Já não há paciência

De facto eu continuo a sonhar todas as noites que uma ou outra das vizinhas de baixo vem queixar-se de água a pingar mas agora na sala ou outro sí­tio qualquer. E hoje, lá estava ela, a mulher mais detestável do planeta, com a sua cara de sapo, a tocar à  campainha para se queixar que o homem que apareceu para lhe pintar a casa de banho, enviado pela minha seguradora, queria usar uma tinta diferente da que ela tinha, que pelos vistos é tão excepcional que presumo que é toda armadilhada, brilha no escuro e devora intrusos.

Aparentemente já tinha falado com o pintor que lhe disse que aquela era a tinta que a seguradora tinha aprovado – leia-se, a que estava no orçamento –  e que se por qualquer razão daqui a 3 meses ela visse que a tinta estava a descamar ou outra coisa qualquer, para apresentar uma reclamação.

Como não obteve o que queria dali, veio chatear-me a mim com o seu problema de vida ou de morte, interrompendo o meu dia de trabalho, que ainda por cima consistia em actualizar uma tabela de números daquelas em que se páro já não sei onde ia.

Consegui não a insultar mas dei-lhe a única resposta que podia. Disse-lhe para comprar ela a tinta que quer ou aceitar a que foi proposta porque o orçamento não dá para mais. Então e se ela decide pintar a casa de banho com tinta de ouro eu também tenho que pagar isso? Sinceramente!

Já não tenho paciencia para isto. Acho que  tem de haver um limite para as manias dos vizinhos que uma pessoa é obrigada a aturar, raios!

Se a gaja continua a chatear-me começo a pensar em processá-la por assédio.

Um dia a fazer coelho

Jean-PierreComo estive de férias uma semana agora vou ter uns dias lixados para por a casa e o trabalho em ordem. Pilhas de pratos até ao tecto, montanhas de roupa para lavar e não pude pegar em nada disso hoje porque tive de fazer um coelho.

Acho que vou começar a retirar os bonecos do site à  medida que os que estão feitos vão ser vendidos porque são muitas horas de trabalho para fazer um boneco e acaba por não compensar. Por isso se andavam a pensar em comprar algum ‘um dia destes’ é melhor despacharem-se.

Daqui para a frente os bonecos irão funcionar como a bijutaria – faço só um ou só dois ou três de cada modelo e quando acabarem acabaram (excepto eventualmente por encomenda especial, mas aà­ com tempo para o fazer com calma).

Avaliação do Tiago

Fomos à  reunião de final do ano do Tiago. Não teve grandes surpresas e não sabia que tinha de levar uma pen para ficar com as fotos que a educadora andou a tirar durante o ano.

No geral é o que já sabiamos. O Tiago começou o ano muito isolado, sem interagir com as outras crianças e mesmo sem grande confiança nos adultos. Nos últimos meses, porém, já está mais bem integrado e até já tem um ou dois colegas com quem brinca regularmente e de quem parece gostar.

Acho tudo isso perfeitamente normal para quem esteve em casa sozinho com a mãe durante 18 meses. Se não tivesse evoluà­do é que seria estranho mas eu própria tenho notado uma grande modificação no seu comportamento para com os outros nos últimos meses.

Já não reage mal quando se aproxima alguém que não conhece, cumprimenta as pessoas e começou a gostar de brincar com outros miúdos quando vamos ao parque infantil. Também começou a puxar-me e ao pai quando quer companhia nas brincadeiras e eu ultimamente também tenho que descer pelo escorrega depois dele. Nota-se então que começa a achar mais piada brincar com alguém do que sozinho.

Gosta muito de pintar, colagens e todo esse tipo de actividades de expressão plástica, que também faz em casa. Também gosta muito de música e de fazer barulho com instrumentos musicais e reparei recentemente que começou a tentar cantar, senão as notas certas, pelo menos o ritmo das músicas que acho absurdamente giro 🙂

O treino de bacio não vai muito bem, nem na escola nem em casa. Tem de se despir todo em vez de se limitar a baixar as calças e na escola faz xixi no bacio mas depois entorna tudo, pisa, etc. Acaba sempre por ter de tomar banho. Em casa dá pontapés no bacio e, apesar de já ter usado a sanita algumas vezes, é só à  noite antes de banho e à s vezes ainda prefere fazer para o chão ou esperar até estar no banho. Já me sugeriram tirar-lhe a fralda mas ele nem se queixa quando tem a fralda suja. Não sei se iria funcionar.

A educadora também disse que a atenção do Tiago é de curta duração e que não é capaz de ficar sentado no tapete como os outros, algo que eu já previa. O Tiago é extremamente mexido e raramente se concentra na mesma actividade durante um periodo longo. Ultimamente já acontece mais mas não é muito frequente. Não sei se há grande coisa a fazer em relação a isso.

Acho que ele se farta das coisas quando deixam de ter desafio e vai à  procura de algo mais estimulante. Quando consegue finalmente encaixar uma peça, resolver um puzzle, etc, faz aquilo imensas vezes mas passado algum tempo percebe que é sempre a mesma coisa e aquilo deixa de lhe interessar.

O problema é que se não lhe apetece ouvir uma história, por exemplo, não há nada a fazer e até vem fechar-me o livro porque não é o que ele quer. Isso na escola deve dar alguns problemas porque têm alturas especificas para cada actividade e não está dependente do que lhe apetece. Mas o que é estranho é que a educadora diz que se ele estiver ao colo já fica quieto e com atenção, o que me leva a crer que não é propriamente um problema de concentração.

Por fim falámos na questão da linguagem que, obviamente continua a ser uma barreira. O Tiago comunica muito bem mas por não falar dá origem a algumas situações de birra que podiam ser evitadas porque nem sempre conseguimos adivinhar o que ele quer.

As birras tornaram-se muito mais óbvias nos últimos tempos. Felizmente não são violentas. Pelo contrário, o Tiago é sempre muito meigo, dá beijinhos e abraços, tem empatia e vai um abraço ao pai quando se magoa ou ao leão do livro que tem um espinho na pata.

As birras dele consistem em atirar-se para o chão e berrar muito. Fica mole e não deixa que lhe peguem ao colo pelo que é impossível confortá-lo ou acalmá-lo. A educadora, depois de ter tentado todos os truques chegou à  mesma conclusão que nós: temos de o deixar berrar tudo sozinho e vir ter connosco quando se fartar.

Do que tenho observado no comportamento do Tiago, aquilo que mais me diverte é vê-lo a por os brinquedos a dar beijinhos. É mesmo fofinho 🙂 E já não são só os ursinhos – são os carros, as girafas, em que uma é a mamã ou o papá e a outra é o bebé, etc.

O ursinho também passou a ser o bebé e no fim de semana ficou todo feliz quando fomos por uma fralda no seu bebé.

As brincadeiras são cada vez mais imaginativas e os bonecos já falam uns com os outros e imagina situações para eles (que não compreendo porque a sua linguagem é incompreensà­vel para mim). Também já consegue montar sozinho as pistas de carros e do comboio, cujas peças ancaixam tipo puzzle, e brinca imenso tempo com aquilo.

Laser e compras

De manhã já me sentia melhor por isso arrisquei a ir para Lisboa à  sessão de depilação laser. Já vou na sexta sessão das pernas, quinta de virilhas e terceira de axilas.

Não sei se estou mais sensà­vel ou se é por estra mais calor mas a zona das virilhas doeu como eu já não esperava. Não foi tudo, mas alguns dos disparos davam mesmo para saltar.

Agora só volto daqui a dois meses e vou ter de tentar esquecer-me de como isto doi senão não sei se tinha coragem de voltar.

Quando saà­ encontrei uma loja que vende os sapatos que eu queria, da Fly London. Ando à  procura há imenso tempo e não encontrava aqueles sapatos em lado nenhum. Até já pensei em encomendar online e afinal estavam mesmo ali. É claro que não tinham o meu número.

Acabei por comprar umas sandálias com um aspecto confortável e tenho de voltar para a semana para ver se já receberam mais números. Como entretanto recebi o código do cartão de cidadão já tenho desculpa para voltar ali 🙂

Vómitos ao domingo?

O que será que se passa? A semana passada foi o Tiago e hoje fui eu que acordei de manhã a precisar de largar tudo o que comi ontem que resolveu ficar no estomago em vez de seguir caminho.

Passei uma noite horrà­vel mas achava que estava só com azia e nem conseguia estar deitada. Na verdade foi precisamente como as noites que passei no final da gravidez e não tinha saudades nenhumas. De manhã estava cheia de nauseas e só quando fui finalmente deitar tudo fora é que fiquei melhor.

Não consegui comer nada o dia todo, ficando-me pela água e só me apetecia dormir. Acabei por passar grande parte do dia na cama, levantando-me apenas para ver se conseguia engolir um iogurte mas o sabor doce enjoou-me ainda mais e tive de desistir.

Praia

Como não se sabe se o bom tempo vai durar, aproveitámos a manhã para ir à  praia.

Eu planeava ficar debaixo do chapéu de sol porque tenho laser na segunda e não queria brozear as pernas, mas o Tiago foi imediatamente par a água e passámos grande parte do tempo a segurar-lhe nas mãos para o levantar quando vinha uma onda mais alta, brincadeira que ele gostou tanto que não queria sair dali.

Lá conseguimos parar para comer e depois o Pedro teve de andar atrás do Tiago de uma ponta à  outra da praia durante mais uma hora. O Tiago estava de camisola, chapéu, óculos escuros e protector 50 por isso não lhe aconteceu nada mas o Pedro, que é um pouco mais relaxado na aplicação do protector, apanhou um bruto escaldão.

Como é costume nos dias de praia, o Tiago recusou-se a dormir a sesta. É como se funcionasse a energia solar e ficasse com as baterias demasiado carregadas.

Aniversário do Pedro

O Pedro fez hoje 36 anos e depois de esperar até mesmo ao último minuto, resolveu convidar a famà­lia para jantar o que implicou passar a manhã a limpar a casa.

O jantar começou um bocado atrasado porque o forno recusou-se a aquecer a lasagna e acabou por ter de ser aquecida no micro-ondas dose a dose. Senti-me como se trabalhasse num restaurante 😛

O Tiago adorou a festa porque já conhece toda a gente e passou a gostar de ser o centro das atenções. Teve a famà­lia toda no quarto dele a brincar com o seu novo comboio de madeira até preferir ir ver tv, como acontece quando começa a ficar cansado.

O bolo de aniversário, oferecido pelos avós e entregue pela Marta, era um mil-folhas gigante que estava uma delà­cia. O Tiago estava particularmente interessado na cobertura de açucar e foi uma luta para conseguir que ele largasse aquilo.

Como infelizmente toda a gente trabalhava no dia seguinte, foram-se logo embora depois do jantar e nós fomos tentar convencer o Tiago a ir para a cama.

Dia de férias

O Tiago voltou à  escola por um dia para podermos ter pelo menos um dia de férias sem fraldas, almoços e birras. Ao fim de dois anos acho que já merecemos pelo menos um mà­sero dia.

Foi um bocado como voltar atrás no tempo – manhã na cama, almoçar fora, passear pelas lojas… Já nem me lembrava que estas coisas existiam sem ter de estar sempre em estado de alerta.

à€ hora do costume fomos buscar o Tiago e brincámos com ele no escorrega antes de voltar para casa. Mostrámos-lhe a prenda que lhe tinhamos comprado – isso é que mudou para sempre – agora é muito mais giro comprar coisas para o Tiago do que para nós – um comboio de madeira com pista para montar.

Ele gosta de carrinhos mas ultimamente anda mais interessado em comboios e não resistimos. Optámos pelo comboio em madeira em vez dos motorizados porque ele gosta mesmo é de o empurrar pelos carris, parar para levantar as cancelas, etc. Gosta do controlo. Se aquilo anda sozinho não tem piada nenhuma.

Eventualmente teve a birra diária obrigatória porque o comboio descarrilava a descer a rampa e acabou-se a brincadeira, mas no geral foi um óptimo dia.

Indisposição infantil

Ontem fui comprar comida chinesa para o almoço porque estávamos a precisar de fazer compras. O Tiago já tinha comido uma vez e gostou bastante. Desta vez também comeu bem mas parece que o està´mago dele não gostou daquilo porque vomitou a comida toda por digerir depois da sesta.

Estava com esperança que fosse só isso mas aconteceu mais duas vezes e depois outra vez quando ele bebeu água. A partir daà­ ficámos convencidos que estava mesmo doente e pronto, lá se vai a semana de férias.

Passámos o resto do dia a dar-lhe água em pequenas quantidades e mais nada. Ao fim de umas horas sem vomitar arrisquei uma bolacha de água e sal que veio fora assim que acabou de a comer.

Por essa altura estavam cá o meu irmão, a Ana e o Gabriel e fiquei com medo que aquilo fosse qualquer coisa que pudesse ser contagiosa para o bebé.

Não arriscámos dar mais nada ao Tiago a não ser pequenas quantidades de là­quidos e não voltou a vomitar.

O mais estranho é que apesar dos vómitos o Tiago passou o dia completamente bem disposto. à€ noite fomos jantar a casa dos meus sogros e ele fartou-se de brincar e rebolar-se no chão como se estivesse tudo normal.

Hoje não foi à  escola porque queria ver se ele continuava na mesma. Felizmente parece que já passou e ele voltou a comer sólidos, aos poucos. Começámos com iogurte, depois uma bolacha e ao lanche já estava a comer sandes sem problemas.

De manhã o pedreiro veio acabar a banheira, pouco depois vieram entregar-nos as compras do supermercado, e como estava bom dia e o Tiago parecia estar recuperado, aproveitámos o bom tempo e fomos fazer um picknick ao parque.

O Tiago esteve entretido enquanto comia mas depois conseguiu encontrar uma brincadeira perigosa, como sempre, para ser preciso andar atrás dele o tempo todo. Agora acha piada a subir para a zona mais alta que encontrar, sejam pedras ou desnà­veis do terreno. É o gene masculino em acção, sempre à  procura do próximo desafio. Isso quer dizer que num relvado gigantesco ele vai sempre descobrir aquele cantinho onde pode tropeçar numa raà­z, escorregar num monte de terra mais alto que ele, cair e bater com a cabeça numa árvore. Tà­pico.

Banheira no sí­tio

Hoje de manhã veio o pedreiro para começar a colocar a banheira de volta no seu lugar. Nos últimos dias tem sido deprimente entrar na casa de banho, com aquele buraco cheio de entulho a ocupar todo o meu espaço visual. O cheiro a pó, pedras e cimento também não ajuda.

Desta vez parece que finalmente veio um homem que sabia o que estava a fazer porque a banheira ficou bem montada, enfiada dentro da parede, por baixo dos azulejos, para evitar mais infiltrações por falta de silicone. E ele esteve ali com todo o cuidado a medir tudo para ter a certeza que a banheira ficava nivelada, etc. Nada que se compare à  besta que esteve cá antes.

O homem fartou-se de trabalhar. Esteve cá desde as 10 da manhã até à s 6 da tarde e fez o trabalho quase todo. Reconstruiu a parede à  frente dos canos com tijolo, deitou cimento para assentar bem a banheira, reconstruiu o muro da frente da banheira com um rebordo redondinho e tudo e ainda colocou os azulejos. Eu nem queria acreditar que ele fez aquilo tudo num só dia.

Ficou só de voltar na segunda feira para por uma massinha entre os azulejos e as grelhas de ventilação mas até já podemos tomar banho no domingo.

– Chain maille bracelet and wire rings

– I’ve decided to try coloured wire to make some coil rings. The color surface is a bit fragile but the colours are so beautiful and shiny that’s it’s a really tempting material to use. I used colourful wood beads as a focal point for the rings and the contrast between the materials – rough and smooth – works really well.

I also used this wire to make a chain maille bracelet in a variation of the japanese weave. It took days and was really hard work because the jump rings were tiny but the result is quite lovely. I tumbled the bracelet after it was done, to work harden the wire a bit more because I was afraid the smaller rings would open too easily and to get rid of some burrs they might still have. I feared the tumbler would remove some of the color coating but it didn’t.

Here’s a picture of the finished bracelet:

I’m considering buying the coloured wire in thicker gauges to make chain maille because I really love the way you can make patterns by using different color jump rings in a weave and it eliminates the need for beads as decoration.

A utopia da anarquia

Há dois ou três dias andou uma dupla de idiotas pela cidade de Almada a pintar nas paredes mensagens anti-voto, assinando com o A de anarquia.

Chamo-lhes idiotas pelas seguintes razões: em primeiro lugar porque a mensagem é inutil. A maior parte dos portugueses está-se nas tintas para o voto, como se pode ver através da análise do número brutal de abstenções que há em todas as eleições. Normalmente a população tem coisas mais importantes para fazer, como ir para a praia.

Votar só se torna uma prioridade nacional quando o governo actual fez uma merda tão grande que não podemos permitir que continuem. Mas depois de uns aninhos com outro governo lá voltam os mesmos gajos outra vez. É uma grande palhaçada porque não é um partido reformulado que regressa mas sim as mesmas pessoas que fizeram asneira antes e que se calhar deviam até estar presas quanto mais continuar em cargos públicos. Quando o Cavaco Silva foi primeiro ministro tornou-se o ser mais odiado do paà­s mas vejam lá se não foi eleito presidente passados uns anos? A memória dos portugueses é muito curta.

Portanto não discordo inteiramente sobre a inutilidade do voto, nem sou contra a ideia de anarquia, pelo menos em teoria porque é uma noção muito complicada de por em prática, mas acho absurdo que se ande a escrever isso pelas paredes, especialmente em conjunto com frases sobre opressão do governo. Opressão no nosso paà­s? Chamar a isto opressão é rir na cara dos paà­ses onde isso existe, onde desaparecem pessoas para nunca mais serem vistas porque exprimiram uma opinião que não é totalmente favorável ao actual là­der, onde são assassinadas dezenas de pessoas diáriamente sem qualquer espécia de represália para os assassinos no poder.

As mensagens de protesto escritas na parede são algo que surge quando a população não tem outra forma de expressar o seu desagrado. No nosso paà­s, porém, continua a existir liberdade de espressão e há imensas formas de expressar opinião – criar um site, distribuir panfletos, usar t-shirts com frases anti seja o que for, comprar espaço num jornal ou revista ou até num canal de televisão. Nada disto é proibido ou castigado e são tudo formas muito mais civilizadas de passar a mensagem, e talvez até mais eficazes.

Uma frase escrita na parede no clima actual não passa de lixo. Eu não sou anti grafiti, que pode ser uma forma de expressão artà­stica válida e estéticamente interessante, mas não assim. Isto não é mais do que estragar pelo simples gozo destrutivo. Os grafitis locais não passam de riscos e assinaturas tipo ‘estive aqui’ como se a cidade não fosse mais do que uma grande casa de banho pública. A cidade tem vindo a renovar-se, os prédios estão todos pintadinhos de novo e agora aparecem estes paspalhos a sujar tudo outra vez.

O pior é que sei que grande parte destes gajos são uns betinhos que só usam roupa da marca x e sapatos da marca y, que nunca lhes faltou nada na vida e a sua ideia de anarquia restringe-se a ‘era porreiro poder fazer tudo o que quero’. A ideia original de anarquia não implica uma ausencia de ordem e de cumprimento de certas regras sociais e de respeito mútuo. É uma ideia utópica, impossivel de implementar, de ausencia de governo hierarquico passando a uma organização social acordada por todos, que não reprima as diferentes formas de pensar e agir. É uma ideia muito interessante mas que só funcionaria em pequenos grupos ou tribos em que toda a gente se conhece e se pode reunir para dialogar. Numa sociedade em que nem conhecemos as pessoas que vivem no mesmo prédio e nas reuniões de condominio ninguém se entende, como é que se chega a acordo sobre coisas importantes?

No fundo os opressores de que se queixam estes idiotas não são os governantes do paà­s, que podem ser uma cambada de ladrões e mentirosos mas que também têm que fazer um trabalho chato e tomar decisões que vão sempre ser impopulares para alguém. O governo hierarquico que oprime estes grafitistas  são o papá e a mamã que não lhes aumentam a mesada.