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Birthday week

O Tiago faz um ano na próxima terça feira. Quando penso que já passou um ano ainda não acredito.

Como é uma data importante resolvi que um só dia não era suficiente para comemorar a ocasião. Os aniversários acabam sempre por ser uma grande confusão, com montes de gente, e quando se dá por isso já acabou. E como a expectativa é por vezes melhor do que a coisa em si, resolvi instituir a semana de aniversário em que cada dia tem um special treat.

É claro que isto também me facilita a vida porque assim o Tiago tem algo novo com que se entreter todos os dias e as horas correm mais suavemente.

Fomos ao IKEA no sábado, onde largámos uma grande fatia do orçamento do mês mas não resistimos a comprar uma série de coisas para o Tiago. Eles têm de facto montes de coisas fantásticas para miúdos.

Na terça feira montei-lhe a arca de tesouro para guardar brinquedos. Cabem todos os peluches e aquilo enfia-se debaixo do fraldário e não ocupa espaço. O Tiago divertiu-se a brincar com a tampa e ontem já tinha arranjado maneira de entrar para dentro daquilo. I’ve got pictures.

Na quarta foi a vez de montar o roupeiro. Não sei bem como mas montei aquilo sozinha, durante a sesta do Tiago. Quando fui colocá-lo no sí­tio é que me apercebi que não ficava bem onde eu tinha pensado e acabou por ficar num canto onde dava mais jeito ter montado a porta para o outro lado. Felizmente não é complicado por isso já tratei de mudar a direcção da porta esta manhã. Não se pode dizer que o roupeiro seja propriamente para o Tiago, mas optámos por um roupeiro giro em vez de um maior e mais prático mas com um aspecto muito mais seca para quarto de criança. Ele divertiu-se imenso a brincar com a gaveta, pelo menos até entalar os dedos e eu ter de meter uma tranca naquilo. Oh well. O raio do miudo nunca mais aprende que não pode meter os dedinhos e depois empurrar a gaveta com a outra mão. Pensei que depois do treino com a tampa do leitor de CD já tivesse percebido isso.

Ontem montei a tenda/igloo. Foi um sucesso. O Tiago fartou-se de entrar e sair da tenda e levar para lá o urso que é um dos brinquedos favoritos do momento porque é quase do tamanho dele.

No meio disto tudo ainda tive tempo para escrever a minha primeira história infantil. Já tinha começado uma mas é comprida e chguei a um ponto em que preciso de decidir para onde vai aquilo agora. Mas a de ontem tem o tamanho certo para contar antes da sesta e acho que daria um livro ilustrado giro.

No fundo não me sinto à  vontade a contar já histórias tradicionais ao Tiago porque são demasiado violentas. Acho que são importantes mais tarde mas numa idade em que ele ainda não fala e não consegue experssar dúvidas ou fazer perguntas, não me interessa introduzir já a ideia de mães e pais que morrem ou abandonam os filhos na floresta.

Prefiro criar eu historias mais inocentes por agora e depois se vê se ele é muio sensà­vel ou não.

A guerra dos botões

Não, não tem qualquer relação com o filme francês do mesmo nome (que por sinal a minha mãe me levou a ver quando era miúda e que detestei de tal forma que até hoje acho que deve ser a origem da minha raiva ao cinema europeu). É apenas o que se passa cá em casa desde que o Tiago aprendeu a carregar em botões, especialmente botões com luzes que incluem o da televisão, do amplificador, dos leitores de DVD entre outros. Vai lá de dedinho espetado e come a ligar, desligar, ligar, desligar…

De tal forma que decidimos ir comprar um movel novo para a TV com portas de vidro atrás das quais possamos esconder as aparelhagens. Isto, claro, até o Tiago aprender a manipular as portas deslizantes.

Entretanto passo o tempo a criar barreiras em frente à s coisas mas nada funciona. Ele sabe o que quer, onde está e como lá chegar e o resto não interessa. Já percebe que não deve fazer e quando digo para não mexer começa a fazer beicinho mas passados dez minutos já está a tentar outra vez. Por isso mesmo ultimamente a brincadeira tem sido limitada ao quarto dele, onde tem uma estante cheia de coisas em que pode efectivamente mexer. Ele desarruma tudo, eu volto a arrumar e começa tudo de novo, vezes sem conta, todos os dias.

Pelo menos na sala podia ter ocasionalmente a TV ligada. Assim passo horas no chão do quarto do Tiago entre brincar para ele e limitar-me a observá-lo quando ele está a brincar sozinho, sem grandes hipoteses de fazer seja o que for. Tenho colocado um dos colares celtas no bolso e vou dando uns nozitos enquanto ele não está a olhar, mas assim que se vira tenho de meter aquilo no bolso outra vez antes que seja tarde e ele agarre naquilo e tente meter na boca.

Ainda por cima ando cheia de vontade de fazer coisas e não consigo mesmo. É um bocado frustrrante. Mas pronto. Pelo menos o que estou a fazer é importante.

Ontem filmei o Tiago de pé sem estar apoiado em nada. Já se aguenta uns segundos e por vezes até já se baixa sem apoio, em vez de cair. Não me parece que esteja com muita pressa para andar porque gatinha muito mais depressa mas está a ganhar equilibrio e confiança que é o que precisa de fazer por agora.

Esta semana é só boas notà­cias

Ontem, quando voltava de ir enviar uma encomenda, subi no elevador com o vizinho de cima e muito espontaneamente ele deu-me aquilo que eu achei que era a boa notà­cia do ano – Os meus vizinhos barulhentos do andar de cima vão-se mudar, tendo comprado casa noutro lado! Consegui fechar a porta de casa antes de começar a rir descontroladamente. Tenho pena dos próximos vizinhos mas paciência. Acho que é a vez de outros os aturarem.

Mas hoje tive uma notà­cia ainda melhor: a familia vai crescer mais um bocadinho porque vem aà­ mais um elemento. Não vou dar pormenores porque ninguém me disse que podia mas fiquei muito muito feliz.

E começo a sentir finalmente algum controlo sobre a minha vida porque resolvi instituir horários mais rà­gidos ao Tiago. Como ele acorda sempre mais ou menos à  mesma hora foi só uma questão de estipular horário de refeições e uma única sesta por dia a partir das duas da tarde. Isto porque quando ele ainda dormia sesta ao meio dia lixava o horário do almoço e do resto da tarde. Ficava comsono outra vez à s 6 e por essa altura se o deixava dormir era depois um sacrà­ficio mete-lo na cama à  noite. Assim fica acordado 4 a 5 horas de manhã e outro tanto de tarde e pode ser que páre de acordar a meio da noite porque eu e o Pedro precisamos desesperadamente de dormir.

Desenvolvimento e preferencias

Começa finalmente a ser possivel ver quais as preferencias alimentares do Tiago. É claro que isso vai mudar à  medida que ele cresce, mas acho giro ir apontando quais são a cada idade.

De momento, com onze meses, o Tiago gosta bastante de feijão verde e é a primeira coisa que come quando lhe ponho o prato à  frente. Até vai tirando outros bocados de comida, que deita fora imediatamente, até chegar a um bocado de feijão verde.

Também gosta de massa mas acho que é mais pelo valor de entretenimento. Come bem tanto peixe como carne mas já não gosta da carne picada misturada com batata. Prefere a carne cortada em bocados pequenos mas que dê para mastigar. Como só tem dentes à  frente começou a mastigar com eles, o que dá umas caretas muito giras. E não gosta de cenoura. Inicialmente era o que comia melhor, acho que por ser colorido, mas agora limita-se a esborrachar a cenoura na mão e deitar para o chão. Felizmente temos duas gatas sempre de serviço a comer tudo o que cai.

Continua a comer bem a fruta mas não consigo dizer se há uma fruta especifica que goste mais porque normalmente são várias coisas misturadas. Também é grande fã da sopa de feijão da minha sogra. Fecha os olhos, abre a boca e desata a espernear enquanto espera pela colherada. Para um miúdo a quem normalmente era preciso enganar para comer uma colher de sopa, isto é um grande avanço.

Em resumo, de momento a alimentação vai bastante bem. É uma junção de auto-alimentação com umas colheradas dadas por nós e o Tiago já percebeu para que serve a colher mas só a usa se eu a carregar de comida primeiro porque essa parte ele ainda não consegue fazer.

De resto, o desenvolvimento está a decorrer normalmente. O uso das mãos está cada vez mais refinado e o Tiago diverte-se a por coisas dentro de outras coisas. Já conseguiu algumas vezes colocar copinhos com formas (quadrado, triangular, etc) na tampa do balde recortada para essas formas, mas como isso dá muito trabalho e ele é um miúdo esperto, prefere tirar a tampa do balde, colocar a peça lá dentro sem passar pela tampa e voltar a tentar colocar a tampa no balde. Ou seja, já percebeu o objectivo mas não está muito interessado em lidar com a frustração de tentar uma tarefa que pode ainda não conseguir concretizar.

Este tipo de decisões dizem muito do desenvolvimento mental. Ele está a começar a raciocinar e a resolver problemas em vez de se limitar a reagir à s coisas e é muito giro ver isso a acontecer.

Também já carrega no botão para abrir a tampa do leitor de cds, tira o cd e volta a mete-lo no sí­tio (depois de o esfregar no chão umas quantas vezes para ter a certeza que nunca mais volta a tocar, como é obvio) e fecha a tampa.

E já é também bastante óbvio que ele compreende uma série de palavras e comandos. Já consigo evitar que ele suba para cima da passadeira simplesmente falando com ele. É claro que isso não funciona sempre e por vezes ele prefere usar a técnica da birra quando é contrariado. Vamos lá ver quanto tempo dura essa fase até ele perceber que não funciona.

Fica fascinado com o comando da televisão e a técnica de lhe dar um outro comando sem pilhas para ele brincar já não funciona. É mesmo aquele que ele quer.

Quanto aos dentes, anda a experimentá-los mordendo o móvel da TV que já tem uma série de marcas de dentes. Também adora comer papel e uma caixa preta de cartão do IKEA que tenho debaixo da minha mesa já está toda ratada. Também gosta de amarrotar papel por isso só lhe posso dar livros de cartão ou tecido porque ele destroi os livros normais em 30 segundos. Gostava muito que esta fase do papel passasse…

Aquilo em que ele estará eventualmente mais atrasado é a falar mas não me preocupa muito. Estou a começar a conseguir comunicar com ele e vou insistindo nos nomes dos objectos com que ele lida diariamente por isso um dia destes, quando lhe apetecer, começará a falar.

Manhã comprida

O dia de ontem começou com uma recolha de informação sobre as creches que há aqui na zona. Não é necessariamente para já mas convém estar informada porque nunca se sabe quando vai ser preciso. A que é mais perto e de que ouvi falar bem é também a mais cara.

Depois de almoço o Tiago ficou muito irritado e resolvi deitá-lo para a sesta. Mas ele recusou-se a dormir por isso foi preciso ir buscá-lo e tentar outra vez passado um bocado. Como anda a comer bem outra vez agora voltou à  birra para dormir.

à€s sete da tarde voltou a fazer birra. Estava acordado há pouco mais de duas horas e ainda experimentei voltar a deitá-lo mas não pegou. Fui buscá-lo ao fim de 15 minutos. Ainda chorou mais um bocado no meu colo mas depois foi para o chão brincar e aguentou-se bem até o Pedro chegar. Eu estava exusta de andar a persegui-lo pela casa e por isso fui tomar banho enquanto o Pedro lhe deu o jantar.

à€ hora do costume, pouco depois das nove, fomos dar o banho ao Tiago para o meter na cama. Começou novamente a chorar e não parou mais. à€ noite, quando uma pessoa já está cansada, estas birras são mesmo esgotantes. Felizmente estava tão cansado que acabou por adormecer depressa e dormiu a noite toda.

Eu, por outro lado, acordei a meio da noite com cólicas por isso hoje estou cheia de sono.

A manhã foi então um grande desafio. Andar a perseguir o Tiago quando me doi o corpo todo não é fácil. E quando fui por roupa a lavar deixei-o entrar para a cozinha para ele não ficar lá fora a chorar. Grande asneira. Foi directo à  tomada de parede. E eu até já tinha tapado aquela, mas como a Augusta precisa de ligar o aspirador ali acabei por ter de tirar a protecção e ficou assim. É mais um daqueles casos em que fico horas com o coração aos pulos a pensar ‘e se não estivesse a olhar para ele?’

Para além disso começou a gostar de abrir e fechar as portas. Ando sempre a meter travões nas portas para não fecharem totalmente porque já percebi que ele tem uma grande tendencia para entalar os dedinhos. Geralmente é no leitor de cds, que também gosta de abrir (daqueles em que a tampa abre para cima) e depois fecha com uma mão enquanto a outra está lá dentro.

Eu sei que não é possivel impedir tudo e que só com as experiencias é que se aprende que os actos têm conseguencias mas não há dúvida que custa. Acho que se ele se magoasse a sério nunca mais me perdoava.

Pouco antes do meio dia começou outra birra de sono. Tem-me custado identificar porque o choro mudou nos últimos dias. Deixou de ser um choramingar tà­mido para passar imediatamente à quele choro de estão-me a matar. Primeiro ainda pensei que se tivesse magoado, porque foi de repente, mas como estou sempre a vigiar, quando cai ou bate em qualquer coisa costumo dar por isso. Lá foi outra vez para a cama contrariado mas o esfregar dos olhos e outros sintomas não deixavam dúvidas e adormeceu depressa. E eu queria aproveitar e estender-me um bocadinho mas chegou a Augusta por isso acho que não vai dar.

Para onde foi o bebé?

O Tiago fez ontem 11 meses.

Ainda custa a acreditar que já nasceu há quase um ano. E é muito difà­cil habituar-me à  velocidade com que ele cresce e se modifica. Ocasionalmente, quando estou a aproveitar a sesta do Tiago para trabalhar e estou absolutamente concentrada no que estou a fazer, quando ele acorda e o vou buscar à  cama estou ainda à  espera de encontrar um bebé deitado de costas com um ar indefeso. Em vez disso vou dar com um rapazinho alto e esguio de pé na cama, com os cotovelos apoiados no topo das grades e um ar muito determinado que parece dizer ‘até que enfim! Tira-me daqui depressa que eu tenho muito que fazer hoje’.

Para mim o Tiago já não é um bebé. Os bebés limitam-se a comer e dormir. Por outro lado o Tiago já sabe o que quer e o que gosta (que pode mudar de dia para dia mas no momento não deixa de ser verdade), já se desloca sozinho, já brinca interagindo com outras pessoas, já reconhece palavras como ‘fruta’ e está com uma vontade desgraçada de começar a falar perceptivelmente.

Continua a ser um desafio diário estar em casa com ele. Tem partes divertidas mas é também muito cansativo. É muito frustrante não conseguir fazer nada quando ele está acordado porque quer toda a atenção para si. Tem todo o direito de a exigir mas isso implica que tenho de abdicar de muito de mim para estar sempre presente com boa disposição e paciencia. A maior frustração é a sensação de estar constantemente a dizer ‘não’. Por mais que se proteja a casa parece que há tanta coisa em que ele não pode mexer! Eu tento explicar porque é que não deve brincar com fios eléctricos, porque é que não pode arrancar as teclas do computador, por o comando da televisão na boca, subir para cima da passadeira ou comer os discos de algodão na esperança que ao fim de umas quantas repetições ele compreenda e páre de fazer, mas é claro que ele gosta muito mais de mexer no que não deve porque é a desafiar a autoridade que vai conquistando a sua independencia e que se lixe o perigo.

Quanto à s birras para comer e dormir, vão variando. Uns dias está tudo bem outros é uma guerra. Mas parece que é mesmo suposto ser assim por isso deixei de me chatear. O Pedro é que anda um bocado lixado com o banho porque o Tiago agora só quer estar de pé na banheira o que torna coisas como lavar o cabelo muito complicadas. Mas pronto. são fases. Quando chegar a hora do treino de bacio vai ser outro grande desafio de paciencia e por aà­ fora.

Uma das coisas que reparei no comportamento do Tiago, que não sei se é tà­pico da personalidade dele ou algo comum a todos os bebés é que ele está sempre muito mais interessado na parte de trás dos brinquedos do que na parte da frente com todas as luzes e botões. A primeira coisa que faz é virar o brinquedo para ver como é do outro lado e passa muito mais tempo a explorar aquilo que para nós parece ser a parte menos interessante. Será curiosidade sobre como aquilo funciona?

Mas o mais interessante é que, apesar de por vezes estar distraidamente ainda à  espera de encontrar o bebé que ele era quando o vou buscar ao quarto, a verdade é que não tenho pena nenhuma que ele esteja a crescer. Muito pelo contrário. Apesar de dar cada vez mais trabalho acho que quanto mais crescido e interactivo ele se torna, mais interessante fica. Gosto muito de ter um ser humano novo cá em casa com quem possa comunicar e a quem possa ensinar coisas ocasionalmente. De outra forma arranjava outro gato e pronto.

Estou aos poucos a habituar-me ao papel de mãe e a perceber o que é que isso implica verdadeiramente. Não há dúvida que o nà­vel de responsabilidade mudou radicalmente. E com responsabilidade quero dizer coisas que tenho mesmo de fazer por mais que não me apeteça. É a maior diferença entre ser só o casal ou ser responsável por outro ser humano totalmente dependente de nós que precisa de comer e dormir a horas certas, ser limpo, entretido e ensinado.

De momento estou à  espera que hegue uma fase em que ele se consiga concentrar em qualquer coisa por mais de 15 segundos de cada vez. E apesar de saber que vou ficar com o chão, paredes e moveis todos riscados, estou desejosa de o ver de lápis e papel a riscar alegremente. Já não falta muito.

O inà­cio da independência

Cada fase de desenvolvimento do Tiago vem acompanhada de novos desafios. A hora de comer e a hora de dormir são as alturas do dia que causam mais atrito e cada vez que acho que já consegui arranjar um sistema que funciona para uma delas muda tudo outra vez.

A comida últimamente tornou-se mais pacà­fica. A papa vai bem se ele estiver com fome. Senão é preciso dar-lhe um prato com bocadinhos de pão para o distrair enquanto lhe dou umas colheradas. Nos dias mais simples basta dar-lhe uma peça de lego para as mãos e é distracção suficiente.

O almoço e jantar passaram a ser menos combativos desde que o Tiago consegue efectivamente comer o que tem no prato. Como já faz pinça bastante bem comecei a fazer-lhe puré de batata com cenoura, feijão verde e carne ou peixe, que depois amasso em pequenas bolinhas que ele vai comendo enquanto lhe dou uma colher ocasional de sopa para complementar. Tem funcionado lindamente, até agora.

Entretanto, no principio do mês, o Tiago começou a por-se de pé apoiado nos móveis. Só se apoiava nas pontas dos pés mas lá estava ele em pé. 3 dias depois já estava a deslocar-se para o lado agarrado ao sofá, ainda em pontas. Mais 3 dias e começou a perceber que se apoiasse o pé todo dava muito mais jeito.

O problema era que ele conesuia subir mas não conseguia descer. Ficava a resmungar até se sentir agarrado e depois largava as mãos e deixava-se cair, apoiado por mim. Agora que passaram duas semanas começou a conseguir descer sozinho. Dobra os joelhos e desce mais ou menos suavemente conforme consegue ou não executar o movimento como quer. Ontem não fez mais nada o dia todo.

Acho impressionante a rapidez com que os miúdos conseguem evoluir. Pelo menos é um alà­vio saber que já não preciso de passar os dias de joelhos atrás dele à  espera que queira descer.

Também é um alà­vio o facto de o Tiago já conseguir brincar sozinho durante uns minutinhos sem necessitar constantemente de atenção. Já me permite respirar fundo e ir, por exemplo, lavar o prato do pequeno almoço sem ter que o ouvir a chorar o tempo todo porque não me vê. Não dá para muito mais que isso mas já é um grande avanço.

Até deixá-lo um bocadinho no parque começa a ser ligeiramente menos dramático. Comprámos uma cancela para a porta da cozinha mas mesmo assim não o posso deixar à  solta na sala porque ele por vezes trepa para cima da passadeira que está mesmo à  altura da cintura dele por isso é uma tentação. E hoje estragou o seu primeiro CD – Fui dar com ele de CD na mão já com bastantes riscos e dedadas e a gaveta do leitor aberta. E ainda não começou a fase de ligar os computadores, porque aà­ então vai ser lindo.

Dia ocupado

Hoje de manhã descobri que tinha de ir a Lisboa. Tive de arranjar rapidamente quem me ficasse com o Tiago e preparar uma série de coisas antes de sair.

Depois de alimentar a criança e o deixar em casa da minha mãe (que está em casa porque está doente, coitada) fui para Lisboa a correr. Tinha de ir à  loja do Bairro Alto buscar uns brincos para uma encomenda, voltar, enviar a encomenda e ir buscar novamente o Tiago antes das cinco da tarde. Felizmente consegui fazer tudo a tempo mas amanhã vou estar de rastos graças ao exercí­cio.

O Tiago, que tinha passado a tarde a gatinhar pela casa dos meus pais, estava exausto quando chegou por isso foi só mete-lo na cama o que me deu um bocadinho para descansar também.

Agora vou ver se ainda trabalho um bocadinho. Tenho andado a fazer stock de bolinhas de feltro e outros materiais caseiros para poder depois usar para fazer mais coisas bonitas.

Finalmente em pé

O Tiago está quase a fazer 10 meses e foi ontem a mais uma consulta onde ficámos a saber que já tem 8,55 kg e 77 cm de altura. Quer dizer que se mantém no mesmo percentil de peso e que está a ficar um pouco mais gorducho apenas porque já não cresce tantos centimetros por mês. Mesmo assim está no percentil 90 de altura.

As outras novidades de desenvolvimento são aquelas coisas que se esperam nesta fase: choraminga assim que percebe que vou sair da sala porque não quer ficar sozinho nem um segundo, já não sorri à s pessoas que não conhece e ontem conseguiu finalmente por-se de pé, depois de algumas semanas de treino intensivo. Aliás, o Tiago tentava por-se de pé sem se agarrar a nada. Sentava-se sobre um pé e com a outra perna esticada, numa pose muito kung-fu e tentava subir. Deu montes de quedas até aprender a voltar à  posição de sentado mas o exercí­cio acabou por servir para ganhar força nas pernas.

E como tudo, assim que consegue algo pela primeira vez, passa a ser uma actividade comum. O que quer dizer que se ele já tinha alguns dias em que se fartava de cair, agora então ainda deve ser pior.

Felizmente já tem uma grande colecção de meias anti-derrapante. Infelizmente já aprendeu a tirá-las. Gosta imenso de tirar uma meia e depois gatinhar com ela na boca como um cãozinho.

Aliás, o Tiago começou finalmente a brincar. Até aqui limitava-se a agarrar em objectos e metê-los na boca. Conseguia tirar copinhos de dentro uns dos outros e recentemente começou a voltar a colocá-los dentro dos maiores e desde o Natal tenta fazer coisas como por a tampa no balde, empilhar objectos (que ainda falha mas a intenção já é bastante óbvia) mas são tudo tarefas que faz por curiosidade e não necessariamente por divertimento.

Só que a semana passada o Tiago começou efectivamente a brincar. Tapa a cara e depois destapa, fica à  espera da nossa reacção e farta-se de rir. Começou também a brincar à  apanhada. Gatinha para longe de nós, pára, olha para trás e fica à  espera de ser perseguido, algo que adora. Como se pode imaginar, gatinhar atrás de uma criança de 9 meses é uma actividade extremamente cansativa. Ele não parece cansar-se e faz a mesma coisa vezes sem conta. Ao fim de meia hora já só quero ir dormir e ele continua super divertido.

Uma das coisas mais perigosas é que o Tiago descobriu que se pode encostar aos objectos. O problema é que não distingue quais são sólidos o suficiente para aguentar o seu peso e quais escorregam deixando-o cair de costas. Felizmente ele já percebe bastante os nossos avisos e conseguimos evitar algumas catástrofes falando com ele.

O nà­vel de dificuldade parece aumentar de dia para dia e há dias em que aguento o ritmo e outros em que não. Como já não me lembro muito bem que até tinha alucinações com a falta de sono nos primeiros meses, tenho momentos em que penso que há uns tempos atrás era mais fácil. Nunca estamos satisfeitos 🙂

Brinquedos infernais

Até agora o ano 2008 tem sido passado ao som da colecção completa de brinquedos-que-fazem-barulho da chicco que deram ao Tiago este natal. Devia mandar cartões de agradecimento artilhados aos membros da famà­lia culpados desta atrocidade mas não o faço porque sei que a intenção até era boa. O problema é conseguir tirar a música das abelhas da cabeça depois de a ouvir 300 vezes num dia. Especialmente quando o Tiago se deita em cima dos brinquedos, activando o botão consecutivamente durante meia hora.

Os brinquedos até são giros e espero que sirvam o seu propósito de incentivar o uso de linguagem. E como são em Português e Inglês, é uma continuação do que já tenho andado a fazer desde que o Tiago nasceu que é falar com ele e ler-lhe nas duas linguas.

Mas há duas falhas com os brinquedos. A primeira é que aparentemente só interessa à s pessoas que fazem brinquedos para crianças ensinar nomes de animais, alguns dos quais os miúdos provavelmente nunca vão ver na vida, como girafas. Então e ensinar coisas mais práticas? Sapato, prato, tenho fome, porta, janela, isso doi? Compreendo que essa é a função dos pais, mas então deixem-se de tretas com essa conversa dos brinquedos didácticos.

A segunda falha é bastante mais grave: a senhora que faz a voz em Português fala mal. Diz coisas como ‘eu xou a lagarta’ em vez de ‘eu sou a lagarta’. Então o objectivo desta porra não é ensinar os miúdos a falar? Quem é que foi o imbecil que fez esta adaptação para português?

Mas pronto. Decidi dar ao Tiago apenas um brinquedo sonoro de cada vez para poupar a cabecinha. Vamos ver se funciona.

Dias maus

Ontem foi um dia mau. Não por ter acontecido alguma coisa desagradável ou até invulgar. Apenas porque estava muito cansada o que resulta em muito pouca paciência.

Depois de uma manhã a fazer os possà­veis por arrumar a casa antes de chegar a Augusta que afinal não apareceu e a preparar comida naquilo que parece ser uma tarefa interminável desde que o Tiago começou a ter 4 refeições de sólidos por dia e me comecei a esforçar por comer ao mesmo tempo que ele, o resto do dia, passado a impedir o Tiago de partir bocados do leitor de DVD e puxar fios de candeeiros e afins, começou a parecer-me um verdadeiro inferno. Queria descansar, queria pelo menos conseguir sentar-me mais de 5 minutos, queria parar de gritar ‘Tiago não!’ e queria acima de tudo conseguir ser a mãe perfeita que não perde a paciência e faz tudo de acordo com o que dizem os livros de pedagogia.

Infelizmente há dias em que isso é completamente impossível e ontem foi um deles. Fui aguentando o dia o melhor que pude, fazendo um esforço monumental para não perder a pouca paciência que ainda me restava, fechando os olhos e respirando fundo muitas vezes e telefonando ao Pedro quando achei que estava mesmo a ficar maluquinha. O Tiago continuava alegremente na sua, claro. Essa história de que eles sentem o nosso stress é um bocado tanga. E eu, apesar de sentir que o mundo vai acabar se não tiver dois minutos de silencio continuo a pegar-lhe ao colo e a dar-lhe muitos abraçinhos porque no fundo ele não tem culpa nenhuma da psicótica da mãe estar a ter um mau dia.

Mas tenho aqueles de momentos de pensar ’em que é que eu me fui meter? O que é que me fez pensar que conseguia ficar em casa a tomar conta de um miúdo sozinha? Eu não tenho jeito nenhum para isto!’

Tentei metê-lo no parque 5 minutos para poder escrever um mail a um cliente e ele passou o tempo a gritar histéricamente. Ao fim de uns minutos não aguentei mais, porque também não me conseguia concentrar, e acabei de escrever o mail com o Tiago ao colo enquanto tentava impedi-lo de arrancar mais teclas do meu mac.

Felizmente quando o Tiago foi para a cama à  noite e finalmente adormeceu, depois de uma mais uma birra, consegui ir tomar um banho à  luz das velas e depois dormi convenientemente esta noite por isso o dia de hoje já encaixa novamente na programação habitual.

É incrà­vel como deixo de funcionar quando não consigo dormir. Ainda me custa a acreditar que consegui sobreviver à queles primeiros meses depois do Tiago nascer sem magoar ninguém, mas também sei que o Pedro teve de aturar muito do meu mau humor quando tinha que me levantar à s 3 da manhã.

Sempre fui um bocado perfeccionista e gostava de ser perfeita, ou quase, mas ando muito longe disso. O máximo que posso dizer é que faz-se o que se pode…

Natal 2007: caos e um bebé doente

Tive alguma dificuldade em entrar no espà­rito da coisa, como já vem sendo costume. Aliás, acho que natal e aniversários perdem a piada ao fim de uns anos e deve ser muito dificil voltar a sentir algum interesse. Achei que por ter um bebé que podia voltar a ser interessante porque ele poderia achar alguma piada à  coisa, nomeadamente ser bombardeado por presentes.

Infelizmente o Tiago é ainda demasiado novo para se aperceber do que se está a passar e, como eu e o Pedro temos ambos extensas famà­lias, em vez de uma noite de Natal temos a noite de 24 com a minha famà­lia, todo o dia de 25 com a do Pedro e se deixasse a minha mãe insistir ainda tinha a noite de 25 com os meus pais e o meu irmão. Mas eu já não aguentava mais, o Tiago estava irritado porque não dormia convenientemente há dois dias e se alguém me voltasse a falar em Natal acho que ia comprar uma caçadeira.

No dia 24 esperámos que o Tiago acordasse da sesta, demos-lhe o lanche e fomos para Palmela. Chegámos por volta das 6.30 e o Tiago portou-se lindamente durante umas horas. Esteve a brincar num dos quartos com os brinquedos antigos dos primos que já são bastante mais crescidinhos (e que estavam todos doentes e a tossir). Demos-lhe jantar e depois comemos nós. A meio do jantar (que dura sempre umas horas por causa da conversa), o Tiago começou a ficar com sono e foi preciso andar a distraà­-lo. Fui trocando com o Pedro e a minha mãe e lá conseguimos acabar de comer. Infelizmente o resto da malta continuou calmamente à  mesa durante mais uma hora e as coisas começaram a complicar-se. O Tiago estava cheio de sono mas eu também não queria estar a estragar a festa indo embora antes das prendas. Fomos aguentando. Tentei levar o Tiago para um dos quartos e dar-lhe de mamar para ver se ele adormecia mas os outros miúdos estavam aos gritos a fazer corridas no corredor e o Tiago estava demasiado distraà­do. Desisti e levei-o para a sala e passado pouco tempo começou finalmente.

Nestas ocasiões há sempre quem queira que as prendas sejam distribuidas mais depressa e quem queira mais devagar para poder ver tudo. Normalmente não me interessa mas este ano queria mesmo é que se despachassem com aquilo e pareceu demorar uma eternidade.

O Tiago só achou piada ao papel de embrulho que desatou a comer furiosamente (tive que lhe tirar diversos bocados de papel molhado da boca) até chegar ao ponto em que já não havia distracção possível e acabámos por vir embora. Ainda consegui apressar as coisas distribuindo eu as prendas que tinha trazido para os meus pais e avós e voltámos para casa por volta das 11 horas. Ainda me custa a acreditar que ele tenha aguentado tanto tempo.

O Tiago adormeceu no carro e pela primeira vez estava tão cansado que nem acordou quando o mudei para o carrinho. Só quando chegámos a casa é que acordou, muito irritado, mas felizmente voltou a adormecer depressa.

Eu ainda estive a montar o carrinho que a minha mãe deu ao Tiago para ele poder pelo menos ver as prendas no dia seguinte.

Na manhã de 25 acordámos à s 9 como sempre, porque aparentemente o miúdo acorda sempre à  mesma hora independentemente da hora a que se deita. Eu só queria ficar na cama mais um bocadinho mas essa fase da minha vida acabou, pelo menos até o Tiago ter idade para preparar o seu próprio pequeno almoço. Tenho a impressão que ainda vai demorar.

Mas o cansaço do dia anterior fez-se notar e fomos prendados com a sesta do meio dia. Quando o Tiago acordou fomos para casa dos meus sogros para o segundo round. Dei o almoço ao Tiago quando chegámos e depois foi toda a gente comer. A minha sogra ficou o com Tiago enquanto eu preparava o meu prato mas assim que me sentei para comer, o Tiago engasgou-se num pedaço de frango com arroz e vomitou tudo o que tinha comido. Fiquei completamente arrasada. O raio do miúdo consegue sempre arranjar maneira de vomitar cada vez que lhe consigo dar o almoço sem birra.

Fui a casa buscar roupa limpa, mais sopa, outro babete, etc, e voltei. A minha sogra estava toda preocupada porque ele vomitou quando ela lhe estava a dar comida mas eu não acho que a culpa seja dela já que o Tiago parece adorar vomitar. Não interessa o que está a comer ou quem lhe dá. É sempre preciso ter muito cuidado, dar-lhe logo uma palmadinha nas costas ao primeiro sinal, e mesmo assim nada é garantido. Achei de facto que o arroz era capaz de ser perigoso porque ele nem sempre mastiga bem mas é porque já conheço o sistema e vejo potencial vómito em todo o lado. Tenho é a impressão que se calhar não acreditavam inteiramente na facilidade com que o Tiago vomita. Nada como ver ao vivo.

Acho que reagi exageradamente à  situação porque estava ainda muito cansada do dia anterior e a prever mais uma tarde com um bebé rabujento a querer dormir a sesta com uma sala cheia de gente a distribuir prenda. E claro, foi o que aconteceu.

A meio da tarde fui tentar alimentar o miúdo novamente. Ele não queria comer por isso fui dar de mamar. O Tiago estava já no seu limite e fartou-se de berrar furioso até eu conseguir finalmente ficar sozinha com ele um bocadinho. Ainda demorou a acalmar mas depois esteve a mamar e adormeceu. Passei um bocado a tentar decidir se ficava no quarto com ele até acordar mas resolvi arriscar a tentar ir deitá-lo no carrinho. Dormiu mais ou menos meia hora e depois aguentou outro grande bocado até acabar a troca de prendas, já que grande parte eram para ele.

Como tinha prometido à  minha mãe que ainda passava por casa dela, já que o meu irmão ia lá jantar e ainda tinha umas prendinhas para ele, levámos o que pudemos para casa, com a ajuda da minha sogra, e depois fomos até lá. A minha mãe insistiu que nos sentássemos e tentou dar-nos jantar 4 vezes em 10 minutos mas eu já não aguentava mais e precisava de meter o Tiago na cama e descansar.

Quando chegámos o Pedro foi dar jantar ao miúdo (ultimamente parece que não fazemos mais nada a não ser preparar e dar-lhe comida) e eu fui buscar mais uma dose de prendas e a seguir trocámos e o Pedro foi buscar a última leva, que incluia um móvel.

Quando o Tiago foi finalmente dormir ainda estive mais umas horas a retirar os brinquedos das embalagens, a ensacar todo o lixo, a tirar etiquetas da roupa que tem de ser lavada… Fun, fun, fun!

O mais divertido foi essa noite. O Tiago, como seria de esperar, ficou doente. Passou a noite a acordar de hora a hora e com o nariz a pingar.

Ontem, dia 27, depois de uma noite quase sem dormir, foi preciso deitar montes de sacos fora e arrumar a casa. Ao fim do dia resolvi abrir a embalagem do móvel, que foi a minha prenda de natal dos meus sogros, para ver se estava muito estragado, já que caiu durante o transporte. Como não podia falhar saltou um bocado do canto de uma das portas. É claro que podia ser o lado de dentro, mas não. Isso era demasiada sorte. Oh well.

Comecei a tentar montar o móvel, sem grande vonmtade porque os móveis do IKEA são uma dor de cabeça graças à s instruções mais imbecis da história – é preciso contar os furinhos da ilustração de uma tábua para se saber se está na posição certa e os parafusos têm umcódigo nas instruções mas não no parafus. Quanto muito podiam vir separados em saquinhos com o código, mas isso facilitava demasiado a vida à s pessoas.

O que quer dizer que comecei a montar uma peça com os parafusos errados. E como estes gajos poupam dinheiro em coisas pouco importantes, como o metal dos parafusos, estes ficaram tão moà­dos com o simples acto de aparafusar que foi quase impossível voltar a tirá-los e absolutamente ridà­culo pensar sequer em reutilizá-los.

Tive um pequeno ataque de raiva neste ponto e o Pedro resolveu montar ele o móvel. Eu só ajudei no final quando foi altura de ajustar as dobradiças das portas. Tirando a lasca até nem ficou mal e realmente dá um ar muito mais arrumado do que o que tinha antes.

É claro que agora é preciso tirar da sala a minha antiga secretária para poder usar o novo móvel para trabalhar e guardar as minhas caixinhas, mas suponho que isso vai ter de esperar porque é algo que não consigo fazer sozinha e entretanto o Pedro também ficou doente. Estou à  espera da minha vez.

Maldito Natal. Acho que para o ano que vem fico em casa.