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Mais uma noite sem dormir

Tenho de desistir da fantasia de conseguir levar o Tiago para o quarto à s onze da noite e esperar dormir pelo menos uma horinha antes de ele ter fome outra vez. Assim que encosto a cabeça na almofada ele começa a chorar e daà­ até à s 3, 4 ou 5 da manhã não volta a ficar quieto a menos que esteja ao colo.

Foi o que aconteceu ontem, novamente. O Pedro recusa-se a deixar-me traze-lo logo para a sala e acabámos por andar a levantar-nos de cinco em cinco minutos até à  uma e meia da manhã, altura em que achei que já chegava e levei mesmo o Tiago para a sala.

Como passa esse tempo todo acordado começa a querer comer de hora a hora. Eu ainda tento dar-lhe a chucha para ver se ele aguenta pelo menos mais meia hora, porque comer a meio da digestão não é bom para ele, mas eventualmente tenho de ceder quando ele começa a chorar descontroladamente. Depois adormece mas só até o colocar no berço, altura em que acorda novamente.

à€s 3 da manhã já estava dividida entre partir qualquer coisa ou acordar o Pedro. Dei de mamar novamente e deixei-o adormecer ao colo. Depois deitei-me no sofá com ele ao lado até à s 4 da manhã e só aà­ é que voltei a tentar colocá-lo no berço. Ainda resmungou um bocado mas finalmente acabou por adormecer e lá dormiu até à s 7.

Agora estou aqui na sala, sem poder dormir mais hoje porque está cá a Augusta a limpar a casa. Mas pelo menos amanhã é feriado e tenho pena mas é a vez do Pedro aturar o filho esta noite.

Para piorar a situação, temos uma nova vaga de vizinhos de cima. A casa de cima está constantemente a ser alugada a novas familias, cada uma mais barulhenta que a anterior. Mas acho que nunca foi tão mau como agora.

Os anteriores vizinhos já tinham a televisão ligada no quarto até à s 2 da manhã, já arrastavam ruidosamente as cadeiras da sala e por vezes falavam alto, mas estes merecem um prémio.

Tanto quanto consegui perceber são um casal brasileiro que ou tem crianças ou tem amigos com crianças que estão constantemente lá em casa. Só sei que há miudos a correr de um lado para o outro e a arrastar moveis até pelo menos à  meia noite.

Mas não se pode impedir crianças de correr pela casa e isso nem me incomodaria se não fosse o resto.

Começa logo à s oito da manhã com o casal a falar aos gritos um com o outro. Parece que não são capazes de falar normalmente. Depois há a musica constante, com um volume que faz o nosso subwoofer sentir-se tà­mido. Têm festas com montes de gente quase todos os dias, até à  meia noite. Depois levam a chinfrineira para a escada durante uns vinte minutos pelo menos até as visitas se meterem finalmente nos elevadores e desandarem. Mesmo assim a musica mantém-se, na sala, até à s 2 pelo menos.

Mas o pior foi mesmo o domingo passado. Começaram aos gritos como de costume e depois estiveram a cantar musica brasileira em karaoke, com microfone amplificado, bastante desafinados, até altas horas da noite. SEM PARAR o dia inteiro. De tal forma que o vizinho do lado veio bater-nos à  porta para saber se podia contar connosco para um protesto unido contra aquela maltosa. E os tipos vivem por cima de nós e não dele! O homem já estava a dizer que se soubesse que era assim não tinha comprado a casa. Eu como sou sacana não resisti a lembrá-lo que também já tive que aturar o barulho das obras dele durante quatro meses. Era bom demais para deixar passar.

Agora que se aproxima um fim de semana prolongado receio que volte a acontecer o mesmo. É que eu estou a chegar a um ponto de cansaço em que se não consigo dormir ainda mato alguém e posso perfeitamente usar a desculpa de insanidade temporária sem ninguém poder discutir.

Ao fim de 3 semanas

Passaram 3 semanas desde que o Tiago nasceu. Estou muito cansada porque ele insiste em dormir mais de dia do que de noite mas acho que me estou finalmente a adaptar a isso. Basicamente foi preciso render-me à  evidencia que não vou conseguir dormir na minha cama durante algum tempo. Quando tento ele começa novamente a ficar rabujento e tenho de me levantar outra vez. Por isso acabo por passar a noite no quarto dele ou na sala para o Pedro poder dormir pelo menos um bocadinho. Começo a achar que nem vale a pena tentar ir para a cama já que não dura muito.

De dia continuo a não conseguir dormir – ou porque há visitas, ou toca o telefone ou tenho que fazer qualquer coisa que não pode esperar.

É claro que já sabia que não ia dormir. Mas a realidade é sempre diferente. Alguns dias têm sido mais dificeis. Acho que é facil ter alguns momentos mais deprimidos quando se está tão cansada, mas acabam por passar. Farto-me de chorar mas não dura muito. Suponho que também seja por continuar com as hormonas todas descontroladas.
Hoje saà­ sozinha com o Tiago pela primeira vez. Era preciso pagar a garagem e depositar um cheque e não tinha outra hipotese. Felizmente o Pedro já foi comprar o ‘canguru’ porque sair com o carrinho nesta avenida cheia de degraus é impossivel. Estava a choviscar mas ele ia bem embrulhado e aquilo fecha quase completamente por isso não apanhou chuva.

A alimentação, que era algo tão complicado nos primeiros dias, agora corre lindamente. Umas vezes come mais outras não passa dos 5 minutos mas não me preocupo porque já dá para perceber quando tem fome e quando está bem. Afinal já recuperou o peso de nascença completamente dentro do prazo previsto, portanto está bem alimentado. É claro que graças à  amamentação já perdi 11 dos 13 quilos que ganhei durante a gravidez e passo o tempo cheia de fome e de sede. Mas como alguns dias ando tão ocupada que até acabo por me esquecer de comer isso não me surpreende. Infelizmente essa diferença de peso não é tão significativa como gostaria porque acho que tenho mais gordura e menos massa moscular do que há 9 meses atrás. Mas ainda só passaram 3 semanas e pelo menos já consigo vestir alguns pares de calças normais. Há que ver as coisas pela positiva. Basicamente começo aos poucos a sentir-me eu novamente. Acho que durante a gravidez perdi um bocado a minha identidade porque estava tão ansiosa com o resultado e era tudo à  volta do bebé. Agora, apesar de ter de tratar do Tiago 24 horas por dia e continuar a ter montes de restrições alimentares, etc, sinto que já retomei um bocado mais a minha rotina.

Acima de tudo noto já uma diferença enorme no Tiago em relação a 3 semanas atrás. Está obviamente maior e isso nota-se particularmente nas mãos. Ainda não comecei a fazer o album de fotos porque isso implica mais tempo e paciencia do que tenho agora, mas já comecei o livro que nos deram os meus sogros para notas sobre os primeiros cinco anos de vida. Aproveitei para fazer a impressão das mãos e dos pés antes que fiquem enormes. Vai ser giro ver aquilo daqui a uns anos.

De vez em quando ainda tenho flashbacks do hospital. Apesar de ter escrito um texto enorme sobre esses dias não cheguei a incluir algumas das coisas que me ficaram mais marcadas, como a bruta da enfermeira que achava que estava a ser engraçadinha e fez uma série de comentários algo inapropriados. O primeiro foi quando me queixei que o Tiago não queria mamar e disse que já não sabia o que lhe havia de fazer. A resposta dela foi ‘ah, atira-se já pela janela’. Acho que na altura nem liguei mas a minha mãe ficou um bocado escamada. Depois noutra noite embirrou porque o Pedro e outro pai ficaram para além do fim da hora de visita. Resolveu armar-se em nazi e impediu-os de entrar na hora de visita dos pais. Tiveram de ficar de castigo lá fora durante mais 15 minutos. Nada como enfermeiras com power trips.
No último dia perguntou-me se já me tinham dito o valor da análise do Tiago, por causa da ictericia, e quando eu disse que sim e que parecia ser um valor bastante alto e vamos lá ver se desce o suficiente, respondeu ‘ah, não pense que sai daqui hoje’ o que contribuiu bastante para a ansiedade do dia.

Depois foi a brasileira que veio ocupar a terceira cama do quarto. Na primeira noite em que esteve lá foi a noite em que o Tiago não se calava. Na manhã seguinte até me dei ao trabalho de pedir desculpa por não o conseguir calar ao que ela respondeu que só lhe interessava se conseguia dormir. Não voltou a falar comigo e também não fiquei com muita vontade de lhe dizer mais nada. Na noite seguinte foi a vez do bebé dela passar pelo mesmo e no dia seguinte já chorava porque não fazia ideia o que havia de fazer para o acalmar. Não consegui evitar um pequeno sorriso perverso. Devia achar que ia ser uma super mãe e o bebé dela era melhor que os outros quando no fundo era tão inexperiente com qualquer uma de nós.

A outra enfermeira que me irritiou foi durante essa mesma noite. Quando ao fim de duas horas de choro resolvi finalmente chamar alguém fiquei à  espera e nada. Ao fim de uns 20 minutos aparece uma enfermeira para tratar de outras coisas – medir a tensão de uma das outras mães ou algo do estilo. Disse-lhe simplesmente ‘agradecia que chamasse alguém quando for possivel’. Acho que até fui bastante delicada mas a resposta dela, com uma voz altamente arrogante foi ‘esse alguém sou eu e estou a tratar de assuntos prioritários’ e virou-me as costas. Não é como se tivesse insultado alguém ou pedido para me prepararem um banho de espuma.
Acabou por aparecer outra enfermeira passado algum tempo – afinal já não era ela – que levou o Tiago para lhe fazerem uma massagem porque me pareceu que ele estava com cólicas. É algo que também nunca compreendi : porque é que o levam embora em vez de tentarem ensinar como é que se faz a massagem, por exemplo?
Pouco tempo depois ouvi do corredor ‘pois, isso das cólicas também serve de desculpa para muita coisa’, como se eu tivesse inventado o facto de ele estar obviamente com dores. Pelo que percebi depois, se o bebé não tiver a barriga dura eles não consideram cólicas e aparentemente é quase um crime usar o termo. A enfermeira voltou a dizer que ele devia era ter fome, algo que eu também já sabia. O problema é que por causa das dores de barriga ele recusava-se a mamar e só ia ficando cada vez mais irritado. Quando tento explicar isso ainda tenho de ouvir a teoria de que os bebés à s vezes choram sem motivo. Foi a minha noite de Prison Break. Já estava quase a fazer a mala e pirar-me.
Por muito insignificantes que pareçam estes momentos acho que tenho de os escrever nem que seja para me poder esquecer depois. De outra forma continuam a flutuar na minha cabecinha e voltam à  superficie ocasionalmente. Pode não parecer nada mas quando se está num ambiente estranho e barulhento, sozinha, cansada e sem privacidade, roçam a tortura psicologica. Os militares americanos podiam aprender algumas coisas com umas daquelas enfermeiras.

Mas pronto. Já acabou. Agora é comigo e acho que não tem corrido mal.

O meu maior problema neste momento é que tenho tendencia para focar a atenção nos problemas, nas coisas que precisam de ser resolvidas, em vez de olhar para o todo. É como olhar para a cara de uma pessoa e só ver a borbulha que tem no nariz. É uma mania dificil de contornar e arrisco-me a não ter memórias de mais nada a não ser as partes más ou complicadas. Tenho tentado ultrapassar isso mas são muitos anos a funcionar dessa forma. É por isso que sou tão organizada – sei sempre o que é preciso fazer, o que ainda está pendente. Mas um bebé não pode ser uma série de problemas a resolver. Acho que é por isso que tenho tirado tantas fotos – se não conseguir dar a volta à  questão e apreciar os momentos mais calmos pelo monos posso depois olhar para as fotos e assegurar-me que estava lá. Mas não é bem o mesmo.

A terapia tem sido pegar no Tiago de vez em quando só porque sim. Não porque está a chorar ou porque precisa de mudar a fralda mas simplesmente para olhar para ele. Espero que com o tempo isso se torne normal e páre de ter que me lembrar de fazer essas coisas.

Pensamentos pós gravidez

Só 3 dias depois do parto é que me apercebi que já não tinha azia. Eu sabia que era um sintoma da gravidez e que devia passar quando já não tivesse o Tiago a empurrar o estomago para um sitio onde ele não queria estar, mas a rapidez com que estes sintomas desaparecem não deixa de surpreender. Depois de conviver com a azia, o nariz entupido e os tornozelos inchados durante tanto tempo parece milagroso quando tudo desaparece de um dia para o outro. Bom, quer dizer, os tornozelos continuaram inchados durante uns dias porque estive a soro e dieta là­quida durante dois dias, o que não ajudou. Mas esse até é o sintoma que chateia menos. Já não ter o nariz entupido é que é um alivio brutal. E já não ter dores de estomago. E conseguir passar mais de meia hora sem ter de fazer xixi. Isso sim, é qualidade de vida 🙂

Também tinha andado a pensar noutra questão relativa à  gravidez que já agora menciono aqui. Há algum tempo, penso que em resposta ao post sobre a forma como as pessoas aderem a modas ridiculas sem pensar, alguém terá falado nas grávidas que mostram a barriga num tom algo ofendido. Sinceramente não tenho nada contra. Eu não gosto de andar com a barriga à  mostra em ocasião alguma porque não é propriamente a minha área mais atraente (especialmente agora :P) mas não me ofende quem o faça. Acho que é uma moda adolescente mas é também parte de um ritual de acasalamento, tal como mostrar o decote – é exibir as zonas do corpo que estão associadas com a fertilidade, razão pela qual algumas pessoas se sentirão incomodadas. Sendo assim, mostrar a barriga durante a gravidez é uma extensão dessa ideia, tornando óbvio o facto de se ser de facto fértil e não apenas de ter o potencial. Há uma espécie de orgulho na barriguinha pela mesma razão que faz qualquer estranho achar que pode fazer pergubntas à s mulheres grávidas. A reprodução continua a ser a base da evolução e sobrevivencia da espécie e a sua importancia continua a ser a mesma de sempre.

No entanto, à  medida que a minha barriga foi crescendo comecei a ter outro problema, totalmente independe destas questões filosoficas: a roupa deixa de servir. As calças caem e mesmo as camisolas de grávida têm tendência para subir, expondo a barriga quer se queira quer não. Por vezes é algo impossivel de evitar. Acho que a roupa de grávida ainda tem muito que evoluir nesse aspecto.  Mas tendo em consideração este facto, será que ainda é ofensivo mostrar a barriga ou isso está limitado à s pessoas que o fazem ostensivamente? Suponho que no fundo não interesse porque à s tantas chega-se a um ponto na gravidez em que até se andava nua se fosse mais confortável e o resto do mundo que se lixe.

A primeira semana em casa depois do parto

Assim que cheguei a casa respirei de alivio. Estava com uma dor de costas brutal porque amamentar no hospital implicava estar sentada numa cadeira sem braços, e por isso sem apoio para o cotovelo, ou na cama, sem apoio para nada. Ainda me emprestaram uma almofada daquelas de embrulhar à  volta da barriga, mas era tão dificil faze-lo pegar na mama que acabei por nem conseguir usar muito. Isto porque à s vezes só conseguia com ele sentado e outras vezes era preciso estar eu de pé a mexer-me para ele não voltar a adormecer.

Começámos então a ajustar-nos ao equipamento caseiro. foi logo preciso mudar a fralda, algo que o põe sempre a chorar descontroladamente porque não gosta nada de ser despido, resultando depois em soluços. Aproveitámos para optimizar a consola das fraldas para ter a certeza que estava tudo à  mão e depois montámos o berço para ter sitio para ele dormir. Quando reparei era meia noite.

Ele dormiu razoavelmente bem nessa noite. Eu é que só dormi 2 periodos de 2 horas por causa dos intervalos para amamentar e mudar fraldas. Mas sinceramente, em comparação com o que dormi no hospital foi uma maravilha. Apesar disso reparei que estava a começar a ter alucinações. Estava a amamentar e a pensar que o Pedro tinha aparecido à  porta do quarto e estava a falar comigo, e de repente acordei. É mesmo muito estranho e indicativo do nivel de cansaço. Mas não é surpresa nenhuma. Já se sabe que dormir agora é uma coisa do passado.

Na manhã de sexta feira consegui tomar banho. Foi o meu grande achievement do dia. Depois fomos ao centro de saude para o Tiago fazer o teste do pezinho. A enfermeira perguntou se eu queria sair enquanto o picavam porque me podia fazer impressão. Até compreendo mas felizmente não sou assim tão sensivel. Mais uma mudança de fralda e muitas visitas das diversas pessoas que trabalham no posto e voltámos para casa. O Tiago voltou a comer e finalmente consegui almoçar. A minha mãe esteve cá em casa a brincar com o netinho até serem horas de sair para a consulta com o pediatra. Saimos de lá com duas informações importantes: ele já está a ganhar peso outra vez e não tenho que o acordar para mamar antes de 4 horas, ao contrário do que me tentaram convencer no hospital. Menos uma preocupação.

Ao fim do dia tivemos uma série de visitas, algo que continuou durante os dias seguintes. É compreensivel mas tornou estes dias ainda mais cansativos porque não deu para descansar nem cinco minutos durante o dia.

Para piorar as coisas apareceu trabalho para fazer. Nada de muito complicado mas ainda estive ao computador uns minutinhos e depois tive de começar a fazer um boneco porque chegou uma encomenda. Felizmente fazer bonecos não é contra indicado porque limito-me a estar no sofá a coser. É só levemente cansativo porque requer alguma concentração para não fazer asneira.

No sábado de manhã estive novamente a arrumar coisas. As visitas trazem prendas e fica a casa cheia de sacos que é preciso vazar, arrumar, separar o que é para deitar fora, etc. Como ainda me doia a cicatriz e me custava baixar para apanhar coisas do chão, não foi fácil.

De tarde fui ao SAP tirar os agrafes. tinha feito reacção alergica ao metal e estava tudo um bocado inflamado, por isso é que estava a doer mais. Tentei ficar quietinha o resto do dia para ver se não estragava nada. Continuei a fazer o boneco que só consegui acabar à  noite, graças à s constantes interrupções que apesar de tudo já se estão a tornar rotina.

As minhas avós e os meus tios de Palmela vieram ver o Tiago por volta das oito.

A noite de sábado para domingo foi complicada já que o Tiago esteve a chorar a noite toda com cólicas. Tentámos as massagens todas e as posições todas e nada parecia ajudar. Calava-se um bocadinho, parecia acalmar e cinco minutos depois voltava tudo ao mesmo. Só acabou por dormir um bocadinho deitado no peito do pai mas mesmo assim continuava a contorcer-se de vez em quando.

Quando finalmente adormeceu por volta das seis e meia da manhã, consegui ainda dormir um bocadinho mas pouco tempo depois foi necessário mudar outra fralda, por isso não durou muito.

De tarde fomos a casa dos meus sogros porque era o aniversário do meu sogro. Estava lá grande parte da familia e mantiveram o Tiago ocupado durante uma horinha. A minha sogra ensinou-me a técnica do cotonete para ajudar a libertar os gases e que tenciono usar da proxima vez que for necessário. Não há garantias que funcione mas quantas mais armas melhor.

Na segunda feira tive de enviar uma encomenda e acabar mais umas coisinhas de trabalho que não podiam ficar penduradas e montámos finalmente a cama de grades.

Ontem fomos novamente ao pediatra para pesar o Tiago. parece que já ganhou mais algum peso mas ainda não voltou ao peso inicial. Eu também já perdi nove quilos mas suponho que agora devo ficar por aqui.

Também acabei de arrumar o quarto do Tiago, finalmente, com o nome dele na porta e tudo. Afinal a porta é mesmo dele: provavelmente não a tinhamos ainda se não fosse o Tiago.

Os gatos andam muito curiosos com o novo membro da familia e tentam constantemente saltar para o berço para o ir cheirar. Isto implica que grande parte do tempo estam fechados na cozinha para não termos de andar a enxotá-los o tempo todo. O House, que estava finalmente a ficar domesticado, já anda todo desconfiado outra vez, apesar de ser o único que ainda não fez qualquer tentativa de se aproximar do berço.

Hoje de manhã tive que ir ao correio enviar mais uma encomenda e ir à  farmácia. Como o Pedro teve de ir para Lisboa a uma consulta e tratar de burocracias, a minha mãe fez o favor de vir cá fazer babysitting enquanto eu saà­a.

A notà­cia do dia é que caiu finalmente o cordão umbilical. Comprei o pó cicatrizante que o pediatra recomendou mas agora estou um bocado em duvida sobre se devo usar ou não porque aquilo diz especificamente para não usar em recem nascidos. É um bocado estranho.

Entretanto ele está outra vez com umas dorzitas de barriga por isso está na hora de ir fazer mais uma massagem e depois ver se consigo comer qualquer coisa.

Depressão pós-hospital

Na segunda feira de manhã começou a ronda diária de médicos e enfermeiras a entrar e a sair da sala. Foi uma manhã longa com a impaciencia de falar com o Pedro que só pode ir finalmente ver o filho ao meio dia. Das 3 à s 4 da tarde tive uma série de visitas a entrar e a sair em intervalos de 5 ou 10 minutos. Depois fiquei sozinha novamente até à s oito da noite.

A senhora da cama ao lado saiu à s sete e ainda pensei que fosse ficar sozinha no quarto essa noite mas pouco depois trouxeram outra. Era uma senhora simpática, que tinha tido uma menina e com quem ainda me fartei de falar durante os quatro dias que fui obrigada a passar no hospital.

Neste segundo dia o Tiago abriu finalmente os olhinhos. Nunca pensei que uma coisa tão simples pudesse ser tão emocionante. É incrivel como uma pessoa fica completamente estupidificada com estas coisas mas suponho que é assim mesmo. Os instintos são muito fortes.

Essa noite começou o stress porque o Tiago recusava-se a mamar. Nem sozinha nem com a ajuda das enfermeiras conseguia que ele pegasse na mama e só via as horas a passar. As enfermeiras iam mudando e cada uma tentava a sua técnica. Foram-lhe fazendo picadas para ver o nà­vel de glicémia e só ao fim de 36 horas é que consegui finalmente que ele mamasse por uns cinco minutinhos. Daà­ para a frente foi sempre o mesmo stress a cada 2 ou 3 horas já que ele não tinha sequer o reflexo de busca e recusava-se a acordar.
A terceira noite foi a pior porque assim que começou finalmente a mamar o Tiago passou a noite a chorar com dor de barriga. Entre as 3 e as 5 da manhã não parou de chorar. Chamei uma enfermeira mas calhou-me uma toda arrogante que não me ligou nenhuma. Quando finalmente apareceu outra veio com uma tanga qualquer de que os bebés à s vezes choram sem razão, bla, bla, bla. E quando eu tive a lata de chamar colicas ao que ele tinha ainda cheguei a ouvir uns comentários tipo ‘pois, isso das cólicas é desculpa para muita coisa.’ Tradução: a tipa não sabe o que está a fazer e é facil dizer que a culpa é das cólicas. A verdade é que ele não mamava porque estava com dores na barriga e não havia grande coisa que eu pudesse fazer.

De manhã ele acalmou finalmente e eu adormeci. O que acho fabuloso é que gozaram comigo por estar a dormir, como se fosse quase um crime. É impossivel descansar no hospital. De noite são os bebés a chorar e pessoas a andar no corredor, de dia é isso acrescido das visitas de 20 em 20 minutos para medir a tensão, distribuir medicamentos, trazer comida, examinar as mães e os bebés, fazer inquéritos, etc. Porque é que não juntam pelo menos algumas dessas coisas numa só visita? É assim tão complicado medir a tensão e deixar comprimidos de uma só vez?

Pelo menos fiquei a saber que o problema dos pés não é grave e é uma questão de fazer ginastica para fortalecer os músculos. Por outro lado fez um rastreio auditivo que só passou do lado esquerdo. Acho que foi simplesmente porque quando foram ver do lado direito ele estava a mastigar e isso interfere com o mecanismo do teste. Mas não deixa de ser mais uma dúvida para o futuro. Ficou marcada uma nova consulta para daqui a seis meses.

A partir daqui o cansaço começou a aumentar e a vontade de ir para casa triplicou. Comecei a ter fantasias de prison break. Nem seria muito complicado – tinha roupa na mala e o alarme do Tiago saltava cada vez que ele abanava o pé (pois, porque eles agora metem alarmes nos bebés que apitam se se tentar sair com eles do hospital).

Na quarta feira tive mais uma má notà­cia – ele estava muito amarelo. Fizeram-lhe uma análise e à s 4 da tarde disseram-me que estava com ictericia e precisava de ser posto debaixo de uma lampada de ultra-violeta durante pelo menos 24 horas. Comcei a ver a alta do dia seguinte a esvair-se em fumo.

Fiquei então com um bebé num aquário durante quase dois dias. Só o podia tirar para comer, algo que demorava uma hora de cada vez porque ele não queria acordar. Pelo menos parecia satisfeito todo esticado no quentinho, como se estivesse na praia a apanhar sol.

O último dia no hospital foi uma tortura. Continuaram as dificuldades em alimentá-lo e a ansiedade de saber se ainda tinha de passar outra noite ali. Acabei por ir chorar umas quantas vezes para a casa de banho, de pura exaustão e inicio de desespero. Há quatro dias que não via a luz do sol e estava sozinha a tomar conta de um bebé pela primeira vez sem ajuda nem ninguém com quem desabafar sequer, rodeada de pessoas desconhecidas, umas simpáticas outras super brutas. Acho que cheguei mesmo muito perto dos meus limites neste dia.

Tiraram novamente sangue ao Tigar à s 5 da tarde e disseram que a analise demorava cerca de uma hora. Como a hora normal de alta é à s sete achei que já faltava pouco. Afinal à s nove da noite ainda lá estava, à  espera dos resultados. Já tinha perdido a esperança de ir para casa quando finalmente apareceu o pediatra com o resultado da analise e finalmente nos deixaram ir embora. Foi um daqueles momentos de aivio puro. Senti-me como se me tivessem deixado sair da prisão depois de ter sido falsamente acusada de matar alguém.

Só sei que passei a compreender as pessoas que vão para hospitais particulares. No HGO podem ser muito bons tecnicamente mas as pessoas são um bocado tratadas como gado.

Nasceu o Tiago

Domingo de manhã. Acordámos cedo e chegámos ao hospital pouco depois das 8. Fui fazer o CTG e depois levaram-me para a sala de partos para fazer a indução e ligaram-me novamente ao CTG. Por qualquer falha de comunicação esqueceram-se de me dar os comprimidos e só por volta das onze é que começou finalmente o processo. Ao fim de 20 minutos tive as primeiras contracções fraquinhas. O Pedro estava comigo. O maior incómodo era a dor de costas e a dor na anca constantes que me obrigavam a mudar de posição, o que fazia o bebé mudar de sí­tio e o CTG perdia o sinal.

Assim fiquei o dia inteiro. Pelo meio deram-me mais uma droga qualquer pelo soro para ver se a indução acelerava mas apesar de ter provocado contracções mais frequentes durante um bocadinho, e de terem passado a ser mais dolorosas, a cabeça ainda não estava encaixada e passado um bocado os intervalos começaram a espaçar mais outra vez. O Dr. Saraiva resolveu romper a bolsa para ver se isso ajudava. Fiquei encharcada porque tinha uma quantidade de liquido amniotico bastante grande mas de resto continuou tudo na mesma.

à€s sete da tarde começou a conversa da opção da cesariana porque deu para perceber que aquilo por indução ia demorar mais um dia pelo menos e acho que o Dr. Saraiva queria ver a situação resolvida. Para além disso, com o rompimento da bolsa, o risco de infecções entre outros era já maior e penso que não convinha esperar muito. Acabámos por avançar com a cesariana.

Enquanto que o parto era uma coisa familiar, a cesariana foi uma experiencia diferente, o que, psicologicamente, ajudou a distingir os dois partos.

Levaram-me para o bloco operatório e assim que vi as luzes e a extenção para o braço senti-me subitamente num episódio do Nip/Tuck. Deram-me a epidural e comecei logo a ficar com a perna direita dormente. Depois deitei-me de costas e a outra também começou a receber os efeitos da anestesia. É uma sensação muito estranha. O meu cérebro estava convencido o tempo todo que tinha a perna direita dobrada quando obviamente não estava. Fiquei com um braço para cada lado, tipo Jesus Christ, cada um amarrado a um suporte. De um lado estava ligada a uma máquina que media a tensão arterial (e fazia ping) e do outro tinha o soro.

Depois taparam-me a visão da cena montando uma espécie de tenta por cima do meu peito. A minha mãe conseguiu convencer os médicos a deixarem-na assistir e estava ao meu lado a fazer comentários ocasionais. Mas quando se começou a entusiasmar com a conversa tive de lhe dizer para deixar de distrair os senhores que me estavam a cortar à s postas. Foi a única altura em que posso dizer que fiquei verdadeiramente nervosa.

De resto não dei por nada. Sentia mexer mas não podia dizer se estavam a cortar, coser ou a jogar xadrez.

Parece que foi complicado sacar o Tiago cá para fora porque entre a sala de partos e o bloco operatório a cabeça tinha finalmente encaixado. Quando o ouvi chorar pela primeira vez tive de fazer um esforço enorme para não desatar a chorar também. Por estranho que seja estar acordada numa situação destas acho que a anestesia geral mata completamente aquela sensação de alivio que se sente quando se sabe finalmente que chegou ao fim e que agora vai estar tudo bem. O que eu só soube depois é que não se limitaram a tirar o Tiago – sacaram-me o utero todo para fora. Não fazia ideia que era assim que se fazia mas agora percebo porque é que não me deixaram ver 🙂

Trouxeram o Tiago ao pé da minha cara para o ver. Eram 7.40 e nasceu com 2800g. Estava todo roxo mas não era tão feioso como eu pensava que os recem nascidos costumam ser. É claro que sempre tive a dúvida de se é possivel ter sentido crà­tico suficiente para reconhecer quando se tem um filho feio. Acho que vou continuar a ter essa duvida para todo o sempre porque me apaixonei imediatamente por aquela coisinha minuscula.

Levaram-no embora para o limpar e depois vieram com ele mais um bocadinho. Eu não lhe podia tocar porque ainda estava amarrada à  mesa mas consegui dar-lhe uns beijinhos. Depois tiveram de o levar embora novamente para o aquecer.

Eu fiquei a ser cosida e tive duas quebras de tensão grandinhas. Fiquei completamente nauseada e cheguei a ter vómitos, mas claro que não tinha nada para vomitar. Foi a pior parte.

Depois iam levar-me para um quarto onde poderia ter visitas mas acabaram por mudar de ideias porque estava lá uma grávida com pré-eclampsia e não nos quiseram misturar. Acabei por ficar 4 horas à  espera no bloco operatório, a olhar para o tecto, sem poder ver o Pedro nem o Tiago. A tensão tinha entretanto estabilizado mas os médicos tinham ido jantar sem ter terminado o processo e por isso nunca mais me levavam para o quarto definitivo.

Quando finalmente me levaram para cima tinha 14 pessoas à  espera no corredor. A hora das visitas já tinha acabado e depois de uns cinco minutinhos lá fui eu passar a minha primeira noite com o Tiago nos braços. É claro que não dormi nem cinco minutos, apesar de estar exausta. Mas não consegui evitar passar o tempo a verificar se estava a respirar, se tinha frio e a memorizar a sua cara e expressões faciais.

Foi uma sensação muito estranha, saber que agora era inteiramente responsável por esta criatura indefesa e que tinha de aprender a desenrascar-me muito rapidamente. Mas ao mesmo tempo foi um alivio tão grande chegar finalmente a este dia que perdi grande parte das dúvidas e inseguranças que tinha muito rapidamente.

The day after tomorrow

Ontem fomos fazer novo CTG e depois de mais uma rapida ecografia e ouvir a opinião de diversas pessoas (médica, enfermeira, …) concluimos então que não vale a pena esperar mais uma semana e vamos preparar-nos para induzir o parto no domingo, salvo a eventualidade de no dia se detectar alguma contra-indicação.

Basicamente o CTG está normal mas o batimento cardà­aco não aumenta muito quando o bebé se mexe e, considerando os antecedentes, é melhor não arriscar.

De repente o nervoso duplicou. Devia ter diminuido, mas aumentou. Passo o tempo a confirmar que o bebé se continua a mexer porque uma parte de mim continua com medo que isto ainda corra mal nos dois dias que faltam. Não há nada mais irracional do que o medo constante de que, seja qual for a data, possa ser tarde demais. É que apesar de toda a gente passar o tempo a confirmar que está tudo bem e que não há razões aparentes para prever o contrário, da outra vez também não havia razões aparentes e nunca mais serei capaz do nivel de confiança que tinha naquela altura.

Quando estiver finalmente ligada à  máquina logo me acalmo. Depois é só respirar fundo e aguentar o tempo que for preciso.

É claro que passei o dia a tratar dos últimos pormenores, desde coisas da empresa até lavar roupa para não ficar muita coisa desarrumada. Tenho plena consciência que a vida vai mudar radicalmente e que vou deixar de ter tempo, mas sinceramente, isso não me preocupa. Já estou à  espera há tanto tempo que ter tempo para mim neste momento seria um mau sinal. Por agora estou concentrada no próximo passo, o que vem depois continua a parecer-me um futuro distante, mesmo sendo já para a semana.

Sempre acreditei em fazer planos e organizar o tempo mas considerar cada dia como uma unidade de tempo independente e por isso criar objectivos diários. Se conseguir cumprir um objectivo que considere importante por dia já fico feliz. Os objectivos de hoje são arrumar o máximo que conseguir e não entrar em pânico. Acho que não me estou a safar muito mal até agora.

O choque da semana

Na sexta feira passada, depois de acabarem as obras, estive a envernizar o bocado novo de chão do hall. Na quinta à  noite fomos rápidamente comprar o verniz e a velatura para tentar que a cor do chão fique igual ao resto e até escolhemos bem. Usei máscara e luvas por precaução mas nem era preciso porque escolhemos produtos aquosos que não são tóxicos nem deixam aquele cheiro horrà­vel pela casa. Dei a segunda demão do verniz à s sete da tarde e fiquei por aà­ para aquilo ter tempo de secar antes de se colocar o roupeiro.

No sábado de manhã levámos a Scully ao vet para ver os dentes e marcar a limpeza. De tarde montámos finalmente o roupeiro que tinhamos comprado há um mês. Eu e o Pedro começámos e depois os meus sogros vieram ajudar nas partes mais pesadas. Ficou pronto por volta das seis da tarde e depois de uma pausa para lanche estive a arrumar no roupeiro a tralha que estava amontoada em sacos um pouco por toda a casa.

No domingo comecei a limpar devidamente o quarto do bebé e a lavar a roupa do primeiro mês, as almofadas e as cortinas que vão ficar no quarto.

Depois do esforço do fim de semana, na segunda estava exausta e passei a tarde a adormecer no sofá.

A terça feira foi um dia comprido. Começámos por levar a Scully ao vet para limpar os dentes e arrancar os que já não tinham safa possível.

Depois fomos fazer umas compras – um toalheiro electrico para a nossa casa de banho que não tem janela, o que faz com que as toalhas nunca sequem, e calças para o Pedro que comprou uma série delas há uns meses e imediatamente a seguir perdeu montes de peso.

Depois de parar em casa para almoçar, fui buscar as análises que fiz a semana passada e parece estar tudo bem, apesar de ser algo suspeito o facto de dar exactamente o mesmo valor de hemoglobina nas últimas 3 análises.

Fomos fazer mais uma ecografia. O bebé tem mais de 3 quilos, ou seja, aumentou praticamente um quilo no último mês. Realmente pareceu-me que a barriga cresceu muito nas últimas semanas. De resto parece que está tudo normal e a questão dos pés continua em aberto porque nunca dá para ver bem.

Ao final do dia fomos à  consulta. Estavamos com esperança de marcar a data da indução mas estas coisas nunca são simples. As opções acabaram por ser já no próximo domingo, com 37 semanas e 1 dias ou no sábado seguinte, à s 38. Eu não queria tomar uma decisão destas baseada puramente na minha ansiedade e arriscar problemas respiratórios no bebé por ter nascido cedo demais por isso achei que o mais indicado seria no sábado, esperando mais uma semana. Ficámos mais ou menos assim e fui fazer o CTG. Demorou uma eternidade porque a enfermeira estava ocupada e passei uns 40 minutos numa posição muito pouco confortável, sem apoio lombar. O Pedro não esteve melhor porque teve de estar a segurar a sonda porque aquilo estava sempre a perder o sinal.

Quando terminámos a enfermeira disse-nos que estava tudo bem mas para voltar na quinta e fazer outro CTG e depois se decidia se a indução seria já no domingo ou se espera. É claro que eu e o Pedro percebemos coisas diferentes. Eu percebi que se fosse igual esperava-se e o Pedro percebeu que se fazia já porque o bebé está muito mexido o que indicaria que já tem maturidade suficiente. Passei o resto da noite muito nervosa. Não estava à  espera que fosse tão cedo e de repente uma série de coisas começaram a parecer urgentes, como acabar de arrumar o saco e limpar as coisas que faltam – aspirar as várias peças do carrinho de bebé, etc.

É claro que continuo a tentar convencer-me que é só à s 38 semanas e não há motivos para panico. Mas é um daqueles casos em que fico nervosa seja como for. Por um lado a espera está no fim e se correr tudo bem vou poder parar de ter medo do que pode acontecer antes do nascimento. Por outro lado tenho finalmente de enfrentar a fase seguinte, de tomar conta de um bebé, que é algo que nunca fiz e tenho medo de fazer asneira. Por muito que se leia sobre o assunto, aquele primeiro dia em casa vai ser complicado. Imagino-me sempre com o Pedro e o manual de instruções do bebé, como se fosse para montar um móvel, a seguir as instruções passo a passo. 🙂
E ando há tanto tempo com medo que este segunda fase nunca aconteça que só agora é que me atingiu a verdadeira possibilidade. Basicamente sinto-me como se estivesse grávida há 3 anos e que é uma coisa que nunca mais acaba. E por muito deprimente que parte desse processo tenha sido, pelo menos é familiar.

Ontem à  noite foi a vez do Pedro ter um ataque de energia e ir limpar mais umas coisas no quarto do bebé. Há duas noites que não consegue dormir. Acho que vai ser muito frequente daqui para a frente. Eu também não durmo muito bem mas é mais por causa das dores de costas e da articulação da anca. Pelo menos esses desconfortos estão quase no fim.

Hoje vamos fazer novo CTG e tentar descobrir qual o próximo passo. Se a indução for no domingo temos de estar no hospital por volta das oito horas e tenho de me preparar para a coisa demorar dois dias. Se for só no sábado seguinte podemos ter de ir ao hospital à  mesma no domingo para fazer mais um CTG e depois aguentar mais uma semaninha.

We’ll see.

Acabaram as obras!!!

Acabou finalmente o lixo, o barulho e o stress das obras. Já paguei e agora posso voltar a andar de pijama até à s 10 em vez de ter de me vestir à s oito para o caso dos homens aparecerem cedo.

O chão do hall ficou um bocado estragado e a parte nova, que acabaram por ser eles a colocar precisa de ser envernizada. Estou com uma vontade estupida de me por a fazer isso mas como o entusiasmo é inversamente proporcional à  energia não sei bem como é que vou resolver a situação. Acho que conseguia, com a ajuda do Pedro, mas ele deve ter tanta vontade de perder um fim de semana com isso como de saltar de uma ponte. Acho que provavelmente vou só comprar verniz para a zona nova e tentar disfarçar os riscos do resto do chão até uma próxima oportunidade.

Agora é preciso limpar tudo a fundo. Felizmente a Augusta vem amanhã para me ajudar. O maldito pó está em todo o lado e sozinha não seria capaz de limpar tudo.

Como não podia deixar de ser, porém, quando se resolve um problema aparece outro. Pelos vistos o intercomunicador ainda não está bom porque hoje voltou a não abrir a porta. Já telefonei ao electricista mas não atendeu nem respondeu à  mensagem. Talvez amanhã. A chatice é que, uma vez que é uma coisa que não acontece sempre e o nosso intercomunicador foi substituido, é possível que seja um problema do prédio, o que é muito mais complicado de resolver.

Mas pronto. Já temos quarto para o Tiago com uma porta normal e agora é só roer as unhas até meio de Março e ver se é desta que trazemos o nosso bebé para casa.

Análises e obras

Ontem passei a manhã na clà­nica para fazer análises. Cheguei antes das 8 e só saà­ de lá quase ao meio dia. A análise da glicémia foi bastante desagradável. O copo de água doce que tenho de beber após tirar sangue em jejum estava muito mal mexido e o granulado doce estava todo no fundo. Foi a primeira vez que me fez impressão beber aquilo. E depois foram 3 horas sem poder engolir mais nada a não ser água e a ser picada, alternadamente em cada braço, de hora a hora. E pior que isso, tinha também de entregar uma amostra de urina a cada hora. Se já e complicado acertar no frasquinho do costume quando não se vê nada para além da barriga, acertar num tubo de ensaio é quase impossível. Comecei com a sensação que deviam ter camaras na casa de banho para poderem gozar com o ridiculo da situação.

Ao fim de duas horas e meia acho que se ouvia o meu estomago na sala toda. Quando finalmente saà­ de lá foi um alivio. É claro que a minha mãe tinha combinado que me ia buscar e quando saà­ ainda nem se tinha metido no carro. Tà­pico. Com ela tenho sempre que dizer que é meia hora antes senão nunca aparece a horas. Acabei por ter de esperar na rua, ao frio mas pelo menos aproveitei para comer um pacotinho de bolachas que tinha levado.

Quando a minha mãe finalmente apareceu fomos tomar o pequeno almoço e depois voltei para casa. Estava tão exausta, depois de mais uma noite a dormir mal e uma manhã passada na sala de espera da clà­nica, que não consegui fazer mais nada até à s quatro da tarde do que estar estendida no sofá. Não consegui dormir mas também não tinha energia para mais.

Depois ganhei finalmente coragem para arrumar a cozinha e ver se havia trabalho. Acabei por ficar ao computador até à s oito e tal da noite a fazer umas alterações à  home do Stec que não estavam a correr muito bem, graças à  confusão de directorias do backend. Tenho que começar a pedir manual de instruções aos programadores quando fazem um trabalho porque à s vezes é impossível saber onde é que enfiaram os templates que preciso de alterar. Mas acabou por ficar feito.

Hoje de manhã os homens das obras chegaram bastante cedo, por volta das oito e meia, e têm estado a trabalhar non-stop. A porta está quase pronta e já começaram a pintar as paredes. Espero que fique pronto hoje para poder limpar a casa convenientemente e começar finalmente a arrumar tudo no fim de semana. O tempo para arrumações começa a escassear e eu já estou com muito pouca mobilidade.

É claro que a questão do tempo é muito subjectiva. Para umas coisas parece não ser suficiente e para outras parece demorar uma eternidade. Tal como escreve a Ruth Rendell no livro End in Tears, ‘watching paint dry was supposed to be the slowest thing you could do; waiting for a baby to come was slower.’

Já salta!

O fim de semana foi altamente aborrecido. Acho que estamos demasiado ansiosos para conseguir fazer seja o que for. Estamos em modo de espera, algo que vai durar mais duas a três semanas. Chegámos à s 35 semanas, o que implica começar a contar os movimentos. É também a altura em que o fim está tão perto que é impossível continuar a tentar desligar-me emocionalmente. É tarde demais. Agora é só medo e contagem decrescente. Acho que se tivesse de esperar mesmo 40 semanas não aguentava. É o que o Pedro diz – estamos a ser esticados ao limite do suportável. Mas suponho que se tudo correr bem vamos ter esta sensação muitas vezes daqui para a frente…

O desconforto fà­sico também tem vindo a aumentar. Tenho dores de costas constantes praticamente em qualquer posição, o estomago continua a incomodar, como sempre, e a junção destas duas coisas faz com que não consiga dormir mais do que uma horaq ou duas de seguida. Para além disso tenho sempre o nariz entupido e estou bastante mais inchada. A barriga parece qumentar a cada dia que passa e entre a pressão nas costelas e os murros na bexiga, há alturas em que não sei bem o que fazer. E tenho de começar a contar quantas vezes vou à  casa de banho por dia. Aposto que é uma média interessante.
Entretanto o House começou finalmente a saltar. Já consegue subir para o sofá sozinho, o que é uma grande vitória. Era a única fase da recuperação que faltava e não tinhamos a certeza se iria realmente recuperar por completo. Nota-se que ainda está um bocado fraco nas patas traseiras, mas os saltos vão servir de fisioterapia. Aliás, acho que ele está muito melhor e mais descontraido desde que começou a dormir com os outros gatos. Já não há razão para os manter separados e ele começou a brincar muito mais e até a dormir com alguns dos outros. É bom ver que se está a adaptar à  vida caseira e que parece feliz.

Hoje apareceram finalmente os homens das obras. O buraco que ficou depois de se ter retirado o roupeiro já está com melhor ar, depois de terem sido tapados os buracos, e a porta está no sí­tio, faltando apenas rematar. A pintura terá de ficar para outro dia porque a massa tem de secar o que quer dizer que só voltam na quarta feira. Vamos ver se é mesmo para acabar.

Nova eco

Na quarta passámos a manhã no hospital para fazer mais uma ecografia e CTG. Parece-me que está toda a gente um bocado ansiosa, incluindo o nosso obstetra que achou conveniente efectuar estes exames não previstos e uma análise que me vai custar – teste de glicémia ao fim de uma hora, duas e três. Ou seja, vou passar 4 horas da manhã em jejum e a ser picada a cada sessenta minutos. Será que ele me odeia? É que as análises anteriores deram resultados perfeitamente normais.

Mas voltando ao hospital, o CTG estava normal, com uns picos coincidentes com os maiores movimentos, mas sem sair da escala normal. O pior foi esperar quase uma hora para entrar, na mesma sala de espera onde estive em 2004 por razões muito mais desagradáveis. Acho que até fiquei na mesma cadeira.

Depois do CTG esperámos mais uma meia hora para a ecografia. Não deu para confirmar nada em relação aos pés porque, apesar de já estar virado, o miudo tem sempre os pezinhos escondidos. Mas sinceramente não estou muito preocupada com isso. O maior receio é sempre que este seja um ponto visivel de um problema maior que não dá para detectar. Se for só o pé até fico feliz.

Ontem apareceu o canalizador que nos resolveu finalmente a questão do ar condicionado pingar para fora do prédio durante o verão. Estranahamente ninguém se queixa no inverno. Suponho que com toda a chuva virem dizer que as infiltrações são culpa do AC já necessitava de muita lata.

Era suposto vir também o pedreiro tapar buracos e o carpinteiro colocar a porta mas não apareceram. O pior foi que hoje também ninguém veio. E isto depois de eu ter ligado a perguntar se ia aparecer alguém e o Sr. Timoteo me garantir que sim. Estou a começar a ficar ligeiramente irritada, mas também sei que ser menos do que insistente mas simpática nesta altura pode fazer com que fique com isto como está durante tempo indefinido e não me apetece nada. Vamos ver como corre para a semana.