Category Archives: Tiago

ATL

Hoje tive uma manhã complicada. Apesar de me levantar à s 7, não consegui arrancar as crianças de casa antes das 10.30. A Joana nunca mais acabava de comer a torrada e depois demorou uma eternidade a escolher a roupa (que tem de ser ela a escolher, desde as cuecas até ao elástico do cabelo). O Tiago levantou-se já depois das 9, comeu calmamente e foi para o chão do quarto fazer de conta que se vestia. A Joana foi à  casa de banho mas fez xixi no chão em vez de pedir para usar a sanita. Não percebo porque é que agora lhe deu para isto mas já é a segunda vez. Lá tive eu de ir buscar a esfregona e metê-la na banheira.

Quando finalmente consegui ter toda a gente vestida, calçada, alimentada e pronta para sair, já estava pelos cabelos.

Com todo este atraso, o pai já há muito tinha ido trabalhar e nós fomos então a pé para a escola. A Joana chorou um bocadinho, porque o regresso depois das férias nunca é fácil, e o Tiago esteve na conversa com os amigos.

Eu e o Tiago fizemos o caminho todo para trás e fomos à  escola dele inscrevê-lo no ATL. Assim que lá chegou encontrou um amigo e passou a hora seguinte a correr de um lado para o outro na brincadeira enquanto eu preenchia os papéis. Quando terminei a inscrição, não se queria vir embora.

Deixei-o ficar e vim a casa fazer o pagamento e buscar os documentos que faltavam para terminar a inscrição e fui buscá-lo à  hora de almoço. Como não estava previsto ele entrar nesse dia, não o ia deixar lá a almoçar mas voltou de tarde porque eu tinha de ir a Lisboa comprar ferramentas para o curso de Joalharia. A ideia é deixá-lo lá durante perà­odos pequenos só para começar a conhecer a escola e os colegas.

Vamos ver se quer voltar amanhã 🙂

Kidzania

Levámos os miúdos à  Kidzania durante a semana de férias. Achámos que num dia útil a meio da semana, especialmente numa semana com dois feriados seria mais calmo. Pura ilusão. Apanhámos com visitas de um número infindável de escolas e mal se podia andar lá dentro.

As filas eram gigantesca, especialmente para coisas como tirar a carta de condução, e como aquilo fechava à s 3, a partir das 2 já andavam só a despachar. O Tiago, que esperou montes de tempo para ir fazer um gelado, ficou frustradà­ssimo porque levou com uma explicação a correr, sem fazer efectivamente nada, e com um toma lá este gelado ranhoso de água e coca-cola e põe-te a andar que há mais gente à  espera.

Antes disso, porém, ainda se divertiu. Foi a um espectáculo de magia, fez um perfume, pintou um desenho, e quando a maltosa toda foi almoçar, ele lá conseguiu tirar a carta e foi conduzir um dos carros de choque da bomba de gasolina (é ainda demasiado pequeno para a pista de corridas). Depois foi para os bombeiros porque queria ir apagar as chamas do prédio a arder mas aquilo só acende muito de vez em quando e teve de se contentar com ir salvar um cãozinho. Também foi à  casa em construção mas teve azar de chegar na altura em que o muro estava todo completo por isso a única coisa que o deixaram fazer foi desmontar o que estava e depois por só um ou dois tijolos.


A Joana estava em pânico com aquela gente toda e não queria sequer sair do colo. Só foi ao avião porque me deixaram subir com ela e mais tarde, quando aquilo finalmente abriu, lá foi brincar para a casa urbana que é especificamente para crianças até aos 4 anos.

Ou seja, a ideia de uma cidade em miniatura para os miúdos é gira, o espaço é interessante mas se estiver muita gente acaba por ser super frustrante para os miúdos que não fazem nada a não ser passar o tempo à  espera de entrar num sí­tio para depois serem rapidamente corridos.

Está na hora de redecorar

Ao fim de dois anos a viver nesta casa acho que está na altura de começar a pensar em substituir e alterar os móveis que não se adaptam. Não tenho uma cadeira decente para a secretária, nem estantes para a quantidade de livros e ferramentas que preciso de guardar no meu estudiozinho. As prateleiras que coloquei na parede calharam logo na zona que teve uma infiltração e a madeira inchou. Como a parede demora uma eternidade a secar, também não posso guardar lá os dossiers dos papeis e cartolinas que habitavam essa zona porque fica tudo cheio de bolor. São os riscos de viver num último andar.

A necessidade de reorganizar o espaço é evidente
A necessidade de reorganizar o espaço é evidente

A outra área que precisa de ser seriamente revista é o quarto do Tiago. Os móveis que lhe comprámos quando era bebé já não se adaptam à s actividades de hoje e o quarto é mais pequeno e mais quadrado do que o da outra casa, portanto os móveis antigos não encaixam tão bem. Precisa de uma secretária, até porque já entra para a primária este ano e vai começar a ter trabalhos de casa, e também de uma cama maior (é mesmo comprido, o miúdo) e mais espaço para livros e Lego. Gostava particularmente de lhe arranjar uma zona onde ele pudesse expor as suas colecções já que é algo de que lhe interessa particularmente mas não sei bem como fazer isso. Se tiverem sugestões agradeço.

Estava a pensar comprar-lhe um beliche já de adulto para ter altura suficiente para colocar uma mesa por baixo. Aposto que ele acharia piada a ter de trepar para a cama. Lembro-me de adorar beliches quando era miúda. Por outro lado, sendo o meu filho, arrisco-me a que ele caia lá de cima e parta o outro braço, mas enfim. É da nossa responsabilidade ter a certeza que ele compreende as regras de segurança.

Cama pequena e móveis demasiado baixos
Cama pequena e móveis demasiado baixos

A parte mais complicada é arranjar tempo para fazer as compras. Se já tentaram decidir alguma coisa numa loja de móveis com duas crianças atrás percebem o que estou a dizer. Voluntários para babysitting? Anyone?

Maldita gripe

Tenho que começar a lembrar-me de fazer a vacina da gripe. Ter os miúdos doentes já é chato mas ficar doente e continuar a ter de vestir, alimentar, dar banho e aturar de forma geral duas crianças, dá cabo de mim.

Tudo começou com a Joana. No dia 8 voltou da escola com febre, mesmo a tempo do aniversário do Tiago. Felizmente não foi muito mau e no domingo já estava boa. Infelizmente, na terça feira dia 12, foi a vez do Tiago acordar com febre. Acabou por passar a semana toda em casa e já estávamos a pensar que ia ter de tomar antibiótico para o caso de afinal não ser só um và­rus  Felizmente não chegámos a tal e a coisa lá passou, apesar de ter demorado quatro a cinco dias e continuar com tosse.

Como não podia deixar de ser, depois de passar uma semana a cuidar de crianças doentes, no sábado calhou-me a mim. Fiquei com febre – que raramente tenho – tonturas, uma dor de cabeça brutal, dor de garganta, tosse…

Como sabia que a coisa só ia piorar, fiz um esforço enorme para lavar roupa e tratar das tretas que é sempre preciso fazer ao fim de semana. Em cima disso tenho também traduções para fazer que não quero deixar atrasar e no entanto há alturas em que mal consigo ter os olhos abertos. Vou fazendo intervalos e dando a mim mesma metas mais realistas mas basicamente acabo por nem trabalhar a um ritmo decente nem descansar como devia.

Vou no quinto dia e acabou finalmente a febre mas passei a noite a acordar com ataques de tosse e voltei a ter as malditas dores de cabeça, que foi o sintoma mais incomodativo de tudo isto.

Para a semana era suposto os miúdos tirarem férias mas já desisti da ideia. Duas semanas sem fazer nada de jeito já me chegam.

Sexto aniversário do Tiago – Tiago’s sixth birthday

O meu filho faz hoje seis anos. Custa a acreditar que já tenha passado tanto tempo mas é mesmo assim. Só porque nos sentimos na mesma não quer dizer que o tempo tenha parado.

As festas foram ontem, domingo, para que a famà­lia pudesse estar toda presente.

Passei o sábado na cozinha a fazer os bolos. Tà­nhamos falado no tema do Lego, que o Tiago gosta muito e criei um board no Pinterest para inspiração. Os bolos pareciam relativamente simples portanto, como sou maluca, achei que para a escola era mais giro enviar cupcakes para cada criança ter o seu bolinho individual. É de facto uma boa ideia mas fiquei até à s nove da noite a decorar cupcakes com peças de lego feitas com pasta de açúcar 😛

Na manhã de domingo estava a chover torrencialmente, o que era um bocado inconveniente porque implicava limitar a festa à  zona interior da Quinta do Caiado, onde foi a festa infantil. Aquilo tem um espaço grande com insufláveis (a quem eu passo o tempo a chamar impermeáveis não sei bem porquê), mas tem também um parque infantil no exterior onde o Tiago a certa altura prefere estar. Felizmente o tempo foi melhorando ao longo da manhã e deu para eles brincarem lá fora, para sofrimento do Pedro que passou o resto da manhã a dar balanço aos baloiços das meninas até ficar quase sem braços 🙂

Tirando uma pequena diferença de opiniões entre dois meninos, e uma confusão com um par de sapatos que ninguém sabia onde estava (a tia da menina tinha-os levado), a festa correu bem.

Voltámos para casa à  hora de almoço e passei duas horas a arrumar a casa e preparar a mesa para a festa da tarde. Acho que precisamos mesmo de investir numa mesa de sala porque aquilo que temos agora já não chega para estas ocasiões e também não ajuda nada quando é hora de tirar fotos.

Ficou a faltar o primo Gabriel que agora vive longe, mas estiveram presentes os outros primos todos, o que foi giro.

A prenda favorita do Tiago parece ter sido uma mala com materiais de desenho, que inclui cavalete e tudo. Não largou aquilo o resto do dia. Depois de toda a gente sair ainda esteve com o pai a montar um kit de Lego que uma colega lhe tinha oferecido de manhã.

Eu ando a tentar organizar o Lego há vários dias para podermos começar a montar coisas para além dos kits. Ofereci-lhe um livro de ideias de Lego que, mais do que instruções passo a passo que acabam por limitar a forma como olhamos para o Lego, tem fotos de diversas possibilidades como inspiração para ele planear e construir as suas próprias criações. Preciso de ir comprar caixas para os vários conjuntos de peças e vou demorar semanas a arrumar tudo para ele voltar a misturar em cinco minutos mas pronto, à s vezes precisamos de um projecto 🙂

Hoje de manhã levei os cupcakes e mais uns saquinho de doces para o Tiago celebrar o seu aniversário na escola. Achei que merecia ter uma festa no próprio dia. Logo à  tarde ainda vai ter a prenda “grande” porque ontem, com tanta gente ele nem ia ligar.

Arte do Tiago

Aos seis anos o Tiago está um miúdo esperto, criativo e bastante mais responsável do que eu alguma vez esperaria. Preocupa-se imenso com o que é correcto, o que pode ou não fazer e cumpre as regras de uma forma quase obsessiva.  Quando acha que fez asneira põe-se a ele próprio de castigo. Há algum tempo castigava-se batendo na sua própria cabeça, mas depois de lhe dizer algumas vezes que ninguém bate no meu filho, nem sequer ele próprio, parece ter-se deixado disso. Passou por uma fase mais complicada, há uns meses, mas parece estar melhor. Esperemos que continue.

O Tiago tornou-se também muito protector da irmã. Apesar de por vezes a achar uma chata, especialmente quando ela anda a tentar irritá-lo de propósito, como é normal para uma criança de dois anos que quer a atenção do irmão mais velho, mesmo que seja pela negativa, brincam juntos muitas vezes e o Tiago não a magoa mesmo quando se vê que tem muita vontade. É uma dinâmica interessante de observar.

A sua actividade favorita no momento é desenhar. É capaz de continuar o mesmo desenho dias a fio e faz umas coisas extraordinariamente detalhadas, super coloridas e já com um cuidado a nà­vel de composição da página que me surpreende. Estou a guardar alguns dos seus desenhos mais detalhados porque o “artista” tem a mania de amarrotar e rasgar os desenhos que faz se por acaso há um risco que não fica como ele queria. Isto em desenhos que demoraram dias a chegar à quele ponto.

Anda neste momento a experimentar materiais, desde os comuns lápis de cor,de cera e marcadores até ao pastel de óleo, que é o seu favorito do momento (algo que não agrada muito à  mãezinha que depois tem de andar a limpar interruptores, cadeiras, paredes, etc) e quantas mais cores melhor. Ainda não chegou à  fase de ser ele a misturar as cores mas já anda a falar nisso – queria saber como é que se faz azul turquesa claro.

Eu sei que tudo isto parece conversa de mãezinha babada que acha que o seu filho se vai tornar um grande artista mas não é nada disso. Acho importante incentivar os seus interesses, sejam eles quais forem, e acho que isto é uma fase como já foi a da plastina, a dos cubos de madeira e a dos Bakugans. O importante é que eles se interessem pelas coisas e explorem. Quanto mais coisas experimentarem, melhor noção têm mais tarde do que gostam e do que são capazes de fazer. Na escola preocupam-se muito com o Português e a Matemática. Eu acho importante dar-lhe oportunidades de experimentar tudo o resto. No final, se ele é veterinário,  electricista ou engenheiro de robótica espião é lá com ele.

Aquilo que me surpreende é que uma pessoa espera que os filhos façam desenhos de umas casinhas super tortas com árvores e nuvens e nós somos forçados a sorrir e dizer “oh, está tão giro!” e no caso do Tiago gosto mesmo de alguns dos desenhos que ele faz.

 

Festas de Natal

A semana passada foi pontuada pelas festas de Natal dos filhotes. A Joana Esteve quase para não ir à  dela porque andou adoentada uma série de dias. Aparentemente apanhou um herpes zoster na testa e aquilo estava com muito mau aspecto. Teve de tomar xaropes a pontapé (Antibiótico e antiviral) mais pomadas, depois começou com diarreia por causa da medicação portanto acrescentou-se o Ultra levure e quando chega a sábado e aquilo não melhorava foi preciso parar tudo para não correr o risco de desidratar gravemente a miúda.

Felizmente aquela dose inicial parece ter ajudado e pelo menos a testa lá acabou por curar sem ser preciso mais nada. Por outro lado, constipou-se e ligam-me da escola na terça, precisamente no dia da festa e o primeiro dia em que ela tinha regressado à  escola depois de uma semana em casa, a dizer que estava com febre. Como era um dia especial a educadora pediu se lhe podia dar Benuron a ver se ela aguentava até à  festa. A Joana, ao contrário do irmão que não colaborava nada nestas coisas, porta-se lindamente nas festas da escola. Faz os gestos, dança, e até volta a por o chapéu na cabeça quando este cai. Este ano foi uma gotinha de água mas eu continuo a achar que o chapéu ficou mais com ar de estrumfe.

Sexta foi a vez do Tiago e do seu fato de soldadinho de chumbo. O que eu acho o máximo é que perco um dia a fazer o fato dele e quando chego lá em vez de ficarem felizes só oiço comentários do estilo “ai, só nos dá é trabalho! Agora temos de fazer os outros fatos iguais!” Eu sei que estão a brincar e que gostaram do fato mas se era para não me esforçar muito deviam  dizer logo. Eu só me esforcei porque nos anos anteriores há sempre um ou outro miúdo com um fato fabuloso e o meu tem só umas coisas agrafadas à  camisola 🙂

O Tiago este ano portou-se muito bem, sabia as suas frases com semanas de antecedência, falou alto e claramente sem nenhum daquele nervosismo que demonstrou em anos anteriores e só no fim é que se recusou a por o chapéu mas a culpa é minha que o fiz sem ele estar presente e ficou grande demais. Como o objectivo era eles dançarem, saltarem e divertirem-se, ter um balde a cair bela cabeça abaixo de facto não ajudava nada.

E só para ficar anotado para referencia futura, esta foi também a semana que a Joana largou o bacio e começou finalmente a fazer os seus xixis e cocós na sanita. Mais um nà­vel superado. No dia em que eu finalmente deixar de ter que limpar rabinhos vou ficar TàƒO feliz!

No domingo de manhã tivemos a visita do meu irmão e famà­lia que foram viver há uns meses para Inglaterra. O meu sobrinho já larga a ocasional expressão em inglês e parece estar a adaptar-se bem à  mudança. Temos de combinar outro dia com mais tempo para conversar porque os meus pais não resistiram a aparecer – ter os dois filhos e os netos todos no mesmo sí­tio ao mesmo tempo é demasiada tentação – e o caos instalado daà­ para a frente, com tanta gente, cortou completamente o flow da conversa. É interessante como quanto mais gente junta está num espaço mais superficial se torna a conversa.

A preparação para o Natal já está quase terminada apesar de ainda faltar a entrega de algumas prendas. Deixar as encomendas para Dezembro não foi uma ideia brilhante mas o Pedro andou tão ocupado com o Codebits que não teve tempo de pensar nisso antes. Eu fui tratando do que podia mas há sempre pessoas para quem ele é que tem de decidir e agora vamos ver se as coisas chegam a tempo.

Ainda tenho de decidir se faço biscoitos ou cupcakes este ano ou se fico mas é quietinha e deixo o Pedro fazer antes a sua fantástica tarde de maçã.

O dente

E na mesma semana em que partiu o braço, o Tiago perdeu também o primeiro dente. Já abanava há uns tempos e no domingo, quando vi que aquilo estava tudo solto atrás foi só agarrar e puxar. Ele ficou muito desconfortável com o sangue mas acalmou-se depressa ao ver que a nossa reação era calma e descontraà­da. Arranjei uma caixinha para o dente e passado um bocado ele já dizia que o queria levar para a escola no dia seguinte para mostrar aos amigos.

De tarde tivemos a visita da tia Bela e do tio Fernando que, com um truque de magia, fizeram aparecer uma moeda na caixa do dente. O Tiago ficou de olhos muito abertos a olhar para aquilo e depois muito desconfiado a tentar perceber quem é que o tinha enganado, mas como ninguém se descoseu começou a tentar outra vez a ver se apareciam mais moedas.

O mais giro é que quando a Bela lhe perguntou o que é que ele ia fazer com a moeda ele disse que a ia dar aos pais para comprarem coisas. Lá fomos buscar o mealheiro e explicámos a noção de poupança que, para um miúdo que anda a dizer que não quer nada para o Natal porque já tem muitos brinquedos, deve ser uma noção um bocado inútil nesta idade. O meu filho é estranho. 🙂

Quanto ao braço, o Tiago ficou em casa dois dias mas sempre bem disposto, sem se queixar de dores. Na quinta ao fim do dia foi mostrar o gesso aos colegas que o cercaram todos curiosos e na sexta já quis voltar mesmo para a escola.

O primeiro dente é que ficou na escola. Aparentemente o actual nemesis do Tiago, um menino chamado André, foi ao cacifo dele, tirou o dente da caixa e deitou-o no lixo quando o Tiago não estava a ver. O miúdo estava quase a chorar quando me contou a história, coitado. Estavamos mesmo à  espera que o dente não voltasse mas se foi assim, tenho que ter uma conversinha com esse André…

O braço

Pouco depois do pai chegar a casa o Tiago caiu. Pà´s-se em pé em cima de uma cadeira com rodas e saltou para o chão. Apesar de estarmos fartos de o avisar e dele já ter 5 anos e ser um miúdo bastante bem comportado no geral, também é muito activo e gosta de acrobacias. Desta vez teve azar e a cadeira rolou para trás. Caiu mal, agarrado a um braço. Estávamos os dois na sala com ele mas foi tudo tão rápido que nem deu tempo de lhe deitar a mão.

O pai levou-o ao colo para o quarto e deitou-o na cama onde tentámos perceber a gravidade da situação. Ele estava a chorar histericamente, não deixava mexer, nem ver, nem respondia à s nossas perguntas. Estava completamente em pânico e só dizia “a culpa foi toda minha!” que é o que o nosso filho diz em situações em que outros miúdos dirão “Não fui eu!”

Tentámos acalmá-lo, confirmámos que ele conseguia mexer os dedinhos mas não chegámos a perceber se o braço estava móvel ou não. Ele não queria nada, nem sequer o Brufen para ajudar com a dor e começou a adormecer.

Tentámos ver se ele sempre dormia, nem que fosse para perceber se a dor já tinha passado e se era só fita e ele parecia de facto mais calmo e parou de se queixar mas depois tossiu uma ou duas vezes e voltou a queixar-se, agarrado ao braço. Ajudei-o a ir à  casa de banho e nessa altura consegui finalmente passar a mão pelo braço, muito ao de leve, mas o suficiente para perceber que estava inchado.

O Pedro preparou-se então para o levar para o hospital. Eu entretanto tive de ficar cá a tomar conta da Joana que consegui finalmente deitar perto das nove e meia.

Parece que o hospital estava cheio de gente mas cerca de meia hora depois colocaram uma tala temporária ao Tiago e passada outra meia hora fizeram o raio X. Por volta das dez e meia da noite confirmaram que tinha de facto uma fractura no cotovelo do braço esquerdo.

Chegou finalmente a casa à  meia noite com gesso pelo braço acima. O meu filhote está partido. Assim não vale 🙁

Primeira viagem de barco

O Tiago tinha hoje uma consulta em Lisboa por isso fui buscá-lo à  escola depois do almoço e fomos até Cacilhas apanhar o barco. Ele adorou ver a água e os barcos a chegar. Viu uma alforreca, perguntou montes de coisas inclusive aquilo que o mais preocupava: se o rio tinha tubarões e se estava minado. Ficou muito entusiasmado quando viu uma garrafa de água a flutuar no meio do rio e achou a viagem gira mas curta.

Depois apanhámos o metro e várias mudanças de linha mais tarde lá chegámos ao nosso destino, com dez minutos de atraso, porque a curiosidade e as paragens obrigatórias para fazer xixi tornaram a viagem mais longa do que o esperado.
Depois da consulta fomos conhecer o sí­tio onde o pai trabalha. O Tiago ficou um bocado intimidado quando entrou na sala e viu montes de gente. Acho que estava à  espera que o pai tivesse um escritório só para ele. Quando saà­mos expliquei-lhe que hoje em dia só os chefes é que tinham direito a isso.

Fizemos o caminho inverso, fomos buscar a Joana e voltámos finalmente para casa. Demorei cinco horas a levar o Tiago a uma consulta de uma hora mas fiquei espantada pelo facto de ele se ter portado incrivelmente bem. Vamos ver se da próxima corre da mesma forma já que vai perder a vantagem de se novidade.

Prevenção para pais de adolescentes

Durante muitos anos disse que não queria ter filhos. As razões eram muitas e variadas mas uma delas era saber que eventualmente iria acabar com um adolescente em casa. Considerando que eu já não suportava adolescentes quando era adolescente, acho que isso diz muito sobre a minha aversão a ter de conviver com um diariamente sem o poder por fora de casa.

O meu filho só tem cinco anos e já rebola os olhos, fecha-se no quarto assim que chega a casa, não responde quando falo com ele e atira coisas ao ar e grita cada vez que fica frustrado. Felizmente são comportamentos pontuais e de curta duração e são intercalados com momentos de muita meiguice mas não deixo de pensar em como será lidar com um bicho destes daqui a uns anos.

Sendo uma pessoa prática, e inspirada pelas fotos que o meu sogro coloca online ocasionalmente, decidi que preciso de tirar mais fotos potencialmente embaraçosas aos meus filhos enquanto vou a tempo para ter armamento suficiente daqui a uns anos.

Em casos extremos espero que “ou fazes o que eu te digo ou coloco esta foto no facebook” o faça pelo menos pensar duas vezes. O facebook pode nem existir nessa altura mas haverá algo do estilo e uma mãe prevenida etc e tal.

Aposto que estão a pensar que planear antecipadamente a potencial humilhação publica dos filhos é uma coisa altamente fria e cruel e se calhar não devia mesmo ter tido filhos. Também já pensei isso. Acho que o problema é que há dias em que tenho mais medo de ser responsavel por um adolescente do que de cair num poço cheio de escorpiões e uma pessoa tem de arranjar estratégias para lidar com a ansiedade parental.

Febre misteriosa e sirenes

Ontem à  noite reparámos que o Tiago estava com febre. O facto de dizer que estava cansado e querer ir para a cama foi a grande pista. Geralmente tem a bateria no máximo à  hora de dormir.

Hoje tinha febre de manhã outra vez. Ficou em casa, como é óbvio. Como anda há uns dias a correr para a casa de banho para fazer xixi com muito mais frequência do que o normal resolvemos fazer-lhe uma urocultura. Como a Joana acordou à s 7 da manhã consegui chegar ao laboratório antes da enchente matinal.

Durante o dia o Tiago esteve bem disposto, a brincar, e não voltou a ter febre nem a queixar-se de se sentir mal. O único sintoma anormal continua a ser a frequência dos xixis mas temos de esperar para ver.

Depois de um dia passado só com o meu filho é que percebo quanto a Joana é cansativa. Eu e o Tiago montámos bonecos Hero Factory, fizemos uma história com autocolantes, ele pintou enquanto eu fazia um cartão e fomos conversando sem grande stress.

Com a Joana é mais andar constantemente da cozinha para a sala, da sala para a casa de banho ou fraldário, de voltar para a cozinha, comida, água, fraldas, bacio, procurar bonecos, mãe senta aqui, choradeira constante, colo, não conseguir ir à  casa de banho sozinha, Joana larga isso, Joana não se bate no Tiago, Joana não se atira os brinquedos à  televisão, Joana tira isso da boca… é uma lista infindável.

E não é só a idade, é a personalidade. O Tiago é sério e cumpridor. Contava até três e ele fazia o que eu tinha dito ou pelo menos amuava mas ficava quieto. Com a Joana conto até dois e ela sai disparada a fugir de mim e a rir-se. Se lhe digo que estar em cima de um banco ao lado da fritadeira é perigoso e para sair dali ela responde-me ‘não’ com o ar mais insolente que já vi. Agarro nela e ponho-a no chão e ela liga a sirene anti-aérea. Não é preciso gritar, ralhar ou seja o que for. Basta contrariar a menina. Já percebi que me vai fazer a vida negra e não é só porque tem dois anos.