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Intolerante

Fizemos a experiencia: uma semana de papa não láctea seguida de um dia de papa láctea. Aguentou duas horas e vomitou. Está então confirmada a intolerancia ao leite de vaca.

De todas as chatices que podem acontecer com um bebé, não é das piores nem nada que se pareça, mas vai ser complicado desmamar a miúda e arranjar-lhe substitutos para o leitinho. Implica nada de iogurtes, sobremesas lácteas e muito cuidado com os ingredientes de uma série de produtos daqui para a frente.

O susbtituto obvio é o leite de soja mas a minha sogra já avisou que os bebés não costumam gostar por isso estou a ver que a dificuldade das refeições não deve melhorar tão cedo.

Por outro lado a sopa já vai melhor mas em pequena quantidade. A fruta já é pedir muito e acaba geralmente em choradeira.

Joana, 6 meses

Na passada sexta feira a Joana completou 6 meses. Foi à  pediatra de manhã e continua a crescer bem mas não aumentou tanto de peso como até aqui, tendo descido para o percentil 25. Não tem nada de estranho, é apenas indicador de que o leitinho já não lhe chega e precisa de começar a comer outras coisas. Temos então o plano alimentar da Joana para os próximos 3 meses e agora é respirar fundo e insistir naqueli que para mim é a pior parte de ter um bebé – ensiná-la a comer à  colher.

Se gostam de jogos dà­ficeis, experimentem um dia destes dar as primeiras refeições à  colher a um bebé. É mais lixado do que parece. Primeiro passa-se montes de tempo a preparar a comida e depois é meia hora a dar a mesma colherada, que a criança cospe repetidamente. É das coisas mais frustrantes que alguma vez tive de fazer e quando o Tiago começou a comer sozinho foi um alà­vio.

Como a Joana vomitou a papa duas vezes, agora estamos a dar uma sem leite e tenho de tirar o meu leite para fazer a papa. Como não encontro a bomba tem de ser à  mão, o que demora imenso tempo. Depois deste esforço todo acaba por ir tudo para o lixo porque ela faz caretas cada vez que se aproxima a colher, vira a cara ou faz ‘brrrrrr’ salpicando papa por todo o lado. Tudo para evitar abrir a boca.

Consegui que abrisse a boca algumas vezes, fazendo-a sorrir com barulhos ou caretas mas assim que lhe enfio a colher na boca, à  traição, claro, empurra com a lingua, baba-se ou cospe mesmo tudo fora. A outra hipotese é deixar escorrer a papa até à  garganta engasgando-se e desatando a tossir, o que é ainda pior. Que parte disto é que é divertido?

Mas pronto, tem de ser e daqui a uns meses a coisa melhora.

Ontem conesgui que comesse o equivalente a uma colher de sopa – de sopa, precisamente. Foi uma grande vitória que duvido conseguir repetir tão cedo.

Fora isso a miúda continua super gira, simpática e bem disposta. Começou a dormir na sua própria cama porque me apercebi que estava programada para acordar a certas horas da noite mas isso não queria dizer que tivesse mesmo fome porque ocasionalmente voltava a adormecer antes de eu ter tempo de a alimentar. Agora espero um bocado antes de ir ao quarto dela para ver se começa mesmo a chorar, sinal de fome, ou se se limita a resmungar 5 minutos e volta a adormecer. à€ conta disso esta noite só tive de me levantar à s 5 da manhã porque à s 3 ela adormeceu novamente. Mesmo assim continuo a acordar várias vezes durante a noite o que é muito cansativo, especialmente com a acumulação de muitos meses.

O Tiago também foi à  consulta porque tinha acordado a meio da noite a gritar que lhe doia o ouvido e foi lá para ver se não seria uma otite. Afinal parece que não. É só o nariz entupido que faz muita pressão no canal auditivo e que lhe dá dores. Isto só acontece quando está deitado e muito graças à  famosa teimosia do Tiago que nem sequer aceita assoar o nariz antes de se deitar sem luta. É claro que em frente à  pediatra até foi buscar um lenço de papel para mostrar que o sabia fazer, mas depois em casa nem por isso.

O Tiago está a adaptar-se devagarinho à  irmã mas continua muito mimado, pede colo constantemente, quer que sejamos nós a dar-lhe a comida à  boca e choraminga muito em vez de falar quando quer qualquer coisa. Nós temos de arranjar um equilà­brio entre ensiná-lo que não pode ser assim e dar-lhe atenção positiva sem estar sempre a ralhar. É complicado.

O mais positivo foi ver que o Tiago começou a perceber que a Joana sorri quando ele lhe dá atenção e faz caretas, portanto ocasionalmente faz um grande show para ela, que o segue muito concentrada e vai sorrindo. É daqueles momentos que eu gostava de conseguir filmar mas sei que se tento estrago tudo.

Natal, fim de ano e stress

As últimas semanas têm sido emocionalmente difà­ceis. Primeiro foi o funeral da minha avó Luisa depois a visita à  minha avó Cãndida no hospital na véspera de Natal. Estava com um ar tão frágil e custou-me imenso não poder fazer nada para melhorar a situação. O Tiago também não ajudou ao espirito natalà­cio porque fez uma birra tremenda e foi complicado aguentar aquele dia.

O dia 25 já correu melhor, com almoço em casa dos meus sogros e prendas na nossa casa. O Tiago deixou metade das dele por abrir porque gosta mesmo é de explorar cada novo brinquedo antes de passar ao seguinte e acho que para o ano faz mais sentido dar-lhe uma prenda por dia do que todas no mesmo.

A passagem de ano foi em casa e à  meia noite já estava a dormir. Foi a primeira vez que não esperei pela meia noite e sinceramente nem me interessa. Ando cansada e sem grande vontade de celebrar. Costumamos passar o ano com os meus sogros mas este ano eles achavam que iam estar de serviço e com a Joana pequenina achámos que não valia a pena o sacrifà­cio.

No sábado passado tivemos a visita do Nelson e da Catarina, que já não viamos há imenso tempo. Vieram conhecer a Joana e a casa nova e o Nelson deu-nos uma cópia do seu livro de BD que foi publicado recentemente. Ele sempre desenhou muito bem e merece ter um album publicado mas é um grande feito conseguir efectivamente concretizar algo deste tipo.

No domingo fui visitar a minha avó que já saiu do hospital. Levei os miúdos porque sei que ver as crianças da famà­lia é das poucas coisas que ainda lhe fazem aparecer um sorriso na cara. Parece estar a recuperar, para sua aparente surpressa porque esteve tão mal que ficoucompletamente convencida que ia morrer. Para mim foi importante vê-la em casa, a falar normalmente e sem aqueles tubos todos. Quando se chega à  idade dela nunca se sabe quando vai ser a última vez que vejo a minha avó e se o pior acontecer antes da próxima visita, não queria que a última recordação que tinha dela fosse aquela imagem na cama do hospital na véspera de Natal.

Depois de almoço foi a vez da famà­lia do Pedro nos fazer uma visita. O Tiago diverte-se sempre imenso com os tios, o avà´ Sousa esteve a jogar ténis com a Playstation move até ficar cansado e eu estive a dobrar roupa porque domingo é o dia de tratar da roupa do Tiago.

Depois de por ambas as crianças na cama, o Pedro e eu ainda tivemos que ir perceber o que se passava com a máquina da loiça que estava a dar um erro qualquer e depois conseguimos finalmente sentarmo-nos no sofá a ver um episódio do How I met your mother.

Esta sexta feira a Joana faz seis meses. São seis meses de noites imterropidas e de ser mãe 24 horas por dia, literalmente. Ela dorme ao meu lado e acordo ao mais pequeno sintoma de movimento, dou-lhe de mamar pelo menos duas vezes por noite – 2 e 5 da manhã, por exemplo – passo os dias a tomar conta dela, entretê-la, ler-lhe histórias, suportá-la enquanto aprende a sentar-se, mudar fraldas, etc, etc. Quando ela dorme é geralmente por periodos curtos, tipo meia hora, em que eu tenho de trabalhar ou vestir-me ou arrumar a casa. Em cima disso apareceu uma nova preocupação que se prende com o facto da Joana ter começado a vomitar cada vez que come papa. É possível que seja uma reação ao leite que usam na papa e preciso de testar com uma papa feita com o meu leite mas desde a mudança que não sei onde está a bomba de leite.

A minha memória é inexistente neste momento e ando a deixar passar coisas importantes como o prazo de pagamento da escola do Tiago ou esquecer-me em que dia é que os meus sogros vão buscar o Tiago à  escola. Para uma pessoa que sempre foi muito certinha e cumpridora isto causa-me pânico. Nunca mais consegui fazer nada só para mim ou ter tempo para estar sozinha com o Pedro. Tenho compensado o stress com comida e no último mês e meio ganhei 3 kg portanto preciso de adicionar um stress adicional que é parar de comer e arranjar tempo para fazer exercí­cio.

Na sexta feira é também o dia da reunião de condomà­nio, algo que pode dar origem a novos conflitos porque sabemos que a questão das obras da nossa casa e do uso do sótão não são coisas inteiramente pacà­ficas no prédio e receamos o que possa surgir daà­. Andamos há meses a pensar em respostas, argumentos e atitudes a tomar para cada possível cenário e estou desejosa que essa data passe, de preferencia sem surgir nenhuma situação problemática.

Continuamos com a outra casa à  venda sem noção de quanto tempo demorará até essa questão se resolver, o que é complicado para as nossas finanças.

Passo o tempo a fazer listas e nada fica feito e não vejo grande possibilidade de mudança no futuro. Resta-me ter paciencia e respirar fundo.

Joana come a papa

O Tiago começou a comer papa aos 4 meses mas a pediatra da Joana disse que ela podia ficar só a leite até aos 6. Como o que interessa aos 6 meses é que ela comece a comer sopinha, achei que valia a pena começar um pouco antes com a papa para ela se habituar à  colher e a uma textura menos là­quida e ser assim mais rápida a introdução de outros alimentos quando chegar a altura.

Resolvi então experimentar hoje dar a primeira papa à  Joana. Correu bastante melhor do que esperava. Lembro-me que o Tiago fartou-se de berrar e não queria nada com aquilo. A Joana, pelo contrário, parece que gostou do sabor da papa, apesar de não perceber como se come com colher. Começou por chuchar na colher e foi preciso fazer umas macacadas para ela sorrir e abrir a boca. A certa altura agarrou-se à  colher e não a queria largar para me deixar por mais papa. Comeu mais do que eu esperava, não cuspiu a papa mais do que o esperado nem fez grande porcaria e só começou a rejeitar quando ficou fria, algo que com este tempo acontece muito rapidamente à  comida. A certa altura começou a chuchar o babete, que já tinha papa, preferindo-o à  colher.

No geral foi uma primeira papa muito bem sucedida.

5 meses

A Joana faz hoje 5 meses e está a desenvolver-se de acordo com o previsto. Começou a transferir objectos de uma mão para a outra, anda a roer tudo o que encontra porque os dentinhos estão a começar a querer sair, já prefere estar sentada do que deitada, apesar de ainda precisar de apoio e é muito atenta a tudo o que a rodeia e muito curiosa.

A pediatra disse-nos que não valia a pena dar-lhe comida sólida antes dos 6 meses mas noto que a Joana já se interessa pelo que nós estamos a comer e parece querer experimentar. Já fomos comprar uma papa sem gluten e vou começar a experimentar dar-lhe um bocadinho todos os dias, nem que seja para ela se começar a habituar à  colher, para quando chegar a altura da sopa já não ser uma coisa tão estranha.

A Joana também começou já a virar-se sozinha mas nem sempre consegue. Se estiver de barriga para baixo vira-se fácilmente. Ao contrário é que ainda não consegue bem. Fica virada de lado mas ainda lhe falta a última manobra do braço para se virar completamente.

Por outro lado já se queixa muito menos quando a deito de barriga para baixo. Costumava cansar-se facilmente e perder a força para segurar a cabeça mas agora já fica nessa posição bastante tempo, em preparação para gatinhar.

É um alà­vio muito grande ver que está tudo a andar normalmente, especialmente nestas primeiras fases em que eles não comunicam e não temos outra forma de saber se estão bem.

A Joana anda constipada há cerca de um mês mas não é nada de grave. Tem o nariz entupido e esta semana começou com tosse mas é tudo perfeitamente normal nesta altura do ano em que até os adultos continuam a constipar-se regularmente. Continuo a achar que a amamentação tem grande valor neste departamento porque os meus anticorpos passam para ela e fica com mais defesas. O Tiago também só tomou o seu primeiro antibiótico quando foi para a creche. A Joana tem um risco acrescido porque tem um irmão que vem com toda a espécie de virus e bactérias da escola e ainda por cima gosta de mexer nos brinquedos dela mas como não têm muito contacto directo também não há grande problema.

O Tiago continua maioritariamente a ignorar a irmã mas já não a rejeita. Levo-a para o quarto dele sem problemas e estamos os três no espaço de brincadeira em harmonia. Apesar de não ser muito carinhoso com a irmã, o Tiago também não é agressivo e chega a ter algumas atitudes de tentar consolar a irmã quando os pais não estão presentes. Se eu saio da sala um bocadinho e a joana começa a chorar o tiago vai embalá-la no baloiço, por exemplo.

Esta semana foi precisamente quando o Tiago começou a ter o primeiro contacto fà­sico voluntário com a irmã. O pai fez-lhe cócegas na barriga e a Joana riu-se. o Tiago gostou a reacção dela e também quis fazer cócegas. Demonstra que assim que ela começar a ter comportamentos e reacções mais positivas que ele reconheça, o laço entre os dois será fortalecido naturalmente.

Fim da licença

O Pedro esteve de licença um mês que passou a correr. Passámos tanto tempo a arrumar a casa, comprar e montar cortinas e outras coisas que faltavam e, claro, a tomar conta dos nossos filhotes, que chegámos ao fim do mês completamente esgotados. O pior é que a casa continua com coisas por arrumar, o sotão está ainda cheio de caixotes com tralha que não sei onde arrumar, faltam cortinas para a sala que não tivemos tempo de ir comprar, faltam moveis que davam jeito agora para o Natal (como um sofá novo que não tenha ar de podre) mas que não temos dinheiro para comprar e ainda por cima estamos no Natal e há a questão das prendas, na pior altura possível.

Andamos cheios de dores nas costas e constipados, e a última semana foi inútil porque o Tiago ficou doente com escarlatina e não deu para fazer quase nada. Conseguimos uns bocadinhos na quinta e sexta para ir fazer umas compras de Natal porque já não aguentávamos estar fechados em casa mais tempo mas tivemos que ir com os dois miúdos atrás e é terrivelmente lento e cansativo. Até costumava gostar de fazer compras de Natal mas hoje em dia começa a apetecer entrar na onda dos avós – toma lá um envelope com dinheiro, compra o que quiseres e não me chateies. Mas acho que ainda nos faltam uns anos até isso ser aceitável 😛

E mais irritante ainda é quando até se tem uma boa ideia para uma prenda mas depois é algo que não se encontra em lado nenhum ou está esgotado. Comprar online resolve muitos desses problemas, mas este ano temos estado tão ocupados que agora já é um bocado tarde.

A Joana também está constipada e passa o tempo a espirrar e tossir. A casa é fria, apesar dos aquecimentos e vidro duplo. No entanto, o Tiago teve febre e andou a antibiótico e a Joana continua só com tosse por isso estou bastante feliz. Podia ser muito pior. E ao contrário do Tiago, a miúda parece saber tossir.

Desde ontem que o Pedro voltou ao trabalhoe eu também passei o dia a tratar de questões de trabalho, facturas, orçamentos, segurança social, responder a mails, etc.

Depois de um mês sem ter de ir buscar o Tiago à  escola agora volto ao modo de esperar que não chova à  hora em que tenho de sair porque é sempre a escolha entre levar a Joana no carrinho com capa de chuva onde fica mais protegida mas eu apanho uma grande molha porque preciso das mãos para empurrar o carrinho ou levá-la ao colo onde apanha mais frio mas poder usar guarda chuva. Decisions, decisions.

EdiTiago

No último sábado do passado mês de Novembro fomos convidados para dois aniversários.

Primeiro foi a festa do seu melhor amigo do infantário, o Edi. Quando chegou a hora de sair o Tiago estava já muito cansado por ter passado todo o dia a correr pela casa e estava mesmo a dizer que não queria ir. Foi preciso algum esforço para o vestir e teve de ir ao colo. A festa foi no Gymboree, e quando chegámos e o Tiago viu o amigo e um grande espaço de brincadeira, ganhou logo uma nova dose de energia e passou duas horas incansável.

Ao princà­pio eu participei pouco porque a Joana estava cheia de sono mas não adormecia com a barulheira que se pode esperar de diversas crianças em alta diversão. Como o Pedro ainda teve de ir fazer umas compras, fiquei encarregue de vigiar os dois durante um bocado. Quando o Pedro voltou, ficou com a Joana e eu pude ir para junto do Tiago . Ele e o Edi dão-se muito bem porque são os dois super energéticos e o que gostam mesmo é de andar a correr. Mas formam um bloco tal que mais ninguém se pode aproximar, especialmente se forem meninas. Cada vez que uma menina se aproximava gritavam EdiTiago – um grito de guerra que parece querer dizer ‘não pertences ao clube’. Se não era suficiente, seguia-se um ‘vai-te embora’, ‘não’ e em último caso ‘mamã! Olha!’ com um dedo apontado acusatoriamente à  pobre menina que se tinha dignado a aproximar.

É claro que os amigos também se desentendem ocasionalmente, quando querem o mesmo brinquedo, por exemplo, mas passa-lhes depressa e volta tudo ao normal num instante.

Depois da brincadeira e do bolo tivemos que sair para ir ao segundo aniversário do dia: o da tia Bela. O Tiago estava com muito sono mas quando chegámos acabou por se aguentar. A Joana teve mais uma crise de choro até adormecer finalmente e conseguimos jantar sem problemas. O Tiag não comeu quase nada mas isso já é costume e há muito que deixei de me preocupar.

A verdade é que estou muito mais descontraà­da com a Joana do que fui com o Tiago e ela acaba por sofrer um bocado porque não tem ainda uma rotina bem estabelecida.Farto-me de a acordar a meio de uma sesta porque preciso de ir a algum lado, algo que evitava fazer com o Tiago e ela tem de se adaptar muito mais. O resultado é que acabou por se habituar a dormir mais sestas de meia hora em vez de uma grande.

Virou-se

No passado sábado a Joana conseguiu virar-se sozinha pela primeira vez. Tem 4 meses e segundo a última consulta está tudo bem. Está um bocadinho abaixo do percentil 50 no peso, mas bastante rechonchuda, e um bocadinho acima na altura, o que vendo pelo irmão seria de esperar.

Há um mês atrás começou a interessar-se mais pelo mundo à  sua volta e já agarra objectos, brinca com as mãos e tenta sentar-se sozinha, tendo já bastante força nas costas. Ainda não se aguenta santada sem apoio, algo se só vem lá para os 6 meses, mas está no bom caminho.

Parece-me  também que passa bastante tempo a examinar um brinquedo, algo que não me lembro do Tiago fazer. Continua muito dorminhoca e a fazer grandes birras de sono mas fora isso é muito calminha e bem disposta.

Continua a precisar de chuchar para dormir mas cospe a chucha fora. Ultimamente o ideal tem sido uma daquelas mini-mantinhas com uma cabeça de boneco. Tenho de comprar mais uma ou duas para poder lavar aquilo com maior frequencia.

A uma semana dos 4 meses

Tenho tido muito pouco tempo no último mês por isso prefiro escrever quando dá do que deixar passar mais um mês sem referir a evolução da Joana.

Aos 3 meses já segurava a cabeça muito bem mas continua a não gostar muito de estar deitada de barriga para baixo. Lá a ponho a fazer esse exercí­cio ocasionalmente mas a maior parte das vezes é preferà­vel recostar-me no sofá e deitá-la no meu peito. O efeito é quase o mesmo e pelo menos ela tem uma cara para a entreter.

Sinto que já não me lembro de quase nada de quando o Tiago tinha esta idade por isso é complicado fazer comparações. Acho-a muito mais parecida comigo do que o Tiago e à s vezes tenho a sensação  de estar a olhar para mim própria em bebé. É mesmo muito estranho.

Como já escrevi antes, a Joana nesta fase gosta muito de música e de me ouvir cantar. à€s vezes tem o efeito contrário do pretendido porque eu tento cantar para a embalar e ela acorda, fica a olhar fixamente para mim e a sorrir enquanto eu canto. Só quando me calo é que se vira para o lado e volta a tentar adormecer. É muito mais dependente da chucha do que o Tiago era mas é praticamente só para dormir e porque eu acho preferà­vel a deixá-la chuchar nos dedos. Se não tiver nada, uma fraldinha, a manta ou um boneco também servem.

Mas já passa muito mais tempo acordada e já se interessa muito por bonecos, livros e até pela televisão. Já brinca com as mãos, agarra em bonecos e leva-os à  boca e parece muito interessada nos gatos. Não só fica a olhar para eles como se inclina para a frente e faz-lhes festas quando lhes consegue chegar. Não agarra no pelo só para puxar, como o Tiago fazia – agarra e larga, agarra e larga. É mais massagem que outra coisa mas os gatos não parecem queixar-se.

A coisa mais estranha para mim é o facto dela já virar as páginas dos livros. Comecei com o mesmo livro que o Tiago gostava – um pequeno livro quadrado de cartão grosso com uns frutos em fimo muito giros e coloridos com caras sorridentes. Apesar dos movimentos ainda descoordenados, a Joana agarra em cada uma das páginas e vira-a para ver o que vem a seguir. Se fosse só uma vez ou outra poderia ser coincidencia, mas quando ela faz o mesmo movimento para todas as páginas do livro ficou um bocado surpreendida.

Continua a dormir a noite toda. Eu acordo com ela a chupar os dedos com fome, pego-lhe, dou-lhe de mamar, volto a deitá-la e ela muitas vezes nem chega a abrir os olhos. Por outro lado continua com super audição e durante o dia acorda ao mais pequeno ruà­do, especialmente se for perto. Durante o fim de semana o Pedro esteve a furar a parede da casa de banho para pendurar candeeiros e ela estava tão cansada que não acordou mas assim que passei perto dela, mesmo sem fazer muito barulho, abriu logo os olhos. Dá para perceber que o instinto de sobrevivencia está a funcionar.

Joana musical?

Sendo uma menina, esperava que a Joana fosse muito mais vocal do que o Tiago foi e até agora está a concretizar-se. Farta-se de palrar, já está a querer dar gargalhadas e nos últimos dois dias reparei que faz muitos sonzinhos quando está a ouvir música que me faz pensar que está a tentar cantar.

Eu gostava muito de ser o tipo de mãe que não impinge nada aos seus filhos, deixando-os descobrir aquilo que gostam e para o que parecem ter uma apetencia natural e encorajá-los depois a explorar essas tendências. No entanto tenho de confessar que gostava bastante que pelo menos um deles fosse minimamente músical e demonstrasse algum interesse em aprender um instrumento. Não vou forçar mas se reparar que há ali potencial irei certamente puxar por isso.

O Tiago gosta de música, certamente, mas é demasiado activo e tem um attention span demasiado curto para o imaginar a investir o suficiente para praticar um instrumento. Ao princà­pio achava piada ao piano mas agora é raro demonstrar interesse. Como também gosta de contrariar, se tento mostrar-lhe algo ele diz imediatamente que não quer e quanto mais eu insisto mais ele se nega a tentar. Pior que isso, detesta quando eu canto para ele, já desde bebé – desatava a chorar cada vez que eu tentava – não suporta ver-nos jogar Singstar e não deixa ninguém tocar instrumentos. Está sempre a inteerromper e a dizer-nos para parar. Pode ser que quando crescer mais um pouco que isso mude ou que ver o pai tocar acabe por lhe dar vontade de experimentar a guitarra, mas até lá já perdi um bocado a esperança.

Pelo contrário, quando canto para a Joana ela sorri e responde muito bem a ouvir música. Sei que é ridà­culo falar de interesse musical com 3 meses e meio porque todos os bebés gostam de música mas pelo menos não chora quando canto, o que para mim é uma mudança muito simpática 🙂

Passadas duas semanas

Nunca mais tive tempo para escrever. O tempo vai passando e a casa continua uma confusão. Estou cada vez mais cansada e sem sentir que isto vá acalmar tão cedo.

Os dias são passados a tentar arrumar o que posso, a acalmar a Joana que não consegue dormir com o barulho das obras e a fazer listas infindáveis de tudo o que ainda falta – onde é que preciso de alterar a morada, que documentos preciso para cancelar contratos da casa nova, etc. Vou fazendo as coisas aos poucos e fico muito feliz quando consigo riscar algo da lista ou espalmar uma caixa vazia.

Pelo meio a Joana fez 3 meses e nem teve direito a um post celebratório, o que acho uma barbaridade. Felizmente é uma bebé dorminhoca e se conseguisse descansar até me dava bastante tempo livre. Infelizmente só consigo que ela durma ao colo porque salta a cada martelada. A única vantagem de lidar com uma bebé pequena, mudar de casa e estar em obras é que estou farta de perder pesso. Ao fim de 3 meses depois do parto peso menos do que antes de engravidar. Não há duvida que é um grande exercí­cio.

As confusões com os vizinhos mantêm-se. De manhã fui ao banco mudar a morada das contas e seguros e passei o tempo a atender telefonemas sobre o isolamento da junção dos prédios e a questão do algeroz. A tapa-isola dizia que não vinha enquanto o tubo não fosse desmontado e tive de pedir ao Sr. Augusto para falar com eles directamente para resolver o problema. Eu compreendo que eles não queiram fazer um trabalho sem saber quem o paga mas também estão a fazer uma tempestade num copo de água por causa de um tubo de plástico.

Era então suposto desmontarem o algeroz hoje mas apareceu um homem da Tapa-isola à s duas da tarde, falou com o Sr. Augusto sobre aquilo, viu que não conseguia montar o rapel no terraço, foi-se embora e 3 horas depois ainda não tinha voltado. Tenho a impressão que ainda não é hoje.

Lá consegui finalmente acabar de organizar a contabilidade do trimestre passado e ir entregá-la. Agora ainda falta devolver a chave da garagem, cujo aluguer acaba esta semana, por a casa à  venda (sim, eu sei, isso já devia estar feito), e ir lá tirar umas buchas da parede, tapar buracos e eventualmente dar uma pintadela. Isto porque no sábado conseguimos finalmente acabar oficialmente a mudança. Com ajuda do meu pai e do seu jipe lá tirámos o resto das nossas tralhas da casa antiga e deixámos aquilo relativamente limpo e mostrável. Falta só lavar os vidros das marquises e fazer os tais arranjos cosméticos.

Na casa nova decidimos finalmente onde montar as estantes e por isso passei os últimos dois dias a desempacotar livros. Devo ter vazado umas 20 caixas e não parece ter feito diferença nenhuma à  confusão que vai por aqui.

O sotão está quase pronto. Já forraram o telhado, acabaram hoje de forrar o chão e agora é só dar uma pintura. Espero que daqui a umas duas semanas tenham acabado finalmente as obras.

Esta mudança vai andando devagarinho e ainda não me sinto em casa, em grande parte por ter sempre pessoas a entrar e a sair e pó por todo o lado que não desaparece por mais que limpe, mas acredito que daqui a um mês ou dois a coisa começa a ficar mais fácil.

E agora tenho que ir buscar o Tiago à  escola e passar a modo mamã.

Final de dia com duas crianças

Resolvi registar aqui aquilo que é um fim de dia tà­pico com os dois miúdos porque eles crescem depressa e uma pessoa acaba por se esquecer de alguns pormenores.

Tudo começa com ir buscar o Tiago á escola. Penduro a Joana ao peito, no marsupio, para não ter de navegar as ruas com o carrinho de bebé, e vou a pé até à  escola. Ultimamente o Tiago tem-se portado muito bem e vem a pé o caminho todo de mão dada sem problemas. Já aprendeu mais ou menos que tem de ver se vêm carros antes de atravessar a rua e tornou-se tudo muito mais simples por causa disso.

Pelo caminho o Tiago pede geralmente um gelado ou qualquer outra coisa. Umas vezes lembro-me de levar dinheiro outras digo que não pode ser sempre. Hoje perguntou se podia tirar uma pera quando passámos na mercearia. Expliquei que era preciso pagar e não tinha dinheiro mas podiamos ir a casa buscar a carteira e voltar. Quando chegámos a casa ele já não queria voltar a sair, como é costume, por isso não insisti.

O Tiago pede então para eu ir brincar com ele. Digo que tem de lavar as mãos primeiro e ele já vai sem fita. Depois vou buscar um copo de água, porque o caminho até á escola e regresso ainda é longo, deito a Joana na cama do Tiago para não ficar sozinha e, com sorte consigo beber um bocadinho de água até o Tiago pedir qualquer coisa que me obriga a levantar outra vez – ou precisa de ir à  casa de banho, ou tem fome ou quer ajuda a encontrar um brinquedo. Hoje queria os doces que vieram na mochila da escola porque um dos meninos fez anos. Disse que podia escolher duas ou três gomas e os restantes doces ficavam para amanhã. Neste aspecto tenho um miúdo impecável porque nunca faz birra por estas coisas. Aceita e geralmente não volta a pedir mais. Quando pede mais doces digo-lhe que se tem fome vou fazer o jantar e ficamos por aà­.

Fui então por água ao lume para fazer o esparguete do jantar e depois passei no computador e vi que tinha um email de um cliente com um problema qualquer de password do email que não estava a funcionar. Ia começar a ver se percebia qual era o problema quando a Joana começou a chorar. Fui buscá-la para lhe dar de mamar mas quando o leite começa a correr à s vezes sai mesmo em jacto e ela engasga-se. Depois fica furiosa porque tem fome e teve de parar de mamar e começa a berrar. Eu entretanto tenho de arranjar maneira de parar o leite que desata a espirrar por todo o lado . Sinto-me como um sistema de rega automático nestas situações…

No meio disto tudo toca o telefone (geralmente é a minha mãe que tem uma pontaria fenomenal para acertar nas alturas mais confusas) e percebo que a água já está a ferver. Atendo o telefone enquanto tento abrir um pacote de esparguete antes que a água evapore toda. A Joana continua a berrar na sala e o Tiago vem pedir para ver o Wall-E.

Lá consigo despachar o telefonema, por o espaguete a fazer e o tempo a contar e vou dar de mamar à  Joana. O Tiago continua à  espera do filme por isso vou-lhe pedindo os diversos comandos que preciso para ligar as coisas (temos um comando universal mas alguns dos botões deixaram de funcionar e acabo por ter que usar uma série deles à  mesma). Quando toca o tempo do esparguete a Joana já acabou de mamar mas agora estou a mudar-lhe a fralda, por isso quando finalmente consigo voltar à  cozinha já a água evaporou toda e o esparguete agarrou ao fundo e está a começar a queimar. Também ficou todo agarrado porque não tive oportunidade de o ir mexer durante a cozedura.

Ponho a bolonhesa no micro-ondas e a Joana começa outra vez a chorar porque não quer ficar sozinha. Finalmente consigo por a comida nos pratos e chamar o Tiago para a mesa. Ele queixa-se que não consegue ver a TV (sim, já sei que é mau hábito mas eu sempre comi em frente à  TV por isso não me vou armar em hipócrita e recusar isso ao miúdo) porque temos a casa cheia de caixas que bloqueiam o campo de visão e lá vou eu arrastar o movel para o meio da sala.

Com sorte, por esta altura consigo comer mas antes de chegar ao fim  a Joana farta-se de estar no baloiço e quer colo.

E assim continua infinitamente até o Pedro chegar, altura em que, com sorte, conseguimos dividir um miúdo para cada um e acalmar um bocadinho a coisa.