras e ele diz que está a pensar começar na segunda feira, o que são optimas noticias. Também liguei a um electricista para vir substituir o intercomunicador que é uma porcaria e ele apareceu hoje de manhã e trocou mesmo por um novo que espero que se aguente por uns tempos. Fiquei a saber que os prédios agora têm todos estes intercomunicadores com um aspecto baratucho porque se instalo um dos outros é possivel que deixem de funcionar no prédio todo. Ainda bem que nao comprámos um entretanto.

Agora tenho de ficar à  espera que o Sr. Timoteo apareça hoje ou amanhã para ver que material é necessário para as obras e, se tudo correr bem, para a semana estamos com a casa coberta de pó.

A estupidez alarmante

Há muito que sei que a zona onde vivo vai ficar um caos com as obras do metro sendo que um dos problemas principais seria, obviamente o estacionamento. A camara fartou-se de insistir que ia garantir lugares de estacionamento para substituir o que iam ser retirados por causa das obras mas sempre duvidei que isso fosse verdade. Tanto quanto sei não criaram um novo parque de estacionamento e o máximo que foi feito terá sido transformar um ou dois dos parques já existentes em parques para pessoas com cartão de residente, não sei bem em que condições – só por umas horas? Pode-se ter o carro lá durante vários dias?

Mas hoje deparei-me com uma coisa ainda mais grave – estão a colocar parquimetro nas pracetas onde anteriormente eram lugares normais de residente. É absolutamente estupido porque não só não aumentaram o número de lugares como estão a reduzir ainda mais aqueles que já existiam e onde não têm de facto de andar a escavar por causa do metro. É que nos lugares de parquimetro os residentes apenas podem estacionar uma ou 3 horas (não sei bem qual é a regra aqui). Se considerarmos que colocaram avisos à  entrada da avenida de que a circulação na zona deve ser apenas para transito local durante as obras, para quem são os lugares de parquimetro exactamente? Aquilo que me parece é que a camara, para além de não ter feito qualquer esforço para resolver de facto o problema de estacionamento ainda está a tentar encher os bolsos à  custa dos habitantes da zona que não têm culpa de mais nada a não ser de não ter dinheiro para adquirir uma garagem na zona. O que, diga-se de passagem, também não é fácil porque a maior parte dos prédios não têm garagem e nos poucos que têm existe geralmente uma longa lista de espera para encontrar uma garagem disponivel.

Ainda por cima mete nojo porque durante anos os residentes das pracetas não tinham sequer direito a cartão de residente. Só as pessoas que viviam efectivamente na avenida é que tinham esse previlégio. Estão sempre a lixar a vida aos mesmos.
Eu sei que o Pedro é contra, mas com isto tudo começo com vontade de vender o carro e arranjar outro mais tarde se achar que é mesmo preciso.
Para além da questão do estacionamento há mais uma coisa que me irritou fenomenalmente: retiraram os recipientes de reciclagem. De um dia para o outro, sem qualquer espécie de aviso. Anda uma pessoa a perder tempo a separar o lixo para depois ter de deitar tudo fora no mesmo vulgar contentor.

die fuckers die

Estou em estado de fúria permanente desde ontem e o dia que tive hoje não ajudou em nada a mood actual.

Ontem tivemos que ir novamente ao vet com o House para ver como estavam os ouvidos. Ele recusou-se a entrar para a caixa e teve um ataque tal que me mordeu pela primeira vez desde que o apanhei da rua. Rasgou-me o indicador esquerdo e fiquei a sangrar o resto do dia. Como já estava bem disposta, nada melhor do que passar duas horas na sala de espera do veterinário à  espera de uma consulta de 5 minutos. Antes de nós estava uma familia com uma cadela de dois meses com a pata partida. A dona só dizia coisas estupidas como ‘vamos lá ver se ela não fica deficiente’ e pouco depois de entrar para a consulta já estava a falar de eutanásia, mesmo depois da veterinária lhe dizer que os bichos naquela idade recuperam muito depressa. Dá para ver bem onde está a deficiencia naquela familia.

Depois as coisas melhoraram um bocadinho quando fui lanchar com a Carla, apesar do café estar quente, cheio, barulhento e com montes de fumo. Mas num dia frio como este não é de espantar.

O pior foi quando voltei para casa. O Pedro estava a ver o Aliens 3, testanto o som das suas novas colunas e alguém tocou à  campainha. Fui espreitar e dei com a cara de sapo da vizinha de baixo. Voltei para a sala e disse ao Pedro que era a vizinha a queixar-se do barulho e como ele não reagiu nem se ofereceu para resolver o problema, fui abrir a porta à  mulher, que continuava a tocar insistentemente à  campainha. Fez um grande sorriso e começou a explicar que não percebia o que se passava mas que tinha os candeeiros todos a abanar e não podia ser nada. Eu respondi que estavamos simplesmente a ver um filme mas ela insistiu, dizendo que já tinha mudado duas lampadas e tudo. Não percebi oque relação tinha o som do filme com as lampadas dela mas tam,bém não estava com paciência para perguntar porque, entre outras coisas, o Jones aproveitou a oportunidade para se pirar para a escada.

Voltei a explicar que estavamos só a ver um filme e que ainda nem eram oito da noite pelo que não tinha grande razão para se queixar do barulho. Começou com uma convesa que ignorei em grande parte mas que continua frases como ‘ah pois mas eu também não posso ficar prejudicada’ e fui sorrindo até surgir a oportunidade de lhe fechar a porta com um ar de ‘temos pena’.

Mas como não podia bastar, a puta da velha, para além de achar que o prédio é todo dela e ninguém tem o direito de fazer o que lhe apetece dentro da sua propria casa, ainda teve a lata de me dizer para não pegar no gato ao colo por estar grávida. Também não explicou porque é que isso lhe fazia tanta confusão mas foi a gota de água.

Do meu ponto de vista este foi o strike two, sendo que o primeiro foi quando se foi queixar que a água que pingava do ar condicionado lhe estava a causar uma infiltração na parede. Ainda gostava de saber a quem é que a velha se queixa da chuva.

Passeo a noite a rever a conversa e a tentar decidir se valia a pena levar a guerra até ela ou se me limito a esperar pelo strike three para desancar a gaja. Sim, porque acabaram-se os sorrisos e a atitude de não chatear os vizinhos. A partir de agora é guerra.

Até parece que não vem musica super alto da casa delas todas as tardes. Provavelmente ela nem sabe porque deve ser um neto que põe musica a tocar quando chega da escola e quando ela não está em casa, mas para alguém que passa a vida a queixar-se de ser incomodada pelos outros, acho isso altamente divertido.

Ainda considerei voltar a por o filme na cena em que estava e ir a casa dela dizer ‘então mostre-me lá essas lampadas a rebentar’ mas como em todas as guerras, a vantagem do terreno é muito importante, e como tal arrumei essa opção para uma altura em que tenha mais a ganhar com isso.

Aquilo que não consigo ultrapassar é o facto de ter interrompido o meu domingo à  tarde para aturar uma vaca mumificada sem ter aproveitado para a degolar. E o que me irrita mais é que a próxima vez vai ser daqui a muito tempo, quando já não tiver isto atravessado. Mas acho que assim que vir aquela cara novamente agarro no taco de baseball antes de abrir a porta.

Com isto tudo tive uma noite horrivel e sonhos altamente violentos. Num deles estava a dar pontapés na cara de um tipo. E sim, até tinha boas razões para o fazer, mas não deixa de ser perturbante. Perturbante porque me apercebia, no proprio sonho, que espancar o tipo não apagava o que ele tinha feito e acabava por não ser tão satisfatório como esperado. Mas à s vezes vale a pena tentar. Se a violência não fosse um instinto tão forte não havia filmes de acção e eu sempre tive muita testosterona para uma mulher.
Com isto tudo acordei à s cinco da manhã e fartei-me de dar voltas para conseguir voltar a adormecer. As dores de costas também não ajudaram muito nesse sentido.

De manhã fui obrigada a levantar-me cedo para ir fazer análises. Passei hora e meia na clà­nica por causa da análise da glicose epouco depois das onze fui meter-me no inforno seguinte – a conservatória comercial de Almada. Queria simplesmente ir buscar um registo, que pedi em Outubro e já estava pronto, pago e tudo. Tirei senha que tinha o número 83. Como ia no 78 e ainda não tinha comido nada por causa das análises, fui ao café tomar o pequeno almoço e voltei pouco depois. Tinha passado para o número 81. Mas aà­ ficou até à  uma da tarde graças ao mau funcionamento do novo sistema informático que foi instalado no passado fim de semana. Fui atendida à  1.30, ou seja, mais de duas horas depois de ter chegado. Demoraram duas horas a tender duas pessoas!

Eu compreendo que a culpa não é das senhoras que lá trabalham, que até foram muito simpáticas, mas no minimo podiam por um papel a informar que esta semana estão a testar o sistema informático novo e aquilo não está a funcionar bem. Assim pelo menos as pessoas que não vão fazer coisas urgentes poderiam optar por voltar outro dia em vez de estarem ali a ganhar cabelos brancos sem perceber bem porquê. Quando me apercebi do problema já estava lá há tanto tempo que resolvi esperar porque por essa altura parecia-me muito pior ter de voltar outro dia para mais uma seca destas.

Com isto tudo já não deu parar tratar das restantes duas tarefas durante a manhã porque os serviços já tinham fechado para almoço. Por isso fui a casa mas voltei a sair pouco depois, sem almoçar, para conseguir ir à s finanças e ainda apanhar o banco aberto.

Depois disso foi a seca da tarde que correu estupidamente mal. Preciso de pedir um cartão de residente para poder estacionar o Smart na rua durante as obras do metro. Ou seja, preciso de autorização da junta de freguesia para poder estacionar em frente à  minha propria casa durante sei lá quanto tempo.

A lista de documentos que eles pedem para este cartão é cmpletamente absurda e inclui 3 documentos diferentes de comprovativo de residencia. Vi logo que ia ter problemas uma vez que nunca alterei a morada da minha carta de condução que continua a ser a da casa dos meus pais. E, mesmo tendo todos os outros documentos em dia e com tudo a bater certo, estes burocratas de merda vão-me obrigar a renovar a carta de condução por causa de uma porcaria de um cartão de estacionamento.

Aliás, estavam a mandar praticamente toda a gente embora por causa de este ou aquele pormenor técnico.  Sinceramente fiquei com vontade de ir estacionar o carro noutro sí­tio e deixá-lo estar até acabarem as obras. Porque com este frio e grávida de 32 semanas a última coisa que me apetece é ter de ir para Lisboa ou, pior um pouco, para Setúbal, renovar a carta de condução. Neste momento quase que me apetece mais comprar uma garagem.

O mais humoristico no meio disto tudo foi o facto de chegar a casa e descobrir que para fazer uma alteração de morada na carta de condução preciso de uma confirmação de residencia passada pela Junta de Freguesia. Isto não é o cúmulo do absurdo? E pior um pouco, depois de ter estado à  espera e de me mandarem renovar a carta não se lembraram de me dizer que eu preciso de um documento que só eles é que podem passar? Apetece-me seriamente ir lá dar um estalo na mulher e dizer-lhe para aprender a usar a massa cinzenta.

Depois disto tudo desisto por hoje e so espero que não aconteça mais nada porque a próxima pessoa que se cruzar no meu caminho com menos do que um grande sorriso e bombons vai ter uma má surpresa.