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O trepador

Apanhei hoje o Tiago a trepar para cima da minha cama. Até filmei para enviar ao Pedro. O miúdo está mesmo a desenvolver-se depressa. No sábado começou a aguentar-se em pé sem apoio e agora começou a trepar. E pelo meio aprendeu também a beber por uma palhinha o que ajudou a perceber finalmente como se bebe pela sippy-cup, que é suposto dar muito jeito porque não entorna. Pois, de facto não entorna, mas como o Tiago prefere deixar a água escorrer-lhe pelo queixo do que bebê-la, o resultado é molhado na mesma. O miúdo precisa de uma capa de chuva para beber là­quidos.

Na sexta feira aproveitámos o bom tempo para ir ao parque de manhã e ele passou o tempo a usar o pai como apoio para se por de pé e depois levantava o tronco e ficava assente apenas nos seus pezinhos. Fez isto uma série de vezes de seguida e nos dias seguintes continuou o treino. Agora vamos ver quanto tempo demora até ao primeiro passo. Prevejo cerca de um mês, que até agora tem sido o ritmo para aprendizagens anteriores. Vamos ver.

E isto deve ter mesmo coincidido com um salto de crescimento porque durante toda a semana o Tiago andou a dormir 13 horas seguidas durante a noite mais a sesta. Agora já normalizou e começou a acordar outra vez ao fim de 11 horas o que espero que me permita voltar a instituir as duas sestas diárias.

Quanto à  linguagem acho que tem vindo a progredir. Um dia destes estavamos a ver o livro dos frutos e o Tiago apontou para o desenho da banana, de dedinho espetado e disse algo muito parecido com ‘a banana’. é claro que podia ser ‘a bawawa’ ou ‘a bawana’. Não posso provar nada porque ele recusou-se a repetir e infelizmente não filmo todos os segundos da sua vida. E não consigo ser uma daquelas mães que tem a certeza que o filho disse ‘quero ir à  rua’ quanto toda a gente ouve ‘wawigua’ ou algo semelhante.

O que consigo dizer com certeza é que ele diz ‘olá’, diz ‘mamã’, especialmente quando tem fome, e por vezes ‘mamã dá’. Hoje era capaz de jurar que disse ‘mama dá papa’ quando me viu com o prato na mão, mas mais uma vez acredito que foi completamente ao acaso porque ele é muito novo para começar a fazer frases e nós geralmente ouvimos o que queremos. Mas ‘mama dá’, é muito comum. E também começou a imitar expressões que uso muitas vezes como ‘então’ e ‘até já’.

De resto gosta muito dedesligar a luz da casa de banho quando vai lavar as mãos, saindo já da casa de banho de dedinho espetado. É tão giro 🙂

Novo và­cio

Graças à  minha amiga Carla descobri finalmente uma série para substituir a cancelada Gilmore Girls.

Chama-se Men in Trees, é com a Anne Heche e não é tão cor de rosa como a Gilmore Girls e tem bastante mais sexo mas tem o mesmo ambiente de pequena cidade com uma série de personagens divertidos.

Também é comparável ao Everwood mas menos irritante e bastante mais feminina.

Vamos ver quanto tempo resiste até ser cancelada…

Acordem-me quando acabar

Estou a ter um daqueles dias de cansaço extremo que resultam em muito pouca paciência. Detesto sentir-me assim. Estou toda moà­da e cheia de dores de costas porque ontem tive que ir aos correios e depois esperar na fila nas finanças para pagar o PEC e foi preciso levar o Tiago ao colo porque aquilo é num primeiro andar só com escadas e nem tinham uma única cadeira. Como o Tiago pesa quase 10 kilos passei o resto do dia com dores de cabeça por causa da compressão dos musculos dos ombros. Enfim. Hoje ainda estou a pagar por isso mas não vejo outra solução enquanto ele não andar.

Hoje o Tiago dormiu até tarde como já vem sendo costume. Ele recusa-se a dormir as duas sestas diárias que devia para a idade dele e como fica cansado acabou por começar a dormir mais horas seguidas durante a noite e depois faz apenas uma sesta depois do almoço. Já tentei acordá-lo mais cedo e tentar voltar a instituir as duas sestas mas ele volta sempre ao mesmo esquema. Quando o ponho na cama para a primeira sesta passa o tempo todo a berrar até eu desistir e sinceramente não tenho paciencia para isso. No fundo, desde que durma o suficiente não me faz diferença a que horas é.

Eu levantei-me à s 9 e aproveitei o bocadinho damanhã para alimentar os gatos, tomar o pequeno almoço e começar a arrumar a cozinha. Mas hoje era dia de lavar roupa porque o Pedro está a ficar sem underwear e isso já não deu. Ficou para depois do pequeno almoço do Tiago. Como ele não gosta de ficar sozinho nem um segundo, mesmo conseguindo ver onde estou (porque temos uma grade na porta da sala para a cozinha) não foi uma tarefa propriamente descansada. Nunca é. E por mais tempo que passe, aquela choradeira tà­pica de chamar a atenção continua a roer-me o sistema nervoso. Será que alguma vez me vou habituar?

Como a choradeira não funcionava o Tiago começou a carregar em botões e desligou o computador da sala que estava a meio de um download. Agarrei nele e fui mete-lo na cama para poder acabar as tarefas domésticas em paz. Ele ficou alegremente e nem chorou. Só quando voltei a po-lo no chão e tive que regressar à  cozinha é que começou a choramingar outra vez.

Por um lado isto é bom sinal. Quer dizer que considera a cama um sí­tio seguro e já não se aborrece de estar lá. Também quer dizer que vou ter de montar o parque para poder ter uma zona segura onde o por quando preciso de fazer qualquer coisa ou quanto tiver que o por de castigo, algo que tem de começar brevemente porque ele entrou definitivamente na fase de fazer coisas que sabe que não deve só para ver até onde consegue safar-se.

O que me deixa muito cansada. Detesto passar o dia a dizer não enquanto ele me ignora alegremente, detesto ter de começar a instituir o time-out 20 vezes por dia mas sei que tem de ser. Só que saber que os próximos dois anos só vão piorar e que a disciplina depende de mim quando no fundo só me apetece deitar no chão, fechar os olhos e deixá-lo fazer o que quiser, vai ser complicado.

E não ajuda o facto de estar a tentar resolver a minha vida profissional, tendo de actualizar o curriculo, resolver questões penduradas da nitro, deicdir se invisto apenas numa área ou se tento várias vertentes e depois se vê. Tudo isto está a fazer com que o tempo das sestas seja passado ao computador a fazer pesquisa e a tomar notas em vez de ser passado calmamente a fazer os meus colares que era a minha terapia ocupacional – algo que me ajudava a fazer reset, acabar com o stress e preparar-me para o round 2. Sem isso começo a ficar cada vez mais cansada e irritável mas ao mesmo tempo sei que tem de ser feito.

É o problema do costume. Eu demoro tempo mas eventualmente chego a uma decisão. E depois da decisão consigo ver a coisas a funcionar. Mas o processo entre uma coisa e outra é sempre uma tortura. No fundo gostava de poder adormecer e só acordar quando estivesse tudo feito. Mas como tenho de ser eu a dar os passos intermédios não pode ser nada. Seca.

É um bocado como a aprendizagem do Tiago. Está agora a aprender a usar a colher para comer mas por enquanto limita-se a abaná-la dentro do prato sem conseguir agarrar em comida. É um passo importante mas frustrante. Só que sem esses passos não se aprende.

Ainda sobre os progressos do Tiago, hoje tentou pela primeira vez por um cubo em cima de outro. Continua a preferir destruir as torres mas se já começa a tentar reconstruà­-las não é mau. Mais um processo que vai demorar meses mas que pelo menos sei como vai acabar. As minhas tentativas, porém, podem resultar num enorme fracasso e tempo e energia desperdiçados. Mas como nunca se sabe de antemão, é sempre preciso tentar (agora se eu conseguisse verdadeiramente acreditar no que acabei de dizer aposto que correria tudo lindamente).

O primeiro risco

O Pedro comprou lápis de cera para o Tiago. Depois de algum esforço consegui finalmente que ele parasse de roer ou atirar ao chão os lápis e percebesse para que servem. Com o papel no chão não serviu de nada e nem ligava ao que eu estava a fazer. Foi preciso sentá-lo ao meu colo para ele prestrar atenção e começar a fazer o movimento de riscar com o braço. Acabou por por umas linhas no papel, se bem que ainda muito timidamente. É um skill completamente novo e vai demorar. O que eu gostava era de conseguir que ele percebesse que é divertido, mesmo que isso implique riscos no chão e nas paredes. Vamos ver como evolui.

É claro que passado um bocado dei com o Tiago a comer alegremente um dos lápis de cera como se estivesse cheio de fome. E era suposto estes serem mais dificeis de comer mas nada pára aqueles dentinhos. Tive que lhe limpar o interior da boca com um lenço de papel, algo que ele adorou, como se pode imaginar. Entre os gatos e o Tiago já não há nada sem marcas de dentes cá em casa.

Reunião de condomà­nio

Já me queixei muitas vezes dos vizinhos de cima, especialmente da mulher que é uma histérica. Ora na noite de domingo para segunda voltou a ter uma das suas crises de gritaria à  uma da manhã. Eu já estava na cama e demasiado cansada para me chatear muito com o assunto, mas o Pedro que tem vindo a ficar cada vez mais furioso com a situação foi finalmente lá acima bater à  porta a ver se conseguia convencer a mulher a calar-se para podermos dormir. O resultado foi ser insultado de todas as maneiras possà­veis e por a gaja ainda mais histérica, isto sem sequer lhe ter dirigido uma única palavra porque a mulher nem abriu a porta – foi a correr até à  porta, desatou a berrar insultos que ecoaram pela escada mesmo através da porta, e retomou a gritaria com as filhas logo a seguir. Eu acho que numa situação destas provavelmente ficava tão irritada que desatava aos pontapés à  porta ou voltava a casa para ir buscar uma faca de cozinha just in case, mas o Pedro passa o tempo a insistir que não é boa ideia porque não quer ter de criar o Tiago sozinho. Oh well.

No dia 13, quando voltámos do jantar de aniversário do meu irmão, estava a decorrer a reunião de condomà­nio do prédio. Por isso o Pedro subiu com o Tiago e foi dar-lhe o banho e eu fiquei. Foi decidido finalmente avançar com a impermeabilização do prédio para ver se se acabam as infiltrações e no final, quando perguntam se há mais alguma coisa a acrescentar, começou toda a gente a falar dos vizinhos do 9º andar. Fiquei muito feliz por descobrir que não sou a única pessoa do prédio com raiva a estes gajos. Aparentemente, para além de serem barulhentos, está toda a gente farta dos pequenos actos de vandalismos que as miúdas  (gémeas adolescentes) gostam de cometer e pior ainda, a mulher atira comida pela janela. Eu pensava que era por sacudir a toalha depois das refeições mas aparentemente é mais que isso porque estiveram a descrever, entre outras coisas, uma vez em qua atirou um saco cheio de arroz cozido, que acabou por rebentar quando atingiu uma árvore, bombardeando o carro que estava por baixo. Isto juntamente com pessoas fartas de ter a sua roupa lavada atingida por bocados de esparguete e molho de tomate é mais do que suficiente para os aldeões irem buscar as tochas (onde será que se arranjam tochas hoje em dia?).

Mas pronto, o administrador comentou que não pode ensinar civismo a ninguém, e claro que tem razão, mas ficou de falar com o dono do apartamento sempre que lhe chegar uma queixa, o que já não é mau.

Agora resta saber se aquela coisa de eles se irem mudar sempre era verdade porque o Pedro todos os dias fala em mudar de casa para fugir a estas bestinhas.

Mais sobre o futuro

Foi-me sugerido tanto pelo Pedro como pelo meu pai que, uma vez que estou um bocado farta de trabalhar como designer, que tentasse trabalhar como tradutora de inglês. Na verdade é um trabalho que me agradaria mas como o meu conhecimento da lingua não vem com canudo sempre tive muitas dúvidas sobre as possibilidades de sucesso de entrar para essa profissão. Penso que o mercado deve estar inundado de pessoas à  procura de trabalho, a concorrencia deve ser feroz, os preços por página ridiculos e os prazos impossà­veis. E no entanto, apesar de tudo isso, a ideia atrai-me. Por um lado permitia-me continuar a trabalhar em casa e por outro fazer algo que sei que consigo fazer e que, tirando a já mencionada questão dos prazos, me causaria muito menos stress do que o trabalho de webdesigner.

Como webdesigner o que gosto de fazer é agarrar na maquete e construir o html e a CSS. É fazer o puzzle. É lixado e demora uma eternidade por tudo a funcionar nos vérios browsers mas são problemas técnicos que requerem soluções criativas e isso acaba por ser interessante.

Devem pensar que fazer a maquete seria logicamente a parte mais divertida para um designer, mas não é. É que uma pessoa faz uma maquete dando o seu melhor e depois entrega-a, bonita e limpinha a um cliente que a mastiga e amarrota e a cospe de volta com a nota ‘não gosto de verde e o menu devia ser mais assim e esta caixa devia passar para ali e o link contactos (que por sinal estava muito bem arrumadinho com o espaço mesmo a calhar) passa a contacte-nos para obter mais informações sobre os nossos serviços’ que obviamente não cabe no mesmo espaço. Acima de tudo é triste.

Por isso, se há por aà­ tradutores com vontade de dar umas dicas, agradeço.

Afterthoughts

No geral penso que o primeiro aniversário do Tiago correu relativamente bem, tirando um ou dois incidentes que gostaria de poder ter evitado. Quando ele acordou da sesta fomos todos lanchar. Continuamos com a péssima mania de comer no sofá para poder ver tv e o Tiago passa o tempo a tentar chegar aos nossos pratos. Temos sempre uma bolacha ou um bocado de pão para ele sentir que conseguiu conquistar o prato dos pais mas é preciso estar sempre com muito cuidado e muita atenção e resulta em bastante stress quando no fundo era tudo muito mais calmo se nos limitassemos a comer à  mesa. Hoje a minha mãe telefonou a meio do lanche, e eu já me sinto um bocado culpada por não atender o telefone (visto que ela tem uma pontaria tal que é sempre a meio das refeições, do banho ou quando está um gato a vomitar) e resolvi quebrar a regra de não atender o telefone à s refeições. Não poderia ter cometido um erro maior. O Tiago conseguiu agarrar o meu tabuleiro enquanto eu tinha as mãos ocupadas e atirou tudo ao chão partindo um prato e espalhando um copo de leite por todo o lado. Felizmente não se magoou mas eu, que já estava um bocado tensa, tive um pequeno break-down e dei um grande berro (já que era isso ou atirar a merda do telemovel à  parede) e o Tiago ficou obviamente assustado.

Enfim. Not one of my proudest moments.

Depois de limpar a porcaria toda fui ter com ele ao quarto (para onde o Pedro o tinha levado para o salvar da bruxa malvada que tomou conta do corpo da mãe por uns segundos) e pedi-lhe desculpa que ele parece ter aceite porque foi brincar à s escondidas com a cortina. Oh well. Isto de ter que passar o tempo a fazer de conta que estou bem disposta tem estes pequenos inconvenientes. A máscara cai nas piores alturas.

Mas pronto. Daà­ para a frente as coisas voltaram à  normalidade. Fiquei com o Tiago enquanto o Pedro foi comprar os frangos para o jantar e pouco depois começou a chegar toda a gente.

O Tiago ainda não parece interessado em abrir as prendas (deve pensar que rasgar o papel é fazer maldades porque normalmente não está autorizado a tal) mas acho que gostou das prendas. O meu irmão ofereceu-lhe um carro fantástico, que parece um carro de corridas dos anos 20, em metal com o número pintado de lado e tudo. O Tiago ainda não chega bem com os pés ao chão mas gosta de brincar com as rodas e acha piada a estar sentado nele.

O jantar correu bem, com praticamente todos à  mesa e o Tiago a comer franguinho no churrasco como gente grande. Gostou imenso do frango e acho que tinha continuado a comer se pudesse só que não convém abusar da proteà­na e também não interessava que el ficasse cheio ao ponto de vomitar.

Por volta das nove da noite ele começou a dar sinais de sono e foi preciso acabar abruptamente com a festa para ele ir dormir.

Só tive pena de não ter tido grande hipotese de falar mais com o meu irmão e a Ana mas em principio vou hoje jantar com eles porque é o aniversário dele o que resolve a coisa.

Depois da festa da noite anterior, o Tiago acordou ontem de manhã muito desconfortável. Parecia estar cheio de medo não percebi bem do quê e não me largava. Tive de andar com ele ao colo praticamente o dia todo, o que é muito estranho para o Tiago que normalmente só quer é andar a gatinhar pela casa.

Quando tentei distraà­-lo com uma das prendas que teve mais sucesso na noite do seu aniversário, que foi um tambor da imaginarium, as coisas ficaram ainda piores. Quando ele viu as luzes acender ao bater no tambor ficou cheio de medo e veio-se agarrar a mim outra vez. Até agora continua muito desconfiado daquele brinquedo e não consigo compreender inteiramente porquê.

A novidade de hoje é que conseguiu finalmente ligar o computador da sala carregando no botão. Já ligava e desligava a televisão, leitor de DVD, caixa do MEO e playstation e hoje descobriu mais um botão para brincar. Estamos oficialmente lixados.

E também descobri que o Tiago já tem força para levantar 1Kg com cada braço porque levantou um dos pesos que eu usava para fazer exercí­cio aerobico. O que só vem confirmar que um kilo não serve para nada em termos de exercí­cio, visto que até um bebé de um ano consegue levantar aquilo 🙂

O primeiro aniversário

Chegou finalmente o primeiro aniversário do Tiago. Nem acredito que já passou um ano desde que vi pela primeira vez aquela coisinha minuscula. O que ele cresceu este ano! Já está com 79 cm de altura e 9.430kg, medidos e pesados hoje de manhã porque, infelizmente para o Tiago, o dia começou com consulta no pediatra o que resulta sempre numa grande choradeira.

Ontem à  noite estivemos a decorar a sala com balões e bonecos nas paredes para ele ter uma surpresa simpática logo de manhã e parece que gostou. Ficou montes de tempo a olhar para as decorações e fartou-se de sorrir.

Depois teve de ir à  consulta onde passou uma hora na sala de espera a comunicar com uma miúda de 13 meses muito gira e a olhar interessado para os outros bebés. Apesar de se mostrar interessado nos outros miúdos não tenta propriamente ir ter com eles. Acaba por se dirigir mais a outros adultos do que a outras crianças. É uma das razões principais para pensar na creche neste momento – o inicio da socialização com miúdos da idade dele.

Quando saà­mos da consulta ele estava cheio de sono e adormeceu no carro. Mas como sempre, acordou quando chegámos e ainda foi almoçar antes de ir dormir a sesta, já completamente passado de prazo.

O Pedro foi buscar o bolo de aniversário e eu estive a arrumar a sala e a colocar a toalha de mesa e agora estamos à  espera que ele acorde para lhe darmos umas prendinhas.

Birthday week

O Tiago faz um ano na próxima terça feira. Quando penso que já passou um ano ainda não acredito.

Como é uma data importante resolvi que um só dia não era suficiente para comemorar a ocasião. Os aniversários acabam sempre por ser uma grande confusão, com montes de gente, e quando se dá por isso já acabou. E como a expectativa é por vezes melhor do que a coisa em si, resolvi instituir a semana de aniversário em que cada dia tem um special treat.

É claro que isto também me facilita a vida porque assim o Tiago tem algo novo com que se entreter todos os dias e as horas correm mais suavemente.

Fomos ao IKEA no sábado, onde largámos uma grande fatia do orçamento do mês mas não resistimos a comprar uma série de coisas para o Tiago. Eles têm de facto montes de coisas fantásticas para miúdos.

Na terça feira montei-lhe a arca de tesouro para guardar brinquedos. Cabem todos os peluches e aquilo enfia-se debaixo do fraldário e não ocupa espaço. O Tiago divertiu-se a brincar com a tampa e ontem já tinha arranjado maneira de entrar para dentro daquilo. I’ve got pictures.

Na quarta foi a vez de montar o roupeiro. Não sei bem como mas montei aquilo sozinha, durante a sesta do Tiago. Quando fui colocá-lo no sí­tio é que me apercebi que não ficava bem onde eu tinha pensado e acabou por ficar num canto onde dava mais jeito ter montado a porta para o outro lado. Felizmente não é complicado por isso já tratei de mudar a direcção da porta esta manhã. Não se pode dizer que o roupeiro seja propriamente para o Tiago, mas optámos por um roupeiro giro em vez de um maior e mais prático mas com um aspecto muito mais seca para quarto de criança. Ele divertiu-se imenso a brincar com a gaveta, pelo menos até entalar os dedos e eu ter de meter uma tranca naquilo. Oh well. O raio do miudo nunca mais aprende que não pode meter os dedinhos e depois empurrar a gaveta com a outra mão. Pensei que depois do treino com a tampa do leitor de CD já tivesse percebido isso.

Ontem montei a tenda/igloo. Foi um sucesso. O Tiago fartou-se de entrar e sair da tenda e levar para lá o urso que é um dos brinquedos favoritos do momento porque é quase do tamanho dele.

No meio disto tudo ainda tive tempo para escrever a minha primeira história infantil. Já tinha começado uma mas é comprida e chguei a um ponto em que preciso de decidir para onde vai aquilo agora. Mas a de ontem tem o tamanho certo para contar antes da sesta e acho que daria um livro ilustrado giro.

No fundo não me sinto à  vontade a contar já histórias tradicionais ao Tiago porque são demasiado violentas. Acho que são importantes mais tarde mas numa idade em que ele ainda não fala e não consegue experssar dúvidas ou fazer perguntas, não me interessa introduzir já a ideia de mães e pais que morrem ou abandonam os filhos na floresta.

Prefiro criar eu historias mais inocentes por agora e depois se vê se ele é muio sensà­vel ou não.

Mais do mesmo

Tenho andado sem vontade para escrever, especialmente porque sinto que acabo por dizer sempre a mesma coisa. Estou canssada, sem energia e o meu cérebro já deixou de funcionar há algum tempo. Tenho dificuldade em encontrar as palavras que preciso para coisas rotineiras e sinceramente já nem me preocupo muito com isso tirando o facto de sentir que estou cada vez mais estupidificada.

Continuo a tentar ir fazendo umas peçazitas de vez em quando e ir actualizando a loja porque é a única coisa que me dá algum sentimento de acomplishment (mais uma vez não estou para estar aqui a tentar lembrar-me da palavra. Habituem-se.)

Estou a chegar à quele ponto em que ser mãe está a absorver-me por completo e já não sei bem quem sou. É como se não existisse sem o Tiago. Quando ele está a dormir tento não fazer barulho e estou sempre alerta, à  espera da hora dele acordar, e mesmo quando os meus sogros o vêem buscar continuo com essa sensação de estar à  espera que aconteça qualquer coisa. Não consigo simplesmente relaxar e muitas vezes penso que oiço o Tiago chorar quando ele nem está cá.

Para além disso, este ano tem sido um grande teste da minha relação com o Pedro, já que o cansaço e a falta de tempo não são propriamente compatà­veis com intimidade. Não há dúvida que é um ajuste muito grande.

Sempre me perguntei se me iria transformar numa daquelas pessoas que não consegue conversar de mais nado a não ser dos filhos mas já percebi que é inevitável, especialmente quando não se consegue fazer mais nada na vida. Já não faço ideia que filmes ou discos estão para sair e escusado será dizer que fui ao cinema só uma ou duas vezes este ano. Fomos almoçar com o meu irmão e a minha cunhada Ana um destes fins de semana e a Ana estava a comentar como teria que fazer uns ajustes à  sua rotina matinal quando tivesse o bebé. Não disse nada na altura porque há coisas que temos mesmo que ver para crer, mas quando se tem uma criança é preciso mudar muito mais do que estava à  espera e penso que embarquei nesta coisa da maternidade com espectativas bastante realistas. Mas é sempre um choque o quanto se tem de mudar efectivamente. É claro que eu não sou um caso tà­pico porque não vou para o escritório todas as manhãs e por isso levo com tudo em cima – momentos bons e momentos maus, todas as birras, todas as refeições, todas as lutas para ir para a cama, o que torna tudo  muito mais cansativo. Naqueles dias mesmo maus até parece que passar os dias em frente ao computador seria o paraà­so. Mas é claro que é mentira. Odeio o stress de ter que lidar com clientes, das reuniões, dos prazos. Ando há anos à  procura de um emprego de slacker, com responsabilidade nula. O problema é que esses empregos pagam tão mal que nem compensava o que tinha de pagar de creche. Mas mesmo os empregos de designer com curso superior pagam mal. Nesse aspecto o nosso paà­s é um nojo. Ter um curso já não vale nada.

Ando a lutar com este dilema há algum tempo. Há dias em que sinto que preciso de arranjar um emprego normal porque é injusto que o Pedro seja responsável pela totalidade da responsabilidade financeira. Eu até conseguiria colaborar mas há alturas em que me apercebo que praticamente tudo o que ganho com as peças que faço vai para pagar o IVA e o PEC, o que me parece absurdo a um nà­vel inexplicável. Por outro lado, se dissolver a empresa e me inscrever a recibos verdes o mesmo valor vai inteiramente para pagar a segurança social, por isso não sei o que é pior. O  Estado é completamente anti pequenas empresas.

Mas estivemos a fazer as contas e o salário médio de um designer hoje em dia é tão baixo que serviria apenas para pagar a creche, os almoços e os transportes e duvido que sobrasse algum. Portanto ficava com menos tempo, tinha que pagar a alguém para fazer de mãe substituta para o meu filho e em termos práticos não ganhava grande coisa com isso. É lixado.

Mas pronto. Basta de me queixar por hoje que isto já enjoa.