Joana , 9 meses

No dia seguinte à  Joana ter feito os 9 meses, fomos à  consulta. A Joana está com 70 cm e 7,67 kg, ou seja, percentil 50 de comprimento e 25 de peso.

Foi-nos aconselhado a levá-la à  imunoalergologista para confirmar a alergia ao leite e de resto está tudo OK.

Desde a consulta a Joana aprendeu a sentar-se sozinha e começou a tentar por-se de pé. O facto de ainda andar de meias muitas vezes dificulta essa parte, porque o nosso chão escorrega muito, por isso ando a deixá-la descalça mais vezes (quando a temperatura permite). Basicamente estar sentado é so last year e agora o que está in é estar de pé, por isso passo os dias a dar apoio enquanto ela faz a sua rotina: senta, deita, rebola, senta, levanta-se. Ocasionalmente cai e dá a inevitavel cabeçada no chão – nada com muita força até agora, felizmente – chora um bocadinho e depois volta ao mesmo. Devo dizer que é um exercí­cio duro para os meus braços, que passam o dia esticados para a frente a tentar apoiar mas sem estar sempre a segurar para ela ganhar confiança e equilà­brio sozinha. Esta fase é lixada para os paizinhos mas o sorriso com que ela fica quando se consegue por de pé é priceless.

Casa vendida

Fomos hoje fazer a escritura de venda da nossa antiga casa. Vendemos a casa por bastante menos do que comprámos inicialmente, mas é a forma como as coisas andam hoje em dia.

A mediadora foi a Remax e não tenho nenhuma queixa particular a fazer. Foram sempre simpáticos, trataram do certificado energético, de pedir o distrate ao banco, etc, fizeram a sua parte de vendedores, que foi convencer-nos a baixar o preço quando apareceu um comprador interessado, dizendo que a vantagem era que este comprador não precisava de recorrer ao crédito o que tornaria o processo muito mais rápido, mas depois não foi bem assim – o comprador acabou por recorrer ao crédito atrasando a venda mais um mês, mas também não posso culpar a imobiliária por ter um cliente que muda de ideias.

A maior parte da massa foi para a hipoteca e ainda falta ver quanto do restante é que ainda vamos largar em impostos para o ano. O que sobrar é para pagar parte do empréstimo das obras da casa nova. Por isso no final, aquilo que sobra é mesmo só o alà­vio de ter menos uma despesa.

Birras

Não sei se é uma reação tardia à  irmã mas as birras do Tiago têm vindo a tornar-se outra vez mais frequentes e cada vez mais manà­acas. É um bocado difà­cil explicar uma birra do Tiago a quem nunca viu uma mas é mais ou menos assim: começa com algo normal como recusar-se a tomar banho ou, como foi o caso de hoje, resolver começar a tirar as calças no meio da rua. Digo-lhe que não pode e ele insiste.

Hoje foi no caminho entre a escola e casa. Tentei explicar que não se podia despir na rua e ele começa a rabujar, com as mãos a puxar as calças para baixo. Por esta altura deixa de falar e por mais que pergunte o que se passa, porque é que está a fazer aquilo, etc, ele não responde com uma única palavra. Acabei por pegar nele ao colo e começar a dirigir-me para casa mais rapidamente porque já sabia como aquilo ia acabar. Ele luta para se soltar mas recusa-se a andar sozinho quando o pouso, começa a dizer ‘não, não, não’ repetidamente mas não responde quando pergunto ‘não o quê?’.

Acabei por ter de lhe agarrar no braço e continuar a andar e o ‘não’ passa a ‘não quero, não quero, não quero!’,  ‘Pára pára pára!’ e finalmente ‘pára com isso!’ o mais alto que consegue, acompanhado de um choro convulsivo e berraria ao mais alto nà­vel. Eu até aqui não fiz nada a não ser tentar falar com ele e quando não funciona, continuar a andar em direcção a casa. O que vale é que não me preocupo muito com o que as outras pessoas pensam porque senão imegino que a situação seria mais complicada ainda, com a quantidade de gente que fica especada a olhar e a comentar.

Durante todo este tempo tenho um medo imenso que ele consiga soltar-se e comece a fugir porque estou também a ter que empurrar o carrinho com a Joana e não posso simplesmente largar a bebé para correr atrás do tarado.

Quando consegui finalmente chegar a casa, depois de ter que transportar tanto o carrinho como o Tiago pelas escadas acima, já estava nos limites da sanidade mental e paciencia pelo que a criança levou umas palmadas e ficou fechado no quarto até eu me acalmar. Liguei ao Pedro para ter a certeza que não ia torturar a criança, algo que a certo ponto começa a apetecer, e quando tive a certeza que já estava calma e ele tinha finalmente parado de berrar (depois de começar a chamar pelo pai porque a mãe estava a ser má, claro) fui ao quarto falar com ele. Perguntei porque é que tinha feito aquela birra e a resposta foi que as calças estavam sujas. Já tinha reparado que ele tem um comportamento um bocado extremo – quando cai um pingo de comida ou là­quido na roupa tem de se despir imediatamente – mas no meio da rua nunca tinha acontecido. Tentei explicar que as pessoas não podem andar sem roupa na rua e que ele tem de aprender a respeitar as regras mas ele ignora-me completamente. Acabei por lhe tirar os brinquedos que ele estava a usar como distração para me ignorar e voltei a sair.

Quando voltei passados uns minutos voltei à  carga e ele acabou por ‘dizer’ que percebia que se tinha portado mal e que não voltava a fazer. O ‘dizer’ está entre aspas porque se limitou a uma comunicação não verbal com abanões de cabeça. Mesmo assim recusou-se a pedir desculpa e ficou no quarto mais um bocado. Depois saiu para o hall onde encontrou uma esponja. Veio perguntar se podia brincar com a esponja e eu disse que sim mas aproveitei para lembrar que não tinha ainda pedido desculpa pelo seu comportamento e ele lá o fez, o mais baixinho que conseguiu. Depois agarrou na esponja e foi lavar o chão da cozinha – voluntariamente, entenda-se – e passou a birra finalmente. Tinham passado quase duas horas.

A única coisa que posso dizer é que espero que passe porque odeio sentir que estou em guerra com o meu filho de 4 anos e que ele parece estar a ganhar.

Rant doméstica

Como chegou o aviso para pagar a inscrição da escola do Tiago para o próximo ano, fui saber se dava para inscrever a Joana também. Descobri que a creche está cheia e vai ser muito complicado arranjar lugar para ela.

Como meter ou não a Joana na escola está directamente relacionado com o meu tempo livre e possibilidade de fazer mais alguma coisa na vida para além de babysitting não remunerado, estive a avaliar a minha situação – design, bijutaria, contas da nitro, etc – e cheguei à  conclusão que todo o esforço que andei a fazer nos últimos anos para manter a empresa a funcionar, conseguir pagar os impostos, segurança social, uns troquinhos de salário, alojamento dos sites, etc, foi todo por água abaixo neste último ano.

Tenho andado num stress tremendo a enfrentar a situação de ter de deixar a minha bebé sozinha na creche daqui a pouco tempo, depois de andar a tratar dela praticamente 24 horas por dia durante um ano, mas também porque sinto que no primeiro dia em que ela ficar na escola eu tenho imediatamente que ter um emprego que pague tudo isso.

Comecei a pensar seriamente na hipotese de fechar a empresa. Tenho-a mantido aberta porque sempre vou descontando para a segurança social todos os meses, contando assim como tempo para a reforma, continuo a poder passar facturas do trabalho de design e também das vendas de bijutaria. Grande parte do dinheiro vai para impostos – PEC e IVA – mas já tinha um sistema que me permitia ir mantendo a coisa a flutuar, apesar de saber que nunca iria enriquecer assim. A opção seria recibos verdes mas o valor da segurança social é tão alto para depois não contar para nada em termos de tempo de serviço que não compensa.

Aliás, os pagamento obrigatórios tanto para micro-empresas como para recibos verdes – ou seja, aquelas pessoas que estão a tentar criar o seu próprio posto de trabalho e que deviam ser incentivadas em vez de castigadas – são absurdos. Como fiscalizar os grandes dá trabalho e demora tempo, toca a penalizar aqueles que não têm grande coisa mas estão a tentar sobreviver sem ter de pedir nada a ninguém. É a maior reforma que o estado precisava de fazer – aprender a fiscalizar em vez de passar o tempo a aumentar os impostos à  classe média que paga sempre e cada vez tem menos.

Desde o verão passado, com as obras, mudança e nascimento da Joana deixei de ter tempo para actualizar a loja, fazer peças novas, tirar fotos, etc e o negócio da bijutaria estagnou. Continuo cheia de ideias e materiais mas pouco tempo. As únicas coisas que tenho feito ocasionalmente são encomendas personalizadas.

Sinto que com mais tempo e persistencia consigo voltar pelo menos ao ponto onde estava mas a dúvida é se tenho esse tempo antes de se acabar o dinheiro. Já me sinto culpada por deixar a Joana sozinha durante o tempo necessário para por a loiça na máquina, quanto mais se me ponho efectivamente a tentar trabalhar enquanto ela anda pelo chão a meter na boca tudo o o que encontra.

Outro problema é que ando cheia de sentimentos de culpa porque sinto que devia conseguir fazer tudo ao mesmo tempo e que estou a falhar. Afinal não é isso que as mulheres modernas é suposto fazerem? Quando andava na faculdade nunca me ocorreu que alguma vez fosse ficar em casa a tomar conta de crianças – aliás, até aos 30 anos defendia insistentemente que não queria ter filhos, quanto mais ser responsável por eles a tempo inteiro. E por muito que adore os meus filhos admito que só os tive porque comecei a pensar que mais tarde poderia arrepender-me se não os tivesse e seria tarde de mais. Antes arrepender-me por fazer algo do que por não o fazer.

Agora que sou uma dona de casa glorificada, sinto por vezes algum preconceito por parte das mulheres que vão todos os dias para o seu emprego e que ocasionalmente largam comentários do tipo ‘até porque ela está em casa todos os dias, não é como se tivesse que ir trabalhar’. Eu sei que essas mulheres ainda têm todas as tarefas domésticas à  sua espera quando chegam a casa ao fim do dia de trabalho mas sinto-me um bocado ofendida pela implicação que estar em casa consiste em passar os dias a limar as unhas e ver telenovelas e tenho muitas vezes a necessidade de me justificar e explicar o que raio é que faço o dia todo para estar tão ocupada, o que é absurdo e irracional.

Por causa desse sentimento de culpa ontem até andei a ver anuncios de emprego e fiquei espantada com o que encontrei. Os vencimentos oferecidos andam todos à  volta de 500 a 600 euros, 250 para part time (uma das opções que considerei). Quem é que sobrevive assim? Comecei a pensar que faço mais dinheiro ficando em casa a fazer brincos do que a ter que ir todos os dias gastar dinheiro em almoços e transportes para ganhar uma ninharia que nem paga a creche da miúda. Ouch!

É que uma das vantagens de estar em casa é que não gasto dinheiro quase nenhum. Só vou ao cabeleireiro uma a duas vezes por ano, Fui recentemente comprar roupa mas não o fazia desde que precisei de roupa de grávida, a comida é comprada no supermercado e cozinhada em casa por isso também não custa muito e já poupei 1500 euros em creche (and counting). Ou seja, financeiramente, não é uma escolha tão absurda como possa parecer à  primeira vista.

Optei por ficar em casa pelo menos um ano com cada um dos meus filhos porque achei que era bom para eles estarem com a mãe. Sei que isso só foi possível porque o Pedro se mata a trabalhar e porque temos imensa ajuda da famà­lia. Sei que para a maior parte das mães é uma necessidade por as crianças na creche logo ao fim de 4 meses e é pena que no nosso paà­s assim seja. Eu tive essa opção porque já estava em casa de qualquer forma e achei que iria conseguir continuar a fazer qualquer coisa, pelo menos enquanto eles dormiam sestas. Fui um bocado estúpida por pensar assim mas não posso dizer que me arrependa inteiramente porque eles crescem num instante e deixam de precisar de nós da mesma forma.

O Tiago foi para a escola aos 18 meses porque era muito tà­mido, estava demasiado isolado e não interagia bem com os outros. Na altura achámos que a escola lhe ia fazer bem e de facto fez, apesar dessa tendência para se isolar se ter mantido – tem um grande amigo e ignora todos os outros miúdos.

A Joana parece-me mais sociável e tem o irmão com quem brincar em casa mas mesmo assim será importante a certa altura começar a lidar com crianças da mesma idade. Pode não ser este ano mas quanto mais tempo esperamos mais complicada será a adaptação.

E eu vou ter de respirar fundo, fazer uma lista e começar a lidar com uma coisa de cada vez.

Rastejando para a liberdade

A Joana começou a rastejar. Ainda não se apoia nos joelhos mas tem uma força brutal nos braços e consegue ir de uma ponta à  outra da sala em poucos segundos.

Esta foi uma evolução recente que se seguiu a um maior à -vontade a rebolar. Como já não está tanto frio começámos a por a Joana directamente no chão, em vez de ser sempre em cima de uma mantinha, e ela parece ter levado isso como uma abertura do espaço que tinha disponà­vel para se movimentar. Infelizmente quando lhe noto um boost de velocidade é porque encontrou um cabo eléctrico, um sapato que quer por na boca ou outro objecto igualmente perigoso. Entrou definitivamente na idade em que não se pode desviar o olhar por um segundo.

Felizmente readquirimos o parque que tinhamos comprado para o Tiago, o que nos dá alguma garantia de segurança quando é preciso sair da sala por momentos. Ela não gosta muito mas não tem uma aversão tão grande como o Tiago tinha e hoje até adormeceu lá dentro.

Aventura no Gymboree

Como fizemos a festa de aniversário do Tiago no Gymboree, deram-nos um voucher para um mês de aulas. Como a Alex também tinha um que estava quase a expirar e os miúdos são bons amigos, combinámos marcar para este mês.

No sábado fomos à  primeira aula. O Tiago gosta do espaço mas para correr por onde lhe apetece. Como aquilo era uma aula estruturada, foi complicado conseguir convencê-lo a se reunir ao resto das crianças e pais e participar. Lá para o meio comecei a conseguir convencê-lo a fazer um ou dois dos exercí­cios mas a certa altura acabou – fez beicinho, foi-se sentar a um canto a amuar e já não consegui fazer mais nada com ele. Tentei explicar-lhe que a aula estava quase a acabar e se ele não aproveitasse depois já não tinha tempo mas não funcionou. Disse que tinha sede mas recusou-se a sair para ir beber água e quando finalmente foi já a aula tinha acabado. Depois queria voltar a entrar e já podia por isso desatou a chorar e assim foi até chegar a casa.

Quero ter coragem de voltar a tentar mas não sei se aguento um mês disto. Presumo que a falta de cooperação e a teimosia sejam culpa minha, culpa de falta de disciplina em casa, de pouco tempo de brincadeira estruturada, mas sinceramente acho que até já sou rà­gida demais com ele à s vezes e tenho dias em que sinto que não faço mais nada a não ser ralhar com ele e insistir para que cumpra as suas pouquà­ssimas obrigações – arrumar os brinquedos que espalhou no chão, lavar as mãos quando vai à  casa de banho, etc. Hoje em dia já consigo que ele faça o que peço, com um misto de explicação e ameaça (primeiro explico porque deve fazer. Se não funciona ameaço tirar-lhe um brinquedo se não fizer). O Pedro diz que somos os dois teimosos e a sua técnica para lidar com  o Tiago passa mais por transformar tudo numa brincadeira mas depois tem situações em que o Tiago não o leva a sério porque ‘o pai é o que brinca’ e acaba por ter de se zangar. Só mostra que não há soluções perfeitas.

Quinzena de compras

O Pedro tinha uns dias de férias do ano passado por tirar por isso marcou-as para o final de Março. Como já fizemos o contrato de promessa de compra e venda da nossa antiga casa, avistando-se assim o final das nossas despesas a dobrar, resolvemos anteciparmo-nos e ir comprar os moveis que faltavam para a nossa sala, a única divisão que ainda tinha um ar pobrezinho e inacabado.

Na segunda começámos por algo mais mundano mas necessário, as compras de supermercado.

Na terça fui a Lisboa levar novas peças à  loja da Rua da Rosa. Já não ia lá há um ano e tinha de aproveitar a disponibilidade do Pedro para babysitting. No caminho de volta para o metro, apanhando-me sozinha na rua desde que a Joana nasceu, ainda por cima no Chiado, rodeada de lojas, não resistir a entrar numa ou duas e comprar umas camisolas.

Na quarta foi a vez do IKEA. Passámos lá 5 horas à s voltas, com a coitada da Joana a precisar desesperadamente de dormir mas a recusar-se a adormecer no carrinho. Se tomar decisões sobre moveis que vão ficar na nossa casa durante anos já é complicado, com a banda sonora de um bebé a chorar a coisa complica-se bastante, até porque não conseguimos desligar completamente o instinto que nos diz que deviamos sair imediatamente dali e ir para um sí­tio mais calmo onde o bebé se sentisse mais confortável.

Depois de muita discussão escolhemos os moveis de TV e uma secretária para a sala. Não estavamos convencidos com o sofá e estavamos quase a cometer o nosso erro usual de levar uma coisa que não gostamos só porque naquela loja não encontramos nada melhor mas ainda fomos a tempo de desistir antes de chegar à  caixa. Como no IKEA temos de andar pelo armazém à  procura das coisas, dá tempo para ouvir os nossos instintos e mudar de ideias.

Na sexta fomos à  Moviflor ver sofás mas não ficámos convencidos com nada. Pelo caminho passámos noutra loja que tinha uns sofás giros. Um deles ficou marcado como uma possà­bilidade pelos gadgets – tinha encostos móveis que se podem colocar em várias posições, braços que sobem, permitindo apoiar a cabeça quando se está deitado no sofá e assentos deslizantes, transformando o sofá numa chaise-longue curta (um bocado contraditório, eu sei). O preço é que era um bocado alto, mais precisamente o dobro do outro sofá que tinham sem essas cromices. Para além disso não gostei do tecido e pareceu-me que a senhora da loja estava a ser um bocado snob em relação aos tecidos que nos queria mostrar – tipo, ‘é um crime fazer aquele sofá com este tecido’ – algo que eu não tenho muita paciencia para aturar.

O fim de semana foi passado a acabar de montar os móveis que tinhamos comprado. Um bocado de serradura entrou-me para o olho e tive de passar uns dias a fazer tratamento e sem poder usar as lentes de contacto. Quando cheguei a segunda feira estava não só moà­da por causa da montagem dos móveis como também com dores de cabeça constantes porque os meus óculos já não têm a graduação certa. Na segunda fui ao consultório da minha mãe para ela ver o meu olho e confirmar que de facto estava arranhado. Quando saà­ resolvi dar um salto a uma loja de moveis mesmo em frente, que já conhecia da época em que vivemos ali perto. Não gostei particularmente de nada do que tinham em exposição mas tinham um em catálogo muito parecido com o que tinhamos visto na sexta feira, com os assentos deslizantes. A maior diferença eram os braços e o preço, que aqui era bastante mais baixo. Fui para casa pensar no assunto.

Na terça feira foi a voz de ir comprar roupa para mim. No Natal, em vez de uma prenda, o Pedro deu-me uma carta que dizia mais ou menos ‘gostava de te ter comprado roupa mas provavelmente não ias gostar do que eu escolhesse por isso vai tu à s compras’ – de forma mais simpática, obviamente, mas no geral a ideia era esta. Entretanto passaram-se 3 meses e nada de tempo para compras por isso era agora ou nunca.

Pelo que tinha comprado na semana anterior, por impulso, apercebi-me que a tendencia é para peças básicas, confortáveis, aborrecidas. por isso desta vez fiz um esforço para escolher aquelas coisas que gosto mas acho que nunca vou usar. Ignorei o preço, o facto de ter gatos, filhos pequenos, pouca paciencia para passar a ferro e nenhum sí­tio onde ir a não ser ao supermercado e  buscar o Tiago à  escola, e escolhi camisas acetinadas, vestidos e outras peças bonitas. Escolhi umas 20 peças de uma vez, experimentei todas, achei que a maior parte me ficavam mal e que preciso de perder 10 kg (coisa que já sei há muito tempo) e acabei por escolher só mesmo aquelas que não me fizeram torcer o nariz. Mesmo assim, entrando apenas em 3 lojas, somei um total jeitoso e achei que era altura de parar – a parte mais complicada quando se entra em modo shopaholic.

Na quarta fomos então encomendar o sofá: 250 cm, 3 assentos deslizantes, encostos móveis, braços direitos, tecido simples preto e um puff da largura das almofadas e altura do sofá para por os pezinhos ou servir de assento extra, tudo com impermeabilização. Nada disto era standard e o preço acabou por ser pouco mais do que o sofá do IKEA que tinhamos pensado comprar, por isso à s vezes até compensa visitar as lojas de moveis tradicionais. Agora é esperar que façam, mas pelo que percebi, as fábricas andam com pouco trabalho e há a possibilidade de ser bastante rápido.

Na sexta, para terminar, fomos comprar roupa para o Pedro. Ele estava muito indeciso mas acabou por encontrar algumas coisas que gostou. O problema da roupa de homem é que há lojas ‘jovens’, com jeans e t-shirts e depois há fato e gravata. É um bocado complicado encontrar qualquer coisa aà­ no meio.