Estamos todos doentes há semanas – eu, o Pedro e os gatos.
Qualquer pessoa que já tenha tentado dar comprimidos a gatos sabe que a tarefa requer muita paciência e bastante imaginação. Medicar 5 gatos duas vezes por dia é das coisas mais desgastantes que tenho feito nos últimos tempos. Eles nunca mais melhoram e os 7 dias de comprimidos transformam-se em 14. Entretanto os gatos aprendem as técnicas de lhes dar os compimidos e vai-se tornando cada vez mais dificil. Inicialmente bastava colocar o gato entre as pernas, estando de joelhos no chão, abrir a boca com uma mão e atirar o comprimido com a outra, fechar a boca e confundir o gato, tapando-lhe a cara e fazendo umas festas um bocado a atirar para o irritante. Mas a certa altura eles começam a bloquear a mão do comprimido com uma pata, a fazer de conta que engolem e depois cospem o comprimido assim que se escapam, começam a babar-se para evitar que o comprimido entre, enfim, uma quantidade infindável de truques para nos dificultar a vida. Considerando que continuam todos a espirrar pelos cantos várias vezes ao dia uma pessoa começa a perguntar a si mesma se vale a pena este esforço todo.
O único gato que não está a sofrer tratamento é o House que provavelmente foi quem trouxe este virus altamente resistente para casa e já deve estar imune. É que o raio do virus resiste a tudo – tratamentos, vacina…
Espero que passe brevemente porque não sei se aguento este ritmo muito mais tempo. É que para além dos comprimidos temos xarope para duas gatas (que felizmente já acabou), gotas nos olhos da Buffy 3 vezes por dia porque está com uma conjuntivite e gotas nos ouvidos de duas outras gatas para tratar otites crónicas que vão reaparecer assim que parar o tratamento.
Para além disto tudo o natal e agora a preparação para o ano novo têm sido particularmente cansativos, com diversas visitas ao supermercado porque falta um ingrediente e tardes a cozinhar para o dia seguinte. O ano novo ainda tem a dificuldade acrescida de arranjar um fato. Isto porque se criou em anos recentes a tradição de ir vestido de acordo com um tema – o ano passado foi um fato representante de um paàs e este ano é um personagem de ficção. Como não me lembrei de nada que desse para integrar a barriga, que está maior a cada dia que passa, resolvi ignorar. Vou vestida de Morticia Addams, com uma saia que não aperta bem até acima mas faz-se o que se pode. Não tenho paciência para ir comprar roupa de propósito.
Como também passou a haver troca de prendas no ano novo agora é o dobro do stress e duas semanas de seguida sem sossego. Ando tão cansada nem consigo achar piada a nada disto. Acaba por ser uma dor de cabeça e só gostava de poder aproveitar este tempo para descansar em vez de ter de andar a correr. Mas pronto. Se não alinho sou uma chata por isso vai-se aturando. Também não quero estragar a festa a ninguém.