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Terceiro dia na escola parte dois

Quando fui buscar o Tiago, já bastante mais calma, dei com ele perfeitamente normal, tal como ontem. Estava a directora da escola, que gosta de ir dar uma ajuda na sala dos bebés, a limpar-lhe a boca depois de ele ter acabado de comer.

Quando me viu o Tiago começou logo a apontar para a porta mas ainda foi mudar a fralda, etc. e entretanto eu estive a falar com a directora que me deu mais pormenores sobre como foi a manhã dele do que a educadora ou as auxiliares deram até aqui. Eu sei que elas estão sempre ocupadas e que a função delas é tratar dos miúdos e não das mães mas penso que parte da ansiedade que tenho sentido se deve a não saber o que ele faz lá ou como se comporta. E como não quero ser chata também não faço muitas perguntas.

Hoje fiquei a saber que ele andou a brincar com uma bola, que já se aproxima mais dos outros miúdos e vi-o brincar à s escondidas com a educadora com um ar bastante feliz. Fiquei a sentir-me completamente parva por ter tido uma reacção tão exagerada de manhã mas sei que foi uma reacção atrasada. Ou seja, só hoje é que me senti assim porque foi o primeiro dia em que vim para casa sozinha visto que na segunda o Pedro foi comigo e ontem estava em casa quando cheguei, por isso acabei por falar sobre a minha ansiedade e não deixei que se descontrolasse.

Hoje, na escola, como estava com uma pessoa mais comunicativa, aproveitei para fazer perguntas sobre a sesta. Fui ver os meninos que se preparavam para dormir e a directora explicou que começam no berçário e depois, por fases, vão-se habituando a dormir nas caminhas no chão até passarem finalmente para a outra sala. Continuo a não saber se conseguem fazer com que ele fique deitado, mas pelo menos acho que ele se está a integrar bastante bem.

No fundo quem não se está a adaptar sou só eu e não tenho desculpa. Vamos ver se amanhã ganho finalmente coragem para o deixar lá. Como é dia de limpar a casa e ele dorme sempre menos por causa do barulho do aspirador pelo menos tenho desculpa. Assim se não dormir também não seria muito melhor em casa.

Um problema menor neste momento é que ele não larga o ursinho, nem para comer, e o boneco fica todo sujo diariamente. Tenho que o convencer a largá-lo quando chega a casa para o poder lavar e secar mas ele já não aceita outro em substituição. Estou a pensar ir comprar outro igual mas parece-me que ele não se vai deixar enganar.

Terceiro dia de escola

Isto era suposto ir melhorando mas hoje sinto-me mais destruida do que no primeiro dia. Depois de deixar o Tiago a chorar mais uma vez vim eu para casa chorar e ainda não consegui parar.

Ontem, quando fui buscar o Tiago ele estava bem e até já tinha almoçado convenientemente. Comecei a sentir-me um pouco mais confiante. A educadora aproveitou para comentar que ele andava por ali – fora do recinto dos bebés – porque já sabia que estava na hora de o ir buscar e que eles se habituam à s rotinas. Isto veio no seguimento da conversa que tivemos quando eu fui lá pela primeira vez em que ela expressou a opinião que isso de fasear não serve de nada e que é melhor deixá-los logo lá o dia todo porque assim habituam-se mais depressa. Eu optei por deixá-lo só de manhã até ver e percebi que ela não concorda porque acha que assim vai ser necessário todo um segundo periodo de adaptação quando ele ficar também para a sesta e lanche.

Eu percebo a ideia dela e o seu ponto de vista. Se eu vou buscar o Tiago todos os dias à  mesma hora, no dia em que não for ele vai passar toda a tarde em ansiedade sem perceber porque é que eu não estou lá. Fiquei então com a dúvida: será melhor começar já a deixá-lo para a tarde?

Como sou a pessoa mais indecisa e influenciável do mundo estive até hoje a pensar nos dois lados da questão e a tentar pesar o factor egoà­smo – é mais egoista deixá-lo ficar lá para ter mais tempo livre ou não o deixar ficar para eu não ter tanta ansiedade? – para tentar chegar a alguma conclusão.

Por um lado ele parece que fica bem, após o choque inicial. Por outro lado duvido que consigam po-lo a dormir. De qualquer forma em termos de tempo para mim, tenho duas horas de manhã para fazer coisas fora de casa e durante a sesta consigo trabalhar um bocadinho em casa. Não é muito mais do que já tinha mas sempre é qualquer coisa. Continuo a ter algumas limitações (não dá para ir a Lisboa comprar materiais, por exemplo, que é uma coisa que preciso de fazer há meses) mas também é só uma questão de tempo.

A confiança no infantário não é uma questão que se ponha. O Tiago está a agir normalmente, continua a comer e a dormir e nem sequer anda a procurar mais atenção nem tenta passar o tempo todo ao colo. No tempo que passa comigo não notei até agora qualquer alteração de comportamento. Sendo assim, ficar ou não mais tempo no infantário é mais uma questão emocional do que outra coisa. Exactamente porque as crianças se habituam a rotinas é que não me pareceu boa ideia alterar a rotina dele de uma forma tão drástica que implique de repente passar o dia todo longe de mim quando não é preciso. E assim dorme na sua cama em vez de num sí­tio que ele ainda considera estranho.

No entanto, hoje de manhã saà­ daqui praticamente com a certeza que hoje ou amanhã iria experimentar deixar lá o Tiago para a tarde. A rotina matinal decorreu normalmente excepto pelo facto de ele ter comido menos que o costume. Mas foi sentar-se no carrinho sozinho e esteve muito bem até entrar na sala da escola. Aà­ começou a choramingar e não parou até eu me ir embora. Estive a arrumar roupa dele no cacifo, a dobrar o carrinho e depois tive de o entregar a uma auxiliar e sair.

Vim o caminho todo a fazer um esforço enorme para não chorar que só resultou até eu meter a chave na porta. Já nem as tarefas que defini para hoje conseguem evitar a avalanche. Já não consigo fazer de conta que não custa. Sinto que estou a forçá-lo a fazer uma coisa que ele obviamente não quer e já nem consigo ver as razões que levaram a essa decisão.

Já nem consegui pensar na possibilidade de o deixar lá para a tarde, nem hoje, nem amanhã nem no futuro próximo. Enquanto ele não demonstrar que gosta de lá estar ou pelo menos que se sente confortado por alguma das pessoas que lá trabalha, não vou conseguir deixá-lo um dia inteiro.

Agora é com ele.

Segundo dia de escola

Como esperado, hoje foi pior. Primeiro não queria ir para o chão por isso levei-o para a sala e dei-lhe um brinquedo mas assim que me comecei a ir embora ele veio atrás de mim a chorar. Eu disse adeus e saà­ porque não queria prolongar a cena mas fiquei outra vez com um nó na garganta que disfarcei através do riso nervoso, como já é costume.

De volta para casa passei no banco e nos correios e quando cheguei a casa estava cá o Pedro a beber o seu café no quarto vazio do Tiago. Conversámos um bocadinho e ele teve que sair para o trabalho. Eu ia atirar-me à s tarefas domésticas mas não consegui, com a sensação que ele ainda estaria para lá a chorar, por isso telefonei para a escola. Quando atenderam disse logo que era mais uma mãe chata a perguntar se o filhote estava bem. A senhora riu-se e foi ver. Disse-me que ele estava bem e a brincar. Fiquei mais descansada e fui então tratar da lista gigantesca de tarefas da manhã – deitar fora lixo e reciclagem, por roupa a lavar, enviar mail a clientes, etc.

Agora já é quase meio dia e está na hora de me preparar para o ir buscar. No fundo as manhãs não dão para muito. Vamos ver quanto tempo é que demora até ele se adaptar para poder começar o treino de ficar lá durante a sesta. Mas resolvi fazer isto por fases por isso vamos com calma.

Primeiro dia de escola

Depois de uma noite mal dormida levantei-me, vesti-me, fui acordar o Tiago que por qualquer motivo resolveu dormir mais hoje, dei-lhe a papa e fomos os três levar o Tiago ao seu primeiro dia de escola.

Ele entrou para a sala muito calmo e foi directo a um brinquedo. Depois de falar um bocadinho com a educadora dissemos adeus e saimos. Ele ficou a olhar para nós com um ar levemente apreensivo mas não chegou a chorar.

Eu é que saà­ quase a chorar. Na verdade não estava à  espera mas foi muito complicado controlar-me. Saà­ com o Pedro até me sentir novamente mais normal, até porque na rua tinha desculpa para usar os óculos escuros. Depois voltei à  escola porque tinha de pagar a mensalidade mas como havia pessoas a fazer inscrições que demoram mais tempo resolvi tratar disso quando fosse buscar o Tiago.

Como tinha material para comprar para uma encomenda, dirigi-me à  loja mas só abria à s 10 da manhã por isso desisti. Ficou mais uma coisa para tratar mais tarde. Como não estava ainda pronta para voltar para casa acabei por ir mesmo ao cabeleireiro. Acho que a última vez que fui cortar o cabelo foi há quase um ano, depois do desastre das madeixas, por isso estava mesmo a precisar. A cabeleireira entusiasmou-se um bocado demais, porque as pontas pintadas estavam mesmo com muito mau aspecto, e por isso ficou ligeiramente mais curto do que eu queria mas que se lixe. Como agora só volto a cortar daqui a mais um ano vai ter muito tempo para crescer 🙂

Fui finalmente para casa mas estive ocupada a fazer coisas como pagar a segurança social, por isso não tive muito tempo para pensar no assunto.

Quando se acabaram as tarefas mais obvias em casa, fui tratar das outras coisas que tinha na lista – pagar a garagem, ir à  farmácia, comprar papel para a impressora de fotos, encomendar lentes de contacto e comprar os materiais que precisava para uma encomenda. Nada de emocionante mas manteve-me ocupada até serem horas de ir buscar o Tiago.

Cheguei um pouco antes da hora porque ainda queria ir tratar do pagamento e ele estava a almoçar. Quando acabou fui buscá-lo. Estava a choramingar mas nada de muito grave. Perguntei como tinha corrido a manhã mas não me deram muitos pormenores. Disseram só que não tinha comido muita sopa nem fruta e só quando eu perguntei como tinha sido com os outros miúdos é que a educadora disse que ele tinha passado o tempo todo num canto agarrado ao ursinho, afastado dos outros. Era o que eu estava à  espera. Ele sente-se intimidado pelos outros miúdos porque não está habituado mas pelo menos não me disseram que passou o tempo todo a gritar.

No geral, para primeiro dia, acho que não correu muito mal. Suponho que amanhã seja mais complicado vir-me embora mas espero que mais para o final do mês ele comece a ver aquilo como uma coisa normal. Custa-me deixá-lo mas penso que ele vai aprender coisas importantes com a experiencia, mesmo sendo um bocado angustiante de inicio.

Viemos então para casa. Dei-lhe sopa e fruta e deitei-o para a sesta. Reagiu normalmente, sem qualquer problema.

Durante a sesta dele ainda consegui começar uma gargantilha que tenho encomendada e que vai demorar dias a fazer mas pelo menos está começada.

Durante o resto da tarde estivemos a brincar como normalmente e o Tiago começou a subir para as cadeiras sem ajuda. É mais perigoso do que subir para o sofá por isso agora tenho que ter muita atençao durante os próximos dias.

Continuo muito nervosa e já a pensar em como será amanhã.

A 2 dias de ir para a escola

Esta semana fiquei verdadeiramente espantada ao aperceber-me do que o Tiago já compreende. Há poucos dias ainda ficava a olhar para mim quando lhe dizia certas coisas e de repente pergunto-lhe se ele sabe onde está o outro sapato e ele vai buscá-lo. Ou seja, não só já compreende o significado da frase – em vez de apenas uma ou outra palavra ocasional – como está a tornar-se bastante mais cooperante. Dou com ele a arrumar os brinquedos no balde que tem para o efeito e a por os livros de volta na estante, na prateleira correcta.

Ontem fiquei ainda mais espantada: ele estava a brincar com o meu relógio pondo-o dentro do barco de brincar. Quando se fartou da brincadeira foi arrumar o barco no balde dos brinquedos. Eu disse-lhe ‘então Tiago, se já não queres o relógio podes dar-me-o de volta’. Ele foi buscar o barco, tirou o relógio e veio entregar-mo. Para um miúdo que não diz uma palavra não esperava tanto.

Hoje passei o dia a imprimir fotos do Tiago. Apercebi-me que o album dele parou nos 3 meses – é o que o Pedro diz: dá para perceber quando é que ele começou verdadeiramente a dar trabalho que eu deixei de ter tempo para fazer coisas como albuns de fotos 🙂

Como tinha que imprimir fotos dele para a escola – fotos tipo passe, etc – aproveitei e escolhi mais umas quantas. Demorou mesmo o dia inteiro a imprimir – a ‘torradeira’ da epson faz fotos com boa qualidade mas demora uma eternidade a imprimir cada uma. Desta vez dei-me ao trabalho de escrever a data de cada foto para ser mais facil fazer o album depois (um dia destes, quem sabe, quando tiver tempo).

Entretanto já tenho a mochila do Tiago pronta ir para a escola na segunda feira. Estava a pensar deixá-lo lá e ir ao cabeleireiro para não vir para casa roer as unhas o resto da manhã mas não sei se consigo. Estou desesperadamente a precisar de cortar o cabelo e fazer qualquer coisa para disfarçar o look bicolor de quem não pinta há mais de 6 meses mas já sei que me ponho a pensar ‘então e se corre alguma coisa mal e me ligam para ir lá buscá-lo e não estou despachada?’. Sei que isso não vai acontecer mas não conseguiria estar à  vontade.

Nestas últimas duas semanas tenho andado mesmo muito ansiosa e um bocado deprimida por causa do infantário. Imagino aquele primeiro dia em que tenho de o deixar a chorar e ir-me embora e estive quase a desistir. Passei noites sem dormir e tenho por vezes a sensação completamente irracional de que quando o deixar lá nunca mais o volto a ver. Esta altura do ano já não é fácil para mim há uns anos e como agora tenho mais uma fonte de inquietação, os sentimentos acabam por se misturar todos resultando em ligações absurdas mas perturbantes. Da mesma forma como não consigo pensar no parto do Tiago sem pensar no parto do Alex agora também sinto que estou a ‘perder’ o Tiago na mesma altura do ano em que perdi o Alex. É uma coincidencia infeliz, esta sobreposição de datas a marcar uma nova etapa e mudança inevitável na nossa vida.

Com tudo isto vem também a ansiedade relacionada com o trabalho, com a pressão extra de ter agora que arranjar mais trabalho que compense o facto de continuar em casa. Eu até me farto de trabalhar só que infelizmente não é o tipo de trabalho que dê grandes contrapartidas financeiras. Mas se tiver que arranjar um emprego convencional o Tiago vai ter de ficar no infantário 12 horas por dia ou mais e eu passo de acompanhá-lo todo o dia a limitar-me a levantá-lo de manhã e deitá-lo à  noite. Sei que temos de fazer muita coisa pelo dinheiro mas ficarei verdadeiramente deprimida se for obrigada a tomar uma decisão com este tipo de limitações. O Tiago é a minha primeira prioridade e eu quero acompanhar o seu crescimento. É egoà­sta, talvez, e sinto-me mal por ser o Pedro a carregar a maior parte da responsabilidade financeira da famà­lia. É um dilema que espero conseguir resolver brevemente sem ter de abdicar completamente de estar presente na vida do meu filho.

Musicas infernais

Como o Tiago já conhece de cor os episódios do Pocoyo que tem cá em casa comecei a gravar episódios do Ruca para ele ver. Infelizmente este programa infantil tem uma daquelas músicas que se entranham no cérebro e nunca mais nos largam levando-nos lentamente à  loucura. Diáriamente, em todos aqueles momentos do dia em que estou a fazer coisas automáticas e não preciso de pensar como no banho ou a preparar o almoço do Tiago, dou comigo a cantarolar mentalmente aquela música infernal. Logo agora que já me tinha livrado da praga anterior que eram as músicas dos ratinhos do Baby First – não há nada pior do que estar a entrar para o carro e começar a pensar ‘a sailor went to sea to see…’

Não sei porque é que é tão mau quando não nos conseguimos livrar de uma praga musical mas para mim é muio mas muito irritante. Acho que as piores são as músicas com letra porque tenho uma grande facilidade em memorizar as palavras (especialmente destas músicas infantis que são muito simples) e daà­ para a frente preciso de me obrigar constantemente a pensar noutra música para tentar quebrar o feitiço. A minha música de eleição para este efeito é a mesma há muitos anos: Here in my head da Tori Amos – achei que era apropriada 🙂

Enfim. Fiquei sem grande vontade de continuar a deixar o Tiago ver o Ruca. Pelo menos a música do Pocoyo não me assombra os miolos apesar de a ouvir constantemente.

Dr Horrible

Consegui finalmente ver o filme do Dr Horrible’s sing-along blog. No site oficial o video só está disponà­vel para quem viver nos US mas felizmente uma alma caridosa colocou os videos no youtube.

Para quem não sabe, o Dr Horrible é um pequeno filme em 3 actos escrito e realizado pelo Joss Whedon, criador da Buffy the Vampire Slayer. O filme é um músical feito exclusivamente para a internet como forma de mostrar que se podem fazer coisas com piada com um baixo orçamento. É sobre um geek que se auto-intitula Dr Horrible e que quer, obviamente, dominar o mundo. As músicas são muito na linha do episódio musical da Buffy e o filme tem bastante sentido de humor à  mistura.

A história é tà­picamente Joss Whedon, com um lado romantico, um herói irritante e um final tipicamente “you should be careful what you wish for”. O personagem do Dr Horrible tem muito em comum com o trio maléfico da Buffy e a menina tem bastantes parecenças com a Willow original – tà­mida, ruiva e com uma vozinha nasalada.

Se fosse uma série de televisão eu via. Aliás, já estou à  tanto tempo à  espera de algo do género que fiquei com apetite para mais.
Estou à  espera da nova série do Joss Whedon, Dollhouse, mas pela descrição e o trailer não estou convencida. É claro que as séries do Joss Whedon nunca são ‘good on paper’ – uma menina loura que caça vampiros? Um vampiro detective? Um western no espaço? Só por isso nunca teria visto nenhuma delas.
Espero então que o humor que caracteriza as outras séries do Whedon tenha lugar nesta senão pode ser uma seca (especialmente porque não acho grande piada à  Eliza Dushku como atriz. Acho que é pouco versátil. Faz sempre a mesma coisa). Mas pronto. Como sempre é preciso esperar para ver.

Furiosa

O Tiago aprendeu a subir para o carrinho de passeio quando quer ir à  rua. Quando fez isso esta tarde eu agarrei na bola e levei-o ao campo de jogos que existe aqui perto. Ele estava feliz da vida a correr de um lado para o outro quando senti uma dor no braço esquerdo. Olhei para o chão, onde o objecto que me tinha atingido caiu e vi que era uma daquelas pilhas ciculares achatadas do tamanho de uma moeda de euro. Olhei para cima e vi que o projéctil só podia ter vindo de um grupo de miúdos de uns 10-12 anos que estava sentado na praceta que fica acima do campo. Aliás, eles nem tentaram disfarçar já que estavam a olhar e a rir-se.

Fiquei imediatamente furiosa e pronta a atacar. Afinal podiam ter acertado no Tiago o que seria suficiente para eu lhes arrancar os bracinhos.

Agarrei no Tiago e fui ter com eles. Perguntei quem tinha atirado aquilo e, como em qualquer grupo a reacção foi ‘não fomos nós’. Um deles ainda começou ‘se calhar foi de um dos prédios’. Eu estava cada vez mais irritada mas com o Tiago nos braços não podia fazer nada, o que só serviu para aumentar a minha irritação. Fui-me embora com algumas ameaças vagas sobre chamar a polà­cia e como estavam a fazer um excelente treino para criminosos – patético, eu sei – e regressei a casa com visões de voltar lá com o nosso taco de softball ou algo pior.

Para me acalmar liguei ao Pedro. Não ajudou muito mas deu-me tempo para cimentar a noção de que nestes casos não há mesmo nada a fazer. Eles são menores e por mais que se comportem como bestas se eu fizer alguma coisa o problema será sempre meu e não deles.

A única coisa que poderia tentar fazer era descobrir quem é que são os pais deles, mas como é obvio isso não é tarefa fácil e de qualquer forma não iria resolver grande coisa.

Eu sei que é normal as crianças portares-se mal, especialmente em grupo. Mas eu que sempre fui và­tima de perseguição de grupos destes não consigo deixar de sentir que em algum ponto da minha vida deveria ganhar o direito de começar a defender-me ou a vingar-me de ataques directos. É incompreensà­vel ter de aceitar, engolir e não fazer nada porque ‘são crianças’. A verdade é que se me tivessem acertado num olho ou na cabeça do Tiago podiam ter feitop estragos graves e nem sequer pensam nisso. Limitam-se a rir e a continuar o seu dia como se nada fosse.

E eu fico aqui a fritar com o impulso de voltar lá abaixo a cada 10 segundos, como se ganhasse alguma coisa com isso. Só espero que os miúdos apanhem montes de porrada em casa mas provavelmente nem isso. O mundo é injusto.

Toda partida

Eu e o Pedro continuamos a fazer exercí­cio. Ontem cumpri o programa todo: meia hora a fazer abdominais e exercí­cios com pesos e meia hora de passadeira com variações de velocidade e inclinação.

Hoje sinto-me toda dorida. O Pedro diz que isso quer dizer que estamos a fazer alguma coisa bem mas a verdade é que me tira um bocado a energia necessária para brincar à  apanhada com o Tiago 🙂

Enfim. Há-de passar.

Odeio telemarketing

Estava eu a fazer o almoço quando toca o telemóvel de trabalho. Fui atender porque podia ser um cliente e apanhei, mais uma vez, uma senhora da optimus a tentar vender os seus serviços.

Já estou farta destes gajos todos. É sempre um ‘private number’, muitas vezes nem se identificam no inicio da conversa forçando-me a ter de perguntar quem fala e recusam-se a deixar-me em paz quando respondo que não estou interessada em mudar de serviço. A gaja de hoje é uma daquelas que não vai demorar muito neste tipo de trabalho. Insistiu dizendo que o nome que tinha para o ‘responsável pelas telecomunicações’ não era eu (insinuando portanto que eu não tinha qualquer espécie de poder para decidir sobre o assunto) e quando eu dei a volta à  questão já bastante escamada, ela ainda estava a tentar seguir o guião e perguntar porque é que não queria mudar de serviço. Respondi que tinha mais que fazer, para pararem de me ligar e para retirarem o meu número da lista. Teve a lata de responder que ‘como eu podia imaginar não era ela que me tinha ligado antes’, como se eu tivesse alguma obrigação de conhecer como funciona o sistema interno de marketing da empresa onde ela trabalha. Ainda respondi que não queria saber e pedi novamente para tirarem o número da lista e ela desligou-me o telefone a meio da frase.

Neste momento quase que anseio que me voltem a ligar porque vão ter uma surpresa desagradável. Sei que da próxima vez não será a mesma pessoa mas uma vitima inocente mas não quero saber.

A verdade é que estão a ligar para o meu telemóvel pessoal com a convicção de que é um telemóvel de uma empresa e por isso estão a tentar vender uma ‘solução empresarial’. Só que o telefone foi comprado por mim, as chamadas são pagas por mim e não pela empresa. Só que, como entretanto tenho outro telefone, aquele ficou apenas para tratar de questões profissionais – é o número que dou aos clientes para quando é preciso contactar-me.

Sendo assim, ligarem para o meu telemóvel a pedir para falar com outra pessoa é completamente absurdo. E virem incomodar-me na minha hora de almoço e depois ficarem muito chateados quando os mando passear – de uma forma talvez um pouco irritada mas nunca insultuosa apesar de me apetecer bastante à s vezes – é inadmissà­vel.

Com tudo isto tenho o almoço frio, já tive que vir baixar o volume do telefone para não correr o risco de acordar o Tiago quando toca e fiquei com uma grande vontade de bater em alguém.

Acho que telemarketing devia ser ilegal e devia poder processar as empresas que me incomodam com essa prática ilicita, incómoda e de violação de privacidade já que nunca lhes dei o meu número nem os conheço de lado nenhum para me andarem a ligar de dois em dois dias. No mà­nimo tinham a obrigação de me pagar um almoço.

– creativity, copyright, inspiration and design theft

– I have a college degree in communication design which basically means I’ve studied and have had an interest in the visual arts for most of my life. And for as long as I can remember, whenever the students were supposed to do any creative work, there was always someone talking about how wrong it was to copy and how much better it was to be creative and original. Now, I don’t think anyone will disagree with that statement except for one small detail: in order to have the technique and experience required to create your own work you first need to study and indeed copy other people’s work as part of the learning process. If that wasn’t true, tutorials wouldn’t be such a large business.

Where I draw the line (and everyone else should too) is when someone then decides to sell this copy. It’s one thing to copy as a learning tool but to profit from someone else’s work, design, whatever, without permission is obviously wrong.

Now that that little disclaimer is out of the way, let me carry on with the point.

So the point is that we are all inspired and influenced by what we see. To believe you can live in a vacuum and that everything you do is going to be completely original is just fooling yourself.

I believe that copying – and this can be done by following instructions, such as tutorials or lessons, or by trying to figure out a technique by replicating something you like – is part of the learning process. But unfortunately, not a lot of people will tell you this, preferring instead to make you believe that creativity is something that you either have or you don’t have, even tell you that it can’t be taught.

Personally I think that’s bullshit. You can learn almost anything you decide to learn if you take the time to practice and have the necessary drive to succeed. A large part of any art form is technique and most of the techniques used in jewellery making have been around for centuries.

And sure, some people have the ‘inspiration’ to take that technique and make something wonderful and some people simply become skilled at the technical side but not artists in the true sense of the word. Still, when you look at it like that, not everyone can become a top surgeon, lawyer or plumber either, no matter how much you study. It doesn’t mean they can’t learn the basics though.

People have certain areas of vocation or preference that lead them down their path, but when it comes to art a lot of people stop before they even try because there’s so much mysticism about artistic ability. There’s talk of ‘muses’ and ‘divine inspiration’ which, in my opinion, takes a lot away from all the hard work the artists actually go through.

Sure, when you come up with a certain design, song, whatever, it’s hard to explain how it came to you. It can be something you dreamt, it can come to you in a flash when you look at something or it can be something you were working on for ages but only comes together when you finally figure out the missing piece. And so, because we don’t really know how our brain works, the words used to describe the process always fail to do it properly and end up sounding religious or new-agey.

But I digress. What I meant to talk about is the controversy regarding copies of other people’s work. I started off by stating that in order to learn a certain craft or artistic technique you shouldn’t be afraid to copy. Usually there is someone whose work you admire and you try and see if you can draw, paint, sculpt, play, write, whatever, just like them.

But some people, in all artistic fields, go so far as to state that if you make any derivative work – work based or inspired by someone else – you shouldn’t even show it to anyone. Really? Not even show it? Just hide it in a drawer like it’s your own personal shame? Come on! The design may not be yours but you made it, with your hands and your technical skill and it’s natural to be proud of it and want to show it off. Are you also going to tell your 6 year old son he can’t draw superman because it’s copyrighted? Somehow I doubt that very much.

In fact, drawing is a good example of of what I’m saying. Some of the best illustrators working today were kids who started off trying to copy their favorite comics and learned to draw in the process. They have also, in time, developed their own styles, sometimes precisely because there were certain things they could not copy exactly or could never quite figure out how to do, and they had to come up with a solution that worked for them.

This is where creativity finally comes into play. It’s a long process and it needs dedication and persistence to pay off. But until you go through the learning process for a long time only very few people manage to develop their own style and create something fairly original. I’m not saying it can’t be done but it’s more the exception than the rule.

To try and make something completely original the first time around generally results in disappointing work and is one of the frustrations that lead many people to give up before they had time to develop their craft properly.

If you don’t believe me, brush up on your art history. Historically speaking, artists would start as apprentices to a master who would teach them to draw or paint, like he did. The apprentices would copy the master’s style sometimes to a point where it would be difficult to tell exactly who had done the work.

Later we have artistic movements where the style of each artist is different but they have common elements and the artists influence each other (think cubism, impressionism, etc).

Today it’s very difficult to come up with something new. Every time some artistic ‘innovation’ is talked about, if you look at it from a critical point of view you are forced to admit that it consists on taking elements from the past and mixing them up in a different way. It’s how you mix them that’s creative and new.

When you talk about a field like jewellery, in which certain ergonomic rules apply and give you limited parameters in which to conduct your work if it’s to remain wearable, this question of originality becomes very difficult indeed, unless you’re an established artist. Unless someone uses the exact same design of an elaborate piece, it’s probably very difficult to claim ownership of the design. I guess it just comes down to who can prove they did it first, but even two people who’ve never seen each other’s work can come up with very similar designs, especially if they are simple ones.

Once in a while someone may come along and steal designs to make a quick profit and have no interest in artistic integrity. This is wrong and I don’t condone it. No one should. Even if your work is merely inspired by someone else’s you should mention your influences and your teachers. Visual and musical artists do this, so why should jewellery be exempt?

But in certain areas, like wire wrapping, I see people butting heads all the time and refusing to teach technique because that would give someone the tools to copy a design or because they make a living selling tutorials so anyone teaching something for free is a threat. It feels like calling everyone a criminal before they even had the chance to think about whether or not they would ever commit a crime and people get caught up in petty, demeaning arguments.

There’s certainly lots of forgeries about in today’s markets, from fake designer clothes and bags to bootleg CDs and DVDs. There’s also people drawing Snoopy, Hello Kitty, etc, which are recognisable and copyrighted characters without permission and that is a clear copy and copyright violation – actually I was recently asked to make polymer clay pins shaped as the heads of Noddy or Bob the Builder and refused because it would be copyright infringement, but I’m not sure the person who asked for the pins even thought about that.

I recently found a curious case. Because I have a small child, I became reacquainted with certain cartoon characters like Musti the cat and then Miffy the bunny. I couldn’t help but notice how similar the two characters were, to the point where I thought they must surely be drawn by the same person. They’re not. Not only that but after doing a quick search on the internet I could find hardly any mention linking the two and none noticing the similarities between them. If such a thing is possible and not even questioned, then how is anyone able to claim a certainty that someone else’s work is based on their own unless they have several items that look exactly like yours?

The bottom line is that people are afraid that someone will come along, steal their designs and make a lot of money selling them while the original designer gets nothing. They probably don’t mind if they inspire someone else, but everyone needs to make a living, and unfortunately you always have to watch your back and try to get ahead of the competition, especially those who prefer to copy exactly what is already done rather than have to think about how to make a certain technique or piece their own.

This fear reduces the will to share experience and knowledge that would benefit people who have a sincere wish to learn and to develop their own skills and creativity.

I have learned from books, tutorials and teachers and I acknowledge them whenever I can. I won’t, however, lose sleep over whether or not a certain piece I make reminds me of this or that artist because my goal is to create my style, not be stuck making the same as other people. I try out things to see what I like, discard what I don’t, pair what I learned with something else I come up with and build my knowledge in technique and design with each piece, always striving to do better. So should everyone.

Just take it one step at a time, don’t try to take credit for something you know you didn’t create, give credit to your teachers but feel free to explore without fear because that’s where the spark of creativity comes from.

Visita ao infantário

Esta tarde levei o Tiago a fazer uma visita ao seu futuro infantário. Precisava de ir buscar a lista dos materiais que preciso de comprar e tinham-me dito que era boa ideia levá-lo a passar uns minutos umas quantas vezes antes de começar a ir a manhã ou o dia inteiro em Setembro.

Deram-me a lista de material e por sorte estava na secretaria a educadora que vai ficar com o Tiago e aproveitei para falar com ela. Ela acha que mais vale levá-lo no primeiro dia e pronto e que ir aumentando o tempo aos bocadinhos não adianta nada em termos de habituação. É obvio que há opiniões diferentes no que diz respeito a estas coisas mas como ela é que vai tratar do miúdo resolvi aceitar a sua opinião.

De qualquer forma, antes de sair, resolvi levar o Tiago à  sala onde vai ficar. Ele nem sequer queria ir para o chão apesar dos outros miúdos se mostrarem muito simpáticos – uma menina foi logo buscar um triciclo para o Tiago e tudo. A educadora conseguiu interessá-lo por uma bola, que é o brinquedo preferido do momento e ele lá andou com a bola na mão durante um bocado, mas sempre a choramingar e a tentar voltar para o colo. Percebi que de facto comigo lá não vale a pena e deixá-lo cinco minutos e voltar parece ser apenas um exercí­cio cruel sem grande resultado prático. Suponho que o primeiro dia será um choque mas ficou combinado que se ele não parar de chorar me avisam e depois logo se vê.

Tudo isto fez-me lembrar o tempo que eu passei no infantário, mais precisamente no externato Frei Luis de Sousa. Acho que até gostava de lá andar mas a memória mais và­vida que tenho é do dia em que a minha mãe se atrasou de tal forma que eu e o meu irmão fomos transferidos para o refeitório do liceu porque era a única parte da escola que ainda tinha funcionários porque o pessoal do infantário já tinha saà­do todo. O refeitório estava aberto porque serviam jantar na parte do liceu. O meu irmão, que devia ter 3 anos, estava muito calmo mas eu, que teria 4 ou 5, à  medida que o tempo passava fui ficando cada vez mais convencida que tinhamos sido abandonados e nunca mais voltaria a ver os meus pais. Por um lado é uma memória boa porque pode ser que me impeça de fazer o mesmo ao Tiago.

Cá por casa temos brincado principalmente a fazer torres de cubos. O Tiago gosta de empilhar os 6 cubos, por vezes ainda põe um copinho ou uma cabeça de urso no topo e depois deita tudo ao chão e começa outra vez. Está a tornar-se mais colaborativo e já ouve quando eu aponto e digo onde é que está um dos cubos e ele vai buscar.

As refeições continuam uns dias bem e uns dias mal. Hoje por exemplo não comeu nada ao almoço por isso fui forçada a dar-lhe a sopa e o peixe ao lanche.

E preciso de escrever isto porque o Pedro pode não se lembrar de passar o video para o computador durante uns tempos: a música favorita do Tiago neste momento é o March of the pigs dos NIN. Cada vez que ouve a música começa a dançar frenéticamente. É absolutamente fantástico de ver. Será que foi por ter ido ao concerto dentro da minha barriga?