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Life e Pushing Daisies – Life and Pushing Daisies

Vi recentemente estas duas séries, que não conhecia, e fiquei fã. E como acontece com todas as séries de que descubro gostar, foram prontamente canceladas.

A série Life é um drama policial tà­pico, com um caso diferente em cada episódio mas tem 3 coisas de que gostei muito e que, para mim, separaram esta série das restantes do género. O que mais valoriza a série é o personagem principal, interpretado por Damian Lewis, um excelente actor, capaz de ser tão convincente como o vilão mais asqueroso ou o tipo mais simpático mudando, aparentemente, muito pouco. O personagem de Charlie Crews está muito bem escrito e interpretado, com um misto de inteligência, loucura e humor que conseguem salvar algumas situações mais clichés neste tipo de séries.

Também gostei do ‘room-mate’ e da sua relação com a futura madrasta do Detective Crews, Olivia, interpretada por Christina Hendricks, que se eu fosse homem suspeito que consideraria a mulher perfeita, porque não só é lindà­ssima como tem mais curvas que uma estrada de montanha.

Por fim gostei de um ponto muito importante da estrutura da primeira season: em cada episódio a história avança mais um bocadinho em vez de meterem uma série de episódios de encher chouriços pelo meio. A segunda season já não é tão coerente nesse aspecto, o que pode ter contribuà­do para o seu cancelamento.

No geral não posso dizer que a série seja fenomenal mas tem bastantes mais pontos altos do que eu estava à  espera quando experimentei ver e, mais importante que isso, deixou-me um sorriso nos lábios e vontade de a voltar a ver, o que para mim é bastante raro. Geralmente quando está visto, acabou.

A série Pushing Daisies acabei de ver na semana passada e neste momento é uma das minhas favoritas. É do criador do Dead Like Me, outra série que lida com a temática da morte de um ponto de vista baste ao lado do comum e com muito humor.

Os actores são impecáveis e adorei o look retro de cores garridas, o ambiente de comédia romântica antiquada e inocente, a originalidade de algumas das histórias e situações e o toque musical ocasional, com as interpretações sempre interrompidas da fabulosa Kristin Chenoweth, que vai tendo um decote cada vez maior a cada episódio.

O personagem principal é interpretado por Lee Pace, que entrou para a minha lista de actores favoritos. O pobre do Ned tem um ar sempre um bocado encolhido e inseguro, de sorriso ao lado e o poder de reavivar os mortos tocando-lhes, poder esse que só lhe traz complicações porque tem algumas regras em letras miudinhas.

A carreira de Anna Friel já sigo há muitos anos, desde o filme Land Girls e da série Our Mutual Friend, que adorei, e sempre gostei muito dela. Tem um ar alegre e simpático que é perfeito para esta série, apesar de sentir a falta do sotaque inglês. Ela dá ao papel da Chuck um ar muito decidido e despachado que feito por outra actriz poderia ter ficado pelos olhinhos de Bambi e pouco mais.

O actor Chi McBride é um daqueles que sei que já vi em diversas coisas mas só me lembrava dele na série The Nine e os papéis são tão opostos que nem parece a mesma pessoa. É um dos meus personagens preferidos pela sua expressividade.

A série tem o seu universo próprio, um bocado ao lado do nosso, com uma mistura de romance e mistério criminal sempre bem disposta e dando pouca importância a pormenores que não interessam nada – um carro que usa flores como combustà­vel, por exemplo, seria impensável num mundo mais realista mas encaixa que nem uma luva neste – mas continua a tentar ser realista na sua resolução dos problemas, como as questões morais que levanta o poder de decidir sobre a vida e a morte e o problema mais pessoal de não poder tocar na pessoa de quem mais se ama.

É uma série excelente para ver depois de um mau dia e tenho pena que não continue, apesar de não saber durante quanto tempo é que seriam capazes de manter o nà­vel da coisa.

Onde andam os novos bons actores?

Ultimamente parece que só vejo actores ingleses nas séries americanas. É o House, o Life, o Flashforward, o Lost, enfim, andam a aparecer um pouco por todo o lado. Por mim tudo bem, porque gosto de muitos destes actores (o Joseph Fiennes, nem por isso, mas os outros sim)  e já deu para perceber que se safam melhor do outro lado do Atlantico do que se tivessem ficado em casa. É pena terem de abdicar do sotaque mas não há dúvida que muitos têm assim hipótese de fazer papeis mais interessantes. O Hugh Laurie passou muitos anos a fazer lindamente papel de imbecil – o meu favorito continua a ser o King George do Blackadder –  e com o House conseguiu finalmente obter o reconhecimento que merecia e estamos-lhe grato por isso. Desde que vi o trailer pela primeira vez que soube que ia ser uma série a seguir.

Mas no meio disto penso: onde é que estão os novos actores americanos? O paà­s é tão grande e tem uma tradução de cinema e tv tão entranhada que devia aparecer pelo menos um gajo novo com jeitinho todas as semanas. Onde é que eles andam? O Ashton Kutcher, que não suporto mas se tornou muito cotado, veio de uma série de TV e passou para o cinema mas não me lembro assim de repente de muitos casos destes que tenham acontecido recentemente. Também é verdade que vejo menos séries e filmes adolescentes do que há uns anos, mas os únicos ‘novos actores de que me lembro são o Hayden Christensen, que já anda por aà­ há uns anos, o Shia LaBeouf idem, temos as meninas do Gossip Girl e pouco mais.

Historicamente falando, a televisão é onde acabam os actores que estão velhos de mais para fazer papeis principais no cinema. Isso parece continuar a acontecer hoje em dia – casos obvios são a Glenn Close e o Alec Baldwin, por exemplo – mas as séries têm melhorado muito de qualidade nos últimos anos ao ponto de isso já não ser vergonha nenhuma, muito pelo contrário, dá a excelentes actores a oportunidade de continuar a mostrar porque se mantiveram no topo durante tanto tempo e outros que nunca foram assim tão famosos (como William Petersen, por exemplo) , a hipotese de mostrar o que valem.

Mas a TV era também o sí­tio onde começavam os novos actores a fazer currà­culo e não tenho visto muitos a sair da obscuridade ultimamente. Parece que têm vindo mais actores de fora – ingleses e australianos – do que aqueles novos actores americanos que conseguem meter o pé na porta. O meio sempre foi difà­cil e fechado mas parece-me que, tal como na música, o negócio anda a gritar mais alto do que o talento e não se está a dar grande oportunidade a que os novos mostrem o que valem, preferindo apostar em ‘material mais seguro’. Quando aparecem actores novos parece-me sempre que é mais pela bonita cara (a Megan Fox é um excelente exemplo) do que por qualidades dramáticas – ou seja, apostar mais uma vez no que é vendável.

Isso leva-me a outro ponto: tenho saudades dos filmes dos anos 70 em que os actores pareciam pessoas normais, usavam óculos e nos davam a oportunidade de acreditar que viviam no mesmo planeta que nós.

Enfim, estou a ficar velha.

The Moguls

Já vi este filme há algum tempo mas ainda não tinha escrito nada e acho que merece. Não fazia ideia do que era mas li o resumo e pareceu-me interessante – um homem que está constantemente a tentar novos esquemas de fazer dinheiro convence os habitantes de uma pequena cidade a fazer um filme porno. Este tipo de premissa podia dar uma grande fantochada mas conhecendo os filmes anteriores do Jeff Bridges, achei que valia a pena tentar.

Acabei por gostar imenso do filme que está recheado de personagens estranhos mas interessantes e humanos e com uma história invulgar e divertida. Fez-me lembrar um bocado os personagens secundários da série Gilmore Girls, que davam vida à  cidade de Stars Hollow e que, na minha opinião, eram a parte mais interessante da série.

Este é um daqueles filmes em que estamos constantemente à  espera do momento em que vai correr tudo mal – que acontece, claro – mas que apesar disso consegue não se tornar um dramalhão insuportável a partir daà­, mantendo o andamento e o espà­rito positivo do filme até ao final. Acabei de ver o filme com um sorriso nos lábios e a sensação de ter ficado agradavelmente surpreendida.

Adorei o facto de no final do filme aparecer ‘directed by some guy’. Até nos créditos se mantiveram fieis à  história.

I am Legend

Este post tem muitos spoilers, que não costumo fazer, mas como o filme já é antigo arrisco.

Vi no fim de semana o filme I am Legend. Não sabia muito sobre este filme para além de ter uma ideia que era o Will Smith basicamente sozinho no mundo depois do resto da humanidade ter sido exterminada por uma qualquer catástrofe. Tinha receio que fosse uma coisa muito lamechas (com o Will Smith nunca se sabe se é tiros e explosões ou um grande dramalhão) e na altura em que o filme apareceu tinha mais com que me preocupar. Aquilo que não esperava era que fosse um filme de zombies. E mais – até nem é um mau filme de zombies, apesar do final não estar de acordo com o estilo.

O filme tem algumas pequenas falhas (que aposto que são falhas de edição do filme) mas as cenas de suspense estão muito bem feitas e conseguiram enterrar-me na cadeira a prestar atenção ao filme em vez de estar a dobrar arame ou o que quer que seja que costumo fazer enquanto vejo filmes. O nosso primeiro encontro com os zombies, quando o Will Smith anda por corredores escuros sem nós sabermos o que lhe vai aparecer à  frente, é uma óptima cena de suspense para quem gosta de estar ali com o coraçãozinho a bater durante um bocado – apesar de ter passado o tempo a pensar que ele é mesmo muito estúpido. Eu tornei-me muito mais sensà­vel a estas coisas desde que o Tiago nasceu (acho que a maternidade me tornou bastante mais ansiosa e alerta à  possibilidade de perigo, mesmo que simulado no ecrã) por isso estive a roer as unhas durante um bocado.

Tanto nos animais como nos zombies o filme abusa dos efeitos especiais mas não me incomodou. Há outros pormenores que me incomodaram mais. Em primeiro lugar, o casting do Will Smith como o tipo que por acaso é imune ao và­rus e tem de aprender a sobreviver está OK. Nada contra. Mas fazê-lo também militar e também o cientista que procura a cura é que já é demais. Não tenho nada contra o Will Smith. Acho que é um bom actor e tenho visto tanto os seus filmes de acção e comédia como os papeis mais dramáticos e é um actor muito natural. Aquilo que não tem é um ar muito inteligente. Não que pareça estúpido mas não me convence como o cientista brilhante que passa os dias no laboratório. Especialmente porque durante o filme demonstra algumas falhas básicas de raciocà­nio. Por exemplo, quando captura a mulher infectada para a sua experiência mais recente e vê um dos outros a expor-se ao sol, nunca lhe ocorre que este ficou irritado por ele ter capturado a mulher. A nós parece-nos óbvio que é isso que irritou aquele zombie mas ele passa completamente ao lado dessa hipótese falando antes de falta de comida (apesar deles terem acabado de devorar um veado).

Para além disso, também não pára para pensar que se os zombies são assim tão desprovidos de intelecto como ele acha, como é que aprendem o truque do carro, como é que sabem que o manequim será isco suficiente para o interessar, etc? Sei que o homem estava perturbado por causa do cão e tal, mas mais uma vez parece-me um bocado falta de jeito.

E por fim, a conversa sobre deus no final era completamente desnecessária. Compreendo que as pessoas quando estão desesperadas se viram para deus porque precisam de qualquer coisa que lhes dê uma razão para se continuarem a levantar de manhã mas neste caso não era preciso ir por aà­. Um homem que já perdeu tudo porque está obcecado com encontrar a cura também é capaz de fazer o sacrifà­cio final para que o seu trabalho não seja em vão. Bastava o acto heróico simples, não era preciso ouvir vozes.

Finalmente, uma das coisas que pensei durante o filme, numa das partes em que o personagem fala sobre a destruição da humanidade, foi: e ele sabe lá se isto não é apenas a evolução da espécie. Achei piada quando descobri que o livro termina efectivamente dessa forma e tenho pena que o filme não tenha mostrado essa ideia.
Pelos vistos há um final alternativo menos esperançoso e provavelmente mais interessante que tenho de ver se descubro.

Dobragens

Nunca gostei de dobragens. Também nunca gostei muito de ler livros traduzidos. à s vezes tem de ser porque sei muito poucas linguas, mas quando posso prefiro sempre ver e ler na lingua de origem.

Não é um preconceito contra a nossa lingua. É apenas uma sensação de que está alguém a meter-se entre mim e o autor do livro ou filme. Isso é muito óbvio em situações em que é necessário traduzir certas expressões que não existem na nossa lingua e para as quais os tradutores inventam algo que lhes parece equivalente. Isso é muito comum quando é preciso traduzir letras de musicas em livros de BD, por exemplo, em que muitas vezes preferem substituir pela letra de uma música portuguesa em vez de traduzir a letra original.

O tradutor toma estas decisões para adaptar o conteúdo ao público nacional mas ao faze-lo está a mudar o conteúdo original, tornando-se parcialmente autor da obra pela sua interferencia. Por isso, eu prefiro sempre que possivel, ter uma conversa mais directa com o autor, sem intermediários.

No que diz respeito à  dobragem de filmes a interferência é ainda maior do que na tradução de livros porque para além do texto, o timbre e entoação da voz são extremamente importantes. É por isso que até para os desenhos animados são escolhidos bons actores para fazer as vozes (sim, também é para angariar público, mas não só).

Os actores portugueses não são grande coisa. São pouco naturais e parece que estão sempre a fazer teatro, mesmo quando é para televisão: têm alguma tendencia para declamar (especialmente os mais velhos), são bastante monotónicos e tornam-se pouco convincentes impedindo que consigamos mergulhar na história em vez de passar o tempo a pensar ‘este gajo é mesmo mauzinho’. Se compararmos com os actores das novelas brasileiras, por exemplo, a diferença é tão obvia que se torna chocante. Os brasileiros também têm maus actores, claro, mas já fazem novelas há tanto tempo que desenvolveram um estilo de televisão muito mais natural e convincente e a maior parte dos actores são bastante naturais. Os portugueses, porém, ainda têm muito que aprender.

Assim sendo, quando chegamos à  dobragem dos desenhos animados, perde-se muito. As vozes são geralmente esganiçadas, gritadas e pouco variadas. Algumas são verdadeiramente irritantes.

No último ano tenho visto muitos desenhos animados dobrados e alguns são muito dificeis de aturar por causa da dobragem. Nalguns casos é porque embirrei com a voz que accho irritante, como é o caso do Noddy e do Leo dos Little Einsteins. É a mania de usar gajas para dobrar as vozes de crianças. O Tiago nunca ligou ao Noddy mas por acaso até gosta dos Little Einsteins e eu tenho que gramar aquilo. Estou a considerar arranjar o original para não ter de aturar aquela voz.

Por outro lado as dobragens do Mickey Mouse Club House ou do Handy Manny não me chateiam nada. Mas a entoação de muitos dos desenhos animados é sempre a mesma e torna-se monótono e repetitivo. Os miúdos não ligam mas eu também tenho de aturar aquilo portanto custa um bocado.

Pior do que dobragens com vozes irritantes é dobragem das músicas infantis por pessoas que não sabem cantar. Já alguém ouviu a música de um programa chamado a Dinossaura Doroteia ou algo do estilo? Que coisa tão desafinada! Como é que alguém deixa aquela gaja cantar fora do duche? Cada vez que aquilo começa tenho de ir a correr mudar de canal antes que o meu cérebro derreta. Eu também não canto muito bem mas pelo menos consigo perceber onde é que desafinei e tentar vezes sem conta melhorar até conseguir. Estes gajos fazem uma música para a TV e ficam-se pelo primeiro take que a mulher das limpezas arranhou ao microfone? Poupem-me

Por tudo isto o Tiago anda a ver muito mais o Baby TV do que os outros canais de bonecos. Ele gosta, vai aprendendo inglês e eu não sofro tanto.

Cinderella

Ontem estive a ver um bocado da Cinderella da Disney com o Tiago. Acho que foi o único filme do estilo que fui ver ao cinema em criança e gostei muito. Anos mais tarde voltei a ver e fiquei muito decepcionada por causa da dobragem. Agora arranjei o filme no original e tem efectivamente muito mais piada por causa do estilo das vozes usadas nas músicas que são muito tà­picas da época.

Acho que continuo a preferir estas animações mais antigas à s versões recentes 3D porque sempre gostei muito deste tipo de desenho, semelhante à  ilustração de publicidade dos anos 40 e 50. As mulheres têm uma grande elegância, e o desenho das mãos em particular sempre me fascinou.

O Tiago obviamente não ligou nada à  Cinderella mas adorou as cenas de perseguição com o gato e os ratos. Em vez de estar no sofá a vegetar esteve o tempo todo de pé a dar grandes saltos de entusiasmo e a dizer olá cada vez que aparecia um dos animais no ecrã. Giro 🙂

Quando começou a parte do baile o Tiago perdeu o interesse e fomos para o quarto brincar.

The Lost Room

Estou para escrever isto há quase um mês e ainda não tinha tido oportunidade.

Vi recentemente uma mini-série chamada ‘The Lost Room’. Já não recente – é de 2006 – mas nunca tinha ouvido falar dela até há pouco tempo.

É uma das melhores séries que já vi e recomendo-a vivamente. Quem acreditar em mim e não quiser saber mais nada fique por aqui. Os que precisam de ser convencidos, continuem a ler que eu tento não dar muitos spoilers.

A história é baseada numa ideia interessante mas ao mesmo tempo muito simples: o personagem principal encontra uma chave que entra em qualquer fechadura e dá entrada a um quarto de hotel. Sempre o mesmo quarto de hotel seja qual for a porta que se abre com a chave. Parece giro, não é?

É claro que há muita gente atrás da dita chave mas o senhor, que por sinal é polà­cia, precisa da chave para encontrar a filha e não se pode dar ao luxo de a perder.

Pelo caminho descobre que há mais objectos pertencentes ao quarto e que fazem coisas estranhas e vai conhecendo vários personagens, cada um com uma razão diferente para tentar obter esses objectos. Não se percebe à  partida quem são os bons ou os maus e os episódios estão cheios de suspense.

É uma série curta e isso é algo a seu favor porque seria uma seca se andassem a arrastar aquilo por mais tempo, com um objecto novo em cada episódio, sem nunca chegar a lado nenhum como acontece com algumas séries.

A história é bastante coerente e linear e tem um final lógico e satisfatório. Quero com isto dizer que não estragam tudo no fim 🙂

Cassandra’s Dream e In Bruges – Cassandra’s Dream and In Bruges

Por coincidência vi dois filmes com o Colin Farrell de seguida. Mas o mais estranho é que a história e as personagens dos dois filmes tinham imensos pontos em comum. Os filmes são ‘Cassandra’s Dream’ e ‘In Bruges’.

Este post tem montes de spoilers por isso considerem-se avisados.

Primeiro vi o Cassandra’s Dream do Woody Allen em que o Ewan McGregor e o Colin Farrell são irmãos que aceitam matar um tipo como forma de resolver a sua situação financeira. O personagem do Colin Farrell fica cheio de remorsos, começa a falar em suicà­dio e o irmão chega à  conclusão que ele precisa de ser eliminado porque se tornou um risco. No segundo filme, In Bruges, temos dois assassinos que depois de despachar a sua và­tima são mandados para a Bélgica pelo tipo que os contratou. Novamente o personagem do Colin Farrell está roà­do de remorsos, pensa em suicidar-se e o companheiro tem a missão de o matar.

São ambos filmes intimistas, que vivem dos dois actores principais e da sua luta moral. O primeiro tem um ambiente mais pesado e opressivo, ajudado também pela música, mas chegando ao fim ficou a sensação de ser um bocado seco.

O segundo filme começa muito lentamente e parece até um bocado chato mas a partir do meio ganha algum interesse e chega a ter uma ou duas cenas mais humorà­sticas. A minha cena preferida do filme é quando o Colin Farrell e o Ralph Fiennes estão a discutir o como e quando da cena de tiros que se vai seguir, o perseguido dando instruções ao perseguidor.

O que me pergunto é, o que leva um actor a fazer dois papeis tão semelhantes? Será que já se tinha esquecido do filme anterior?

Talk about being typecast…

Novamente a ver filmes – Watching movies again

Agora que estou sem o mac e não posso fazer muito do trabalho que me ocupava o tempo das sestas do Tiago, como actualizar a loja, tenho passado esse tempo a fazer peças novas enquanto vou vendo alguns filmes que estavam na lista há algum tempo mas que não tinha tido oportunidade de ver.

Estou um bocado de fora desta coisa dos filmes mais ou menos desde 2004. Dantes sabia sempre que filmes iam sair e quais me interessavam e agora é mais uma questão de andar a escavar nos arquivos dos últimos 4 anos a ver quais me escapavam que até seria capaz de gostar.

Vi nos últimos dias dois filmes de que gostei bastante. O primeiro chama-se The Notebook e já é precisamente de 2004. Em português tem o tà­tulo altamente foleiro ‘O Diário da Nossa Paixão’ que só por si me manteria afastada se não tivesse já uma ideia positiva do filme.

Para quem gosta de filmes românticos este é de facto um filme imperdà­vel. Os actores são bons, a história também, com obstáculos suficientes para a tornar interessante mas sem aquelas coisas irritantes que são tão tà­picas em alguns filmes do género – como uma grande tragédia mesmo no momento em que os personagens estão prestes a reencontrar-se. Nada disso. É uma história que apesar de ter alguns momentos mais fantasiosos acaba por ser suficientemente credà­vel para nos transportar até ao fim com a sensação de estar a ver um bom filme e querer saber mais.

O segundo filme chama-se August Rush. Ao contrário do Notebook é uma história altamente improvável e irrealista mas não deixa de ter o seu charme. É um melodrama sobre um rapazinho de 12 anos que cresceu num orfanato e que decide ir à  procura dos seus pais. Acaba por demonstrar ser um prodà­gio musical e está convencido que a música o levará até aos pais. É assim uma espécie de Billy Elliot com música em vez de Ballet mas um pouco mais lamechas e sem o sentido de humor. Mas se desligarmos o cérebro por um bocado o filme vê-se bem, é muito emocional e fartei-me de chorar – não porque acontece alguma coisa de altamente dramática à  criancinha, algo que seria imperdoável num filme destes, mas porque desde que me tornei mamã tornei-me ultra sensà­vel a histórias lamechas sobre criancinhas.

Depois de ler o parágrafo anterior apercebi-me que parece que não achei piada nenhuma ao filme, o que não é verdade. Gostei de ver o filme. Simplesmente é preciso vê-lo como um conto de fadas e não como uma história realista. Num bom conto de fadas têm de existir dificuldades e possivelmente um lobo mau para que a vitória final tenha sentido e desse ponto de vista o filme funciona lindamente.

The Happening

Fomos ontem ver o The Happening e posso dizer que gostei, o que aparentemente é uma opinião pouco popular.

Apercebi-me recentemente que as pessoas no geral não gostam dos filmes mais recentes do Shyamalan. Tanto quanto compreendo estavam à  espera que o o homem fizesse o mesmo filme para o resto da vida e passa-lhes ao lado o facto dele fazer bons filmes, todos eles diferentes mas bem filmados, com suspense e uma visão pessoal.

Por mim posso dizer que até agora não fez nenhum que eu não gostasse. É óbvio que tenho favoritos, mas sinceramente o Sixth Sense nem é um deles. Gosto principalmente do Signs e do The Village.

Acho que essa coisa de querer obrigar um realizador a fazer filmes com twist final para o resto da vida quando ele tem obviamente outras qualidades é uma parvoà­ce.

Sendo assim, gostei do Happening. Está bem filmado, tem uma história simples e bastante suspense. Não é um filme de pipocas e explosões nem de twist final que explica tudo. É para ver pelo que é, pelo que vai mostrando.

Para mim é a versão Shyamalan do Birds do Hitchcock. Tem a mesma atmosfera e outros elementos que não digo porque não gosto de estragar os filmes à s pessoas visto que acredito que quanto menos se souber num filme destes melhor, algo que alguns crà­ticos de cinema deviam aprender.

E por fim, parem de bater no Shyamalan por não passar a vida a fazer o Sixth Sense outra vez. Há tão poucos filmes bons hoje em dia. Com este tipo de pressão para fazer filmes comerciais acabam por acontecer coisas como por o Ang Lee a realizar o Hulk e depois queixam-se que o filme não tem cenas suficientes com o boneco a destruir tanques. Há que respeitar sensibilidades diferentes e celebrar isso mesmo. Já há demasiados filmes maus no mundo.

Indy

Por incrà­vel que pareça conseguimos ir ver dois filmes no espaço de uma semana. Na quinta feira, que foi simultaneamente feriado e dia das estreia em Portugal do novo Indiana Jones, lá deixámos o Tiago com os meus pais e fomos ver o filme.

Como não consigo expressar a minha opinião claramente sem estragar o filme a quem ainda não viu, vou dizer apenas que fiquei bastante dividida. Por um lado as cenas de acção são tà­picas, são suficientemente humorà­sticas e complicadas e o look do filme está inteiramente de acordo com os anteriores. Mas mesmo assim falta qualquer coisa.

Na minha opinião o problema principal deve-se ao facto de terem tirado algum protagonismo ao Indy focando demasiada atenção no novo personagem, fazendo com que nós fiquemos de fora. Nos outros filmes somos o Indiana Jones – sentimos o perigo com ele, etc. Neste filme somos apenas observadores. Fomos colocados mais no lugar do miúdo, afastando-nos da acção central. O Indy sai pelo tecto do Jipe e em vez da câmara o seguir ficamos dentro do carro à  espera do que vai acontecer a seguir. Não gostei de ser deixada de fora e acho que isso tira muito ao filme.

Por outro lado, não gostei nada da história. Se isto foi o melhor que conseguiram ao fim de dez anos é triste. Acho que a parte dos Maias tinha piada mas depois levaram as coisas longe demais, tentaram mostrar demasiado e tornaram o filme numa grande palhaçada. Eu gosto muito de sobrenatural mas neste filme não me convenceu. Parecia que estavam a tentar colar metade de uma jarra de barro com uma de cristal a ver se pegava e o resultado não é famoso.

300

O Tiago dorme e eu vou escrevendo…

Não tinha grande curiosidade em ver o filme 300 porque sinceramente um filme sobre uma batalha em que já se sabe que os gajos morrem todos no fim parecia-me um bocado pointless. Mas pronto. Resolvi experimentar.

Visualmente o filme está muito bonito, e sendo uma adaptação da banda desenhada do Frank Miller, tentaram transpor o look estilizado das imagens utilizando alto contraste, pouca saturação de cor excepto no vermelho e uso da câmara lenta que nos leva a seguir a história quase quadradinho a quadradinho nas cenas mais importantes ou nas confusas cenas de batalha de forma a se poder apreciar em todo o pormenor cada decapitação ou esventramento.

O principio fez-me um bocado de confusão porque a ideia de matar bebés só porque não correspondem ao ideal de força e perfeição deixa-me um bocado enjoada, como é natural para uma mãe recente. Mas muitos destes pormenores estão descritos nos livros de história e apesar de aproveitarem apenas os mais brutais para o filme não os faz menos verdadeiros.

As cenas de batalha que compõem a maior parte do filme são cenas de acção violentas como seria de esperar e serão mais ou menos interessantes conforme o interesse de cada um para estas coisas.

De resto, o filme está cheio de over-acting e discursos teatrais, que é obviamente de propósito mas não deixa de ser cómico.

No geral o filme é altamente violento mas está bem feito e até tem partes divertidas. Para os homens é um bom filme de acção, para as mulheres é um catálogo de abdominais. No entanto não me parece que me vá apetecer ver uma segunda vez.