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Kindle

No post anterior falei no Kindle que o Pedro me ofereceu como presente de aniversário de casamento e isso lembrou-me que ainda não tinha escrito nada sobre isso.

Quando o meu irmão me ofereceu o ipod comecei a usar imenso o ibooks porque posso andar com quatro ou cinco livros atrás sem o peso dos calhamaços. O único problema é que o ecrã é muito pequeno.

Comecei então a pensar no ipad, não só para ler mas também por causa de um programa de música que me pareceu muito giro, só que é super caro. Foi então que o Pedro resolveu dar-me o Kindle.

O Kindle é muito mais barato do que o ipad, mas também só serve mesmo para ler, e tem um ecrã um pouco mais pequeno que uma página A6. Tem um peso semelhante a um livro mas é fininho e permite armazenar montes de livros ao mesmo tempo para se poder mudar conforme o estado de espà­rito ou para não corrermos o risco de ficar sem nada para ler na sala de espera do dentista porque se chegou ao fim do livro que estávamos a ler. Dá montes de jeito.

O ecrã não é iluminado, pelo que precisa de luz ambiente para ler, tal como um livro normal. Ou seja, quando vou para o quarto da Joana à  noite, enquanto espero que ela adormeça, continuo a levar o ipod para poder ler ou jogar sem ter de acender a luz. Em qualquer outra circunstancia passei a usar o Kindle. O ecrã é excelente e não cansa os olhos, algo que é um problema com ler no computador ou ipod.

Uma das grandes vantagens do Kindle é que só consome energia quando mudamos de página. Assim que a página é ‘impressa’ no ecrã ele já não está a fazer nada. Isto quer dizer que a bateria dura imenso tempo, ao contrário do ipod que é preciso por a carregar todas as noites.

Fora isso tem uma série de caracterà­sticas que os outros programas de ebooks também têm, como poder aumentar ou reduzir o corpo de texto ou ler com o ecrã vertical ou horizontal.

O Kindle também tem função de pesquisa que nunca usei mas que deve dar imenso jeito quando se anda à  procura de uma citação especà­fica num livro sem saber a página, e dá também para sublinhar ou acrescentar notas associadas a determinadas passagens nos livros, algo que dá imenso jeito a quem usa um livro para estudar, por exemplo. No meu caso é mais por diversão portanto ainda não precisei de nada disso.

O index pode ser organizado pelo livro que foi lido mais recentemente, autor ou tà­tulo, cada livro é seguido de uma linha ponteada que indica até onde é que lemos (os pontos ficam maiores na parte que já lemos). Pode parecer pouco importante, mas quando estou a ler uma série que tem tà­tulos parecidos, basta olhar para ali para ver quais já li e em qual vou a meio.

Escusado será dizer que o Kindle fica na página em que estávamos a ler mesmo que se saia do livro e se vá a outro. A maior falha que encontrei com este sistema é que já me aconteceu mais do que uma vez ter a Joana a gatinhar por cima de mim, carregar em botões ao acaso e fazer aquilo ir parar à  primeira página. A partir daà­ já não sei como voltar onde estava – pode ser falha minha e precisar de ir ler melhor o manual mas que é irritante é.

Uma coisa que gosto bastante no Kindle é que não está sempre a entrar em power save como o ipod ou o computador. Como não está efectivamente a gastar energia, fica na página imenso tempo antes de trancar. Aquilo que gostava mesmo é que o trancar fosse opcional e desse para desligar porque tenho muitas situações em que sou interrompida constantemente pelos miúdos ou estou a fazer algo que requer a minha atenção durante um bocado e acontece-me imenso aquilo trancar precisamente quando volto à  leitura. Mas compreendo que o lock automático faça sentido para o caso de nos esquecermos daquilo em qualquer lado não correr o risco de alguém carregar nos botões ao acaso e mudar de página acidentalmente.

Também não gosto muito do facto dos números serem no menu ‘symbol’ porque quando queremos saltar muitas páginas de cada vez é preciso andar para ali a carregar em montes de teclas, mas o teclado de letras já ocupa tanto espaço que compreendo que não fosse prático tentar espetar também números ali.

No geral gosto imenso do meu novo brinquedo e acho que vou continuar a usar. Há quem diga que não gosta destas coisas porque prefere os livros em papel, e eu até compreendo, mas a verdade é que já tenho a sala cheia de estantes com livros e não há mais sí­tio, especialmente considerando que leio um livro a cada dois ou três dias se tiver tempo para isso. Como a maior parte do que leio são coisas em que provavelmente não vou voltar a pegar, para quê estar a ocupar espaço em casa com esses livros? Vou continuar a comprar em papel aqueles que eu sei que gosto mesmo e que pretendo reler e o resto serve perfeitamente em digital, com a opção de apagar se não gostar.

E para terminar, o Kindle também lê PDF, o que pode dar jeito a quem lida muito com este formato em situações de trabalho, por exemplo. É mais complicado de ler porque não temos tanto controlo sobre o comprimento da linha e é preciso fazer zoom para ver as páginas A4 com um corpo de letra aceitável. No entanto, para quem tem paciência, existem programas grátis que transformam PDF em Mobi para facilitar a leitura, permitindo assim ter o ficheiro nos dois formatos se necessário.

Outos extras do Kindle são o browser que permite aceder à  internet mas que sinceramente não recomendo excepto em situações em que não se tem outra hipótese. Dá jeito para aceder ao site da Amazon para comprar livros ou ver a lista que temos disponà­vel mas é complicado de navegar porque estamos limitados a setinhas para andar muito devagarinho para os lados, cima e baixo, até chegar ao link que queremos. Torna-se frustrante e cansativo e sente-se rapidamente o desejo de ter na mão um rato ou um touch screen. Para além disso é a preto e branco, o que também não ajuda.

O Browser tem dois modos – web mode e article mode. O web mode mostra a página toda e o article mode mostra a notà­cia/post que estiver no ecrã de forma mais simplificada, ocupando toda a área útil om o texto, para facilitar a leitura. Neste modo o texto fica tão legà­vel como o dos livros, portanto vale a pena usar se quisermos ler noticias ou posts longos.

Outra ‘experiencia’ que não recomendo excepto em caso de necessidade é o ‘text to speech’. Para cegos deve dar jeito mas a voz é muito monótona e mecânica, algumas palavras são difà­ceis de compreender ou estão ligeiramente cortadas no fim e certas frases e palavras que deveriam ter pausas são coladas e vai tudo de seguida por ali fora. Tentei usar essa função uma vez que estava a fazer um anel e não queria largar o livro mas desisti rapidamente.

A outra função extra é a hipótese de por mp3 no kindle para ter música de fundo enquanto se lê mas nunca usei essa função porque tenho o ipod para música e acho um desperdà­cio estar a gastar bateria do kindle por causa disso.

Dia no Spa

O meu simpático marido, ofereceu-me um voucher de Day Spa como prenda de aniversário. Como era quase um dia inteiro e preciso marcar com antecedencia, só hoje é que fui.

Cheguei cedo e fiquei a ler um bocado até ser hora. Depois veio uma senhora buscar-me e levou-me para uma sala onde vesti o fato de banho e fui para o Jacuzzi. Devo dizer que esta parte não me entusiasmou assim muito. O Jacuzzi estava basicamente no corredor, separado da zona de passagem por estores brancos. Ficar ali sentada sem nada para fazer, nada de interesse para onde olhar e sentindo perfeitamente as pessoas a passar do outro lado dos estores não foi particularmente relaxante. Suponho que para quem vai as amigas até possa ter piada porque pelo menos dá para conversar, agora assim não vale a pena. A água tresandava a cloro, era até ao pescoço e borbulhava de tal forma que tinha que estar constantemente a limpar a cara. Não podia encostar a cabeça porque levava com jactos nos ouvidos e não podia ler porque ficava com o livro encharcado.

Quando finalmente acabou, tomei um duche para tirar o cloro e depois deitei-me numa marquesa onde fizeram limpeza facial – lavar, seguido de tónico, massagem, esfoliação e máscara. Deixaram-me deitadinha enquanto a máscara actuava e depois foi a ver do hidratante e estava terminada esta parte.

Vesti o roupão e fui para outra sala arranjar as unhas. Aà­ tive de ficar bastante tempo para o verniz secar – ainda bem que levei o Kindle – e depois fui para a sala da massagem. Quando a parte das pernas estava a chegar ao fim toca o raio do telemóvel que me esqueci de desligar. A massagista troxe-me a mala para eu desligar o aparelho infernal e vi que era a mulher a dias. Percebi logo o que se passava, mesmo sem falar com ela: fiz uma cópia nova da chave de casa e ela não consegue abrir a porta com aquilo. Como não podia fazer nada naquele momento, mesmo que quisesse, tentei ignorar mas custou-me imenso conseguir voltar a relaxar.

Tirando isso a massagem foi optima e é algo que sou capaz de repetir um dia destes.

No final da massagem trouxeram-me chá e umas bolachinhas, mas como o chá mancha e as bolachas custam a mastigar, graças ao maldito aparelho dos dentes, agradeci mas tive de recusar. Por esta altura eram duas da tarde e o iogurte que comi à s oito da manhã há muito que já tinha desaparecido, mas também estava quase a ir-me embora. Faltava só lavar e secar o cabelo, que foi rápido.

Gostei da experiencia, no geral. As senhoras foram todas muito simpáticas e eficientes, eu nem sabia bem a lista completa dos tratamentos porque o Pedro é que tinha tratado de tudo mas não tive que me preocupar com nada e fui levada de um lado para o outro sem estar muito tempo à  espera (tirando a parte das unhas por razões lógicas).

Cheguei a casa à s três da tarde para confirmar que de facto a mulher a dias não estava cá mas até nem foi assim tão mau porque pude ir para a cozinha comer qualquer coisa em paz e sossego sem ruà­do do aspirador.

Aconselho assim os homens que já não sabem o que mais oferecer à s suas esposas a considerar esta opção dos vouchers de Spa. As senhoras gostam dos mimos, passam um dia calmo de onde saem a sentir-se bonitas e é menos uma coisa que fica lá em casa a apanhar pó.

Dentes

Há uns meses começou a nascer-me um dente. Foi um bocado estranho porque tinha 37 anos, os sisos todos e aquele nasceu por cima do canino. Um bocado à  espera que o dentista me dissesse que estava a transformar-me em vampiro, lá fui à  consulta.

Depois de olhar para o RX concluiu-se que o canino que eu tinha há tantos anos era ainda de leite e o que estava a nascer era o definitivo, com muitos anos de atraso.

A solução obvia era arrancar um deles mas não fazia muito sentido tirar o definitivo e deixar o de leite, logo arrancou-se o de leite e andei desdentada durante os últimos 3 meses até voltar à  consulta, desta vez para por um aparelho. A ideia é puxar o dente para o sí­tio e depois para baixo para ele acabar de crescer mais depressa porque continua super preguiçoso.

Voltei ontem para casa com as boca cheia de arames ligados por elásticos cor-de-rosa. Durante o primeiro dia o maior desconforto foi o contacto dos arames com o interior dos lábios. Lá fui descobrindo as zonas que magoavam mais e cobrindo os arames com silicone mas cheguei à  noite com a boca toda desfeita.

A maior diferença que notei foi em relação à  comida. Foi necessário por uma massa por baixo dos caninos para evitar que os dentes de cima batam nos arames de baixo quando fecho a boca e isso impede os molares de se tocarem, logo dificulta bastante a ingestão de sólidos. Fiquei-me pelos iogurtes là­quidos e outros alimentos que se desfaçam para não ter de mastigar mais do que o essencial. Agora é que vou emagrecer a sério!

Durante a noite os dentinhos começaram a mexer e das vezes que acordei senti tudo dorido mas nunca nada que pudesse chamar verdadeiramente dor. Consegui dormir sem problemas.

De manhã estava com as gengivas bastante doridas e percebi depressa que mastigar estava mesmo fora de questão porque a pressão nos dentes é que doia mais a sério. Continuei a minha dieta de iogurtes llà­quidos e afins.

Concluà­ que se estiver ocupada e concontrada em algo consigo ignorar os dentes por isso não é muito mau.

Espero já estar melhor amanhã porque é suposto ir passar o dia no Spa (prenda de aniversário do Pedro) e era uma seca estar para lá cheia de dores.

Já em casa?

Pois é, ainda não acabou a terceira semana de creche e a Joana já ficou em casa com febre. Considerando que costuma acordar toda espevitada logo à s 7 da manhã, quando vimos que eram 8.30 e ela continuava a dormir ferrada achámos logo que se passava qualquer coisa. O Pedro tirou-lhe a temperatura e deu 37. Dei-lhe a papa mas ela comeu pouco e estava muito irritada. Fui vesti-la e tirei a temperatura novamente. Desta vez deu 38.4.

Passou a manhã com aquele olhar vidrado, sentada ao meu lado, até a febre começar a descer. Nessa altura lá começou a mexer-se e a brincar um bocado mas nota-se que está um bocadinho mais em baixo que o normal. Enfim, pode ser que passe durante o fim de semana e não seja nada que requeira antibiotico.

Update

Bom, como já não escrevo há imenso tempo, está na altura de fazer um apanhado do último mês.

Primeiro lá nos decidimos pelo carro que haviamos de comprar, algo que ocupou as férias quase todas, e temos agora o nosso primeiro carro novo de sempre, um Mitsubishi ASX cinzento. É muito mais fácil de por e tirar os miúdos lá de dentro, porque é mais alto e também mais fácil para mim que já não fico com os joelhos ao nà­vel do pescoço.

Também instalámos ar condicionado, que foi uma grande confusão porque a pré-instalação não tinha ficado completamente bem feita. O que acho fantástico é que a empresa que montou as máquinas foi a mesma que fez a pré-instalação mas chegaram ao quarto da Joana, viram a localização da caixa e disseram ‘então o empreiteiro meteu-me aqui uma viga?’. Seriously? Não, o empreiteiro não andou a inventar vigas. Vocês é que tiraram mal as medidas.

Graças a isso tiveram de partir a parede toda e tive de ligar ao Sr. Augusto para mandar cá alguém tapar o buraco. Ainda está uma mancha cinzenta, de cimento, à  espera de estuque e tinta, vamos lá ver durante quanto tempo.

Mas os problemas com o AC não ficaram por aà­. Aparentemente outra coisa que não foi feita na pré-instalação foi passar fio eléctrico do quadro até ao local onde ficam as máquinas externas. O tubo estava lá mas sem cabo. Depois de muita negociação o Pedo foi comprar o fio eléctrico, porque aparentemente ninguém o queria pagar, e os homens lá passaram aquilo mas não ligaram ao quadro porque isso requer um electricista qualificado. Estando em Agosto, arranjar um electricista disponà­vel não é fácil e só ao fim de uma semana ou mais é que o Sr. Augusto conseguiu finalmente trazer cá um.

Mas pronto, já temos AC. Temos usado pouco – um bocado ao fim da tarde na sala e pouco mais – mas no inverno vai dar jeito para ver se deixamos de estar tão dependentes dos aquecimentos a óleo que nos deram uma conta de luz de mais de 600 euros no princà­pio do ano. Até doeu pagar aquilo…

Entretanto a Joana entrou para a creche e eu passei a ter um bocado mais de tempo livre. Tenho feito algumas das arrumações e reparações que precisavam de ser feitos em casa, andei a acabar um site que tinha ficado pendurado durante as férias, recomecei a fazer bijutaria e a fazer planos para o futuro.

Ainda tenho muitas chatices para resolver e muitas decisões a tomar, mas ao fim de um ano presa em casa com um ser humano completamente dependente de mim, por um lado estou a achar estranho ter a casa vazia e dou por mim a tentar não fazer muito barulho como se a joana estivesse a dormir, e por outro estou cheia de vontade de fazer coisas. Mas estou também muito cansada e o nà­vel de energia só agora, na terceira semana, é que começa a normalizar.

Tinha prometido a mim mesma uma semana sem fazer nada, assim que me apanhasse sozinha em casa, mas já percebi que isso isso é o tipo  de coisas que penso quando estou tão cansada que mal consigo manter os olhos abertos e preciso de algo que me faça aguentar o dia. Depois acaba sempre por haver qualquer coisa para fazer e acho que até é melhor assim.

A Joana vai para a escola

Nos últimos dias de Setembro a Joana começou a ir para a creche. No primeiro dia ficou só uma hora, no segundo duas, no terceiro almoço e a partir de 1 de Setembro começou a ficar até à s quatro e meia.

Ao fim de uns dias começava logo a resmungar assim que entrava na escola mas quando a ia buscar estava bem e só choramingou quando me viu.

Ao fim de duas semanas parecia estar a adaptar-se bem e esta semana já consegui deixá-la mais um bocadinho. A educadora diz-me que ela já ri e dança, que come e dorme bem e hoje em vez de chorar quando entrou na sala disse olá, pelo que acho que não podia estar a correr melhor.

Os dias mais complicados são as segundas feiras porque, depois de dois dias em casa, não fica muito feliz quando tem de voltar. As mudanças que noto mais são o facto de já não adormecer sozinha e estar exausta quando chega a casa.

Antes da escola, quando a Joana começava a ficar com sono, eu levava-a para o quarto, punha musica a tocar, abanava-a ao colo um bocadinho, deitava-a na cama e podia sair que ela ficava bem e adormecia. Agora quer companhia até estar a dormir e mesmo quando adormece acorda várias vezes e chora até eu aparecer. Não quer necessariamente colo nem sair da cama, quer só companhia. Tenho-me sentado numa cadeira ao lado da cama e canto ou vou lendo em voz alta e ela acalma-se a lá acaba por adormecer outra vez.

A mudança maior é que por volta das seis e meia a Joana está a cair de sono. Dantes dormia uma sesta de manhã e outra à  tarde. Agora com a escola dorme só uma vez, depois do almoço, e quando chega a casa está exausta. Enquanto que antes ir para a cama à s nove da noite, agora tenho que lhe dar o jantar assim que chegamos a casa para a deitar por volta das sete e ela dorme até à  manhã seguinte – acorda ocasionamente mas mais para protestar ou porque quer companhia do que porque se quer levantar.

Com isto passei de estar com ela o dia inteiro para praticamente não a ver porque ela só quer é dormir quando está em casa. É uma mudança estranha. A única altura em que dá para brincar um bocadinho é no pequeno lanche que nos habituámos a fazer diariamente. Depois de ir buscar os miúdos à  escola sentamo-nos todos na relva um bocadinho para eles comerem umas bolachas e brincarem um bocado. O Tiago parece adorar estes momentos e a Joana gasta as últimas energias. Quando começa a ficar rabujenta, é hora de ir para casa.

Férias

Estamos de férias, tal como 90% da população portuguesa. O paà­s pára durante o mês de Agosto. As lojas,empresas e escolas fecham e grande parte da população muda-se temporariamente para o sul. Este ano decidimos que não valia a pena continuar a lutar contar a maré. A escola do Tiago está aberta mas as crianças estão quase todas de férias à  mesma, e por isso o Tiago acaba por ficar lá só com outros dois ou três miúdos, o que é uma seca para ele. Assim sendo, este ano tirou férias em Agosto e quando voltar vão já os dois manos começar o novo ano lectivo juntos.

No sábado fomos almoçar a casa dos meus sogros, um almoço de festejo do aniversário de casados dos avós do Pedro. No domingo fomos ao Parque passear e o Tiago, depois de muito espernear porque nunca quer fazer nada à  primeira, acabou por se divertir a dar comida aos patinhos.

Ontem, primeiro dia oficial das férias, o Pedro foi levar o carro à  oficina para resolverem eventuais problemas e fazer a inspecção. Já esperavamos uma conta jeitosa e tinhamos falado na eventualidade do arranjo ser mais do que o carro vale e infelizmente estavamos correctos. Com um orçamento de arranjo de mais de 2ooo euros ainda sem incluir a mão de obra, concluà­mos que está mas é na altura de comprar um carro novo.

Hoje o Pedro passou a manhã a correr os stands dos automóveis que lhe interessam dentro do orçamento realista que estabelecemos e conclui-se que o Honda Civic será o mais provavel. Estamos à  espera dos detalhes do crédito e o Pedro vai experimentar conduzir o carro amanhã para se decidir.

Em vez de estarmos a tentar descontrair e descansar os possà­veis porque estamos de férias, estamos novamente a ter que resolver problemas, como já é costume. Estou a tentar convencer o Pedro a ver a coisa pela positiva – afinal de contas vamos comprar o nosso primeiro carro novo – mas entre decidir o que dá para pagar, o tipo de carro mais indicado para transportar as cadeirinhas dos miúdos e o que fazer ao mercedes, a coisa sempre dá algum trabalho e ansiedade.

Para tentar descontraà­r um bocadinho, agarrámos nos miúdos e fomos fazer um picnik ao jardim. Quando penso nestas coisas imagino os miúdos a tricar uns bolinhos calmamente e uns minutos para me deitar na relva e olhar para o céu. A realidade é um pouco diferente. A Joana desfez rapidamente o seu queque em migalhas minusculas, as quais esteve a massajar concentradamente. Depois comeu um iogurte e encostou a boca suja à s minhas calças. Quando acabou de ‘comer’ passou o tempo a resmungar, tentar tirar tudo o que eu tinha dentro da mala, roubar-me o ipod ou o telemovel do pai, passar por cima de mim vezes sem conta, ginchar o mais alto que conseguia, etc, etc, non-stop.

Entretanto o Tiago, que é mais crescidinho, esteve a comer um bruto queque de chocolate e no final até foi deitar o papel no caixote do lixo sem ser preciso dizer nada. Por outro lado, no caminho de volta limpou as mãos cobertas de chocolate à  camisola que mais vale ir já para o lixo. Depois foi correr um bocado pelo jardim, caiu e esfolou o joelho, terminando assim o nosso passeio. O pai teve de o levar ao colo o caminho todo até casa enquanto ele berrava e dizia ‘não gostei!’

Nem imaginam o quanto eu preciso de férias!

Passo a passo

A 2 semanas dos 13 meses, a Joana começou finalmente a deixar-nos ajudá-la a andar. Até aqui punha-se de pé agarrada aos móveis, mas se lhe dava a mão para ela andar pela sala, atirava-se imediatamente para o chão e preferia gatinhar. Agora já aceita usar a nossa mão para dar algum equilibrio extra e já atravessou a sala de uma ponta à  outra só com esse apoio – com as pernas todas abertas e pés virados para fora, como convém 🙂 – Vamos ver se começa a andar sozinha antes de ir para a escola, em Setembro.

Também parece estar a aprender a falar muito mais facilmente do que o irmão. Para além do olá, que diz a toda a gente que encontra, diz ‘olha’ quando aponta para algo, diz nariz e repete sem grandes problemas muitas outras palavras (uva, por exemplo –  ou melhor, uba). São poucas as que usa espontaneamente mas vê-se que faz um esforço grande por repetir o que lhe dizemos e fica muito feliz quando consegue.

Estive recentemente a ler alguns posts sobre o Tiago nas mesmas fases e acho-os muito diferentes. A Joana é muito mais faladora e bem disposta, não faz birras para dormir e habituou-se mais facilmente a entreter-se sozinha – tenho de estar na mesma sala que ela, à  vista, mas não preciso de estar sempre a entretê-la. Acho isso optimos porque o Tiago demorou anos a aprender a brincar sozinho e com dois já não dá para ter aquele nà­vel de dedicação.

Acho porém que a Joana não fica tão focada num brinquedo como o Tiago ficava. Gosta mais de experimentar coisas novas do que de explorar completamente as possibilidades de um brinquedo como o irmão gostava. Também gosta de deitar abaixo as torres de copos e cubos. Por vezes já tenta empilhar ou encaixar formas mas fica frustrada muito rapidamente quando não consegue e desiste. O Tiago ficava frustrado mas era teimoso e insistia com aquilo até conseguir. A Joana vira as costas e vai à  procura de outra coisa mais interessante.

No que diz respeito à  alimentação, voltámos a introduzir o leite de vaca e parece que os vómitos acabaram. Estou convencida que ela deve continuar a ter alguma intolerancia alimentar ao leite mas agora traduz-se mais nuns cocós mais liquidos e amarelados do que em vómitos. Mas como não parece queixar-se de cólicas, vamos ver se é algo que acaba por normalizar ou se temos de fazer mais umas experiencias alimentares.

Com o fim da restrição do leite e o facto de ter completado um ano de vida, a Joana começou também a comer praticamente tudo o que nós comemos. Dantas era só um bifinho de perú ou frango grelhado, ou peixe cozido partido aos bocadinhos, para se habituar a comer sozinha, e agora já come lasagna e massa com cubos de fiambre, azeitonas e cogumelos, como o irmão. Adora lasagna. O resto acaba mais no chão do que na boca, mas a lasagna feita pelo pai vai toda 🙂

Continuo a fazer-lhe sopa, que já começa a ser difà­cil convencê-la a comer, e a dar-lhe puré de fruta porque ela cospe mais do que engole quando lhe dou fruta não triturada.

A Joana continua a dormir duas sestas por dia, geralmente das 10.30 à s 12.00 e depois das 15.00 à s 16.30. Isto não é certo, como é obvio, e há dias em que a sesta da tarde se atrasa e tenho de a ir acordar à  hora de ir buscar o Tiago à  escola. Ocasionalmente salta uma das sestas.

Drama infantil

Ontem, quando fui buscar o Tiago à  escola, ele veio a correr para mim com um ar todo feliz. Levou-me até ao cacifo para me mostrar que uma colega lhe tinha dado uma pulseira de elástico, daquelas que têm uma forma, neste caso era um saxofone – eu nem sabia que tal coisa existia, aliás, e o Tiago insistia que era um cão 🙂 . Veio o caminho todo com a pulseira no braço e eu sugeri que ele deveria oferecer algo de volta à  menina. Ele perguntou se podiamos fazer também uma pulseira de elástico e eu concordei.

Depois do jantar, fui buscar os materiais e o Tiago escolheu umas contas de madeira que eu enfiei num fio elástico. Hoje levou a pulseira para a escola para dar à  menina. Quando o fui buscar vinha com um ar muito triste a dizer que outra menina tinha tirado a pulseira e se recusava a devolver.

Eu queria fazer qualquer coisa, para ele não ficar com aquele ar triste mas a educadora está de férias. Ainda falei com duas das auxiliares, que não sabiam de nada e não cheguei longe. A menina a quem a pulseira era destinada confirmou que não a tinha dado à  outra de livre vontade mas o pai não deu imporancia nenhuma à  situação e ficámos por aà­. O Tiago começou a dizer que queria ir para casa.

Como forma de resolver a situação sem ele ficar triste por a sua primeira tentativa de oferecer uma prenda ter corrido mal, disse-lhe que faziamos outra pulseira. Começo a achar que vou ter de fazer uma para as meninas todas da sala antes de ficar toda a gente satisfeita 🙂

No meio disto acho piada à  insistencia do Tiago em querer dar a prenda e a meiguice de tudo isto. Mas mesmo nas coisas mais simples parece que estamos sempre a aprender que as coisas nunca correm como queremos.

Atitude feminina

Todos os dias faço o mesmo percurso a pé, para ir buscar o Tiago à  escola. Vou a empurrar o carrinho da Joana e tenho de atravessar várias estradas, sempre na passadeira, claro.

Apesar das passadeiras, alguns carros param para me deixar passar e outros continuam como se não fosse nada com eles. Comecei a reparar nos condutores em ambas as situações e cheguei a uma conclusão interessante. Na maioria das vezes, quem pára me deixar passar são os homens e as mulheres continuam, fazendo uma expressão que identifico como ‘isto não é nada comigo, ah pronto, já passei’.

Sendo mulher, era mais lógico para mim que fosse ao contrário – afinal muitas daquelas mulheres também são mães e devem saber como é complicado navegar as nossas ruas e estradas com um bebé – carros estacionados no passeio que não deixam espaço para o carrinho passar, o facto de não podermos simplesmente atirar-nos para a estrada para atravessar porque não podemos correr o risco dos carros não pararem, etc. Mas pelos vistos não. Em vez de empatia encontro apenas egoà­smo e indiferença e são os homens, que geralmente são acusados de ser egocentricos e umas bestas ao volante, que se dão ao trabalho de parar e me indicar que posso avançar em segurança. É no mà­nimo curioso.

Custa-me imenso ter coisas negativas a dizer sobre o meu género mas ao fim de mais de 6 meses de observação não tenho grandes dúvidas sobre este fenómeno.

Parece-me que a atitude destas mulheres é que se algo não lhes diz directamente respeito não querem saber. Os homens ao volante têm outras falhas, nomeadamente a tendência para o excesso de velocidade e manobras perigosas, mas parecem observar melhor o que os rodeia. As mulheres dentro do seu carro agem como se estivessem isoladas do mundo e nada as afecta nem lhes diz respeito. Pior que isso – fazem de conta que não estão a ver. É uma atitude falsa e maldosa que tenho pena de presenciar tantas vezes.

De certeza que já ouviram muitas mulheres com a conversa do ‘se o mundo fosse dominado por mulheres não havia guerras’. A minha opinião hoje em diz é que se calhar não havia de facto muitas gerras como elas existem agora mas não sei se a alternativa era melhor. Acho que iamos viver num mundo de intrigas mesquinhas, facadas nas costas e veneno no copo da vizinha.

Joana, 1 ano

A Joana completa amanhã um ano de vida. Eu não tenho tido muito tempo para me sentar a escrever e já deixei passar uma série de detalhes que gostava de registar.

Nos últimos dois meses a evolução da Joana continuou dentro do que seria de esperar. Passou a querer comer sozinha e já lhe posso dar um prato com carne, peixe ou massa e ela come sozinha sem problemas. Mastiga bem e raramente se engasga. Ainda não usa os talheres e faz uma porcaria indescrità­vel, porque é tão divertido atirar a comida ao chão como por na boca, mas safa-se bem.

O desmame correu bem, já que ela está mais interessada em comida sólida do que leitinho. Também passou a aceitar beber água, algo que há uns meses atrás não ia sem grandes caretas, e começou a comer quantidades maiores. Acho que continua a ser mais fácil alimentar a Joana do que foi o Tiago. Desde que tenha o prato à  frente, uma colher ou um brinquedo para se distrair, não costuma reclamar muito e come bem.

Em termos de mobilidade, aprendeu a trepar – camas, sofás, etc – e a descer de costas, pondo primeiro os pés no chão, sem cair. Foi de um dia para o outro e aprendeu a subir e a descer na mesma altura. Acho que o Tiago aprendeu a subir mas depois queria atirar-se de cabeça e com ela isso não aconteceu. à‰  claro que este desenvolvimento torna a vigilancia ainda mais importante, assim como a necessidade de ter certas portas sempre fechadas. Ela tem uma velocidade tal a gatinhar e trepar que se me distrair já está em cima da cama no tempo que eu demoro a levar um prato da sala para a cozinha. Lá porque percebeu como se desce não quer dizer que não possa cair ocasionalmente se eu não estiver lá para ver. E por mais que se fale em vigilancia, não é possível estar a olhar para eles 24 horas por dia e a prevenção é mesmo o mais importante.

A Joana ainda não anda sozinha mas já fica imenso tempo em pé, só com as costas encostadas ao sofá para ajudar o equilibrio, sem ter de se segurar com as mãos, pelo que já não deve faltar muito para os primeiros passos.

Já escolheu o seu bonequinho de dormir – uma daquelas mantinhas com a cabeça de um coelho – e não aceita substituições. O problema é que ela chucha no boneco (nunca se habituou a usas chuchas) e aquilo fica a cheirar mal em pouco tempo e tem de estar a ser constantemente lavado. Tenho e comprar mais 2 ou 3 para ir trocando mas não consigo encontrar aquilo à  venda cá.

O desenvolvimento da linguagem continua mais ou menos na mesma. A Joana diz olá a toda a gente e acena com as mãos, repete alguns sons e nota-se que alguns deles são claramente tentativas de dizer certas palavras mas por enquanto não passa disso. Está é a comunicar mais por gestos, apontando para o que lhe interessa e mostrando-se interessada quando lhe digo o nome das coisas.

A Joana continua a ser muito bem disposta mas passou por uma fase em que só queria a mamã – ao ponto de nem o colo do pai ser muito bem aceite. Felizmente acho que já passou um bocado. No entanto desenvolveu umas fúrias súbitas quando não tem aquilo que quer. Berra e bate no chão com toda a raiva não deixando dúvidas sobre o protesto. Felizmente passa depressa, pelo menos por enquanto. Daqui a um ano é que vai ser bonito…

Entretanto, e depois de um inicio lento, a Joana já tem os 4 dentes da frente. Só falta saber se o problema com o leite de vaca se mantém, mas pelo menos já confirmei que não tem qualquer reação à  soja, que é sempre uma boa alternativa nestes casos.

Daqui a mês e meio vai para a escola mas penso que vai ser mais fácil do que foi com o Tiago. Primeiro porque ela já vai à  escola todos os dias buscar o irmão, portanto é já um espaço familiar, e até já encontrou a sua futura educadora algumas vezes. E depois porque tem uma personalidade muito mais sociável do que o irmão e cresceu logo com outra criança em casa, o que faz muita diferença.

Wolfman

– I just saw the movie ‘The Wolfman’, with Benicio del Toro, and on the whole I liked it. It has a few problems, like most werewolf movies, but it was fun to watch.

The atmosphere of the film is very dark and moody, with muted tones and ominous music. The music reminded me a bit of Coppola’s Dracula score but as a movie, the Wolfman takes itself a lot more seriously. The acting is good and makes it easier to go along with the story.

What I like most about it is that it has an ‘old movie’ feel to it. There’s a lot about it that’s new – the way the creature moves and most of the gore are things you wouldn’t see in old movies – but there’s a feeling of homage to the classics in a lot of the shots.

I have seen a lot of horror movies in late childhood and early teens, before VCR and cable tv, when you had to see what was on at the time (that makes me sound really old, doesn’t it?). I remember staying up late with my mom watching horror movies on weekends. I’m sure at first she was concerned about me watching some of these at such an early age, but most of them were so fake they were more funny than scary, and since I never showed signs of being scared or having nightmares, she never stopped me. My father and brother were never fans of the horror genre, so it would be just the two of us. My mom would fold laundry and answer any questions I had and I remember these moments fondly.

The worst part about the film, as with all werewolf movies, is the creature itself. I don’t think there has ever been a werewolf that was actually scary. As long as the creature keeps to the shadows and you only see some details, it flows fine (there’s a good scene in the mist when you don’t really know who is hunting who – the wolf or the man with the gun), but when you bring it out into the light, the wolf always looks one of two things: fake or funny – never scary. The thing I liked most about the movie ‘Signs’, for example, is that you never see the alien very clearly. Even at the end there’s the whole camouflage thing that makes it kinda blurry. I’ve always felt that’s the best solution to any creature movie – no matter how good you think the visual effects are it always seems fake if you try to make it too clear. And the more realistic they try to make it, the creepier it gets.

There were two things about the plot of The Wolfman that I liked. There will be spoilers now so if you plan to watch it, stop reading.

The first is the scene at the lunatic asylum. The doctor tells everyone he’s going to cure his patient by proving in front of witnesses that he cannot in fact change into a wolf. And then he’s proven wrong. In werewolf movies, the existence of a werewolf is always in question. It’s a myth, a superstition and nothing is ever proven. At the end of the original 1941 movie, the father is the only one who knows the true identity of the werewolf. The others just assume the creature got away. The fun thing about this one is that everyone turns out to be right – the ones who believe in werewolves and the ones who think the deaths are caused by a lunatic. After all, the original werewolf turns out to be a bit mad as well, aside from cursed.

The second thing I liked is the twist on the father son relationship. Unlike the original film, where they have a strained relationship but the father still tries to defend his son (even if he does end up killing him in the end anyway), here the father actually tries to frame his son for all the killings, to divert attention from himself. When he tries to attack his son it is not an accident – after all, he already killed the rest of his family, so what’s one more. This plays on the insanity angle for the werewolf curse and makes the movie a bit creepier than it would be otherwise.