A sopa

Há algum tempo que o Tiago declarou guerra à  sopa. De vez em quando come sem problemas mas a maior parte do tempo já nem tentamos dar porque fica toda no prato ou ele arranja maneira de entornar.

Ontem, por qualquer razão que não compreendi bem, pediu sopa e comeu sem problemas. Hoje já não queria mas consegui transformar a sopa numa coisa mais divertida e por isso está agora no segundo prato.

O truque foi muito simples: a sopa estava demasiado quente por isso deixei o Tiago por um cubo de gelo no prato e ele ficou fascinado a vê-lo derreter e já achou piada a comer a sopa depois, ou mais precisamente ‘comer a água’. De tal forma que quando acabou veio pedir mais sopa.

De facto basta um bocadinho de imaginação para dar a volta aos miúdos nesta idade…

Papeis assinados

Fomos esta manhã ao banco assinar a papelada que torna oficial o pedido de crédito para a nova casa e respectivos seguros. O valor a pagar em despesas com toda esta brincadeira é a brutal quantia de 4500 euros. Ouch!

Estou um bocado preocupada com a questão de quanto tempo teremos de andar a pagar a renda de duas casas uma vez que não podemos vender a actual enquanto as obras da outra não estiverem terminadas porque ficavamos sem sí­tio onde viver. Desde que a taxa de juro não volte a subir para aqueles valores absurdos onde andou há pouco, durante os próximos meses, será principalmente uma questão de contenção de despesas, mas não vai ser fácil se a situação continuar por resolver muito tempo depois de nos termos mudado para a nova casa.

Considerámos a opção de alugar esta casa mas continuo a colocá-la sempre em último lugar porque há muitas despesas associadas a uma casa – condomà­nio, IMI, reparações, etc – que se podem tornar um risco demasiado grande.

Agora vamos aguardar a aprovação final e depois será altura de fazer registos e marcar escritura. A senhora do banco falou na primeira semana de fevereiro – parece-me tão depressa! Antes do meio de Março não vamos conseguir começar as obras o que nos dá um mês e meio de espera inutil. Vou começar a roer as unhas e só vou parar no dia da mudança.

Avaliação concluà­da

Tive hoje o resultado da avaliação da casa, que ficou um pouco abaixo do que tinha sido previsto mas parentemente não suficientemente inferior para fazer grande diferença nas condições do crédito.

Amanhã vamos assinar os papéis e depois vão ser pedidos os registos provisórios. Não sei quanto tempo demorará esta nova fase mas até agora não está a andar mal.

Quanto à  questão do sótão, já vi finalmente a acta que resolve o assunto. Basicamente diz que o condomà­nio examinou o sotão com a intenção de o transformar em arrecadação mas como viu que aquilo precisava de muitas obras que não estavam dispostos a fazer, resolveram efectuar uma troca: o sotão passou a uso próprio do andar que estamos a comprar e o condomà­nio ficou com a arrecadação da cave que pertencia ao andar (cada andar tem uma destas arrecadações na cave). Tanto quanto sei, estas decisões, desde que fiquem em acta de condomà­nio, têm valor legal e foi uma decisão tomada já há mais de 10 anos pelo que não me parece que volte a dar problemas.

Aquilo que é mais complicado de definir é se o condomà­nio deveria ou não participar nas despesas de reparação do telhado. Há uma regra que diz que as reparações do telhado, mesmo que sejam feitas por uma fracção (no caso do condomà­nio não ter dinheiro, por exemplo) têm mesmo assim que ter autorização do condomà­nio para ser feitas, pelo que isto ainda pode vir a dar discussão.

Mas como não planeamos fazer obras no sotão de imediato e em última análise não me chateia nada deixar o sotão como está e usá-lo só para armazenar tralha, se der problemas não me incomoda tanto como seria de esperar. A razão principal de querer isolar o sotão é para melhorar as condições térmicas do nosso apartamento, que é uma das maiores desvantagens de viver num último andar.

Para legalizar o sotão como parte da fracção seriam necessárias demasiadas burocracias – inspecção da camara, projecto arquitectónico e sei lá mais o quê – e  não estou para me meter nisso.

à€ espera da avaliação

Depois de um pequeno atraso causado pela troca do director regional do banco, ontem recebi finalmente a aprovação inicial do crédito, que está agora dependente apenas do valor da avaliação da casa. Considerando a localização e a área da casa, se o avaliador for uma pessoa honesta não deverá haver grande problema com essa parte, mesmo sabendo que estes valores mudam muito de acordo com as flutuações do mercado.

Disseram-me também que a penhora que existia sobre a casa já foi resolvida e que o dono anda a pagar as suas dà­vidas de forma a não haver impedimentos quando chegar a altura da escritura.

A situação que não está resolvida é relativamente ao sótão. Fui hoje buscar a acta que é suposto garantir o uso do sótão pela fracção mas está incompleta e o texto é confuso e levanta mais dúvidas do que as que tira. Parece que trocaram a arrecadação da cave pelo sótão mas chamam arrecadação a tudo, não sendo claro quando se referem a uma ou a outra. Para além disso fala em aceitar a decisão ‘com reservas’ e lista uma série de limitações ao uso do espaço. Enfim, é tudo uma grande confusão e acho que isto ainda vai dar problemas. Gostava que eles fornecessem pelo menos a sentença do tribunal já que esse documento tem pelo menos a obrigação de ser claro.

Vamos ver como a coisa evolui.

Mais um fim de semana com o Tiago doente

No sábado o Tiago voltou de casa dos avós com febre. No domingo confirmou-se que tinha uma infecção na garganta e começou  a tomar antibiótico. Ficou em casa segunda e terça, em teoria por estar doente, para não ir infectar meis ninguém na escola, mas na prática já sem febre e com muita energia.

Por um lado o Tiago já brinca sozinho muito tempo, o que sempre vai dando para fazer o que é preciso, que hoje em dia implica todas as tarefas domésticas porque a Augusta foi operada e não vem há 3 semanas. Por outro lado, o facto de se recusar a dormir a sesta quando eu estou exausta (devido à  gravidez e ao facto do Tiago continuar a acordar todas as noites) e uma dor de cabeça persistente tornaram estes dois dias muito cansativos.

A terça feira foi mais fácil do que a segunda porque não me sentia tão cansada. Consegui passar mais tempo a brincar com o Tiago com mais dedicação e se não fosse a sua nova fixação com os desenhos animados da Hello Kitty, que tem uma música repetitiva e irritante que me dá vontade de furar os tà­mpanos só para não ter que a continuar a ouvir, não me podia queixar muito destes dois dias. É claro que a culpa é toda minha já que fui eu que arranjei os DVDs mas não esperava que ele ficasse tão viciado naquilo.

Ontem o Tiago voltou à  escola, mas depois de 4 dias a fazer o que queria, voltar ao horário foi complicado e estava completamente zonzo de manhã. Acho que nunca o tinha visto com tanto sono de manhã. Na terça deu luta para se deitar e acabou por ficar acordado até à s 11 da noite, o que explica o sono da manhã seguinte. Mas segundo a educadora até esteve bem disposto na escola.

Hoje já foi mais fácil. Ontem insistimos para ele ir dormir mais cedo e hoje acordei-o um pouco mais tarde e conseguimos chegar à  escola com uns miseros 10 minutos de atraso e um Tiago muito mais bem disposto.

Agora resta saber se a infecção passou completamente com o antibiótico ou se ainda volta.

Ecografia 1º trimestre

Fomos hoje fazer a ecografia do primeiro trimestre. A previsão inicial dava o tempo de gestação como 12 semanas e 4 dias mas segundo a nova medição será mais 13 semanas e um dia.

Parece estar tudo a correr normalmente, viram-se os indicadores todos que se deviam ver, os ossinhos e orgãos que se deviam ver estão lá todos, o coraçãozinho bate alegremente e tudo indica ser uma gravidez normal.

No final o médico acrescentou que lhe parecia ser uma menina mas acho que foi mais brincadeira do que convicção.

Tiago, 34 meses

A dois meses dos 3 anos de idade, o Tiago mostra cada vez mais imaginação nas suas brincadeiras. Os carros e bonecos falam e relacionam-se e eu divirto-me imenso a observar, e sou muitas vezes chamada a participar.

Uma das brincadeiras envolve um autocarro e um boneco do Batman, que são muito amigos e brincam à  apanhada. O peluche do Mickey qye a tia Bela lhe deu no Natal tornou-se um dos seus grandes amigos. Tenho de ser eu a falar pelo Mickey e a mexe-lo, para dar um toque extra de realismo e como tal estou constantemente de serviço. ‘Agarra no Mickey, mamã’ é das frases que oiço mais hoje em dia.

O fogão que demos ao Tiago também tem lugar nas brincadeiras, principalmente porque acende luzes e faz o som de água a ferver. Ele gosta de ligar os sons dos brinquedos todos ao mesmo tempo, algo que por vezes me dá uma vontade enorme de fugir a gritar. Fora isso o fogão é raramente usado. O forno tem mais função como garagem do que como forno, mas também é cedo para este tipo de brincadeiras mais realistas.

Felizmente a fase mais terrà­vel de não se querer vestir de manhã parece ter passado e ultimamente as coisas têm corrido melhor.Com um misto de brincadeira, tipo ‘esconder o pé nas calças’, vai-se conseguindo colaboração no meio da teimosia. O contar até três também continua a ser eficaz quando a coisa não avança mas acho que não vai funcionar por muito mais tempo. Já noto uma resistencia maior.

O Tiago continua a demorar uma eternidade para comer e não sei muito bem como resolver isso. Não quero fazer muita pressão à  volta da questão da comida mas por vezes torna-se doloroso estar à  espera dele.

As noites continuam a ser o pior, com o Tiago a acordar diversas vezes e a acabar na nossa cama. Umas noites insistimos para ele voltar para o quarto mas outras estamos demasiado exaustos. Já aprendi a aceitar que é mesmo assim e quando não consigo dormir vou eu para o sofá da sala e deixo-o na minha cama. Na casa nova tenho de arranjar uma cama extra senão não me safo.

A linguagem continua a avançar lindamente e o Tiago já se faz entender muito bem e aprende palavras novas todos os dias e depois gosta de as usar. Está a começar a repetir também as expressões em inglês que nos ouve usar e é capaz de ser a altura ideal para introduzir uma segunda lingua, agora que ele já está mais à  vontade com a primeira. Ele já vê desenhos animados em inglês à  muito tempo mas responde em português pelo que não é claro quanto é que compreende.

Esta é também a idade para começarmos a ter muito cuidado com o que dizemos porque ele repete tudo e aprende rapidamente as expressões que ouve como provou um dia destes com o ‘ena pá, tanta luz!’ quando acendi a luz da casa de banho de manhã.

Em termos de comportamento, continua a ser muito teimosso e reage mal quando recebe uma ordem directa. Para conseguir que ele faça alguma coisa tenho mais sorte com um tom de voz doce do que com gritos, algo que para mim é muito difà­cil. Acabo por alternar entre os dois, o que o deixa bastante confuso mas acaba por funcionar à s vezes. É a técnica do ‘não estou zangada mas não me provoques’.

Como é esperto e já percebeu que passar o tempo a dizer ‘não’ não funciona, agora adoptou a técnica de se ir esconder debaixo da mesa, como se fosse brincadeira, quando quer atrasar – seja para vestir o casaco quando estamos a sair ou para ir lavar os dentes à  noite. Como o objectivo é ter atenção, a única coisa que funciona é deixá-lo em paz até desistir e depois insistir um bocadinho com ele. É mais rápido do que ralhar e ir atrás dele.

Crédito

Fui hoje entregar ao banco a papelada necessária para iniciar o processo de pedir crédito habitação. Como sempre faltava uma coisa o que quer dizer que mais valia ter ficado quitinha e ter ido tratar disto com mais calma na segunda feira, mas OK.

Devido a uma confusão anterior com esta casa (já foi a escritura e um dos vendedores desistiu ou algo do estilo), não temos ainda a certeza que o processo vá correr bem. Se a casa tiver sido penhorada devido a esse problema, por exemplo, quando chegar a altura de marcar a nossa não passamos dali, tendo já gasto imenso dinheiro com o processo. Espero sinceramente que isso não aconteça mas estou à  espera de tudo. Enfim, pelo mesmo estamos avisados da possibilidade. O facto de termos resolvido avançar à  mesma pode querer dizer que somos muito optimistas ou muito estúpidos – o tempo dirá.

A senhora do banco aconselhou-nos a não fazer o processo através do supostamente simplificado sistema ‘casa pronta’ porque aparentemente demora mais tempo. Sai mais barato mas aparentemente a conservatória pode demorar meses a marcar a escritura. Na imobiliária disseram-nos que era mais rápido porque saltavam a parte dos registos provisórios mas no banco garantiram-nos que não. Exigem registos provisórios para se protegerem a menos que conheçam muito bem o vendedor, precisamente para evitar complicações como a acima descrita. Ou seja, vamos gastar mais trezentos e tal euros para tentar resolver o processo mais cedo. Não sei quem é que tem razão mas achei que não valia a pena arranjar complicações extra com o banco. Desde que nos aprovem o crédito é deixá-los fazer as coisas como entenderem.

Agora entramos no processo de espera. Toda a gente nos garante que hoje em dia é muito mais rápido do que há seis anos, quando comprámos a nossa actual casa, mas eu continuo muito céptica (mais uma palavra que supostamente já não se escreve assim, não é? Se encontro o gajo que aprovou o maldito acordo atiro-lhe com uma tarte).

Se pelo contrário tudo correr bem, no final do próximo mês podemos ter a nossa nova casa e iniciar o longo e penoso processo das obras.

Reserva e vacina

Ontem de manhã fui à  imobiliária passar um cheque gordo para fazer a reserva do apartamento que queremos comprar. Depois de confusões com os orçamentos e muitas contas achámos que valia a pena tentar.

Agora estou à  espera de um telefonema que venha confirmar ou destruir as nossas expectativas. Estou com pouca esperança que a dona da casa aceite a nossa oferta e aposto que vai ser uma dança tipo ‘ah se fosse mais 5000 talvez’. Não sei se estou interessada em ir por aà­ porque, como está, já vai ser apertado durante uns tempos.

Espero que até ao final da semana a coisa se resolva, seja para que lado for.

Hoje de manhã levámos o Tiago à  tortura da vacina da gripe. É mais por minha causa, visto que estando grávida aparentemente fico logo em grupo de risco, o que para mim é muito estranho. Sou saudável e não tenho problemas respiratórios e de repente estou em risco? Que raio de doença mais estranha.

O Tiago chorou um bocadinho mas não fez a birra monstruosa que eu temia que fizesse. No geral até se portou bastante bem e passados dois minutos já estava alegremente a brincar na casinha que têm no posto de saúde. Depois não queria vir embora mas também não foi muito difà­cil convencê-lo. Será que os terrible twos estão a abrandar?

Hoje vou à  escola falar com a educadora do Tiago para saber como as coisas estão a evoluir. O miúdo é teimoso mas nunca mais tive os mesmos problemas a vesti-lo de manhã e anda bastante mais cooperante, pelo menos em casa. Se puder transformar as tarefas num jogo, como esconder os pezinhos nas calças, por exemplo, faz tudo com um sorriso nos lábios. Ordens directas continua a não gostar muito de ouvir, mas se for mesmo a sério e eu contar até 3 obedece. Está muito mais aberto a negociações, algo que só vem com a maturidade e a idade, e isso é optimo. Já começou a aceitar fazer certas coisas que não quer se lhe der argumentos racionais – coisas muito simples, claro, mas é um grande avanço.

Parece-me que estamos a chegar a um ponto de equilibrio finalmente e fico muito feliz por ver que a persistencia e consistencia funcionam.

11 semanas

Nem acredito que já estou a chegar ao final do primeiro trimestre. A fome incontrolável já passou mas entretanto ganhei 5 ou 6 quilos, numa altura em que devia ficar precisamente na mesma já que o feto não tem mais do que o tamanho de uma uva. Ando com baixa auto-estima e fico verdadeiramente deprimida cada vez que me vejo no espelho.

Os enjoos andam melhor mas ainda não passaram completamente e tenho a impressão que o estomago não me vai dar tréguas até ao fim.

No fim de semana já consegui ouvir o batimento cardà­aco com o doppler que os meus sogros emprestaram e é estranho como uma coisa tão simples faz uma diferença tão grande. Acho que pelo facto de ser em casa e não no consultório médico torna tudo estranhamente mais real.

Desta vez não me sinto com medo. Antes do Tiago não sabia o que esperar de mim e das minhas reacções a ter que tomar conta de uma criança, mas agora que sei que as irritações são sempre contrabalançadas com um sorriso e que no fundo vale a pena, não tenho nenhuma das ansiedades das gravidezes anteriores. Não sou perfeita e faço asneiras mas também já percebi que tenho mais resistencia e paciencia do que alguma vez esperei. Até as noites sem dormir me parecem uma questão menor porque ao fim de quase três anos continuo a acordar várias vezes todas as noites.

Mas quando digo que não tenho medo não quero com isso dizer que estou ultra confiante. Simplesmente não me sinto ansiosa ou preocupada. Sei que se correr alguma coisa mal não será algo que possa prever ou prevenir e como tal não vale a pena preocupar-me com isso. Estou à  espera de marcos como a amniocentese – aquelas situações que podem terminar de vez as nossas expectativas – mas aguardo-o com bastante calma. São mais dois meses – um até ao exame e outro até aos resultados – antes de dar permissão a mim mesma para começar alegremente a fazer planos.

Ao mesmo tempo, não estou efectivamente à  espera que corra alguma coisa mal. Por um lado acho que já tive a minha dose e é preciso o universo odiar-me com todas as suas forças para acontecer o mesmo outra vez, o que vai completamente contra a lei das probabilidades, por outro lado, enquanto a criança existe, tem o coraçãozinho a bater e não há prova que contradiga o facto de que sairá cá para fora saudável, a minha vida segue o caminho que tem de seguir, abrindo espaço para este ser que para todos os efeitos já existe. Pode ser um bocado como comprar a garagem antes do carro, mas é a natureza humana. Não vou comprar roupa nem montar o quarto antes de ser preciso mas é impossível não pensar onde colocar o berço.

Só gostava que parassem de insisitir que vai ser uma menina. Começo a ter vontade de bater nas pessoas. A mania do ‘casalinho’ não podia ser mais irritante. Até parece que se for um rapaz vai ficar toda a gente muito triste. Epá, se quiserem mesmo vestir o miúdo de cor de rosa e dar-lhe bonecas não vejo qualquer impedimento nos primeiros tempos. Nem vai dar pela diferença!

De volta ao puzzle da casa

Depois de termos recebido uns orçamentos mais altos do que esperávamos para as obras da casa que fomos ver, estavamos já convencidos a desistir ou então a fazer uma oferta bastante mais baixa quando descobrimos que um dos orçamentos incuà­a o sótão, e como tal, o valor das obras da casa, que era a única coisa que considerávamos fazer numa primeira fase, descia consideravelmente.

Ficámos novamente com o dilema inicial. Vamos arriscar a comprar uma casa em péssimo estado, com o objectivo de fazer obras, correndo o risco das mesmas sairem bastante mais caras do que estamos à  espera ou continuamos a jogar pelo seguro e ficamos nesta casa mais uns anos até o espaço se tornar verdadeiramente claustrofóbico?

Umas vezes acho que sim outras acho que não. Do ponto de vista do valor da casa não tenho dúvidas que, tendo o poder de fazer as obras que a casa precisa, vale a pena investir. O problema é que o investimento vai um pouco para além da nossa almofada de segurança e pode ser um risco demasiado grande. Não ficamos sem nada mas vamos ter de passar a modo de poupança extrema durante vários anos e, para quem já está habituado a um certo conforto e a não ter de andar a fazer as contas as todos os tostões, é capaz de doer um bocado.

Não vejo como conseguiriamos pagar a creche de mais uma criança, por exemplo, apesar de isso não ser um problema durante pelo menos dois anos, mas não deixa de me preocupar não conseguir prever claramente este tipo de situações.

Preocupa-me também não saber qual será a resolução para a nossa casa actual. Se a vendemos depois de comprar a outra vamos ter o problema das mais-valias. Se a alugamos continuamos responsáveis pelas despesas do condomà­nio e reparações. Todas estas questões pesam na decisão de avançar ou ficar na mesma.

Acho que concordo com o Pedro e temos que ir ver a casa mais uma vez para conseguir decidir e tirar medidas a tudo porque temos algumas dúvidas que as áreas sejam mesmo as que estão na planta.

Ano novo

Há alguns anos que a passagem de ano é em casa dos meus sogros com jantar seguido da geração mais velha à  volta de uma guitarra a contar músicas dos Beatles (por vezes já sob a influencia duns copinhos de whiskey) seguido de ver o fogo de artificio da varanda, apropriadamente virada para o Tejo.

Penso que se começou a tornar um pouco repetitiva pelo que alguém achou boa ideia introduzir o conceito de máscaras nesse dia. Há quem ponha muito tempo e energia nos fatos e quem só pense nisso cinco minutos antes. Connosco varia um bocado de ano para ano. Este ano alguns dos fatos estavam muito giros, apesar de pouco práticos para usar toda a noite.

Para variar também dos Beatles, começámos a levar a PS3 com o singstar, que pelo menos permite um pouco mais de variedade (mesmo assim, como temos o singstar Queen ou o singstar Abba, a probabilidade de sair outra das músicas que comprámos online era baixà­ssima, o que é uma pena). Também aumenta o volume de som, graças aos microfones, mas como permite organizar equipas acaba por dar para mais gente participar.

Se não fosse o choque Tiago/Martim que deixou toda a gente um bocado mal disposta, teria sido uma noite mais agradável mas não há grande coisa a fazer com crianças desta idade.

(nota para a posteridade: acho que nunca fiz tanta censura num post como neste… raios, que isto começa a tornar-se difà­cil. Mais valia começar a meter tudo ‘private’.)