Compras, sono e 24 – Shopping, sleep and 24

Ontem não estava propriamente um tempo muito agradável para passear por isso acabámos por optar por ir antes fazer umas compras. Comprei umas camisolinhas na Pepe Jeans. Tive alguma dificuldade em encontrar roupa que goste e que me sirva porque o peito, desde que comecei a amamentar, está com o dobro do tamanho e não cabe em nada. Também comprei uma carteira nova DKNY para substituir a minha carteira cor de rosa da Furla que já tinha o porta moedas rasgado. A carteira nova tem o porta moedas por fora o que dá imenso jeito. E comprar acessórios é muito mais fácil que roupa porque o tamanho não muda 🙂
Também já consegui comprar tinteiros para a nossa picture mate e hoje passei parte do dia a escolher e imprimir fotos. Viva o comercio tradicional para estas coisas – não consegui encontrar tinteiros na FNAC nem na Vobis mas a loja de informática da esquina tinha.

E ainda dentro do assunto das compras, aproveitei para encomendar uns livros da Amazon. Ando a ver demasiada TV desde que deixei de ter livros que me apeteça ler.E depois de ler o Thud do Terry Pratchett, não resisti a encomendar o livro ‘Where’s my Cow’ para ler ao Tiago 🙂

O Tiago deixou-me dormir esta noite – leia-se ‘deixou-me dormir os usuais perà­odos de duas horas (da 1 à s 3, das 4 à s 6 e das 7 à s 9) – ao contrário da noite anterior em que adormeceu tarde e acordou à s seis da manhã e daà­ para a frente não ficou quieto mais de meia hora. Mas o Colimil parece estar a fazer qualquer coisa. Apesar de não acabar com as cólicas parece pelo menos ajudar o Tiago a limpar os intestinos com um bocadinho menos esforço. Há dias que não precisamos de usar a sonda.

Também não dormi mais esta manhã porque o bronco do vizinho de cima começou a cantar à s dez da manhã e o Tiago desatou aos berros outra vez.

Já comecei a lavar a roupa de 3 meses porque o Tiago já cresceu mais uns centà­metros e segundo as nossas contas tem agora 56 e meio e a roupa actual acaba nos 56. A roupa de 3 meses ainda me parecem grandes, porque são para 60 cm, mas suponho que tenho de experimentar vesti-lo para ver como fica. Os fatinhos que tenho para esta idade incluem 3 pares de jeans, porque toda a gente acha piada aos jeans em miniatura. Só espero que sejam confortáveis já que ele só vestiu coisas fofinhas de algodão até agora.

O Pedro passou o dia a sangrar do nariz. E a sangrar a sério. Ficou com a t-shirt cheia de sangue e eu tive de fazer um grande esforço para não ficar enjoada enquanto lhe passava toalhas de papel. O meu està´mago não gosta mesmo nada de sangue.

Começámos este fim de semana a ver a série 6 do 24. Até agora devo dizer que gostei mais da anterior. Esta não me está a deixar assim muito entusiasmada. Suponho que eventualmente eles vão deixar de saber o que fazer mais com o formato o que é um bocado triste. Enfim, também só comecei agora. Pode ser que melhore.

O rastreio auditivo

No sábado levámos novamente o Tiago a pessear ao parque. Ele dormiu o tempo todo, como de costume. Tal como grande parte dos bebés, desde que esteja em movimento dorme profundamente. Felizmente ainda não foi preciso levá-lo a passear de carro para se acalmar, mas se alguma vez for necessário já sabemos que funciona.

O mais giro é que agora há qualquer coisa de novo todos os dias. No sábado calçou os seus primeiros sapatos. Fui experimentar só por brincadeira e já serviam perfeitamente. É incrivel a velocidade a que ele cresce. Isso nota-se principalmente pelo facto de ser preciso alargar o cinto de segurança da cadeirinha cada vez que temos de sair com ele.

Comprámos uma espreguiçadeira para o Tiago que tem dado imenso jeito. De dia já pode ficar sentado, virado para nós, o que permite maior interação connosco e com o meio ambiente. E como a cadeira tem uma barra para pendurar brinquedos também serve de estimulo visual. De noite, posso levá-lo para a sala e deitá-lo ao lado do sofá. Como aquilo é mais baixo do que o berço já não preciso de me levantar do sofá cada vez que ele resmunga. Basta esticar uma mão e abanar a espreguiçadeira ou segurar-lhe na mão para o acalmar. Acabo por conseguir descansar um bocadinho mais.

A grande diferença é que não tenho lido muito ultimamente. Acabaram-se os livros que queria mesmo ler e ainda não consegui comprar mais. Tenho uma série deles que ainda não li mas nenhum é no tom certo para o meu mood actual. Em substituição, e porque de noite também nunca estava acordada o suficiente para ler, comecei a ir para a sala ver séries. O meu sogro emprestou os DVDs do CSI NY e the outras série chamada The Closer e tenho andado a ver também o Grey’s Anatomy, a que não achei grande piada inicialmente mas que na segunda série melhora um bocadinho. Assim não preciso de ter muita atenção nem estar muito acordada e ajuda a distrair e não dou tanto pelo tempo a passar. Dá para amamentar e esperar que o Tiago adormeça antes de o tentar enfiar na cama outra vez. Já deu para perceber que ele acaba por fazer intervalos maiores entre refeições se estiver mesmo a dormir quando o deito e já consigo dormir umas 3 horas de seguida, nas noites boas.

No domingo vi o filme Little Miss Sunshine de que gostei imenso. Tem bons actores e uma série de personagens com problemas desde dependência de drogas a tentativa de suicido mas consegue ser um filme bastante leve e agradável de ver em vez do dramalhão que seria de esperar. Pelo menos surpreende por isso. E também mostra de uma forma que não deixa dúvidas o horror que são aqueles concursos de beleza para crianças. As miúdas maquilhadas como adultos mas com as proporções de cara de criança parecem pessoas deformadas. Acho que meter crianças nestas coisas devia ser considerado abuso de menores.
Também no domingo o Tiago apoiou-se pela primeira vez nos antebraços com a cabeça levantada. Foi uma surpresa. Estava deitado de barriga para baixo na consola das fraldas para podermos abotoar a roupa nas costas e de repente lá estava ele, todo levantado. Foi para marcar as 6 semanas.

Também foi a primeira vez que o Tiago vomitou. Estava a mamar e de repente era leite em todas as direcções. E não era aquela quantidade moderada que é costume regurgitar ocasionalmente. Foi tudo o que tinha acabado de engolir – blargh! Fiquei encharcada, ele também, assim como o sofá, a almofada e possivelmente o resto do universo. E eu controlo sempre o tempo e não o deixo mamar mais de 20 minutos, por isso não compreendo bem o que lhe aconteceu.
Ontem o Tiago teve visita da tia Marta e da Joana que lhe ofereceu umas botinhas muito giras. Fartou-se de resmungar porque as cólicas estão cada vez mais agressivas. Depois de tentarmos sem resultado dois produtos diferentes vamos agora no terceiro – Colimil. Como é uma quantidade de liquido maior do que as gotinhas do Aero Om ou do Biogaia, o Pedro foi comprar uns biberons e a máquina para esterilizar, coisas que já estavam na lista há algum tempo mas que ainda não tinham sido necessários.

A infecção do olho direito também parece ter passado finalmente e agora ele já tem claramente lágrimas quando chora.

Hoje fomos com o Tiago à  Cliniped para fazer rastreio de audição. Ele fez o primeiro rastreio no Hospital mas o ouvido direito não passou. Na altura pareceu que foi apenas porque ele estava a mexer a boca mas ficou a dúvida. E por qualquer razão que não compreendo, uma vez que o exame demora apenas um ou dois minutos, em vez de repetirem no dia seguinte para tirar as dúvidas marcaram simplesmente uma consulta de pedriatria para seguimento da questão, só que apenas para o final de Junho. Achei completamente absurdo um intervalo tão grande por isso resolvi marcar eu um exame numa clinica privada e tirar as dúvidas de uma vez por todas.

A marcação era para as duas e meia mas só mais de meia hora depois é que fomos atendidos. Como tinha feito as contas para o Tiago estar a dormir à s duas e meia, quando finalmente fomos atendidos ele já estava a acordar. O médico foi muito simpático e paciente mas foi preciso por o Tiago a mamar para se conseguir fazer o exame. Mas pronto, passou em ambos os ouvidos e parece que não há de facto problemas com a audição dele, o que é menos uma preocupação.

Aquilo que não gostei nada foi da sala de espera da clà­nica. É um barulho insuportável, mesmo com a sala quase vazia. Aquilo faz imenso eco e as recepcionistas falam super alto. A ironia é que colocaram na parede um cartaz a pedir silencio. Considerando que levámos o Tiago para uma consulta especifica em que ele precisava de estar a dormir para ficar quieto o suficiente, aquilo não ajudou nada. E só quando era já a nossa vez é que se lembraram que nos deviam levar para um gabinete vazio, que acabou por não acontecer porque já estava na hora. Fiquei com um bocado de má impressão daquilo.

Quando saà­mos da clà­nica o Pedro queria ir fazer umas compras por isso fomos a casa buscar as rodas para a cadeirinha. Só que enquanto o Pedro subiu foi preciso mudar a fralda ao Tiago. Como sou muito inteligente resolvi mudar-lhe a fralda no carro. É claro que ele conseguiu regar tudo, incluindo eu, apesar da fralda de pano e da base de plástico que tinha por baixo. O gajo consegue sempre levantar as pernas e afastar a fralda mesmo naquele momento em que estou a olhar para o lado e o banco do carro é demasiado inclinado para este tipo de actividades. Acabei por desistir e ir antes para casa mudar de roupa.

Secas bancárias

Depois de mais uma noite horrivel em que tive que me deitar novamente com o Tiago no sofá da sala até ele parar de chorar e voltar finalmente para a cama à s 4 da manhã, sabendo que daà­a duas horas ia começar tudo de novo. Ele já passa muito mais tempo acordado de seguida e a novidade da noite foi que ele começou a mexer-se na cama. Fui dar com ele duas vezes deitado num angulo de 90 graus em relação à  posição em que o tinha deixado, ou seja, atravessado na cama. Não sei como é que ele fez aquilo mas não há dúvida que é mais uma fase de desenvolvimento. Aliás, faz 6 semanas no domingo e isso costuma indicar um salto de crescimento.
Levantei-me à s nove para o alimentar novamente e preparar-me para ir ao banco. Estava a chover torrencialmente. Como é possível o tempo mudar tão drasticamente de um dia para o outro? Ainda pensei em cancelar, mas tinha-me dado ao trabalho de marcar reunião coma gestora de conta, ir fazer o cartão de contribuinte do Tiago e estar devidamente acordada a horas por isso não fui capaz de adiar. Encontrei um guarda chuva e preparei-me para sair. Felizmente o tempo voltou a mudar à s 10 da manhã, hora a que tinha de sair. A chuva parou e lá fui eu sequinha, com o Tiago ao colo, até ao banco.

Abrir uma conta é, aparentemente, um processo muito lento. Demorou uma hora e ainda tenho de lá voltar para a semana com a assinatura do Pedro. Dei-me eu ao trabalho de perguntar o que era preciso antes de ir e afinal tenho de voltar na mesma. Mas pronto. O Tiago já tem uma conta bancária e agora quando receber prendas em dinheiro vai tudo directamente para a sua conta.

Quando cheguei a casa tranferi algum dinheiro para lá (que tinha sido oferecido pelas pessoas que trabalham no posto dos meus sogros) e depois de entregar as assinaturas posso começar a fazer depósitos regulares nas contas (porque hoje em dia são sempre duas – à  ordem e poupança) até ele ter 18 anos. É uma espécie de trust fund para quem não tem muito dinheiro.

Ainda falei no assunto de renegociar o spread do nosso crédito habitação mas os bancos são altamente sacanas. Como em tudo o resto, criaram uma taxa para alteração de contrato por negociação do spread, e o valor é tão alto que só ao fim de um ano é que passava efectivamente a pagar menos. É ridiculo. Tenho mesmo de ir um dia destes a outro banco saber se ganho alguma coisa em transferir o empréstimo.

O Tiago entretanto resolveu desatar a chorar a meio de todo este processo no banco, mas felizmente consegui calá-lo ao fim de uns minutos. Mas até o compreendo. Se eu achei aquilo uma seca, para ele também não deve ter sido muito divertido estar enfiado no marsupio durante hora e meia.

É claro que quando cheguei a casa estava exausta e ainda não tinha comido nada. Mudei a fralda ao Tiago e estive a dançar com ele ao colo até adormecer e fui finalmente comer. Ele acordou umas horas mais tarde com a trovoada. Foi a sua primeira trovoada. Assustou-se com o barulho, inicialmente, mas depois de lhe pegar não reagiu mais e entretanto a chuva parou. Aliás, este foi um dia altamente indeciso, constantemente a mudar entre sol e chuva torrencial. De qualquer forma deixei-o estar ao colo um bom bocado até adormecer outra vez. Está a ficar um menino muito mimado e quem se vai lixar depois sou eu, mas ele está a crescer tão depressa que também tenho de aproveitar tê-lo ao colo enquanto ele tem tamanho para isso. E é irresistivel ficar a olhar para ele quando está a dormir calmamente. O Pedro sabe isso perfeitamente porque quando nos bocados em que decide ser ele a ficar com o Tiago durante a noite acaba por ficar horas até se ir deitar. Eu farto-me de insistir que durante a noite não pode ser, mas até compreendo porque de dia ele não está cá. É claro que depois paga no dia seguinte quando mal se aguenta em pé.

Ainda tentei deitar-me no sofá por volta das três e meia mas não consigo adormecer de forma alguma durante o dia. Por esta altura já devia conseguir dormir de pé e não andar a ter ‘insónias’ diurnas. Oh well.

Mais um contribuinte

Fui hoje à s finanças inscrever o Tiago como contribuinte para lhe poder abrir uma conta bancária. Já se sabe que hoje em dia é preciso começar logo a poupar, nem que seja para a universidade, e assim pretendemos fazer. Vou amanhã de manhã ao banco tratar do resto.

É um bocado estranho ir inscrever um bebé com pouco mais de um mês nas finanças. Não faz muito sentido. Mas os bancos, apesar de terem contas especificas para bebé, exigem esse passo e acho importante que tenha logo uma conta em nome dele para não haver tentações se alguma vez ficarmos com pouco dinheiro. Assim naquele ninguém mexe durante os próximos 18 anos.

Esta noite foi mais calma que a anterior e até consegui levantar-me à s nove da manhã sem ficar a morrer de sono. Ele passou a noite anterior e o dia de ontem cheio de cólicas outra vez. E começou a parecer que a noite ia ser igual à  anterior. Felizmente, depois de o levar para a sala à s onze para o alimentar e de brincar um bocado com ele e deitá-lo de barrigar para baixo para fazer exercí­cio, ele começou a ficar cansado e acabou por adormecer. O exercí­cio fez-lhe tão bem que dormiu 3 horas de seguida em vez das duas do costume. O que quer dizer que eu também consegui dormir da meia noite à s 3 e acordar já bastante menos exausta. Depois voltei a adormece-lo antes de o por na cama novamente e aguentou-se até à s 6.

Na verdade há dias em que ele tem uns horários tão certos que nem preciso olhar para o relógio para saber que horas são. Ele chora à  meia noite, 3, 6 e 9 da manhã. De tal forma que nos dias em que passa da hora eu já acordo naturalmente e acabo por ter que ir certificar-me que está tudo bem 🙂

Os dias estão a ficar bastante mais quentes de repente e isso implica um ajuste rápido à  quantidade de roupa que tenho de lhe vestir. Estou tão habituada a preocupar-me com o facto dele ter frio que agora custa a adaptar-me ao facto de ter calor e já não ser preciso andar enrolado numa manta.

A pele da cara parece estar muito melhor, graças ao creme de cortisona e de resto é mesmo só uma questão de aguentar mais uns dois meses de cólicas.

Ontem, com ajuda do Pedro e do meu irmão, resolveu-se finalmente o problema que tinha surgido de trabalho. Felizmente foi só substituir a CSS e não foi preciso fazer mais nada. Decididamente CSS veio facilitar imenso a vida dos designers. E aquele site nem sequer usa CSS ao nà­vel a que o podia fazer – ainda usa tabelas em vez de containers, por exemplo. Mas foi feito em 2004, altura em que eu ainda estava muito no inicio da aprendizagem de CSS e em que nem os browsers permitiam certas coisas que dão para fazer agora. Se bem que agora tenho tido pouca prática e estou novamente desactualizada. Felizmente tenho o Pedro para me ajudar quando tenho alguma dúvida.

Os gatinhos continuam alegremente espalhados pela casa, o que tem reduzido o número de lutas entre eles. O downside é que agora que têm novamente acesso a plantas andam a vomitar bocados de folhas pelos tapetes. É daquelas coisas que não compreendo – porque raio é que tem de ser no tapete? Será que o gato pensa ‘já que tenho de vomitar que seja em conforto’?

E acho piada o facto do House estar constantemente ao pé do carrinho do Tiago, como se estivesse de guarda. Farta-se de se roçar nas rodas e dorme encostado a elas. Acho que estava com saudades dos cheiros da rua.

53,5 cm, 3,850kg

Fomos esta manhã ao pediatra com o Tiago e está tudo bem. Regou a marquesa durante o exame (ele parece que só faz xixi quando se tira a fralda) e ganhou um kg no último mês, estando agora com 3kg e 850gr e 53,5 cm de comprimento.

As roupas de 0 meses (que são de 50 cm) já não servem mesmo – já não consegue esticar as pernas dentro daquilo – e acho que só temos 4 fatos para o tamanho que ele tem agora (50-56cm) mas ainda bem que não comprei roupa nenhuma para ele porque acho que ficava a chorar o dinheirinho ao começar a perceber que ele só veste cada fatinho umas duas ou três vezes antes de deixar de servir. Vou ter de começar a lavar a roupa de 3 meses, e para essa idade tenho uma quantidade enorme de roupa, porque acho que vai ter de a começar a usar antes do tempo.

As últimas duas noites foram bastante boas, depois de uma noite horrivel de sabado para domingo em que esteve a chorar até à s 3.30 da manhã. Depois adormeceu meia hora e acordou novamente à s 4.

Mas deu para perceber que ele anda a mudar o horário aos poucos porque dantes acordava entre as duas e as 5 e agora é entre a meia noite e as 3. Para ajudar a acertar o horário mais depressa resolvemos antecipar a hora de ir para a cama. Em vez de ficar connosco na sala até à  meia noite passou a ir para a cama logo depois de tomar banho (à s oito como de costume) e comer. A ideia é que se o problema é a adapatação ao quarto, como nos parece, assim em principio faz a fita toda até à  meia noite e depois já deve dormir. E parece que funcionou.

É claro que a noite de sábado para domingo também foi má por causa das costumeiras dores de barriga – ele estava super inchado – e nestas duas noites seguintes esteve bem. Mas mesmo assim acho que a adaptação ao espaço mais cedo também ajuda a mantê-lo mais calmo.

A infecção que tinha no olho parece estar finalmente a passar. O ataque de borbulhas com que anda há duas semanas é que está muito mau mas o pediatra receitou um creme para ver se ajuda.

Ontem resolvi também soltar os gatos. Os coitados têm passado o tempo fechados na cozinha, especialmente desde que o Jones tentou passar por cima do Tiago para vir para o meu colo. Mas achei que estava na altura de os deixar vaguear e também precisava de arejar a casa.

Correu melhor do que pensava porque as duas pequeninas vão para a varanda atacar os vasos, o Jones geralmente fica ao pé de mim, a Scully vai para a nossa cama, a Michelle instalou-se no sofá e o House andou feliz da vida a fazer corridas pela casa em vez de passar o dia encolhido no cesto. Com os bichos espalhados por um espaço maior nem parecem tantos 🙂

Entretanto chegou mais trabalho, desta vez de um cliente que não dizia nada há dois anos. Não compreendo porque é que é sempre quando eu não tenho disponibilidade que aparecem estas coisas. Parece que adivinham.

Um mês de Tiago

O Tiago fez ontem um mês. Por um lado nem acredito que já tenha passado tanto tempo. Por outro parece-me simplesmente um longo dia desde a saà­da do hospital até aqui.

O dia começou com a entrega de uma prenda para ele, vinda da nossa amiga Elisa. Eram dois conjuntos de calça e camisola e um chapéu.
No geral acho que este primeiro mês não tem corrido mal. Ele continua a chorar só quando está desconfortável – precisa de mudar fralda, tem fome ou dores de barriga – e o resto do tempo continua calminho e nem se importa de ficar no berço quando está acordado (ou seja, não está constantemente a pedir colo). Isso pelo menos vai-me permitindo fazer as coisas básicas como tomar banho e comer ocasionalmente. É claro que as minhas refeições são todas fora de horas, com pequeno almoço à s onze e almoço por volta das 4 da tarde, e isto nos dias em que me lembro de comer, que não foi o caso hoje. Mas depois jantei bem para compensar.

Infelizmente ontem começou uma nova dose de grandes dores de barriga e tanto a noite como a manhã de hoje foram complicadas. Mas vai-se gerindo, com uma mistura dos diversos métodos.

Temos tido outros pequenos desafios ao longo deste mês. Um deles tem sido tratar a infecção que ele apanhou no olho direito e que se recusa a passar. Também está com a cara e pescoço cobertos de borbulhas, algumas das quais podem ter sido provocadas pela infecção do olho, já que ele passa a vida a enfiar as mãos nos olhos e a esfregar a cara. O que também dá origem a vários cortes que ele faz com as unhas. Já tentei calçar-lhe luvas mas ele abana as mãozinhas duas vezes e as luvas saltam fora por isso acabei por desistir.

Outro desafio é mudar-lhe a fralda antes dele conseguir regar tudo num raio de um metro à  sua volta. Os rapazes são lixados por isso e este anda a ver se ganha uma medalha. Começa deitado de costas e depois consegue rodar até estar deitado de lado enquanto faz um arco de xixi exactamente naquele momento em que tenho as duas mãos ocupadas com a bisnaga de halibut. Tem um timing fantástico.

Mas no fundo, se não andasse com tanto sono, até achava tudo isto divertido. Sendo assim estou desejosa que ele cresça mais um bocadinho para ver se começa a dormir mais de duas horas de seguida.

Pelo menos ontem à  tarde consegui dedicar-me a um dos meus hobbies e estive a fazer coisas em biscuit. Preciso de acabar com a massa que já comprei porque aquilo ganha bolor muito rapidamente e por vezes seca mesmo estando fechada no pacote original. Tenho a impressão que não compro mais quando esta acabar. Prefiro voltar ao Fimo.

É claro que passei horas de volta daquilo e não fiz quase nada. Para ficar perfeitinho cada peça demora uma eternidade a trabalhar. Tenho de tentar acabar hoje.

Quatro semanas and counting

Este fim de semana mudámos de táctica com o Tiago. Como ele não gosta de dormir no nosso quarto por causa do silencio e do escuro (e nós não conseguimos dormir com luzes acesas e musica a tocar) resolvemos po-lo a dormir no seu próprio quarto. Não fizemos logo isso porque achavamos que ele era muito pequenino, mas acaba por ser a melhor solução. Temos o monitor angelcare que monitoriza os movimentos e apita se ele não se mexer ao fim de 20 segundos e vamos ouvindo no nosso quarto quando ele começa a resmungar. Assim já pode ter uma luz ligada (eu tento que seja só a luz de presença como já fazia na sala, mas nas noites mais dificeis fica mesmo um candeeiro ligado) e posso deixar musica a tocar ou os sons do mobile. Como já me levantava para o alimentar de qualquer forma, não faz diferença, e pelo menos nos intervalos conseguimos mesmo dormir.

É claro que apesar do monitor não estou 100% sossegada pelo facto dele não estar mesmo ali ao meu lado. Uma destas noites disparou um alarme de carro na rua e eu já me estava a preparar para correr para o quarto dele. Outra vez o monitor começou mesmo a apitar e só depois de ter a certeza que ele estava bem é que me lembrei que podia ser por as pilhas estarem a ficar gastas. Mas tudo bem. Antes falsos alarmes.

Entretanto reparei que os comentários deste site passaram a ser uma lista de conselhos e sugestões para bebé. É claro que apesar de serem muito bem intencionados não parece ocorrer à  maioria das pessoas que nós já pensámos e já tentámos isso tudo. Já experimentámos o aero-om que não deu em nada, estamos agora a usar outra coisa chamada biogaia que também não está a funcionar, tentamos todas as formas de massagem possà­veis e posições para o bebé – barriga apoiada no braço, deitado no peito, massagem seguida de encolher as perninhas, etc. Até já usámos a técnica do microlax quando ele estava com a barriga tão dilatada que não havia mais nada a fazer. Uma pessoa pode ser inexperiente mas com a necessidade aprende-se depressa. Oh well. Daqui a uns meses isto passa. Depois é esperar que lhe comecem a nascer os dentes 🙂

O conselho que toda a gente dá sem ter noção da impossibilidade da coisa é dormir quando ele dorme. É claro que faço isso, quando posso, mas não chega. Ele come a cada 3 horas o que implica uma hora a tratar dele e duas horas de descanso (se ele não tiver cólicas). Durante a noite obviamente que tento dormir mas durante o dia não dá. Há telefones a tocar, fico com fome, tenho de tomar banho pelo menos a cada dois dias se não conseguir diariamente, preciso de lavar a roupa dele porque não tenho muita coisa para o seu tamanho actual e se não ponho loiça a lavar acabam-se os copos rapidamente. O mesmo para a roupa – eu posso andar de pijama mas o Pedro precisa de roupa lavada para ir trabalhar. É claro que tento gerir estas coisas com o mà­nimo de incómodo, deixo muita coisa para o Pedro fazer e aproveito os fins de semana para o que pode esperar porque tenho ajuda. Mas também tenho visitas mais ou menos constantes – os domingos à  tarde em particular são para esquecer. É como tudo. A teoria é uma coisa e a prática é outra.

O ajuste maior que fiz foi deixar de ler antes de dormir à  noite. Tenho de aproveitar todos os minutos. Agora leio durante a amamentação. Passo tanto tempo a dar de comer ao Tiago que já vou no terceiro livro. Também dá jeito porque se ele estiver muito nervoso leio em voz alta e ajuda a acalmá-lo. Acho que é preciso criar o hábito de leitura desde cedo por issonão faz mal nenhum começar já a treinar. E assim vai também ouvindo as duas linguas logo desde pequenino.
Ontem saimos os 3 pela primeira vez sem ser para ir a uma consulta. Fomos, como toda a gente, ao centro comercial. Eu sei que é horrà­vel mas pronto. Ele já tem 4 semanas, era domingo de páscoa à  hora de almoço e aquilo estava vazio e eu estava a ficar um bocado farta de estar enfiada em casa. Como também precisava de comprar algumas coisas, como mais sotiens de amamentação, arriscámos a ir um bocadinho entre ataques de fome do Tiago. Ele dormiu o tempo todo e eu comprei um sotien, uns sapatos e uns óculos escuros. Depois de 9 meses a usar as mesmas 5 ou 6 peças de roupa estava a precisar de gastar dinheiro. É claro que queria comprar roupa nova mas acabei por desistir da ideia. Por causa da amamentação tenho de usar camisolas com easy-access e não encontrei nada que servisse esse proposito. Havia coisas muito giras mas que ia acabar por não usar. E por outro lado queria comprar peças especificas que tinha visto em revistas de moda como sendo das novas colecções da estação e não encontrei. Para que serve ter lojas das marcas se depois não há o que se procura? É capaz de ser muito cedo mas como agora não vou poder fazer isto muitas vezes torna-se um bocado frustrante.

Por fim, num assunto completamente diferente, saiu esta semana uma referença aos Stuffed Squares no jornal Sol. A jornalista responsável escreveu-me na quarta feira a pedir autorização e eu enviei-lhe fotos e respondi a umas perguntas mas acho que já não deve ter recebido esse mail a tempo porque segundo o meu pai o jornal já estava a imprimir na quinta à  tarde e eu só respondi por volta das oito. Mas parece que resolveram avançar com aquilo à  mesma. Usaram as fotos do coelho e do pinto porque são os animais da páscoa e pelo menos desta vez vai com a morada do site, ao contrário da referencia no 24 horas – da qual nunca cheguei a obter qualquer espécie de resposta apesar de ter ligado para lá a reclamar.

Mais uma noite sem dormir

Tenho de desistir da fantasia de conseguir levar o Tiago para o quarto à s onze da noite e esperar dormir pelo menos uma horinha antes de ele ter fome outra vez. Assim que encosto a cabeça na almofada ele começa a chorar e daà­ até à s 3, 4 ou 5 da manhã não volta a ficar quieto a menos que esteja ao colo.

Foi o que aconteceu ontem, novamente. O Pedro recusa-se a deixar-me traze-lo logo para a sala e acabámos por andar a levantar-nos de cinco em cinco minutos até à  uma e meia da manhã, altura em que achei que já chegava e levei mesmo o Tiago para a sala.

Como passa esse tempo todo acordado começa a querer comer de hora a hora. Eu ainda tento dar-lhe a chucha para ver se ele aguenta pelo menos mais meia hora, porque comer a meio da digestão não é bom para ele, mas eventualmente tenho de ceder quando ele começa a chorar descontroladamente. Depois adormece mas só até o colocar no berço, altura em que acorda novamente.

à€s 3 da manhã já estava dividida entre partir qualquer coisa ou acordar o Pedro. Dei de mamar novamente e deixei-o adormecer ao colo. Depois deitei-me no sofá com ele ao lado até à s 4 da manhã e só aà­ é que voltei a tentar colocá-lo no berço. Ainda resmungou um bocado mas finalmente acabou por adormecer e lá dormiu até à s 7.

Agora estou aqui na sala, sem poder dormir mais hoje porque está cá a Augusta a limpar a casa. Mas pelo menos amanhã é feriado e tenho pena mas é a vez do Pedro aturar o filho esta noite.

Para piorar a situação, temos uma nova vaga de vizinhos de cima. A casa de cima está constantemente a ser alugada a novas familias, cada uma mais barulhenta que a anterior. Mas acho que nunca foi tão mau como agora.

Os anteriores vizinhos já tinham a televisão ligada no quarto até à s 2 da manhã, já arrastavam ruidosamente as cadeiras da sala e por vezes falavam alto, mas estes merecem um prémio.

Tanto quanto consegui perceber são um casal brasileiro que ou tem crianças ou tem amigos com crianças que estão constantemente lá em casa. Só sei que há miudos a correr de um lado para o outro e a arrastar moveis até pelo menos à  meia noite.

Mas não se pode impedir crianças de correr pela casa e isso nem me incomodaria se não fosse o resto.

Começa logo à s oito da manhã com o casal a falar aos gritos um com o outro. Parece que não são capazes de falar normalmente. Depois há a musica constante, com um volume que faz o nosso subwoofer sentir-se tà­mido. Têm festas com montes de gente quase todos os dias, até à  meia noite. Depois levam a chinfrineira para a escada durante uns vinte minutos pelo menos até as visitas se meterem finalmente nos elevadores e desandarem. Mesmo assim a musica mantém-se, na sala, até à s 2 pelo menos.

Mas o pior foi mesmo o domingo passado. Começaram aos gritos como de costume e depois estiveram a cantar musica brasileira em karaoke, com microfone amplificado, bastante desafinados, até altas horas da noite. SEM PARAR o dia inteiro. De tal forma que o vizinho do lado veio bater-nos à  porta para saber se podia contar connosco para um protesto unido contra aquela maltosa. E os tipos vivem por cima de nós e não dele! O homem já estava a dizer que se soubesse que era assim não tinha comprado a casa. Eu como sou sacana não resisti a lembrá-lo que também já tive que aturar o barulho das obras dele durante quatro meses. Era bom demais para deixar passar.

Agora que se aproxima um fim de semana prolongado receio que volte a acontecer o mesmo. É que eu estou a chegar a um ponto de cansaço em que se não consigo dormir ainda mato alguém e posso perfeitamente usar a desculpa de insanidade temporária sem ninguém poder discutir.

Ao fim de 3 semanas

Passaram 3 semanas desde que o Tiago nasceu. Estou muito cansada porque ele insiste em dormir mais de dia do que de noite mas acho que me estou finalmente a adaptar a isso. Basicamente foi preciso render-me à  evidencia que não vou conseguir dormir na minha cama durante algum tempo. Quando tento ele começa novamente a ficar rabujento e tenho de me levantar outra vez. Por isso acabo por passar a noite no quarto dele ou na sala para o Pedro poder dormir pelo menos um bocadinho. Começo a achar que nem vale a pena tentar ir para a cama já que não dura muito.

De dia continuo a não conseguir dormir – ou porque há visitas, ou toca o telefone ou tenho que fazer qualquer coisa que não pode esperar.

É claro que já sabia que não ia dormir. Mas a realidade é sempre diferente. Alguns dias têm sido mais dificeis. Acho que é facil ter alguns momentos mais deprimidos quando se está tão cansada, mas acabam por passar. Farto-me de chorar mas não dura muito. Suponho que também seja por continuar com as hormonas todas descontroladas.
Hoje saà­ sozinha com o Tiago pela primeira vez. Era preciso pagar a garagem e depositar um cheque e não tinha outra hipotese. Felizmente o Pedro já foi comprar o ‘canguru’ porque sair com o carrinho nesta avenida cheia de degraus é impossivel. Estava a choviscar mas ele ia bem embrulhado e aquilo fecha quase completamente por isso não apanhou chuva.

A alimentação, que era algo tão complicado nos primeiros dias, agora corre lindamente. Umas vezes come mais outras não passa dos 5 minutos mas não me preocupo porque já dá para perceber quando tem fome e quando está bem. Afinal já recuperou o peso de nascença completamente dentro do prazo previsto, portanto está bem alimentado. É claro que graças à  amamentação já perdi 11 dos 13 quilos que ganhei durante a gravidez e passo o tempo cheia de fome e de sede. Mas como alguns dias ando tão ocupada que até acabo por me esquecer de comer isso não me surpreende. Infelizmente essa diferença de peso não é tão significativa como gostaria porque acho que tenho mais gordura e menos massa moscular do que há 9 meses atrás. Mas ainda só passaram 3 semanas e pelo menos já consigo vestir alguns pares de calças normais. Há que ver as coisas pela positiva. Basicamente começo aos poucos a sentir-me eu novamente. Acho que durante a gravidez perdi um bocado a minha identidade porque estava tão ansiosa com o resultado e era tudo à  volta do bebé. Agora, apesar de ter de tratar do Tiago 24 horas por dia e continuar a ter montes de restrições alimentares, etc, sinto que já retomei um bocado mais a minha rotina.

Acima de tudo noto já uma diferença enorme no Tiago em relação a 3 semanas atrás. Está obviamente maior e isso nota-se particularmente nas mãos. Ainda não comecei a fazer o album de fotos porque isso implica mais tempo e paciencia do que tenho agora, mas já comecei o livro que nos deram os meus sogros para notas sobre os primeiros cinco anos de vida. Aproveitei para fazer a impressão das mãos e dos pés antes que fiquem enormes. Vai ser giro ver aquilo daqui a uns anos.

De vez em quando ainda tenho flashbacks do hospital. Apesar de ter escrito um texto enorme sobre esses dias não cheguei a incluir algumas das coisas que me ficaram mais marcadas, como a bruta da enfermeira que achava que estava a ser engraçadinha e fez uma série de comentários algo inapropriados. O primeiro foi quando me queixei que o Tiago não queria mamar e disse que já não sabia o que lhe havia de fazer. A resposta dela foi ‘ah, atira-se já pela janela’. Acho que na altura nem liguei mas a minha mãe ficou um bocado escamada. Depois noutra noite embirrou porque o Pedro e outro pai ficaram para além do fim da hora de visita. Resolveu armar-se em nazi e impediu-os de entrar na hora de visita dos pais. Tiveram de ficar de castigo lá fora durante mais 15 minutos. Nada como enfermeiras com power trips.
No último dia perguntou-me se já me tinham dito o valor da análise do Tiago, por causa da ictericia, e quando eu disse que sim e que parecia ser um valor bastante alto e vamos lá ver se desce o suficiente, respondeu ‘ah, não pense que sai daqui hoje’ o que contribuiu bastante para a ansiedade do dia.

Depois foi a brasileira que veio ocupar a terceira cama do quarto. Na primeira noite em que esteve lá foi a noite em que o Tiago não se calava. Na manhã seguinte até me dei ao trabalho de pedir desculpa por não o conseguir calar ao que ela respondeu que só lhe interessava se conseguia dormir. Não voltou a falar comigo e também não fiquei com muita vontade de lhe dizer mais nada. Na noite seguinte foi a vez do bebé dela passar pelo mesmo e no dia seguinte já chorava porque não fazia ideia o que havia de fazer para o acalmar. Não consegui evitar um pequeno sorriso perverso. Devia achar que ia ser uma super mãe e o bebé dela era melhor que os outros quando no fundo era tão inexperiente com qualquer uma de nós.

A outra enfermeira que me irritiou foi durante essa mesma noite. Quando ao fim de duas horas de choro resolvi finalmente chamar alguém fiquei à  espera e nada. Ao fim de uns 20 minutos aparece uma enfermeira para tratar de outras coisas – medir a tensão de uma das outras mães ou algo do estilo. Disse-lhe simplesmente ‘agradecia que chamasse alguém quando for possivel’. Acho que até fui bastante delicada mas a resposta dela, com uma voz altamente arrogante foi ‘esse alguém sou eu e estou a tratar de assuntos prioritários’ e virou-me as costas. Não é como se tivesse insultado alguém ou pedido para me prepararem um banho de espuma.
Acabou por aparecer outra enfermeira passado algum tempo – afinal já não era ela – que levou o Tiago para lhe fazerem uma massagem porque me pareceu que ele estava com cólicas. É algo que também nunca compreendi : porque é que o levam embora em vez de tentarem ensinar como é que se faz a massagem, por exemplo?
Pouco tempo depois ouvi do corredor ‘pois, isso das cólicas também serve de desculpa para muita coisa’, como se eu tivesse inventado o facto de ele estar obviamente com dores. Pelo que percebi depois, se o bebé não tiver a barriga dura eles não consideram cólicas e aparentemente é quase um crime usar o termo. A enfermeira voltou a dizer que ele devia era ter fome, algo que eu também já sabia. O problema é que por causa das dores de barriga ele recusava-se a mamar e só ia ficando cada vez mais irritado. Quando tento explicar isso ainda tenho de ouvir a teoria de que os bebés à s vezes choram sem motivo. Foi a minha noite de Prison Break. Já estava quase a fazer a mala e pirar-me.
Por muito insignificantes que pareçam estes momentos acho que tenho de os escrever nem que seja para me poder esquecer depois. De outra forma continuam a flutuar na minha cabecinha e voltam à  superficie ocasionalmente. Pode não parecer nada mas quando se está num ambiente estranho e barulhento, sozinha, cansada e sem privacidade, roçam a tortura psicologica. Os militares americanos podiam aprender algumas coisas com umas daquelas enfermeiras.

Mas pronto. Já acabou. Agora é comigo e acho que não tem corrido mal.

O meu maior problema neste momento é que tenho tendencia para focar a atenção nos problemas, nas coisas que precisam de ser resolvidas, em vez de olhar para o todo. É como olhar para a cara de uma pessoa e só ver a borbulha que tem no nariz. É uma mania dificil de contornar e arrisco-me a não ter memórias de mais nada a não ser as partes más ou complicadas. Tenho tentado ultrapassar isso mas são muitos anos a funcionar dessa forma. É por isso que sou tão organizada – sei sempre o que é preciso fazer, o que ainda está pendente. Mas um bebé não pode ser uma série de problemas a resolver. Acho que é por isso que tenho tirado tantas fotos – se não conseguir dar a volta à  questão e apreciar os momentos mais calmos pelo monos posso depois olhar para as fotos e assegurar-me que estava lá. Mas não é bem o mesmo.

A terapia tem sido pegar no Tiago de vez em quando só porque sim. Não porque está a chorar ou porque precisa de mudar a fralda mas simplesmente para olhar para ele. Espero que com o tempo isso se torne normal e páre de ter que me lembrar de fazer essas coisas.