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Tiago, 10 anos

O meu filho fez 10 anos.

Não sei bem para onde foi o tempo, mas não é possível negar o facto que o meu bebé pequenino está quase do meu tamanho. É de tal forma que já tenho dificuldade em distinguir as meias dele das do pai e não tarda tenho um adolescente cá em casa.

Este ano o Tiago não quis festa com amigos. Disse que preferia convidar um dos amigos para vir cá a casa outro dia e fazer a festa com a famà­lia. Como vieram os primos, acabou por se divertir à  mesma.

Como o Tiago adora gatos, esse foi o tema da festa deste ano. Para iniciar as festividades, comprei uma pinhata (algo que ele queria há imenso tempo).
Não encontrei nenhuma com um gato mas havia com um leão. Teve de servir.

Mas não pensem que a pinhata era para aquela coisa do costume, em que as crianças se reunem e puxam uma fitinha. Qual quê! O Tiago queria era partir aquilo tudo à  paulada. E foi o que teve. O pai subiu para um escadote e segurou naquilo e o Tiago, de taco de softball em punho, descarregou toda a sua raiva acumulada na cabeça de leão até voarem chocolates.

O Tiago pediu-me para fazer as bolachas do costume e eu usei um molde da Hello Kitty para a forma geral e depois o Tiago ajudou a criar os detalhes da cara. Os gatos a piscar o olho são os dele.

O bolo deste ano foi especial. Foi um fabuloso bolo de morangos feito pelo pai e depois coberto com uma cara de gato que o próprio Tiago decorou. Simples mas giro, e muito mais saboroso do que os vulgares bolos de iogurte feitos pela mãe.

Ida a Gondomar – bancada de joalheiro

Ao fim de quase 4 anos de joalharia, achei que estava na altura de ter uma bancada de joalheiro decente, especialmente porque quando acabar o curso vou deixar de ter acesso ao atelier e preciso do meu espaço o mais profissional possível.

Infelizmente é um grande investimento e por isso tenho vindo a adiar a coisa a favor de ferramentas mais urgentes, enquanto continuava a trabalhar numa cómoda alterada.

Estava a fazer contas para ver quanto é que tinha de poupar daqui até aos meus anos, quando o Pedro sugeriu que eu procurasse uma em segunda mão. Disse-lhe que já tinha andado a ver e, não só o preço não era assim tão mais baixo como depois tinha que a ir buscar ao norte (onde fica a maioria das fábricas de ourivesaria).

Em vez da resposta esperada ele disse “E então? Vamos lá buscar. Já passo tanto tempo em viagens que seis horas de carro não é nada.”

Com um empurrão destes era difà­cil de resistir. Encontrei uma bancada usada a um preço aceitável, velhinha mas que não parecia estar a cair, contactei o dono e combinámos o encontro.

No domingo deixámos os miúdos com os meus pais e lá fomos nós até Gondomar. Três horas depois demos com o sí­tio, esperámos à  porta que o senhor chegasse de uma festa de anos, e lá fomos ver a coisa.

Fiquei a saber que o senhor tinha comprado uma casa com um anexo nas traseiras onde funcionava uma oficina de ourivesaria que entretanto faliu. Os ourives levaram quase tudo mas deixaram duas bancadas de madeira completamente a cair e aquela, que estava usada, suja e um bocado ferrugenta mas usável.

O senhor ajudou o Pedro a carregar a bancada (que era de ferro e por isso mais pesada do que parecia) por um caminho que incluiu passar por cima de umas tábuas e descer umas escadas à­ngremes. Metemos aquilo no carro, com a certeza que levávamos umas quantas aranhas de Gondomar de volta connosco, e lá fizemos mais três horas de caminho para casa.

De facto, fazer isto de seguida, apesar das estradas serem boas, não é assim tão agradável. Mas pronto, também não é todos os dias.

Quando cheguei a casa reparei que o vendedor tinha deixado uma série de coisas na gaveta de cima e descobri, no meio de muito lixo, uns cadernos com apontamentos sobre as medalhas que eles produziam, uma caixinha com os moldes de algumas dessas medalhas, umas serras em bom estado e um conjunto de limas ferrugentas mas que espero conseguir recuperar.

Passei um dia a limpar aquilo o melhor que pude e ainda falta tirar a ferrugem, pintar e eventualmente mudar os puxadores das gavetas para dar um ar mais simpático à  bancada. Estou desejosa de a começar a usar mas sei que se não perco um bocadinho a pà´-la em condições arrisco-me a que se deteriore mais, o que era uma pena depois deste trabalho todo.

Trip to Gondomar – buying an old jeweller’s bench

After studying jewellery for 4 years I felt it was time to get a proper jeweller’s bench. Unfortunately it’s not the cheapest piece of furniture, which is why I’d been delaying its purchase for so long.

The second hand benches I found online were either in a terrible state or not that much cheaper than a new one. On top of that, the jewellery industry in Portugal is mainly in the northern area of the country so it would mean travelling a long way to get it.

I spoke to my husband about it and he wasn’t chocked about making the trip so I searched again and found one that looked recoverable and wasn’t too expensive.

It took us a day to get there and back but I’m now the proud owner of a proper jeweller’s bench. It just needs a little love and attention.

Crise de meia idade

Recentemente, e pela primeira vez na minha vida, tive a clara noção de estar a envelhecer.

Até agora isso era algo que não me preocupava, em que nem sequer pensava, mas o inicio deste ano tem sido passado entre consultas, análises, exames e uma constipação que passou a sinusite e nunca mais desaparece (podia tomar antibiótico de uma vez por todas, mas onde está o desafio nisso!). Eu sempre fui uma pessoa saudável, apesar da talassemia, mas nos últimos tempos passei a ter dores constantes nas diversas articulações, questões hormonais, já vejo mal ao perto etc. Nada disso, só por si, é problemático ou me fazia sentir particularmente diferente. É uma chatice, mas é a vida.

Ontem, porém, andei a vasculhar as fotos antigas, desde que o Tiago nasceu. O meu filhote está quase a fazer 10 anos, está no quarto ano e a professora pediu para os pais recolherem algumas fotos significativas do percurso dos nossos filhos até aqui, para um projecto de fim de ano.

Olhei para umas fotos minhas com o Tiago bebé ao colo e de repente atingiu-me o quão mais nova estava na altura. Não só nova mas também com um olhar mais luminoso, um ar muito menos cansado e derrotado do que aquele que vejo no espelho e nas fotos hoje em dia.

Isto aconteceu logo um dia depois de uma consulta no hospital em que o médico repetiu diversas vezes frases como “isto é bastante comum em mulheres pré-menopausa”. Pois.

De repente senti-me muito velhinha e enrugada, o que é completamente absurdo porque nem tenho quase rugas nenhumas, mas é mais um estado de espà­rito. Aquilo que estou é um bocado gorducha e muito, muito cansada, mas ambas as coisas se resolvem com força de vontade (para fazer dieta) e algum dinheiro (para a mensalidade do ginásio e umas férias nas Bahamas).

Aquilo que sei é que aquelas mulheres que acham que a vida acabou quando fazem 30 anos precisam de uns estalos na cara. Não é a idade que nos define mas sim a forma como nos sentimos e aos 30 somos uns bebés. Eu percebo que essa reacção está relacionada com a vontade de ter filhos e o facto do risco aumentar a partir dos 35, mas depois espalha-se a áreas que não fazem sentido nenhum, como se uma pessoa que não tem a vida toda alinhada aos 30 fosse um falhado. Como uma mulher com 43 anos que ainda não sabe bem o que quer ser quando crescer (ou já sabe mas ainda não conseguiu chegar lá), e que por vezes ainda não se sente inteiramente adulta, acho que também não é preciso ser tão rà­gido nessas coisas.

Mas a verdade é que sinto que passei os últimos dez anos com os meus filhos como o centro do universo e que eu, de certa forma desapareci, o que explica esta estranheza em relação ao passar do tempo. A rotina não ajuda. Não há grandes diferenças entre dias de semana, fins de semana e “férias”.

O que eu fantasio com férias! Com poder passar duas semanas num sí­tio onde as únicas coisas que tenho para fazer são dormir até ao meio dia, tomar banhos de espuma enquanto leio um livro e beber chazinho num sí­tio com uma vista fantástica. E dizer isto sabendo que estou em casa, sem ter de ir trabalhar para um escritório o dia inteiro como a maioria das outras mães, parece altamente injusto e egoà­sta, mas a verdade é que há SEMPRE coisas para fazer. Especialmente quando se tem um marido que ocasionalmente tem de ir viver para outro paà­s 3 semanas por mês, e uma mulher a dias que se foi embora em licença de parto e com sorte voltará daqui a uns 8 ou 9 meses.

Estou a tirar o meu segundo curso e tenho um projecto para o percurso que quero seguir, mas a verdade é que é preciso trabalhar muito e ter muita sorte para obter algum sucesso em qualquer área, especialmente quando estamos por conta própria. E há a luta constante entre o que quero fazer e o que tenho de fazer, as tarefas relacionadas com o negócio e as tarefas domésticas.

As minhas avós eram donas de casa e raramente estavam quietinhas sentadas no sofá a ver novelas. Isso era um bocadinho à  noite, antes da caminha. O resto do dia era andar de um lado para o outro a arrumar, limpar, coser, cozinhar e uma lista infindável de tarefas, e quando se está em casa, lá estão essas tarefas todas à  nossa espera, constantemente. Em cima disso, hoje em dia as mulheres que não se sustentam financeiramente sofrem de uma grande dose de sentimentos de culpa e fracasso. Eu sei porque sinto isso muitas vezes e se pudesse voltar atrás provavelmente teria feito as coisas de maneira diferente. Mas por outro lado sei que pelo menos estou presente para os meus filhos, coisa que a minha mãe nunca pode fazer porque trabalhava dias, noites e fins de semana, e eu vivi durante muitos anos em casa da minha avó graças a isso. Hoje os avós trabalham por isso não sei como é que as mães se safam, sinceramente. Só mesmo com crianças no ATL das 8 da manhã à s 8 da noite, e mesmo assim acredito que seja apertado.

Ou seja, no meio da luta para fazer alguma coisa que dê sentido à  minha vida, ando há 10 anos a lavar pilhas infinitas de roupa, a tratar de chatices, a transportar coisas pesadas (crianças, sacos, mochilas, etc) ao ponto de ter desenvolvido uma tendinite no cotovelo e a sofrer mais pelos filhos do que pelo que me acontece a mim.

Isso é uma coisa para a qual não estava preparada. Sabia que ter crianças dava trabalho e lixava o sono mas não sabia que ia sofrer tanto por/com eles. Não pelos joelhos esfolados e essas coisas mas pelos momentos em que não posso estar lá, pelas coisas em que não posso ajudar – as bestinhas que lhes batem na escola e que me dão vontade de fazer uma espera à  saà­da e desfazê-los à  pancada (a eles e aos pais), os ataques de pânico causados pelo estudo de um programa completamente inadequado à  idade, instituà­do por um ministro da educação que devia ser preso pelo estrago que fez a uma geração inteira de crianças deste paà­s, coisas assim. Sofro verdadeiramente com isso tudo e não sei o que fazer. Tira-me o sono, revolta-me e faz-me sentir absolutamente inútil perante algo que não tenho a capacidade de resolver.

Mas isto faz-me perceber que estou demasiado envolvida na vida deles e que a minha vai ficando para trás. O tempo vai passando e não faço as coisas que gosto, não cumpro os planos para mim própria e um dia destes vai ser tarde demais. Mas como é que se mudam estes hábitos? Também não sei bem. Os homens compram um descapotável. As mulheres fazem o quê?

Rant escrito à s 5 da manhã porque já não valia a pena fazer de conta que estava a dormir.

Tutorial – Torcer fio metálico

O fio metálico torcido dá um ar muito decorativo à s peças e pode ser usado de diversas formas – à  volta da cravação de uma pedra, para fazer argolas decorativas ou caracóis.

Aqui estão uns exemplos de peças onde usei fio torcido:

Desde que se tenham em conta alguns detalhes importantes, torcer fio metálico é muito simples e não requer nenhum instrumento em particular, apesar do meu método preferido ter ferramentas que facilitam o processo.

1. O mais importante antes de começar é ter a certeza que o fio metálico está mole, ou seja, que foi recozido, senão pode partir. Este pode ser comprado já assim ou ser recozido por nós, com o uso de um maçarico. Um maçarico de cozinha comum serve para este efeito.

Se quiser saber como recozer fio metálico, pode ver este và­deo.

2. Os fios têm de ser mantidos esticados durante o processo.

3. Podemos utilizar dois fios ou um só fio dobrado ao meio. A segunda hipótese é mais fácil se só usarmos alicates.

4. Para torcer o fio há diversas possibilidades. A minha favorita é prender uma ponta dos arames num porta cavilhas e a outra num torno de bancada. Rodo o porta cavilhas até o fio estar enrolado uniformemente. Se notar que parte do arame não enrola tão bem, aqueço essa zona com um maçarico, para recozer.

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Em alternativa podemos usar dois alicates, um em cada ponta ou um berbequim eléctrico.

Tutorial – twisting wire

Twisted wire is very decorative and can be used in several different ways – wrapped around a bezel, to make decorative jump rings or swirls.

So long as you pay attention to a couple of important details, it’s very easy to twist wire and it doesn’t take any special tools, though the method I prefer does use a couple of specific items that make it easier.

1. Make sure to use dead soft wire. Wire hardens as you twist it, so it must be soft to begin with or it will break. You can buy dead soft wire or anneal whatever wire you have, using a torch. A simple kitchen hand torch will do.

If you want to know how to anneal, wire, you can watch this video.

2. The wire must be kept taut, so you need to hold it at both ends and keep a certain amount of tension on it.

3. You may use two wires or a single wire bent in half. The second is easier to hold if you only use pliers

4. You can use several different tools to achieve the same effect. My favourite is to hold one end of the wires in a bench vice and the other in a pin vice. I twist the pin vice until all the wire has been uniformly twisted. If a certain area doesn’t twist as well, I heat it with my torch to anneal it.

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Alternate methods include holding the wire between two pliers, which I find more difficult to control, or using an electric hand-drill.

As mães não deviam ficar doentes

Nas últimas semanas os meus filhotes têm ficado doentes à  vez. Primeiro a Joana, depois o Tiago que repetiu a dose logo na semana seguinte e foi novamente substituà­do pela irmã este fim de semana. Pelo meio foram semanas de estudo e testes, que, como seria de esperar, não correram pelo melhor.

Só a matéria de Estudos do Meio do 4o ano é de uma enormidade absurda. No primeiro perà­odo deram logo esqueleto, músculos, segurança (o que fazer em caso de incêndios, terramotos, etc) e mais a história da formação de Portugal, desde os primeiros povos a habitar a peninsula ibérica até à  crise de 1383-85. Isto tudo, claro, com montes de nomes e datas para decorar. Em 3 meses.

Sim, porque ensinar as crianças de forma a que eles se interessem pelos temas e que efectivamente aprendam alguma coisa era pedir muito neste paà­s. Decorar para o teste e nunca mais ter que pensar nisso é uma longa tradição cuja estupidez ainda ninguém parece ter-se apercebido no ministério da educação.

No meio disto tudo, o Pedro foi-se embora durante três semanas e eu fiquei doente (um dos múltiplos và­rus dos miúdos conseguiu finalmente espetar-me as garras). Eles já são crescidos mas continuam a querer que seja a mãezinha a fazer tudo (especialmente a Joana), por isso ficar doente está fora de questão. É preciso fazer compras, preparar comida, ajudar a vestir, levar à  escola, lavar roupa e toda uma infindável pilha de tarefas, quando a única coisa que apetece é passar o dia na cama a tentar não tossir fora os pulmões.

Respirar fundo e esperar que passe. Que escolha tenho eu?

Oxidar cobre ou prata com sulfureto de potássio

Criei um video sobre a oxidação ou aplicação de patina em cobre ou prata.

O produto quà­mico utilizado chama-se sulfureto de potássio, também conhecido como fà­gado de enxofre. No seu estado natural é formado por umas pedrinhas que podem ser dissolvidas em água quente mas também se comercializa já diluà­do, em estado là­quido ou em gel. Eu utilizo a versão là­quida.

Aconselho a utilização de luvas, avental e eventualmente máscara quando se trabalha com este ou outros quà­micos. É essencial utilizar o sulfureto de potássio num local bem ventilado porque o cheiro é muito forte e desagradável e a inalação é desaconselhada e pode causar dores de cabeça ou até tonturas.

As instruções dizem para misturar uma pequena quantidade do là­quido com água quente mas ao fazer isso o sulfureto de potássio perde a força rapidamente e serve apenas para uma única aplicação. Parece-me um desperdà­cio muito grande porque normalmente só preciso de oxidar uma ou duas peças de cada vez, por isso costumo usar o là­quido directo da garrafa, sem diluição adicional. Assim, o que sobra pode ser deitado de volta para o frasco e não se perde tanto de cada vez.

Em vez de aquecer a solução aprendi que aquecer o metal funciona igualmente bem. Pode-se colocar o metal em água quente ou aquecer com o maçarico e depois mergulhá-lo no là­quido ou utilizar um pincel para cobrir o metal com o sulfureto de potássio. A técnica do pincel é particularmente indicada nas situações em que só queremos oxidar certas zonas de uma peça.

Ao por e tirar o metal dentro da solução de sulfureto de potássio devemos evitar a utilização de utensà­lios ferrosos, tais como pinças ou alicates de ferro ou aço, porque o metal reage com o quà­mico, que é corrosivo, e vai enferrujar. O ideal é usar pinças de plástico ou latão.

No final deve-se lavar muito bem o metal para soltar as pequenas partà­culas que se formam na superfà­cie do metal. Há muita informação pela internet que defende que o là­quido se devia neutralizar com bicarbonato de sódio, mas como são ambos compostos básicos isso não faz sentido.

No final deixo a solução num frasco, a apanhar luz. Quando passa de amarelo para incolor quer dizer que perdeu a força pelo que pode ser deitado pelo cano ou, aparentemente, no jardim, uma vez que é um dos ingredientes na composição dos fertilizantes para plantas.

 

Oxidizing copper or silver with liver of sulfur

I’ve made a video on how to oxidize, or apply patina, to copper or silver.

The chemical compound used in this video is potassium sulfide, also known as liver of sulfur. In its natural state it’s a solid, like little crumbly pebbles, that can be dissolved in hot water. It’s also sold already in liquid form and also as a gel. I use the liquid version.

I strongly advise the use of gloves, apron and perhaps even a mask when working with this or other chemicals. It’s essential to work in a well ventilated ares because the smell is quite strong and unpleasant and inhalation is not advised as it can cause headaches and dizziness.

The instructions for the liquid liver of sulfur say that you should mix a small amount with hot water, but if you do this the liver of sulfur will be weak and lose its strength quickly, so you can only use it once. It seems quite a waste to me because I tend to work in small batches, so I use it directly from the bottle. This way, whatever is left can be poured back into the bottle for next time.

Instead of heating the solution I’ve learned that heating the metal works just as well. You can place the metal in hot water before dipping it into the liver of sulfur or heat it up with a torch and then applying the liver of sulfur with a paintbrush. The brush technique is particularly useful when you only wish to oxidize certain areas.

When you remove the metal from the liver of sulfur you should avoid using ferrous utensils, such as iron or steel tweezers or pliers. Liver of sulfur is a corrosive and will cause your tweezers to rust. Instead, try using plastic or brass tweezers.

After removing the metal from the solution you should wash it thoroughly to get rid of any particles that cover the metal so they won’t be released later on, when in contact with the skin. I’ve seen many recommendations to neutralize the LOS in baking soda but since they’re both basic that makes no sense. Just dilute to make it weaker.

Before throwing away whatever is left of the solution, I usually keep it in a jar for a few days in sunlight until it goes clear. That way I know it’s no longer active and I can throw pour it down the pipes. Apparently you can also water your plants with it as it’s one of the ingredients in plant fertilizers.

Escala de Mohs – dureza de minerais, metais e outros materiais

Quem trabalha com minerais tem noção que há uma diferença de dureza entre pedras. No trabalho de joalharia é importante perceber quais são as pedras mais e menos resistentes a danos, tanto durante o processo de produção como durante o uso da peça depois de terminada.

Por exemplo, ao cravar um topázio podem-se limar as pontas das garras sem perigo de danificar a pedra mas o mesmo não ocorre com uma turquesa ou uma pérola. Isto deve-se ao facto do topázio ser mais duro do que o metal da lima enquanto a turquesa é mais mole.

Percebi que passava imenso tempo à  procura desta informação, quando trabalhava com minerais menos comuns, e por isso resolvi criar um documento onde juntei, por ordem de dureza da escala de Mohs, os minerais, metais, abrasivos e outros materiais que achei úteis. Como é particularmente difà­cil encontrar este tipo de informação em Português, dei-me ao trabalho de traduzir os nomes dos materiais para facilitar a vida a quem quiser pesquisar mais informação sobre um determinado mineral.

Aqui está então o resultado dos últimos dias de trabalho de pesquisa:

Escala de Mohs em Português.

Podem também consultar a versão inglesa se necessário para efeitos de pesquisa:

Escala de Mohs em Inglês.

Espero que seja útil.

Mohs Scale – hardness scale for minerals, metals and other materials

When you work with minerals you notice there’s a difference in hardness between gemstones. As a jeweller you must know which gemstones are resistance to damage, both during the creation process and afterwards, while wearing the piece.

For example, while setting a topaz you can file away the ends of the claws without damaging the stone. The same is not true for a turquoise or a pearl. This happens because the topaz is harder than the metal of the file but the turquoise isn’t.

I noticed I wasted a lot of time looking for this kind of information when working with unusual minerals, so I created a document where I gathered all the minerals I could find (that are used in jewellery) as well as metals, abrasives and other materials that I found useful. I ordered them from the softest to the hardest in the Mohs scale.

So here is the result of my research for the last few days:

Mohs Scale

I hope you find it useful.

Tutorial – Recozer arame

Fiz um video que mostra como recozer arame de cobre fino. O mesmo método pode ser utilizado para recozer prata e latão. Para recozer arame mais grosso convém enrolar o arame em espiral e atar com fio de ferro para evitar que a espiral abra à  medida que o arame aquece.

No và­deo utilizo uma base de soldar perfurada e outra branca mas não é preciso ter as duas. A base também pode ser um tijolo ou azulejo resistente ao calor com um carvão por cima. Só deixei de usar o carvão porque queima muito rapidamente.

Utilizo uma chapa de aço para proteger a madeira da minha mesa, por baixo da zona de soldadura, para o caso do metal quente cair para fora da base de soldar. Tenho também tijolos resistentes ao calor a rodear a base de soldadura para concentrar o calor e evitar acidentes.

O maçarico de mão que uso no video é da Clarke Weld e foi encomendado de Inglaterra. Qualquer maçarico serve para este efeito desde que permita controlar a intensidade da chama. Para fio mais grosso ou chapa é necessário um maçarico maior que produza mais calor.

Neste caso, a chama deve estar relativamente baixa para evitar que o arame derreta, por ser tão fino. Convém também manter a chama em movimento constante para aquecer o metal uniformemente.

Depois de recozer o metal, coloco-o no là­quido de branqueamento aquecido, que é um ácido. Originalmente utilizava-se ácido sulfúrico mas hoje em dia utilizam-se ácidos mais fracos e mais seguros, que já não deixam buracos na roupa nem grandes queimaduras na pele. O meu branqueamento está num contentor eléctrico com termostato que mantém a temperatura constante. Um contentor de pirex sobre um fogão de campismo ou chapa portátil eléctrica também funciona bem mas é preciso ter atenção para não deixar aquecer demasiado porque o ácido queima e torna-se inútil.

Uso uma escova de dentes macia para lavar o arame depois de branquear porque não quero que endureça novamente com demasiada fricção. Para chapa metálica, que não sofre deste problema, utilizo uma escova de latão (catrabucha).

Aqui está o video (em inglês):

Annealing wire

I made  the above video to show how to anneal thin copper wire. The same method can be used for silver or brass and for thicker gauge wire. Thicker wire should be kept in a tight coil with the use of binding wire.

I use a honeycomb soldering base and a white soldering block, but you don’t need both. Even a heat resistant tile with some charcoal on top will do.

The wood surface of my table is protected by a sheet of steel in case hot metal falls off the soldering block. I have heat resistant bricks around the soldering area to concentrate the heat and avoid accidents.

The torch I use is a Clarke Weld mini torch, that I ordered from the UK, but any torch will do. For thicker wire you will need a larger torch that creates more heat.

Remember to keep the flame relatively low to prevent wire from melting, and keep the flame moving. The point is to heat the whole surface evenly.

After heating the wire I place it in a warm acid bath for a few minutes to clean the metal. I use safety pickle in an electrical container that keeps the temperature steady but a glass container over a heat plate will also work. Just remember to turn off the heat when you see vapour coming up. The acid will burn if it gets too hot and will become worthless.

I use a soft toothbrush to wash the wire because I don’t want to harden it again with too much scrubbing. For sheet metal, which doesn’t have that problem, I use a brass brush.

Dicas para wire weaving – sampler e formas de segurar os arames

Recentemente voltei ao trabalho em arame.

A joalharia é muito gira mas requer estar sentada na bancada, com a gaveta aberta sobre as pernas, a serrar, limar, polir, etc. à€s vezes apetece-me variar com algo que não requer tanto material ou postura tão rà­gida. O trabalho em arame é ideal nesse sentido. Só preciso de arame e dois alicates. Posso sentar-me no sofá a ver tv e vou fazendo uns pendentes. A técnica de wire weaving (tecer com arame), em particular, é algo demorado e repetitivo e é sempre bom ter alguma distração para parecer menos trabalho.

Para me ajudar no inà­cio de um projecto de wire weaving, em particular a escolher o padrão que quero usar, fiz um sampler das várias tramas. Quem conhece os meus posts anteriores sabe como gosto de ter tudo organizado e fazer samplers dos materiais, cores, pedras, etc, que tenho disponà­veis.

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Quando começo uma peça nova, especialmente quando tenho de trabalhar com muitos arames ao mesmo tempo, gosto de usar o punho de madeira para segurar os arames. Dá estabilidade e poupa-me as mãos que, sem aquilo, têm de fazer muita força para não deixar fugir os arames.

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Este punho de madeira é muito usado na joalharia para segurar anéis ou pequenas peças de chapa metálica enquanto se lima, mas é também uma grande ajuda para quem trabalha com arame.

A alternativa mais usada por quem não tem esta ferramenta é prender os arames com fita de pintor. Outros utilizam pinças ou grampos e até forceps cirúrgicos. É preciso sem criativo para poupar os dedinhos.

Wire weaving tips – sampler and ways to hold your wires

I’ve recently returned to wire work.

I love silversmith projects but I have to sit at my bench, with the drawer open over my legs, while I saw, file or polish. Sometimes I just want to get out of there for a bit and wire work is ideal because it doesn’t require a lot of tools. I can pick up a couple of pliers and some wire and sit on the couch, watching tv while I make a pendant. Wire weaving in particular is a very repetitive technique and it usually takes a few hours to complete a project, so it’s nice to be comfortable and entertained while I do it, otherwise it might start feeling like work.

To help me get started on a wire weaving project, in particular to help me choose the weaves I want to do, I decided to make a sampler. I folded a wire in half, with a loop on the folded side, so I can hang all the samples on a safety pin, so I don’t lose any.

Another tip I’d like to share is how I hold all the wires together when I start a weave. My favourite tool is a wooden ring clamp. It secures all the wires in place without marking them and I don’t hurt my hands trying to hold everything in place with just the strength of my fingers. The ring clamp is used a lot in silversmith work, to hold rings or small bits of sheet metal while filing and it can be very helpful for wire work as well.

Other alternatives for holding the wires in place are painter’s tape, spring clamps and even forceps. The important thing is to find ways to prevent too much stress on your hands and wrists.

O mito do feminino

Sabemos que as mulheres estão constantemente a ser bombardeadas com imagens dos media que as tentam a toda a força convencer que há qualquer coisa errada com o seu corpo, cara, estilo de vida, etc. Fazem-no para vender produtos – roupa, cosmética, etc – mas alguma vez pensaram na raiz do problema? O que deu origem a esta imagem deturpada do feminino?

É muito simples. Vivemos numa sociedade baseada na ameaça de violência fà­sica. Os homens são, na generalidade, fisicamente mais fortes do que as mulheres por isso eles é que ditam as regras. E as mulheres é bom que obedeçam, senão…

Não quero com isto dizer que a maioria dos homens ande por aà­ a pensar nisto e a tentar fazer as mulheres cair no molde. É mais subtil que isso. É algo que se tornou norma há tanto tempo que já ninguém pensa nisso, especialmente os homens.

As mulheres passam o tempo a tentar encaixar nas noções deturpadas de feminino porque todos queremos que gostem de nós. É uma necessidade humana básica. E quando crescemos com o mundo a dizer-nos que para gostarem de nós temos de ser bonitas e atraentes, não é difà­cil perceber de onde vem tanto empenho para chegar ao “ideal” que nos é imposto.

Essa ameaça fà­sica também funciona entre os próprios homens, que estão sempre em modo competitivo para provar que são mais fortes, viris, ricos, espertos, competentes, do que todos os outros. É o chamado “dick waving”. É a origem da maioria dos conflitos humanos desde sempre, até os da religião. Citando o fabuloso George Carlin, “My god has a bigger dick than your god”.

Como são fisicamente mais fortes, os homens definiram o que é “ser homem”, ou seja, as caracterà­sticas da masculinidade. Não é uma lista realista ou fácil de atingir, que resulta no conflito mencionado anteriormente.

Por contraste, e porque as coisas são mais fáceis de digerir quando encaixam em categorias bem definidas, os homens definiram também o que é o feminino. Mas não se basearam nas mulheres. A ideia de feminino vem apenas do contraste com o masculino. Ou seja:

Os homens são fortes e grandes portanto as mulheres têm de ser fracas e magras

Não interessa que haja mulheres mais fortes do que alguns homens. As mulheres não podem ser musculosas porque isso “não é atraente”. Como as regras são feitas pelos homens, ser atraente deve ser sempre a primeira prioridade da mulher. Portanto as mulheres são encorajadas a manter-se em forma, para não ficarem gordas – a maior ofensa que uma mulher pode oferecer à  sociedade, aparentemente – mas sem nunca desenvolver músculos visà­veis porque isso já não fica bem, é feio etc. É também uma forma de ter a certeza que as mulheres não se tornam uma ameaça ao poder masculino. Por contraste, os homens podem ser gordos à  vontade sem ofender ninguém porque um homens grande, seja com músculo, seja com gordura, é visto como forte e protector.

Até o vestuário e calçado feminino considerado mais atraente tem sido, ao longo da história, feito para manter a mulher controlada. Não se pode fugir de um atacante quando se usam saltos altos, saias até aos pés, espartilhos, etc.

Os homens são altos, por isso as mulheres são baixas

São inúmeras as histórias que já ouvi de mulheres a queixarem-se, com desgosto, que cresceram de repente na adolescência e ficaram mais altas dos que os rapazes todos. Que andavam dobradas para parecer mais baixas. Uma caracterà­stica que nos homens é assumida com orgulho, nas mulheres é razão de ansiedade e vergonha.

Os homens desenvolvem pêlos no corpo e rosto na puberdade, por isso as mulheres devem ter uma ausência total de pêlos

O tempo que uma mulher passa a fazer depilação é escandaloso. Chegou-se a um ponto em que nem a zona púbica se escapa, e se restam alguns pelos nessa área é preciso dar-lhes nomes tipo “landing strip” que fazem questão de sublinhar que só lá estão para chamar a atenção masculina para a zona genital, tipo seta em neon.

Os homens são inteligentes por isso as mulheres são parvinhas e ingénuas

Já ouviram piadas de loiras? Pois. E não há homens loiros no mundo? Claro que sim, mas aparentemente só as mulheres são atacadas pelo gene da estupidez. Porquê? Porque o cabelo loiro é considerado atraente mas uma mulher com opiniões e vontade própria não é, portanto as mulheres “desejáveis” têm de ser reduzidas a bonecas insufláveis para não serem intimidantes.

As mulheres, quando falam, raramente são levadas a sério e têm de estar sempre a desculpar-se por ter opiniões. Quando dizem algo claramente inteligente que não agrada aos homens são criticadas pelo aspecto fà­sico, como se uma coisa estivesse ligada à  outra. São inclusivamente criticadas por outras mulheres por terem a audácia de se chegar à  frente, como se a sua opinião de “mera” mulher contasse para alguma coisa. A nà­vel profissional este tipo de pressão para calar a opinião feminina é extraordinariamente claro e visà­vel. É a forma de controlo e rebaixamento mais frustrante com que uma mulher se depara.

Há muitos mais exemplos, mas acho que já chega para dar a ideia. Como espécie relativamente evoluà­da que somos ou acreditamos ser, acho que está na altura de acabar com estas noções arcaicas e construir um futuro de maior igualdade.

Pendente chave – cravação em coroa

Esta foi a peça onde comecei definitivamente a juntar as técnicas de joalharia ao design com os elementos e temas com que mais me identifico. Todas as peças são criadas a partir de escolhas pessoais – se gostamos mais de formas com bicos ou só curvas, grande ou pequeno, etc – mas aqui começou a solidificar-se aquilo que considero o meu estilo de jóias: uma mistura entre chapa e fio, com a pedra lindà­ssima como elemento central, oxidação da prata e muito detalhe e textura. O tema da chave ornamentada vem da inspiração steampunk, que me atrai há muito.
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Como o exercí­cio principal desta peça era criar uma cravação em coroa, comecei por escolher a pedra. Usei um topázio amarelo triangular que comprei na FIA há uns dois anos. A pedra foi cara mas gostei tanto do formato, cor e lapidação que não resisti a comprar. Uma pedra destas merecia uma peça especial, por isso desenhei diversas chaves até chegar a um projecto que me agradava. A “cabeça” da chave é também triangular, seguindo a forma da pedra.
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Comecei pela cravação da pedra, que iria determinar as dimensões do resto da peça. Apesar de ter feito o projecto à  escala real, é sempre bom ter o elemento central primeiro para ter a certeza que não fica demasiado apertado no final. Sem a cravação é mais fácil fazer pequenos erros de escala se não tivermos experiência ou cuidado suficientes.

Para a coroa usei chapa de 0,5 mm com a altura do pavilhão (parte de baixo da pedra, afunilada). Formei um triângulo com cantos arredondados, seguindo a forma e tamanho da pedra. Numa cravação de garras, esta base tem de ficar um pouco mais pequena do que a pedra porque as garras são soldadas por fora. No caso da cravação em coroa, o tamanho é um pouco maior. A pedra não pode caber completamente dentro da cravação mas quase.

Fazem-se cortes espaçados à  volta da chapa, primeiro com a serra e depois com a lima triangular. Esses cortes são depois alargados e arredondados com uma fresa ou lima de meia cana, formando assim as garras e a forma de coroa. No enfiamento vertical das garras são também cortadas pequenas fendas em baixo que são igualmente arredondadas para dar a ideia de pequenos Us entre cada duas garras. Vai-se limando a chapa até a forma estar aperfeiçoada. Por fim limam-se linhas verticais no centro de cada garra para parecer que estas são mais finas e o resultado ser mais delicado.

Devo dizer que, pelo menos na primeira vez, este foi um processo demorado, de grande cuidado e paciência. Nos cantos, em particular o que tem a soldadura, é preciso muito cuidado para não limar demasiado porque o ângulo é maior e a lima tem tendência a gastar mais metal de uma só vez.

Assim que a forma está regular e redondinha, faz-se uma forma igual em fio quadrado de 1 mm que é soldado por baixo da chapa, servindo de base à  coroa. É a este fio quadrado que vamos depois soldar os restantes elementos.
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Com a cravação feita foi a vez de começar a construir a chave. A estrutura geral foi feita em fio quadrado de 2 mm. Por dentro da linha curva do topo soldei um fio torcido. O torcido é feito a partir de dois fios de 0,8mm (ou um fio dobrado ao meio). Uma ponta é presa no torno e a outra no porta-cavilhas. Vamos rodando o porta-cavilhas, torcendo os fios e dando calor com o maçarico nas zonas que vemos que não estão a enrolar tão bem como o resto.
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O pé da chave foi feito com o mesmo fio quadrado de 2 mm e fio torcido. A junção do pé com a cabeça foi coberta com uma caixa composta por duas chapas de 0,5 mm em U curvas (uma em cima e outra em baixo) e duas paredes laterais, ou batas, com 0,8 mm de espessura. Primeiro soldam-se as laterais à  chapa de base e só depois se coloca esta estrutura no sí­tio para soldar a “tampa”. Para conseguir que as laterais, ou batas, fiquem verticais sobre a base, faz-se uma só bata em U e depois de soldar ambos os lados desse U corta-se o excesso.

Esta parte foi a mais complicada porque a solda inicial, que fica por dentro, não se consegue isolar e volta a correr quando se aquece novamente, o que na primeira tentativa entortou a chave e foi preciso repetir o processo com maior apoio nessa zona. O ideal será soldar com a peça assente em gesso para ter a certeza que não mexe.

Por cima dessa caixa coloquei mais um fio redondo e outro rectangular, com fim decorativo.
Na zona de baixo da chave, em vez de dentes criei uma peça decorativa com caracóis e S em fio redondo de 1 mm. Soldei também três pequenas secções de fio rectangular com 1,5 mm de lado e 0,45 mm de espessura sobre o pé, para dar mais detalhe a essa zona.
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Com a estrutura montada foi a vez de fazer os caracóis em S que iriam ligar a cravação à  estrutura. Foi um bocado como fazer filigrana só que com um fio mais grosso. Usei o mesmo fio de 1 mm para ter a certeza que a peça tinha estabilidade. Fiz também pequenas bolinhas de prata para preencher os cantos e dar um pouco mais de variedade (tudo isso já previsto no projecto inicial).
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Tendo o cuidado de isolar muito bem todos os caracolinhos com corrector, para não derreterem, soldei a cravação e por fim criei um L duplo em fio de 1 mm para servir de bilheira (peça de suporte por onde passa a corrente).

Para terminar a cravação é preciso fazer pequenos cortes no interior das garras para sustentar a pedra. Estes cortes têm de estar todos à  mesma altura e não podem ser demasiado fundos para evitar que as garras se partam ao dobrar sobre a pedra. É um processo que requer paciência e rigor.
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A peça foi oxidada e depois polida. O óxido fica nas reentrâncias, dando mais profundidade e realce ao relevo. O ultimo passo é a cravação da pedra e polimento da cabeça das garras, assim como eliminar algum risco accidental que tenha ocorrido durante a cravação.

Para cravar a pedra empurram-se as garras com cuidado, uma a uma, até assentarem na pedra. Se alguma ficar muito no ar pode-se passar a serra entre o metal e a pedra para gastar mais um bocadinho. Isto só se deve fazer se a pedra tiver dureza suficiente. Se fosse uma turquesa, por exemplo, não se poderia fazer isso porque a serra riscaria a pedra. Para verificar se a serra é segura com determinada pedra, consulte a minha tabela de durezas na escala de Mohs. As lâminas da serra são geralmente feitas de aço temperado, pelo que andam à  volta de um 7 na escala de Mohs. Isso quer dizer que já é arriscado usar a serra com uma ágata e completamente desaconselhado para pedras mais moles.
Fiquei muito satisfeita com esta peça e inspirada para fazer variações sobre o tema.

Key Pendant – crown setting

This was the piece where I finally began joining silversmith techniques with the elements and themes I most identify with. All jewellery pieces are designed from a personal perspective – whether we prefer pointy or round shapes, large or small, etc – but here I began to solidify what i feel is my style of jewellery: a combination between sheet metal and wire, with a gorgeous stone as the focal point, oxidized silver and lots of details and texture. The idea of the key comes from my appreciation of steampunk imagery.

As the main goal of the piece was to create a crown setting, I started by sellecting the gemstone. I used a lovely yellow topaz I had bought at an International crafts fair a couple of ears earlier. The gemstone was expensive but I liked the shape, color and cut so much I couldn’t resist buying it. Such a gemstone deserved a special setting, so I drew several keys before getting to a project I liked. I was particularly inspired by the amazing work of artists like Iza Malczyk. The head of the key follows the triangular shape of the stone.

The crown setting would determine the size of the other elements, so I started there to make sure the fit wouldn’t be too tight in the end. Even when the project is at a scale of 1:1 it’s good to have a physical element to help get the rest of the measurements right, especially because a drawing won’t give you the exact notion of metal thickness, for example. It’s tempting to start from the outside in but you risk making sizing mistakes if you’re not experienced or careful enough, so I took the safest route.

For the setting I used silver sheet with a thickness of 0,5 mm (24 AWG) and the height of the stone pavilion (the lower, tapered part of the stone). I formed a triangle with rounded corners, following the shape and size of the stone. When doing a prong setting you have to make sure the bezel is a little smaller than the stone because the prongs are soldered on the outside and should run straight up the side of the stone. In a crown setting like this one, you have to make the bezel a little larger. The stone shouldn’t fall down the middle but almost.

I decided how many prongs I wanted and made cuts between each one with a jeweller’s saw. Then I enlarged the cuts with a triangular file. These cuts are further enlarged and shaped with the help of round and half round files until you have a crown shape. At the bottom of the bezel, aligned with the middle of each prong, I made cuts that were also rounded and refined until the bezel looked like it was formed by several U shapes side by side. You just keep filing the metal until you get the shape right. It’s a long and careful process. Finally I filed vertical grooves from top to bottom, at the center if each prong. This is merely a decorative step to make it look like the prongs are thinner and more delicate than they actually are.

All this was a long and careful process that took great care and patience. At the corners I had to be especially careful not to file too much because the tighter angle makes it easier to remove more metal in one go.

As soon as the shape was all nicely regular and rounded I made a similar triangular shape out of 1 mm square wire for the base of the crown setting. It’s this square wire shape that is going to be soldered to the remaining design elements.

With the stone setting completed I was able to turn my attention to the rest of the design and start building the key. The overall structure was made from 2 mm square wire. Inside the top frame I soldered a twisted wire. It was made by twisting two 0,8 mm (20 AWG) wires together (or one wire folded in half). One end of the wires is attached to a pin vice and the other to a bench vice. You turn the pin vice and apply heat with the torch as you go to keep the twisting even and prevent the wires from breaking because they harden as you twist.

The long part of the key was made with the same 2 mm (12 AWG) square wire and twisted wire. I covered the area where this part meets the head of the key with a small box-like component made from silver sheet. I cut two U shape pieces out of 0,5 mm (24 AWG) sheet and curved them. I made the side walls out of another U shape (out of square wire). This helps to keep both walls in place while soldering. If I tried doing one at a time it would be a lot harder to solder them vertically. When the walls are in place, I covered the key skeleton and soldered the “lid” in place.

This part was the hardest because, as you heat up the “box”, the inner solder also heats up and wants to run. On my first try the key got all twisted and I had to try again with better support for all the different parts. I should probably have stabilized it in plaster to prevent such an issue.

The box componente was a bit bare so I decorated it with some bands of round and rectangular wire.
At the bottom of the key, instead of the traditional teeth, I made some wire swirls out of 1 mm round wire. Na zona de baixo da chave, em vez de dentes criei uma peça decorativa com caracóis e S em fio redondo de 1 mm. I also soldered three small sections of 1,5 mm x 0,45 mm rectangular wire around the long stem to add detail to the area.

The main structure was done so it was time to make the swirls that would connect the stone setting to the rest. It was almos like making filigree only with thicker wire. I ised the same 1 mm wire for stability. I also made some small silver balls to fill the negative space in the corners and add more detail.

To prevent the wire swirls from melting as I soldered each one, I covered them with correction fluid (it gets the metal dirty so it doesn’t melt as easily and previous solder doesn’t run). Swirl by swirl I soldered the setting to the base. Finally I created a double lower-case handwritten L shape out of 1 mm round wire to work as a bail.

To set the stone I had to make small cuts on the inside of the prongs, to keep the stone in place. These cuts need to be all at the exact same height and can’t be too deep to prevent the prongs from breaking when they bend over the stone. It’s a process that requires patience and precision.

The key was oxidized with liver of sulfur and then polished. The patina remains in the crevices and adds depth to the textures. The last steps are setting the stone and polishing the prongs to remove any accidental scratches made during the setting process.

The stone is set by carefully pushing each prong until they meet the stone, while making sure it remains level. If any of the prongs refuses to bend completely, you can take the jeweller’s saw and run it between the prong and the stone to remove a bit more metal and make it easier to bend. This should only be done if the stone is harder than the metal of the saw. It’s fine for quartz, topaz and other harder stones but you should be careful with anything softer – it’s risky for agates and mus’t be done at all with a turquoise or pearl. To check if the saw is safe around the stone you’re using, check out my mohs scale chart. Saw blades are usually made from hardened steel, so they fall around 7 on the Mohs hardness scale.

I was very happy with this piece and inspired to make variations on the theme.