Fim de semana de aniversários

Na sexta feira foi o quarto aniversário do Tiago, por isso levou um bolo para a escola e saquinhos com gomas e balões para os outros meninos. Também recebeu as prendas dos pais, que consistiram em Bakugans, Transformers e um conjunto familiar de armas  – metralhadoras, pistolas, algemas, etc.

Recebeu também as prendas dos avós: um ipod touch dos paternos e uns robots espaciais e roupa dos maternos.

O sábado foi o dia destinado à s festas do Tiago organizadas por nós – uma no Gymboree para os amigos e outra cá em casa para a famà­lia. Quando o Pedro foi buscar o bolo que eu tinha encomendado dois dias antes, achei que ia ser tudo um grande fiasco. Nunca vi um bolo tão feio.

Horrà­vel bolo verdeTinha encomendado um bolo de chocolate, com cobertura de massapão branca e decorações simples em verde e roxo para depois por um boneco do Buzz Lightyear por cima, Pedi que não tivesse flores e expliquei que era para um menino de 4 anos que gostava de robots e naves espaciais. O bolo que me entregaram era de pão de ló com creme de chocolate, cobertura verde vómito e flores. Fiquei com uma raiva tão grande que arranquei a cobertura toda e deitei no lixo e jurei ir desancar o pasteleiro, com quem tinha falado pessoalmente. Que incompetência! Portanto, se vivem em Almada e querem encomendar um bolo de aniversário para os vossos filhos NàƒO o façam na pastelaria Barca Doce/Batikanos.

Senti-me particularmente estúpida porque ao falar com o homem fiquei com a sensação que aquilo não ia correr bem. I should always follow my gut. Devia ter ido ao sí­tio do costume mas aquilo era mais perto e fui comodista.

O Pedro acabou por salvar a situação indo à  pastelaria Páscoa comprar um bolo com o homem aranha que eles já tinham lá feito.

Depois do almoço, foi então a festa no Gymboree. Apareceram os 11 meninos que tinham confirmado e correu tudo bem tirando um pequeno desentendimento com um dos amigos porque ambos queriam a mesma almofada. O resultado foi o Tiago a chorar e foi preciso uma grande dose de conversa para o conseguir convencer a voltar à  brincadeira antes que acabasse o tempo. O que acho interessante é que cada vez que há uma situação destas é geralmente com o Tiago, que é teimoso, incapaz de compromisso e facilmente ofendido. Não sei se vamos conseguir mudar alguma dessas coisas, mas enfim. Mesmo depois do amigo lhe pedir desculpa – que não tinha nada de fazer, mas o pai insistiu – o Tiago continuava a choramingar com o seu ar ofendido.

O tempo para o lanche passou a correr e mais uma vez falhou qualquer coisa – as prendinhas para os meninos que tinhamos ficado de comprar e acabou por não dar tempo. Oh well…

Bolo de aniversario Arrumámos tudo o mais depressa que conseguimos e mesmo assim, quendo chegámos a casa já cá estavamos meus sogros e os avós do Pedro, portanto não deu tempo nenhum para preparar as coisas para a segunda festa. O segundo bolo foi oferecido pelos bisavós e planeado pelos avós paternos, feito na pastelaria Páscoa  e estava lindo, com uma casinha de estrumfes.

A Joana que se aguentou a tarde toda sem sequer reclamar muito, lá adormeceu finalmente na sua caminha enquanto ia chegando gente. Como era só famà­lia e não tivemos tempo para preparar nada, foi uma coisa mais descontraà­da mas mesmo assim a festa prolongou-se até à s 9 da noite a acabou pro incluir jantar e tudo – felizmente o Pedro tinha comprado umas pizzas ao almoço, senão não havia nada para alimentar quem ficou.

As pessoas foram fazendo turnos a brincar com o Tiago e mesmo assim eu devo-me ter sendado 20 minutos o dia todo. Foi um dia verdadeiramente cansativo.

O dia seguinte não foi melhor porque foi o aniversário do meu irmão, implicando mais um almoço com montes de gente. Felizmente já não fomos nós a organizar nada mas andei bastante ocupada, principalmente com a Joana, que não aguentava outro dia sem sesta.

Mas pronto, foi giro ver pessoas que só vemos uma vez por ano e principalmente ver como as crianças estão a crescer. Ainda fico espantada quando percebo que estrámos definitivamente na geração dos pais e toda a gente tem filhos pequenos, mesmo aqueles que continuam a vestir-se como adolescentes 🙂

Quando chegámos a casa o Tiago estava tão cansado que dormiu até à  manhã seguinte. Para nós foi uma maravilha porque conseguimos pela primeira vez em semanas sentar-nos no sofá a ver uns episódios do House e descansar um bocadinho.

O mês de Março é muito concorrido em termos de aniversários e para a semana há mais.

Tiago, 4 anos

Este foi o ano em que o Tiago começou a criar relações de amizade com os colegas da escola e como tal, quando chegou a altura de planear o seu aniversário, pareceu-me fazer sentido uma festa com os amigos em vez de ser praticamente só com os adultos da famà­lia como até aqui.

Já tinhamos ido a um aniversário no Gymboree, em Dezembro, e o Tiago divertiu-se tanto que resolvemos fazer lá a festa dele. Aquilo implicou dezenas de decisões – som ou sem tema, que tema, convidamos os colegas todos ou só alguns, qual a decoração do bolo, etc, etc – e pouco tempo antes alguns dos colegas da escola fizeram precisamente o mesmo e acabou por ser tudo menos original, mas que se lixe.

Eu senti-me completamente estúpida porque comecei a planear aquilo com tanta antecedencia e depois esqueci-me completamente que a coisa calhava na semana do Carnaval. Não queria estar a entregar os convites cedo demais para não haver confusões com as outras festas das semanas anteriores e acabei por só conseguir entregar no dia anterior ao em que tinha de confirmar o número de crianças que iam. Temi o pior mas acabei por ter umas dez confirmações o que já dá uma festa decente. Muitas crianças também é confusão a mais.

Acabei por ter de fazer uma lista para me orientar porque o aniversário acaba por ocupar dois dias e 3 festas distintas – no dia 11 bolo para levar para a escola e gift bags para os colegas, no dia seguinte festa para as crianças seguida de festa em casa para a famà­lia. Para uma control freak isto é stress engarrafado e estou a tentar não me esquecer de nada importante e a tentar não pensar muito em tudo o que pode correr mal. Desde que ele se divirta tudo bem.

As alterações mais notórias desta passagem para os 4 anos são um desenvolvimento da imaginação nas brincadeiras, uma maior capacidade para se entreter sozinho (apesar de continuar a querer público enquanto brinca) e o aparecimento do humor de casa de banho, com a repetição constante do único vocabulário que conhece de momento: xixi, cocó e sanita – palavras que de repente adquiriram um significado altamente hilariante 🙂

Joana, 7 meses

Os 7 meses da Joana começaram com varicela. A minha sogra tinha dito que era raro apanharem tão cedo porque os bebés desta idade ainda têm as defesas da mãe mas a Joana não se safou. No caso dela a coisa desenvolveu-se mais devagar e com algumas bolhas bastante maiores que as do Tiago mas no geral nem foram muitas e tirando uns dois dias em que ela andou mais rabujenta, acho que a miúda superou a doença com a sua habitual boa disposição. Pelo menos ficam os dois despachados desta.

A chatice maior é para mim que vou na terceira semana fechada em casa. OK, saà­mos em ambos os sábados para ir a almoços de famà­lia, mas fora isso estou de castigo e não posso ir fazer nada das coisas que preciso. A minha mãe e os meus sogros têm sido uma ajuda preciosa ao ir buscar o Tiago à  escola porque não posso ir com a Joana ao infantário. Não só ela está contagiosa para os outros como pode apanhar uma infecção por ter o sistema imunitário em baixo, o que aos 7 meses podia ser grave.

A alimentação da Joana tem-se tornado progressivamente mais fácil e até agora não teve mais nenhuma reacção adversa aos alimentos. Já lhe começámos a dar papa com gluten sem problemas, e diversos vegetais.

Como comecei a ter alguns dias em que não conseguia tirar leite para lhe fazer papa – como ela começou a saltar mamadas a produção desceu – resolvi tentar o leite hidrolisado. Fiz hoje a primeira papa, da qual era comeu apenas umas colheradas, porque aquilo tem um sabor diferente do costume (e porque a certa altura tive de sair da cozinha e quando voltei uma das gatas tinha o focinho enfiado no prato e teve que ir o resto para o lixo), mas não vomitou. Tenho de experimentar mais 3 dias para confirmar se é seguro mas em princà­pio não deve haver problema.

Preciso de a pesar para ver se está a ganhar o peso que devia com as alterações à  dieta. Iamos fazer isso esta semana, quando a fossemos vacinar mas com a varicela tem de ser tudo adiado pelo menos mais uma semana. Mas ela continua gorducha por isso não estou preocupada.

Em termos de desenvolvimento, a Joana já se aguenta imenso tempo sentada sem apoio, apesar de ainda cair para os lados ocasionalmente quando se estica para agarrar algo que esteja mais longe. Põe tudo na boca, como é natural, e já se consegue deslocar grandes distancias no chão ou na cama, seja arrastando-se de costas, seja virando-se, algo que também já faz com facilidade (apesar de ainda ficar com um ar espantado quando consegue, como se não estivesse à  espera). Ainda não a vi rebolar a sério mas não falta muito e a mobilidade já é suficiente para ser já demasiado perigoso deixá-la em cima da minha cama, mesmo rodeada de almofadas.

O Tiago com esta idade já se apoiava nos joelhos e a Joana ainda não chegou lá. Já passa imenso tempo de barriga para baixo mas não faz qualquer tentativa de se levantar. Por outro lado aguenta-se imenso tempo a fazer apoio com os pés por isso até pode ser que salte a fase de gatinhar.

Semana interminável

Depois de uma semana em full time com os dois miúdos, não consigo evitar pensar que se calhar não fui mesmo feita para ser mãezinha. Não fiz mais do que muitas mulheres fazem desde sempre e estou absolutamente exausta.

E nem me posso queixar muito porque o bebé, que é quem devia dar mais trabalho, aproveitou esta semana para se começar a portar bem e passou a dormir a noite toda e a comer sem dar luta. Deve ter percebido que a mãe estava a dar em louca com o irmão que, mesmo com varicela, não pára um minuto. Como vê a irmã ao colo também quer colo, como me vê dar-lhe de comer também quer que eu lhe dê a comidinha à  boca, passa os dias a correr pela casa a gritar, faz grandes birras por pura teimosia ou  porque adormeceu e quando acordou já era de noite e não queria noite, ou algo do estilo, impossível de resolver.

Passo o tempo a chamar a atenção para tudo isto, a ter de ralhar e por vezes zangar-me a sério sem grande efeito. No momento até liga e acalma mas passados uns minutos volta tudo ao mesmo.

Ontem dei-lhe banho de manhã, porque na noite anterior foi impossível graças a uma dessas birras monumentais. O Pedro filmou tudo. É bom ter munição para quando ele for adolescente.  Aproveitei também para lhe cortar o cabelo que já estava a chegar aos olhos e até se portou bem nessa parte.

A Joana, felizmente, continua a ser uma menina muito calma e bem disposta e o Tiago farta-se de fazer show para ela se rir. Não é um miúdo muito meigo – nada de beijinhos ou abracinhos e faz queixinhas se ela lhe toca, mesmo acidentalmente – mas gosta de ter público para as suas palhaçadas e ela segue tudo o que ele faz e adora.

Esta manhã aproveitei a sesta da irmã para tentar por o Tiago a fazer o trabalho da escola. Os meninos trocaram um livro uns com os outros e agora têm de ler o livro que trouxeram e fazer um trabalho de apresentação sobre o que leram. Parece-me algo super complexo para 3 anos e quem acaba por ter de fazer os trabalhos são os pais, como é obvio. Ainda por cima o livro do Tiago é só matemática – é sobre uma famà­lia que vai trocando uns animais por outros – 1 vaca por 2 ovelhas, as ovelhas por 4 porcos, etc.

Tentei arranjar uma forma de apresentar aquilo que ainda tivesse alguma colaboração do Tiago mas que fosse o mais simples possível. Arranjei uma cartolina e fui escrevendo o número e nome dos animais e o Tiago fez um animal de cada em plasticina – com moldes, claro – para colar ao lado. Os últimos já eram complicados e não tinha nenhum molde de avestruz, por exemplo, por isso andei a desenhar os animais e ele pintou com o pincel. Foi tudo um esforço enorme para ele se concentrar no que até era uma tarefa simples porque ele só queria era fazer casaquinhos de plasticina para os seus robots e estava-se nas tintas para os animais.

No final era tinta por todo o lado, plasticina pelo chão e o Tiago ainda encontrou um carimbo que lhe deram na escola (uma mãzinha achou que aquilo era uma boa ideia de prendinha para os outros meninos quando o seu fez anos) e andou a carimbar as mãos, cara, etc. Veio ter comigo a dizer ‘mamã!’ e com o seu sorriso mais sacana mas não dizia mais nada. Depois mostrou-me as mãos….

Varicela

Há uns dias os Tiago acordou de manhã, perguntou se ia para a escola e depois disse que doà­a o ouvido. Nós achámos que era fita e não ligámos muito. Até a educadora já nos disse que acha que ele já percebeu que eu fico em casa com a Joana enquanto ele tem que ir para a escola e estas situações são uma forma de chamar a atenção porque ainda não se sabe expressar de outra forma.

O Pedro, que é mais paranoico que eu, cada vez que o Tiago se queixa ou faz uma birra, vai logo medir-lhe a temperatura porque hoje em dia o Tiago até se porta bastante bem a maior parte do tempo. Mas mesmo assim não demos por nada de anormal.

Ontem à  noite, quando foi tomar banho, de repente demos com o Tiago coberto de borbulhas vermelhas. Com o calor do banho tornaram-se visà­veis mais umas quantas e tornou-se obvio que o nosso filho está com varicela.

Apesar disso passou o dia bastante bem disposto, a brincar. Teve só uma ou duas fases durante o dia em que ficava mais molinho. Da primeira vez deitou-se no sofá um bocadinho mas passado pouco tempo já andava aos saltos outra vez.  Da segunda vez, já ao fim da tarde, começou a pedir o boneco e a tirar as meias porque ‘precisava de descansar’. Quando fui ver a temperatura estava com 38. Deixei-o dormir e vamos ver como está amanhã.

Intolerante

Fizemos a experiencia: uma semana de papa não láctea seguida de um dia de papa láctea. Aguentou duas horas e vomitou. Está então confirmada a intolerancia ao leite de vaca.

De todas as chatices que podem acontecer com um bebé, não é das piores nem nada que se pareça, mas vai ser complicado desmamar a miúda e arranjar-lhe substitutos para o leitinho. Implica nada de iogurtes, sobremesas lácteas e muito cuidado com os ingredientes de uma série de produtos daqui para a frente.

O susbtituto obvio é o leite de soja mas a minha sogra já avisou que os bebés não costumam gostar por isso estou a ver que a dificuldade das refeições não deve melhorar tão cedo.

Por outro lado a sopa já vai melhor mas em pequena quantidade. A fruta já é pedir muito e acaba geralmente em choradeira.

Desastrada

O sábado passado foi uma grande confusão. A minha mãe tinha combinado ir buscar o Tiago depois de almoço e eu fiquei logo a antecipar uma tarde calma para descansar um bocadinho. Para conseguirmos aproveitar a tarde, eu e o Pedro passámos a manhã a tratar das tarefas que têm de ser feitas diariamente – dar comida aos gatos, limpar os caixotes, deitar lixo fora, por roupa na máquina, fazer compras, etc. Foi precisamente nesta última tarefa que se deu o primeiro acidente.

O Pedro tinha saà­do para ir ao supermercado e eu estava sentada a por a roupa na máquina. Abri o armário para tirar o tira-nódoas, distraà­-me com a conversa do Tiago e deixei o armário aberto. Depois ele disse que queria comer já não sei o quê, levantei-me para ir buscar o que ele pediu e bati com o topo da cabeça na esquina da porta do armário. Acho que nunca tinha dado uma cabeçada com tanta força.

Fiquei um bocado sentada, agarrada à  cabeça e o Tiago pergunta ‘mãe, não te consegues levantar?’. Por momentos pensei que estivesse preocupado comigo mas rapidamente mudei de ideias porque quando fui buscar gelo para por na cabeça ele começou a dizer que queria chazinho. Chazinho? Mas o que é que o fez lembrar disso de repente? Depois lembrei-me: costumamos por cubos de gelo no chá, brincadeira que o Tiago adora. OK, não está preocupado com a mãe, está só a precisar de qualquer coisa com que se entreter. Engoli os primeiros insultos que me vieram à  cabeça e fui fazer chá e deixá-lo por cubos de gelo lá dentro. Pelo menos enquanto o gelo derretia conseguia estar sentada um bocado a recuperar.

Quando fui espreitar tinha uma pequena ferida mas nada mais. Voltei ao trabalho.

Infelizmente o dia acabou por não correr como esperava. Todo o esforço adicional para ter a casa arrumada de manhã foi em vão porque a minha mãe atrasou-se e acabou por não levar o Tiago e, pelo contrário, acabei com a casa cheia de gente a tarde toda. Se não estivesse tão cansada não me importava nada mas numa altura em que ando a adormecer pelos cantos e cuja única ambição que tenho na vida é conseguir estender-me na cama cinco minutos que seja, trocar uma tarde de sábado calma por uma casa cheia de gente, por mais simpáticas que sejam as pessoas, é o suficiente para me dar vontade de chorar. Oh well…

Na segunda feira fui buscar o Tiago à  escola e caà­. Como esta cidade é um mar de escadas, incluindo a entrada do nosso prédio, costumo optar por levar a Joana presa ao peito em vez de levar o carrinho que é um pesadelo com degraus. Infelizmente, ter uma criança ao peito limita bastante o campo de visão e ando sempre com imenso cuidado, especialmente a subir e descer escadas.

O Tiago estava precisamente a subir uma escada, e eu a prestar-lhe atenção para ele não cair. Distraà­-me um segundo e não vi um degrau que estava num dà­tio estúpido – não era uma escada, era um patamar mas que tem um pequeno desnivel com um único degrau. Coloquei o pé demasiado à  frente e desiquilibrei-me.

Foi uma daquelas situações em que tudo desacelera e parece que temos imenso tempo para pensar apesar de não conseguirmos controlar a situação. Algures ali no meio aceitei que cair era inevitável e fiz o esforço de me segurar de forma a tentar evitar que a Joana batesse no chão. Estiquei os braços para aparar a queda e consegui. Sentei-me no chão para a examinar o mais que consegui mas vieram logo umas dez pessoas, um homem agarrou-me debaixo dos braços para me por de pé e nem tive tempo para perceber se estava magoada ou não. As pessoas foram todas muito prestáveis e acabaram por dispersar excepto duas senhoras que insistiam que eu me devia sentar e não pareciam querem aceitar não como resposta. Fui o mais simpática que consegui mas expliquei que tinha o meu filho e que morava perto e lá fui andando.

Algures aà­ pelo meio apercebi-me que me doà­a o tornozelo mas não era nada de insuportável. Um pequeno entorse. Liguei ao Pedro e depois à  minha mãe, deixando toda a gente em pânico. Aquilo que me preocupava era o abanão que a Joana levou com a queda, mesmo sem ter batido. Queria saber que sinais devia procurar na miúda para confirmar se estava tudo bem.

A minha mãe foi ter comigo a casa, examinou a Joana e confirmou que ela estava bem. O meu tornozelo tem uns tendões um bocado amarrotados mas não é nada que um anti-inflamatório, meia elástica e uns dias de descanso não curem.

Como o pé não doi o tempo todo sequer, convenci-me que hoje já estaria boa. Ontem a  minha mãe foi buscar o Tiago à  escola mas hoje tenho de ser eu e isso implica carregar o carrinho da Joana escadas abaixo o que não é muito compatà­vel com passar o dia de perna no ar. Convenci-me que estava bem de tal forma que passei novamente a manhã nas arrumações do costume – loiça na máquina, tratar dos gatos, etc – mas à s 11 comecei com dores no pé outra vez. Raios. Tenho a casa toda para arrumar, o amigo do Tiago devia vir cá hoje brincar com ele e assim não me safo. Só me apetece dar estalos a mim mesma por ser tão desastrada.

Joana, 6 meses

Na passada sexta feira a Joana completou 6 meses. Foi à  pediatra de manhã e continua a crescer bem mas não aumentou tanto de peso como até aqui, tendo descido para o percentil 25. Não tem nada de estranho, é apenas indicador de que o leitinho já não lhe chega e precisa de começar a comer outras coisas. Temos então o plano alimentar da Joana para os próximos 3 meses e agora é respirar fundo e insistir naqueli que para mim é a pior parte de ter um bebé – ensiná-la a comer à  colher.

Se gostam de jogos dà­ficeis, experimentem um dia destes dar as primeiras refeições à  colher a um bebé. É mais lixado do que parece. Primeiro passa-se montes de tempo a preparar a comida e depois é meia hora a dar a mesma colherada, que a criança cospe repetidamente. É das coisas mais frustrantes que alguma vez tive de fazer e quando o Tiago começou a comer sozinho foi um alà­vio.

Como a Joana vomitou a papa duas vezes, agora estamos a dar uma sem leite e tenho de tirar o meu leite para fazer a papa. Como não encontro a bomba tem de ser à  mão, o que demora imenso tempo. Depois deste esforço todo acaba por ir tudo para o lixo porque ela faz caretas cada vez que se aproxima a colher, vira a cara ou faz ‘brrrrrr’ salpicando papa por todo o lado. Tudo para evitar abrir a boca.

Consegui que abrisse a boca algumas vezes, fazendo-a sorrir com barulhos ou caretas mas assim que lhe enfio a colher na boca, à  traição, claro, empurra com a lingua, baba-se ou cospe mesmo tudo fora. A outra hipotese é deixar escorrer a papa até à  garganta engasgando-se e desatando a tossir, o que é ainda pior. Que parte disto é que é divertido?

Mas pronto, tem de ser e daqui a uns meses a coisa melhora.

Ontem conesgui que comesse o equivalente a uma colher de sopa – de sopa, precisamente. Foi uma grande vitória que duvido conseguir repetir tão cedo.

Fora isso a miúda continua super gira, simpática e bem disposta. Começou a dormir na sua própria cama porque me apercebi que estava programada para acordar a certas horas da noite mas isso não queria dizer que tivesse mesmo fome porque ocasionalmente voltava a adormecer antes de eu ter tempo de a alimentar. Agora espero um bocado antes de ir ao quarto dela para ver se começa mesmo a chorar, sinal de fome, ou se se limita a resmungar 5 minutos e volta a adormecer. à€ conta disso esta noite só tive de me levantar à s 5 da manhã porque à s 3 ela adormeceu novamente. Mesmo assim continuo a acordar várias vezes durante a noite o que é muito cansativo, especialmente com a acumulação de muitos meses.

O Tiago também foi à  consulta porque tinha acordado a meio da noite a gritar que lhe doia o ouvido e foi lá para ver se não seria uma otite. Afinal parece que não. É só o nariz entupido que faz muita pressão no canal auditivo e que lhe dá dores. Isto só acontece quando está deitado e muito graças à  famosa teimosia do Tiago que nem sequer aceita assoar o nariz antes de se deitar sem luta. É claro que em frente à  pediatra até foi buscar um lenço de papel para mostrar que o sabia fazer, mas depois em casa nem por isso.

O Tiago está a adaptar-se devagarinho à  irmã mas continua muito mimado, pede colo constantemente, quer que sejamos nós a dar-lhe a comida à  boca e choraminga muito em vez de falar quando quer qualquer coisa. Nós temos de arranjar um equilà­brio entre ensiná-lo que não pode ser assim e dar-lhe atenção positiva sem estar sempre a ralhar. É complicado.

O mais positivo foi ver que o Tiago começou a perceber que a Joana sorri quando ele lhe dá atenção e faz caretas, portanto ocasionalmente faz um grande show para ela, que o segue muito concentrada e vai sorrindo. É daqueles momentos que eu gostava de conseguir filmar mas sei que se tento estrago tudo.

Natal, fim de ano e stress

As últimas semanas têm sido emocionalmente difà­ceis. Primeiro foi o funeral da minha avó Luisa depois a visita à  minha avó Cãndida no hospital na véspera de Natal. Estava com um ar tão frágil e custou-me imenso não poder fazer nada para melhorar a situação. O Tiago também não ajudou ao espirito natalà­cio porque fez uma birra tremenda e foi complicado aguentar aquele dia.

O dia 25 já correu melhor, com almoço em casa dos meus sogros e prendas na nossa casa. O Tiago deixou metade das dele por abrir porque gosta mesmo é de explorar cada novo brinquedo antes de passar ao seguinte e acho que para o ano faz mais sentido dar-lhe uma prenda por dia do que todas no mesmo.

A passagem de ano foi em casa e à  meia noite já estava a dormir. Foi a primeira vez que não esperei pela meia noite e sinceramente nem me interessa. Ando cansada e sem grande vontade de celebrar. Costumamos passar o ano com os meus sogros mas este ano eles achavam que iam estar de serviço e com a Joana pequenina achámos que não valia a pena o sacrifà­cio.

No sábado passado tivemos a visita do Nelson e da Catarina, que já não viamos há imenso tempo. Vieram conhecer a Joana e a casa nova e o Nelson deu-nos uma cópia do seu livro de BD que foi publicado recentemente. Ele sempre desenhou muito bem e merece ter um album publicado mas é um grande feito conseguir efectivamente concretizar algo deste tipo.

No domingo fui visitar a minha avó que já saiu do hospital. Levei os miúdos porque sei que ver as crianças da famà­lia é das poucas coisas que ainda lhe fazem aparecer um sorriso na cara. Parece estar a recuperar, para sua aparente surpressa porque esteve tão mal que ficoucompletamente convencida que ia morrer. Para mim foi importante vê-la em casa, a falar normalmente e sem aqueles tubos todos. Quando se chega à  idade dela nunca se sabe quando vai ser a última vez que vejo a minha avó e se o pior acontecer antes da próxima visita, não queria que a última recordação que tinha dela fosse aquela imagem na cama do hospital na véspera de Natal.

Depois de almoço foi a vez da famà­lia do Pedro nos fazer uma visita. O Tiago diverte-se sempre imenso com os tios, o avà´ Sousa esteve a jogar ténis com a Playstation move até ficar cansado e eu estive a dobrar roupa porque domingo é o dia de tratar da roupa do Tiago.

Depois de por ambas as crianças na cama, o Pedro e eu ainda tivemos que ir perceber o que se passava com a máquina da loiça que estava a dar um erro qualquer e depois conseguimos finalmente sentarmo-nos no sofá a ver um episódio do How I met your mother.

Esta sexta feira a Joana faz seis meses. São seis meses de noites imterropidas e de ser mãe 24 horas por dia, literalmente. Ela dorme ao meu lado e acordo ao mais pequeno sintoma de movimento, dou-lhe de mamar pelo menos duas vezes por noite – 2 e 5 da manhã, por exemplo – passo os dias a tomar conta dela, entretê-la, ler-lhe histórias, suportá-la enquanto aprende a sentar-se, mudar fraldas, etc, etc. Quando ela dorme é geralmente por periodos curtos, tipo meia hora, em que eu tenho de trabalhar ou vestir-me ou arrumar a casa. Em cima disso apareceu uma nova preocupação que se prende com o facto da Joana ter começado a vomitar cada vez que come papa. É possível que seja uma reação ao leite que usam na papa e preciso de testar com uma papa feita com o meu leite mas desde a mudança que não sei onde está a bomba de leite.

A minha memória é inexistente neste momento e ando a deixar passar coisas importantes como o prazo de pagamento da escola do Tiago ou esquecer-me em que dia é que os meus sogros vão buscar o Tiago à  escola. Para uma pessoa que sempre foi muito certinha e cumpridora isto causa-me pânico. Nunca mais consegui fazer nada só para mim ou ter tempo para estar sozinha com o Pedro. Tenho compensado o stress com comida e no último mês e meio ganhei 3 kg portanto preciso de adicionar um stress adicional que é parar de comer e arranjar tempo para fazer exercí­cio.

Na sexta feira é também o dia da reunião de condomà­nio, algo que pode dar origem a novos conflitos porque sabemos que a questão das obras da nossa casa e do uso do sótão não são coisas inteiramente pacà­ficas no prédio e receamos o que possa surgir daà­. Andamos há meses a pensar em respostas, argumentos e atitudes a tomar para cada possível cenário e estou desejosa que essa data passe, de preferencia sem surgir nenhuma situação problemática.

Continuamos com a outra casa à  venda sem noção de quanto tempo demorará até essa questão se resolver, o que é complicado para as nossas finanças.

Passo o tempo a fazer listas e nada fica feito e não vejo grande possibilidade de mudança no futuro. Resta-me ter paciencia e respirar fundo.